Posts da categoria ‘Compras’


A saga do notebook novo – Capítulo Final?

2 de outubro de 2007, 21:21

Resumo para quem ligou agora seu televisor (os links tem os posts detalhados): tive a idéia super-idiota de comprar um notebook no Mercado Livre. Quase levei um golpe, mas escapei. Aí oito meses depois o notebook novo começou a dar uns paus bizarros que muita gente pelo mundo também está tendo e não achando solução, então encomendei outro computador… que chegou na última sexta.

Assim sendo, este post está sendo escrito direto do notebook novo – um Dell Vostro 1000, comprado pelo site da Dell e "customizado" pra ficar com a mesma configuração do maldito HP Pavilion DV6045nl (série DV6000).

Até agora o notebook novo é só alegrias:

  • Tem garantia "de verdade" de 1 ano – coisa que só se sente falta quando precisa (meu caso);
  • Foi baratíssimo: o modelo mais básico custa R$ 1.700, e minha configuração, praticamente igual a do HP, saiu a uns R$ 1.200 a menos do que paguei (trouxa, trouxa, eu sei, eu sei);
  • Vou pagar em suaves prestações (10x sem juros);
  • É bem mais leve que o HP;
  • Não esquenta como o HP – que mais parecia um George Foreman Grill e era inviável de usar no colo ou por longos períodos;
  • Vem com Windows XP (que, na atualidade, é uma opção muito melhor que o Vista);
  • NÃO vem entulhado de crapware, aqueles programas inúteis que deixam o micro lento e você tem que ficar horas desinstalando.

Na funcionalidade ele está bem, mas por fora… ele é feio pra carvalho. A começar pelo nome: "Vostro"? Como assim? Parece uma palavra escrita errado – e toda hora me lembra a palavra "colostro". E a feiúra do nome reflete na máquina: ele parece um protótipo de chão de fábrica, ou um computador robustecido daqueles que instalam em viatura de polícia, ou simplesmente um notebook que esqueceram de pintar – o que é verdade, já que ele é, basicamente, a "caixa" de vários outros modelos da Dell sem nenhum acabamento.

Notebook Dell Vostro 1000

Também não gostei do teclado, que é meio duro, possivelmente por causa de um tal "revestimento de mylar", contra respingos. Outro ponto negativo são alguns conectores importantes (energia, rede e dois USB) colocados na parte de trás ao invés das laterais, ficando bem ruins de acessar.

O setup inicial foi até rápido – umas quatro ou cinco horas e a maioria dos meus programas do dia-a-dia já estavam "positivos e operantes". Agora é deixar passar um tempo e ver se a minha urucubaca não afeta esse novo notebook. Vou rezar pra Deus, Alá, Iemanjá, Plutão, Kratos e Alanis Morrisette pra não acontecer nada.

Quanto ao notebook maldito, se souberem de alguém que queira comprar um HP Pavilion seminovo e meio lesado (pra aproveitar as peças ou consertar e revender), me avisem aí nos comentários.


A saga do notebook novo, parte 2 – No leito de morte

10 de setembro de 2007, 10:50

No começo do ano eu vivenciei a terrível saga do notebook novo, onde tive a idéia idiota de comprar um notebook pelo Mercado Livre.

A saga havia terminado razoavelmente bem: depois de vários telefonemas, ameaças de processo e da necessidade de acionar contatos em Curitiba para poder trocar o computador pessoalmente (porque, por SEDEX, eu jamais ia vê-lo de novo), eu finalmente estava com meu HP DV6000 (modelo DV6045nl) funcionando.

Os meses se passavam e tudo corria bem. Até que, no meio do mês de julho, eu estava em uma reunião e resolvi checar meus emails. Apertei o botão de ligar o wireless e… nada. Depois de muitos boots e de um extenso diagnóstico no computador, eu comecei a desconfiar que minha plaquinha wireless havia ido pro céu. A confirmação disso veio quando descobri que no site da HP tem um fórum oficial, e o assunto “meu wireless parou de funcionar” é, de longe, o mais popular: o tópico mais popular sobre isso tem mais de 170 respostas de gente dizendo “o meu também” e descrevendo exatamente o mesmo problema que tive.

