Posts da categoria ‘Canadá’


Falha na Matrix

30 de maio de 2005, 15:25

Hora do almoço e nós fomos no Swiss Chalet. Resolvi ir ao banheiro.

Peguei um corredor estreito e abri a porta com o desenho do homenzinho. Depois de tirar a água do joelho, saí do banheiro, saí do corredor e estava de volta no… Harveys?!???

Cinco segundos depois eu descobri o problema: os dois restaurantes são vizinhos e compartilham os mesmos banheiros. O corredor onde passei começa num restaurante e termina no outro…

Eu realmente preciso de férias.

Falando nisso, contagem regressiva… faltam 11 dias pra eu voltar pro Brasil. Depois, só Deus sabe pra onde eu vou. Enquanto isso, vamo brincar de TOP 5…

TOP 5 coisas do Brasil das quais eu tenho saudade

(Tirando o óbvio, é claro)

Guaraná Antarctica, especialmente o de garrafa.
Encostar em pessoas. Acho que nesses cinco meses aqui eu nunca ganhei um abraço de nenhum canadense.
Terça Standard, a tradicional saída com os amigos que acontece há uns 10 anos. Começa no Stadt Jever e termina de madrugada no Recanto Verde
Dirigir um carro com câmbio manual
Milk-shake de ovomaltine do Xodó da Praça da Liberdade. Nham.

TOP 5 coisas do Canadá das quais eu vou sentir saudade

Entrar numa loja de CDs e ver CDs que eu realmente gosto
Minha casa canadense. Pelo lugar e pelas pessoas. Ah, como é bom chegar do trabalho e ficar sentado na varanda, jogando conversa fora com os caras e olhando os barquinhos pescando na Frenchmen’s Bay…
Segurança. Eu podia escrever um post inteiro só sobre isso. A sensação de poder deixar a porta de casa aberta, ou de andar no centro de Toronto com sua câmera digital pendurada no pescoço, e ter certeza que NADA vai acontecer, é indescritível.
Internet sem fio absurdamente rápida. Ontem eu baixei um filme, Monty Python em busca do Cálice Sagrado. Foram 700 MB em apenas duas horas.
Comidas nada saudáveis e deliciosas. Café sabor french vanilla, rosquinha Boston Cream do Tim Hortons, chicken wings gordurentas e crocantes…


Dusk

26 de maio de 2005, 21:14

…e esse é o céu de oito horas da noite aqui no Canadá.


Algonquin

24 de maio de 2005, 23:06

Segunda-feira passada foi Victoria Day aqui no Canadá. Tem uns fogos no fim do dia, a Rainha aparece na TV e tal. Aproveitando o dia extra, resolvemos viajar para Algonquin, o famoso parque da província de Ontario.

Durante a semana passada, sempre que eu dizia pra alguém que estava indo pra Algonquin, ouvia de volta:

- Não esqueça o repelente de insetos.

Nem precisou tanto. A chuva intermitente dos três dias ajudou a espantar a mosquitada (que, realmente, era assustadora). Mas a chuva e os mosquitos foram a única coisa incômoda dos três dias. O resto foi muita caminhada, canoagem e paisagem de livro de geografia: “Fig. IX – Vegetação de países de clima temperado”…

Mas nos livros não era tão bonito assim.

Além das belíssimas paisagens, outro destaque do parque é a organização: No começo de cada uma das dezenas de trilhas, por exemplo, tem livretos com informações sobre a caminhada. O centro de visitantes tem um pequeno museu e um mini-cinema, que passa um filme de uns 10 minutos sobre as origens e as atrações do parque. Quando o filme termina, aparece uma mensagem que diz: “Agora vá e veja você mesmo a melhor das nossas atrações”. Na sequência, abre-se uma porta ao lado da tela, que dá acesso ao deck de observação…

No primeiro dia ficamos passeando pelas trilhas. Éramos nove pessoas no total, divididos em dois carros, um “prata” e um “bege”. No fim do dia, como estava chovendo, eu e uma das meninas desistimos de uma das trilhas e ficamos conversando fiado dentro do carro prata. A chave do carro bege estava comigo, porque era onde minhas coisas estavam.

