Posts da categoria ‘Brasil’


O Primo recomenda: Almanaque Brasil

15 de dezembro de 2008, 20:15

Não é segredo pra ninguém que eu viajo muito. O problema é que eu viajo REALMENTE MUITO, coisa que fica evidente quando eu vou cortar cabelo no aeroporto de Congonhas e o cabeleireiro já me conhece e chega perguntando se quero “o corte de sempre”, ou quando eu abro a revista da Tam de dezembro e, no editorial, ela mostra todas as capas das edições do ano e eu percebo que li TODAS. E com tanta leitura aeronáutica eu posso afirmar, com alguma autoridade, que revistas de avião são bem ruinzinhas.

Grande parte da revista da Tam, por exemplo, é merchandising disfarçado. Você pega e lê uma reportagem sobre Frankfurt (para onde a Tam começou a voar no início do ano), outra sobre Orlando (para onde a Tam Viagens está, convenientemente, vendendo pacotes de férias) e outra sobre o show da Madonna (que a Tam está patrocinando). Essa da Madonna, por sinal, tem um dos PIORES textos que já vi. Quando as matérias e entrevistas são boas é porque são “emprestadas” de outras publicações: a revista da Gol, por exemplo, é feita pela mesma editora que faz a revista Trip e é de lá que sai grande parte do conteúdo. Mas fora isto as revistas são obrigadas a seguir uma linha editorial estilo “agradar gregos e troianos” e acaba virando uma mistura de “Caras” com “Você S/A” e com “Viagem”. Não é atoa que o saquinho de vômito fica junto com as revistas…

almanaque brasil Então é com muita surpresa que de vez em quando eu encontro uma das melhores publicações da atualidade perdida no meio dessas porcarias: é o Almanaque Brasil, um grande apanhado de cultura e peculiaridades brasileiras. Ao contrário das revistas de avião comuns, onde o texto é muito mais uma distração pra passar o tempo, o “almanaque” é feito para ser lido de verdade, feito para ser leve e divertido mas interessante. E o mais legal é que ele consegue fazer isso pinçando peculiaridades da cultura brasileira – e mais nada. Não se trata de ufanismo defensivo estilo “fora ianques, vamos preservar o que é nosso”, é mais num sentido “olha o tanto de coisa interessante que o seu país tem”.

E, de fato, ele tem. A revista deste mês, no lugar de entrevistinhas com a celebridade da moda, foi falar com José Júnior, coordenador do AfroReggae. A entrevista é deliciosa: revela a sagacidade do líder que dirige sua obra social como negócio, porque só assim ele consegue ganhar a atenção da molecada de favela antes que o tráfico o faça. Estas matérias mais densas são entremeadas por artigos leves, diversões e curiosidades que talvez nunca aparecessem numa Veja ou Istoé da vida, mas que tem tudo a ver com a proposta da revista – como a divertidíssima história do pessoal do Jogos Perdidos, fãs de futebol que dedicam-se a acompanhar as partidas de times praticamente esquecidos nas terceiras, quartas e quintas divisões do futebol brasileiro (e mundial). A leitura do Almanaque é tão empolgante que eu sempre me pego lendo coisas pelas quais eu jamais me interessaria sozinho, como por exemplo os “causos” de Rolando Boldrim ou as piadas do Barão de Itararé. É que o que veio antes tava tão legal que eu vou lendo no embalo.

Chega a ser difícil acreditar que uma publicação tão boa seja gratuita. E mesmo quem não voa pela Tam pode ler os exemplares passados, inteirinhos, pelo site. Tem também a opção de fazer uma assinatura (meio cara, R$ 8,16 por exemplar) e receber em casa. E mais: o conteúdo do almanaque é licenciado em Creative Commons, podendo ser livremente usado para fins não-comerciais.


They give really good head in Brazil!

21 de junho de 2008, 13:32

Ontem, passando pelo aeroporto internacional de Brasília, notei que o restaurante do aeroporto tem um scotch bar com um nome bem peculiar…

Placa escrito "Good Head"

Pra nós, brasileiros, nada de mais. Mas eu adoraria ver a cara de algum norte-americano lendo aquela placa, já que “good head” significa também “um boquete bem feito”…


Rede Globo deixa famílias menos férteis

12 de junho de 2008, 13:26

Sim, o título deste post é bem sensacionalista. Mas não sou eu quem diz isso, e sim o pessoal de Harvard que, num estudo, percebeu uma correlação entre as novelas da Globo e uma diminuição na quantidade de filhos por família.