Acontece que antes de descobrir o fórum da HP eu fiz uma última tentativa de ressuscitar o wireless: baixei a atualização mais recente de BIOS do site oficial e instalei. Acabei tendo que dar um system restore porque o Windows parou de funcionar depois disso.

Durante o longo processo de reinstalar/reconfigurar tudo depois do system restore, o notebook começou a ter problemas pra ligar. Eu só consigo fazê-lo funcionar após o seguinte procedimento:

1) Ligar o computador e verificar que a tela fica preta e ele acende as luzes por uns 10 segundos, apaga todas, acende por mais 10 segundos, apaga, e assim vai, ad infinitum.

2) Quando as luzes ligarem, segurar o botão “power” por 4 segundos, o que força um desligamento. Nem sempre isso funciona, então tenho que tentar várias vezes.

3) Se o desligamento forçado funcionar, tenho que religar o computador em, no máximo, um segundo. Sim, é como se fosse um “tranco”. Depois disso ele, eventualmente, funciona.

Como esse “tranco” força o disco rígido eu passei a não desligá-lo mais, porque não tenho certeza que ele vai religar. Pra conseguir vir trabalhar hoje, por exemplo, eu trouxe o notebook ligado, dentro da mochila. No fórum da HP o tópico deste problema está, rapidamente, ganhando popularidade.

Mas espere! Ainda não acabou! Eu já mencionei que o computador fica absurdamente quente? O lugar onde fica a palma da minha mão direita é bem em cima do processador e do disco rígido, os dois maiores produtores de calor do computador. Durante o dia eu me sinto digitando em cima de um George Foreman Grill, tamanho o desconforto. O terceiro maior “esquentadinho” do computador é a placa de vídeo, que fica bem debaixo da plaquinha wireless. Coincidência? Eu acho que não. Pra mim os engenheiros não calcularam bem a dissipação de calor do computador, aí ele esquenta muito e vai estragando aos poucos. Em resumo, o notebook é bichado por design.

Assim, concluo que o notebook está agonizando lentamente e que em breve vai morrer de vez. Se eu quiser garantia, vou precisar ir até Curitiba e espancar um certo Neto Palone (o salafrário que me vendeu o notebook). A minha única saída vai ser vender o computador para alguma assistência técnica que queira “franksteinizar” o computador e aproveitar as partes que ainda funcionam. O preço vai lá pra baixo, mas é melhor do que nada.

Como preciso de notebook pra trabalhar, estou tendo que procurar outro. Até agora a opção vencedora é um Dell Vostro, que está em promoção no site da Dell esta semana, tem nota fiscal e garantia real (sem precisar espancar vendedor) e posso dividir no cartão em zilhões de parcelas, já que a grana anda curta. Pois é. Como dizia o famoso slogan… “dude! I’m getting a Dell!”


Compras do mês d’O Primo

9 de setembro de 2007, 11:24

Sim, eu comprei tudo na eMusic e continuo achando que você também deveria. E, sim, eu também fiz um “mini-podcast” com músicas de cada um dos discos, pra você ouvir enquanto lê. Aperte o play aí embaixo e seja feliz.

Podcast do Primo 02 – Compras do mês de Agosto

Tracklist
1) Girl Talk – Cleveland, Shake (0:00-3:38)
2) M.I.A. – Boyz (3:39 – 6:57)
3) Lusine – The Stop (6:58 – 10:32)

Girl Talk - Unstoppable

Capa do ‘Unstoppable’É engraçado: eu me lembro perfeitamente de, alguns meses atrás, ter dado uma olhada no “Night Ripper”, o disco mais novo do Girl Talk. Na época minha opinião foi algo parecida com “ah nem” e eu deixei o disco passar batido.

Agora, todas as (muitas) repetidas vezes em que eu escuto o Unstoppable, eu me pergunto como diabos não percebi o quanto a música desse cara é genial.

