Posts da categoria ‘filosofia (barata)’


Sutileza

8 de May de 2008, 23:00

Ser enérgico ou autoritário é fácil. Agora, ser sutil - especialmente nas palavras - é uma arte.

Socialmente falando, a sutileza requer uma habilidade mais ou menos parecida com o dos lacônicos - o de colocar conteudo, digamos, intenso em frases ou gestos amistosos. Como meu chefe hoje, ao telefone, explicando que a demora em confirmar se vinha ou não à Brasília semana que vem era por causa da incompetência da agência de viagens:

- É que o cara que marca as passagens de avião está doente, tem uma menina substituindo ele, e ela não é assim muito… versátil.

Sutileza é o que faz música ambient ser boa: outro dia eu comentei no Impop que ambient, normalmente, significa longas faixas de coisa nenhuma acontecendo. Só que no meio da aparente “coisa nenhuma” a música vai, discretamente, se desenvolvendo: novos sons que entram ou saem, notas diferentes, mudanças de cor ou textura do som, etc. A mente tem que se esforçar pra perceber que, sim, existe alguma coisa sendo dita - bem sutilmente.

Ser sutil é roubar a cena de dentro das coxias. Sutileza é daquelas virtudes que eu quero ter quando mais velho…


Razões para ser lacônico

28 de April de 2008, 19:12

“Uma frase curta contém muita sabedoria” - Sófocles

“Lacônico” é aquela pessoa que fala pouco. É o oposto do prolixo, aquele que fala pelos cotovelos (e, eventualmente, por alguns orifícios corporais pouco dignos).

A origem do termo é a Lacônia, região da Grécia antiga cuja capital era - veja você! - Esparta.

20080424
Leônidas era um cara lacônico: pouco papo, muita ação.

Reza a lenda que Felipe II da Macedônia escreveu a seguinte mensagem aos espartanos: “Vocês devem se render sem demora, pois se eu trouxer meu exército às suas terras, destruirei suas fazendas, escravizarei seu povo e dizimarei sua cidadeâ€. A resposta dos espartanos foi, simplesmente: “Se”.

Em tempos de overdose de informação, ser lacônico é muito importante. Todo mundo tem muito pra falar mas pouco tempo pra ouvir, o que gera conceitos curiosos como o do “discurso do elevador“: aquela situação hipotética onde você tem apenas o tempo de uma viagem de elevador (tipo 30 segundos) pra passar a sua idéia fantástica de negócio para um potencial investidor.

Ser lacônico só traz vantagens. Uma delas é que suas idéias sempre caberão nos 140 caracteres do Twitter. E cabe muita coisa em 140 caracteres…

“O diabo é Deus de férias” - @exucaveiracover

Na música os bons artistas sempre dizem mais com menos. Exemplo: “Definitions”, música do Minutemen, tem apenas 1:13 minutos. A letra tem apenas sete frases. Não precisava de mais nenhuma.

They say I got a gun in my hand.
Six slugs, six points of view.
Materialism.

They say I have a book in my hand.
Fifty thousand words, fifty thousand translations.
Idealism.

Ooh, I got a dictionary!

Até mesmo os artistas ruins se beneficiam quando são lacônicos. Pouca gente sabe a letra inteira dos nove minutos de “Faroeste Caboclo”, mas todo mundo se lembra da infame frase: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”.


É tudo uma grande mentira

25 de April de 2008, 9:50

20080425


Mentiras que gostaríamos de ver

1 de April de 2008, 16:23

Mas nada de mentiras clássicas de primeiro de abril, tipo “Bush morreu” ou “iPhone no Brasil mês que vem custando R$ 400″. Pensei em algumas coisas mais elaboradas, como…

20080401
O Orkut entrou rapidinho no espírito de primeiro de abril…

José Simão é demitido da Folha de São Paulo

A partir desta semana o caderno “Ilustrada” não contará mais com a participação do irreverente jornalista, que foi demitido da Folha de São Paulo na última semana. Segundo a editoria do jornal, o motivo da demissão foi um reposicionamento do conteúdo do caderno: “A coluna era boa, engraçada, mas caiu na mesmice. Já deu”, diz um dos editores.