O artigo que menciona o estudo, postado no blog da revista Foreign Policy, dá maiores detalhes:

O estudo (…) analisou novelas transmitidas de 1965 a 1999 e descobriu que elas retratam famílias muito menores do que as que atualmente vivem no Brasil. 72% das personagens principais de menos de 50 anos não tinham filhos, e 21% tinham apenas um. Por causa disso, os pesquisadores levantaram a hipótese de que as novelas estivessem agindo como uma forma de controle de natalidade.

Usando dados do censo de 1970 a 1991 e dados de presença da Rede Globo em diferentes mercados, os pesquisadores descobriram que mulheres vivendo em áreas cobertas pelo sinal da emissora têm fertilidade significativamente inferior (e, sim, o estudo avaliou todas as outras variáveis e considerou que a entrada da Globo poderia ter sido efeito de tendências que também contribuem para a diminuição da fertilidade. Estamos poupando você dos detalhes econométricos).

Eu não sei o que é mais curioso nesse estudo: se é o fato de Harvard estar estudando as taxas de natalidade brasileiras ou os comentários adicionais do texto:

Novelas são extremamente populares no Brasil, e a emissora Rede Globo, efetivamente, possui o monopólio das produções (…)

As pessoas que vivem em áreas cobertas pela globo apresentaram uma tendência a batizar seus filhos com nomes de personagens de novela, sugerindo que eram especificamente elas, e não a TV de uma forma geral, que influenciavam a taxa de natalidade.

(Link do artigo via Kottke)


…porque Campus Party também é lugar de protesto!

11 de fevereiro de 2008, 23:24

Eu não vi porque fui para um boteco com o pessoal do CampusBlog, mas olha o que rolou na hora em que Gilberto Gil, nosso ministro da cultura, foi abrir oficialmente a Campus Party hoje à noite…

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Quando descobrir de quem foi a idéia (ou quem são as pessoas da foto) eu coloco aqui. Eles merecem. Simplesmente genial…

(A foto eu tirei do Flickr do Fernando Meyer)


Viradouro proibida de desfilar com carro alegórico sobre o holocausto

1 de fevereiro de 2008, 17:22

Sim, deu no Globo:

A Justiça do Rio de Janeiro proibiu nesta quinta-feira a escola de samba Viradouro de levar para a avenida no domingo o carro alegórico do Holocausto, representado por vários cadáveres nus empilhados e que teria uma pessoa vestida de Hitler sobre os corpos.

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Foto via MSNBC

Imagina isso aí entrando na Sapucaí, o sambão rolando, o pessoal vestido de nazista em cima dos corpos, cantando e sorrindo pras câmeras da Globo. Imagina a cara do pessoal nas arquibancadas ao ver a pilha de gente morta. O que a Fátima Bernardes ia narrar numa hora dessas?

Graças a Deus a justiça proibiu essa bomba de entrar na avenida! Ultimamente os juízes estão meio sem noção (vide proibição do Counterstrike), mas dessa vez, felizmente, eles acertaram. Imagina a repercussão internacional que isso teria: a proibição já saiu até no BoingBoing, mas se o desfile acontecesse ia ser dureza ver, na CNN, manchetes tipo “Nazi Parade in brazilian Carnival”, “Brazil dancing ’samba’ over holocaust victims”…

Numa boa, coisas assim me dão vergonha do meu país.

Update: Repensando o assunto, retiro o que disse. Acabei desrespeitando um conselho que eu mesmo vivo dando para os outros, que é o de não fazer nada quando se está de cabeça quente. E eu acabei postando de cabeça quente e não vi que estava falando besteira.

Logo depois de postar eu comentei o assunto com Bethania (que agora está rindo por cima do meu ombro ao me ver escrevendo este update). Ela foi a primeira a discordar de mim – e usando como argumento uma frase que eu vivia dizendo pra ela: “não dá para apreciar arte fazendo juízo de valor”. Ela disse também que, pelo jeito que eu fiquei incomodado com a coisa, eu devo ter sido judeu ou vivido na época do holocausto numa encarnação passada (será? :) ). E pra encerrar, o Felipe veio argumentar nos comentários deste post e eu vi que, realmente, pisei na bola.

