Posts da categoria ‘Arte’


Feliz Natal

12 de novembro de 2009, 21:56

feliznatal

“Feliz Natal” é o nome da obra aí em cima, da artista Isabela Magalhães, exposta no hall de entrada do prédio do meu cliente aqui em Brasília (tá rolando uma exposição de obras feitas por funcionários e familiares). A maioria dos colegas da minha equipe detestaram “Feliz Natal”. Eu fiquei absolutamente fascinado.

Você pode apreciar “Feliz Natal” parando no grotesco e percebendo apenas um Papai Noel decapitado e com o olho esquerdo arrancado, ou pode reparar na posição do corpo do Papai Noel, fixado na madeira, de braços abertos, com pregos nas mãos e com os pés sobrepostos. Por acaso isso te faz lembrar de alguma outra figura relacionada com o Natal? Talvez aquele famoso profeta cristão que morreu na cruz e que – ora veja! – nasceu no dia de Natal? É exatamente por isso que eu adorei essa obra – porque ela diz, visualmente, veementemente, coisas que desde 2003 eu fico berrando aqui no blog. Coisas sobre o tanto que o Natal deixou de ser o nascimento de Jesus Cristo e virou a festança do “bom velhinho” e da comilança na ceia de natal e do boom do comércio por causa da trocação de presentes.

Outra parte do brilho artístico de “Feliz Natal” vêm também da reação de quem vê a obra. Alguns colegas ficaram ultrajados com a agressão sofrida pelo Papai Noel. No entanto a figura daquele outro cara relacionado com o Natal ensanguentada na cruz é cultuada no mundo católico e não costuma despertar nem um pouco da comoção que o Noel aí despertou. E se o Jesus crucificado serviu para “tirar o pecado do mundo”, talvez o Noel crucificado tente servir um propósito semelhante, mas dessa vez em pecados mais modernos, impossíveis na antiga Jerusalém aonde não existia capitalismo. Talvez este seja o presente da artista para o mundo.

Eu, com certeza, me senti presenteado.

P.s.: Eu até daria outras informações da exposição pra você poder ver a obra, mas isso implica em dizer onde tou trabalhando, e tem contrato de confidencialidade, e meus empregadores são paranóicos, etc. Então, não.


A agenda do fim dos tempos drásticos

10 de setembro de 2009, 0:40

Eu queria compartilhar com vocês uma das ferramentas do meu dia-a-dia que mais gosto: minha agenda de anotações.

agenda1

Sim, eu sei, você deve estar se perguntando que diabos é aquilo de “necrofilia do mundo final”. É que isto não é exatamente uma agenda: é um livreto que foi distribuído ano passado na Bienal, em São Paulo, e que na verdade é parte de uma obra de arte de Javier Peñafiel. A agenda foi apresentada ao público na própria Bienal, em uma performance do artista, e cópias da agenda estavam disponíveis para quem quisesse levar.

O nome da agenda dá título a este post: “Agenda do fim dos tempos drásticos”.

Por dentro ela é cheia de ilustrações, pequenos textos e de um bocado de espaço em branco – aonde passaram a morar minhas anotações de trabalho.

agenda2 agenda3

Pode parecer estranho, mas ter arte na sua frente dá a perspectiva correta aos dias de trabalho cheio de gente engravatada, cafezinhos e reuniões. Mesmo porque os textos de Javier questionam – ainda que de forma bem hermética – o próprio passar dos dias, descritos pela agenda como “impróprios”, “plurais”, “comuns”, “similares” e por aí vai.

O ruim é que a agenda é curtinha e o espaço da minha se esgotou esta semana, então terei que recorrer às agendas convencionais. Mas pra não perder a perspectiva, pelo menos ainda posso resistir às convenções na forma de anotar – como no exemplo abaixo, que é uma observação sobre ausência de função estratégia feita em estilo Cersibon:

agenda 4


Qualquer criança de cinco anos faria igual?

