Brasília: Como não amar esta cidade?

A segunda-feira acabou às 18:35. Eu e mais dois colegas estávamos dentro do táxi, prestes a voltar pro hotel. Como um deles quis fazer uma parada na comercial da 203 pra comprar umas frutas, o táxi desviou pra L1, na parte de dentro das quadras – que é a parte mais engarrafada de todo o trânsito local. Mas tudo bem, a frutaria fica a apenas duas quadras de distância, a 1,5km de onde estávamos, então não tinha como demorar. Mesmo porque Brasília é uma cidade planejada, e o trânsito foi especialmente desenhado para evitar semáforos e cruzamentos.

UMA HORA DEPOIS, chegamos na comercial. Fica até fácil fazer as contas e determinar nossa velocidade média: 1,5 quilômetros por hora. Se fôssemos a pé chegaríamos TRÊS VEZES mais rápido. Na verdade daria pra ir a pé fazendo paradas a cada cinco metros para fazer um moonwalk, dar uma pirueta, gritar WOOOOO! e continuar andando.

Depois de comprar as frutas, quando estávamos de saída tentando descobrir como diabos faríamos para conseguir voltar pro hotel, meu telefone toca. É o André, velho amigo e também hóspede, dizendo que acabou a luz no Setor Hoteleiro Norte todinho.

Nota: É a segunda vez em menos de duas semanas que temos três ou quatro horas de blecaute na região do hotel. A foto abaixa mostra o Eixo Monumental no dia do primeiro blecaute. Tive que subir seis andares de escada e tomar banho à luz dos faróis de carro…

Então começou o plano “B”: ir jantar em algum lugar pra esperar o trânsito melhorar e a luz do hotel voltar. O consenso foi para comermos uma boa carne, então, como estávamos parcialmente abençoados pelos deuses do reembolso de despesas, sugeriu-se o ótimo Corrientes 348, lááá na outra ponta da asa sul.

E que estava fechado.

O plano “C” era o BSB Grill, que não era muito longe. E que também estava fechado. Talvez o comércio esteja adotando uma escala de trabalho parecida com a do Congresso, sei lá.

Então tínhamos que arrumar um plano “D”, e alguém sugeriu o Fogo de Chão – este, já muito acima das nossas capacidades de reembolso e perigosamente próximo da região afetada pelo blecaute. Uma rápida pesquisa no Google e liguei pra lá:

– Restaurante Fogo de Chão, boa noite.
– Boa noite. Vocês tem… er… energia elétrica?

Já eram quase 20h quando entramos na churrascaria. O jantar foi sem pressa, já que da janela dava pra ver o setor hoteleiro todo apagado. Só lá pelas 22h a luz voltou e, finalmente, voltamos ao hotel. E aqui cabe um pequeno interlúdio hoteleiro:

Antes a equipe toda ficava hospedada no hotel Sonesta, que é tão ruim que foi extensivamente “avaliado” neste meu post. Depois de MESES de reclamações e nenhuma solução, nossa empresa finalmente cedeu à pressão e mudou todo mundo pro Nobile Suites – recém-inaugurado, situado logo em frente ao Sonesta. Aí você pensa: “Que bom, pelo menos com hotel você não está sofrendo mais!”. Bem, parafraseando um dos meus colegas da saga desta noite, o Nobile Suites tem que melhorar muito pra ficar ruim igual o Sonesta. Ele é limpo, tem água quente e internet boa, mas o serviço é TÃO RUIM que na semana passada a gerente deixou, no quarto de todo mundo da equipe, um pratinho de frutas e uma carta com um pedido de desculpas:

Temos ciência de que falhamos nos serviços oferecidos nas semanas anteriores, e estamos fortemente empenhados a mudar a imagem que a equipe da sua empresa tem de nosso hotel. (…)

Sim, claro. Depois de esperar MEIA HORA pra fazer checkin, entrei no quarto e dei de cara com essa PILHA de “empenho” aí da foto em cima da cama.

Ah, Brasília. Como não amar essa cidade?

Twitter pelo celular: como usar, opções e custos

Updating Twitter (by Balleyne on Flickr)

A combinação Twitter e celular é simplesmente perfeita. As mensagens curtas do Twitter parecem ter sido feitas para serem lidas nas telas pequenas dos aparelhos. O conteúdo, ágil e direto, é ideal para aquela leitura ocasional no ponto de ônibus ou na fila do banco. No entanto, o uso do serviço via celular, aqui no Brasil, parece que nunca decolou.

