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O Primo recomenda - 1001 discos para ouvir antes de morrer

2 de January de 2008, 16:24

20080102 "1001 discos…" tem a maior pinta de livro oportunista. Pra começar, ele pega carona na modinha atual de lançamentos estilo "coisas a fazer antes de morrer" - o que é, inclusive, considerado tétrico demais por vários amigos meus. Além disso, ele foi lançado estrategicamente antes do natal e tem um formato gráfico estilo "presente ideal para aquele seu neto que não larga o iPod" e "livrinho para mesa de centro de sala de gente rica e metida-a-besta". Só que, disfarçado por trás disso tudo, está um belo registro histórico da evolução da música - em especial do rock - desde os anos 50 até os dias atuais.

Por definição, qualquer lista de "top discos" é extremamente arriscada: o universo a se explorar é complexo demais e, por mais que se esmiuçe discografias por aí, sempre tem alguém que vai criticar a lista e dizer que "foi um absurdo ter esquecido do disco tal". É meio que a síndrome do suporte técnico: não adianta fazer tudo certo centenas de vezes; um erro é suficiente para colocar em xeque a competência do autor. Felizmente, a lista tem mil e um discos, o que reduz bastante a chance de que alguém seja deixado de lado.

Não obstante, é bem visível a preocupação dos editores em incluir todo mundo que seja, de alguma forma, significativo para a história da música. Britney Spears, por exemplo, está na lista com "Baby One More Time" - afinal, como o livro diz, "é inegável o estrondo que a estréia de Britney produziu na música popular". Outros grandes marcos históricos estão todos lá, como o "Thriller" de Michael Jackson (o disco sem "nenhuma nota fora do lugar"), o "Nevermind" do Nirvana ("sem dúvida alguma, o álbum de rock mais importante dos anos 90"), o "The Number of The Beast" do Iron Maiden ("um dos melhores discos de heavy metal de todos os tempos") e vários outros.

O esforço dos editores torna o livro especialmente gratificante para os fãs de música mais "diversificados" - aqueles que tem o ouvido aberto e apreciam as figurinhas manjadas (Rolling Stones, Dire Straits), as aberrações obscuras (Einstürzende Neubaten), os grotescos (Marilyn Manson), os amistosos (Belle and Sebastian), os hiperfamosos (Beatles), os ilustres desconhecidos (Minutemen), os caras do rap e do hip-hop, brancos (Beastie Boys) e negros (Public Enemy), os caras da música eletrônica (Kraftwerk, Chemical Brothers, Daft Punk, Underworld), os caras do jazz (Miles Davis, John Coltrane), os caras do começo do rock (Elvis Presley) e de depois do rock (Tortoise), as cantoras (Björk, PJ Harvey), os cantores (Elvis Costello), os gays (Pet Shop Boys), os politicamente engajados (Rage Against The Machine), os que não ligam pra nada (Pavement, Supergrass), os brasileiros (Mutantes, Caetano, Chico, Sepultura, Elis), etc. Tá todo mundo lá, e sempre em seus melhores discos.

Como se não bastasse a magnífica seleção, o livro tem um formato agradável tanto para folhear como para uma leitura minuciosa: cada página é dedicada a um único disco e inclui a arte da capa, uma lista das músicas com as faixas de destaque devidamente marcadas e comentários sobre cada álbum. Os comentários são curtos, bem escritos, cheios de notas históricas de bastidores, curiosidades e citações dos artistas. O livro mostra os discos em ordem cronológica, desde 1955 até os dias atuais - atuais mesmo, tanto que deu tempo de incluir o Arctic Monkeys, o "Arular" de M.I.A. e até o "Neon Bible" do Arcade Fire.

Por isso tudo, "1001 discos…" é altamente recomendado. O único problema do livro é que ele gera muita ansiedade nos viciados em música com pouco tempo livre (meu caso). Cada página virada gera pensamentos do tipo "eu preciso ouvir este disco"; então, imagine-se pensando nisso algumas centenas de vezes…

P.s.: Para os cinéfilos, vale a lida no review da Larissa Herbst sobre o "1001 filmes para assistir antes de morrer".