O processo criativo de Gregg Gillis é totalmente Frankenstein: as músicas são mashups, construídos com zilhões de samples de outras músicas. E é exatamente aí que a diversão começa: ele sampleia desde os píncaros da Billboard (50 Cent, Beyoncé, Justin Timberlake, etc.) até clássicos dos anos 80 e 90, e também obscuridades como Christian Fennesz ou – Deus que me perdoe! – Pixies. E o bicho que sai dessa mistureba toda pode ser definido com apenas uma palavra: divertidíssimo.

Tudo na música de Girl Talk evoca diversão. Desde a batida freneticamente acelerada até a distorção proposital dos vocais e a mistura de trechos da letra de um com a letra de outro formando combinações inimagináveis e bem-humoradas. O resultado final é extremamente diferente dos originais, mas continua sendo estranhamente familiar, porque, afinal, ali no meio daquela bagunça toda tem músicas que você, com certeza, já ouviu antes.

É daí que nasce outro aspecto divertido do Unstoppable: o de reconhecer os samples que Girl Talk usa. Para os viciados em música (como eu) é muito legal botar Cleveland Shake pra tocar e pensar: “ei, esta guitarrinha é do começo de Celebrity Skin!” (do Hole). E logo na sequência vê-la misturada com vocais que dizem “Shake that ass! Bitch here let me see what you got!”. Bem, eu, pelo menos, racho de rir.

Girl Talk consegue operar o milagre de transformar porcarias pop em música da melhor qualidade.

M.I.A. - Kala

Capa do ‘Kala’, de M.I.A.Pela popularização de M.I.A. depois do primeiro disco, e o consequente networking advindo desse sucesso, eu estava esperando que Kala fosse vir empesteado de participações especiais. É a maldição do “featuring”: avacalhou com o Daft Punk, matou e enterrou Fatboy Slim (lembram das músicas com a Macy Gray, que desastre?), deu um soco no rim dos até então inatacáveis Chemical Brothers…

Kala, felizmente, tem só três participações especiais: Timbaland (ugh!), Afrikan Boy e The Wilcannia Mob. Elas passam rápido e não obscurecem a verdadeira qualidade de Kala, que é, obviamente, a própria M.I.A.

A moça está cada vez melhor. Boyz, a terceira faixa, é a prova cabal disso: tudo que M.I.A. precisa fazer para cativar o ouvinte é cantar ”boys, eh!”. Acho que eu nunca vi tanto talento vocal em tão pouca letra. A produção do disco praticamente não mudou e continua lo-fi, multifacetada e com a quela cara de “foi feito no meio da rua” – o que é bom.

Lusine - Serial Hodgepodge

Capa do ‘Serial Hodgepodge’, do LusineDefinir o som de Lusine é difícil. Pense numa atmosfera entre o Boards of Canada e o minimal, tocando sobre uma base rítmica que transita entre o soul do Nightmares on Wax e o house do Basement Jaxx. É mais ou menos isso que este produtor de Seattle anda fazendo.

Esse trânsito amplo entre o som ambient intimista e o house mais largado faz com que o Serial Hodgepodge funcione tanto como música de fundo – pra ouvir no trabalho, por exemplo – quanto música “de frente”, aquela que você ouve atentamente, com um par de fones, consumindo todas as nuances, as viradas, as mexidas de textura, etc.

Do ponto de vista criativo, não tem nenhuma novidade no trabalho de Lusine. Nada é inédito, nada é inovador: é tudo mais do mesmo. E é justamente por isso que o disco é bom, pois funciona perfeitamente naqueles momentos onde você quer descansar o ouvido com sons familiares, de qualidade e que nem sempre requerem sua total atenção.


Compras do mês d’O Primo

4 de agosto de 2007, 19:31

Tudo via eMusic, como de costume. E, curiosamente, esse mês foi quase tudo da Thrill Jockey

Se você gostar da idéia de comprar MP3 online, me fale que eu te indico no site. Você ganha 50 downloads grátis pra fazer um “test-drive” e se, no final, quiser virar assinante, EU ganho 50 downloads, portanto, me ajuda aí.

Agora, aos discos:

OOIOO – Taiga

Depois do maravilhoso Gold and Green eu simplesmente tinha que continuar ouvindo a discografia do OOIOO.

