Compras do mês d’O Primo

Esse mês quase não deu pra fazer esse post, por causa da mudança.

Como de costume, tudo comprado na eMusic, exceto o cabeça-de-rádio. E não, eu não ganho jabá da eMusic nem nada. Sou apenas um cliente feliz.

Simian Mobile Disco – Attack Decay Sustain Release

20071204

Este disco gira na esfera daquela modinha chata de lançamentos meio "electro" meio "new rave". Entretanto, meus amigos… ele é um dos melhores discos do ano de 2007.

Lembram de 1996, quando o Daft Punk lançou o "Homework", aquele disco que não tinha nada de mais, que havia sido produzido no quarto dos caras, mas que era absurdamente bom e virou um clássico? O A.D.S.R. é bastante parecido: não tem nenhuma firula de produção, não usa sintetizadores supermodernos, não tem vocalistas maravilhosas cantando letras poéticas nem nada. Mas é autêntico, é energético, é cru e vibrante como há muito tempo não se ouvia.

Chega a dar pena a comparação do Simian Mobile Disco com o resto das bandas da ondinha modernosa "electro new rave", que se levam muito à sério e fazem um esforço sobre-humano para soarem divertidas e parecerem cool – e falham miseravelmente ao fazer música prepotente e artificial. É justamente este o erro que o Simian Mobile Disco não comete e que o coloca anos-luz à frente dos seus compatriotas de gênero.

"Hustler", a faixa 4, é, de longe, a melhor música que ouvi este ano. Tanto que devo tê-la ouvido umas duas ou três vezes só enquanto escrevia este post. E, segundo meu iTunes, mais umas vinte vezes desde que comprei o disco. E "Hustler" não tem absolutamente nada de mais: bateria, texturas ácidas e uma menina contando (nem é cantando) algo sobre roubar discos de uma loja. Mas funciona de um jeito que chega a dar arrepios – literalmente. Os clipes de "Hustler" (tem duas versões) não deixam por menos e são imperdíveis. Destaque também para "Hotdog", cuja letra imbecil acaba ficando divertidíssima, e "It’s the beat", que vai te ganhar nos cinco primeiros segundos.

Radiohead – In Rainbows

20071204_3 Pois é. Eu fui uma das raras pessoas que pagou pelo In Rainbows. E confesso que foi uma das piores compras do mês.

Ok, neste momento eu tenho certeza que suas sobrancelhas subiram e/ou o queixo caiu. Talvez até minha mãe tenha sido xingada. Então vou medir muito bem as palavras que escreverei daqui pra frente, mas conto com você pra lê-las com atenção e sem preconceitos.

Observe que eu não disse que o "In Rainbows" é ruim – de fato, ele é muito melhor do que o que anda sendo produzido pelo mundo. Mas o Radiohead não é uma bandinha iniciante: eles tem uma carreira sólida, uma puta reputação (desculpe a cacofonia) e um histórico de lançamentos que inclui clássicos de renome, como o "OK Computer" e o "Kid A". Assim sendo, é natural que as expectativas para uma banda do cacife do Radiohead sejam, naturalmente, altos. O que se espera de um disco de uma grande banda – seja o segundo, o sétimo ou o décimo nono disco – é que ele apresente uma evolução da música que a banda produz – mesmo que o disco não seja melhor que o anterior.

Considere, por exemplo, o Sonic Youth. Thurston Moore não tem mais seus vinte-e-poucos anos. Kim Gordon já é mamãe. Lee Ranaldo hoje é um tiozão. Mas o som do Sonic Youth continua decidido a andar por caminhos diferentes e a buscar novidades. A raiz de experimentalismo dadaísta da época do "Confusion is Sex" foi se refinando até ficar quase pop com o "Dirty", depois melódica-desafinada em "Washing Machine", depois psicodélica e progressiva em "Sonic Nurse" e depois rock’n roll como-nos-velhos-tempos em "Rather Ripped". O Sonic Youth tem uma alma fixa e um corpo diferente a cada "encarnação" em forma de disco – e, pra mim, essa é a característica mais marcante de uma boa banda.

Acontece que, no caso do Radiohead, a sequência de inovação, de renovação que começou na dupla "Kid A/Amnesiac" começou a se perder no "Hail to the thief". E aí veio o "In Rainbows", que, sonoricamente, parece não pertencer a lugar nenhum dentro da linha do tempo do Radiohead. As músicas parecem ocas. Algumas faixas se apóiam apenas na voz de Thom Yorke, que, convenhamos, não é nenhuma Björk. E a produção, espartana, faz escolhas esquisitas como em "Faust Arp" – o que diabos aquelas cordas estão fazendo ali? E que violão estilo "Garth Brooks" é aquele?

