Posts da categoria ‘Cotidiano’


Pedaços de posts que nunca concluí

29 de dezembro de 2009, 0:22

Em nenhuma ordem ou contexto específico (Viva o caos!).


Teorias sobre motivação, existem várias. Apenas duas funcionam: 1) Dinheiro e 2) Café. Tem também o 3) Sexo, mas essa tem uma série de complicações jurídicas quando usada em ambientes corporativos.


  • E esses bonequinhos 3D em overlay no campo, hein Globo? Tá parecendo Age of Empires…
  • Que mau gosto o dessa camisa do Flamengo. A fonte do nome do jogador é a mesma dos filmes do Homem Aranha que é a mesma do Playstation 3.
  • Esses gritos de guerra do Flamengo não rimam não? “Dá-lhe dá-lhe ô / Mengão do meu coração”?
  • (Quando a TV digital dá interferência e a tela se enche de “glitches”): E pensar que meus filhos nunca vão saber o que são chuviscos de uma TV analógica fora do ar…

Então que agora eu virei consultor-líder do maior contrato do ano da minha empresa de consultoria e meu dia de trabalho consiste, basicamente, de um continuum de reuniões.

Ontem uma delas era para acertar o escopo do trabalho com uma das gerentes do cliente. Daí que eu cheguei e me sentei na mesa todo pimpão e todo mundo tava batendo cabeça e eu incorporei o exu de consultor-líder e saí, ao mesmo tempo, colocando ordem na bagaça e tomando cuidado para não desautorizar a mulher (que, pô, era a gerente da coisa). E ela lá, só ouvindo.

Até que, no meio do meu “leadership spree” eu saio falando que…

- …então acho importante seguir as orientações da Miriam.

E ela rebate:

- Meu nome é Luiza.


Brunetto
Comida Italiana – Site: Não tem.
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 465 – Itaim Bibi

Sabe, normalmente a comida italiana me motiva… motiva a tirar um cochilo depois. Só que a do Brunetto (onde almocei hoje) estava TÃO boa que me motivou a escrever este post. Diz Bethania que os donos moraram na Itália, então deve ser por isso que as massas são tão gostosas. Ah, não deixe também de comer a bruschetta do Brunetto (por mais transsexual que isso possa parecer).

Kebaberia
Kebabs (comida árabe) – http://www.kebaberia.com.br/
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 777 – Itaim Bibi Rua Joaquim Floriano 179 – Itaim Bibi

Quando se pensa em Oriente Médio normalmente o que vem à cabeça é "terrorismo", "petróleo", "Prince of Persia"… e, por último, a comida do Habibs. Então os kebabs – "enrolados" de carne grelhada, originados no Irã – acabam passando despercebidos. Mas são uma delícia, é como se fosse a fast-food das arábias.

No almoço é bem cheio, então dá um ótimo lugar para ataque de homem-bomba chegue cedo.

Bolados
Lanches e sucos – http://www.boladossucos.com.br/
Rua Joaquim Floriano, 373 – Itaim Bibi

Minha mulher odeia o Bolados: “Sanduíche não é almoço”, diz ela. No cardápio tem um de peito de peru com tomate seco que discorda veementemente. Vale lembrar que o Bolados, além de bom, é barato, tornando-se uma ótima sugestão para os dias em que sua carteira teve crises bulímicas e tá magrela.

Pibu’s
Lanches – http://www.pibus.com.br/
Av. Pres. Juscelino Kubitscheck, 819

Opção boa (e razoavelmente barata) quando você quer fugir dos lanches tradicionais do Itaim (New Dog, Joakin’s, Fifties, etc). Mas peça o delivery – o restaurante “físico” é praticamente inexistente.


A saga do roubo de notebook em Congonhas

23 de novembro de 2009, 22:19

No domingo da semana retrasada São Paulo ardia em febre e meu telefone tocou: era um amigo querendo sair pra tomar uma cerveja e afogar aquele calor maluco. “Tudo bem, só preciso levar Bethania em Congonhas pra pegar um avião e a gente toma uma”, respondi.

No caminho, o telefone de Bethania (que viajaria com mais 2 colegas de trabalho) toca com a notícia bombástica: roubaram a mochila e a bolsa de uma delas, bem ali, no passeio logo em frente ao aeroporto. Ela estava com um carrinho de bagagem esperando uma das colegas chegar quando um cara passa, pega a mochila, sai correndo e entra num Gol branco. A menina até tentou correr atrás dos caras (péssima ideia) mas desistiu assim que viu uma arma sendo apontada em sua direção.

roubo Um detalhe: o ladrão deixou cair seu celular durante o roubo. E mais: como o carro dos ladrões parou em fila dupla durante o roubo um dos marronzinhos da CET foi multar o carro e, portanto, anotou a placa.