“Taiga” soa como “tiger” e significa “grande rio” em japonês e “floresta” em russo, ou seja, podemos esperar mais daquela sonoridade estilo “no meio do mato comendo cogumelos alucinógenos”. De fato, a viagem começa nos nomes das músicas do disco: UMA, KMS, UJA, GRS, ATS, SAI, UMO e IOA. Sim, é sério: aparentemente, elas sortearam três letras pra formar os nomes das músicas e depois montaram as músicas partindo dos seus títulos. Digo isso porque as primeiras palavras cantadas em UMA e em IOA são, respectivamente, “uma” e “ioa”,e da segunda metade de UJA pra frente as meninas cantam alguma coisa que começa com “Uja, uja!”.

A beleza artística de Taiga reside justamente no fato de que o que, aparentemente, é uma bagunça aleatória de mulheres doidas, na verdade é um trabalho minuciosamente construído. Por isso é muito divertido ouvir o álbum repetidas vezes e, a cada audição, encontrar uma nova surpresa: por exemplo, descobrir que “UMO” é uma versão diferente para “UMA”, inclusive com a mesma letra tribal maluca. Eu bem que queria saber como diabos elas decoram aquilo. Taiga também tem referências a outros trabalhos da banda: a faixa final, IOA, repete o mesmo grito tribal de Ina, do Gold and Green.

As músicas longas (SAI tem 15 minutos!) e “desconstrutivas” de Taiga também dão asas para a imaginação: a terceira faixa, UJA, soa de um jeito psicodélico na primeira metade e de um jeito completamente oposto na outra metade, o que me faz lembrar que o próprio nome da banda é dividido ao meio. E isso não parece ser fruto do acaso.

Agora eu estou contando os dias para meus downloads do eMusic darem refresh e eu poder baixar o resto dos discos. Ééé, amigo… basicamente, Taiga é tão recomendado quanto o Gold and Green. Mas, novamente, apenas para os mais musicalmente doidos, como eu e Luiz.

Jeff Parker – The Relatives

The Relatives é o trabalho “solo” de Jeff Parker, também conhecido como “o negão guitarrista do Tortoise” (hehe).

Eu não entendo nada de jazz, portanto o que escreverei aqui é o que meus calejados ouvidos puderam perceber. E o que ficou mais evidente a eles é que The Relatives é como se você “decantasse” a parte jazz do som do Tortoise e fizesse um disco só com ela. Em alguns momentos a guitarra de Jeff Parker é bem melódica (como em Beanstalk), em outros bem experimental (como em The Relative). Mas a habilidade do cara em tecer belas melodias em real time é evidente em todas elas.

Lemon Jelly – Lost Horizons

Desde o título fica bem claro que Lost Horizons é feito para viajar. Seja com drogas, seja numa estrada, seja no espaço, não importa.

Os horizontes perdidos de Nick e Fred (os ingleses que compoem o duo) são compostos de muito groove, pitadas de jazz, de ambient e de dub, ritmos intensos mas nunca invasivos, e uma base melódica simples e classuda. É como se você pegasse o Nightmares on Wax e trocasse o estilo “moleque maconheiro” por “escritor beatnik usando LSD”. Vai por mim, é exatamente isso.

Como se não bastasse, o Lost Horizons, ao contrário do OOIOO, é ultra-acessível. A coisa toda é tão amistosa que você poderia usá-lo como trilha do filme do seu casamento. Altamente recomendado.

The Dead Texan (auto-intitulado)

Confesso que estava preocupado comigo mesmo quando comprei o disco do Jeff Parker. Pensava: “Putz… estou gostando de jazz… estou odiando essa modinhas novas de ‘new rave’, ‘electro rock’, ‘disco punk’… estou ficando musicalmente velho“…

Se minhas preocupações tiverem alguma realidade, The Dead Texan marca a minha entrada oficial no mundo dos velhos da música. É que, a
despeito da alcunha de “texano morto”, este é um disco de ambient. Sim, de ambient… faixas etéreas, que se esticam pelo tempo em texturas suaves e longas… como uma propaganda de amaciante em câmera lenta.