Por isso, é com muita pena que eu digo que o In Rainbows é o Radiohead em um de seus piores momentos. É uma pena mesmo, considerando o contexto inovador do lançamento e a repercussão que teve. Pudesse eu pagar pelo disco depois de ouví-lo e eu não pagaria nem a metade do que paguei.

Harmonic 33 – Extraordinary People

20071204_4Viagens hip-hop inspiradas em soundtracks de antigamente, com uma levada sossegada, samples "amigos" e um eventual clima retrô para acompanhar. Até sua vó poderia gostar de "Extraordinary People" – e, não, isto não é uma ofensa. Pelo contrário!

Aparentemente o Harmonic 33 pertence ao time de bandas como o Nightmares on Wax ou o Lemon Jelly, que fazem discos para descansar as pessoas musicalmente, er, "ousadas". O "Extraordinary People" é uma massagem para os ouvidos estropiados com texturas dissonantes, contrastes exagerados e outras esquisitices. Desce macio e reanima.

E, por incrível que possa parecer, Mark Pritchard e Dave Brinkworth, os produtores do disco, NÃO são dois negões.

Kavinsky – 1986

20071204_2 Este EP segue o mesmo caminho despretensioso do Simian Mobile Disco, com a diferença de que soa mais anos 80, mais música de videogame – o que fica óbvio já a partir da capa.

É uma fórmula batida, eu sei, mas funciona que é uma beleza. Os únicos pecados deste disco são seu tamanho e a similaridade um pouco exagerada com o Daft Punk das antigas. Afinal, uma coisa é usá-los como inspiração, outra é usá-los como… bem, muita inspiração.

Destaque para "Grand Canyon", que parece ter sido tirada diretamente de uma propaganda do Commodore 64.

Telefon Tel Aviv – Fahrenheit Fair Enough

20071204_5 Em Fahrenheit Fair Enough, o nome de disco mais difícil de digitar que existe, o Telefon Tel Aviv fez algo que poderia ser resumido como "caprichado".

As músicas transitam numa faixa bem no meio do digital e do analógico, compondo um eletrônico "des-artificializado", melódico. Texturas acústicas, "normais", navegando entre batidas digitalescas que às vezes parecem estar prestes a ter um ataque de nervos – mas numa boa, sem perder a pose.

O resultado é um disco que, apesar de às vezes pegar emprestada a dislexia e a falta de coordenação de alguns gêneros de música eletrônica (leia-se IDM), acaba produzindo faixas ricas, narrativas, concisas. Como "John Thomas on the Inside Is Nothing But Foam" que, de tão bem concebida, parece uma música do Tortoise.

Compras do mês d’O Primo

Chegou o post que Luiz adora, onde o André só vê as capinhas dos discos e o resto do pessoal passa direto.

Fora o último disco, todo o resto foi comprado na eMusic. Cês viram o Radiohead e o Nine Inch Nails chutando a bunda das gravadoras, né? Pois é. Tou te falando. Daqui a uns 10 anos vocês vão estar todos comprando MP3 online como eu.

Clique nas capas dos discos para visitar a página correspondente na eMusic e dar uma sacada nas amostras das músicas. Ou clique no “play” abaixo:

Podcast do Primo 03 – Compras do mês de setembro

Tracklist
1) Manual – A.M. (0:00 – 2:12)
2) Proem – Sputterfly (2:12 – 4:03)
3) Farben – Beautone (4:04 – 6:15)
4) Isotope 217 – Looking after life on mars (6:16 – 9:00)
5) Oval – faixa 8, sem título (9:01 – 10:31)
6) Worm is Green – Love will tear us apart (10:32 – 12:47)

Manual – Ascend

Manual - Ascend Definição rápida para o som de Manual: é um Proem com guitarras e violões. Só que, possivelmente, só eu conheço Proem por aqui.

Portanto, detalhando, Manual é um eletrônico metade ambient e metade IDM “alto-astral”. É um Lemon Jelly sem vocais, com menos groove, mais reverb e mais sobriedade. A ilustração da capa é proposital, pois é o clima geral das músicas: um fim-de-tarde musical bastante sossegado.

Pela sua característica ambient, Manual não aprofunda muito a complexidade ao longo das faixas e, portanto, rende melhor como música de fundo (aquela que você coloca pra trabalhar ou ler).

Uma observação adicional: na minha ida ao FAD tive a grata surpresa de descobrir o Janete & Claire, duo mineiro que faz um som bem na linha Proem/Manual. Bateu um orgulho “roots” ao ouví-los :). Vale a conferida.

