Posts da categoria ‘Cinema’


O Primo recomenda – O Balconista 2

30 de setembro de 2007, 21:33

Os quatro atores principais de O Balconista 2

Antes de mais nada eu devo agradecimentos inflamadíssimos a Norton, que me mostrou o primeiro balconista e que gentilmente me cedeu uma cópia do segundo filme – filme este que eu havia esquecido completamente. Não fosse ele e eu não veria essa obra-prima.

Eu estava lendo as opiniões do Metacritic e alguém disse que “O Balconista 2″ é um “feel good movie”, ou seja, um filme daqueles que você assiste e sai se sentindo feliz e de bem com a vida. E é a mais pura verdade. Acontece que é um “feel good movie” sobre balconistas de lanchonete (um dos empregos mais sem futuro do universo) cheio de piadas sobre negros e deficientes físicos, sarcasmo sobre o conservacionismo cristão, histórias de sexo com animais e comentários grotescos sobre clítoris gigantes e “ass to mouth” (se você não sabe o que é isso, não queira saber).

Mas esta faceta esquisita é apenas um dos lados do filme. Tem também o lado nerd, que é divertidíssimo e enche o roteiro de referências cinematográficas. A paródia de Jay (da dupla Jay e Silent Bob) do filme “O Silêncio dos Inocentes” me fez rir como há muito tempo eu não ria de um filme. Tem também inúmeras referências ao primeiro filme, piadas sobre Guerra nas Estrelas – incluindo a clássica disputa de quem atirou primeiro, Han Solo ou Greedo -, Transformers ou O Senhor dos Anéis. E a nerdice não é sem propósito: conforme o filme progride, várias piadas e referências mostram função. No fim do filme, por exemplo, a famosa frase “um anel para todos governar” é usada num contexto simplesmente genial e completamente amarrado com os dilemas propostos pelo roteiro.

E é no roteiro que reside a genialidade dos filmes de Kevin Smith. Alguns diálogos entre Dante e Randal são absolutamente geniais, e ao mesmo tempo completamente factíveis. Some-se a isso o excelente trabalho dos atores (todos, sem exceção) e os personagens nunca parecem atores recitando um roteiro. Eles são tão “de verdade” que realmente se parecem com os funcionários de um McDonalds da vida. E, no fundo, é isso que permite que, no meio do bestialismo e das piadas pornográficas, o público se identifique com os personagens e seu dilema principal: o que é melhor? Viver uma vida pré-programada, a vida que “todo mundo leva”, ou viver uma vida que seja do tamanho dos seus próprios sonhos? Independentemente da resposta, ao terminar de assistir, você vai se sentir feliz – mesmo se for um balconista.

Se quiser, tem um trailer no YouTube. E se ver o filme todo, não deixe de ler os agradecimentos de Kevin Smith nos créditos finais. Até eles são engraçados. E agora eu vou ficar cantarolando “goodbye horses” e me lembrando de Buffalo Bill até semana que vem…


Grandes questões do universo

28 de setembro de 2007, 13:26

Kottke levantou uma questão realmente intrigante:

Suponha que você virou papai e é cinéfilo. Quando seu(sua) filho(a) tiver a idade apropriada para começar a ver filmes, em que ordem você passaria para ele/ela os seis filmes da série Star Wars? Pela ordem original de lançamento (Star Wars, Império contra-ataca, Retorno de Jedi, Ameaça Fantasma, Clones, Sith) ou pela cronologia dos filmes (Ameaça Fantasma, Clones, Sith, Star Wars, Império contra-ataca, Retorno de Jedi)?

Pra mim a resposta é óbvia: pela ordem original de lançamento. Primeiro meu filho vai ver os clássicos, depois os mais porcaria. E você, o que acha?


Cinema ruim, robôs, decepções e arte moderna.

23 de julho de 2007, 16:20

Sexta-feira eu assisti Transformers. Que é um filme bem mais ou menos. Eu fui animado por ver os reviews que alguns blogueiros postaram após uma pré-estréia, mas me decepcionei.

Transformers é um episódio de Malhação com eventuais aparições de robôs.

O roteiro é patético e só não cai aos pedaços por causa do carisma de Sam Witwicky, o personagem principal (interpretado por Shia LaBeouf). Falar dos efeitos especiais é desnecessário – bons efeitos são commodities em qualquer filme não-independente feito depois de 2001 – mas o diretor exagerou. O combate final, por exemplo, fica impossível de acompanhar: tem coisas demais acontecendo na tela e roteiro de menos para dar sequência àquilo tudo.

