Posts da categoria ‘Internet’


O fim de um relacionamento

24 de julho de 2009, 18:44

Lembra da minha “lojinha de MP3 predileta” da internet, a eMusic, que tem até uma categoria de posts nesse blog e era onde eu comprava (sim, COMPRAVA) todas as minhas músicas? Minha relação com ela deu uma guinada e passou de namoro intenso para divórcio azedo, daqueles com advogados, porta na cara e agressividade velada.

Começou com um acordo que ela fez com a Sony (e que provocou um aumento de preços) e culminou nisso aí embaixo:

 emusic

Então é isso, indústria fonográfica. Já que você está PEDINDO pra eu baixar música no torrent, é isso que eu vou fazer.


Manhê, olha eu na velha mídia…

13 de julho de 2009, 12:07

 tidigital1

Isso aí é a Revista TI Digital de julho, cuja matéria de capa são as APIs. Como meu filho querido (o Blablabra) usa várias delas, a matéria contém uma breve entrevista comigo e um tutorialzinho que montei sobre a API do Google Chart, que o Blablabra usa pra montar seus gráficos.


Uma internet cada vez mais síncrona

4 de junho de 2009, 14:34

O boom do Twitter, o (atualmente meio esquecido) YouTube Live, e agora o Google lançando o Google Wave deixam uma tendência bem óbvia no mundo online: conteúdo cada vez menos assíncrono e cada vez mais em tempo real.

Pensa bem: antes o conteúdo ficava lá guardado, parado num site, numa caixa postal ou num agregador de RSS, esperando a hora que você quisesse acessá-lo. Claro, haviam os instant messengers, mas eles sempre pareceram estar meio à parte do resto. Agora você tem experiências como as transmissões do Roda Vida, da TV Cultura, na internet, com sua tela subitamente mostrando vídeo ao vivo num canto e, no outro, os comentários feitos numa sala de chat e no Twitter, pipocando na tela conforme vão nascendo. E o que passa a valer é não somente o conteúdo, mas o conteúdo entregue na hora em que é gerado.

Claro que uma tendência ao “tempo real” é convenientemente boa pra quem ganha dinheiro com a internet, afinal te obriga a ficar menos “multitarefa” e mais tempo atento ao que acontece – e a um eventual anunciozinho enfiado ali no meio. Mas eu não duvido nada que a própria velocidade do mundo (corporativo, social, whatever) comece a puxar a fila do tempo real. Logo logo, aquelas trocas de emails vão ser consideradas lentas e ser rapidamente substituídas por alguns tweets ou uma sessão de edição colaborativa no Google Wave.


Hábitos televisivos d’O Primo

12 de maio de 2009, 13:40

Última vez que liguei a TV e vi um programa inteiro da TV aberta: ANOS atrás.

Última vez que liguei a TV e vi um programa inteiro da TV a cabo: MESES atrás.

Última vez que liguei a TV e vi um programa inteiro baixado da internet: sexta passada. Era o último episódio de Lost. E hoje é dia de ver 24 Horas e House.

Última vez que liguei a TV e zapeei e/ou vi parte de um programa da TV aberta: ANOS atrás.

Última vez que liguei a TV e zapeei e/ou vi parte de um programa da TV a cabo: SEMANAS atrás. Possivelmente foi um pedaço de algum Mythbusters.

Última vez que zapeei e/ou vi parte de um vídeo na internet: Err… diariamente? :)

Nome de cinco novelas que passam atualmente na tv aberta (de cabeça, sem olhar no Google): Err… Favorita ainda passa? Não, né? Agora é aquela das índias, acho que é Caminho das Índias. Tem a dos mutantes na Record, mas não lembro o nome. Ah, e tem “Caras e Bocas”, e… ok, desisto.

Nome de cinco sites de vídeo online (de cabeça, sem olhar no Google ou nos bookmarks): YouTube, Vimeo, Dailymotion, Joost (que agora é site, e não software), o brazuca Videolog, o CollegeHumor que inclusive produz vídeos, e ainda lembrei aqui do Hulu (que não funfa no Brasil) e do VideoSift, que é um agregador de vídeos populares em vários sites.

Conclusões:

1) Não sei por que ainda não cancelei minha TV a cabo.

2) Como todo império, o da TV está, sim, em franco declínio.