Piadas à parte, The Dead Texan tem bastante piano, notas longas de cordas sustentando uma base harmônica elegante e bonita… e nenhuma pressa de acabar. É um belo disco, perfeito para um final de sexta-feira ou uma manhã de domingo.


Importar,

12 de julho de 2007, 17:23

Neguinho aqui no Brasil não sabe precificar coisas pra vender pela internet. Não é possível. Saca só:

Camisetas do Jaeh, site brasileiro: R$ 43
Camisetas do Camiseteria, site brasileiro: R$ 55
Camisetas do Threadless, da gringolândia: US$ 12 + US$ 11 pra entregar (R$ 46). Comprando mais camisas e meiando o frete com mais um amigo – como fiz recentemente – sai a R$ 35 – 24% de desconto.

Pra música digital é pior ainda. Por exemplo: se eu quiser comprar uma música chamada “roda”, da cantora Céu…

No Sonora (do Terra): R$ 1,89
No Uol Megastore: R$ 1,89
No eMusic: US$ 0,33 (R$ 0,66), usando o plano mais caro possível.


Importar,

12 de julho de 2007, 17:23

Neguinho aqui no Brasil não sabe precificar coisas pra vender pela internet. Não é possível. Saca só:

Camisetas do Jaeh, site brasileiro: R$ 43
Camisetas do Camiseteria, site brasileiro: R$ 55
Camisetas do Threadless, da gringolândia: US$ 12 + US$ 11 pra entregar (R$ 46). Comprando mais camisas e meiando o frete com mais um amigo – como fiz recentemente – sai a R$ 35 – 24% de desconto.

Pra música digital é pior ainda. Por exemplo: se eu quiser comprar uma música chamada “roda”, da cantora Céu…

No Sonora (do Terra): R$ 1,89
No Uol Megastore: R$ 1,89
No eMusic: US$ 0,33 (R$ 0,66), usando o plano mais caro possível.


iTunes Plus: é "plus" mesmo?

30 de maio de 2007, 10:20


Hoje de manhã a Apple liberou a versão 7.2 do iTunes. Ela contém correçõezinhas, suporte ao iPod Shuffle de segunda geração e (surpresa!) acesso ao iTunes Plus, a loja do iTunes que vende música sem o famigerado DRM (digital rights management).As faixas do iTunes Plus podem ser copiadas livremente em CDs ou outros MP3 players além do iPod e são gravadas em 256 kbps, o dobro da bitrate das faixas normais, o que significa uma melhor qualidade de áudio.

Isto deveria significar um marco na história do comércio de música online, não fossem as “pegadinhas” por trás deste lançamento. Pra começar, as faixas “plus” são são vendidas a US$ 1,29 – 30 centavos mais caras. E esta “melhor qualidade de áudio”, que até poderia justificar o aumento de preço, gera arquivos com o dobro do tamanho e é imperceptível para a maioria das pessoas normais. Duvida? Faça o teste você mesmo: compare uma música de um CD de áudio normal (equivalente a 1.411 kbps) com um MP3 da mesma música a 128 kbps. Se você não perceber nenhuma diferença, tente comparar as duas faixas usando bons fones de ouvido, em um lugar silencioso, e usando um bom aparelho de som. Ainda assim vai ser muito difícil notar alguma diferença.

(Update: Os caras do Gizmodo fizeram o teste! O veredito? “A diferença foi sutil. Muito pouca – às vezes nenhuma – diferença foi percebida. (…) Se qualquer pessoa alegar poder diferenciar um do outro, eu sugiro um teste cego para ver se consegue adivinhar corretamente em mais de 50% dos casos”)

O que eu quero dizer com essa história toda é que a melhoria de qualidade das faixas “plus” me parece apenas um esquema para justificar os US$ 0,30 a mais, que na verdade devem ser apenas uma transferência de possíveis perdas financeiras (com pirataria ou queda nas vendas de iPods) para o bolso do consumidor. É uma pena.