Enquanto fazíamos o boletim de ocorrência chegaram os policiais civis que ficam de plantão no aeroporto. Um deles, o homem mais GIGANTESCO que já vi, foi o que mais comemorou quando ficou sabendo do celular e da placa do carro. Segundo eles, há semanas eles tentam pegar essa quadrilha – e com o celular e a placa do carro tudo ficou bem mais fácil. Ele até mostrou pra nós um vídeo das câmeras de segurança (esse aí da foto) mostrando um assalto similar ocorrido no dia anterior. O cara estava empolgadíssimo: “agora eu vou me divertir com esses caras, eles vão ter tratamento VIP”, dizia ele, enquanto apalpava efusivamente a pistola que carregava na cintura. A vítima do assalto também estava bem animada com a possibilidade de pegarem os meliantes e até fez uns pedidos especiais ao policial, coisas como “puxa bastante as bolas dele pra ele ficar impotente” e por aí vai.

Aí pegamos a bagagem das meninas, botamos de volta no carrinho e saímos do posto policial para remarcar as passagens. Estávamos esperando em frente ao guichê da Tam quando, de repente, um moleque aparece de repente, pega duas das malas que estavam no nosso carrinho e sai andando apressado. Todo mundo ficou IMÓVEL, paralisado pela ideia de que estava acontecendo tudo de novo, até que o “ladrão” se vira, mostra o dedo médio pra nós e sai, esbravejando. E alguém comenta:

- Errr… esse era aquele menino que estava no posto policial com a gente? Um que tinha perdido a carteira?

E todo mundo cai na gargalhada. Aparentemente, nós, vítimas de roubo de bagagem, acabamos “roubando” a bagagem dos outros sem querer – e o que é pior, de dentro da delegacia. Aparentemente estávamos mais competentes pro crime do que os ladrões de verdade…

Mas depois do roubo involuntário e de longas horas remarcando passagem, Bethania e as meninas viajaram no dia seguinte. Quando ela voltou, na terça à noite – surpresa! – a polícia já tinha pego os caras. Segundo ela rolou até um police lineup, com os meliantes enfileirados e a vítima atrás de um espelho falso, pra fazer a identificação dos marginais. Eu dava tudo pra ter visto isso. Rolou até uma matéria sobre o roubo no Jornal da Globo. O vídeo que eles usaram pra ilustrar o roubo, por sinal, é o mesmo que o policial nos mostrou no domingo.

Pelo menos tivemos um final “semi-feliz”: apesar das perdas materiais (nada do roubo foi recuperado), pelo menos os caras foram presos. Inclusive preciso destacar o excelente atendimento dos policiais em todo o ocorrido: foram rápidos, atenciosos, prestimosos e ainda pegaram os caras.


O guarda-chuva amarelo

5 de novembro de 2009, 21:19

Interrompemos o hiato de vinte e um dias sem post para informá-los do momento surreal que vivi ontem no trabalho.

Eu e meu consultor-líder (chamemo-lo de Obi-Wan Kenobi) entramos em uma reunião às 11:30 da manhã para fazer uma apresentação com duração de uma hora. Acontece que slides de PowerPoint distorcem o espaço-tempo de tal maneira que a reunião foi acabar lá pras quinze pras duas da tarde, e na hora que nós dois, famigerados, botamos o pé na rua para ir almoçar, Brasília se dissolvia em chuva. “Ok, vamos dar um tempinho aqui que a chuva já deve passar”, combinamos.

Nem preciso dizer que ela não somente não passou como engrossou ainda mais, e as lombrigas do estômago lá, agonizando, enquanto eu olhava desconsolado o pessoal que era precavido e veio trabalhar com guarda-chuva voltando pra dentro do prédio, todo almoçadinho. “Putz, Obi-Wan, se pelo menos a gente tivesse um guarda-chuva…”, disse eu, desavisadamente.

guardachuvamarelo

E então, sem a menor cerimônia, Obi-Wan aborda o completo desconhecido que está passando na nossa frente com um guarda-chuva amarelo na mão.

- Ei, onde você arrumou esse guarda-chuva?

