Posts da categoria ‘Cotidiano’


Retrospectiva 2010

20 de dezembro de 2010, 17:40

Janeiro – meh.

Fevereiro – meh.

Março – meh.

Abril – New York. Mas fora isso, meh.

Maio – meh.

Junho – meh.

Julho – Entreguei o maior projeto da minha carreira (o de Brasília) com sucesso. Mas no geral, meh.

Agosto – meh.

Setembro – meh.

Outubro – meh.

Novembro – OPA!

Dezembro – AGORA SIM!


Os primeiros dias d’O Primo numa agência de publicidade

19 de dezembro de 2010, 19:33

Já vão-se aí umas três semanas de trabalho no emprego novo. Já tive que viajar pro nordeste, ainda não consegui sair do trabalho no horário em nenhum dia, já tive que apresentar trabalhos pro CEO, já tem duzentos mil pepinos pra resolver, e quando eu penso em uma palavra pra resumir estas duas semanas eu só consigo pensar em “lua de mel”.

Porque é a única expressão que resume aquelas situações onde você está sendo fodido mas adorando cada minuto.

A parte do “fodido” é por causa do tamanho da encrenca: dezenas de pessoas e de projetos na minha mão e nenhuma – eu disse NENHUMA – estrutura de gestão. O que no fim é ótimo, já que em vez de brigar pra mudar o status quo, eu tenho autonomia pra montar o meu próprio esquema de gestão, do zero, mas certinho.

Já a parte do “adorando cada minuto” é porque eu estou fazendo o que mais sei fazer num ambiente de trabalho que… bem, isso daria um post enorme se eu fosse contar tudo. Mas falemos de alguns destaques:

  • Não é incomum que, no meio do dia, sem aviso, o andar inteiro comece a aplaudir alguma coisa. Na última sexta, por exemplo, um dos caras percebeu que o colega havia tirado o aparelho dentário e começou a comemorar. Foram cinco minutos de aplausos.
  • Toda sexta-feira é feita a premiação da menina mais bem vestida da semana. Tem até um troféu, enorme, que a vencedora, sob efusivos aplausos e normalmente morrendo de vergonha, é obrigada a levar pra sua mesa. É hilário.
  • Todo mês tem uma festa, dentro da agência mesmo, para comemorar alguma coisa, seja uma conta nova ou algum outro bom resultado. Mas é uma festa mesmo, com open bar e DJ e o escambau. E pelas histórias que ouvi, a coisa é, digamos, intensa nessas festas. Como eu comecei a trabalhar em dezembro, não peguei nenhuma das festas mensais. Mas vou pegar a lendária festa de fim de ano. Quando recebi o convite (abaixo) no meu email, meu queixo caiu:

Serão doze horas de festa. O RH até mudou o horário de trabalho por causa dela.

  • Num dos cantos do andar fica o pessoal da criação, que é o epicentro da maior parte das maluquices que acontece durante o dia. A criação é um lugar absolutamente bizarro: é uma bagunça, tem brinquedos (pistolas nerf, frisbees) espalhados por toda parte, as paredes são cobertas de cartazes cujo mote predominante são pênis. Sim, pênis: de ilustrações de caralhinhos alados a fotos de gente com tatuagem de Pinóquio na virilha (aonde o nariz é… bem, você já entendeu). Às vezes você passa por lá e alguém bota pra tocar, bem alto, o vídeo do PUDDI PUDDI PUDDI, só de sacanagem. Semana passada o pessoal foi na lojinha de conveniência do posto de gasolina que fica atrás da agência, todo mundo comprou alguma quinquilharia (cerveja, DVD genérico, revista, etc.) e fizeram um amigo-secreto-relâmpago no meio do expediente.
  • Na hora do almoço ou nas conversas de corredor é possível conversar sobre assuntos dos quais eu jamais consegui falar em sete anos de consultoria, como jogos clássicos dos videogames ou a iminente (quase) morte do Delicious. Só para fins de comparação, mês passado, ainda como consultor, eu tentei conversar sobre o Planeta Terra num dos almoços de trabalho e as pessoas achavam que eu estava falando do planeta Terra mesmo.