Acho que as pessoas pensam que você precisa de um smartphone ou Blackberry ou iPhone pra usar internet – e consequentemente o Twitter –  no celular, quando, na verdade, a maioria dos celulares fabricados após 2001  pode acessar a internet. Se seu telefone, por mais tosco que seja, tiver MMS ou Java, aí então é garantido.

E se seu celular tem Java, uma dica muito quente: baixe e instale o Opera Mini no seu telefone. É gratuito, funciona mesmo nos telefones mais toscos do universo, é super rápido e ainda reformata as páginas para ficarem legíveis no displayzinho do seu aparelho. Com o Opera Mini você acessa qualquer página da internet, mesmo que ela não tenha versão acessível para celular. Eu me lembro de, em 2008, conseguir acompanhar vários debates da primeira Campus Party no banco de trás de um carro que viajava pelo interior de Santa Catarina só acompanhando o Twitter na telinha minúscula de um Sony Ericsson W200i.

Superadas as dificuldades técnicas, vem o segundo mito: o custo. Acontece que com a chegada do 3G a internet móvel barateou muito, e mesmo que você não tenha um plano de dados vai pagar apenas algo em torno de R$ 1 para cada megabyte avulso que gastar. Veja a tabelinha abaixo (valores para o DDD 11):

custos internet móvel

Mas quanto de Twitter eu posso usar gastando apenas um megabyte? Se você acessar a versão mobile do Twitter (m.twitter.com), que só tem texto, vai gastar apenas uns 6 kb em cada acesso – ou seja, dá pra cento e setenta acessos. É muito barato.

O Twitter Mobile é bem limitado em termos de funcionalidades. Para usar todas as funções do serviço no celular, o melhor é usar os sites de terceiros, como o dabr.co.uk (minha sugestão) ou o twittme.mobi. Veja aí embaixo a cara e as funcionalidades dos três:

Sites para Twitter Mobile

Da esquerda para a direita: Twitter Mobile, dabr.co.uk e TwittMeComparativo de sites para Twitter mobile

Além destes três tem o Slandr.net (que já usei muito, mas que atualmente anda instável e tem menos funcionalidades que todos os outros) e o mobile.twitter.com – também oficial do Twitter e com bem mais funcionalidades, mas que só funciona em celulares com navegadores mais robustos.

Outras dicas:

  • Se você quiser usar um aplicativo Java ao invés de sites de terceiros, o pessoal do Twitcast dá algumas opções neste post.
  • Se seu celular for realmente tosco e não tiver internet, ainda assim dá pra usar o Twitter via mensagens de texto simples, usando o Sms2Blog. Você só paga o custo da mensagem (normalmente R$ 0,39). Mas cuidado: o serviço te obriga a seguir o usuário @sms2blog (e o faz sem te perguntar antes), o que pode ser meio chato.
  • A Vivo lançou um tal Vivo Twittando, serviço pra usar o Twitter com SMS e que é mais barato (R$ 0,15 por tweet). Nunca usei, então não sei se presta.

The ChatRoulette Piano Improv Guy (e uma reflexão sobre a infinita criatividade da internet)

A modinha do momento na Internet é o ChatRoulette.com, onde você se conecta com sua câmera pra conversar com outro usuário do site, escolhido aleatoriamente em alguma parte do mundo. Quando você se cansa, dá “next” e o site sorteia outro anônimo pro seu prazer voyeurístico.

Então imagine só: você está “zapeando” pelo ChatRoulette e, de repente, aparece um cara sentado ao piano. E de repente o cara começa a cantar e tocar, de improviso. E ele está cantando e tocando sobre VOCÊ.

Este, meus amigos, é o ChatRoulette Piano Improv Guy.

É por coisas assim que eu amo a internet. Não pelo vídeo em si, mas pelo fato de que a rede tá aí há algumas décadas e, enquanto todas as outras mídias caíram num ciclo de repetição de velhas fórmulas para continuar rentáveis, a internet demonstra uma criatividade que aumenta exponencialmente a cada dia e que não parece ter fim.

Também é interessante notar a inversão do ciclo criativo “ideia-ferramenta”. Antes as pessoas tinham ideias de ferramentas e as implementavam. Agora as pessoas implementam ferramentas, depois vem os usuários e têm as ideias. Uma busca no YouTube por “ChatRoulette reactions” mostra inúmeras pegadinhas e brincadeiras engraçadas que já se inventou no ChatRoulette (uma das minhas prediletas é essa). A ferramenta que nasceu para entreter apenas como chat ganhou vários novos usos e teve seu potencial de entretenimento quintuplicado pelos próprios usuários. E tudo espontaneamente, como os improvisos cantados pelo Piano Guy.