Algum tempo depois o pessoal completou a trilha e decidimos ir embora pro hotel; o carro prata começou a viagem de volta primeiro e, como eu já estava dentro dele, continuei lá. As viagens de carro eram longas mas interessantes, porque a gente sempre topava com algum bicho. Dessa vez foi uma raposa com filhotes…

Além da raposa, tinha também uma anta: eu, que só percebi que estava com a chave do carro bege depois de meia hora na estrada. Mais meia hora pra voltar e reencontramos um pouco mais da fauna do parque: um bando de homo sapiens revoltados…

No hotel, na hora do jantar, pedi um prato chamado Arlington’s Poor Boy. Nada mais apropriado.

Falando no hotel, o Arlington na verdade era um albergue que, por fora, dava até medo. Mas por dentro ele era simples, limpo e confortável.

Outra coisa divertida pra se fazer em Algonquin é andar de canoa. No domingo passamos o dia remando pelos extensos lagos do parque, parando nas ilhas pra algumas fotos e aproveitando a vista. Numa das ilhas deu até pra ver um pouco mais da fauna do lugar: um cara usando apenas uma toalha enrolada na cintura

Mas o bicho que mais tinha em Algonquin era o alce. No total vimos uns quatro ou cinco alces. Apesar do tamanho eles parecem ser bastante dóceis: no domingo eu pude tirar fotos tranquilamente, a uns três metros desse aqui da foto. Só faltou a gente ver algum urso, mas não apareceu nenhum.

De noite, quando acabavam as atrações do parque, era hora de fazer uma bagunça no melhor estilo brasileiro. Depois do jantar do domingo, por exemplo, o carro prata (uma Cherokee) virou uma boate ambulante na viagem de volta. No som tocava Fatboy Slim, enquanto todo mundo piscava loucamente as luzes internas e gritava em coro:

Cheroka! Cheroka! Boate da Cheroka!
O urso! O urso! Eu quero ver o urso!

Algumas fotos extras do passeio:

O hidroavião da brigada de incêndio do parque;
Os restaurantezinhos de beira-de-estrada onde a gente comia. O café da manhã que eles serviam era sempre alguma coisa ‘levinha’: ovos, bacon, torradas cheias de manteiga e batata frita. Haja coração;
Veados. Esse aí a gente viu passando saltitante pela estrada. Realmente, veados são, hã, muito gays;
A estação de trem abandonada da cidade de Maynooth. Teoricamente era pra ser uma atração turística, mas não é nada mais do que um prédio caindo aos pedaços. Valeu pela pichação do lado de fora: “NIRVONA RULES”. Coitado do Kurt Cobain;
Pra encerrar, mais uma panorâmica do parque…


Newsflash

20 de maio de 2005, 9:33

E ontem teve a fatídica reunião. As chances de que eu passe uma temporada extra aqui no hemisfério norte variaram bastante durante o dia. De manhã elas caíram pra 10%.

No final do dia eram de 90%…

Surpresa: o preço da gasolina aqui no Canadá varia durante o dia. No posto aqui perto de casa, de manhã o litro é mais caro: 0,845 CDN$. No fim do dia o preço cai pra 0,775 CDN$.

Segunda que vem é feriado aqui, o tal Victoria Day. Agenda do feriadão: ir para Algonquin, dar um alô pros ursos e alces…


Hoje

19 de maio de 2005, 1:31

Já passou de meia noite. Daqui a algumas horas eu descobrirei se volto em definitivo pro Brasil no dia 10 de junho ou se passo mais uma temporada por aqui. Tudo depende de uma reunião e das pessoas certas gostarem do nosso trabalho.