Em resumo: tá tudo muito divertido, e assim dá gosto encarar a pressão. Mas ainda tem muito desafio pela frente.


Síndrome da Península Ibérica

11 de agosto de 2010, 23:42

Daí que em tempos de demanda absurda na minha empresa de consultoria entra trabalho em qualquer buraco que sobra na agenda. Tanto que ontem e hoje passei dois dias fazendo um diagnóstico numa empresa.

E lá estava eu, com a cabeça cheia de café, revirando dados com o Excel, quando uma colega da equipe resolve tirar uma dúvida com um dos diretores. Só que a empresa foi comprada recentemente por um grupo de investidores portugueses (as in “de Portugal” mesmo) e o diretor em questão era português.

Daí o cara me entra na sala, senta-se do meu lado e, naturalmente, começa a falar com o velho e bom sotaque lusitano:

- Pois que o mercado há de subire no próximo semestre e…

Em questão de SEGUNDOS meu cérebro deu pau e todo e qualquer pensamento foi substituído por nada menos do que isso aí debaixo:

Eu não sei se foi fruto do hábito da minha cabeça de viver fazendo associações absurdas – coisa que geralmente resulta em boas ideias mas que às vezes dispara pela culatra – mas deu pau GERAL nos neurônios e tudo que eles faziam era resgatar referências linguísticas portuguesas obscuras do YouTube com as quais eu já tinha tido algum contato. Travou tudo. O cara ia falando de financiamento de governo pra lá e custo de operação pra cá e eu só conseguia pensar em “eu quero dois p’cutinhos de cacauetes em vez d’um!”.

Mas não, eu não ia ser passado pra trás pelo meu próprio subconsciente. Me endireitei na cadeira e pensei: “Vamo lá. É só um sotaque. Concentre-se”.

Alguns segundos depois e eu já havia reconquistado a compostura. Até que, de repente, me vem à cabeça duas palavras.

BRUNO ALEIXO.

Aí danou-se tudo. O cara falava e na minha cabeça eu só via a cara peluda de Bruno Aleixo dizendo “quero ser imigrante cá em Coimbra, pra poder dormir em minha própria cama”.

A sorte é que o cara se explicou rapidamente (e sim, consegui prestar atenção na explicação, apesar de tudo) e saiu.


Pedaços de posts que nunca concluí

29 de dezembro de 2009, 0:22

Em nenhuma ordem ou contexto específico (Viva o caos!).


Teorias sobre motivação, existem várias. Apenas duas funcionam: 1) Dinheiro e 2) Café. Tem também o 3) Sexo, mas essa tem uma série de complicações jurídicas quando usada em ambientes corporativos.


  • E esses bonequinhos 3D em overlay no campo, hein Globo? Tá parecendo Age of Empires…
  • Que mau gosto o dessa camisa do Flamengo. A fonte do nome do jogador é a mesma dos filmes do Homem Aranha que é a mesma do Playstation 3.
  • Esses gritos de guerra do Flamengo não rimam não? “Dá-lhe dá-lhe ô / Mengão do meu coração”?
  • (Quando a TV digital dá interferência e a tela se enche de “glitches”): E pensar que meus filhos nunca vão saber o que são chuviscos de uma TV analógica fora do ar…

Então que agora eu virei consultor-líder do maior contrato do ano da minha empresa de consultoria e meu dia de trabalho consiste, basicamente, de um continuum de reuniões.

Ontem uma delas era para acertar o escopo do trabalho com uma das gerentes do cliente. Daí que eu cheguei e me sentei na mesa todo pimpão e todo mundo tava batendo cabeça e eu incorporei o exu de consultor-líder e saí, ao mesmo tempo, colocando ordem na bagaça e tomando cuidado para não desautorizar a mulher (que, pô, era a gerente da coisa). E ela lá, só ouvindo.

