O Primo recomenda: meditação

O “mascote” do fórum sobre meditação no Reddit

Nas minhas muitas noites insones, googlando coisas sobre saúde mental, reparei que meditação aparecia em várias listas de possíveis tratamentos para depressão e ansiedade. Vi, inclusive, revisão de literatura científica sobre os benefícios de meditar, com tudo apontando para uma considerável redução dos sintomas depressivos. Então, resolvi me comprometer a fazer pelo menos as 10 sessões grátis dum aplicativo de meditação guiada (o Headspace – mas há opções em português), só pra ver como é. Afinal, eu não tinha nada a perder: iria custar zero reais e consumir apenas dez minutos do meu dia.

Quando comecei, além de uma certa descrença de que ia fazer alguma diferença, eu também tinha todas aquelas dúvidas comuns de quem não conhece/nunca tentou meditar: é só isso mesmo, sentar e se concentrar na respiração? E se eu não conseguir sossegar meus pensamentos? E se eu não conseguir ficar sentado sem minha perna ficar dormente? E se der uma coceira maluca nas costas no meio da sessão? E se o único tempo que eu tiver for no metrô indo pro trabalho? Curiosamente, as respostas que eu achava para todas estas perguntas era sempre a mesma: “não tem problema”. No início eu achava isso meio largado demais, achava que as sessões tinham que “dar certo” e que eu tinha que conseguir me sentar sem incômodos ou distrações e ficar 100% do tempo não pensando em nada. Mas resolvi confiar nas instruções e continuei fazendo as minhas sessões porcas, tentando concentrar apenas na minha respiração, vendo a minha cabeça resolver relembrar todas as falas do filme Matrix no meio da sessão por 200 vezes e tendo que voltar a focar na respiração 200 vezes. Porque é isso que os guias de meditação que eu li dizem que você tem que fazer quando se distrai:

Devido ao hábito, os pensamentos seguramente invadirão sua prática. Quando surgirem, apenas libere-os ao expirar, sem se identificar com eles, sem responder emocionalmente a eles. Observe o pensamento emergir, passar diante de você e depois desaparecer. Então, deixe que sua atenção repouse, não entorpecida e preguiçosa, mas à vontade.

E aí aconteceu o que sempre acontece quando você faz uma coisa muitas vezes: você fica bom naquilo. Graças à minha mente muito distraída, eu acidentalmente acabei me treinando a largar distrações. Além disso, no processo de largar esses pensamentos, você também aprende a simplesmente observar o que acontece na sua cabeça sem fazer juízo de valor (“sem se identificar com eles, sem responder emocionalmente a eles”), e isso torna o processo de conviver consigo mesmo incrivelmente mais leve. Aí a ficha caiu: é por isso que “não tem problema” se distrair duzentas vezes numa sessão, ou perder a concentração porque a gata tá arranhando a porta do quarto ou porque sua perna direita está toda dormente. O lance é aproveitar esses problemas pra treinar como se dissociar deles. O grande barato da meditação não é não pensar em nada, e sim aprender a postura certa pra lidar com as coisas que você pensa. O importante não é o destino, e sim a jornada.

Quando as 10 sessões grátis do aplicativo acabaram eu, como era de se esperar, continuei o hábito por conta própria. Todo dia de manhã eu acordo, tomo um banho, e medito por vinte minutos, inclusive nos finais de semana. Os efeitos disso são bem notáveis, dá pra perceber que alguma coisa no meu cérebro andou se reorganizando. A minha concentração no trabalho, por exemplo, ficou meio “sobrenatural”; eu consigo me manter focado por muito mais tempo – o que vale ouro pra quem trabalha com software. O meu sono não mudou de quantidade, mas parece ter ficado mais… eficiente. No início eu andei tendo uns pesadelos muito esquisitos, mas foi coisa de uma semana e acabou passando – talvez efeito da tal reorganização cerebral. Na hora de dormir ficou bem mais fácil pegar no sono, mas às vezes a insônia ainda bate e eu acordo lá pelas três, quatro da manhã, e acabo desistindo de tentar voltar a dormir e vou meditar às cinco… e mesmo assim não fico sonolento o dia todo. E se eu dou aquela dormidinha esperta de meia hora no trem, ao voltar pra casa, eu fico novo em folha. E o meu humor e disposição geral pras coisas está de volta ao normal. A vida voltou a ter gosto.

Claro que esse é o meu caso pessoal, e pode ser que você experimente e não seja essas coisas todas pra você, mas no meu caso fez muita diferença. Acho demais que todo mundo devia tentar, afinal, basta se sentar, fechar os olhos e… respirar.

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