Por sinal, acabei decepcionado em todas as vezes que fui ao cinema este ano. O que diabos aconteceu em 2007? Onde estão os filmes realmente bons? Eu devia ter lido o Vilaça, que deu duas estrelas pra essa joça, antes de gastar R$ 7 no ingresso…

No domingo eu finalmente visitei o Centro de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, à uma hora de carro de Belo Horizonte.

O Inhotim é um mashup (hehe) de museu de arte moderna com parque e jardins planejados. É um ótimo programa para um domingão de sol.

O acervo do Inhotim é excelente, mas uma obra em particular me chamou a atenção: foi Samson, de Chris Burden (foto ao lado). Samson (“Sansão”) é uma escultura conceitual, composta por uma máquina com dois pilares de madeira pressionando as paredes laterais da galeria. No meio deles há um martelo hidráulico de 100 toneladas, que fica conectado à roleta que dá entrada para a galeria. O funcionamento (mostrado com detalhes neste vídeo) é assim: Cada pessoa que passa pela roleta aciona um mecanismo que aciona o martelo e afasta, milímetro a milímetro, os pilares que pressionam as paredes. Assim, se passar gente suficiente pela roleta, a escultura vai acabar demolindo a galeria.

Genial. É por isso que eu adoro arte moderna…


Quarteto Fantástico – Clássico da Sessão da Tarde ou comédia ruim da Warner?

9 de julho de 2007, 21:34

No fim de semana eu assisti o Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado.

Dizem que o roteiro gira em torno do Quarteto investigando anomalias por todo o planeta (provocadas pelo Surfista Prateado) e, no fim, tentando salvar a Terra de ser devorada por Galactus – pateticamente representado por uma nuvem preta.

Mas a história real poderia ser resumida mais ou menos assim (leia imaginando a voz do locutor das chamadas da Sessão da Tarde):

“Uma galera muito pirada! Tem penetra no casamento do Doutor Fantástico com a Mulher Invisível: os vilões Dr. Destino, Surfista Prateado e Galactus aprontam as maiores confusões, e o Quarteto precisa salvar a terra – antes de se tornarem felizes para sempre!”

Há tempos eu não via um filme tão ruim. Eu podia jurar que aquilo era uma comédia pastelão, escrita sobre um roteiro rejeitado para um episódio de “My Wife and Kids” ou “The King of Queens”. Eu quase podia ouvir as risadinhas enlatadas entre uma piada (sem graça) e outra (horrível).

Mas nem tudo foi ruim. No final da sessão eu ganhei um brinde: uma máscara do Coisa e outra do Tocha Humana! UAAAU!


“Tá na hora do PAU!”


As piores cenas de filmes de todos os tempos

22 de junho de 2007, 20:41

E eu que achava que não havia nada pior do que Anaconda…

(Via Boteco)


Os 10 melhores sons de Star Wars

1 de junho de 2007, 22:29

Concordei com tudo.

(via CDM)


O produto de uma mente ociosa há 25 dias

8 de maio de 2007, 22:43

Adicionei mais uma coisa para o ranking das coisas que realmente me irritam: DVDs de locadora que te obrigam a assistir os traileres.

Já alugou um destes? Você taca o DVD pra tocar e ele passa 10, 15 minutos de trailers. “Next” não funciona. “FF” não funciona. “Menu” não funciona.

É incrível como o pensamento da indústria do entretenimento parece ser: “Você vai se divertir com nossos produtos. Mas tem que ser do jeito que a gente quer.”

Falando em indústria do entretenimento, eu vi o Homem-Aranha novo. Engraçado como a primeira metade de um filme pode ser excelente e a segunda metade ser um lixo total.

Vou dar um exemplo (não é spoiler, pode ler): numa das cenas da segunda parte, o Aranha chega para salvar o dia. A tomada mostra o aracnídeo pulando de sua teia e correndo por um telhado… com a bandeira dos US and A como pano de fundo. A música “gloriosa” aumenta e as pessoas na rua aplaudem.