Agora há pouco eu colocava minhas carnes de molho na banheira. Trilha sonora: The Delgados – Universal Audio. A letra da sexta faixa era profética…

are you gonna sink or swim?
from coast to coast is more than you bargain for
are you gonna lose or win?
from ties and lies is something worth trying for


Rotina

18 de maio de 2005, 0:20

Pelo menos até as 8 da manhã eu sei exatamente o que vai acontecer no meu dia

6:40 – Algum dos meus housemates vai entrar no banho e eu vou acordar com o barulho do chuveiro e logo em seguida dormir de novo.
7:00 – O despertador vai tocar.
7:05 – Vou criar coragem de sair da cama e ir até o banheiro lavar o rosto.
7:08 – Três itens vão estar cumpridos: cabelo, desodorante e lentes de contato.
7:09 – Ao olhar para a direita eu vou ver exatamente a mesma cena lá fora: a equipe de remo treinando na Frenchmen’s Bay e um dos vizinhos passeando com o cachorro. Sempre, exatamente isso.

7:20 – Estarei sentado com uma colher na mão direita e uma tigela na minha frente. Na tigela vai ter leite e cereal (70% de Cheerios, 30% de All Bran). A TV vai estar ligada no Breakfast Television.

7:30 – Aquele bipe chato do carro avisando que falta botar o cinto de segurança vai me irritar.

7:50 – Se nesse horário ainda estivermos antes de Ajax, o trem interestadual vai passar à nossa direita.

8:00 – Pegarei, hesitante, a maçaneta da porta principal do escritório, com medo de levar um choque por causa da eletricidade estática. Depois de entrar, direi good morning para a secretária que fica logo em frente, e ela responderá com um sorriso.

Depois disso eu já não garanto nada.


Fim de semana

16 de maio de 2005, 19:13

Na sexta-feira começaram a pipocar emails com um subject ‘latino’: Festa no apê

Era a convocação para a festa da noite. Um grupo de colegas que estão trabalhando numa cidade próxima veio passar o fim de semana conosco. A festinha foi madrugada adentro…

Curiosamente, um dos assuntos da noite foi este blog que vos fala. Tinha gente querendo saber se aquela história do cartaz de “U R NOT HOT” era verdade mesmo, outros querendo saber quem eram as pessoas por trás dos pseudônimos…

O sábado só começou lá pelo meio-dia. Almoçamos no Mongolian Grill, alguns foram pra casa cochilar, outros foram andar no shopping. O dia estava bem bonito.

No fim do dia um dos nossos colegas (que pediu que seu pseudônimo fosse Alladin) foi estrear sua vela de limpar ouvido. Este peculiar artefato, comprado dia desses na mão dos chineses do Pacific Mall, é um tubo que você coloca na orelha e acende. Enquanto queima, a tal da vela traz diversos benefícios: remove toxinas, limpa seu ouvido e dá milhares de razões pros seus amigos fazerem piada com a sua cara.

Mais à noite o pessoal caiu na night, todo mundo foi ao Bier Market, em Toronto. Exceto eu, que tive preguiça e fiquei em casa. Maniac Mansion Deluxe (!!!!) me fazendo companhia.

O domingo também começou tarde. Novamente em Toronto, almoçamos no ótimo Spring Rolls. O assunto da vez era a dondoca Paris Hilton e a famosa história do seu vídeo, espalhado pela net, onde ela aparece com o namorado em momentos, hã, horizontais.

Depois teve uma caminhada rápida pela região da Bloor Street, a parte podre de rica de Toronto. Numa das lojas eu peguei a etiqueta de uma calça da Diesel pra ler:

“Este jeans foi cuidadosamente desgastado, à mão, pelos nossos designers, para que ele vista da mesma forma que aquele seu velho e confortável jeans surrado. Cada mancha e cada remendo são únicos para cada calça…”

O preço era algo acima de 300 dólares. Então é assim: quanto mais estragado o seu produto, mais caro ele fica.

No final da tarde passamos no Eaton Centre.

Entramos na Godiva, famosa loja de chocolates caros finos e supostamente muito gostosos. Experimentei uma barrinha de chocolate branco (4 CDN$), que não ficou devendo em nada para um velho e bom Laka

Do lado de fora do shopping descobrimos um cantinho que era o point de paquera dos mendigos da cidade (?!), e aproveitamos pra rever algo que há muito tempo estava sumido: folhas nas árvores.