3) Considerando que o império da TV durou, sei lá, uns 50 anos, é possível que eu ainda esteja vivo quando o império da internet começar a ruir. Porque, sim, um dia ela vai ruir, é a sina de todo império.

4) …e eu vou ADORAR poder ver o que virá depois da internet.


5 coisas que você talvez não saiba sobre o Twitter brasileiro

6 de maio de 2009, 10:44
  • Não existem números oficiais sobre a quantidade de gente no Twitter, especialmente no Brasil, mas posso afirmar, com toda a certeza, que mais de 89 mil brasileiros usaram o Twitter nas últimas duas semanas.
  • O brasileiro mais tagarela do Twitter é a @crispassinato, que foi quem mais tuitou nas últimas semanas. Outros usuários adeptos da verborragia, com tweets sendo enviados às centenas, são o @andrepelotas, @nomeaosbois, @icnunes, @jubakun, @__NaH__ e o pessoal do @programapanico.

Abelardo Danger

  • Entre os maiores twittadores brasileiros tem um cara do Rio Grande do Norte, um tal Abelardo Danger (@1milhao), que quer chegar a 1 milhão de updates. Ontem ele estava postando cúmulos, tipo “O cúmulo da rebeldia é morar sozinho e fugir de casa”, e vários são repetidos . Mas falta muito pro Abelardo, coitado: até agora ele tem só 20 mil updates.
  • Parece que o brasileiro ADORA ver TV e tuitar. Os programas noturnos que atingem o público mais jovem sempre aparecem no topo do ranking de assuntos mais comentados: segunda à noite só se fala em CQC, terças e quintas é O Aprendiz, domingo o Fantástico vira o assunto da hora, em dia de futebol só se fala do jogo e por aí vai.
  • Assim sendo, como era de se esperar, os usuários mais retuitados são os que tem programa na TV, como a Rosana Hermann (@rosana), que tem média de 51 retweets/dia, ou a turma do CQC (@rafinhabastos, @marcoluque, @marcelotas, etc), com média de uns 100 retweets/dia. É impressionante ver como qualquer tuitadinha desse pessoal gera uma avalanche de replies e retweets na mesma hora.

    A fonte de todos estes dados são as bases de dados do blablabra.net. Em breve isso vai virar um relatóriozinho diário/semanal/mensal lá no site.


    blablabra – O que o Brasil anda twittando?

    24 de abril de 2009, 10:30

    Com o Twitter cada vez mais popular no Brasil eu fui ficando a cada dia com mais vontade de implementar uma idéia que me ocorreu no começo do ano: um timeline/trending topics só com tweets em português.

    Então eu fui lá e fiz. Meus amigos, minhas amigas, eis o blablabra.

    blablabra

    O blablabra mostra, em tempo real, o que os usuários brasileiros do Twitter estão discutindo: palavras-chave frequentes, #hashtags mais usadas e até os usuários mais comentados/retwittados. Para cada termo há uma página de estatísticas detalhada,  que inclui até gráficos – coisa que nem o Twitter mostra.

    Além de satisfazer o prazer voyeurístico de saber os assuntos do momento, o blablabra pode até ser útil para, por exemplo, encontrar outros usuários com os mesmos interesses que você: basta uma procura por alguma palavra-chave que te interesse e o blablabra mostra quem anda conversando sobre aquele assunto.

    Fazer o blablabra consumiu algo em torno de 2 semanas. Deu trabalho – mas foi divertidíssimo. Use, divulgue e me diga o que achou aí embaixo nos comentários (ou pelo Twitter mesmo).


    Uma corrida maluca onde só concorrem Dicks Vigaristas

    17 de abril de 2009, 9:33

    Alguns dias atrás o ator Ashton Kutcher, famoso por atuar em filmes como… err… “Cara, Cadê meu Carro?” e “Efeito Borboleta”, e que tinha uns 800 mil seguidores no Twitter, anunciou no YouTube que ia passar um trote no Ted Turner caso conseguisse se tornar o primeiro usuário do Twitter com um milhão de seguidores.

    Foi o suficiente para disparar uma corrida entre ele (@aplusk) e a CNN (@cnnbrk), corrida que foi vencida pelo ator na madrugada passada.