Agora eu fico na torcida para que a imprensa aproveite a oportunidade pra dar o devido valor à eMusic, o “ilustre desconhecido” segundo lugar na venda de música online. O acervo da eMusic é de mais de 2 milhões de faixas, todas em MP3 sem DRM e muito mais baratas (entre US$ 0,33 e US$ 0,27 por faixa). Eu sou um cliente satisfeito da eMusic há tempos e recomendo pra todo mundo – mesmo porque a loja do iTunes, vergonhosamente, não vende para o Brasil.


eMusic – Minha lojinha predileta.
O lançamento do iTunes Plus ainda não está 100% completo: até hoje de manhã as faixas “plus” ainda não apareciam, mas até o final da semana já devem estar disponíveis. O cliente que quiser pode fazer upgrade das suas músicas para as versões “plus”, pagando os US$ 30 de diferença por faixa.


As compras do mês d’O Primo

6 de março de 2007, 1:41

Tortoise – A Lazarus Taxon

Esse CD eu não comprei em MP3: acabei importando do jeito “analógico” mesmo, já que A Lazarus Taxon não é exatamente um CD novo do Tortoise, e sim um “box” com 3 CDs e 1 DVD cheios de remixes, versões ao vivo, faixas bônus, etc. Coisa de colecionador.

Musicalmente falando, A Lazarus Taxon é ótimo. Os remixes são formas de revisitar tudo de bom que o Tortoise já produziu. As faixas bônus são uma dose extra daquela sonoridade de jazz moderno, característica marcante da banda. E encerram em si algumas surpresas experimentais, como “Sexual for Elizabeth” que parece Tortoise tocando na Jovem Pan FM (!?) ou “A Grape Dope”, que reinventa o tema usados em “The Taut and Tame” (do Millions now living…). Já o DVD eu ainda não tive tempo de ver direito.

Daedelus – Daedelus denies the day’s demise

Todo dia de manhã eu rezo pra Deus e agradeço assim: “Senhor, obrigado por me fazer assinar o podcast da revista XLR8R“. Pois é deste podcast que tenho tirado algumas coisas simplesmente geniais (como, por exemplo, J Dilla).

Daedelus apareceu num desses podcasts tocando “Remix for Nothing”, uma faixa eletrônica-experimental feita de tudo misturado com tudo, com um objetivo muito bem definido: nenhum. Só pra ver no que dá. O resultado, despretensioso, divertido, ficou muito interessante. A letra do refrão é o máximo:

This… is it.
Yes it is, I say.
The remix, this is.
This is it, the remix.

Para aprofundar meu conhecimento de Daedelus, comprei o seu disco mais recente, chamado Daedelus denies the day’s demise. E aí, surpresa: É nele que Daedelus descobriu o Brasil. Mais especificamente, o samba.

As faixas, batizadas de “Samba legrand”, “Petite Samba”, “Viva Vida”, deixam bem claro que Daedelus anda curtindo bastante o repique do pandeiro e a miada da cuíca. Praticamente todas as faixas tem algum samba sampleado, ou usam a mesma estrutura rítmica do nosso velho e bom “paticumbum”. “Bahia”, então, dava pra tocar fácil neste carnaval. E ainda sobra espaço nas faixas para Daedelus esbanjar genialidade, usando ao contrário tudo que normalmente se usa em música eletrônica: os sintetizadores sóbrios tocam linhas melódicas animadas; os samples de músicas de antigamente não soam nostálgicos, e sim se empilham uns sobre os outros, tocando “chutadinhos”, bem século 21. Tocando tudo errado, Daedelus acerta em cheio.

Em resumo, Daedelus denies the day’s demise é imperdível. Taí um gringo que samba muito bem…

Set Fire to Flames – Telegraphs in negative

Set Fire to Flames é uma banda “irmã” do Godspeed You! Black Emperor. Ambas compartilham integrantes, soam similares, e tem uma atração forte pelo apocalíptico, pelo obscuro e pelo depressivo.

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. “O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente”, diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha. É um disco que vai incomodar e vai lhe deixar deprimido.