O cara faz uma cara de absolutamente perplexo (igualzinha a minha) e responde, hesitante:

- Err… é meu, eu comprei e tal.

E aí segue-se um momento absolutamente surrealista, onde a situação é tão ridícula que, apesar de todo mundo saber a intenção de todo mundo, ninguém se dispõe a expressar o ridículo da situação em palavras, e então a coisa toda é combinada com frases pela metade, tipo:

- Mas vocês querem…?
- É, tem problema se a gente…?
- Não, eu acho… vocês trabalham aqui no…
- Sim, você fica em qual andar?
- Ah, no décimo, depois vocês podiam…
- Claro, claro…

E então lá estávamos nós com o guarda-chuva do completo desconhecido em mãos. E eu lá, esperando pra ver como diabos Obi-Wan explicaria o que acabou de acontecer: pura e simples cara-de-pau? Foco no resultado? Um simples apelo à solidariedade humana? Fome em nível grande o suficiente para atravessar quaisquer inibições? E então ele diz:

- Putz, que coisa, achei que o guarda-chuva era de algum restaurante ou coisa assim…


Uma noite de cultura e diversão em Brasília (ou: FAIL)

15 de outubro de 2009, 0:27

Quando chega a noite aqui em Brasília eu, às vezes, até me animo a tomar uma cerveja com o pessoal da minha equipe, ou saio pra jantar com amigos(as) brasilienses. Mas na esmagadora maioria das vezes meus programas noturnos envolvem apenas eu, meu computador e a internet lenta do hotel.

Mas hoje à noite foi diferente de tudo que eu já havia feito antes: enquanto o resto da nação olhava para o Brasil vs. Uruguai vs. Argentina vs. Sei-lá-quem na tevê, eu me enfiava num táxi para, pela primeira vez, fazer um programa cultural em Brasília: assistir um show do Satanique Samba Trio.

Satanique Samba Trio e seus seis (?) integrantes

Claro que tudo deu errado.

Os problemas começam no local do show, chamado “Cafetina” (que, apesar de ter Twitter, não tem site). Havia apenas um garçom pra atender o lugar inteiro, o cardápio não tinha quase nada para comer e, para ver o show, você precisava fechar sua conta do bar, comprar uma fitinha vermelha, botar no pulso e descer para o “porão” aonde seria o show. E o caixa não tinha troco. E você não podia incluir a fitinha vermelha na sua conta e pagar tudo com cartão. E o caixa do porão onde foi o show também não tinha troco e não aceitava cartão.

“Bom, mas que se dane, eu estou aqui é pelo show mesmo”. Acontece que o show era em conjunto com o lançamento de um livro, e o autor do livro declamava poemas entre uma e outra música. E o livro era chamado “Escarro”, e o autor era um tal Gustavo Lucas Footloose, e os poemas eram catastroficamente ruins. E o show teve apenas seis músicas e durou apenas meia hora.

“Bom, mas que se dane, vou pedir um táxi e ir embora”. Aí eu ligo pro disque-táxi, espero MEIA HORA e… nada. Aí eu ligo de novo:

- Boa noite. Eu pedi um táxi aqui na 712 sul há MEIA HORA e ele não apareceu.
- Qual seu nome?
- José Carlos.

Cinco minutos depois a mulher volta pro telefone.

- Olha, o motorista teve aí mas pegou outra pessoa.
- Porra, então manda outro!
- Ah é? Vai ficar de xingamento aí? Mal educado!

E desligou na minha cara.

A minha sorte é que os telefones de disque-táxi que eu conheço aqui em BSB sempre terminam em 3030 e tem prefixos parecidos: 3321, 3323, 3325… então eu liguei para outro número e, pra não dar merda de novo, fui EXTRA-SIMPÁTICO com a atendente (que também era uma imbecil) e, finalmente consegui um táxi. E o motorista também não tinha troco quando cheguei no hotel.

“Bom, mas que se dane, já cheguei e vou dormir”. E no instante em que eu abro a porta do quarto, eis uma barata passeando pelo chão. A barata ficou me olhando enquanto eu dava um longo suspiro, paralisado na porta do quarto na mais completa DESCRENÇA de que tudo aquilo estava me acontecendo no mesmo dia. E na hora que eu vou matar a barata ela corre pra debaixo da cama. Nessa hora o sangue ferveu, eu ARREMESSEI A CAMA PARA CIMA, matei a barata e fui dormir.


Eu, insone

7 de outubro de 2009, 0:31

insonia

Sabe, eu nunca esperava que fosse desaprender a dormir.

