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O incrível Image Fulgurator

26 de June de 2008, 0:42

Mais uma da série “links legais demais pra simplesmente jogar no meu del.icio.us“: O incrível “Image Fulgurator”!

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Julius Von Bismarck, esse hacker alemão aí em cima, criou um dispositivo de “manipulação minimamente invasiva de fotos alheias”: ele colocou um flash dentro do corpo de uma câmera normal, que serve para projetar um slide colocado dentro do aparelho. Além disso ele instalou um sensor de luz, daqueles que os fotógrafos usam para fotografar raios, que dispara quando detecta claridade repentina.

Funciona assim: enquanto alguém na rua está tirando uma foto, o Image Fulgurator detecta quando o flash dispara e projeta uma imagem por cima da foto que a pessoa está tirando. Como a coisa acontece numa fração de segundo, a “vítima” só percebe quando vai ver a foto que foi tirada e percebe que ela tem um “algo a mais”…

…como esse pessoal do vídeo aí embaixo:


O mundo se cansou de novidades?

21 de January de 2008, 10:12

Primeiro, uma historinha.

Nunca vou me esquecer da primeira vez em que ouvi "Glass Museum", do Tortoise. Eram 6:30 da manhã de uma terça-feira de 1997. Eu estava sonolento, no meu antigo Fiat Uno, indo para uma aula de natação e ouvindo uma fita cassete do Tortoise que Luiz, meu primo, havia gravado. Assim que parei no estacionamento, "Glass museum" começou a tocar e eu vivi os cinco minutos e vinte e sete segundos mais surpreendentes de toda a minha vivência musical. Aquilo era absolutamente lindo, diferente, inusitado, tocado de uma maneira que eu nunca havia visto antes.

Tortoise virou uma das minhas bandas favoritas. Glass Museum virou uma das minhas músicas favoritas. Só que aí veio o século XXI e, com ele, uma horrível tendência que vou explicar abaixo.

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Na foto da esquerda, o barbudo com a mocinha é Prabhu Deva, astro da música pop indiana que ficou bastante conhecido no Brasil por causa do clássico vídeo legendado "Rivaldo sai desse lago".

A foto da direita NÃO é uma cena do mesmo vídeo, e sim do vídeo da campanha de lançamento da Coca Cola Clothing que foi, obviamente, inspirado no clipe de Prabhu Deva. Parece que essa é a estratégia da Coca-cola: ao invés de vídeos inéditos, clipes "inspirados". Ou você não se lembra daquele comercial que é igualzinho o jogo Grand Theft Auto?

Mas a inspiração alheia não está só nos comerciais. Zapeando na TV outro dia, dei de cara com um programa da MTV chamado "Fist of Zen" - uns caras numa mesa de biblioteca disputando provas bobas estilo "jackass", só que em silêncio, sem poder rir. As chamadas do Fist of Zen alardeiam com todas as letras: "It’s brand new" (é inédito), mas no instante em que vi o programa me lembrei do vídeo de um game show japonês exatamente igual e que eu havia assistido muito tempo antes.

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Agora vamos dar uma olhadinha nos 10 filmes que mais deram dinheiro em 2007, segundo a Wikipedia:

  1. Piratas do Caribe: no fim do mundo (terceira continuação de uma franquia) 
  2. Harry Potter e a ordem da Fênix (quinta continuação de uma franquia adaptada de um livro)
  3. Homem-Aranha 3 (terceira continuação de uma franquia inspirada em quadrinhos)
  4. Shrek Terceiro (terceira continuação da franquia)
  5. Transformers (inspirado em desenhos animados/quadrinhos)
  6. Ratatouille
  7. Os Simpsons (Inspirado na série de TV homônima)
  8. Eu Sou a Lenda (terceiro remake inspirado em um livro - pois é, eu também não sabia)
  9. 300 (Inspirado em quadrinhos)
  10. O Ultimato Bourne (terceira continuação de uma franquia)

Olhe bem a lista. Temos 5 continuações. Temos também 6 filmes de livros, desenhos animados ou quadrinhos. Temos apenas UM filme 100% original, com personagens inéditos e roteiro inédito (em 1997 eram seis originais, apenas duas continuações e apenas um filme inspirado em quadrinhos).