No entanto, Telegraphs in negative é intenso, e por isso mesmo profundamente expressivo, atingindo extremos onde, por exemplo, uma faixa contendo apenas trechos gravados de telefonemas (“Mouths trapped in static”) fica linda e é mais emocional do que quaisquer 20 minutos de guitarra urrando no último volume.

É preciso uma certa dose de coragem para ouvir telegraphs in negative. Coragem para se trancar com a banda naquele celeiro, no escuro, e ficar ouvindo os próprios fantasmas.

Laura – Radio Swan is Down

Este disco começa bem logo na bela pintura da capa. Já a música é rica, intensa. As guitarras cantam, guiando e construindo o som das cordas, do baixo e da bateria rumo a “paredes sonoras” espetaculares.

Quem conhece Explosions in the Sky vai achar esta fórmula bem familiar. Mas há diferenças. A intensidade rasgada de Radio swan is down é mais constante, e o que evolui nas músicas não é a melodia, e sim variações do timbre da banda inteira, que giram em torno de acordes mais sérios, solenes. Como se fosse um “Explosions in the Earth”. Há também uma ou outra pitada eletrônica aqui e ali, como que para garantir o interesse ao longo do disco. Nem precisava: Radio swan is down soa maduro e seguro como poucas bandas conseguem.

Múm – Yesterday was dramatic, today is OK

Eu não entendi nada.

Na minha listinha de “saved for later” do emusic.com, este disco tinha a seguinte observação, feita por mim: “Baixar assim que der refresh nos downloads”. Aí baixei, e até agora estou me perguntando por quê.

O disco é todo certinho: Ele soa quase como se não quisesse incomodar. Nenhum timbre é agressivo, todos ficam exatamente em seus lugares: a bateria sustenta, o baixo apóia, a linha melódica dá a… bem, a linha da música, e assim vai. É como um time que joga certo, faz o gol, ganha o jogo, mas só. Falta a ânsia de ganhar, de fazer coisas novas, de dar uma de Maradona e fazer gol com a mão.

Dizendo assim o disco parece uma porcaria, mas não. Yesterday was dramatic, today is OK tem seus méritos: as músicas tem um clima bom e tranquilo, evoluem sem pressa e levam o ouvinte a uma viagem de paisagens bem bonitas. Mas fica a impressão de que podia ter sido muito mais e não foi, parando apenas no “bom”. E, como dizem, o bom é inimigo do ótimo – apesar de continuar sendo bom.


As compras do mês d’O Primo

31 de janeiro de 2007, 12:35

(Tudo comprado no eMusic. Barato, sem DRM, sem olho de vidro e sem perna de pau)

Quando eu penso no futuro do meu gosto musical, às vezes eu fico com medo. A cada dia que passa eu me distancio mais e mais do vocal, da guitarra, da música de estrutura “comum”, e exploro cada vez mais uma terra estranha, sem ritmo, coberta de barulho, chiados e blips desconexos… e acho tudo maravilhoso.

Radian – Juxtaposition

Tudo começou com o Tortoise. Aí eu passei pelo The Sea and Cake, pelo Trans Am, pelo Oval, pelo Microstoria… e aí ficou bem claro que a Thrill Jockey tinha muito a ver com meu gosto musical esquisito.

Em termos de sonoridade, Radian, portanto, tem “a cara” da Thrill Jockey. Juxtaposition soa incomum, jazzístico, inovador. Camadas de ruído, guitarras profundamente processadas e glitches eletrônicos são colados sobre linhas de percussão, e o resultado final são faixas onde a expressão não está nos sons produzidos, e sim na forma em que eles soam depois de produzidos, no efeito que eles causam, na forma como eles interagem um com o outro. Isso tem um efeito curioso: o resultado sonoro é tão vivo que é difícil perceber que às vezes, sim, tem uma banda, com instrumentos, tocando ali. A criatura acaba se tornando muito mais poderosa que seus criadores…

Bons fones de ouvido e bastante atenção são absolutamente necessários para ouvir este disco.

Belong – October Language

“Soa como enrolar-se em um cobertor quentinho feito de barulho”, dizia um dos reviews do eMusic. Eu li isso e comprei o disco na mesma hora, porque sabia exatamente o que ele queria dizer – e é isso que me assusta às vezes.