Até que, no meio do meu “leadership spree” eu saio falando que…

- …então acho importante seguir as orientações da Miriam.

E ela rebate:

- Meu nome é Luiza.


Brunetto
Comida Italiana – Site: Não tem.
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 465 – Itaim Bibi

Sabe, normalmente a comida italiana me motiva… motiva a tirar um cochilo depois. Só que a do Brunetto (onde almocei hoje) estava TÃO boa que me motivou a escrever este post. Diz Bethania que os donos moraram na Itália, então deve ser por isso que as massas são tão gostosas. Ah, não deixe também de comer a bruschetta do Brunetto (por mais transsexual que isso possa parecer).

Kebaberia
Kebabs (comida árabe) – http://www.kebaberia.com.br/
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 777 – Itaim Bibi Rua Joaquim Floriano 179 – Itaim Bibi

Quando se pensa em Oriente Médio normalmente o que vem à cabeça é "terrorismo", "petróleo", "Prince of Persia"… e, por último, a comida do Habibs. Então os kebabs – "enrolados" de carne grelhada, originados no Irã – acabam passando despercebidos. Mas são uma delícia, é como se fosse a fast-food das arábias.

No almoço é bem cheio, então dá um ótimo lugar para ataque de homem-bomba chegue cedo.

Bolados
Lanches e sucos – http://www.boladossucos.com.br/
Rua Joaquim Floriano, 373 – Itaim Bibi

Minha mulher odeia o Bolados: “Sanduíche não é almoço”, diz ela. No cardápio tem um de peito de peru com tomate seco que discorda veementemente. Vale lembrar que o Bolados, além de bom, é barato, tornando-se uma ótima sugestão para os dias em que sua carteira teve crises bulímicas e tá magrela.

Pibu’s
Lanches – http://www.pibus.com.br/
Av. Pres. Juscelino Kubitscheck, 819

Opção boa (e razoavelmente barata) quando você quer fugir dos lanches tradicionais do Itaim (New Dog, Joakin’s, Fifties, etc). Mas peça o delivery – o restaurante “físico” é praticamente inexistente.


A saga do roubo de notebook em Congonhas

23 de novembro de 2009, 22:19

No domingo da semana retrasada São Paulo ardia em febre e meu telefone tocou: era um amigo querendo sair pra tomar uma cerveja e afogar aquele calor maluco. “Tudo bem, só preciso levar Bethania em Congonhas pra pegar um avião e a gente toma uma”, respondi.

No caminho, o telefone de Bethania (que viajaria com mais 2 colegas de trabalho) toca com a notícia bombástica: roubaram a mochila e a bolsa de uma delas, bem ali, no passeio logo em frente ao aeroporto. Ela estava com um carrinho de bagagem esperando uma das colegas chegar quando um cara passa, pega a mochila, sai correndo e entra num Gol branco. A menina até tentou correr atrás dos caras (péssima ideia) mas desistiu assim que viu uma arma sendo apontada em sua direção.

roubo Um detalhe: o ladrão deixou cair seu celular durante o roubo. E mais: como o carro dos ladrões parou em fila dupla durante o roubo um dos marronzinhos da CET foi multar o carro e, portanto, anotou a placa.

Enquanto fazíamos o boletim de ocorrência chegaram os policiais civis que ficam de plantão no aeroporto. Um deles, o homem mais GIGANTESCO que já vi, foi o que mais comemorou quando ficou sabendo do celular e da placa do carro. Segundo eles, há semanas eles tentam pegar essa quadrilha – e com o celular e a placa do carro tudo ficou bem mais fácil. Ele até mostrou pra nós um vídeo das câmeras de segurança (esse aí da foto) mostrando um assalto similar ocorrido no dia anterior. O cara estava empolgadíssimo: “agora eu vou me divertir com esses caras, eles vão ter tratamento VIP”, dizia ele, enquanto apalpava efusivamente a pistola que carregava na cintura. A vítima do assalto também estava bem animada com a possibilidade de pegarem os meliantes e até fez uns pedidos especiais ao policial, coisas como “puxa bastante as bolas dele pra ele ficar impotente” e por aí vai.