Em 2008 a coisa não deve mudar muito:

Espera-se para 2008 outra batalha das continuações, conforme muitas franquias lançam novas edições, incluindo: As Crônicas de Narnia, Indiana Jones, O Incrível Hulk, A Múmia, Batman, Hellboy (…) Rambo, 007, Jogos Mortais, Madagascar, Harry Potter, Star Trek e Arquivo X.

Fora as continuações, temos entre os lançamentos deste ano… er… Speed Racer, Homem de Ferro, Sex And The City, Dragonball, Scanners

Na música - surpresa! - a mesma coisa acontece. Exemplinhos:

  • Bandas novas que repetem fórmulas antigas. Um exemplo que eu gosto de dar é o Wolfmother. É tipo um xerox mal feito do Black Sabbath. O vocal é igual, os riffs de guitarra são iguais… só falta o vocalista comer uns morcegos no palco.
  • Músicas feitas em cima de músicas. Não estou falando de usar samples de outras músicas e sim de pegar faixas inteiras, cantar por cima e chamar de música nova. "Pump it", sucesso dos Black Eyed Peas, nada mais é que o famoso tema de abertura do filme "Pulp Fiction" com um vocal idiota diferente. Kanye West fez a mesma coisa em Stronger, cuja base é Harder Better Faster Stronger, do Daft Punk. Não dá pra chamar essas músicas de novas, mas ainda assim o público adora.

E então acho que podemos chegar à uma conclusão: o público em geral está curtindo bastante essa onda de "mais do mesmo" - rever personagens antigos, histórias conhecidas, sons familiares, etc. A indústria do entretenimento sacou isso e adorou, pois a aceitação pelo público é mais fácil e a "reciclagem" de conteúdo é mais rápida/barata/fácil do que criar do zero.

Olhando assim parece que todo mundo sai ganhando, mas no longo prazo eu fico preocupado. Afinal, aquele espírito de ignorar convenções e fazer o que ninguém havia pensado (ou ousado) fazer é o que gera obras-primas na música, no cinema e nas artes em geral, e este espírito está ficando pra escanteio.

Será mesmo que as novas obras-primas do século XXI vão nascer de "remastigações" de criações antigas? Os caminhos que os novos artistas vão trilhar serão os mesmos dos artistas de hoje, que por sua vez são os mesmos de algumas décadas atrás? Será que vamos mesmo começar a andar em círculos ou alguém vai se dispor a continuar "audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve"? (Pelo visto não, já que, ironicamente, até Star Trek também sera re-re-relançado no cinema em 2008).

Isso me deixa triste. Porque uma das coisas que mais gosto é da sensação fantástica de ser surpreendido por alguma coisa inédita, inovadora. Lembram de "Glass Museum", do Tortoise? Pois é.


Artista constrói apartamento secreto dentro de um shopping

2 de October de 2007, 23:59

Eu adoro essas coisas. Olha o nível do “apartamento”…

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Michael Townsend, o artista responsável por isto (que ele considera como uma instalação de arte) usou uma sala que foi usada como depósito durante a construção do shopping e que depois ficou abandonada. Aos poucos ele foi comprando utensílios e mobília, colocou tábuas corridas no chão, instalou uma TV, etc. Tinha até um Playstation 2. Só não tinha água e esgoto, mas não precisava - ele usava o banheiro do shopping.

Ele usou o apartamento por QUATRO ANOS até ser pego. O site do “projeto” tinha mais detalhes mas tá fora do ar.

(Vi no Popurls)


The Mp3 Experiment

4 de September de 2007, 7:58

Imagine 853 pessoas se encontrando ao sul de Manhattan. Agora imagine que todos estão com fones de ouvido e baixaram um MP3 especialmente preparado para o evento, com músicas e uma narração que diz o que fazer.

Aí, pontualmente, às 4 da tarde, todos pressionam play ao mesmo tempo.

Este é o MP3 Experiment número quatro, idéia dos malucos do Improv Everywhere. É genial e imperdível.


Pavlov - Um artista de vanguarda (parte 4)

20 de August de 2007, 18:27

(Leia também a parte um, dois, três e o “bônus”)

No último sabado eu estava no computador quando Pavlov chegou e se assentou ao meu lado. Estava roendo alguma coisa.

Passei a mão em sua cabeça e perguntei: “E aí, o que você está comendo?”

