Posts da categoria ‘Brasil’


O "relaxa e goza" já chegou no exterior

27 de julho de 2007, 11:52

O site Travel Wire soltou um artigo alertando turistas internacionais sobre o caos aéreo brasileiro. O último parágrafo é uma recomendação aos viajantes que pretendem passar férias pela América Latina:

Lembre-se que o transporte aéreo da América do Sul frequentemente não apresenta os mesmos níveis de serviço e satisfação do usuário encontrados em outras partes do mundo. É melhor ter uma atitude amistosa e flexível antes de viajar.

“Atitude amistosa e flexível”… assim, tipo um “relaxa e goza”?


Reconstituição do acidente da TAM em 3D

26 de julho de 2007, 11:52

O jornal El País fez uma reconstituição em 3D bastante realista do acidente da TAM. Dá uma boa dimensão do absurdo que foi um avião daquele tamanho voando por cima da Av. Washington Luís…


Não voe por Congonhas

20 de julho de 2007, 13:11

E finalmente temos algum movimento de protesto contra o acidente com o vôo 3054 da TAM.

button do CGH Não

Já vi no Inagaki e no Updaters.


Música brasileira – Diversidade, mistureba e… satanismo

20 de julho de 2007, 11:41

Esses dias o eMusic publicou uma “dozen” – lista temática com 12 discos – sobre música brasileira, feita por Peter Margasak, e batizada de The New Sound of Brazil.

A lista ficou interessante não pelos artistas que selecionou, mas por mostrar a visão que o pessoal de fora tem sobre a nossa música – que é o oposto do que eu esperava.

O texto introdutório diz:

Considerando o que George W. Bush bem comentou, há alguns anos, com o presidente Lula, “Uau, o Brasil é grande.”, e baseando-se na música que a grande nação sul-americana exporta – bossa nova e samba – alguém poderia pensar o contrário. Mesmo com estes dois ricos, maravilhosos meta-gêneros musicais, a verdade é que o Brasil é o lar de uma variedade espetacular de estilos e tradições, equiparando-se, ou até ultrapassando, a diversidade musical dos Estados Unidos. A famosa Tropicália – que elevou artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e Os Mutantes ao nível internacional – continua a exercer influência pelo país; o tempo todo, artistas absorvem, trasmutam e colidem todos os tipos de estilos, tanto domésticos quanto estrangeiros.

Além disso, o tamanho do Brasil e seu senso de orgulho lutam ativamente contra o imperialismo cultural; a música americana e européia é popular, mas não apaga a música brasileira das paradas. Enquanto a cultura americana regularmente descarta seu passado, o Brasil abraça-o e adora-o, mesmo quando seus artistas o fatiam e misturam de forma criativa com novos sons e abordagens. Existem incontáveis estilos regionais, ainda bem vivos – entre eles o coco, forró, axé, brega, choro, frevo, mangue beat, pagode, funk carioca e sertanejo – tanto em suas formas puras quanto em iterações pós-modernas. Os brasileiros também conseguiram dar seu toque característico ao hip-hop, jazz, funk e rock, e os melhores músicos acrescentam uma qualidade regional muito distinta às suas criações. Infelizmente, é difícil o não-brasileiro conseguir se orientar pela prolífica cornucópia de lançamentos espetaculares, embora difíceis de achar, que a indústria musical brasileira produz.

Mesmo com lançamentos agradáveis e interessantes no mercado internacional, como Bebel Gilberto, Céu, Cibelle, CSS e Bonde do Rolê, existe muito mais a ser explorado. Em uma viagem que fiz ao Brasil no ano passado, fiquei impressionado ao constatar que havia muito mais acontecendo do que eu esperava – e minhas expectativas já eram altas. Este guia é apenas a ponta do iceberg; a maior parte desta seleção vem de jovens artistas com uma sensibilidade aguçadíssima, mas também estão incluídos alguns da linha mais tradicional e também alguns veteranos que se recusam a deixar sua música ficar no passado. Mas cuidado: quando o bichinho te morder, vai ficar difícil parar de explorar mais e mais.

Confesso que fiquei feliz ao ler tudo isso. Eu não diria que nós “lutamos ativamente contra o imperialismo cultural”, nem que temos uma “cornucópia” de lançamentos espetaculares, mas se o pessoal de fora acha que estamos com essa bola toda…

Os doze discos elencados incluem muita coisa regional (principalmente pras bandas de Recife), funk carioca (obviamente) e outras coisinhas. São esses:

- “Cabeça elétrica coração acústico”, de Silvério Pessoa
- “Cão”, de Rômulo Froes
- “Res Inexplicata Volans”, do Apollo Nove
- “Narradores de Javé Remix”, do Instituto & DJ Dolores
- “Tocar na banda”, de Comadre Fulozinha
- “Sincerely hot”, de Domenico + 2
- “Dadi”, de Dadi
- “Simples”, de Jair Oliveira
- “Lenine”, de Lenine
- “E o método túfo de experiências”, do Cidadão Instigado
- “Slum Dunk presents Funk carioca”, coletânea feita por Tetine.
- “Futura”, da Nação Zumbi

Essa lista é uma vergonha. Vergonha pra mim, que só conheço um dos doze discos: o da Nação Zumbi. Confesso que meu gosto e minhas explorações musicais sempre passaram longe do Brasil, acho que mais por hábito do que por preconceito. Tanto que comecei a querer corrigir esta falha e descobrir coisas boas, do lado alternativo, aqui na terrinha. E a melhor das minhas descobertas foi o Satanique Samba Trio.