    Ashton vs. CNN

    Muita gente arrumou um jeito de capitalizar em cima da corrida. A Electronic Arts disse que o milionésimo seguidor de Kutcher apareceria em um dos seus próximos games. O próprio Kutcher ofereceu uma cópia do Guitar Hero como prêmio para o eventual sortudo que estourasse a marca do milhão de seguidores. Até o Anonymous (lembra?) criou o @basementdad, um usuário inspirado em  Joseph Fritzl (aquele pedófilo austríaco que manteve a própria filha em cárcere privado por 24 anos), e tentou colocá-lo na corrida.

    Na minha opinião os fundadores do Twitter (Evan Williams e Biz Stone), que parabenizaram a vitória de Kutcher, deveriam ter se manifestado CONTRA esse tipo de coisa. A meu ver a naturalidade dos relacionamentos no Twitter é o que o serviço tinha de mais valioso, com as pessoas seguindo umas às outras por afinidade e apenas por isto. E esse teatrinho do Kutcher e da CNN é como uma corrida maluca onde só concorrem Dicks Vigaristas.

    Maneiras artificiais para engordar número de seguidores – e aqui cabe lembrar da turminha brasileira que recentemente andou usando scripts para isto – são como câncer: um inchaço repentino e anti-natural que, no fim, mata seu hospedeiro.

    Não é por nada não, mas eu acho que este é o começo do fim para o Twitter. Agora é rezar pro Google comprá-lo antes que ele imploda ou caia no ostracismo.


    Tudo grátis na internet: até quando?

    26 de março de 2009, 14:06

    Ontem o @pedrobeck mandou um link para uma matéria da The Economist intitulada “O fim do almoço grátis”, dizendo que essa onda de coisas grátis na internet é um modelo de negócio insustentável e que está prestes a ruir.

    E é verdade. A idéia de atrair um caminhão de tráfego pro seu site oferecendo algo gratuito e depois tentar ganhar dinheiro “monetizando” a coisa com anúncios já se mostra furada no momento onde você descobre que o percentual do público que clica e/ou compra algo dos anúncios é baixíssimo, menor que 1% em vários casos. É uma conta que não fecha.

    No entanto, o que a matéria não comenta é o segredo de quem anda realmente ganhando dinheiro com este modelo de negócios. Porque é possível sim ter lucro desta forma – desde que o empreendimento seja pequeno e os custos de operação, quase nulos.

    Na internet é comum achar casos assim. Um lugar cheio de exemplos é a App Store – a lojinha da Apple que distribui programas para o iPhone:

    Steve Demeter, o desenvolvedor do Trism, um jogo famoso para o iPhone que custa US$ 5, anunciou que obteve um lucro de US$ 250 mil em apenas dois meses. Sua equipe de trabalho? Basicamente ele mesmo, com ajuda de um amigo e um designer que ele contratou (pagando US$ 500). Se seus lucros continuarem neste ritmo, Demeter vai ganhar quase US$ 2 milhões até julho de 2009.

    Quando as pessoas falam que “a internet mudou a economia”, não se trata apenas de globalização ou de velocidade nas transações – é meio que uma mudança em vários fundamentos da economia. A começar pelo ativo mais valioso do século XXI – a informação – que é distribuído livremente e gratuitamente por aí e que pode ser facilmente capturado por alguém com tempo e disposição e transformado em lucro. Capital inicial? Coisa do passado (a banda de Dinho Ouro Preto também, inclusive).

    Talvez a bolha realmente estoure como a Economist está prevendo. As empresas grandes que tem serviços gratuitos e que ainda não sabem como gerar dinheiro com elas (cof cof Twitter cof cof), essas possivelmente vão morrer ou acabar compradas pelas megacorporações (cof cof Google cof cof). Mas eu acho que, entre os mortos e feridos, uma classe que vai se beneficiar fortemente disso são os micro-empreendedores: essas empresas de uma pessoa só que mantém serviços gratuitos ou de custo baixo sem fazer muita força. É óbvio que o dinheiro MESMO está em sites e serviços que funcionam no modelo econômico clássico do “eu te vendo algo, você me paga, eu tenho lucro”, mas a graninha pingada de um AdSense ou do jogo vendido na App Store é mais do que suficiente pra manter um desenvolvedor amador ou um “problogger” na classe economicamente ativa da sociedade. E por serem menores e trabalharem mais focados, eles ainda podem nadar de braçada na cauda longa, onde as grandes corporações não conseguem incomodá-los.


    PL 84/99 – O fim da internet brasileira pode estar próximo

    15 de novembro de 2008, 14:57

    Eu já falei disso aqui em julho deste ano, julho de 2007 e novembro de 2006. E falarei de novo hoje, atendendo à chamada para a blogagem política sobre o assunto.