4 de agosto de 2009, 8:47

Não faz nem duas semanas que eu iniciei um post no Impop dizendo assim:

Nas artes visuais, especialmente as modernas, aonde conceitos de forma, estética e plástica foram bastante, digamos, "dilatados", paira sempre aquele incômodo do que é que separa o trabalho de um artista real do que "qualquer criança de cinco anos faria igual".

Pois então.

No último fim-de-semana recebemos um casal de amigos queridíssimos de Belo Horizonte, e nos nossos passeios estava incluída uma visita à pinacoteca, que abrigava uma exposição chamada “Norberto Nicola – Tapeçaria Contemporânea”.

image Sim, tapeçaria. Noberto Nicola criou arte em tapetes. Como esse, da foto.

A exposição incluía também gravuras e estudos do artista, e algumas das gravuras eram feitas em computador. Achei-as meio bobas, mas como o foco do trabalho do artista eram os tapetes, deixei as gravuras pra lá.

No meio da exposição havia uma tevê exibindo um documentário sobre Nicola e sua arte. No vídeo, ele (fumava compulsivamente e) contava das suas extensas pesquisas, mostrava seu ateliê, seu tear, seus métodos de trabalho e tudo o mais. Várias cenas depois, o diretor-narrador do documentário corta para fora do ateliê e segue anunciando que Nicola “não tem medo da tecnologia”, e a câmera mostra o artista ligando seu computador.

E então Nicola abre o Microsoft Paint e começa a trabalhar.

Sim, você leu certo: o artista fez suas gravuras computadorizadas no MS Paint. E elas estavam ali, expostas nas paredes da Pinacoteca. Sim, eram desenhos feitos no MS Paint, parecidos com aqueles que você, eu e todo mundo fez quando mexeu num MS Paint pela primeira vez, impressos a jato de tinta e pendurados nas paredes da Pinacoteca. Sim, MS PAINT EM EXPOSIÇÃO NA PINACOTECA.

Minha cabeça explodiu e eu fiquei lá, travado, olhando ele clicar no baldinho e preencher os espaços de seu desenho. Depois ele pegou o spray e passou nas bordas de um grande círculo colorido; “para suavizar as bordas”, explicou. Na sequência, mostrando-se totalmente à vontade com a ferramenta, clicou em Editar/Inverter e inverteu as cores da figura.

E isto, meus amigos, era a técnica de produção de gravuras de um artista renomado em exposição num dos melhores museus de São Paulo. Eu tentei achar o documentário online ou reproduções dos desenhos do artista, mas sem sucesso. E eu fiquei tão passado que não tive nem a presença de espírito para fotografar as gravuras pra postar aqui.

E também não sei como termino este post.


Da magia e das ofensas

16 de fevereiro de 2009, 9:57

No dia-a-dia eu não costumo ser desajeitado, mas quando estou perto da minha esposa eu viro um desastrado completo. Não é incomum ela acabar levando pisada no pé, cotovelada e outras formas, digamos, menos ortodoxas de carinho. Agora há pouco estávamos no quarto e o que seria uma agradável convivência de casal terminou com a coitada metendo o cotovelo na porta.

A explicação pra isso é simples: perto dela eu perco uns dois pontos de DEX, donde conclui-se que minha esposa é mágica.


Pra não perder o costume, falemos do GTA IV.

Agora a onda aqui em casa é jogar o multiplayer. O duro é que não tem Playstation Network no Brasil e eu sou obrigado a me conectar com os servidores dos EUA, e por conta do lag eu fico em desvantagem. No modo deathmatch – onde os décimos de segundo fazem toda a diferença – quando eu começo a pensar em mirar no meu oponente, olha lá meu corpo estendido no chão. Pra piorar, o jogo ainda dá uma mensagem diferente a cada vez que você mata ou morre, e uma delas diz mais ou menos assim:

JohnDoe083 has 3rd worlded OPrimo_

E por causa do “3rd worlded” eu, além de morto, fico ofendido.