Depois, acabou. A segunda-feira ficou perigosamente próxima e fomos pra casa…

Créditos devidos: O layout das fotos deste post é cópia descarada do que o Ricardo Freire usa no seu ótimo viaje na viagem. Como dizem por aí, “o plágio é a forma mais sincera de elogio”…


Québec, Montreal e Ottawa, parte 2

16 de maio de 2005, 0:23

Algumas horas de estrada, pontes e túneis: é o que atravessamos pra chegar em Montreal, cidade famosa por ter sediado os jogos olímpicos de 1976.

No caminho para o hotel passamos ao lado da vila olímpica, com a peculiar torre inclinada sobre o estádio e tudo. Tivemos um probleminha de “propaganda enganosa” com o hotel que eu tinha reservado (as fotos que vi na internet não tinham nada a ver com o lugar) e acabamos nos hospedando no hotel vizinho, melhor e mais barato. Acho que Murphy mora mesmo é nos Estados Unidos…

Depois, fomos direto pra a região do antigo porto, que é onde aconteceria a apresentação do ultrafamoso Cirque du Soleil, com o espetáculo chamado Corteo. Eu vou fazer apenas um comentário sobre o show: se um dia eles passarem pela sua cidade e você ver o preço dos ingressos, não diga: “OQUÊÊÊ? Isso tudo?! Que roubo! Eu não vou nisso nunca!”.

Em vez disso, vá lá e PAGUE. Eu nem sou tão fã dessas coisas assim e várias vezes me peguei com o queixo caído durante a apresentação. Então saiba: Vale cada centavo.

Depois do show já era quase noite e, com a alma devidamente alimentada, faltava reabastecer o corpo: fomos jantar num restaurante grego. Achei que eu estava sendo altamente experimental quando pedi um souvlaki… até ver que era apenas um espetinho de carne. Além disso, eu e Bethania comemos um pouco mais do nosso vício: caesar salad, a salada mais besta (e mais gostosa) que tem.

O dia seguinte (aniversário de Bethania) foi dia de explorar rapidamente a cidade, já que queríamos passar em Ottawa antes de voltar pra casa. Passamos pela ponte Jacques-Cartier e fomos para o Parc Jean Drapeau. Vimos a Biosphere (um museu meio ecológico-ambiental) e tentamos achar um museu, mas só achamos uma torre no meio do mato…

Depois, mais estrada. Confirmei que, em Quebec, os canadenses dirigem como doidos: eu andava a 130 por hora na estrada e sempre tinha um fominha colado na minha traseira. E um detalhe: vimos que Montreal tem dois grandes aeroportos, chamados Dorval e…Mirabel?

Falando em estrada, eu devo ter dirigido por umas 18 horas nesses três dias, mas como todo mundo já deve imaginar as estradas são excelentes. Tem até um detalhe interessante: a beirada da pista tem um “sinalizador sonoro”, esse aqui.

Se você dormir e seu carro começar a sair da pista, o barulho das rodas no sinalizador serve pra te despertar novamente. Idéia simples e genial.

Algumas horas depois chegamos em Ottawa, capital do país e centro estratégico dos tabuleiros de War. Apesar dos prédios de época (como esse, do parlamento), Ottawa tem um clima de cidade grande. Mais uma vez, fomos procurar um centro de informações turísticas pra descobrir o que dava pra fazer nas poucas horas em que ficaríamos na cidade.

Em Montreal tínhamos usado novamente esses serviços públicos de informação, e fomos muito bem atendidos de novo. Como Ottawa era nosso último destino, achei que Murphy ia aparecer e fazer o centro de informações ser bem ruinzinho.

Eu não podia estar mais enganado: no meio do lugar havia uma maquete enorme da cidade inteira. Aí você selecionava alguma atração turística e, ao pressionar de um botão, uma luz acendia-se na maquete, indicando onde era o lugar.

Como o tempo era curto, atravessamos a Pont Macdonald Cartier e fomos tirar algumas fotos no Museu da Civilização. A vista de lá era uma coisa

Aí acabou, era hora de ir pra casa. Como Bethania só tinha recebido os parabéns de mim, paramos num lugar qualquer pra ela poder telefonar pro Brasil.

