10 minutos

Daí que minha operação em Recife tá mudando de prédio neste fim de semana e eu vim para ajudar na mudança.
No domingo, lá pelas 16h, encerramos o dia. Voltei pro hotel e decidi que queria tomar uma água de coco na praia, no quiosque que fica bem em frente ao hotel.
Agora tou aqui, HORRORIZADO.
Fiquei no quiosque não mais do que 10 minutos. Nestes 10 minutos eu:
  • Fui abordado por quatro pessoas (um mendigo e três pivetes) pedindo esmola.
  • Vi um dos mendigos comprando crack.
  • Vi o traficante que vendeu o crack do item 2 juntar mais uns capangas e fazer a contabilidade do dia com todos, no meio da calçada.
Cara. Foram DEZ MINUTOS. E eu não tava na boca da favela, tava na praia de Boa Viagem.
Pelo visto a Dilma ainda tem muito trabalho pela frente…

Minha primeira demissão

Primeiramente é bom esclarecer que não, eu não fui demitido. Na verdade eu estava é do outro lado da mesa: um dos meus gerentes de projeto pisou feio na bola e, como o problema era recorrente e não se resolvia mesmo depois de um monte de feedbacks e segundas chances, acabei obrigado a desligá-lo.

Antes de assumir cargos de gestão eu, como muita gente, achava que ser chefe é uma função de tirano: manda prender e manda soltar ao seu bel prazer. E junto dessa tirania costuma vir a impressão de que uma demissão é “coisa que chefe tem um prazer perverso em fazer”.

Mas pra mim vocês não fazem idéia do quanto isso é distante da verdade.

Na noite anterior à demissão eu já estava fritando e mal dormi. E nessa eu sei que o sono não vai vir fácil, porque o tempo todo eu fico pensando que, em algum lugar dessa cidade, alguém chegou em casa desempregado, sentindo-se um fracassado, e com uma incerteza em relação ao futuro tão grande quanto a angústia que se acomoda dentro dela. E que fui eu o responsável por isso.

Não que a demissão tenha sido injusta – porque não foi. Na verdade eu até fui paciente demais: tolerei atitudes que não devia ter tolerado, tolerei coisas que inclusive poderiam ter comprometido meu trabalho. Mas com a mesma clareza com a qual eu entendo todos os fatos que justificam a demissão, eu também entendo como essa pessoa deve estar se sentindo.

Mas é a vida. “It’s all in the game, yo”, diria Omar Little – num contexto criminoso, é verdade, mas nem por isso menos brutal.