Aí pegamos a bagagem das meninas, botamos de volta no carrinho e saímos do posto policial para remarcar as passagens. Estávamos esperando em frente ao guichê da Tam quando, de repente, um moleque aparece de repente, pega duas das malas que estavam no nosso carrinho e sai andando apressado. Todo mundo ficou IMÓVEL, paralisado pela ideia de que estava acontecendo tudo de novo, até que o “ladrão” se vira, mostra o dedo médio pra nós e sai, esbravejando. E alguém comenta:

- Errr… esse era aquele menino que estava no posto policial com a gente? Um que tinha perdido a carteira?

E todo mundo cai na gargalhada. Aparentemente, nós, vítimas de roubo de bagagem, acabamos “roubando” a bagagem dos outros sem querer – e o que é pior, de dentro da delegacia. Aparentemente estávamos mais competentes pro crime do que os ladrões de verdade…

Mas depois do roubo involuntário e de longas horas remarcando passagem, Bethania e as meninas viajaram no dia seguinte. Quando ela voltou, na terça à noite – surpresa! – a polícia já tinha pego os caras. Segundo ela rolou até um police lineup, com os meliantes enfileirados e a vítima atrás de um espelho falso, pra fazer a identificação dos marginais. Eu dava tudo pra ter visto isso. Rolou até uma matéria sobre o roubo no Jornal da Globo. O vídeo que eles usaram pra ilustrar o roubo, por sinal, é o mesmo que o policial nos mostrou no domingo.

Pelo menos tivemos um final “semi-feliz”: apesar das perdas materiais (nada do roubo foi recuperado), pelo menos os caras foram presos. Inclusive preciso destacar o excelente atendimento dos policiais em todo o ocorrido: foram rápidos, atenciosos, prestimosos e ainda pegaram os caras.


O guarda-chuva amarelo

5 de novembro de 2009, 21:19

Interrompemos o hiato de vinte e um dias sem post para informá-los do momento surreal que vivi ontem no trabalho.

Eu e meu consultor-líder (chamemo-lo de Obi-Wan Kenobi) entramos em uma reunião às 11:30 da manhã para fazer uma apresentação com duração de uma hora. Acontece que slides de PowerPoint distorcem o espaço-tempo de tal maneira que a reunião foi acabar lá pras quinze pras duas da tarde, e na hora que nós dois, famigerados, botamos o pé na rua para ir almoçar, Brasília se dissolvia em chuva. “Ok, vamos dar um tempinho aqui que a chuva já deve passar”, combinamos.

Nem preciso dizer que ela não somente não passou como engrossou ainda mais, e as lombrigas do estômago lá, agonizando, enquanto eu olhava desconsolado o pessoal que era precavido e veio trabalhar com guarda-chuva voltando pra dentro do prédio, todo almoçadinho. “Putz, Obi-Wan, se pelo menos a gente tivesse um guarda-chuva…”, disse eu, desavisadamente.

guardachuvamarelo

E então, sem a menor cerimônia, Obi-Wan aborda o completo desconhecido que está passando na nossa frente com um guarda-chuva amarelo na mão.

- Ei, onde você arrumou esse guarda-chuva?

O cara faz uma cara de absolutamente perplexo (igualzinha a minha) e responde, hesitante:

- Err… é meu, eu comprei e tal.