Entre os leitores, a opinião é que, de fato, a coluna havia perdido seu brilho: “Já era hora, o repertório de piadas dele acabou. Eu lia a coluna e via um monte de piadinhas que já circularam por email”, diz um leitor. “Ele alardeava o Brasil como ‘o país da piada pronta’ e ele mesmo era o colunista da piada pronta”, acrescenta outra leitora. José Simão não foi encontrado para dar entrevista, mas um amigo próximo, Antonio Tabet (ex-Kibe Loco, hoje também desempregado) informou que ele está tentando retomar a carreira na revista Caras.

20080401_2
No YouTube, você clica em qualquer vídeo “featured” e leva um Rick Roll!

Fim do imposto de importação começa a valer nesta terça

Os produtos importados, normalmente tributados em 50% do seu valor quando entram no país, ficam mais baratos a partir de hoje.

A medida é resultado da reforma tributária, aprovada em sessão histórica do Congresso no mês passado. O consumo de eletrônicos importados, CDs, DVDs, perfumes e vários outros itens deve aumentar, mas isto não é preocupação para o Ministério da Fazenda que incluiu, no novo pacote tributário, uma série de medidas para consolidar o fortalecimento do mercado interno brasileiro. Segundo o ministério, “os importados já não são mais uma ameaça. A alíquota de 50% era claramente protecionista e era necessária para um país ainda sem condições de competir num mercado mundial. Mas hoje o cenário é diferente, o amplo superávit da balança comercial - e a maturidade da indústria brasileira - permitem essa abertura”.

20080401_3 
Lançado hoje, o “Custom Time” do GMail permite mandar emails com hora marcada. Inclusive horas que já passaram.

Chegam ao mercado novas baterias de lítio-íon, com carga até 50 vezes maior

Os primeiros produtos com a nova geração de baterias de lítio-íon, que duram até 50 vezes mais que as comuns, começaram a ser vendidos hoje. Laptops com as novas baterias podem funcionar por até uma semana e celulares podem ficar até oito meses sem precisar de recarga.

As novas baterias são fabricadas por um processo onde as moléculas do núcleo são reposicionadas por potentes eletroímas, o que garante que 99% dos íons de lítio armazenem (e produzam) carga elétrica sem perdas de energia por calor. O processo, descoberto por universitários britânicos, foi registrado sob a licença Creative Commons, o que impediu o registro de patentes privadas e fez com que todos os fabricantes pudessem adotar o novo processo em tempo recorde.

As novas baterias também dispararam uma corrida de lançamento de novos produtos eletro-eletrônicos, antes inviáveis pela baixa capacidade das baterias comuns. Entre os lançamentos há desde chuveiros elétricos portáteis para acampamento até pernas robóticas para deficientes físicos.

Aproveite e divida comigo seus desejos de primeiro de abril aí nos comentários…


A regra de ouro do sampling

10 de March de 2008, 15:32

…é a seguinte: Não sampleie músicas melhores do que a música que você está fazendo.

Sabe, isso é tão óbvio, mas só hoje me dei conta. Músicas que usam samples de músicas muito boas tendem a ser uma droga.

É um caso de matemática bizarra, onde o resultado final piora conforme você vai somando músicas boas a ele. Um exemplo: Funky Shit, do Prodigy. A música abre com um sample de Root Down, dos Beastie Boys - com Mike D gritando “Oh my god that’s the funky shit”. Desse instante em diante, meu cérebro passa a ignorar a música do Prodigy e eu só consigo pensar no quanto o Ill Communication é um disco bom…

E o mais legal é que o inverso também funciona: você soma um monte de porcarias que não valem nada e o resultado final pode ficar 10 vezes melhor que as músicas ruins todas juntas. Quer um exemplo? Girl Talk, o cara que joga um monte de maluquices no liquidificador e, no fim, serve o melhor milk shake que você já viu. Ou você acreditaria que “Bounce That”, mostrada no vídeo abaixo, usa samples de Britney Spears, Ludacris + Ciara, Elastica e Stevie Wonder?

(Por sinal esse vídeo aí não é oficial: foi feito por Matthew Soar - professor da Universidade de Concórdia, em Montreal - junto com seus alunos, como contribuição para o Open Source Cinema Project. Ficou duca.)


O que te impede de ser honesto?