Um dos comerciais das rádios do GTA é uma propaganda de um candidato a prefeito. O locutor fica enumerando seus feitos políticos, que incluem coisas como:

…o candidato propõe retirar todos os fundos para financiamento de centros comunitários e dar o dinheiro diretamente para os drogados da cidade.

Eu dava risada todas as vezes que ouvia esta propaganda – até um dia em que me lembrei do bolsa-família do Lula. Então fiquei ofendido.


Em 1965, o jovem austríaco Gottfried Helnwein foi admitido no Instituto Experimental de Alta Educação Gráfica. Revoltado porque a escola não tinha nada de “experimental” na sua alta educação, Helnwein cortou a mão com uma gilete e, usando o próprio sangue, fez um desenho de Adolf Hitler.

Helnwein foi expulso da escola – o que lhe ensinou uma importante lição sobre o poder que certas imagens podem ter.

Gottfried Helnwein atua até hoje. Sua obra inclui coisas grotescas como pinturas de crianças mutiladas e até um quadro (abaixo) retratanto o nascimento de Jesus e os três reis magos – todos com uniformes de militares nazistas.

image

O curador de uma de suas exposições, Robert Flynn Johnson, definiu a arte de Helnwein como “o equivalente visual a um esporte de contato”.

E isto não me ofende nem um tiquinho.


Obama vs. McCain… the remix

2 de novembro de 2008, 20:29

Mais um da série “links legais demais para simplesmente jogar ali no meu Delicious”.

Enquanto aqui no Brasil o TSE mal deixa as eleições figurarem na internet, nos EUA o debate político vira até arte…

ReConstruction

Nos EUA há um grupo chamado Sosolimited que faz um trabalho interessantíssimo. Segundo o website deles…

ReConstitution é um remix audiovisual feito ao vivo com os debates presidenciais de 2008. (…) Nós desenvolvemos um software que permite captar e analisar o vídeo, áudio e o texto do closed caption da transmissão. Através de uma série de transformações auditivas e visuais nós reconstruímos o material, revelando padrões linguísticos, expondo conteúdo e estrutura, e fundamentalmente alterando a maneira que você assiste aos debates.

A imagem acima é trecho de um vídeo onde a fala de Obama é lida pelo software através do closed caption (aquela legenda para deficientes auditivos), as palavras são contadas e a quantidade de cada uma delas aparece em vermelho. E lembre-se: tudo isso feito AO VIVO, DURANTE a exibição dos debates. Coisa de gênio.

O site do ReConstitution tem vários outros vídeos e vale muito a visita.

(Link via Waxy.org)


O incrível Image Fulgurator

26 de junho de 2008, 0:42

Mais uma da série “links legais demais pra simplesmente jogar no meu del.icio.us“: O incrível “Image Fulgurator”!

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Julius Von Bismarck, esse hacker alemão aí em cima, criou um dispositivo de “manipulação minimamente invasiva de fotos alheias”: ele colocou um flash dentro do corpo de uma câmera normal, que serve para projetar um slide colocado dentro do aparelho. Além disso ele instalou um sensor de luz, daqueles que os fotógrafos usam para fotografar raios, que dispara quando detecta claridade repentina.

Funciona assim: enquanto alguém na rua está tirando uma foto, o Image Fulgurator detecta quando o flash dispara e projeta uma imagem por cima da foto que a pessoa está tirando. Como a coisa acontece numa fração de segundo, a “vítima” só percebe quando vai ver a foto que foi tirada e percebe que ela tem um “algo a mais”…

…como esse pessoal do vídeo aí embaixo:


O mundo se cansou de novidades?

21 de janeiro de 2008, 10:12

Primeiro, uma historinha.

Nunca vou me esquecer da primeira vez em que ouvi "Glass Museum", do Tortoise. Eram 6:30 da manhã de uma terça-feira de 1997. Eu estava sonolento, no meu antigo Fiat Uno, indo para uma aula de natação e ouvindo uma fita cassete do Tortoise que Luiz, meu primo, havia gravado. Assim que parei no estacionamento, "Glass museum" começou a tocar e eu vivi os cinco minutos e vinte e sete segundos mais surpreendentes de toda a minha vivência musical. Aquilo era absolutamente lindo, diferente, inusitado, tocado de uma maneira que eu nunca havia visto antes.