Proem – A Permanent Solution

20071022_2 Depois do Socially Inept, que é uma jóia, eu tinha que ouvir mais alguma coisa do Proem. Mas antes uma explicação técnica:

Pode-se separar discos em duas categorias distintas: os “glower” e os “grower”. Os “glower” (do inglês “glow”, brilhar) são os que te pegam na primeira audição e você adora e ouve até enjoar. Por outro lado, os “grower” (do inglês “grow”, crescer) não dão aquele estalo logo na primeira audição – muitos até parecem ruins da primeira vez. Mas conforme o tempo passa você percebe que o disco vai, gradativamente, ficando bom.

Confesso que o A Permanent Solution ainda está “crescendo” em mim (puta frase gay essa, viu). Mas o que já posso afirmar em relação ao disco é que ele não desenvolve idéias muito diferentes do Socially Inept, tornando-se, portanto, “mais do mesmo”. A diferença mais marcante é uma nota adicional de introspecção, aparente em faixas sem batida que usam instrumentos leves e analógicos (piano, flauta, etc.), introspecção esta que, conforme o final do disco vai chegando, fica um pouco auto-indulgente demais.

Farben – Textstar

20071022_3 Se você não é DJ, deve concordar comigo que a melhor forma de consumir techno é em sets mixados por um DJ. As faixas soam muito melhor coladas entre si, numa sequência infinita de transições de texturas sobre batidas bem marcadas. Afinal de contas elas foram feitas pra isso.

Só que de vez em quando aparece alguém que faz um disco multi-utilidade, servindo tanto pra colar num mix e ser dançado quanto para ouvir quietinho, sentado num sofá. É o caso de Textstar, do prolífico produtor Jan Jelinek.

Jelinek parece entender mais do que ninguém a razão do minimal techno ser tão bom: a sua característica analítica, de mostrar mais conteúdo e sofisticação com cada vez menos som. E ele parece entender também o porquê do techno propriamente dito ser bom: a música tem que ter um caráter, uma idéia, uma atmosfera que a coloque acima do tuntistum tradicional. Textstar – lançado apenas em CD, coisa rara para produtores de techno – tem tudo isso em abundância.

Outros discos comprados mas que não vou reviewzar com tanto detalhe:

Isotope 217 – Utonian Automatic – Comprei porque é da Thrill Jockey e é de uma banda “irmã” do Tortoise. O “Utonian Automatic” contém a mesma alma de jazz e toda a parte de “guitarras pós-rock” que o Tortoise usou no TNT e no Standards. Se você não suporta esse tanto de eletrônicos que eu fico colocando aqui, vá de Isotope. Mas passe antes pelo Tortoise.

Oval – Ovalcommers – A grande vantagem do Ovalcommers é que ele parece muito com “So” – feito pelo Markus Popp (Oval) e Eri (Microstoria), e que é um dos melhores discos da minha coleção. Mas, alto lá: se você não for um “iniciado” em bizarrices eletro-acústicas vai achar o Ovalcommers “um monte de barulho” e o So “um monte de barulho”. Já eu definiria o monte de barulho como “um delicioso paradigma musical”.

Worm is Green – Automagic – É melancolia eletrônica entremeada por belos vocais femininos. E ainda tem um cover de “Love will tear us apart” que é de chorar.

Cesar de Melero – Clap your hands vol. 2 – Bethania esteve na Europa mês passado e, ao passar pela Espanha, não conseguia decidir o que trazer para mim de lembrança. Aí entrou numa loja de CDs e decidiu trazer pra mim a coisa mais esquisita que encontrasse. É por isso que eu amo minha esposa 🙂

Cesar de Melero é um DJ, e “Clap your Hands” é um CD duplo mixado. E eu não sei definir que diabo de música esse cara mixou. Parece “disco house de brincadeirinha” – as músicas parecem saídas diretamente dos anos 80, tem aquela cara de amadoras, os vocais são simplinhos, as letras cantadas são óbvias (“move your feet, get on the dance floor”, etc) e o nome dos artistas das faixas mixadas são… er, bem, veja só, temos “DJ Weight Problem”, “Frank Chickens”, “El General”, “Manu Dibango” e por aí vai. Tem como não gostar de um disco desses?

eMusic agora também vende audiobooks

A eMusic, minha loja de MP3 predileta, estreou hoje uma seção nova de audiobooks, com aproximadamente 1.000 títulos a partir de US$ 9,99.

O preço está nos padrões eMusic, ou seja, barato pra carvalho. Segundo um artigo do NY Times:

"The Audacity of Hope", lido por seu autor Barack Obama, custará $9,99 na eMusic, contra $18,99 na iTunes. O preço de varejo para a mesma versão em 5 CDs é $29,95.

Outra coisa que está nos padrões eMusic é a falta de DRM. Os audiobooks são em MP3, sem proteção nenhuma.