7 de March de 2008, 11:53

Toda vez que eu converso com alguém sobre ética eu acabo ficando chateado.

Ontem, na hora do almoço, o pessoal aqui do projeto entrou num papo sobre questões corriqueiras que envolvem honestidade: comprar recibos ou “superfaturar” gastos na declaração do Imposto de Renda, molhar a mão do policial que está ameaçando te multar, etc. E eu tenho uma posição extremamente radical quanto a isso, que é ser absolutamente honesto, a qualquer custo. Se meu IR custar mil reais a mais sem recibos frios, eu pago os mil reais. Se a multa do policial custar R$ 500 e o suborno apenas R$ 10, eu pago os R$ 500. Pior: se o policial ameaçar guinchar meu carro, me deixar a pé e me fazer perder meus compromissos, eu perco o carro, fico a pé e perco meu compromisso sem nem pensar duas vezes. Pra mim, o custo real da desonestidade não são os reais que vou gastar a mais, e sim o custo de saber que eu estou me juntando à massa de idiotas que, dia a dia, fazem o mundo apodrecer.

Não estou escrevendo isso aqui para tirar onda de “sr. retidão moral” nem nada, e sim porque a conversa de ontem terminou aonde todas as outras conversas que tive sobre o assunto terminaram: com as pessoas me dizendo “você tem toda razão mas eu não consigo agir como você”. E por que não? Existe alguma coisa que impeça as pessoas de tomar a decisão certa nestas horas?

Eu não tenho uma resposta para essa pergunta e isso me incomoda bastante, então queria aproveitar este blog pra tentar entender melhor o problema. Nos comentários deste post, me diga: O que te impede de ser honesto?


O mundo se cansou de novidades?

21 de January de 2008, 10:12

Primeiro, uma historinha.

Nunca vou me esquecer da primeira vez em que ouvi "Glass Museum", do Tortoise. Eram 6:30 da manhã de uma terça-feira de 1997. Eu estava sonolento, no meu antigo Fiat Uno, indo para uma aula de natação e ouvindo uma fita cassete do Tortoise que Luiz, meu primo, havia gravado. Assim que parei no estacionamento, "Glass museum" começou a tocar e eu vivi os cinco minutos e vinte e sete segundos mais surpreendentes de toda a minha vivência musical. Aquilo era absolutamente lindo, diferente, inusitado, tocado de uma maneira que eu nunca havia visto antes.

Tortoise virou uma das minhas bandas favoritas. Glass Museum virou uma das minhas músicas favoritas. Só que aí veio o século XXI e, com ele, uma horrível tendência que vou explicar abaixo.

20080117

Na foto da esquerda, o barbudo com a mocinha é Prabhu Deva, astro da música pop indiana que ficou bastante conhecido no Brasil por causa do clássico vídeo legendado "Rivaldo sai desse lago".

A foto da direita NÃO é uma cena do mesmo vídeo, e sim do vídeo da campanha de lançamento da Coca Cola Clothing que foi, obviamente, inspirado no clipe de Prabhu Deva. Parece que essa é a estratégia da Coca-cola: ao invés de vídeos inéditos, clipes "inspirados". Ou você não se lembra daquele comercial que é igualzinho o jogo Grand Theft Auto?

Mas a inspiração alheia não está só nos comerciais. Zapeando na TV outro dia, dei de cara com um programa da MTV chamado "Fist of Zen" - uns caras numa mesa de biblioteca disputando provas bobas estilo "jackass", só que em silêncio, sem poder rir. As chamadas do Fist of Zen alardeiam com todas as letras: "It’s brand new" (é inédito), mas no instante em que vi o programa me lembrei do vídeo de um game show japonês exatamente igual e que eu havia assistido muito tempo antes.