"Dizia ele, estou indo pra Brasíliaaaa"…

6 de December de 2007, 20:56

20071206
É mais ou menos isso o que João de Santo Cristo viu ao descer do ônibus.

Tou trabalhando em Brasília, nesta e na próxima semana.

Está sendo um saco porque, por todo lugar que passo, me lembro das músicas da Legião Urbana. De manhã eu vejo a rodoviária e penso em Faroeste Caboclo, quando João de Santo Cristo “saiu da rodoviária e viu as luzes de natal”. Aí alguém menciona a Ceilândia e eu me lembro que foi lá, em frente ao lote 14, que Jeremias, “um hooomem que atirava pelas costas”, matou o pobre João. E tem também o Parque da Cidade - que é escrito em maiúsculas porque não é simplesmente um parque numa cidade, é um nome próprio - e que foi onde Eduardo se encontrou com Mônica. Ela de moto, ele de “camelo”.

O cliente brasiliense é, obviamente, do governo. Então passo os dias usando gravata, debaixo de ar condicionado, e me deprimindo ao ver como o dinheiro dos meus impostos é mal gasto.

Até que, no final da tarde de hoje, tive uma surpresa espetacular.

Eu e a trainee estávamos trabalhando quando um dos caras do governo entra na sala pra discutir umas coisas. Depois do assunto de trabalho, ele pergunta:

- Ei, vocês vão passar o fim de semana na cidade?
- Só ela vai - digo eu, apontando para a trainee - Por quê?
- É que vai ter show da minha banda no sábado…
- Ah é, você tem banda? Legal! O que vocês tocam?
- Uhh… nossas próprias músicas mesmo. Eu toco baixo. É a Plebe Rude.
- Cover do Plebe Rude? - pergunta a trainee.
- Não, é a banda original mesmo. Eu sou o baixista da Plebe Rude.

Sim, meus amigos. Aquele cara engravatado ali na nossa frente era ninguém menos do que André X, o baixista da Plebe Rude - famosa banda brasiliense formada nos anos 80, período áureo do rock nacional, e autora de vários sucessos como “Proteção”, “Até quando esperar” e “Sexo e Caratê” (minha predileta, hehe).

20071206_2
André X (esq.) e seus colegas de banda, na atual formação da Plebe Rude (foto deste site aqui)

Eu estou estupefato até agora. E eu perdendo tempo pensando em Legião Urbana…

Update: Dica da Lori - O blog do André X


Descubra quem são os bonecos

25 de September de 2007, 13:16

Apareceu num tal blog do Inexistent Man* FlipFlopFlying uma coleção de bonequinhos de personalidades do mundo da música.

É bem legal tentar adivinhar quem é quem. Abaixo, como exemplo, está o pessoal do Flaming Lips:

The Flaming Lips

Se você não souber quem é quem, deixe o mouse em cima da figura que o nome do artista aparece.

(Via Uêba)
* - O tal "Inexistent Man" apenas "chupou" o conteúdo do FlipFlopFlyin’, e como eu odeio isso tirei os links pro blog dele)


Britney Spears: a que ponto chegamos?

11 de September de 2007, 16:27

Em agosto de 2002 eu escrevia neste blog:

Eu, sinceramente, tenho pena da Britney pelo fato da imprensa cair em cima dela igual urubu em carniça. Qualquer coisa é motivo pra escárnio. Se ela vai numa boate e peida, vira notícia de capa do The Sun…

Veja bem, há CINCO anos eu já tinha pena do tanto que a imprensa demoliu Britney Spears. E a coisa só foi piorando desde então.

No domingo passado teve o VMA e, na abertura, uma apresentaçãozinha da Britney. Obviamente, não assisti. Mas eu ia ler meus feeds e os blogs só falavam da Britney. No Twitter só se fala de Britney. Na imprensa só se fala de Britney. Aí eu recebi um link pro vídeo da apresentação dela e fui obrigado a assistir.

Sabe, eu já vi muita coisa nojenta e repugnante na internet, mas nada, NADA tão deprimente quanto a apresentação dela. Segundo a Folha de São Paulo:

A cantora, que apareceu atrapalhada e fora de forma, tentou apresentar sua nova canção “Gimme More”, mas por mais de uma vez foi ajudada pelas dançarinas a mover-se no palco e pareceu confusa.