O trio em um culto satânico (vulgo “jam session”)

SST foi a novidade brasileira mais genial que já ouvi. O som dos caras (que são quatro, e não três) só pode ser descrito como sendo um encontro do Primus com a gafieira; uma soma de jazz moderno com samba de roda que, no fim, dá algo parecido com um chorinho errado.

A habilidade deles é a de cuidadosamente destruir o fluxo original dos ritmos brasileiros. Digo “cuidadosamente” porque, no meio da bagunça toda, o cavaquinho soa bem, o pandeiro soa bem, tudo soa bem, como um bando de instrumentos bem tocados, mas em pânico. O esmero técnico só faz melhorar algo que, com uma premissa genial dessas, tinha tudo pra dar certo por si só.

O trio tem dois lançamentos, Misantropicalia (disponível no eMusic) e Sangrou (disponível no site da gravadora). Ouça algumas músicas do “Sangrou” no MySpace dos caras.


YouTube Brasil: um problema sério?

6 de julho de 2007, 11:30

Já faz algumas semanas que temos YouTube em “versão brasileira”, com interface em português e destaque para o conteúdo nacional. Isto é um marco importante no mundo online brasileiro, certo?

Não pra mim. Eu acho que o YouTube brasileiro, do jeito que está, pode significar um golpe sério na nossa frágil internet, por causa de duas coisinhas:

1) O destaque para o conteúdo da tevê (principalmente a Globo) e dos grandes portais (UOL, Terra, iG, etc.);

2) A falta de conteúdo produzido pelos próprios usuários.

Pois é. Já notou a quantidade enorme de clipes da novela Malhação que aparecem em destaque? E as notícias da TV Terra? E os clipes do iG? A razão está nesta nota da Folha, com o interessante título de “YouTube brasileiro reproduz TV aberta em seu primeiro dia”: o portal está fechando parcerias com os grandes conglomerados de comunicação do mundo. Uma pena.

Pra mim o melhor do YouTube era o “you”. Era o usuário criando uma opção de conteúdo diferente do que o que está na televisão. Eu tinha um sonho de que o YouTube se tornaria a tevê que você faz para você mesmo assistir, e que consequentemente teria a sua cara, a sua cultura.

É isso o que acontece lá fora: o YouTube internacional pode até ter um monte de conteúdo retirado da tevê, mas o que domina a página de destaques são clipes produzidos por gente normal, que se filma tocando violão, soltando fogos de artifício por conta do dia da independência ou construíndo uma Millenium Falcon com lego. O destaque não é o que a mídia empurra, e sim o que o povo produz.

Já aqui no Brasil, para fazer um teste, acessei a página de vídeos mais vistos. Ela tem 20 vídeos. Eu contei 15 com conteúdo retirado da tevê – incluindo 6 do Ídolos do SBT e 6 de futebol. Dos cinco restantes, um era um show do portal iG, outros dois eram pornográficos e os outros 2 eram “reprise” de vídeos americanos. Não tinha NADA criado pelos usuários.

Neste ritmo, o YouTube do Brasil vai perder rapidinho todo o seu potencial e acabar servindo muito mais como uma extensão da tevê do que como um canal de mídia diferente, focado no usuário. E a culpa não é da Globo, e sim da nossa atitude leecher em relação a internet: todos querem consumir, mas não querem produzir. Mas isso é assunto para um outro post…


Aécio é vaiado em evento – e a imprensa mineira não dá a mínima

27 de junho de 2007, 21:56

Eu quase nunca falo de política por aqui, mas esta merece. Deu na Folha:

Ao lado de Lula, Aécio é vaiado em evento do governo federal em Minas

Em evento do governo federal para assinatura dos convênios para obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) hoje em Belo Horizonte, o governador Aécio Neves (PSDB) foi vaiado por parte da militância petista ligada aos movimentos sociais presentes ao Palácio das Artes, que estava com todos os 1.700 lugares ocupados.

Nem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva inibiu as repetidas manifestações dos petistas, sempre que o nome de Aécio era citado e quando foi chamado para discursar.

Aí você pergunta: “o que isso tem de mais?”. É que na cobertura do mesmo evento pela imprensa mineira as vaias não são mencionadas…


A pobreza online do Brasil

8 de fevereiro de 2007, 13:12

Toda vida eu só acompanhei a movimentação da internet “internacional”. Pra mim, acompanhar a internet brasileira era perda de tempo, pois em termos de conteúdo novo ela era, simplesmente, patética.