20080117_2

Agora vamos dar uma olhadinha nos 10 filmes que mais deram dinheiro em 2007, segundo a Wikipedia:

  1. Piratas do Caribe: no fim do mundo (terceira continuação de uma franquia) 
  2. Harry Potter e a ordem da Fênix (quinta continuação de uma franquia adaptada de um livro)
  3. Homem-Aranha 3 (terceira continuação de uma franquia inspirada em quadrinhos)
  4. Shrek Terceiro (terceira continuação da franquia)
  5. Transformers (inspirado em desenhos animados/quadrinhos)
  6. Ratatouille
  7. Os Simpsons (Inspirado na série de TV homônima)
  8. Eu Sou a Lenda (terceiro remake inspirado em um livro - pois é, eu também não sabia)
  9. 300 (Inspirado em quadrinhos)
  10. O Ultimato Bourne (terceira continuação de uma franquia)

Olhe bem a lista. Temos 5 continuações. Temos também 6 filmes de livros, desenhos animados ou quadrinhos. Temos apenas UM filme 100% original, com personagens inéditos e roteiro inédito (em 1997 eram seis originais, apenas duas continuações e apenas um filme inspirado em quadrinhos).

Em 2008 a coisa não deve mudar muito:

Espera-se para 2008 outra batalha das continuações, conforme muitas franquias lançam novas edições, incluindo: As Crônicas de Narnia, Indiana Jones, O Incrível Hulk, A Múmia, Batman, Hellboy (…) Rambo, 007, Jogos Mortais, Madagascar, Harry Potter, Star Trek e Arquivo X.

Fora as continuações, temos entre os lançamentos deste ano… er… Speed Racer, Homem de Ferro, Sex And The City, Dragonball, Scanners

Na música - surpresa! - a mesma coisa acontece. Exemplinhos:

  • Bandas novas que repetem fórmulas antigas. Um exemplo que eu gosto de dar é o Wolfmother. É tipo um xerox mal feito do Black Sabbath. O vocal é igual, os riffs de guitarra são iguais… só falta o vocalista comer uns morcegos no palco.
  • Músicas feitas em cima de músicas. Não estou falando de usar samples de outras músicas e sim de pegar faixas inteiras, cantar por cima e chamar de música nova. "Pump it", sucesso dos Black Eyed Peas, nada mais é que o famoso tema de abertura do filme "Pulp Fiction" com um vocal idiota diferente. Kanye West fez a mesma coisa em Stronger, cuja base é Harder Better Faster Stronger, do Daft Punk. Não dá pra chamar essas músicas de novas, mas ainda assim o público adora.

E então acho que podemos chegar à uma conclusão: o público em geral está curtindo bastante essa onda de "mais do mesmo" - rever personagens antigos, histórias conhecidas, sons familiares, etc. A indústria do entretenimento sacou isso e adorou, pois a aceitação pelo público é mais fácil e a "reciclagem" de conteúdo é mais rápida/barata/fácil do que criar do zero.

Olhando assim parece que todo mundo sai ganhando, mas no longo prazo eu fico preocupado. Afinal, aquele espírito de ignorar convenções e fazer o que ninguém havia pensado (ou ousado) fazer é o que gera obras-primas na música, no cinema e nas artes em geral, e este espírito está ficando pra escanteio.

Será mesmo que as novas obras-primas do século XXI vão nascer de "remastigações" de criações antigas? Os caminhos que os novos artistas vão trilhar serão os mesmos dos artistas de hoje, que por sua vez são os mesmos de algumas décadas atrás? Será que vamos mesmo começar a andar em círculos ou alguém vai se dispor a continuar "audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve"? (Pelo visto não, já que, ironicamente, até Star Trek também sera re-re-relançado no cinema em 2008).

Isso me deixa triste. Porque uma das coisas que mais gosto é da sensação fantástica de ser surpreendido por alguma coisa inédita, inovadora. Lembram de "Glass Museum", do Tortoise? Pois é.


A produtividade escondida atrás das persianas

10 de January de 2008, 23:18

20080110_2

Sabe, o crescimento do lado "corporativo" do mundo é uma coisa engraçada.

Primeiro, porque o "crescer" desse mundo é medido numa dimensão só: a do dinheiro. Não se engane: essa mistureba de nomes complicados que você vê no caderno de economia, como "market share", "EBITDA", "exigível de longo prazo", é tudo dinheiro disfarçado.

O dinheiro é onipresente. Tanto que até "tempo é dinheiro" (hmmm, alguém devia ter contado isso para Einstein). Para as empresas vale a regra simples do "quanto mais, melhor" e vira tudo uma corrida maluca pra se ver quem diabos consegue fazer mais dinheiro do que o outro. Afinal, grana é o sangue do capitalismo, e ele precisa continuar circulando. E o principal responsável por bombear este sangue é o mercado de trabalho - nome chique que significa, simplesmente, "você".