Começou há algum tempo, com um dia estressante de trabalho que ficou reverberando na cabeça, incessantemente, madrugada afora. É como se o apagar das luzes e o calar dos sons desse espaço extra no cérebro e ele simplesmente estourasse. Sinapses em fúria, alheias ao avançado da hora. E os pensamentos todos correm atrás do próprio rabo e não levam a conclusão nenhuma – a não ser a de que você não vai pegar no sono tão cedo.

O engraçado é que, revisitando anotações da minha infância feitas pela minha mãe (que, se viva, faria 67 anos ontem), eu supostamente era meio insone quando criança. De fato me lembro perfeitamente do teto e do lustre metálico do meu antigo quarto, que ela deixava à meia-luz quando eu não conseguia dormir, e que de tempos em tempos estalava por causa do calor da lâmpada (ainda incandescente, na época). Mas com o tempo isso parece ter passado de uma tal maneira que eu fui parar no outro extremo: na faculdade meus colegas achavam que eu trabalhava de guarda noturno porque eu dormia em praticamente TODAS as aulas. E hoje ao invés de aulas tenho reuniões, e não pega bem dormir em reunião – por razões óbvias.

A insônia de hoje está evidentemente amarrada ao trabalho. Em casa, com a esposa de um lado e o cachorro do outro, eu durmo o sono dos justos. Mas do domingo em diante a cabeça começa novamente a se ocupar de caraminholas sem sentido assim que eu coloco a cabeça no travesseiro. Esse é o momento crucial da noite: se eu começar a “dormir errado”, já era. Basta começar a pensar em qualquer coisa – nem precisa ser o trabalho, pode ser qualquer coisa MESMO – e o cérebro começa uma reação em cadeia onde um pensamento puxa outro e, minutos depois, eu estou com 457 coisas diferentes na cabeça. E totalmente desperto.

A coisa está tão feia que até desenvolvi uma técnica pra me ajudar a tirar o cérebro desses loops insones: lá pelas três da manhã, quando eu já estou em pânico de tanto fritar no colchão, eu ligo a tevê num canal bem sem graça (como a Globonews) e aciono o sleep timer, deixo tudo num volume bem baixo, fecho os olhos e presto atenção apenas no áudio. De alguma forma o blablablá contínuo do noticiário engana minha mente e “desamarra” o turbilhão de pensamentos, e eu consigo relaxar um pouco. Dali em diante – mas nunca sem mais uma meia hora de insistência – eu normalmente consigo pegar no sono.

Dias de trabalho depois de noites assim são um inferno. Eu tenho que lidar com a equipe, o chefe, o cliente, e eu mal estou aguentando lidar comigo mesmo. O que me consola é só o pensamento que, esgotado daquele jeito, não tem como não conseguir dormir na noite seguinte. Mas ADIVINHE. Às vezes eu chego a uns two ou three-hit-combo de noites maldormidas…


A agenda do fim dos tempos drásticos

10 de setembro de 2009, 0:40

Eu queria compartilhar com vocês uma das ferramentas do meu dia-a-dia que mais gosto: minha agenda de anotações.

agenda1

Sim, eu sei, você deve estar se perguntando que diabos é aquilo de “necrofilia do mundo final”. É que isto não é exatamente uma agenda: é um livreto que foi distribuído ano passado na Bienal, em São Paulo, e que na verdade é parte de uma obra de arte de Javier Peñafiel. A agenda foi apresentada ao público na própria Bienal, em uma performance do artista, e cópias da agenda estavam disponíveis para quem quisesse levar.

O nome da agenda dá título a este post: “Agenda do fim dos tempos drásticos”.

Por dentro ela é cheia de ilustrações, pequenos textos e de um bocado de espaço em branco – aonde passaram a morar minhas anotações de trabalho.

agenda2 agenda3

Pode parecer estranho, mas ter arte na sua frente dá a perspectiva correta aos dias de trabalho cheio de gente engravatada, cafezinhos e reuniões. Mesmo porque os textos de Javier questionam – ainda que de forma bem hermética – o próprio passar dos dias, descritos pela agenda como “impróprios”, “plurais”, “comuns”, “similares” e por aí vai.

