Por que estou deixando o Brasil

Sim, é isso mesmo. Talvez este seja o mais longo e mais importante post deste blog. Se ajeite aí na cadeira.

Preâmbulo: como assim você está saindo do Brasil?!?

Pois é, cara. Depois de anos considerando casualmente a possibilidade de morar fora, este ano começamos a levar a coisa à sério e, após muita fritação de “vamo/não vamo”, eu e Bethania decidimos: vamos pro Canadá.

O plano é eu voltar pra faculdade, para um curso de 2 anos que é um semi-bacharelado em engenharia de software. Em termos de carreira eu até poderia ir e procurar emprego direto, mas decidi voltar a trabalhar na área técnica. Não tem jeito, é o que eu gosto mesmo de fazer. Depois do curso, quero arrumar um emprego lá e, a partir daí, o objetivo é conseguir cidadania canadense e ficar. Bethania, que é muito mais ninja profissionalmente do que eu, já tem inclusive um emprego esperando por ela.

A escolha do país, tecnicamente, foi fácil: o Canadá tem uma política de imigração bem aberta em função da população envelhecida e da demanda por profissionais qualificados. Além do mais eu morei lá por seis meses, em 2005, a trabalho, e não somente conheci como adorei o lugar.

filosoficamente falando, trocar de país é uma coisa bastante complicada – e é o que me motivou a escrever este post.

Você não precisa ficar onde está

“Menino, vai na padaria pra mim!”, me diziam quando eu era criança e vivia em Belo Horizonte. Eu não gostava de ir à padaria porque a distância pra mim era enorme e cheia de ladeiras, e ir comprar pão parecia uma maratona. Aí pula para 2014: dia desses eu estava visitando os parentes em Beagá e acabou coincidindo de eu passar exatamente pelo mesmo trajeto entre meu antigo prédio e a padaria.

Eram só dois quarteirões.

Talvez eu estivesse morando exatamente no mesmo lugar até hoje se não fosse o meu emprego de consultoria, que me fez viajar o Brasil todo – e me levou ao Canadá pela primeira vez. Passar por lugares novos muda o tamanho do lugar onde você vive e, também, quebra a regra invisível de que a sua vida só pode acontecer onde você mora. Em função do hábito, conveniência e da família sempre próxima é fácil se limitar ao que existe (ou não) na sua cidade e moldar sua vida de acordo com o que existe a dois quarteirões de casa, ou achar que o mundo é só aquilo ali, e passar a vida achando que aqueles dois quarteirões são uma distância enorme. Mas você não precisa ficar onde está. Essa frase banal esconde uma verdade universal, libertadora. Foi pela ausência dessa regra que eu e Bethania nos mudamos pra São Paulo: invertemos a lógica de “gostar do que se tem” e fomos pra onde o que a gente gostava estava.

Agora está acontecendo mais ou menos a mesma coisa. A gente quer trabalhos legais mas com menos stress, quer impostos que voltem de fato, quer poder andar na rua sem medo de assalto, quer poder ter filhos em um lugar mais amistoso (e mais acessível!). E São Paulo não permite tudo isso junto. Talvez o Brasil não permita isso – talvez nunca permita.

E este é o gancho importante para falar justamente de algo que me incomoda há muito tempo mas que só fui entender depois dos trinta e muitos anos de idade: o Brasil tem muita DR pra fazer consigo mesmo antes de se tornar uma grande nação, coisa que não vai acontecer tão cedo. Talvez nunca aconteça. E, como só se vive uma vez, eu não posso esperar.

A inigualável cultura brasileira (ou: por que o Brasil é do jeito que é?)

Minha diversão mais recente aqui em São Paulo é usar a ciclovia novinha que o Haddad resolveu passar bem na esquina da minha rua. Todo dia eu arrumo motivo pra ir pra algum canto de bike, muitas vezes só pra dar o exemplo.