Sim, você mesmo aí, sentado no escritório e lendo este blog em vez de trabalhar. Como é você que faz dinheiro aparecer, a preocupação número 1 do seu chefe é a sua produtividade.

Essa preocupação é tradicional: no começo do século, como não existia televisão e dava muito trabalho arrumar uma mulher para fazer sexo, Frank Gilbreth passava o tempo olhando os pedreiros construindo paredes, com seu cronômetro na mão. Aí ele descobriu que eram precisos apenas 5 movimentos para botar um tijolo na parede - e não 18, como os pedreiros faziam. As paredes passaram a ser construídas mais rápido, os pedreiros se cansavam menos e - adivinhe! - muita gente ganhou dinheiro. Inclusive Frank, que montou uma empresa de consultoria para ficar famoso e pegar mulher ganhar ainda mais dinheiro.

Hoje em dia já temos TVs de plasma e muito menos camadas de roupa para serem retiradas na hora do sexo, mas os chefes jamais vão parar de se preocupar com a produtividade. Teses de mestrado são escritas sobre isso o tempo todo. Pesquisadores tentam descobrir tudo que possa impactar sua eficiência - incluindo o tempo que você passa na sua sala ou até a temperatura do ar condicionado. Empresas arrumam um professor de educação física pra aparecer de repente, te mandar levantar da cadeira, botar um CD da Enya e fazer um alongamento - pra que suas juntas não apodreçam e você tenha que ficar em casa, se recuperando impactando os indicadores de produtividade do setor.

Só que, em algum momento da história, algum chefe idiota deve ter achado que o segredo da eficiência estava em proibições e limites: Pausas para descanso de apenas cinco minutos. Internet liberada só na hora do almoço. Atrasos descontados em folha. Advertências por escrito para telefonemas pessoais no telefone da empresa, etc. A produtividade, então, parou de cair (e, também, de subir, mas isso ninguém viu). A conversa da hora do almoço ou de sexta-feira no boteco passou a incluir assuntos do tipo "tou trabalhando feito uma mula", "meu emprego tá um saco" e por aí vai. A reclamação generalizada passou a reforçar a cultura de que trabalho é ruim.

Além disso, alguns destes funcionários, com o tempo, também viraram chefes, diretores e presidentes de empresas, e passaram a repetir a dose de limitações e proibições em seus subordinados - não por perversidade ou vingança, mas porque, para eles, é assim que "tradicionalmente" se mantém a produtividade da equipe.

Todo ano eu passo por um porção de empresas diferentes, com diversas temperaturas no ar condicionado e diversos níveis de restrição no firewall. E, esta semana, enquanto me reclinava numa cadeira ergonômica, eu notei que existe um fator que influencia bastante na minha produtividade: janelas.

Isso mesmo. Janelas.

20080110Dias de trabalho em uma sala sem janelas me deixam desanimado. Eu termino o dia exausto e produzo pouco. Claro que minha eficiência não depende apenas da janela - o horário em que estou trabalhando também influencia bastante. Já falei disso aqui no blog: eu funciono mal de manhã e produzo feito louco à noite (este parágrafo, por sinal, está sendo escrito às 23:05). Mas algumas empresas, para meu azar, mandam o expediente começar no horário desumano de oito da manhã.

Outro fator importante na minha produtividade é poder ouvir música no trabalho. Na época em que trabalhei como analista de sistemas em um banco, fui advertido pelo chefe umas duas vezes porque eu insistia em usar meus fones de ouvido, o que era proibido. Mas eu não conseguia resistir, uma boa música ao longo do dia me fazia falta. Muita falta. O que, finalmente, nos leva à conclusão dessa papagaiada toda…

Não há problema nenhum no fato da empresa querer ganhar dinheiro espremendo o máximo de produtividade dos funcionários. É assim que o capitalismo funciona. Quem não gostar, que vá pra Cuba ou (daqui a alguns anos) pra Bolívia. O problema real está no fato da empresa querer que as pessoas produzam do jeito que ela acha que é certo.