Obviamente, os audiobooks estão em inglês. Aqui no Brasil, numa pesquisa rápida, encontrei apenas dois sites de audiobooks em português: o Voolume e o Audiolivro.com. Ambos vendem com DRM, o que é bem chato. O Voolume tem a chatice adicional de vender em WMA, que é incompatível com o iPod. Os preços giram em torno dos R$ 15.

Compras do mês d’O Primo

Sim, eu comprei tudo na eMusic e continuo achando que você também deveria. E, sim, eu também fiz um “mini-podcast” com músicas de cada um dos discos, pra você ouvir enquanto lê. Aperte o play aí embaixo e seja feliz.

Podcast do Primo 02 – Compras do mês de Agosto

Tracklist
1) Girl Talk – Cleveland, Shake (0:00-3:38)
2) M.I.A. – Boyz (3:39 – 6:57)
3) Lusine – The Stop (6:58 – 10:32)

Girl Talk – Unstoppable

Capa do ‘Unstoppable’É engraçado: eu me lembro perfeitamente de, alguns meses atrás, ter dado uma olhada no “Night Ripper”, o disco mais novo do Girl Talk. Na época minha opinião foi algo parecida com “ah nem” e eu deixei o disco passar batido.

Agora, todas as (muitas) repetidas vezes em que eu escuto o Unstoppable, eu me pergunto como diabos não percebi o quanto a música desse cara é genial.

O processo criativo de Gregg Gillis é totalmente Frankenstein: as músicas são mashups, construídos com zilhões de samples de outras músicas. E é exatamente aí que a diversão começa: ele sampleia desde os píncaros da Billboard (50 Cent, Beyoncé, Justin Timberlake, etc.) até clássicos dos anos 80 e 90, e também obscuridades como Christian Fennesz ou – Deus que me perdoe! – Pixies. E o bicho que sai dessa mistureba toda pode ser definido com apenas uma palavra: divertidíssimo.

Tudo na música de Girl Talk evoca diversão. Desde a batida freneticamente acelerada até a distorção proposital dos vocais e a mistura de trechos da letra de um com a letra de outro formando combinações inimagináveis e bem-humoradas. O resultado final é extremamente diferente dos originais, mas continua sendo estranhamente familiar, porque, afinal, ali no meio daquela bagunça toda tem músicas que você, com certeza, já ouviu antes.

É daí que nasce outro aspecto divertido do Unstoppable: o de reconhecer os samples que Girl Talk usa. Para os viciados em música (como eu) é muito legal botar Cleveland Shake pra tocar e pensar: “ei, esta guitarrinha é do começo de Celebrity Skin!” (do Hole). E logo na sequência vê-la misturada com vocais que dizem “Shake that ass! Bitch here let me see what you got!”. Bem, eu, pelo menos, racho de rir.

Girl Talk consegue operar o milagre de transformar porcarias pop em música da melhor qualidade.

M.I.A. – Kala

Capa do ‘Kala’, de M.I.A.Pela popularização de M.I.A. depois do primeiro disco, e o consequente networking advindo desse sucesso, eu estava esperando que Kala fosse vir empesteado de participações especiais. É a maldição do “featuring”: avacalhou com o Daft Punk, matou e enterrou Fatboy Slim (lembram das músicas com a Macy Gray, que desastre?), deu um soco no rim dos até então inatacáveis Chemical Brothers…

Kala, felizmente, tem só três participações especiais: Timbaland (ugh!), Afrikan Boy e The Wilcannia Mob. Elas passam rápido e não obscurecem a verdadeira qualidade de Kala, que é, obviamente, a própria M.I.A.

A moça está cada vez melhor. Boyz, a terceira faixa, é a prova cabal disso: tudo que M.I.A. precisa fazer para cativar o ouvinte é cantar “boys, eh!”. Acho que eu nunca vi tanto talento vocal em tão pouca letra. A produção do disco praticamente não mudou e continua lo-fi, multifacetada e com a quela cara de “foi feito no meio da rua” – o que é bom.

Lusine – Serial Hodgepodge

Capa do ‘Serial Hodgepodge’, do LusineDefinir o som de Lusine é difícil. Pense numa atmosfera entre o Boards of Canada e o minimal, tocando sobre uma base rítmica que transita entre o soul do Nightmares on Wax e o house do Basement Jaxx. É mais ou menos isso que este produtor de Seattle anda fazendo.

Esse trânsito amplo entre o som ambient intimista e o house mais largado faz com que o Serial Hodgepodge funcione tanto como música de fundo – pra ouvir no trabalho, por exemplo – quanto música “de frente”, aquela que você ouve atentamente, com um par de fones, consumindo todas as nuances, as viradas, as mexidas de textura, etc.