No começo, sempre tinha alguém com carro estacionado na ciclovia, e eu sempre reclamava com o motorista. A maioria se fingia de bobo ou arrumava uma desculpa. Uns até xingavam de volta. Uma vez um deles ameaçou me bater e quebrar meu telefone, porque tirei uma foto do seu furgão estacionado bem em cima da faixa vermelha.

Talvez você esteja pensando: “mas cara, tu ta indo embora, pra quê ficar cobrando os motoristas de respeitar ciclovia? Daqui a alguns meses tu nem vai usá-la mesmo, e ainda periga apanhar ou levar um tiro”.

Então, cara! O problema é exatamente esse. Meu primeiro impulso também foi pensar e agir assim – e é precisamente por isso que o Brasil é do jeito que é e não vai mudar tão cedo: aqui o individual é mais importante que o coletivo.

Esta cisão entre indivíduo e coletividade provoca um efeito colateral bizarro, que é a divisão mental do brasileiro. Sabe a mania que temos de criticar o país na terceira pessoa? “Brasileiro é tudo burro”, “o povo só quer saber de futebol”, etc, etc? Quem fala, fala como se não fosse brasileiro, efetivamente se separando da própria crítica – afinal sua moral individual é superior à ignorância coletiva.

Se essa cisão fosse só socioeconômica ou política tava bom. O problema é que ela é pior e muito mais profunda: é uma divisão cultural.

Ela aparece, por exemplo, quando tem um mendigo dormindo no meio da calçada e a gente desconsidera mentalmente que ali existe uma pessoa. Ou você olha para aquele cara caído na saída do metrô, preto de fuligem, com uma unha do pé que parece a garra de um bicho, e se pergunta de onde ele veio, se tem filhos – ou se ainda tem sonhos? (por sinal uma fan page genial chamada “SP invisível” faz exatamente isso, vale muito a leitura). Essa divisão está aí o tempo todo, quando você reclama do trânsito (o trânsito é você) ou que o preço do cinema está um roubo (sua carteirinha de estudante é legítima?).

“Mas tudo isso aí pode mudar!”, você poderia alegar – e com razão. A questão é que tem problemas nacionais que dá pra resolver relativamente rápido, como a economia ou a distribuição de renda, mas a questão do “individual sobre o coletivo” é cultural – e mudar uma cultura é incrivelmente difícil. Leva séculos, e pode dar muito errado. Olhe para a história do mundo moderno e me aponte quantos países conseguiram mudar sua identidade nacional da água pro vinho: eu só consigo pensar na Alemanha pré e pós-Hitler e pré e pós muro de Berlim, e ainda assim a mudança só veio com grandes traumas nacionais. Vale o mesmo pro Japão antes e depois das bombas atômicas. Mas mudança orgânica, sem neurose, derramamento de sangue ou hecatombes político-sociais, aí eu não sei de nenhum exemplo.

Eu não queria, mas não tenho como não mencionar as eleições de 2014 – porque elas exemplificam muito do que eu falei aí em cima. No início eu tentei encarar a sujidade e a baixeza com a qual as pessoas, candidatos ou não, se comportaram nestas eleições como imaturidade, efeito de uma democracia que ainda é muito jovem. “Todo mundo quer um Brasil melhor, mas como crianças, estamos todos fazendo birra para isso”, pensava eu. Aí tou vendo milhares de pessoas na Av. Paulista, enquanto escrevo este post, pedindo o retorno do regime militar. Vi o nascimento do chamado “discurso do ódio”, com coisas deprimentes como molecada xingando nordestinos no Twitter pelo resultado da eleição. Com gente do naipe de Ricardo Amorim, economista renomado, postando que “quem estuda não vota na Dilma” – isso só pra citar alguns poucos exemplos. E só consigo entender tudo isso da forma que mencionei anteriormente: com a preponderância do individual sobre o coletivo que, aplicada num processo democrático, vira uma briga de “quem tem a maior melancia na cabeça”.