As empresas atuais, moderninhas, globalizadas e cheias de nove-horas, deveriam saber que, quando pagam um salário, não estão comprando horas de atividade de uma pessoa, e sim um resultado. Todo e qualquer funcionário deveria ser cobrado somente por resultados. Afinal , é isso que, no fim, dá dinheiro. E daí se o funcionário dá resultado trabalhando de madrugada, só de cueca, ouvindo heavy metal e conversando fiado no MSN? Para o empregador, nenhuma. Mas para o empregado, isso faz muita diferença.

Acho que não preciso explicar que isso não vale para todo tipo de trabalho. Alguns, naturalmente, impõem restrições: afinal, ninguém quer ter que ir a um banco às duas da manhã e, além disso, encontrar o caixa usando apenas cuecas e uma camisa surrada do Iron Maiden. De fato, especialmente em atividades como estas, que requerem "limitações" como horário fixo e roupas que cubram devidamente as partes íntimas, as empresas deveriam se preocupar ainda mais se os funcionários estão tendo as condições que precisam para dar resultado. Afinal, a produtividade só aumenta de verdade quando o funcionário sente-se à vontade para ter vontade de produzir.

Atualmente isto parece encoberto por uma cultura de que trabalho é apenas uma ralação chata a que todo mundo se submete pra poder ter dinheiro no fim do mês. Perdem-se as perspectivas e sobra pouquíssima gente trabalhando porque gosta, ou porque vê a utilidade do que faz pro bem geral. Enquanto isso, as empresas ficam batendo cabeça e tentando criar uma "vontade falsa" de trabalhar - a chamada "motivação". É clássico: as empresas tentam motivar o funcionário dando a ele tudo quanto é tipo de coisa - menos um MOTIVO para trabalhar.

Bem, é isso. Acho que nunca escrevi um post tão grande por aqui. Ainda tem muito assunto fervilhando na minha cabeça, mas vou ter que parar por aqui já que, infelizmente, meu expediente de amanhã começa às oito. E com uma reunião numa sala sem janelas.


Post de natal

21 de December de 2007, 10:09

Não, este ano não vai dar tempo de fazer um novo. Então vou reciclar um post que fiz em 2005 mas que continua pertinente, e que falava de uma antiga campanha que levantei…

Daqui a algumas horas as pessoas vão começar a rotina natalina: se empanturrar na ceia, trocar “lembrancinhas” e tal. Eu já não estou tão “xiita” quanto antes em relação aos costumes natalinos, mas continuo achando a forma de comemorar o natal muito ridícula.

Os argumentos são velhos conhecidos: O consumismo da época, a simbologia que é usada no hemisfério norte (neve, pinheiros, etc) e que fica patética sendo usada no clima tropical do Brasil, a onda de boa-vontade assistencialista que dura só um dia, e tudo o mais.

Mas eu estou mais velho e já não fico mais batendo boca com os outros por causa disso - afinal, eu não vou mudar o mundo mesmo. Por isso, ao invés de ficar só reclamando, vou sugerir uma outra coisa para a noite de natal: dar os parabéns ao aniversariante.

Na noite de natal, tire dois minutos do seu tempo para rezar. Lembre-se do cara honrado que foi Jesus, e que este dia existe é por causa dele, não do Papai Noel. Feche os olhos por pelo menos uns instantes e tente encontrar um pedaço de Deus dentro de você - porque rezar é isso.

Uma boa oração vale muito mais do que você imagina.

E feliz natal para quem leu este post. Feliz natal para vocês, leitores…


Santos Dumont, pai da aviação?

27 de August de 2005, 10:50

*PÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ* Resposta errada!

Dependendo do critério, o primeiro a voar pode ter sido Alexander Feodorovich Mozhaiski, russo, em 1884. Vale lembrar que Dumont voou em 1906…

Segundo a Wikipedia ainda tem uma pá de gente que alega ter voado antes de Santos Dumont, inclusive os famosos Irmãos Wright, em 1903.

Quem levantou a bola foi um post do No Mínimo sobre o assunto. Engraçado que várias vezes eu me peguei com essa mesma dúvida, imaginando por que diabos o mundo nunca deu crédito a Santos Dumont pela invenção.


« Posts anteriores