    Resumão da história: O projeto de lei 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo, está tramitando entre câmara e senado neste momento. Seu objetivo é “tipificar crimes cibernéticos”, mas do jeito que está escrito acaba podando seriamente inúmeros direitos de quem usa a internet. Este artigo do G1 explica bem a polêmica.

    Ontem teve um “mini-flashmob” na Av. Paulista contra o projeto. A petição online continua disponível caso você queira assiná-la (já tem mais de 120 mil assinaturas). O Mário Amaya fez uns cartazes (disponíveis em PDF) bastante elucidativos, que você pode usar pra divulgar a questão. Fora isso, agora só nos resta torcer.


    “Do not feed the trolls”

    5 de novembro de 2008, 21:21

    Aconteceu nos comentários deste vídeo de skatistas descendo uma ladeira em alta velocidade. O vídeo é espetacular e todos os comentários postados são de usuários impressionados, elogiosos e maravilhados. Aí chega o usuário Bevan Goldswain e diz:

    O início com os dois se vestindo é meio gay… e é muito longo, nos primeiros 30 segundos você já viu todas as manobras deles. Isso não é balé, no balé você tem uma história que te prende por duas horas, mas depois de 30 segundos da mesma manobra no skate…

    …e segue-se uma looooonga discussão aonde todos reclamam da atitude de Bevan Goldswain, que começa a rebater as reclamações com ofensas pessoais e comentários sarcásticos e, no fim, a discussão que era para ser sobre o vídeo acaba virando briga e deixando todo mundo irritado.

    Este, meus amigos, é um exemplo de “trolagem” dos mais espetaculares que já vi.

    Um dos arquétipos mais interessantes criados pela internet é o troll. Talvez você não conheça o termo, mas possivelmente já vivenciou algo parecido com isto em fóruns, blogs, listas de discussão ou no Orkut: gente postando coisas ofensivas, irrelevantes, mentirosas ou polêmicas, só pra avacalhar a discussão e enganar ou irritar os usuários, exatamente como no exemplo acima. Para um outro exemplo, desta vez em português, veja este tópico do Orkut intitulado “Trolls não existem”, criado por um troll, na comunidade “Não alimente o troll” :)

    20081105_2 Ao contrário do que muita gente pensa, a origem do termo "troll" NÃO é o gigante monstruoso, e sim uma técnica de pesca chamada "trolling", onde um barco arrasta várias iscas pela água (como na figura ao lado) e vai atraíndo os peixes por onde passa. É exatamente isto que o troll faz na internet: suas mensagens polêmicas e ofensivas são as iscas para atrair os usuários desavisados que, indignados, são "fisgados" e começam a responder sem pensar. Aí vira briga e todo mundo sai chateado – menos o troll, que, atrás do seu teclado, se delicia com o caos que conseguiu provocar.

    Aí está a diversão do troll. Seu prazer vem de prejudicar os outros, dando asas a um ódio recalcado que ele talvez jamais materializaria em atitudes da vida real mas que, graças ao anonimato da internet, acaba ganhando um canal pra se expressar. De certa forma isso é até bom, pois impede a pessoa de tornar-se sociopata dando a ela um canal relativamente inofensivo para descarregar sua agressividade. Afinal, é melhor que o cara fique avacalhando discussões no Orkut do que esmurrando gente na rua.

    Mas o crescimento da internet e o aumento do número de trolls deu origem ao ditado que dá nome a este post: "Do not feed the trolls", ou seja, "não alimente os trolls". Ao perceber que alguém está deliberadamente tentando provocar polêmica, a melhor atitude é não responder para não "alimentar" a discussão. E assim o troll fica impedido de atuar.

    20081105

    O que me impressiona é que o "do not feed the trolls" é uma frase simples mas profundamente sábia. A idéia é contra-intuitiva, afinal quando você é agredido os seus próprios instintos te estimulam a bater de volta, mas é justamente por isso que a não-retaliação (não confunda com covardia) é genial, porque te coloca em uma posição completamente invulnerável ao seu agressor simplesmente por não dar a ele o que ele quer. De certa forma o "Do not feed the trolls" é uma versão para a internet do "se te batem numa face, oferece a outra" de Jesus Cristo, ou da filosofia da não-violência de Gandhi: uma reação passiva para uma ação agressiva…


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