Do ponto de vista criativo, não tem nenhuma novidade no trabalho de Lusine. Nada é inédito, nada é inovador: é tudo mais do mesmo. E é justamente por isso que o disco é bom, pois funciona perfeitamente naqueles momentos onde você quer descansar o ouvido com sons familiares, de qualidade e que nem sempre requerem sua total atenção.

13 excelentes recursos online para descobrir novas bandas

Blogs sobre música

17dots – É um blog do pessoal da eMusic, minha loja de música online predileta. É atualizado com muita frequência e comenta a maioria dos lançamentos do site. O blog é “não oficial”, então nada impede que os editores desçam o pau nas bandas ruins ou ignorem os lançamentos pouco importantes, portanto pode ir com fé que as opiniões são imparciais.

Lúcio Ribeiro – Tem gente que detesta o cara, tem gente que idolatra o cara. Eu não dou a mínima pra essas rixas, mas presto bastante atenção nas bandas que ele menciona, pois ele usualmente está à frente de tudo que é hype. Uns são horríveis (vide Cansei de Ser Sexy), mas muitos são bem interessantes.

London Burning – Primeiramente tenho que citar que eu detesto o editor do site, o Luciano Viana. Ele é um babaca metido a fodão. Pra provar que não é implicância minha, acesse o site e veja a frase que ele deixa lá em cima, no topo do cabeçalho do site.

Egos inflados à parte, nada impede que eu faça uma visitinha ao seu site de vez em quando (hehehe). Principalmente na virada do ano, época das famigeradas listas de “Top 100”.

Fail – É de um paquistanês doido. Todos os lançamentos que ele comenta são eletrônicos experimentais obscuríssimos, ou seja, uma delícia.

Networking Social Musical

Last.fm – É a maior meca musical da Internet. Acho até que todo mundo deveria, diariamente, rezar ajoelhado e virado para Londres, onde o site fica hospedado.

Para recomendações esporádicas, vale usar a rádio streaming do site. Você digita um artista de sua preferência e o Last.fm monta um playlist baseado em artistas/bandas semelhantes. Mas o lado “social” do site é o mais legal: usando um plugin que manda todas as músicas que você ouve no computador (ou no seu iPod) pro site, ele casa seu gosto musical com o de outras pessoas e gera as recomendações musicais mais personalizadas que já vi.

eMusic – Sim, além do blog que mencionei ali em cima, o próprio site da eMusic é um achado. Mesmo que você vá “adquirir” seus MP3 por meios cuja legalidade é questionável, a visita vale o boi só pra ouvir umas amostras das músicas, dar uma sacada nos “similar artists” das bandas que você curte, etc.

Como se não bastasse, o eMusic tem também “dozens” – listas de 12 discos criadas em volta de um tema. Dá pra perder horas achando coisas legais nestas listas. Tem dozens sobre gêneros musicais (como a de microhouse/minimal techno ou a de pós punk inglês), tem dozens criadas por artistas (como a de Sam Prekop, do The Sea and Cake)…

Orkut – Antes de torcer o nariz (“Aargh! Orkut não!!”), faça uma visita nas comunidades das bandas que você gosta. Quando o bate-papo nelas é bom, rola de descobrir coisas boas e similares. Um exemplo: Foi na comunidade do Godspeed You! Black Emperor, num tópico sobre projetos paralelos da banda, que descobri Explosions In The Sky, Set Fire to Flames e A Silver Mt. Zion.

Podcasts

XLR8R – O melhor podcast do meu iTunes. É bem alternativão e às vezes puxa muito pro lado do hip-hop/rap, mas frequentemente revela algumas pérolas: foi por ele que descobri Daedelus e J Dilla, por exemplo. E as músicas do podcast da semana ficam disponíveis pra download, de grátis, no site.

Banana Mecânica – Esse é brazuca. Muito bom para saber o que anda rolando fora do mainstream brasileiro, embora o podcast também inclua umas bandas gringas de quando em vez.

Outros

Musicovery – É uma rádio streaming que tem uma bela interface e um jeito muito criativo de dar sugestões musicais. Você escolhe os gêneros musicais que prefere e, usando um gráfico cartesiano (é sério!) marca se quer músicas mais calmas, energéticas, tristes ou alegres. Dá pra escolher também se você quer velharias ou coisas mais novas, hits ou não hits. A qualidade do áudio para a versão free do site é bem chinfrim, mas se o que interessa é descobrir bandas, ele dá pro gasto.

YouTube – Vale praqueles momentos onde você só quer saber como diabos é o som daquela banda que você vive ouvindo falar mas nunca se dispôs a baixar um disco e conferir. O “VocêTubo” normalmente tem um clipe ou um pedaço de show ao vivo do artista/banda que você procura.