Belong trilha os caminhos de Fennesz e Kevin Shields, que experimentam com “paredes” sonoras construídas com o som de guitarras ligadas a uma penca de distorções, reverbs e por aí vai. O efeito é uma magnífica onda de ruído, que se contorce e se transforma a cada acorde diferente. Só que no meio daquela quantidade absurda de barulho existe uma melodia, suave, e é como se, no meio do desespero provocado pelo barulho, surgisse um lugar seguro, confortável. Exatamente como o “cobertor quentinho” que o cara falou.

A genialidade deste disco é justamente essa: a capacidade de construir beleza magnífica através do caos sonoro, da agressividade, do ruido. October Language ainda acrescenta uma gama diferente de elementos sonoros e timbres para as músicas, como que para garantir que o disco vai ficar interessante por todos os seus 45 minutos. Nem precisava.

Você já deve ter desconfiado mas não custa lembrar: October Language é pra ser ouvido bem alto, ou com bons fones de ouvido.

Of Montreal – The Sunlandic Twins

 

The Sunlandic Twins estava há muito tempo na minha listinha de “discos para comprar depois”, no eMusic. Toda vez que eu revisava a listinha, aquela capa com os gêmeos de mãos dadas no jardim psicodélico parecia cada vez mais convidativa.

The Sunlandic Twins é um pop-rock construído com precisão. As faixas são “pra cima”, agradáveis e tem uma solidez melódica a la Beatles, mas atualizada para o século 21 com uma ou outra pitada de eletrônicos. Na verdade, o som da banda (principalmente os vocais) soa muito parecido com os Beatles.

E precisamente por causa disso tudo é que eu tive problemas sérios pra ouvir este disco.

Não que ele seja ruim, muito pelo contrário. Ele é excelente. Acho até que a maioria dos leitores deste blog iria gostar muito de The Sunlandic Twins e detestaria o October Language e o Juxtaposition. Bethania, por exemplo, vai adorar esse disco. O problema, pra mim, é que ele representa exatamente o “convencional reinventado” do qual eu tenho desesperadamente tentado fugir. Além do mais, eu detesto Beatles, então tem uma barreira psicológica que eu preciso vencer primeiro antes de conseguir apreciar o disco…


O Telefone Húngaro

30 de junho de 2004, 0:04

Lembram que há algum tempo atrás eu estava querendo comprar um telefone antigo, daqueles vermelhos, de disco? Pois é…

Hoje de noite, eu e Bethania estávamos voltando pra casa, passando de carro pela Rua Padre Eustáquio. Numa esquina, eu olho de relance para a vitrine de uma loja e…

- MEU TELEFONE VERMELHO!!!!!!

Parei o carro de qualquer jeito no meio da rua, fiz uma ou duas barbeiragens e voltei. Era uma loja antiga de consertos de telefone que depois vou falar o nome.

Eu e Bethania entramos e o simpático vendedor pegou o telefone para nos mostrar. Trata-se de um modelo húngaro, todo original, bem conservado (salvo um ou outro arranhão). A campainha do telefone é bastante estridente e linda, nada do “biiip” dos telefones modernos, e sim o velho e autêntico “trrrrrim”, aquele som mecânico da sineta de metal. De fato, todos os barulhos do telefone são ótimos, desde o “tec tec” do disco rodando até o som oco que o fone faz quando é colocado no gancho.

Só que o telefone está errando alguns números na hora de discar, coisa que não percebi nos testes que fiz com ele na loja. Mas é só levar de volta e usar a garantia de 6 meses que me foi dada.

O preço combinado foi de R$ 50. Podem rir à vontade, mas pra mim foram os R$ 50 mais bem gastos da semana. Eu e Bethania compramos, como a primeira (e simbólica) aquisição para a nossa futura casa. Na verdade, Bethania gostou tanto do telefone que queria até levá-lo pra casa dela…

Agora, o mais engraçado de toda a história… o nome da loja onde eu comprei o telefone é um velho conhecido aqui do blog…


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