Instantes depois eu estava praticamente em estado de choque, completamente sem palavras: Pavlov tinha em suas garras uma nova obra de arte…


Celular
(Plástico e materiais diversos - 2007 - Acervo do artista)

Este é mais um genial trabalho plástico, um work in progress de “evisceração” de ready-mades eletrônicos. É toda a fúria animal de Pavlov, expressada em suas dentadas e garradas, buscando evocar em quem contempla seu trabalho toda uma gama de sentimentos primitivos de ódio, revolta e violência (como eu mesmo senti).

Curiosamente, o celular não ficou completamente destruído: apenas a tampinha traseira foi mastigada. Com isto, Pavlov manda uma clara e curiosa mensagem de que “sem a casca, o conteúdo perde o valor” e, assim, confronta o valor estético do aparelho contra seu valor funcional. E neste confronto apenas o artista sai ganhando…


Pavlov - Um artista de vanguarda (parte 3)

26 de July de 2007, 21:35

(Leia a parte 1 aqui e a parte 2 aqui - e um “bonus track” aqui)

A vida moderna nos liberta ou nos escraviza? A tecnologia expande horizontes ou constrange as mentes? Viver num mundo sem fio significa viver acorrentado?

Todas estas questões são levantadas no novo, simples e genial trabalho do artista plástico Pavlov, intitulado Controle.

Controle remoto semidestruido por mordidas
Controle
(plástico, circuito impresso e borracha)
2007 - Acervo do artista

Este trabalho simples tem muito mais do que os olhos vêem. O que parece ser apenas o controle remoto do meu DVD semi-devorado pelo meu cachorro é uma obra-prima de múltiplos significados, em múltiplas instâncias de meta-realidades que convergem tanto para o agora quanto para futuros apocalípticos distantes. A começar pelo título: o controle perde sua função ao ser devorado, pois passa de controlador a controlado. Não é ele quem diz o que vamos ver: agora ele só serve para ser visto.

A evisceração do controle remoto foi feita por Pavlov usando a sua famosa técnica de manipulação oral: mordidas e dentadas, uma catarse aonde o instinto mais animalesco faz nascer a arte mais sublime. A violência do trabalho serve a um fim nobre: mostrar o vazio que realmente há por dentro de toda esta modernidade eletro-eletrônica que nos cerca, revelando o que há por trás da casca destes monolitos bebedores de sangue elétrico que usamos para praticamente tudo (inclusive para ler este post).

Pavlov
Pavlov, com um ar meio blasé


Cinema ruim, robôs, decepções e arte moderna.

23 de July de 2007, 16:20

Sexta-feira eu assisti Transformers. Que é um filme bem mais ou menos. Eu fui animado por ver os reviews que alguns blogueiros postaram após uma pré-estréia, mas me decepcionei.

Transformers é um episódio de Malhação com eventuais aparições de robôs.

O roteiro é patético e só não cai aos pedaços por causa do carisma de Sam Witwicky, o personagem principal (interpretado por Shia LaBeouf). Falar dos efeitos especiais é desnecessário - bons efeitos são commodities em qualquer filme não-independente feito depois de 2001 - mas o diretor exagerou. O combate final, por exemplo, fica impossível de acompanhar: tem coisas demais acontecendo na tela e roteiro de menos para dar sequência àquilo tudo.

Por sinal, acabei decepcionado em todas as vezes que fui ao cinema este ano. O que diabos aconteceu em 2007? Onde estão os filmes realmente bons? Eu devia ter lido o Vilaça, que deu duas estrelas pra essa joça, antes de gastar R$ 7 no ingresso…

No domingo eu finalmente visitei o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, à uma hora de carro de Belo Horizonte.

O Inhotim é um mashup (hehe) de museu de arte moderna com parque e jardins planejados. É um ótimo programa para um domingão de sol.

O acervo do Inhotim é excelente, mas uma obra em particular me chamou a atenção: foi Samson, de Chris Burden (foto ao lado). Samson (”Sansão”) é uma escultura conceitual, composta por uma máquina com dois pilares de madeira pressionando as paredes laterais da galeria. No meio deles há um martelo hidráulico de 100 toneladas, que fica conectado à roleta que dá entrada para a galeria. O funcionamento (mostrado com detalhes neste vídeo) é assim: Cada pessoa que passa pela roleta aciona um mecanismo que aciona o martelo e afasta, milímetro a milímetro, os pilares que pressionam as paredes. Assim, se passar gente suficiente pela roleta, a escultura vai acabar demolindo a galeria.