Tortoise virou uma das minhas bandas favoritas. Glass Museum virou uma das minhas músicas favoritas. Só que aí veio o século XXI e, com ele, uma horrível tendência que vou explicar abaixo.

20080117

Na foto da esquerda, o barbudo com a mocinha é Prabhu Deva, astro da música pop indiana que ficou bastante conhecido no Brasil por causa do clássico vídeo legendado "Rivaldo sai desse lago".

A foto da direita NÃO é uma cena do mesmo vídeo, e sim do vídeo da campanha de lançamento da Coca Cola Clothing que foi, obviamente, inspirado no clipe de Prabhu Deva. Parece que essa é a estratégia da Coca-cola: ao invés de vídeos inéditos, clipes "inspirados". Ou você não se lembra daquele comercial que é igualzinho o jogo Grand Theft Auto?

Mas a inspiração alheia não está só nos comerciais. Zapeando na TV outro dia, dei de cara com um programa da MTV chamado "Fist of Zen" – uns caras numa mesa de biblioteca disputando provas bobas estilo "jackass", só que em silêncio, sem poder rir. As chamadas do Fist of Zen alardeiam com todas as letras: "It’s brand new" (é inédito), mas no instante em que vi o programa me lembrei do vídeo de um game show japonês exatamente igual e que eu havia assistido muito tempo antes.

20080117_2

Agora vamos dar uma olhadinha nos 10 filmes que mais deram dinheiro em 2007, segundo a Wikipedia:

  1. Piratas do Caribe: no fim do mundo (terceira continuação de uma franquia) 
  2. Harry Potter e a ordem da Fênix (quinta continuação de uma franquia adaptada de um livro)
  3. Homem-Aranha 3 (terceira continuação de uma franquia inspirada em quadrinhos)
  4. Shrek Terceiro (terceira continuação da franquia)
  5. Transformers (inspirado em desenhos animados/quadrinhos)
  6. Ratatouille
  7. Os Simpsons (Inspirado na série de TV homônima)
  8. Eu Sou a Lenda (terceiro remake inspirado em um livro – pois é, eu também não sabia)
  9. 300 (Inspirado em quadrinhos)
  10. O Ultimato Bourne (terceira continuação de uma franquia)

Olhe bem a lista. Temos 5 continuações. Temos também 6 filmes de livros, desenhos animados ou quadrinhos. Temos apenas UM filme 100% original, com personagens inéditos e roteiro inédito (em 1997 eram seis originais, apenas duas continuações e apenas um filme inspirado em quadrinhos).

Em 2008 a coisa não deve mudar muito:

Espera-se para 2008 outra batalha das continuações, conforme muitas franquias lançam novas edições, incluindo: As Crônicas de Narnia, Indiana Jones, O Incrível Hulk, A Múmia, Batman, Hellboy (…) Rambo, 007, Jogos Mortais, Madagascar, Harry Potter, Star Trek e Arquivo X.

Fora as continuações, temos entre os lançamentos deste ano… er… Speed Racer, Homem de Ferro, Sex And The City, Dragonball, Scanners

Na música – surpresa! – a mesma coisa acontece. Exemplinhos:

  • Bandas novas que repetem fórmulas antigas. Um exemplo que eu gosto de dar é o Wolfmother. É tipo um xerox mal feito do Black Sabbath. O vocal é igual, os riffs de guitarra são iguais… só falta o vocalista comer uns morcegos no palco.
  • Músicas feitas em cima de músicas. Não estou falando de usar samples de outras músicas e sim de pegar faixas inteiras, cantar por cima e chamar de música nova. "Pump it", sucesso dos Black Eyed Peas, nada mais é que o famoso tema de abertura do filme "Pulp Fiction" com um vocal idiota diferente. Kanye West fez a mesma coisa em Stronger, cuja base é Harder Better Faster Stronger, do Daft Punk. Não dá pra chamar essas músicas de novas, mas ainda assim o público adora.