E foi isso, três ótimos dias. Semana que vem é feriado e devo voltar à Ottawa, para ver o festival de tulipas. Espero que vocês não tenham se cansado de ver fotos…


O Primo no show do Autechre

12 de maio de 2005, 10:50

Faltavam poucos minutos para as nove da noite da quarta-feira quando entramos na pequena fila que se formava na porta da Opera House, em Toronto. As portas iriam se abrir pontualmente às nove para apresentações de Rob Hall, SND e, no fim, do Autechre.

Digo “entramos” porque acabei arrumando companhia para o show: Kay, uma colega de trabalho, me ouviu comentando que ia e quis vir comigo. Não adiantou alertá-la de que não se tratava de música “fácil”, que ela iria ouvir alguma coisa parecida com um CD riscado a noite toda: ela não desanimou.

A tal Opera House é um velho teatro que acabou virando casa de shows. No palco, Rob Hall tocava alguns discos de um “electro-tech-house” bastante confortável. Devagarinho a casa foi se enchendo de um público bastante diversificado: tinha gente de bermuda, de terno, de uniforme de frentista de posto de gasolina, de vestido velho daqueles comprados em brechó, de roupa de marca, de camisa do Kraftwerk. Tinha gótico, tinha cult, tinha gay, mas a grande maioria era de nerds – feios, magrelos, branquelos, de óculos e com a cabeça meio raspada.

Acho que você vai rir, mas eu me sentia em casa. Já a Kay olhava em volta, sorridente: “Ah, eu gostei! Não é programa pra um sábado à noite mas eu gostei…”

Depois de algum tempo, Mat Steel e Mark Fell subiram discretamente no palco: era o SND que ia tocar. Os dois foram responsáveis pela parte mais “CD riscado” da noite: quando o ritmo parecia que iria tomar a forma de alguma coisa convencional, logo se desmanchava numa batida sem o menor sentido, que fazia um bonito contraste com os arpeggios sintetizados, às vezes delicados como um pianinho de brinquedo. A Kay, já não muito sorridente, arrumou um cantinho na beirada do palco e se sentou.

Rob Hall voltou para as pickups apenas para dar tempo de preparar o palco para o Autechre. Eu não fazia a mínima idéia de como eles iam tocar, então fui consultar o FAQ da banda e achei minha resposta no item 1.05:

1.05 – Como é o Autechre ao vivo?

Bem, ou eles fazem um DJ set, ou um mix set ou uma produção completa com sintetizadores. Eu vi o mix set, que é quando o Sean e o Rob tem cada um um laptop e um mixer customizado no meio deles. Usando minidiscs, eles se apresentam fazendo músicas customizadas a partir de loops que eles tem gravados, e/ou colocam músicas conhecidas (…). De qualquer um dos jeitos, Autechre ao vivo é algo pra se ver.

Quase todas as luzes se apagaram durante o show, e muita gente no público (incluindo eu) passou grande parte da apresentação de olhos fechados, balançando discretamente junto com a batida: era a melhor forma de “ver” o show. E o cara do FAQ tem razão, Autechre ao vivo é uma coisa de louco. Um dos caras passou o tempo todo debruçado sobre um sequencer, programando as duas horas de loucura rítmica, enquanto o outro recortava e colava texturas sonoras de tudo que é tipo, atrás de uma pilha de equipamento que eu não consegui reconhecer. O chato é não poder mostrar isso aqui: infelizmente não me deixaram entrar com a câmera.

Aí no meio do show eu olho pra Kay, toda encolhida na beirada do palco. Levei um susto e fui ver o que tinha acontecido:

- Kay! Tudo bem?!
- Hã… sim… eu tava dormindo…

No fim das contas os caras mandaram muito bem e eu me diverti como nunca. Outros detalhes:

Antes de entrar um cara meio lesado puxou conversa conosco na fila. Papo vai, papo vem, depois de ver que éramos brasileiros o cara me manda a fatídica pergunta:

- Pô legal… mas… no Brasil como é que é, é selva mesmo?