Faça um auto-exame: ao escolher em quem votou, você pensou no que seria melhor pro país ou no que seria melhor para você? E, se você pensou no coletivo e não no individual… você se lembrou do mendigo na saída do metrô?

Pra piorar ainda mais o banzo: enquanto aqui as eleições terminavam, lá no Canadá um maluco entrou atirando no parlamento, matou Nathan Cirillo (um dos guardas que vigiava o Memorial de Guerra) e depois foi morto. A reação da mídia e das pessoas por lá foi, simplesmente, inacreditável:

  • A cobertura da imprensa canadense foi tão sóbria, factual e isenta de sensacionalismo que arrancou elogios pelo mundo.
  • Kevin Vickers (o “chefe da segurança” do Parlamento) foi o responsável por matar o atacante. No dia seguinte aos ataques, ele simplesmente foi trabalhar normalmente. O vídeo dele sendo aplaudido de pé, ao voltar ao trabalho no parlamento me deixou embasbacado. E no Reddit, além dos elogios, tava todo mundo preocupado em dar apoio psicológico a ele, porque matar alguém pode ser traumático, etc, etc…
  • Ainda no Reddit a outra fonte de preocupações era a única vítima: Nathan Cirillo. Tinha um monte de gente preocupada em abrir um fundo para doações para o filho dele, que era pai solteiro, e inúmeros comentários sobre sua bravura e o quanto isto era uma perda para o Canadá. E ninguém sequer mencionou o atacante. Até hoje eu não sei o nome dele. Mas tinha gente preocupada até em quem ia cuidar dos cachorros do Cirillo daqui em diante.
  • E o cartunista do principal jornal de Ottawa ainda me publica isso aí embaixo.

Em resumo: um evento importante sacudiu o Brasil e saiu muita coisa ruim. Mas quando um evento importante sacode o Canadá…

Pontualidade e outros superpoderes inúteis – e um grande dilema

Outra questão cultural menos grave, mas que me incomoda desde sempre, é o modus operandi brasileiro: improvisado, espontâneo, altamente orientado à relacionamentos pessoais. Não estou criticando este jeito de ser, mas passei quase quarenta anos tentando me adaptar a ele e… não dá, eu não sou assim.

Eu gosto de ordem, planejamento e regras bem definidas. Eu chego no horário quando combinam comigo – e normalmente fico esperando feito bobo, porque ninguém chegou. Eu faço cronograma de viagem de férias. Eu assino Rdio e Netflix (sem proxy!), compro MP3 no Bleep, meu Office é original e licenciado e tenho três backups dos arquivos do computador. Na verdade, culturalmente falando, eu nunca me identifiquei com as coisas nativamente brasileiras (futebol, samba, praia). No entanto eu consigo te explicar todas as regras de um jogo de curling, o único esporte com o qual tive afinidade instantânea foi o esqui e uma das minhas camisetas prediletas é de uma banda chamada Set Fire to Flames – que é canadense.

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Não parece, mas esta é uma camiseta de banda.

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E aí eu e o Brasil ficamos muitos anos nesse casamento de aparências: não temos nada a ver um com o outro mas estamos aí, juntos.

E é isso que me dói e me gera uma crise de consciência enorme. O momento nacional é sério, é importante. Não se trata só de um rebuliço econômico, ou de uma maluquice traumática como foi a ditadura: o Brasil está meio que “entrando na puberdade” do ponto de vista ideológico, e é um momento ímpar onde todo mundo deveria dar o melhor de si pelo país. E a mítica hora que a gente canta no hino, dizendo que “o filho teu não foge à luta”, e no entanto é exatamente isso o que eu estou fazendo.

