E aí, como foi de férias?

(crédito de quase todas as imagens: Bethania)

Lembram da minha resolução de ano novo, de menos estresse e mais diversão? Então. Saí de férias no começo de fevereiro e fomos pros EUA. Destino: Las Vegas e road trip na Califórnia.

Essa é uma lista resumida do que fizemos em três semanas de viagem:

  • Ganhar, do nada, um upgrade de quarto em Las Vegas. Fomos parar numa suite maior que o meu apartamento. A foto abaixo é de metade da varanda. A outra metade não cabe na foto porque ela dá a volta por todo o quarto.
Varanda do hotel
  • Perder dinheiro nos cassinos. Fomos jogar só no último dia. Eu vim preparado: há meses eu vinha jogando blackjack no celular, estudei a estratégia básica e tudo. Aí me sentei numa mesa e perdi US$ 60 em cinco minutos. Lição aprendida. Ah, e vi a Milla Jovovich num dos cassinos. Acredite se quiser, mas a pele dela ao vivo é horrorosa.
Caesar Palace
  • Comer como um louco nos “all-you-can-eat buffets”. Implodi uns bons meses de regime nessas, mas valeu a pena. Bufê em Vegas parece coisa de turista, mas o do Caesar Palace foi recém-reformado, é enorme, caro, mas é imperdível: tem todas as variedades possíveis de comida, do japonês ao hambúrger, da lagosta à pizza… e não é tudo feito na baciada, é comida nível gourmet mesmo. A foto abaixo é só a parte de sobremesas do Caesar. Já comeu pirulito de cheesecake? Não parece, mas é uma delícia.
Caesar Palace buffet
  • Atirar com uma arma de fogo. Sim, esse é o tipo de coisa que dá pra se fazer em Vegas! Pra ficar ainda melhor, foi com uma AK47 (foto da esquerda), vários outros fuzis e pistolas e até uma Browning M1919 (a da direita)!

Atirando com uma AK-47 e uma Browning M1919

  • Visitar o Grand Canyon. Mas como o tempo era curto, fomos de helicóptero.

Helicópteros pousados

  • Ver mulher pelada em Vegas, mesmo estando com a esposa junto. Foi no Zumanity, o show “adulto” do Cirque du Soleil. Apresentado por uma drag queen, tem desde contorcionistas seminuas numa banheira transparente até um anão stripper-trapezista. Mas tudo com muita classe.
  • Dirigir 1000 km até o Napa Valley, na Califórnia. Contornamos o Yosemite Park no meio de cenários fantásticos como esse aí embaixo.

Estrada nevada da California

  • Passar o dia percorrendo vinícolas e provando vinhos, de bicicleta. Por sinal, você sabe que virou adulto quando percebe que gastou mais dinheiro com vinhos do que com eletrônicos numa viagem pro exterior…

Bicicleta no Napa Valley

  • Jantar num restaurante com estrela do guia Michelin. Foi no vale do Napa mesmo, no Solbar, que apesar de estrelado é acessível para meros mortais como eu. Eu não tenho coragem de tentar descrever a comida aqui, basicamente, estrela Michelin = a porra fica muito séria.
  • Conhecer a prisão de Alcatraz, em San Francisco. Fiquei uns 30 segundos dentro da solitária e não consegui imaginar como as pessoas aguentavam dias ali dentro. E ainda vi uma Tommy Gun de verdade!

Tommy Gun

  • Atravessar a ponte Golden Gate… também de bicicleta. É meio tétrico ver os telefones para “emergência e aconselhamento em momentos de crise” espalhados pela ponte, com as plaquinhas de “ainda há esperança, não pule, ligue para…”. Numa nota mais positiva, é de chorar o tanto que as cidades californianas são boas pra andar de bicicleta.

Ponte Golden Gate

  • Visitar a sede da Apple, em Cupertino. Porque, né. O mais irônico foi que dias antes eu havia comprado um Nexus 4 🙂
  • Conhecer o aquário de Monterey. Achei que era só um aquário mas, cara… é embasbacante. Tinha gente chorando de tão bonito.

Aquário de Monterrey

  • Descer de carro pelo Big Sur. Meus amigos… esse dia foi foda. O Big Sur é um trecho da Pacific Coast Highway que desce de Carmel até próximo a San Luis Obispo, ladeando o oceano. É uma das estradas mais bonitas do mundo, com certeza. Esse dia foi perfeito do início ao fim: começamos fazendo a 17-mile drive em Monterey (que também é linda), dirigimos o dia todo ouvindo a discografia do Nightmares on Wax – a música perfeita para aquela estrada – e terminamos vendo o sol se pôr no oceano, numa praia cheia de leões marinhos descansando.

Big Sur

  • Comer os melhores cinnamon rolls da Califórnia. Foi puramente por acidente, estávamos lavando roupa num laundromat de San Luis Obispo e, pra matar o tempo, atravessamos a rua pra ver o que tinha. Aí passamos em frente ao Emily’s Cinnamon Rolls e o cara da loja do lado nos disse: “Cuidado, isso aí é viciante”. Se um dia na sua vida você passar próximo à San Luis Obispo, você PRECISA comer um desses.

Emily's Cinnamon Rolls

  • Fazer um piquenique nas praias selvagens de Lompoc. O caminho até lá é curioso: você passa umas plantações, depois uns radares do exército norte-americano (?), depois uns galpões da Nasa (!), e aí chega na praia. Que estava bem cheia, como vocês podem ver aí embaixo.