E aí segue-se um momento absolutamente surrealista, onde a situação é tão ridícula que, apesar de todo mundo saber a intenção de todo mundo, ninguém se dispõe a expressar o ridículo da situação em palavras, e então a coisa toda é combinada com frases pela metade, tipo:

- Mas vocês querem…?
- É, tem problema se a gente…?
- Não, eu acho… vocês trabalham aqui no…
- Sim, você fica em qual andar?
- Ah, no décimo, depois vocês podiam…
- Claro, claro…

E então lá estávamos nós com o guarda-chuva do completo desconhecido em mãos. E eu lá, esperando pra ver como diabos Obi-Wan explicaria o que acabou de acontecer: pura e simples cara-de-pau? Foco no resultado? Um simples apelo à solidariedade humana? Fome em nível grande o suficiente para atravessar quaisquer inibições? E então ele diz:

- Putz, que coisa, achei que o guarda-chuva era de algum restaurante ou coisa assim…


Uma noite de cultura e diversão em Brasília (ou: FAIL)

15 de outubro de 2009, 0:27

Quando chega a noite aqui em Brasília eu, às vezes, até me animo a tomar uma cerveja com o pessoal da minha equipe, ou saio pra jantar com amigos(as) brasilienses. Mas na esmagadora maioria das vezes meus programas noturnos envolvem apenas eu, meu computador e a internet lenta do hotel.

Mas hoje à noite foi diferente de tudo que eu já havia feito antes: enquanto o resto da nação olhava para o Brasil vs. Uruguai vs. Argentina vs. Sei-lá-quem na tevê, eu me enfiava num táxi para, pela primeira vez, fazer um programa cultural em Brasília: assistir um show do Satanique Samba Trio.

Satanique Samba Trio e seus seis (?) integrantes

Claro que tudo deu errado.

Os problemas começam no local do show, chamado “Cafetina” (que, apesar de ter Twitter, não tem site). Havia apenas um garçom pra atender o lugar inteiro, o cardápio não tinha quase nada para comer e, para ver o show, você precisava fechar sua conta do bar, comprar uma fitinha vermelha, botar no pulso e descer para o “porão” aonde seria o show. E o caixa não tinha troco. E você não podia incluir a fitinha vermelha na sua conta e pagar tudo com cartão. E o caixa do porão onde foi o show também não tinha troco e não aceitava cartão.

“Bom, mas que se dane, eu estou aqui é pelo show mesmo”. Acontece que o show era em conjunto com o lançamento de um livro, e o autor do livro declamava poemas entre uma e outra música. E o livro era chamado “Escarro”, e o autor era um tal Gustavo Lucas Footloose, e os poemas eram catastroficamente ruins. E o show teve apenas seis músicas e durou apenas meia hora.

“Bom, mas que se dane, vou pedir um táxi e ir embora”. Aí eu ligo pro disque-táxi, espero MEIA HORA e… nada. Aí eu ligo de novo:

- Boa noite. Eu pedi um táxi aqui na 712 sul há MEIA HORA e ele não apareceu.
- Qual seu nome?
- José Carlos.

Cinco minutos depois a mulher volta pro telefone.

- Olha, o motorista teve aí mas pegou outra pessoa.
- Porra, então manda outro!
- Ah é? Vai ficar de xingamento aí? Mal educado!

E desligou na minha cara.

A minha sorte é que os telefones de disque-táxi que eu conheço aqui em BSB sempre terminam em 3030 e tem prefixos parecidos: 3321, 3323, 3325… então eu liguei para outro número e, pra não dar merda de novo, fui EXTRA-SIMPÁTICO com a atendente (que também era uma imbecil) e, finalmente consegui um táxi. E o motorista também não tinha troco quando cheguei no hotel.

“Bom, mas que se dane, já cheguei e vou dormir”. E no instante em que eu abro a porta do quarto, eis uma barata passeando pelo chão. A barata ficou me olhando enquanto eu dava um longo suspiro, paralisado na porta do quarto na mais completa DESCRENÇA de que tudo aquilo estava me acontecendo no mesmo dia. E na hora que eu vou matar a barata ela corre pra debaixo da cama. Nessa hora o sangue ferveu, eu ARREMESSEI A CAMA PARA CIMA, matei a barata e fui dormir.


Eu, insone

7 de outubro de 2009, 0:31

insonia

Sabe, eu nunca esperava que fosse desaprender a dormir.