“Confusa”? Os jornalistas da Folha foram gentis ao usar esse termo. Isso fica evidente logo nos primeiros segundos, quando dão um close bem no meio da cara dela. Os olhinhos se moviam desorientadamente para os lados e dava pra perceber, claramente, que ela não tinha a menor idéia do que estava fazendo. Num espaço de uns 10 segundos ela erra a dublagem da própria música umas duas vezes e o editor da MTV, talvez por piedade, corta para uma câmera mais distante - e não dá mais nenhum zoom até o final da música.

A dança estava razoavelmente bem ensaiada, tanto que Britney não pareceu errar nenhum movimento, não tropeçou ou caiu. Mas ela se movia como uma sonâmbula, uma morta-viva. Ela não se movia para dar um show, ela simplesmente seguia o que lhe programaram pra fazer. Britney simplesmente não era mais personagem de si mesma, e isso estava mais do que evidente. Ela não sabia mais fazer o papel de menina/mulher fatal, que foi o que a alavancou para o sucesso; aliás, ela sequer sabia fazer o papel de cantora pop. E não é difícil entender o porquê: depois de ser consumida pela mídia da forma que ela foi, eu fico surpreso de ainda ter sobrado coragem para ela subir ao palco.

Nenhum ser humano deveria ser submetido ao tratamento que ela teve pela mídia, por pior que seja a música dela. Pense bem: o MUNDO viu ela engordar, emagrecer, raspar a cabeça, ter um filho, ir ao Burger King, etc… Quando houve o incidente da foto sem calcinha a coisa chegou a níveis inimagináveis de divulgação. Aposto que muitos meninos espalhadas pelo mundo vão ver a genitália de Britney Spears antes mesmo de ver, ao vivo, a das primeiras namoradas.

Talvez eu esteja sendo extremista, mas eu realmente acho que Britney Spears é o exemplo mais gritante do quanto a humanidade pode ser podre e impiedosa.


Love (in the DJ booth)

29 de August de 2007, 10:19

Tá muito legal acompanhar os comentários do meu post sobre o dia que fui ao Hard Rock Café.

Colocaram um link para meu post na comunidade do DJ Rhommel, por causa dos elogios que fiz. Agora os comentários vindos de lá estão abundantes. O último que chegou é o mais legal, é da esposa do DJ…

Bom, tenho muitas coisas pra falar desse magnifico DJ… Além de ser um puta de um profissional, animando a galera por onde passa e principalmente tocando maravilhosamente bem, é um ótimo companheiro para todas as horas e acima de tudo um ótimo amigo….
Amor, sempre estarei ao seu lado, te apoiando nas suas decisões e principalmente, estarei ao seu lado sempre que precisar… É isso ai… torço muito pelo seu crescimento profissional e sei que daqui a pouco tempo vc será o melhor DJ que todo o planeta já viu e ouviu…
TE AMO!


What goes around comes around

9 de August de 2007, 10:04

O divertido de ter um blog é o feedback: Começa quando você escreve um post simples, falando como foi a balada do sábado à noite.

De repente o DJ da noite pipoca no seu MSN porque ficou alucinado com os elogios:

cara eu tenho que agradeçer pelo que vc escreveu no blog … eu nao tenho nem palavras pra te falar … foi du caralho … fiquei feliz que vc gostou do meu set….e mais uma vez muito obrigado ! ! ! !

Algum tempo depois o vocalista da banda (horrível) da noite aparece no seu orkut:

De início eu achei que o comentário era sarcástico mas, agora, pensando bem… talvez o moleque saiba que, como diz o ditado, “não existe publicidade ruim”.


Cachorrada

24 de July de 2007, 18:17

Caninus é uma banda cujo vocalista é um pit-bull.

Não é força de expressão. O vocalista é, realmente, um cachorro.

Ok, pra não deixar dúvida: o vocalista não é um Homo sapiens, e sim um Canis familiaris*. Na verdade dois, chamados Budgie e Basil…

(Vi no 17 dots)

(*) - Agradecimentos ao leitor Roberto pela correção (e pela aula de taxonomia)!