O ruim é que a agenda é curtinha e o espaço da minha se esgotou esta semana, então terei que recorrer às agendas convencionais. Mas pra não perder a perspectiva, pelo menos ainda posso resistir às convenções na forma de anotar – como no exemplo abaixo, que é uma observação sobre ausência de função estratégia feita em estilo Cersibon:

agenda 4


Este post é porque tem muito tempo que eu não escrevo no blog

13 de agosto de 2009, 23:38

Sim, exatamente o que o título diz. O problema é que, como você já deve ter concluído por consequência, é que eu não tenho assunto para este post. Mas estou escrevendo mesmo assim.

Woohoo, olha só, já estou no segundo parágrafo! Filma eu, Galvão!

Na verdade até tem assunto. Por exemplo, acabei de me lembrar do dia em que estava na sala de espera do médico e uma das revistas tinha uma matéria sobre nada menos do que o prepúcio de Jesus. Sim, prepúcio, aquela pele que envolve a ponta do pênis – mas não de qualquer pênis, era o pênis de Nosso Senhor Jesus Cristo.

prepucio

É estranho escrever sobre o pênis de Jesus aqui no blog. Eu fico com a sensação de que Deus está me olhando com uma cara feia enquanto anota meu nome num caderninho.

Mas veja você que essa minha ideia de escrever sem assunto até está rendendo: a foto da página da revista me fez lembrar de algumas outras que tirei com o celular e que também rendem um ou dois parágrafos. Como essa aí embaixo.

mavica

Meu antigo cliente de Brasília renovou o projeto e tive que refazer meu crachá para entrar no prédio – o que incluiu bater uma nova foto. Até aí tudo bem, mas o que você não deve ter reparado é que aquela câmera ali é uma Sony MAVICA – Sim, aquela que foi uma das primeiras câmeras digitais, e que guardava as fotos em DISQUETES DE 1,44”. Sim, cara, disquetes. A Mavica é o Tiranossauro Rex* das câmeras digitais.

* – Sim, essa foi proposital e especial pra vocês, Tiagón e Renmero.

Por sinal, nem contei aqui da renovação do projeto de Brasília: voltei a visitar a “Washington brasileira” semana passada, nesse que é o maior contrato de consultoria que a empresa onde trabalho fechou este ano. Tenho uma treta enorme pra entregar, uma equipe de nove consultores pra orientar e uma gravata enrolada no pescoço pra atrapalhar. E no fim tudo tem que rimar. Mas em compensação tenho o melhor cliente EVER (lembram?). A gente termina uma reunião e emenda com conversas sobre coisas como Jack Kerouac, pra vocês terem uma idéia.

congonhas Outra coisa que voltou com a renovação do projeto é a rotina de aeroportos. Na última segunda-feira eu estava na fila do check-in curtindo um mau humor triplo – resultado de três coisas que me irritam profundamente (aeroportos, filas em aeroportos e as horas do dia anteriores às nove da manhã) quando reparei que o assoalho do aeroporto de Congonhas é quadriculado como um tabuleiro de xadrez. E pensei:

“Nada mais apropriado. Os engravatados acham que são reis, as dondocas acham que são rainhas, mas todo mundo é peão”.

Eu ia até twitar isso, mas acho que me chamaram pra fazer check-in e acabei deixando pra lá.

Tem também outra foto que eu queria postar aqui mas que não vou conseguir conectar com os outros assuntos de jeito nenhum, então vai assim mesmo. Amigos, amigas, eis o banheiro recursivo:

recursivo

É o banheiro de um cinema (que, obviamente, não lembro qual é), cujos espelhos ficam um de frente pro outro.

E este foi “o post porque tem muito tempo que eu não escrevo no blog”. Até que rendeu. Até a próxima, amiguinhos!


Expansor Palatino

20 de maio de 2009, 8:39

Quando me diziam que eu deveria usar um aparelho dentário eu respondia: “só vou colocar um no dia que o dentista disser que eu vou MORRER ou ficar banguela se não usar aparelho”. Até que recentemente entrei numas de que aparência é, sim, importante e lá fui eu ao dentista pedir um sorriso Colgate.

A primeira coisa que o cara fez foi me dar um tal expansor palatino. Não confunda: na foto abaixo, é o da esquerda.

image image

O expansor palatino é um mini-instrumento de TORTURA MEDIEVAL. Repare que no meio do aparelho tem um furinho redondo: todo dia de manhã e à noite eu tenho que enfiar uma alavanca nesse furinho e girá-la. A cada giro da alavanca, o expansor se abre um pouco mais e vai separando o palato (o céu da boca), ou seja, eu estou lentamente abrindo meu crânio pelo lado de dentro.