Começou há algum tempo, com um dia estressante de trabalho que ficou reverberando na cabeça, incessantemente, madrugada afora. É como se o apagar das luzes e o calar dos sons desse espaço extra no cérebro e ele simplesmente estourasse. Sinapses em fúria, alheias ao avançado da hora. E os pensamentos todos correm atrás do próprio rabo e não levam a conclusão nenhuma – a não ser a de que você não vai pegar no sono tão cedo.

O engraçado é que, revisitando anotações da minha infância feitas pela minha mãe (que, se viva, faria 67 anos ontem), eu supostamente era meio insone quando criança. De fato me lembro perfeitamente do teto e do lustre metálico do meu antigo quarto, que ela deixava à meia-luz quando eu não conseguia dormir, e que de tempos em tempos estalava por causa do calor da lâmpada (ainda incandescente, na época). Mas com o tempo isso parece ter passado de uma tal maneira que eu fui parar no outro extremo: na faculdade meus colegas achavam que eu trabalhava de guarda noturno porque eu dormia em praticamente TODAS as aulas. E hoje ao invés de aulas tenho reuniões, e não pega bem dormir em reunião – por razões óbvias.

A insônia de hoje está evidentemente amarrada ao trabalho. Em casa, com a esposa de um lado e o cachorro do outro, eu durmo o sono dos justos. Mas do domingo em diante a cabeça começa novamente a se ocupar de caraminholas sem sentido assim que eu coloco a cabeça no travesseiro. Esse é o momento crucial da noite: se eu começar a “dormir errado”, já era. Basta começar a pensar em qualquer coisa – nem precisa ser o trabalho, pode ser qualquer coisa MESMO – e o cérebro começa uma reação em cadeia onde um pensamento puxa outro e, minutos depois, eu estou com 457 coisas diferentes na cabeça. E totalmente desperto.

A coisa está tão feia que até desenvolvi uma técnica pra me ajudar a tirar o cérebro desses loops insones: lá pelas três da manhã, quando eu já estou em pânico de tanto fritar no colchão, eu ligo a tevê num canal bem sem graça (como a Globonews) e aciono o sleep timer, deixo tudo num volume bem baixo, fecho os olhos e presto atenção apenas no áudio. De alguma forma o blablablá contínuo do noticiário engana minha mente e “desamarra” o turbilhão de pensamentos, e eu consigo relaxar um pouco. Dali em diante – mas nunca sem mais uma meia hora de insistência – eu normalmente consigo pegar no sono.

Dias de trabalho depois de noites assim são um inferno. Eu tenho que lidar com a equipe, o chefe, o cliente, e eu mal estou aguentando lidar comigo mesmo. O que me consola é só o pensamento que, esgotado daquele jeito, não tem como não conseguir dormir na noite seguinte. Mas ADIVINHE. Às vezes eu chego a uns two ou three-hit-combo de noites maldormidas…


A agenda do fim dos tempos drásticos

10 de setembro de 2009, 0:40

Eu queria compartilhar com vocês uma das ferramentas do meu dia-a-dia que mais gosto: minha agenda de anotações.

agenda1

Sim, eu sei, você deve estar se perguntando que diabos é aquilo de “necrofilia do mundo final”. É que isto não é exatamente uma agenda: é um livreto que foi distribuído ano passado na Bienal, em São Paulo, e que na verdade é parte de uma obra de arte de Javier Peñafiel. A agenda foi apresentada ao público na própria Bienal, em uma performance do artista, e cópias da agenda estavam disponíveis para quem quisesse levar.

O nome da agenda dá título a este post: “Agenda do fim dos tempos drásticos”.

Por dentro ela é cheia de ilustrações, pequenos textos e de um bocado de espaço em branco – aonde passaram a morar minhas anotações de trabalho.

agenda2 agenda3

Pode parecer estranho, mas ter arte na sua frente dá a perspectiva correta aos dias de trabalho cheio de gente engravatada, cafezinhos e reuniões. Mesmo porque os textos de Javier questionam – ainda que de forma bem hermética – o próprio passar dos dias, descritos pela agenda como “impróprios”, “plurais”, “comuns”, “similares” e por aí vai.