Outro dia, na cadeira do engraxate do Aeroporto de Ribeirão Preto (?!), eu li uma matéria na Folhinha, da Folha de São Paulo, sobre os jovens que rejeitam tudo que é estrangeiro. Não entram no McDonalds, só escutam música brasileira, só se vestem com grifes nacionais e tal.

Pra mim estes jovens são uns idiotas.

Antes que as pedras que vocês, mentalmente, jogaram sobre mim me acertem, eu me justifico: No mundo de hoje, principalmente sob o ponto de vista cultural, não faz o menor sentido você classificar as coisas por causa do país de onde elas vêm. Se você pensar em termos de Internet e globalização, não existem países do ponto de vista cultural. Não dá pra separar músicos, atores ou escritores em prateleirinhas com os nomes dos lugares de onde eles vieram: é como se, no universo cultural, Tom Zé, Thom Yorke e Thomas Bangalter estivessem lado a lado. Segmentar o mundo cultural em países, e restringir seu consumo a apenas um deles é, para mim, um contrasenso enorme, é jogar fora o que de melhor o mundo moderno nos oferece: cultura de todos os tipos, jeitos, países, raças e cores. E o que é pior: só pra pagar uma de patriota.

Sim, a cultura brasileira é rica e digna de apreciação. A dos outros países também, inclusive a dos US and A, que todo mundo adora odiar ultimamente. Em termos culturais, a única comparação que vale é a de mentes, não de lugares de nascimento.

Falando em “US and A”, alguém mais já reparou que, no Street Fighter 2, quando o narrador fala o nome dos países, a narração para a extinta União Soviética é a que ele faz com menos empolgação?

Para os outros países é como se ele botasse uma exclamação no final: Japan! Brazil! Spain! USA! Mas na hora de falar da terra do Zangief, ele desanima: U.S.S.R…


O Código Tarantino. Curta-metragem com Selton Melo…

16 de abril de 2007, 23:09

O Código Tarantino. Curta-metragem com Selton Melo e Seu Jorge. Genial e imperdível.

(Via CrisDias que viu no YabloG!)


O Primo NÃO recomenda – Ó Paí, Ó

2 de abril de 2007, 7:59

O meu rol de piores filmes de todos os tempos inclui algumas pérolas, como Pecado Original, Anaconda, Diário de uma louca e outras maravilhas.

Ontem eu adicionei a esta lista Ó Paí, Ó, produção brasileira de Monique Gardenberg que é adaptação de uma peça de teatro de mesmo nome.

Pra ir direto ao ponto: o filme simplesmente NÃO tem roteiro e é apenas um amontoado de cenas com personagens caricatos da Bahia: o travesti, a morena sensual, a baiana do acarajé, o trambiqueiro, a “crente do rabo quente”, etc. Todas as cenas do filme consistem, basicamente, destes personagens interagindo uns com os outros de um jeito que devia soar “espontâneo e brasileiro”, mas que ficou parecendo apenas gritaria e bate-boca sem sentido. É como se aquelas cenas de favela das novelas da Globo tivessem sido filmadas com lentes melhores e com os atores falando palavrão.

Pra piorar a falta de noção do roteiro, o filme ainda acrescenta, sem razão aparente, algumas cenas de musical. Imagine só: de repente, todo mundo no boteco pára o que está fazendo e começa a dançar. Por “todo mundo” entenda-se: o travesti, a morena sensual, o trambiqueiro, a “sapatão”, a baiana, etc, etc. Era pra ser uma cena bem “brasileira”, acabou parecendo a cena dos monstros dançando com Michael Jackson no videoclipe de “Thriller”. Algumas músicas da parte “musical”, inclusive, são cantadas pelo próprio Lázaro Ramos. Nada contra o cara, ele é um dos melhores atores da atualidade, mas a voz dele…

E então, no final do filme, depois de bastante música, dança e bate-boca, inventaram um “clímax” narrativo TÃO desnecessário, TÃO desencaixado do resto da história, que acabou sendo apropriado. Afinal, um filme ruim daqueles precisava de um final à altura (ou seja, horrível).

Por alguma estranha razão o Omelete falou bem. E o Vilaça ainda não se manifestou.


E depois falam que EU é que pego no pé do Santoro

2 de abril de 2007, 7:40

Taí uma amostra da incrível competência dos repórteres do GuiaBH… pegaram uma foto de um dos monstros do filme e disseram que é o Rodrigo Santoro.


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