Sites das gravadoras – Este é um estágio mais grave de vício musical: depois de descobrir de quais bandas você mais gosta, chega o ponto onde você descobre quais as gravadoras que tem mais bandas que você gosta. Eu, por exemplo, que adoro Tortoise, nunca me decepcionei ao experimentar outros artistas da mesma gravadora (a Thrill Jockey). Meus melhores eletrônicos estão em gravadoras que lembro de cabeça: Warp, Tigerbeat… Já Luiz, meu primo, é fã das bandas da Matador

Não negligencie a gravadora das suas bandas, especialmente se ela for mais alternativa/obscura/independente. Às vezes eles tem preciosidades escondidas…

Outras listas com recursos online para descobrir músicas que são muito melhores que os meus – Não gostou das minhas sugestões? Ora, vá pra… esta lista do Mashable com 90 itens (!!) e seja feliz.

Ah, e me conte nos comentários o que você faz pra achar bandas novas.

Chorando descontinhos online

A cada dia que passa eu me encho de razões para gostar ainda mais da eMusic, minha lojinha de MP3 predileta.

Desde o ano passado eu era cliente do plano “Plus 65”: 65 downloads por mês a US$ 14,99 (aprox. US$ 0,23 por música, 75% mais barato do que no iTunes). Em novembro de 2006 a eMusic criou planos novos e aumentou os preços mas, por camaradagem, não mexeu nem nos planos nem nos preços dos clientes antigos (meu caso).

Acontece que na semana passada eu cancelei minha assinatura por engano. Percebi o erro e reabilitei minha conta dois dias depois. Só que nesse cancelamento/reativação eu acabei perdendo meu preço antigo, e só consegui me inscrever no novo plano “Plus 75”: 75 downloads a US$ 19,99 (aprox. US$ 0,27 por música).

Você poderia pensar: “Ah, são 10 downloads a mais e cada faixa ficou apenas 4 centavos de dólar mais cara”. Mas eu não queria mais downloads, mesmo porque eles me custariam cinco dólares (dez reais) a mais por mês.

Resolvi mandar um email para eles, explicando o que aconteceu e perguntando se eles poderiam voltar com meu plano antigo. Um dia depois veio a resposta, traduzida abaixo:

Olá,

Obrigado por contactar o serviço de atendimento ao cliente da eMusic.

Sua conta foi transferida para o plano “Plus 65”. A mudança começa a vigorar na próxima data de pagamento. Este plano permite o download de até 65 faixas por $14,99

Obrigado por ser um assinante eMusic!

Atenciosamente,

Alyssa – Serviço de atendimento ao cliente eMusic

Gostei muito da atitude deles. Não só porque vou economizar 120 reais por ano, mas porque eles não tinham obrigação nenhuma de reverter meu plano para o preço antigo – afinal o erro foi meu mesmo. Eles agiram por pura camaradagem e ganharam um cliente tão satisfeito que fez um post deste tamanho só para babar ovo deles.

Enquanto isso, aqui no Brasil, eu só vou enchendo a minha listinha de empresas que me prestaram um atendimento tão ruim que virou post:

Tok Stok – além da política de preços inflexível, teve a cara de pau de me cobrar R$ 1 de “taxa de entrega” para puxadores de gaveta – e esnobou minha reclamação sobre isso;
Oi – me fez ligar para eles cinquenta e duas vezes em oitenta e um dias por conta de uma simples troca de celular;
Ticketmaster Brasil – O pior de todos: cobra 20% de taxa de conveniência (um absurdo!), tem o site mais confuso da internet, tem um suporte telefônico ultrasubdimensionado cujo número de telefone é quase secreto e que ainda é cobrado (R$ 0,30 por minuto), sumiu com um pedido meu, falou que era eu quem tinha cancelado, depois sumiu com meu cadastro, depois disse que o sistema some com os cadastros automaticamente… em resumo, me deu a segunda pior experiência de compra e venda que já tive em toda a minha vida (a primeira foi a do notebook novo, mas essa foi burrice minha mesmo)

P.s.: Se você quiser experimentar a eMusic, fale comigo que eu indico você. Você ganhará 50 downloads grátis e se, no fim, resolver assinar um plano deles, eu ganho 50 downloads também. Agora, me diga: tem como não gostar de um site desses?

Compras musicais d’O Primo

Tudo comprado na eMusic, como de costume. E só os melhores dessa vez, porque comprei muita coisa e não posto sobre meus discos há um tempão.

E, André, pode pular este post 🙂

Asobi Seksu – Citrus

Isso é bom. Muito, muito bom. Imagine My Bloody Valentine com vocais em japonês e em arranjos menos “shoegazer” e mais “The Strokes” e você terá uma leve idéia do rock intenso e agradável que o Asobi Seksu produz.