Assim, revisando minha opinião, ela fica assim: ainda tenho dúvidas se um carro sobre o holocausto, do jeito que foi previsto, ficaria legal numa festa vívida e alegre como o carnaval – e por isso eu não risquei o primeiro parágrafo do post original. Mas, de fato, nada justifica a proibição. Algumas coisas, de fato, ainda me dão vergonha do Brasil (tipo a proibição do Counter Strike, que, essa sim, é completamente sem noção), mas confesso que, ao invés de sentir embaraço, tenho é que tirar o chapéu para o carnavalesco que criou o carro sobre o holocausto, sobretudo pela ousadia de querer colocar na avenida uma obra de arte sobre um tema difícil e com tantas chances de ser mal interpretado por gente menos esclarecida e/ou de cabeça quente… como eu.


Cenas de um jantar globalizado

3 de dezembro de 2007, 18:13

Semana passada eu tive um evento de trabalho com a presença de vários estrangeiros de várias partes do mundo: tinha um chinês, um croata, uma austríaca, um português e uma finlandesa.

Eventos com estrangeiros são naturalmente interessantes por causa do choque de culturas e por dar a oportunidade de ver o que diabos os gringos acham da nossa terrinha, mas esse bateu todos os recordes. E a culpa de tudo foi da finlandesa.

A menina era completamente doida. Ela fala umas 10 línguas diferentes (inclusive português). E fala sem parar. Some isso a um jantar com vinho e você ouve coisas hilárias, como por exemplo:

  • A passagem dela pelo Rio de Janeiro: "Estávamos em Ipanema, na praia, quando de repente eu olhei em volta e só tinham homens. Aí eu olhei bem e vi que eram todos casais, e aí eles começaram a se beijar e eu lá pensando: ‘uhh, tudo bem, é um casal gay’ e tal. Mas aí um dos caras começou a apalpar o outro! Tipo, botou a mão lá e tudo! Era pornografia gay ali, ao vivo, na praia! Depois um deles se levantou e ficou tentando arrumar as ‘coisas’ dentro do calção" – ou, como ela disse em inglês, "trying to reset the whole thing", o que deixou a história ainda mais engraçada.
  • Aí ela começou a contar as coisas pelas quais o Brasil é conhecido para os finlandeses: "Bem, se colocar em ordem, primeiro vem o futebol. Depois, as sandálias havaianas… e depois a bunda da mulher brasileira."
    Nota mental: comprar ações da Alpargatas, rápido. E depois investir os lucros na "poupança"… (pegou essa?)
  • Falando nisso, descobrimos que a "paixão nacional" dos finlandeses é tomar umas biritas… na sauna. Isso tudo entremeado por mergulhos ocasionais em lagos gelados, pra se refrescar. Mas, segundo ela, todo mundo vai pra sauna usando apenas as Havaianas.
    Sim, eu fiz questão de me certificar, e ela confirmou: na Finlândia, todo mundo toma sauna peladão. Isso era bom demais pra ser real, então chequei na Wikipedia… e é verdade!
  • Momento "animal planet" do jantar: A finlandesa vê uma lagartixa na parede… e sai ALUCINADA para bater uma foto. O que me deu uma idéia genial aqui agora: exportar sandálias havaianas com estampa de lagartixa. Vai vender como nunca na Europa.
  • Para o grand finale, a finlandesa falou que queria adicionar todo mundo no Facebook dela. Aí contamos que no Brasil todo mundo usa Orkut. "Hmm, Orkut não é popular na Finlândia", disse ela. Quando perguntamos o por quê, ela explicou que "Orkku", em finlandês, é uma gíria que significa "orgasmos múltiplos".
    Yeah, baby. Orgasmos múltiplos. Agora eu entendo porque todo mundo quer ter um Orkut…

Por que eu fico desanimado com a internet brasileira

9 de outubro de 2007, 23:34

Justifico fazendo uma análise rápida de uma coisa bem web 2.0: sites de confissões anônimas.

Confissão do famoso Post Secret.com:

20071009

O texto diz: “Este é o recibo que me deram no dia que abortei meu bebê. Eu ando com o recibo e olho para ele todo dia, para me lembrar. Tenho medo que Deus me castigue um dia, por ter feito essa escolha, mas hoje eu estou deixando isso para trás”.

