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Wall-E: no meio da discussão sobre fascismo, uma história fascinante

9 de July de 2008, 12:32

Apesar da avalanche de avaliações positivas para o filme Wall-E, as críticas negativas tocavam em pontos bem contundentes, como esquerdismo radical, fascismo, etc. O pessoal deste tópico do Metacritic estava discutindo exatamente estas coisas quando o usuário AstroZombie entrou no meio do papo político para contar a fantástica história de sua namorada, que resumo a seguir:

Courtney assistiu o primeiro trailer de Wall-E assim que foi lançado - e chorou copiosamente quando o robozinho pronunciou o próprio nome. De fato ela chorava todas as vezes que via o trailer, exatamente no mesmo momento. A coisa era tão curiosa que ela até gravou um vídeo com seu choro e postou no seu blog.

Acontece que o pessoal da Pixar achou o vídeo. Primeiro ela recebeu emails de programadores da Pixar, se sentindo agradecidos pelo “elogio”. Depois chegaram emails dos produtores. Depois, no natal, ela recebeu uma jaqueta da produção de presente, junto com um cartão de agradecimento. E então, em junho, a Pixar convidou Courtney para a mega-festa de encerramento da produção do filme (com passagens aéreas, hospedagem, tour pelos estúdios da Pixar, tudo incluído), aonde foi aplaudida pelas milhares de pessoas que trabalharam no filme após um discurso emocionado do diretor, que disse que soube que “estava no caminho certo” quando viu o choro de Courtney no YouTube.

Segundo o tal AstroZombie, a Pixar não tentou usar essa história com fins promocionais. Foi, de fato, um agradecimento da produção para alguém que ajudou a manter a equipe otimista até o fim.

Fiquei pensando… será que a Globo já fez isso com alguma senhora que chorou durante a novela? :)


Irritando seu cliente ao tentar vender pra ele

14 de October de 2007, 21:56

Agora a indústria do entretenimento atingiu um nível sobrenatural de falta de noção.

Ontem eu aluguei um DVD do filme Perfume, que por sinal achei bem chatinho. Mas o que foi chato MESMO foi a surpresa que tive ao apertar "Play": minutos e minutos de trailers… e comerciais, daqueles que não tem como pular.

Numa boa: eu estou pagando para ver filme, e não pra ver propaganda de pousada em Parati ou de secador de cabelo.

Depois eu vou assistir Tropa de Elite versão piratex e neguinho reclama…


Sessão Primo de filmes ruins com mulheres dando porrada

8 de October de 2007, 19:24

Este ano tem sido bem ruim para o cinema norte-americano. Lançamentos horríveis, pouquíssimos roteiros originais, uma overdose de continuações toscas, adaptações de livros/filmes/quadrinhos/jogos que chegam a dar pena, etc. Assim, para comemorar este estado catastrófico de Hollywood, resolvi fazer uma sessão de "filmes ruins com mulheres dando porrada", pra poder fazer piadas aqui no blog.

As vítimas os escolhidos foram duas adaptações caça-níquel, uma de um jogo e outra de um desenho animado: Dead Or Alive e Aeon Flux!

Dead Or Alive (DOA - Vivo ou Morto)

Cartaz DOA Provavelmente as instruções do diretor para a equipe, ao começar as filmagens, foram: "temos que fazer um filme sexy, mostrar muita mulher de biquíni, muita porrada, mas tem que ser um filme pra criança! O filme NÃO pode ser classificado pra maiores de 12 anos!". Ele acertou na mosca.

Dead Or Alive é, basicamente, mulheres de biquíni quebrando o pau, ora entre elas mesmas, ora com uns personagens masculinos patéticos de roupas (e cabelos) coloridos, ora com centenas de milhares de inimigos com apenas 1 HP - aqueles, que desmaiam com um chute na canela, sabe?

É desnecessário dizer que eu não esperava um bom roteiro ou personagens legais, mas o pessoal abusou. Pra começo de conversa, o filme tinha vinhetas entre as cenas. Vinhetas!! Um letreiro bizarro "DOA" que voava pra dentro e pra fora entre uma cena e outra. Os atores também iam de mal a pior. Eu quase tinha um troço de tanto rir quando via, por exemplo, o ninja Hayabusa, que atuava como se fosse o Moss do "The IT Crowd". A personagem principal (Kazumi) é interpretada por uma atriz que mais parece um zumbi sem expressão. Se ela fosse a atriz mais bonita do elenco o destaque até se justificaria, mas ela é uma das mais sem-graça. Principalmente quando comparada àquela que me deixou babando o filme todo… Tina Armstrong.

