Por que é idiotice jogar na Mega Sena

É sempre assim. Basta o prêmio da loteria chegar nos nove dígitos e começa o frenesi. Um exemplo é o tweet abaixo, de Pedro Jansen, redator de mão cheia que eu nunca imaginei que seria capturado pela febre do ouro.

Tweet de @pedrojansen

O problema é que a maioria das pessoas que joga na Mega Sena torna-se uma espécie de “extremista religioso” do dia da aposta até o dia do sorteio. É como o evangélico que prega um adesivo escrito “Deus Proverá” na traseira do seu carro e depois senta-se, com o coração cheio de suspiros, esperando a provisão divina chegar. E enquanto isso o pau quebrando lá fora.

Nada errado em ter esperanças. O problema são esperanças sem fundamento. Esperar que a vida melhore por força do acaso é ignorar as três leis básicas do movimento, em especial a primeira (a da inércia) e a terceira (a de ação e reação), brilhantemente descritas por Isaac Newton no século XVII. It’s science, bitches, são fatos e não chances. O apostador espera uma reação milionária para uma ação de R$ 2. Espera que a inércia seja vencida pela força de uma ínfima probabilidade de 0,000002%.

Hoje de manhã meus colegas de trabalho comentavam do acertador gaúcho que levou o último prêmio. O único comentário que fiz: “Amigos, é mais provável que vocês fiquem ricos trabalhando“. Isso de certa forma resume bem o que penso: eu prefiro esperar que venha coisa boa das coisas sobre as quais eu tenho controle, sobre as coisas que estou fazendo força para que se movam. E esperar o prêmio da loteria é perigoso porque normalmente desvia a mente destas coisas. Gera um delírio, uma ilusão – como a “chapação” de Jansen.

Esse é também o problema da maioria das religiões. Nada contra nenhuma delas, devo dizer – mesmo porque devo grande parte de quem sou hoje por anos e anos de vivência religiosa na minha adolescência. O problema é só a transferência de responsabilidade sobre o seu destino para “terceiros”, como Deus, o destino, os espíritos obsessores/exus e outras criaturas sobrenaturais.

Por isso, não se engane. Nosso mundo é material e, portanto, determinístico. Se quer vencer nele, será pelas suas regras, exatas, cartesianas. Você pode até não saber jogar direito com elas – mas jogue.