Mas essa luta é longa demais, e talvez seja impossível vencê-la. Quem me conhece sabe que eu não sou otimista, mas pense comigo: você se enxerga indo ao Mineirão assistir um Atlético e Cruzeiro onde as torcidas não ficam separadas no estádio? Você vê esta realidade em um futuro próximo? E em um futuro distante? E o quão distante está este futuro? Pra mim, este é o melhor indicador possível pra se melhoramos ou não na questão do “individual sobre o coletivo”.

A vida já me deu bastante porrada (felizmente, nenhuma nos estádios). E o que eu aprendi com isso foi que é fundamental saber quais brigas comprar. Então, decidi comprar a da imigração – que é uma senhora briga, vale frisar.

E como faz pra ir pro Canadá?

Ah, rapá, aí nem com dez páginas de post dá pra explicar. É um processo demorado e de MUITA burocracia, até pros padrões brasileiros. O melhor a fazer é ver o site do Ministério da Imigração Canadense, mas em resumo você tem que ter curso superior – ou grana pra fazer um por lá -, tu tem que ter experiência de trabalho numa das profissões que estão em demanda e inglês ou francês bom (e comprovado por um teste tipo IELTS ou TOEFL).

No meu caso eu tinha dois planos (lembra da minha paranóia com backup? Pois é!)

Plano A) Imigrar pelo processo federal (Federal Skilled Worker). Nela, você já chega com visto de residente permanente, o que te permite trabalhar e/ou estudar onde quiser e virar cidadão depois de alguns anos. O problema desta opção: a burocracia dela é inacreditável (o processo que enviei tinha quase cem páginas!), o formato atual dela, que te permite ir sem achar emprego antes, vai ser extinta em 2015 e as vagas de 2014 foram limitadíssimas – apenas 1.000 por profissão.

Plano B) Ir como estudante de um curso superior. A burocracia é beeem menor, não tem limite de vagas e dá pra aplicar pro visto pela internet mesmo. O duro desta opção é o custo (e a ausência de renda), mas você ganha direito a um visto de trabalho quando se forma e seu cônjuge pode trabalhar enquanto você estuda.

No meu caso o plano A foi a maior decepção do mundo: passei MESES reunindo documentos, DIAS preenchendo os formulários, gastei uma bolada com cópia autenticada e tradução juramentada, outra bolada fazendo o teste de inglês (IELTS, que fiz de ressaca e com três horas de sono, mas tirei 8 em 9 – história para outro post…), mandei meu diploma (físico) pro exterior pra ser validado, foi uma via crúcis. Aí mandei tudo, fiquei meses fritando se eu ia conseguir entrar nas mil vagas, até que numa segunda-feira vi a cobrança da taxa de análise no meu cartão de crédito indicando que sim, eu havia entrado.

A alegria durou três dias, que foi o tempo de vir um email do consulado avisando que faltou incluir uma data em um documento, que foi desconsiderado e que, por isso, me desqualificou do processo por um ponto.

Agora estamos indo de plano B: já escolhi uma faculdade, fiz matrícula e exatamente hoje, dia que este post (que estou escrevendo há MESES) finalmente vai ao ar, nossos passaportes estão no consulado para receber o visto.

E suas coisas do Brasil?

Ué, tou vendendo tudo! A lista está aqui e aumenta todo dia. Se quiser algo nem precisa comprar pelo Mercado Livre, fale comigo e a gente se acerta.

Quanto ao nosso apartamento, vamos deixá-lo alugado – e se quiser você pode morar nele ou indicar para os amigos. Aproveita que tá barato 🙂

14 comentários sobre “Por que estou deixando o Brasil”

  1. Ei Zé!
    Cara, você devia se dedicar mais a escrever ou talvez eu não saiba de seus “escritos”. Muito bom seu texto e concordo totalmente com seus motivos. Tenho ouvido muito Oswaldo Montenegro cantar: “…e que essa vontade de ir embora, se transforme na calma e na paz que eu mereço” e me pergunto: será que essa calma e paz, QUE EU MEREÇO, não estaria fora do Brasil? Estou começando a crer que sim.
    Vou rezar muito por vocês!
    Das suas “coisas”, mandei o link do ML pra alguns amigos. Tinha até interesse no Micro System, mas agora o objetivo é outro e todos os recursos canalizados pra ele.
    Deus abençoe os passos e os caminhos de vocês!
    Nosso abraço muito carinhoso! Geraldo e Rose