Tina Armstrong
A Tina original dos jogos e a versão de "carne e osso". E que carnes!

Vou te contar, a Tina - interpretada pela belíssima Jaime Pressly - ficou de cair o queixo. Coincidentemente, eu só jogava Dead Or Alive no fliperama com a Tina. Lembro que até andava com uma lista dos golpes e combos dela, dobradinha na minha carteira, pra consultar quando eu fosse jogar (pô, eram dezenas de golpes, e eu era um adolescente nerd! Eu mereço um desconto!).

O final do filme - que não dura nem 1:15h - não poderia ter sido mais manjado. O vilão aciona uma autodestruição, aparece um contador regressivo e todos escaparam no último minuto de uma explosão que aniquila tudo - mas não sem antes encher o malvadão de porrada.

Pablo Vilaça, meu "deus" particular do cinema (como diz Bethania), deu ao filme a classificação mínima - uma estrela, e falou mal de tudo. Tenho pena do Vilaça, que tem que avaliar a sério filmes que nem eram pra ser sérios.

Ah, e tem o trailer no YouTube, pra vocês sentirem o nível.

Aeon Flux

20071006_3 Aeon Flux foi a "zebra" da minha sessão cinema. Eu esperava um filme horrível, e o que vi foi até interessante!

A primeira boa surpresa vem do ponto de vista estético. Aeon Flux é um filme muito bonito. Tudo é elegantemente "muderno": as roupas, as locações (muito bem escolhidas por sinal), os diálogos, a tecnologia e armamentos inventados para a época futurista aonde o filme se passa, etc. Além disso, o roteiro gira em torno de um mistério interessante - tanto que nem precisei prestar atenção nas "belezas naturais" de Charlize Theron para não dormir.

Claro que a Aeon Flux original, dos desenhos de Peter Cheng, é um personagem muito mais legal do que o que Charlize Theron representou. Nos desenhos, Aeon é mais fria, mais ágil na "hora do pau" e tem um toque fetichista muito legal que não apareceu em momento algum do filme. E o roteiro, além de algumas inconsistências, é muito reticente em alguns momentos, o que acaba deixando tudo meio blasé demais. Mas, somando tudo e noves fora, Aeon Flux é legal - embora os desenhos originais da MTV continuem sendo melhores.


Cinema ruim, robôs, decepções e arte moderna.

23 de July de 2007, 16:20

Sexta-feira eu assisti Transformers. Que é um filme bem mais ou menos. Eu fui animado por ver os reviews que alguns blogueiros postaram após uma pré-estréia, mas me decepcionei.

Transformers é um episódio de Malhação com eventuais aparições de robôs.

O roteiro é patético e só não cai aos pedaços por causa do carisma de Sam Witwicky, o personagem principal (interpretado por Shia LaBeouf). Falar dos efeitos especiais é desnecessário - bons efeitos são commodities em qualquer filme não-independente feito depois de 2001 - mas o diretor exagerou. O combate final, por exemplo, fica impossível de acompanhar: tem coisas demais acontecendo na tela e roteiro de menos para dar sequência àquilo tudo.

Por sinal, acabei decepcionado em todas as vezes que fui ao cinema este ano. O que diabos aconteceu em 2007? Onde estão os filmes realmente bons? Eu devia ter lido o Vilaça, que deu duas estrelas pra essa joça, antes de gastar R$ 7 no ingresso…

No domingo eu finalmente visitei o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, à uma hora de carro de Belo Horizonte.

O Inhotim é um mashup (hehe) de museu de arte moderna com parque e jardins planejados. É um ótimo programa para um domingão de sol.

O acervo do Inhotim é excelente, mas uma obra em particular me chamou a atenção: foi Samson, de Chris Burden (foto ao lado). Samson (”Sansão”) é uma escultura conceitual, composta por uma máquina com dois pilares de madeira pressionando as paredes laterais da galeria. No meio deles há um martelo hidráulico de 100 toneladas, que fica conectado à roleta que dá entrada para a galeria. O funcionamento (mostrado com detalhes neste vídeo) é assim: Cada pessoa que passa pela roleta aciona um mecanismo que aciona o martelo e afasta, milímetro a milímetro, os pilares que pressionam as paredes. Assim, se passar gente suficiente pela roleta, a escultura vai acabar demolindo a galeria.