Na balada

14 de June de 2007, 21:35

Às vezes eu me pego pensando que devia sair mais. Então eu acabo saindo mais, o que me faz lembrar do por que de eu não sair tanto.

Foi assim no último sábado. Eu e Bethania fomos ao Hard Rock Café para “ciceronear” uma prima dela que mora em Joinville e que estava visitando Belo Horizonte. Ela queria conhecer a “night” belorizontina, então lá fomos nós.

As atrações da noite incluíam um show de uma tal banda chamada “Plano Piloto”, que começaria por volta da meia-noite, e uns DJs que ficariam enchendo linguiça até a hora do show. O palco já estava todo pronto, com os instrumentos e o equipamento do DJ posicionado… em cima de um colchão. Imagine você, um lugar milimetricamente decorado com adereços “Rock’n Roll”, guitarras pelas paredes, um conversível estilo anos 60 pendurado no teto… e um colchonete sobre o palco. Mau sinal.

Aí veio o primeiro DJ: um cara de uns 30 anos, com pinta de “riquinho que ainda mora com os pais”, todo serelepe, fazendo caras e bocas enquanto tocava… hip-hop mela-cueca de rádio. O pior é que ele não sabia mixar: uma música acabava, ele botava outra, e ficava só nisso. Se tivessem colocado um CD qualquer e apertado o “play” dava exatamente no mesmo.

Eu já pensava em como iria pedir meu dinheiro de volta quando, depois de uma meia hora, ele entregou os fones de ouvido para outro cara que estava perambulando pelo palco. Era o “DJ 2 - A missão”. Eu sabia que devia esperar o pior, mas assim que bati o olho no cara, alguma coisa me disse que ele sabia o que estava fazendo. A confiança no meu instinto foi tanta que eu cochichei pra Bethania, segundos depois dele subir ao palco:

- Presta atenção, agora você vai ouvir um DJ de verdade.

Eu não podia estar mais correto. O cara, chamado DJ Rhommel, era absurdamente bom. Ele tocou tudo do bom e do melhor do electro-pop atual (incluindo versões fantásticas de clássicos da dance music remixados) com uma intensidade tamanha que, em questão de minutos, o restaurante inteiro largou as mesas para trás e foi dançar em frente ao palco. E o DJ trabalhava com muito gosto: ele pulava, dançava, sacudia os braços, cantava junto…

Este, pra mim, é o diferencial entre o DJ bom e o DJ ótimo. O bom DJ apenas toca músicas: o DJ ótimo se diverte com as pessoas.

Assim, para minha grata surpresa, o tal DJ Rhommel ia mandando um dos sets mais espetaculares que já vi. Mas o tempo ia passando, a meia-noite ia passando… e Bethania perguntava: “Cadê a banda”? Eu bem que estava rezando pra banda desistir de tocar, porque, do jeito que estava, estava ótimo. E meus instintos diziam que a banda seria um lixo.

Infelizmente eu estava certo novamente. A certeza veio no instante em que estas três criaturas aí embaixo subiram no palco. Da esquerda para a direita, temos “baixista rejeitado pelo Jota Quest”, “imitador de Alemão do BBB” e “Personagem de Dragon Ball Z”.


Este é o Plano Piloto, uma mistura de N-Sync com Vila Boys

Antes de vocês continuarem lendo, dêem uma sacada no site oficial da banda, que foi de onde eu tirei a foto acima. Notem que o site é produzido por uma das agências de propaganda mais famosas de BH e que as fotos foram todas tiradas em estúdio (porque isso é importantíssimo para produzir boa música, não acham?).

Durante os 10 primeiros minutos do show eu fiquei sentado, olhando e tentando entender como diabos eu fui convencido a pagar para ver aquilo. O vocalista cantava como se estivesse no Domingão do Faustão. O resto da banda seguia o “procedimento padrão de bandinha pop”: o baixista fazia cara de mau, o baterista rodava as baquetas no ar, era tudo tão… pasteurizado!

Meia hora de show depois e fomos obrigados a ir embora.