E então acho que podemos chegar à uma conclusão: o público em geral está curtindo bastante essa onda de "mais do mesmo" – rever personagens antigos, histórias conhecidas, sons familiares, etc. A indústria do entretenimento sacou isso e adorou, pois a aceitação pelo público é mais fácil e a "reciclagem" de conteúdo é mais rápida/barata/fácil do que criar do zero.

Olhando assim parece que todo mundo sai ganhando, mas no longo prazo eu fico preocupado. Afinal, aquele espírito de ignorar convenções e fazer o que ninguém havia pensado (ou ousado) fazer é o que gera obras-primas na música, no cinema e nas artes em geral, e este espírito está ficando pra escanteio.

Será mesmo que as novas obras-primas do século XXI vão nascer de "remastigações" de criações antigas? Os caminhos que os novos artistas vão trilhar serão os mesmos dos artistas de hoje, que por sua vez são os mesmos de algumas décadas atrás? Será que vamos mesmo começar a andar em círculos ou alguém vai se dispor a continuar "audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve"? (Pelo visto não, já que, ironicamente, até Star Trek também sera re-re-relançado no cinema em 2008).

Isso me deixa triste. Porque uma das coisas que mais gosto é da sensação fantástica de ser surpreendido por alguma coisa inédita, inovadora. Lembram de "Glass Museum", do Tortoise? Pois é.


Artista constrói apartamento secreto dentro de um shopping

2 de outubro de 2007, 23:59

Eu adoro essas coisas. Olha o nível do “apartamento”…

20071002_2

Michael Townsend, o artista responsável por isto (que ele considera como uma instalação de arte) usou uma sala que foi usada como depósito durante a construção do shopping e que depois ficou abandonada. Aos poucos ele foi comprando utensílios e mobília, colocou tábuas corridas no chão, instalou uma TV, etc. Tinha até um Playstation 2. Só não tinha água e esgoto, mas não precisava – ele usava o banheiro do shopping.

Ele usou o apartamento por QUATRO ANOS até ser pego. O site do “projeto” tinha mais detalhes mas tá fora do ar.

(Vi no Popurls)


The Mp3 Experiment

4 de setembro de 2007, 7:58

Imagine 853 pessoas se encontrando ao sul de Manhattan. Agora imagine que todos estão com fones de ouvido e baixaram um MP3 especialmente preparado para o evento, com músicas e uma narração que diz o que fazer.

Aí, pontualmente, às 4 da tarde, todos pressionam play ao mesmo tempo.

Este é o MP3 Experiment número quatro, idéia dos malucos do Improv Everywhere. É genial e imperdível.


Pavlov – Um artista de vanguarda (parte 4)

20 de agosto de 2007, 18:27

(Leia também a parte um, dois, três e o “bônus”)

No último sabado eu estava no computador quando Pavlov chegou e se assentou ao meu lado. Estava roendo alguma coisa.

Passei a mão em sua cabeça e perguntei: “E aí, o que você está comendo?”

Instantes depois eu estava praticamente em estado de choque, completamente sem palavras: Pavlov tinha em suas garras uma nova obra de arte…


Celular
(Plástico e materiais diversos – 2007 – Acervo do artista)

Este é mais um genial trabalho plástico, um work in progress de “evisceração” de ready-mades eletrônicos. É toda a fúria animal de Pavlov, expressada em suas dentadas e garradas, buscando evocar em quem contempla seu trabalho toda uma gama de sentimentos primitivos de ódio, revolta e violência (como eu mesmo senti).

Curiosamente, o celular não ficou completamente destruído: apenas a tampinha traseira foi mastigada. Com isto, Pavlov manda uma clara e curiosa mensagem de que “sem a casca, o conteúdo perde o valor” e, assim, confronta o valor estético do aparelho contra seu valor funcional. E neste confronto apenas o artista sai ganhando…


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