Genial. É por isso que eu adoro arte moderna…


Os 10 melhores sons de Star Wars

1 de June de 2007, 22:29

Concordei com tudo.

(via CDM)


O produto de uma mente ociosa há 25 dias

8 de May de 2007, 22:43

Adicionei mais uma coisa para o ranking das coisas que realmente me irritam: DVDs de locadora que te obrigam a assistir os traileres.

Já alugou um destes? Você taca o DVD pra tocar e ele passa 10, 15 minutos de trailers. “Next” não funciona. “FF” não funciona. “Menu” não funciona.

É incrível como o pensamento da indústria do entretenimento parece ser: “Você vai se divertir com nossos produtos. Mas tem que ser do jeito que a gente quer.”

Falando em indústria do entretenimento, eu vi o Homem-Aranha novo. Engraçado como a primeira metade de um filme pode ser excelente e a segunda metade ser um lixo total.

Vou dar um exemplo (não é spoiler, pode ler): numa das cenas da segunda parte, o Aranha chega para salvar o dia. A tomada mostra o aracnídeo pulando de sua teia e correndo por um telhado… com a bandeira dos US and A como pano de fundo. A música “gloriosa” aumenta e as pessoas na rua aplaudem.

Outro dia, na cadeira do engraxate do Aeroporto de Ribeirão Preto (?!), eu li uma matéria na Folhinha, da Folha de São Paulo, sobre os jovens que rejeitam tudo que é estrangeiro. Não entram no McDonalds, só escutam música brasileira, só se vestem com grifes nacionais e tal.

Pra mim estes jovens são uns idiotas.

Antes que as pedras que vocês, mentalmente, jogaram sobre mim me acertem, eu me justifico: No mundo de hoje, principalmente sob o ponto de vista cultural, não faz o menor sentido você classificar as coisas por causa do país de onde elas vêm. Se você pensar em termos de Internet e globalização, não existem países do ponto de vista cultural. Não dá pra separar músicos, atores ou escritores em prateleirinhas com os nomes dos lugares de onde eles vieram: é como se, no universo cultural, Tom Zé, Thom Yorke e Thomas Bangalter estivessem lado a lado. Segmentar o mundo cultural em países, e restringir seu consumo a apenas um deles é, para mim, um contrasenso enorme, é jogar fora o que de melhor o mundo moderno nos oferece: cultura de todos os tipos, jeitos, países, raças e cores. E o que é pior: só pra pagar uma de patriota.

Sim, a cultura brasileira é rica e digna de apreciação. A dos outros países também, inclusive a dos US and A, que todo mundo adora odiar ultimamente. Em termos culturais, a única comparação que vale é a de mentes, não de lugares de nascimento.

Falando em “US and A”, alguém mais já reparou que, no Street Fighter 2, quando o narrador fala o nome dos países, a narração para a extinta União Soviética é a que ele faz com menos empolgação?

Para os outros países é como se ele botasse uma exclamação no final: Japan! Brazil! Spain! USA! Mas na hora de falar da terra do Zangief, ele desanima: U.S.S.R…


O Código Tarantino. Curta-metragem com Selton Melo…

16 de April de 2007, 23:09

O Código Tarantino. Curta-metragem com Selton Melo e Seu Jorge. Genial e imperdível.

(Via CrisDias que viu no YabloG!)


O Primo NÃO recomenda - Ó Paí, Ó

2 de April de 2007, 7:59

O meu rol de piores filmes de todos os tempos inclui algumas pérolas, como Pecado Original, Anaconda, Diário de uma louca e outras maravilhas.

Ontem eu adicionei a esta lista Ó Paí, Ó, produção brasileira de Monique Gardenberg que é adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome.

Pra ir direto ao ponto: o filme simplesmente NÃO tem roteiro e é apenas um amontoado de cenas com personagens caricatos da Bahia: o travesti, a morena sensual, a baiana do acarajé, o trambiqueiro, a “crente do rabo quente”, etc. Todas as cenas do filme consistem, basicamente, destes personagens interagindo uns com os outros de um jeito que devia soar “espontâneo e brasileiro”, mas que ficou parecendo apenas gritaria e bate-boca sem sentido. É como se aquelas cenas de favela das novelas da Globo tivessem sido filmadas com lentes melhores e com os atores falando palavrão.