  2. Pavlov vai junto sim, é claro! É um trampo danado levar o cachorro, ele vai na cabine, precisa de uma bolsa especial, precisa reservar o voo com antecedência, ver vacinas, atestados… mas tudo vai compensar na hora em que ele estiver saltitando na neve pela primeira vez 🙂

  3. Fico feliz que você tenha compartilhado o processo de sua decisão, os ups and downs, os pontos mais nevrálgicos. E acho que você vai curtir bastante, profundamente sua “nova” vida abroad. Boa sorte pra vc e Bethania, Primo! 🙂

  4. Aí sim!! Boa sorte lá! E olha, parente por lá facilita a minha ida também? Hehheh
    E olha parte 2, você pode estudar e trabalhar remoto para o Brasil sendo pago via PayPal ou algo do tipo?
    E olha parte 3, esses preços seus no mercado livre ta muito realidade paulistana pro meu gosto, tem que ter bota fora do Ricardo nesse trem!! rs
    Set fogo2flames bom demais da conta!

  5. oi Tinoco, você tá indo pra qual cidade? Qual universidade? Eu fiz o meu mestrado na UQAM. Muito boa faculdade na área de projetos. Eu moro próximo de Montreal, em Laval, se vier por estes lados, não deixe de me contactar!
    Enorme abraço!
    Fabiano

  6. Não pude ler o texto completo, pois uma imensa foto do teu Instagram apareceu na frente e como bom profissional que não atua na área da informática, não tenho ideia de como removê-la!
    A maior parte do texto eu pude ler e gostei muito. Também estou com o projeto de sair do País, pelos mesmos motivos. Também tenho trinta e tantos anos e estou muito preocupado com o que nos aguarda à frente.
    Também não tenho nada de pirataria. Também assino o Netflix, compro DVDs originais e minhas músicas no iTunes. Mas não foi sempre assim.
    Em março de 2007 minha filha nasceu. Pouco tempo antes, resolvemos ser o melhor exemplo possível para ela. Como toda decisão isto nos levou à encarar alguns problemas, que fingíamos não ver: e aquelas situações que a gente faz as coisas “mais ou menos certas” ou “mais ou menos erradas”? Adianto que isto não existe! Ou é certo ou é errado – verdade que às vezes fazemos errado pensando se certo, mas a partir do momento que se tem ciência do correto, não há o que se falar. Vamos para o exemplo do uso de produtos sem a autorização ou adquirido de forma questionável – e para facilitar, vamos chamar tudo de pirataria, ainda que não seja.
    Decidimos acabar com toda pirataria. Decidimos “pecar” pelo excesso de zelo do que arriscar ficar dentro do limite do errado. Certamente você conhece bem o argumento: “os impostos são muito altos! O preço é absurdo! E se o preço não te deixar comprar o original?” – bem, se não posso comprar, não compro. Simples assim. “Ah mas o pobre não vai poder ter nada.” Não é bem assim, mas convenhamos: eu adoraria ter uma BMW, mas não posso!
    Fico feliz de ter influenciado positivamente algumas pessoas neste sentido. E a conversa terminava mais ou menos assim: “Justificar um erro – altos preções e impostos – com outro erro, é estupidez! Mas ainda que se considerem os argumentos, eu te pergunto: usar pirataria é certo? Questionável. Adquirir somente produtos legítimos, pagando o preço exigido é errado? Não.”
    Seguimos a mesma linha: pago meus ingressos pelo preço cheio. Minha mulher e minha filha são estudantes, e pagam meia. Mas pagar “inteira” é caro, e muitas vezes acabo não indo a muitos eventos. Infelizmente, hoje os próprios eventos já cobram o preço em dobro, pois a maioria arrumam uma forma de pagar meia.
    Com respeito às críticas ao Brasil, concordo que falar em 3ª pessoa parece se auto-excluir da crítica. Mas eu costumo falar assim, mas quando me dou conta, acabo fazendo a observação de me incluir.
    O Canadá, à princípio não era uma de nossas opções, mas dada a dificuldade de atender aos requisitos exigidos pelos EUA para estarmos lá de forma legal e permanente, estamos cogitando. Nossa única limitação com o Canadá fica por conta do clima, pois a patroa sofre muito com qualquer 20º – sendo esta temperatura muito fria! Ah! E o francês – inglês não sei, mas estou estudando.
    Muita coisa têm incomodado nossa expectativa: a visão individualista, o “jeitinho brasileiro” e a esperteza que vemos por aí, por exemplo.
    Vemos que pequenos gestos que externam mera educação e respeito, não são se quer considerados. Exemplo claro é o nosso trânsito. Poucos são os que se atentam de deixar a faixa de pedestre livre, ainda que não tenha semáforo e faixa de retenção; as pessoas não conseguem entender porque é mais seguro atravessar na faixa; não se cogita ceder passagem – parece que a pessoa está perdendo uma colocação! Não se está disputando uma corrida! Em fim. Há uma insatisfação e uma tristeza grande em vermos estas coisas e pouco podermos fazer.
    Nós optamos por tentar dar o exemplo e tomar certos cuidados. Buscamos ser gentis, e principalmente, tentamos contagiar as pessoas que nos rodeiam, para que também repensem sua colocação no coletivo. Respeito à pessoa e ao resultado do trabalho do próximo.
    Desejo sorte e sucesso nesta nova etapa.
    Eu ainda estou tentando sair do “vamos, não vamos”.