Recentemente resolvi adicionar alguns sites brasileiros nos meus bookmarks de leitura diária, pra ver se alguma coisa tinha melhorado. Aí hoje eu entro no Rec6 (um dos muitos clones brasileiros do Digg) e dou uma olhada nos 10 headlines

Três são de conteúdo original. Uma notícia nacional, útil e inédita (pra mim) – e que, ironicamente, saiu do ar, um anúncio do Google Docs & Spreadsheets em português e um “comentário do editor” sobre uso de internet.

Vários outros são replicação de notícia do resto da internet. Nada contra isso: afinal, sites do tipo do Digg existem exatamente para replicar esse tipo de coisa. Acontece que apenas em um deles a notícia replicada vêm mesmo do Brasil. Ou melhor, quase, já que ele repete uma notícia que eu tinha visto na Folha de São Paulo sobre o blog da Wired. O resto dos “repasses de notícia” relatam um novo serviço de hosting da gringolândia, ataques nos DNSs da gringolândia (que eu já tinha visto no Slashdot) ou traduzem artigos dos sites de notícia americanos… Tem também este aqui, que é só uma reedição de um artigo em inglês (que é citado apropriadamente, com todos os créditos, etc).

Digo isso porque outros dois artigos (em destaque, lembre-se bem) são cópia descarada. Este aqui é plágio de um artigo em inglês que estava ontem entre os populares do del.icio.us. O autor simplesmente traduziu o texto e adicionou um parágrafo no fim. O post está como se fosse de autoria dele. Ele não botou nada entre aspas, não falou que está citando outro artigo, e por muito pouco ele não deixa de dar o link para o original. O outro é um artigo (hoje fora do ar) sobre a página inicial da Apple ao longo dos anos. O autor nem se preocupou em avisar que pegou as imagens de um cara do Flickr

Resumo: de dez links, três eram originais, quatro eram notícias do exterior, um era notícia “quase” brasileira e dois eram plágio. Acho que com isso dá pra vocês tirarem suas próprias conclusões…


O impacto sociocultural da tecla SAP na cultura nacional

26 de março de 2006, 11:49

O problema de viver em um país como o Brasil é que normalmente as pessoas se preocupam com os problemas mais evidentes, como a fome ou a corrupção, e outros problemas tão sérios quanto estes acabam passando desapercebidos.

As regravações traduzidas de músicas, por exemplo.

Exemplos clássicos:

Não me deixe aqui no chão, de Chitãozinho e Xororó, tradução de Don’t let me down do Neil Young (eu acho)

O clássico Festa no Apê, de Latino, que é um simples plágio de Dragonstea Din Tei do grupo romeno chamado O-Zone.

Versão em português de Barbie Girl cantada por Kelly Key. Pra dar uma idéia da tragédia, o “uou, uou” do original virou “já vou, já vou” em português.

Mas o pior dos exemplos de traduções eu vi ontem, num restaurante com telão. Tava tocando o DVD do MTV ao vivo com Rita Lee. E aí ela profanou todo o rock’n roll ao cantar I Wanna Be Sedated, dos Ramones. Em português.

Vinte, vinte, vinte quatro horas a mais
Eu quero ser sedado
Nada de amor, nada de paz
Eu quero ser sedado

Me leva pro aeroporto, me bota no avião
Vamo, vamo, vamo, eu hoje tô o cão
Eu não controlo a cuca
Eu não controlo a mão
Oh, não, não, não, não, não


Venceu uma batalha da guerra que causou

11 de novembro de 2002, 13:18

Hoje eu chego na aula de Spinning e o vestiário está lotado, cheio de homens (incluindo o meu professor) urrando como animais.

É que ontem ele e outro professor da academia estavam saindo dum curso e, pelo que entendi, uns pivetes tentaram assaltar a namorada de um dos professores. Aí, saíram os dois em disparada, pegaram os pivetinhos, encheram de porrada e estavam lá, se postando de heróis e contando vantagens do tipo:

- Nó!! Tinha muito tempo que eu não dava um soco bem dado em alguém!!
- E um dos moleque lá, falou que ia ligar pra polícia!! Peguei a cabeça dele e meti no orelhão, falei: “Então liga agora, palhaço!”

E foi isso, os dois contando, com gosto e detalhes mórbidos, a pancadaria que fizeram, sentindo-se os justiceiros e sendo elevados ao posto de heróis porque foram lá e fizeram com os pivetinhos o que todo mundo, secretamente, morre de vontade de fazer.

Aí eu penso na razão de existirem pivetinhos, lembro dessa “guerra civil fria”, o morro com raiva do burguês e o burguês com raiva do morro. Quando os dois se esbarram, é isso, uns pivetinhos apanham, ou um burguês é assaltado e espancado.

Será que nossos amigos professores, covardes espancadores, sabem que a culpa do assalto é deles mesmos? É de todo mundo?


Telepizza Xilindró

24 de julho de 2002, 8:40

Estão afastando os carcereiros duma cadeia em SP onde os presos pediam (e recebiam) pizza por telefone. É a mesma cadeia onde, no início do ano, acharam 2 barris de chope que os presos beberam num churrasco.

Esse é o tipo de coisa que me deixa radiante de felicidade com essa merda de país.