Resultado: meus dentes dóem, estou cheio de aftas, comer qualquer coisa é extremamente frustrante e não fiquei nem um pouco mais bonito até agora – pelo contrário, já que o aparelho me impede de falar direito e eu fico com uma dicção de quem tem língua presa. Ontem eu liguei para uma assistência técnica da Sony (o leitor Blu-Ray do meu PS3 morreu) e o cara estava nitidamente segurando o riso enquanto eu falava: “O número da nota phishcal é quatlo phlêis dois…”.


Redimido através de um ovo

29 de abril de 2009, 21:46

Há muitos anos eu e Bethania ainda éramos namorados e por alguma estranha razão estávamos conversando sobre ovos de galinha. E no meio da conversa eu resolvi compartilhar uma dúvida que tinha comigo desde a infância, de quando eu visitava a fazenda do meu tio e via o caseiro pegando ovos do ninho da galinha mas sempre deixando alguns para serem chocados.

- Eu queria saber como o pessoal faz pra saber quais ovos vão dar pintinho e quais não vão…

E Bethania caiu na gargalhada com meu comentário. Eu não entendi nada até que ela explicou que não tinha diferença: era tudo ovo, e tudo viraria pintinho se fosse chocado. E desde aquela época essa história do ovo sempre foi ressuscitada em mesas de bar ou festinhas de família como um de meus vacilos épicos, históricos – usualmente logo depois de eu contar de uma vez em que Bethania ligou para o tele-pizza e fez questão de frisar: “é pra viagem, tá?”.

Daí semana passada alguém mandou no Twitter um link para um texto chamado “As dez frases que tiram um vegetariano do sério”. E enquanto eu passo o olho no texto, eis que no meio do primeiro parágrafo o autor diz:

Minha dieta, porém, não é vegan – continuo comendo ovos (mas não os ovos caipira, pois esses são fecundados e pintinhos sairiam deles. Esses ovos de mercado são induzidos e, por nojento que seja, é basicamente a menstruação da galinha)

Minha cabeça, imediatamente, explodiu. Uma consulta rápida à Wikipedia provocou outra explosão cerebral – mas dessa vez de alegria, ao ver as minhas suspeitas confirmadas:

A maioria dos ovos industrializados para consumo humano não são fecundados, pois as galinhas não tem contato com galos. Ovos fertilizados podem ser encontrados à venda e também comidos, com pouca diferença nutricional. Ovos fertilizados não desenvolvem num embrião pois a refrigeração impede o crescimento celular, por longos períodos.

E então eu descobri que fui vilipendiado injustamente. Por DÉCADAS.


“Era tão jovem e infartou…”

27 de março de 2009, 13:48

Acabei de voltar do médico. Fiz uns exames e, veja você, meu colesterol baixou!

Isso seria uma ótima notícia… não fosse o fato de que o máximo de colesterol que uma pessoa saudável pode ter é 240 mg/dL. E o meu ainda está em 263 mg/dL. E no ano passado ele estava AINDA MAIS ALTO. Segundo o médico, se continuar assim eu posso acabar virando um daqueles casos que as pessoas ficam comentando que “era tão jovem e infartou”.

Eu te digo que não é nada agradável ouvir isso da boca do seu médico. Especialmente quando você tem só 30 anos de idade.

Como o meu caso já tá meio crônico eu deveria estar tomando remédios. O problema é que eles agridem o fígado, e o meu também não está bem: tem umas enzimas meio altas demais, e em 2008 eu até estava com o tal “fígado gorduroso” (esteartose hepática). Basicamente um foie gras humano.

Aí vou ter que entrar na dieta e começar a fazer exercícios. De antemão o médico me entregou uma folhinha com recomendações alimentares, que pode ser resumida assim: “A partir de agora você come tudo que sua mãe mandar. E sua mãe é NAZISTA”. Ou seja, adeus doces, cerveja, queijos, biscoitos, bacon, carne vermelha, frituras, ovos, amendoim e tudo que ajuda a tornar essa vida dura suportável. Vou ter que arrumar alguma coisa pra compensar, um outro vício, sei lá, começar a fumar maconha ou algo assim*.

O próprio médico ficou fazendo piadinha comigo: “Vou te indicar uma nutricionista. Ela vai te passar uma dieta, mas basicamente ela vai dizer assim: ‘Tá vendo essa alface e esse copo d’água aqui? Bom apetite!’”. E caía na risada.

* – Eu, obviamente, estou brincando.


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