P.s.: Enquanto o mundo esbanja criatividade, os brasileiros seguem só na picaretagem, chupinhando todas as ideias gringas que surgem na internet. Já ouviu falar no CataPapo.com.br? Pois é.

Update (20/03): Segundo a jornalista Flávia Durante, o pianista é ninguém menos que Ben Folds.

Update (21/03): Não é o Ben Folds, e sim um tal de Merton. Mas aí – e olha como é a magia da Internet – o próprio Ben Folds fez um vídeo em tributo ao Merton, imitando-o num show.

Dicas para quem não costuma viajar de avião

Porque depois de sete anos voando praticamente toda semana e 211.436 milhas acumuladas (só na Tam) a gente aprende algumas coisas. Espero que alguma dica sirva pra você.

Assentos do Airbus A319 da TamUma coisa que melhora ou arruina sua viagem de avião é onde você se senta. Os aviões da Gol e Tam, em voos domésticos, tem umas 30 fileiras numeradas com três cadeiras de cada lado do avião – como o Airbus A319 aí do lado. Assentos com letra A ou F ficam na janela e assentos com letra C ou D, no corredor. Os piores são os assentos B ou E, que ficam espremidos no meio de duas cadeiras: Evite-os.

Os assentos com números menores (1 até 16) te permitem ganhar alguns minutos na hora do desembarque, mas só se você não tiver despachado bagagem, porque nesse caso sair mais rápido do avião significa apenas esperar mais pela sua mala lá na esteira de bagagem. O inconveniente deles é que se esgotam rápido no check-in e, se você não embarcar primeiro, o espaço para bagagem de mão tende a se esgotar rapidinho. Já os assentos de trás do avião (da fileira 16 em diante) te permitem embarcar mais rápido se você estiver voando pela Gol: o embarque neles é prioritário. Só que você desembarca por último, o que pode significar alguns minutos a mais mofando no avião (ou cochilando alguns minutinhos a mais, se você estiver cansado e sentado na janela).

Por sinal, para cochilar no avião os assentos das janelas são mesmo os melhores: feche as persianas para a claridade não incomodar, encoste a cabecinha na lateral do avião e “boa noite”. Eu recomendo nem reclinar a poltrona: ela reclina tão pouco que é melhor deixá-la na posição vertical pra aeromoça não te acordar na hora da decolagem e do pouso. Mas se você gosta de reclinar a poltrona, cuidado: há duas fileiras no avião onde as poltronas NÃO reclinam: a última fileira e a fileira logo em frente à saída de emergência (cujo número varia dependendo do avião, mas é sempre ali entre a 10 e a 15).

O melhor jeito de conseguir bons lugares do avião é reservá-los quando você compra a passagem. Se isso não for possível (seja porque sua empresa é quem compra suas passagens ou qualquer outra razão), a segunda melhor maneira é fazer checkin pela internet. Você pode fazê-lo mesmo que tenha bagagem pra despachar. Os assentos bons se esgotam rápido, então é bom fazer seu check-in o mais cedo possível. Na Gol o check-in pela internet abre 24 horas antes do seu voo. Na Tam são 48 horas.

Em termos de espaço para as pernas os melhores lugares são a primeira fileira e a fileira da própria saída de emergência. Só que não é possível escolher estes lugares pela internet, só ao fazer check-in no balcão mesmo. Outra dica sobre assentos: nunca vi a Tam divulgando, mas alguns dos seus aviões tem tomadas de 110V entre os assentos. Quebra um galho quando seu celular ou MP3 player fica sem bateria.

P.s.: Para assentos em voos internacionais, consulte o excelente SeatGuru.com.

Aeroportos requerem fazer tudo com antecedência, tanto que na passagem as companhias sempre escrevem algo recomendando que você chegue 1 hora antes do voo. Eles NÃO estão mentindo: Se o seu voo é as 16h, não se iluda achando que você vai conseguir embarcar se chegar no aeroporto às 15:45. O horário do voo que você vê na passagem é o horário em que o avião decola. O check-in para o voo se encerra cerca de 40 minutos ANTES desse horário, e o embarque termina uns 15 minutos depois. Se você vai viajar com pouca bagagem, essa é outra razão para fazer check-in pela internet: no caso de algum imprevisto você pode dar o golpe de joão-sem-braço e ir direto pro portão de embarque, mesmo que já tenham encerrado o check-in do seu voo. Se sua mala não for exageradamente grande, os funcionários da companhia aérea não vão reclamar de você não tê-la despachado.