O ruim é que a agenda é curtinha e o espaço da minha se esgotou esta semana, então terei que recorrer às agendas convencionais. Mas pra não perder a perspectiva, pelo menos ainda posso resistir às convenções na forma de anotar – como no exemplo abaixo, que é uma observação sobre ausência de função estratégia feita em estilo Cersibon:

agenda 4


Este post é porque tem muito tempo que eu não escrevo no blog

13 de agosto de 2009, 23:38

Sim, exatamente o que o título diz. O problema é que, como você já deve ter concluído por consequência, é que eu não tenho assunto para este post. Mas estou escrevendo mesmo assim.

Woohoo, olha só, já estou no segundo parágrafo! Filma eu, Galvão!

Na verdade até tem assunto. Por exemplo, acabei de me lembrar do dia em que estava na sala de espera do médico e uma das revistas tinha uma matéria sobre nada menos do que o prepúcio de Jesus. Sim, prepúcio, aquela pele que envolve a ponta do pênis – mas não de qualquer pênis, era o pênis de Nosso Senhor Jesus Cristo.

prepucio

É estranho escrever sobre o pênis de Jesus aqui no blog. Eu fico com a sensação de que Deus está me olhando com uma cara feia enquanto anota meu nome num caderninho.

Mas veja você que essa minha ideia de escrever sem assunto até está rendendo: a foto da página da revista me fez lembrar de algumas outras que tirei com o celular e que também rendem um ou dois parágrafos. Como essa aí embaixo.

mavica

Meu antigo cliente de Brasília renovou o projeto e tive que refazer meu crachá para entrar no prédio – o que incluiu bater uma nova foto. Até aí tudo bem, mas o que você não deve ter reparado é que aquela câmera ali é uma Sony MAVICA – Sim, aquela que foi uma das primeiras câmeras digitais, e que guardava as fotos em DISQUETES DE 1,44”. Sim, cara, disquetes. A Mavica é o Tiranossauro Rex* das câmeras digitais.

* – Sim, essa foi proposital e especial pra vocês, Tiagón e Renmero.

Por sinal, nem contei aqui da renovação do projeto de Brasília: voltei a visitar a “Washington brasileira” semana passada, nesse que é o maior contrato de consultoria que a empresa onde trabalho fechou este ano. Tenho uma treta enorme pra entregar, uma equipe de nove consultores pra orientar e uma gravata enrolada no pescoço pra atrapalhar. E no fim tudo tem que rimar. Mas em compensação tenho o melhor cliente EVER (lembram?). A gente termina uma reunião e emenda com conversas sobre coisas como Jack Kerouac, pra vocês terem uma idéia.

congonhas Outra coisa que voltou com a renovação do projeto é a rotina de aeroportos. Na última segunda-feira eu estava na fila do check-in curtindo um mau humor triplo – resultado de três coisas que me irritam profundamente (aeroportos, filas em aeroportos e as horas do dia anteriores às nove da manhã) quando reparei que o assoalho do aeroporto de Congonhas é quadriculado como um tabuleiro de xadrez. E pensei:

“Nada mais apropriado. Os engravatados acham que são reis, as dondocas acham que são rainhas, mas todo mundo é peão”.

Eu ia até twitar isso, mas acho que me chamaram pra fazer check-in e acabei deixando pra lá.

Tem também outra foto que eu queria postar aqui mas que não vou conseguir conectar com os outros assuntos de jeito nenhum, então vai assim mesmo. Amigos, amigas, eis o banheiro recursivo:

recursivo

É o banheiro de um cinema (que, obviamente, não lembro qual é), cujos espelhos ficam um de frente pro outro.

E este foi “o post porque tem muito tempo que eu não escrevo no blog”. Até que rendeu. Até a próxima, amiguinhos!


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