Genial. É por isso que eu adoro arte moderna…


Bump, tick, scratch - desconstruindo para construir

16 de July de 2007, 18:55

Tipo que eu parei de fazer posts que só replicam conteúdo de outros sites: o que eu vejo na net e acho interessante eu boto no meu del.icio.us e aparece ali na coluninha à direita.

Mas esse é muito foda e precisa ser mostrado aqui, com destaque.

Vi no Urbe um pequenino curta chamado “Bump, tick, scratch” que mostra o processo de criação de loops usado por John Pugh, baterista do !!! (leia-se “chk chk chk”). É lindo. É muito lindo. É genial. É um Ctrl+C, Ctrl+V só que de verdade.


Três conselhos que tornam meu casamento mais feliz

25 de May de 2007, 19:04

Conselho 1

A posição das xícaras na mesa interfere diretamente no bem-estar da minha esposa.


Assim está ERRADO!! Esposa em pânico!! Morte, dor e sofrimento!!!


Assim está CERTO! Esposa feliz! Prosperidade conjugal!

Conselho 2

A qualidade da panela de pressão de seu lar interfere diretamente no branco do seu fogão e de tudo que o circunda. A razão disto é que, quando você cozinhar feijão preto numa panela vagabunda, a válvula de segurança vai estourar e você terá fotos bem nojentas para postar no blog.


…e ainda faltaram fotos dos armários (brancos) e do teto (branco), que ficaram imundos. É sério, voou feijão até o teto.

Conselho 3

As criações em artes plásticas dos seus animais de estimação (leia aqui e aqui para entender) interferem diretamente na integridade física da decoração do lar, bem como no nível de pressão sanguínea dos seus proprietários.

Digo isto porque Pavlov canalizou seu ímpeto criativo/destrutivo para os livros de arte que ficam na mesinha de centro da sala, num trabalho instigante que expressa, ao mesmo tempo, o desprezo pela arte e o desejo de consumí-la, devorá-la. Coisa de gênio.


“Hopper” - Técnica mista (mordidas/patadas) sobre papel impresso
Acervo do artista - 2007

P.s.: Falando em Hopper, alguém mais notou que a propaganda do Ford Fiesta tem um cenário “chupado” do seu quadro mais famoso, o “Nighthawks”?


Pavlov - Um Artista de Vanguarda (parte 2)

26 de February de 2007, 18:15

Parte um aqui

O tempo traz consigo a maturidade para os jovens artistas. O ímpeto criativo, por vezes descontrolado, pouco a pouco vai ganhando forma e direção. Normalmente é nesta fase da carreira que os artistas produzem suas obras-primas.

Pavlov, artista precoce, não precisou dos favores do tempo e da maturidade para demonstrar direcionamento criativo, e surpreendeu mais uma vez ao produzir as obras da série intitulada “quinas”.


Quina 1
Plástico, terra, plantas, pedras decorativas - 2007
Acervo do artista

Em sua arte, continuam onipresentes o sentimento da fúria primal e da oralidade: Pavlov executa todos os seus trabalhos com a boca, nas madrugadas onde fica sozinho e livre em sua casa. Mas a novidade agora é o objeto do trabalho: as quinas. Quinas que, destruídas, tornam-se “ex-quinas”, e que ilustram o sentimento de estar à beira de algo, à margem, até mesmo encurralado.


Quina 2
Madeira, metal e plástico - 2007
Acervo do artista

As obras da série “quinas” também fazem uma brincadeira com a sua crescente popularidade no mercado da arte. O release publicado no mês passado foi um dos posts mais populares de todos os tempos - bateu o recorde de comentários, por sinal -, mas ainda assim Pavlov se coloca à beira das suas obras, compostas basicamente por grandes móveis, adulterados em apenas uma de suas beiradas. Esta também é uma referência ao poder de sua arte: com simples mordidas, alterações aparentemente insignificantes quando se considera a dimensão do objeto adulterado, Pavlov praticamente os inutiliza e os despe de sua função estética original, depreciando profundamente seu valor - causando assim um impacto e horror profundos em quem os encontra semidestruídos.

Este horror provocou uma reação interessante em Bethania Duarte, a responsável pela curadoria de suas obras: tomada de um sentimento de repulsa pela destruição do móvel usado em “Quina 2″, Bethania cobriu a beirada semidestruída do móvel com pimenta, para impedir que Pavlov concluísse sua obra. No dia seguinte, o móvel continuou sendo trabalhado: Pavlov adorou o sabor da pimenta.

Esta é, sem dúvida, a marca inegável de seu gênio.


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