Pra piorar a falta de noção do roteiro, o filme ainda acrescenta, sem razão aparente, algumas cenas de musical. Imagine só: de repente, todo mundo no boteco pára o que está fazendo e começa a dançar. Por “todo mundo” entenda-se: o travesti, a morena sensual, o trambiqueiro, a “sapatão”, a baiana, etc, etc. Era pra ser uma cena bem “brasileira”, acabou parecendo a cena dos monstros dançando com Michael Jackson no videoclipe de “Thriller”. Algumas músicas da parte “musical”, inclusive, são cantadas pelo próprio Lázaro Ramos. Nada contra o cara, ele é um dos melhores atores da atualidade, mas a voz dele…

E então, no final do filme, depois de bastante música, dança e bate-boca, inventaram um “clímax” narrativo TÃO desnecessário, TÃO desencaixado do resto da história, que acabou sendo apropriado. Afinal, um filme ruim daqueles precisava de um final à altura (ou seja, horrível).

Por alguma estranha razão o Omelete falou bem. E o Vilaça ainda não se manifestou.


E depois falam que EU é que pego no pé do Santoro

2 de April de 2007, 7:40

Taí uma amostra da incrível competência dos repórteres do GuiaBH… pegaram uma foto de um dos monstros do filme e disseram que é o Rodrigo Santoro.


Os 300 Gestores de Esparta

31 de March de 2007, 20:32

Ontem, ao sair do cinema, eu comentava com Bethania:

- Putz, esse “300″ é um prato cheio pros oportunistas dos livros de gestão. Já estou até vendo, daqui a pouco alguém edita um livro no estilo “O Vendedor Pit-Bull de Esparta” ou “O estilo Espartano de Gerenciamento - Explore as sinergias da sua equipe e encare o mercado com um exército de alto desempenho”…

Aparentemente eu previ o futuro: hoje, no Digg, dei de cara com um link chamado “10 lições que ‘300′, de Frank Miller, pode lhe ensinar sobre sucesso em negócios online”

Piadas à parte, “300″ é um filme belíssimo. O visual forte reflete na história estilo “sou macho pra caraio”: a testosterona só falta pular da tela. É uma bela adaptação do trabalho de Frank Miller.

E qual não foi o meu susto ao conferir, como de costume, o Pablo Vilaça. Ele surpreendeu e, ao criticar o filme, escreveu a pior crítica de toda a sua carreira. É um texto inacreditável, onde ele abre com comentários absurdos que mais pareciam um post do KibeLoco

“E “homoerótico” é um adjetivo inevitável ao analisar 300, com seu exército de homens de torsos nus e depilados, sungas de couro e capas vermelhas esvoaçantes – um visual que, imagino, logo começará a ser explorado por dançarinos “exóticos” (troque o “x” pelo “r”) e por sexshops em todo o mundo. Aliás, se o Village People ainda existisse, sou capaz de apostar que o policial, o operário, o índio e o marinheiro logo ganhariam um companheiro espartano (que poderia sinalizar a letra “A” do “Y.M.C.A.”)”

Depois descamba pra ofensa gratuita…

“Dito isso, não há absolutamente nada de revolucionário na realização de 300, ao contrário do que vários imbecis andam propagando por aí depois de comprarem esta tese dos publicitários da Warner. Infelizmente, nos dias de hoje, quando qualquer um pode se apresentar como “crítico de cinema” e publicar seus textos em sites voltados para a “cultura pop” (eufemismo para “qualquer coisa que possa nos render dinheiro”), os estúdios têm conseguido cada vez mais transformar estes espaços em verdadeiras extensões de seus departamentos de marketing – e já se foi o tempo em que podíamos acreditar na célebre frase de Pauline Kael: “Nas Artes, a única fonte confiável de informações é o Crítico. O resto é publicidade”.”

E fecha com uma opinião completamente sem fundamento nenhum que não o seu próprio juízo de valor:

“Longe de ser uma obra perfeita, 300 é moralmente repreensível e narrativamente frágil. Ainda assim, é um filme contagiante cuja beleza plástica chega quase a compensar por todos os seus demais problemas. E quem dera se todas as produções problemáticas de Hollywood pudessem ser tão bonitas.”

Definitivamente, esse não era o Vilaça que eu admiro tanto. Fiquei tão desconcertado ao ler a crítica que até me dei ao trabalho de fazer o (longo) cadastro no site só para deixar um comentário na crítica.


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