Praia de Lompoq

  • Pegar um barco e ver baleias no Oceano Pacífico. Que nesse dia fez juz ao nome e estava parecendo uma enorme piscina, de tão tranquilo. Ps.: a foto não é de uma baleia com escoliose, é que na verdade são duas.
Baleias na baía de Ventura, California
  • Conhecer os estúdios da Warner, em Los Angeles. Esse é um tour “adulto”, não é como o da Universal, que na verdade é apenas mais um “brinquedo” do parque temático deles. Na Warner, enquanto o guia te leva pra ver os sets de um monte de séries (entramos no de The Big Bang Theory!), ele explica muito do processo de produção cinematográfica, que foi o que mais me interessou, de longe. E pra completar o lado turístico da coisa, você pode tirar uma foto no sofá de Friends, montado numa réplica do set do Central Perk, e ver o “museu do automóvel” deles, que tem TODOS os Batmóveis de todos os filmes.

Sofá de Friends e Batmóvel modelo 2012

  • Comprei uma Buddha Machine, na Amoeba Records de Los Angeles. Sempre quis ter uma! Bethania não entendeu nada quando eu entrei numa loja com milhões de CDs e saí só com um “radinho AM”. No hotel, ela caiu na gargalhada quando viu que aquela caixinha só toca loops repetitivos. E, alguns minutos depois, caiu no sono por causa deles 🙂
Buddha Machine
  • Ver de perto um ônibus espacial de verdade. Foi a Endeavour, que se aposentou recentemente e foi levada para o California Science Museum. Nerdgasm total. Esse é o tipo de coisa que você tem que ver ao vivo, porque ele é completamente diferente das fotos, muito maior do que eu achava, e parece todo acolchoado por causa da proteção térmica/de radiação.

Endeavour

  • Passar debaixo da “Levitated Mass”, obra de Michael Heizer, que fica nos jardins do LACMA. É basicamente uma rocha de 240 toneladas montada nas paredes de uma trincheira, de maneira que você pode ficar lá debaixo desse monstro rochoso. Vocês podem achar isso uma grande bobagem, mas isso era uma das coisas que eu mais queria ver na viagem.

Levitated Mass

  • Ver a Shamu no SeaWorld. Bethania queria nadar com os golfinhos (e nadou), já eu fiquei só vendo os shows. Todos eles começam com umas apresentações institucionais de como o SeaWorld resgata animais no mundo todo, mas ao mesmo tempo no celular eu lia  uns posts do PETA crucificando o parque como um monte de “porcos capitalistas mentirosos”. Não sei bem o que pensar.

Shamu, no SeaWorld

  • …e para o gran finale, já no caminho de volta pro Brasil, alugar um Mustang conversível e passear por Miami. Primeira vez na vida que precisei de protetor solar pra sair de carro 🙂

Mustang conversível

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Ainda na onda “menos businessman, mais hustler”, resolvi usar os skills de trabalho pra dentro de casa e toquei a viagem como um projeto, minuciosamente planejado e montado em várias madrugadas e finais de semana. Tínhamos planilha de custo, roteiro (cronograma) para todos os dias, um “backup” impresso com todas as reservas de hotéis/atrações, incluindo os roteiros de estrada plotados no Google Maps (parte do meu gerenciamento de riscos). Fiz até a playlist da viagem no iPod, horas de música especificamente selecionada pra pegar estrada na Califórnia.

Resultado final? Sucesso completo, tudo dentro do prazo, custo “estourado dentro do previsto”, com Bethania me promovendo a “planejador oficial das viagens de férias” do casal. Como é bom ser gerente de projetos 🙂

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Estas férias espetaculares não seriam possíveis sem esta coisa maravilhosa chamada internet. Agradecimentos especiais para:

  • Wikivoyage, a Wikipedia de viagem. É perfeita para o básico dos lugares que você vai visitar e tem indicações de coisas que nunca tem em guia turístico. (ps.: assim como na Wikipedia, ignore a versão em português)
  • Reddit Travel. O “buscai e achareis” bíblico funciona muito bem ali. Vários itens inusitados da minha programação (exemplo: as armas de fogo em Vegas) vieram das sugestões de outros redditors.
  • TripAdvisor, para indicações de hotéis e passeios. Indispensável pra separar o joio do trigo, especialmente em lugares tipo Las Vegas, cheios de armadilha pra turista.
  • Yelp!, para restaurantes. Yelp era simplesmente infalível nos EUA, todos os lugares que fomos por indicação dele eram ótimos. Exemplo: a Eating House em Miami, restaurante barato, criativo (couve-de-bruxelas com lo mein, waffles de Foie Gras, sobremesa que parece um vaso de plantas), delicioso e que nunca apareceria num guia de viagem. Uma pena não funcionar no Brasil.
  • Google Maps, para a parte “terrestre” da viagem. Calculei nele todos os tempos de estrada, estudei o trânsito caótico de Los Angeles, no Street View conferi a cara das cidadezinhas minúsculas que escolhemos pra dormir, as estradas que escolhemos, e ainda imprimi todos os roteiros.
  • Garmin, pelo seu GPS sempre certeiro, que literalmente nos conduziu pelo vale da morte (é sério, no primeiro dia de viagem, sem saber, passamos pelo Death Valley!). Nosso modelo indicava onde tinha engarrafamentos e mostrava até uma imagem da placa que ia aparecer em cima da saída da freeway, pra não ter erro. Gostamos tanto que Bethania deu um nome pra ele: “Aguiar” (pegou essa? “a guiar”…)