  7. Oi Tinoco, talvez não se lembre de mim, mas estudamos juntos na PUC. Adorei seu texto!!! Muito bom mesmo!!! Te desejo boa sorte e que as coisas saiam no final conforme seus sonhos e os de Betânia. Eu gostaria muito de viver fora do Brasil, não só por alguns motivos seus, mas simplesmente pelo fato do mundo ser grande demais para eu ficar em lugar só. Mas meu esposo, infelizmente ama isso aqui demais (BH) e não é aventureiro como eu e então vou ficar… :o( rsrsrs

    Que Deus te abençoe muito e que vocês sejam muito felizes.
    Abração

  8. Primo, nunca comento um blog, ou dificilmente deixo minha impressão, mas nesse caso deixei pois achei seu texto muito bom, parabéns!
    Estou exatamente na mesma situação que você passou, pensei até que era o único a pensar dessa forma, porém ainda estou no “vamo, não vamo” e foi muito legal ler seu post – quem sabe você será o motivador do meu, enfim, “vamos pro Canadá”. Obrigado, abs e ótima viagem p/ vocês!

  9. Mestre,

    Também passei pelos mesmos questionamentos antes de vir morar fora, só os meus motivos que não foram tão específicos. 🙂

    A vida se adapta numa rapidez que a gente nem imagina. Em 1 ou 2 meses de mudança, consegui fazer (e continuo fazendo) coisas que, para mim, seria o teu equivalente a ir à padaria.

    Não sei quanto tempo devo durar fora do país, talvez somente o dos estudos, talvez a vida toda, mas o ponto é que essas coisas só fazem sentido quando a gente olha para trás.

    Mudar é FODA em quase todos os vetores que a gente possa imaginar, mas é igualmente libertador – nunca imaginei que eu conseguiria juntar tanta tralha em um apartamento de 60m – e revelador – tenho muito mais clareza sobre o que quero fora do meu (suposto) centro.

    Avante.

    Abs!

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