“Citrus” é o segundo disco deste quarteto novaiorquino que, nos vocais, tem uma talentosa menina chamada Yuki. Ora em japonês, ora em inglês, ela entrega uma performance com um toque “rock grrl” adolescente e, ao mesmo tempo, a segurança de uma cantora com vários anos de carreira. Seus “band mates” fazem um som cuja comparação sonora com o My Bloody Valentine é inevitável. Mas isso não é ruim: não se trata de plágio, e sim de estruturar músicas modernas sobre uma sonoridade que funciona desde que foi inventada nos anos 80/90.

E, pra completar, “asobi seksu” significa… “sexo divertido”. Que beleza!

Colleen – Everyone Alive Wants Answers, The Golden Morning Breaks e Les Ondes Silencieuses


Os Bit Cousins – projeto musical meu e do meu primo – brincaram muitas vezes com uma faixa do Anal Cunt chamada “Windchimes are gay”. Nosso terceiro disco, Poligonal, tem nada menos do que cinco remixes da música. A fixação foi tanta que acabou sendo até mencionada num trabalho sobre música lésbica e gay, publicado na Universidade da Califórnia.

Trabalhos acadêmicos à parte, os windchimes – que são aqueles penduricalhos de metal que você pendura na janela e que tocam ao sabor do vento – são matéria-prima bastante presente nos discos de Colleen. Ela também usa violoncelos, clavicórdios, caixinhas de
música e tudo quanto é coisa que produza sons… delicados. E nos últimos dois meses eu comprei três discos de música feita apenas com estas delicadices.

É que Colleen é muito competente ao trabalhar estas texturas mais suaves. Justamente hoje em dia, em tempos de exageiro nos baixos, com as Pussycat Dolls da vida abusando de sub-frequências graves – aquelas que parecem que vão explodir o seu tórax -, Colleen trabalha no extremo oposto: o dos agudos, das frequências leves, dos harmônicos, da parte do som que é construída para relaxar ao invés de estimular. Nas músicas, as notas são longas, justamente para permitirem que os “restos” do som ecoem com tanta presença quanto as notas em si, já que, melodicamente, as músicas são construídas sem pretensão, sem pressa, apenas passeando calmamente por um lugar sonoro cheio de ressonâncias, ecos e harmônicos.

Pois é, pra vocês verem o que eu, aquele mesmo cara que metia o pau nos windchimes, anda ouvindo…

Além dos discos, a própria vida de Colleen é interessante: ela vive em Paris e passa os dias dando aulas de inglês em um colégio. Em um artigo do site Boomkat ela conta os discos que marcaram sua vida, mostra fotos dos seus CDs e fitas cassete (!?) gravadas na adolescência, conta que não compõe usando batidas por causa de um disco do Autechre (“eles eram tão bons com ritmo que eu decidi não usá-lo em minhas músicas”), que toca seus instrumentos devagar porque não sabe tocá-los bem e que acha o “Isn’t Anything”, do My Bloody Valentine, melhor que o “Loveless”.

Uma nota rápida sobre os discos: Everyone Alive Wants Answers é o primeiro e o mais experimental. Por ser catalogado como música eletrônica (só porque usava samples) acabou impulsionando a carreira de Colleen. Já em The Golden Morning Breaks e Les Ondes Silencieuses, o segundo e terceiro discos, Colleen assume o amor pelas caixinhas de música – às vezes desmanchadas e tocadas com as próprias mãos – e com o violoncelo. O sugestivo título do terceiro disco refere-se às “ondas silenciosas”, produzidas por terremotos prestes a acontecer, e que só são captadas pelos animais.

Lemon Jelly – ’64 – ’95

Há tempos eu procurava alguma coisa boa como Nightmares on Wax: leve, com um bom balanço, fácil de ouvir como música pop mas com tanta substância quanto música independente. Lemon Jelly atendeu direitinho às minhas expectativas.

As faixas de ’64 – ’95 são longas e repetem temas simples, amistosos e com um belo swing, o que provoca ótimos momentos de viagem mental descompromissada. Cada nome de cada faixa começa com o número de um ano, indicando que a música segue a estética da época: o retrô instrumental dos anos 60 e 70, o pop com sintetizadores dos anos 80 e as produções modernas dos anos 90. E o conjunto da obra desce redondo como uma Skol.

Apple esconde informações do usuário nas músicas sem DRM

Nem bem foi lançado e o pessoal do Ars Technica já viu um problema muito, muito sério no iTunes Plus: As faixas “plus” (sem DRM) vem com o nome e o email do usuário que as comprou embutidos no arquivo.

Segundo o artigo, o palpite é que isso seria usado pela Apple para monitorar a “pirataria casual” – aquela cópia ocasional que você faz pra um amigo -, já que o fato de acharem seu nome em músicas que circulam pelas redes P2P da vida não vale como prova suficiente para um processo judicial.