Outra coisa que nem todo mundo sabe que existe: lista de espera. Funciona assim: se seus compromissos do dia acabaram mais cedo e você quer antecipar sua viagem de volta pra casa, ao invés de remarcar seu voo (pagando) você pode ir pro aeroporto e colocar seu nome numa lista de espera para algum voo antes do seu. Se ainda tiver lugares no avião quando forem encerrar o check-in do voo, os passageiros da lista podem ocupar estes lugares. Mas é por ordem de chegada: se sobraram 3 lugares e tem 10 nomes na lista, quem botou o nome primeiro leva. Até onde eu sei nem a Tam nem a Gol estão cobrando por lista de espera.

Os programas de milhagem (Fidelidade Tam e Smiles, na Gol/Varig) costumam desanimar quem voa pouco porque você ganha só 1000 milhas por voo e tem que acumular dez mil pontos pra ganhar passagens grátis. Mas mesmo que você voe muito pouco, vale a pena ter um cartão fidelidade para acumular milhas. Três motivos pra isso:

  • As milhas ganhas demoram a expirar (especialmente na Gol);
  • Para voos em horários esquisitos (tipo domingo de manhã) ou durante promoções, as companias costumam vender trechos por bem menos do que 10 mil pontos.
  • Alguns bancos e cartões de crédito que tem programa de fidelidade deixam transferir pontos do seu cartão de crédito para a Tam ou Gol.

E uma atenção especial para o Smiles da Gol: cerca de 40% das vezes que viajo os pontos dos meus voos NÃO são creditados. Se você vai voar Gol/Varig, guarde o canhoto do cartão de embarque e depois confira no site se suas milhas foram mesmo creditadas. No site mesmo você pode requisitar o crédito das milhas faltantes.

Durante o voo é perfeitamente normal que o avião chacoalhe um pouco. Se você olhar pela janela vai dar até pra ver a asa do avião se dobrando enquanto o avião balança. Isso é perfeitamente normal. Às vezes o piloto dá um alerta de apertar os cintos, as aeromoças interrompem o serviço de bordo e saem correndo com os carrinhos de comida barrinhas de cereal de volta pra cozinha: ainda assim, tá tudo perfeitamente normal. Às vezes o piloto erra a mão na aterissagem e, ao invés de tocar gentilmente com o avião no solo, ele praticamente SOCA o avião no asfalto e dá uma freada que te faz meter a cara no assento à sua frente. E adivinhe? Tudo perfeitamente normal. Aviões foram feitos pra aguentar descargas de raios elétricos enquanto voam no meio de tempestades com ventos assustadores, então não há com o que se preocupar.

Outras dicas sortidas:

  • Quer ler no avião? Compre algo antes de embarcar, porque as revistas de bordo são apenas spam dos destinos para onde a companhia aérea voa, disfarçados de reportagens. Honrosa exceção: o Almanaque Brasil, dos voos da Tam, que já andei elogiando aqui inclusive.
  • Para fones de ouvido, prefira os com algum tipo de isolamento acústico, porque a cabine é bem barulhenta. Por sinal a Anac não permite o uso de eletrônicos durante o pouso e decolagem, mas para fones de ouvido as aeromoças costumam fazer vista grossa.
  • Voar com problemas respiratórios (gripe, sinusite) pode ser perigoso por causa da pressurização da cabine. Essa eu descobri depois de passar um susto voltando de um carnaval em FloripaUpdate: O leitor Paulo Cezar (valeu!) lembra que a cabine pressurizada também tem um outro efeito colateral: potencializa efeitos de bebida alcoólica. Você fica bêbado muito mais rápido.
  • Mas se você, mesmo sem gripe, sofre com dor de ouvido durante o pouso e a decolagem, e os truques manjados (engolir saliva, beber água, bocejar) não funcionam, tampe o nariz com a mão, feche a boca, cole a língua no céu da boca e tente soltar o ar pelo nariz, com cuidado.
  • Em alguns aeroportos (*cof cof Congonhas cof*) onde seu portão de embarque muda toda hora por causa do “reposicionamento de aeronaves no pátio”, uma dica pra economizar caminhada é esperar seu voo aparecer como “confirmado” ou “embarque próximo” nas telinhas da Infraero antes de ir para o portão indicado. Dificilmente o portão muda depois desse ponto. 

E se tiver algo errado ou você quiser completar a lista, os comentários estão aí pra isso 🙂