Ainda teve outras pérolas…

- Pô, aí, eu não sei os detalhes mas eu vi no jornal que cês tiveram um lance tipo uma guerra civil…
- Hmmm… acho que não foi no Brasil não, cara.
- Pô, sei lá, foi tipo um lance aí com o presidente…
- Não, esse aí é o Equador, não é o Brasil.
- Mas num teve um país aí que quebrou e tal?
- Não, essa aí é a Argentina…

O único problema que tive no show foi quando uns três caras ficaram na minha frente. Um deles tinha, juro por Deus, uma barba de pirata. E o que estava do meu lado dançava como um epilético. E estava com o desodorante vencido…

Claro que tinha muita gente usando drogas. A maioria ficava em frente às caixas de som, dançando descoordenadamente. Teve uma menina que ficou o tempo inteirinho imóvel, de boca aberta, olhando sem parar para o palco. E um outro cara que de repente apareceu pulando na nossa frente.

Quase no fim do show ele me cutucou e disse, risonho:

- Cara!! Você está QUASE DANÇANDO!!! Cuidado!


Québec, Montreal e Ottawa, parte 1

10 de maio de 2005, 15:32

Ah, finalmente terminei de escrever sobre a viagem do dia 30. Três dias, três cidades…

A jornada do fim-de-semana começou cedo no sábado. Cinco da manhã e já estávamos na estrada, consumindo lentamente os mais de 700 quilômetros que nos separavam de…

Québec

A província de Québec é bem peculiar. Foi colonizada pela França e tem o francês como língua oficial, coisa que deu pra notar assim que o carro passou pela fronteira. Várias placas de trânsito ficaram ilegíveis

Era mais ou menos uma da tarde quando chegamos em Québec City, a capital da província. Como não podia deixar de ser, ficamos perdidos enquanto procurávamos o hotel, o que acabou sendo excelente porque acabou forçando um “reconhecimento” da cidade velha, a parte histórica de Québec que fica dentro da muralha (a cidade é murada por causa dos antigos quebra-paus entre franceses e ingleses). Para você ter uma idéia de como ela é, imagine como seria Ouro Preto se ela fosse na Europa.

Fica assim…

Depois de achar o hotel, almoçamos e começamos o tour. Nossa primeira parada foi num posto de informações turísticas. Perguntamos a atendente o que ela sugeria que fizéssemos durante a tarde, ela sacou da gaveta um mapa e, extremamente atenciosa, foi indicando os lugares que poderíamos visitar. Marcava os trechos com caneta marca-texto, falava o que tinha, a que distância ficava, dava mil e uma opções. A explicação da mulher foi tão boa que eu comecei a ficar preocupado: “quanto ela vai me cobrar por esse roteiro todo??”. Mas era de graça.

A primeira parada foi no prédio mais alto da cidade, onde havia um observatório. O tempo estava ruim mas mesmo assim deu pra curtir a vista (clique aqui e passe o mouse sobre a foto).

Depois passamos a muralha e entramos na cidade velha, que se mostrou muito mais bonita de baixo do que de cima. Québec ainda conserva todos os detalhes da época (até o Burger King é estilo “old skool”).

Mais tarde pegamos o funiculaire, um elevador inclinado que leva até a cidade baixa. Vimos algumas outras coisas e voltamos pro hotel.

O jantar foi uma boa massa num tal Pennelo Bistro (se não me engano o nome era esse mesmo). Enquanto víamos as pessoas passarem, eu e Bethania concluímos que as mulheres de Québec são muito bonitas. Mas muito mesmo. Desde a recepcionista do hotel, passando pela faxineira no corredor até as garçonetes do restaurante, todas elas eram extremamente bonitas. Tanto que, quanto Bethania voltou ao Brasil, me deixou uma recomendação: “NÃO OLTE em Québec!!”…

O dia seguinte amanheceu com neblina. Demos mais uma voltinha pela cidade, visitamos a Catedral de Notre-Dame número 1 (porque em Montreal e Ottawa também tinha igrejas com o mesmo nome), depois botamos de novo o pé na estrada.

Quatro horas depois, estávamos em Montreal. Conto tudo na parte 2, prometo.


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