Agora, uma confissão do Grouphug.us:

Toda noite, antes de dormir, eu rezo e peço para acordar e ter 18 anos novamente, para ter uma chance de fazer escolhas diferentes e não ferrar com a minha vida do jeito que ferrei…

Outra confissão, agora do unburdened.org:

Recentemente eu descobri que meus pais faziam “swing” no final dos anos 60, início dos anos 70. Sem problemas, eu pensei. Eles eram os clássicos hippies “flower power” na época. Depois do meu choque inicial e de me divertir imaginando meu pai pegando uma hippie numa sala cheia de gente cabeluda, eu me toquei de uma coisa:

Ele pode não ser meu pai biológico.

A minha cara quando me toquei disso deve ter sido bem óbvia, poruqe minha mãe disse “pois é, nós não sabemos”. Tomara que meu pai biológico seja rico.

Agora uma confissão brasileira, do (extinto) EuConfesso.com.br:

confesso que eu só consigo cagar peladão !!!


Inscrições abertas para o BlogCamp MG

5 de outubro de 2007, 14:28

E em novembro vai rolar aqui em Belo Horizonte o primeiro BlogCamp MG.

20071005

O BlogCamp é um encontro de blogueiros no formato “desconferência” – uma conferência sem programação prévia. Quem quiser falar, vai lá e inscreve sua palestra na hora. Assiste e participa quem quiser. É tudo informal e aberto – e, portanto, divertido.

Este formato é famoso na internet e conhecido como BarCamp – assim, “BlogCamp” ficou sendo o BarCamp dos blogueiros. O primeiro BlogCamp brasileiro rolou em agosto, em São Paulo. Vão rolar outros no Rio, em Curitiba, no Ceará e, agora, aqui na terrinha.

Para o evento de Beagá, a coisa é promissora. A Oi Futuro está por trás da divulgação e tem patrocínio do BlogBlogs e do Dinheirama.

Data: 17 e 18/11, sábado e domingo
Horário: 9:30 às 18:00
Local: Oi Futuro – Museu das Telecomunicações – Avenida Afonso Pena, 4001, térreo

Eu, que sempre tive preguiça da web brasileira, já estou inscrito. Essa movimentação atual dos blogueiros brasileiros é uma coisa ímpar que muito me anima.

Aguardem ampla cobertura aqui no blog e “drops” ao vivo via Twitter nos dias do evento.


Belo Horizonte invadida por zumbis

5 de agosto de 2007, 18:03

Eu não acredito que perdi isso!!

Fui ver meu email e vi um excelente post de Maíra comentando sobre o protesto “Fora Lula” de ontem, falando que deu só 200 pessoas metidas a besta e tal… e comentando o que aconteceu logo depois: a primeira Zombie Walk de Beagá!!


BRRAAAINSSS!!….

Zombie Walk é basicamente isso: uma cambada de gente vestida de zumbi perambulando pela cidade. Segundo Maíra, a Zombie Walk belorizontina tinha no mínimo quatro vezes mais gente que o “Fora Lula”. O roteiro dos zumbis era ir da Praça Sete até o Pátio Savassi (pra quem não sabe, um dos shoppings mais grã-finos de BH)! Uma pena terem barrado o pessoal na porta. Eu ia delirar se os zumbis invadissem o Pátio…

As fotos já apareceram na internet e o YouTube, obviamente, já tem vários vídeos do evento. Em um deles, mais completinho e dividido em duas partes, dá pra ver os zumbis “atacando” um ônibus, alguns carros e, no final, um deles gritando pra câmera: “Mãe, eu tou no YouTube!”

Isso é lindo demais. O próximo eu não perco por nada nesse mundo…


Fique cansado você também

27 de julho de 2007, 14:11

O www.cansei.com.br (fora do ar atualmente) é iniciativa da OAB de São Paulo e mais um punhado de organizações. Eles estão promovendo um protesto no dia 17 de agosto às 13h (treze… hmmm, número sugestivo…).

A idéia é fazer um minuto de silêncio, com ampla cobertura pela mídia e tal.

Eu fico feliz com essas coisas. Parece que, finalmente, após chegar no fundo do poço, a sociedade percebeu que ficar só assistindo Jornal Nacional e dizendo “esse país é uma droga” entre uma e outra fala do William Bonner não vai resolver nada.

Divulgue aí então.

(Vi no Saber é bom demais)


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