Acontece que as faixas do iTunes que tem DRM também continham o nome de quem as comprava, o que me leva a pensar que tudo pode não passar de um esquecimento da Apple. Imagine só: antes do iTunes Plus, toda e qualquer faixa era “etiquetada” antes de ser entregue ao usuário. E se eles se esqueceram de reconfigurar esta parte do software na hora do lançamento do iTunes Plus?

Update: A coisa é pior do que eu pensava. A EFF achou, além do nome e email do comprador, mais 360 kb de informação oculta nos arquivos. Pois é…


Ainda sobre música online: li hoje no BoingBoing sobre o lançamento da PayPlay, loja de música online que, segundo eles, é “a maior de todas as que vendem MP3”, contendo um acervo de 1,3 milhão de faixas, a maioria de música independente e tal, vendida a US$ 0,88 (MP3 sem DRM) ou US$ 0,77 (WMA com DRM).

Este papo de “maior de todas” é marketing furado do pessoal do BoingBoing, já que a eMusic é maior, com mais de dois milhões de faixas em MP3. E o modelo de negócio da PayPlay parece ser a promoção de bandas minúsculas que se parecem com o que você gosta. Por exemplo, se eu procurar faixas do Nine Inch Nails no site deles, a resposta que obtenho é: “Não temos Nine Inch Nails mas temos 350 álbuns de artistas parecidos com Nine Inch Nails”… e segue a lista de bandinhas iniciantes de bairro que, quando se cadastraram no site, escreveram que “Nine Inch Nails” é uma de suas influências. Arcade Fire também não tem, mas tem 20 bandas “semelhantes”. Tortoise também não, mas tem 73 discos “parecidos”.

“Não temos tênis da Nike, mas temos este da marca ‘Naique’ que também é muito bom”… hmmm, não, obrigdo.

iTunes Plus: é "plus" mesmo?


Hoje de manhã a Apple liberou a versão 7.2 do iTunes. Ela contém correçõezinhas, suporte ao iPod Shuffle de segunda geração e (surpresa!) acesso ao iTunes Plus, a loja do iTunes que vende música sem o famigerado DRM (digital rights management).As faixas do iTunes Plus podem ser copiadas livremente em CDs ou outros MP3 players além do iPod e são gravadas em 256 kbps, o dobro da bitrate das faixas normais, o que significa uma melhor qualidade de áudio.

Isto deveria significar um marco na história do comércio de música online, não fossem as “pegadinhas” por trás deste lançamento. Pra começar, as faixas “plus” são são vendidas a US$ 1,29 – 30 centavos mais caras. E esta “melhor qualidade de áudio”, que até poderia justificar o aumento de preço, gera arquivos com o dobro do tamanho e é imperceptível para a maioria das pessoas normais. Duvida? Faça o teste você mesmo: compare uma música de um CD de áudio normal (equivalente a 1.411 kbps) com um MP3 da mesma música a 128 kbps. Se você não perceber nenhuma diferença, tente comparar as duas faixas usando bons fones de ouvido, em um lugar silencioso, e usando um bom aparelho de som. Ainda assim vai ser muito difícil notar alguma diferença.

(Update: Os caras do Gizmodo fizeram o teste! O veredito? “A diferença foi sutil. Muito pouca – às vezes nenhuma – diferença foi percebida. (…) Se qualquer pessoa alegar poder diferenciar um do outro, eu sugiro um teste cego para ver se consegue adivinhar corretamente em mais de 50% dos casos”)

O que eu quero dizer com essa história toda é que a melhoria de qualidade das faixas “plus” me parece apenas um esquema para justificar os US$ 0,30 a mais, que na verdade devem ser apenas uma transferência de possíveis perdas financeiras (com pirataria ou queda nas vendas de iPods) para o bolso do consumidor. É uma pena.

Agora eu fico na torcida para que a imprensa aproveite a oportunidade pra dar o devido valor à eMusic, o “ilustre desconhecido” segundo lugar na venda de música online. O acervo da eMusic é de mais de 2 milhões de faixas, todas em MP3 sem DRM e muito mais baratas (entre US$ 0,33 e US$ 0,27 por faixa). Eu sou um cliente satisfeito da eMusic há tempos e recomendo pra todo mundo – mesmo porque a loja do iTunes, vergonhosamente, não vende para o Brasil.


eMusic – Minha lojinha predileta.
O lançamento do iTunes Plus ainda não está 100% completo: até hoje de manhã as faixas “plus” ainda não apareciam, mas até o final da semana já devem estar disponíveis. O cliente que quiser pode fazer upgrade das suas músicas para as versões “plus”, pagando os US$ 30 de diferença por faixa.