Posts da categoria ‘Internet’


PL 84/99 – O fim da internet brasileira pode estar próximo

15 de novembro de 2008, 14:57

Eu já falei disso aqui em julho deste ano, julho de 2007 e novembro de 2006. E falarei de novo hoje, atendendo à chamada para a blogagem política sobre o assunto.

Resumão da história: O projeto de lei 84/99, de autoria do senador Eduardo Azeredo, está tramitando entre câmara e senado neste momento. Seu objetivo é “tipificar crimes cibernéticos”, mas do jeito que está escrito acaba podando seriamente inúmeros direitos de quem usa a internet. Este artigo do G1 explica bem a polêmica.

Ontem teve um “mini-flashmob” na Av. Paulista contra o projeto. A petição online continua disponível caso você queira assiná-la (já tem mais de 120 mil assinaturas). O Mário Amaya fez uns cartazes (disponíveis em PDF) bastante elucidativos, que você pode usar pra divulgar a questão. Fora isso, agora só nos resta torcer.


“Do not feed the trolls”

5 de novembro de 2008, 21:21

Aconteceu nos comentários deste vídeo de skatistas descendo uma ladeira em alta velocidade. O vídeo é espetacular e todos os comentários postados são de usuários impressionados, elogiosos e maravilhados. Aí chega o usuário Bevan Goldswain e diz:

O início com os dois se vestindo é meio gay… e é muito longo, nos primeiros 30 segundos você já viu todas as manobras deles. Isso não é balé, no balé você tem uma história que te prende por duas horas, mas depois de 30 segundos da mesma manobra no skate…

…e segue-se uma looooonga discussão aonde todos reclamam da atitude de Bevan Goldswain, que começa a rebater as reclamações com ofensas pessoais e comentários sarcásticos e, no fim, a discussão que era para ser sobre o vídeo acaba virando briga e deixando todo mundo irritado.

Este, meus amigos, é um exemplo de “trolagem” dos mais espetaculares que já vi.

Um dos arquétipos mais interessantes criados pela internet é o troll. Talvez você não conheça o termo, mas possivelmente já vivenciou algo parecido com isto em fóruns, blogs, listas de discussão ou no Orkut: gente postando coisas ofensivas, irrelevantes, mentirosas ou polêmicas, só pra avacalhar a discussão e enganar ou irritar os usuários, exatamente como no exemplo acima. Para um outro exemplo, desta vez em português, veja este tópico do Orkut intitulado “Trolls não existem”, criado por um troll, na comunidade “Não alimente o troll” :)

20081105_2 Ao contrário do que muita gente pensa, a origem do termo "troll" NÃO é o gigante monstruoso, e sim uma técnica de pesca chamada "trolling", onde um barco arrasta várias iscas pela água (como na figura ao lado) e vai atraíndo os peixes por onde passa. É exatamente isto que o troll faz na internet: suas mensagens polêmicas e ofensivas são as iscas para atrair os usuários desavisados que, indignados, são "fisgados" e começam a responder sem pensar. Aí vira briga e todo mundo sai chateado – menos o troll, que, atrás do seu teclado, se delicia com o caos que conseguiu provocar.

Aí está a diversão do troll. Seu prazer vem de prejudicar os outros, dando asas a um ódio recalcado que ele talvez jamais materializaria em atitudes da vida real mas que, graças ao anonimato da internet, acaba ganhando um canal pra se expressar. De certa forma isso é até bom, pois impede a pessoa de tornar-se sociopata dando a ela um canal relativamente inofensivo para descarregar sua agressividade. Afinal, é melhor que o cara fique avacalhando discussões no Orkut do que esmurrando gente na rua.

Mas o crescimento da internet e o aumento do número de trolls deu origem ao ditado que dá nome a este post: "Do not feed the trolls", ou seja, "não alimente os trolls". Ao perceber que alguém está deliberadamente tentando provocar polêmica, a melhor atitude é não responder para não "alimentar" a discussão. E assim o troll fica impedido de atuar.

20081105

O que me impressiona é que o "do not feed the trolls" é uma frase simples mas profundamente sábia. A idéia é contra-intuitiva, afinal quando você é agredido os seus próprios instintos te estimulam a bater de volta, mas é justamente por isso que a não-retaliação (não confunda com covardia) é genial, porque te coloca em uma posição completamente invulnerável ao seu agressor simplesmente por não dar a ele o que ele quer. De certa forma o "Do not feed the trolls" é uma versão para a internet do "se te batem numa face, oferece a outra" de Jesus Cristo, ou da filosofia da não-violência de Gandhi: uma reação passiva para uma ação agressiva…


Anorexia ao contrário

8 de outubro de 2008, 23:18

Essa é uma daquelas coisas que só se descobre que existe por causa da internet…

Os tempos atuais são de febre de academia de ginástica, de modelos magricelas e de tratamento da obesidade como doença. Mas e se eu te dissesse que existe gente que sente prazer sexual em engordar e fazer outros engordarem?

image image
Não, isso não é um “antes e depois” invertido. Note que a menina usa a mesma roupa só pra mostrar que o sutiã nem fecha mais. 

Bem-vindo à um dos fetiches mais esquisitos da internet. Feederism (sem tradução para o português), segundo a Wikipedia, é assim:

Feederism refere-se aos rituais de alimentar, encorajar a alimentação ou receber grandes quantidades de comida de forma a se obter prazer sexual do processo de ganhar peso, se tornar mais gordo(a) e modificar seu corpo.

Há vários termos para descrever quem é quem nesta cultura: um feeder (“alimentador”) é aquele que alimenta outra pessoa (um feedee – “alimentado”) em excesso. O feedee, portanto, é aquele que, de forma submissa, engorda com a ajuda do feeder. Os gainers (“engordadores”) são parecidos com os feedees, mas normalmente tentam engordar por conta própria – embora sejam receptivos ao apoio de um encourager (“motivador”). O maintainer (“mantenedor”) é alguém que simpatiza com a comunidade, que engordou intencionalmente ou não e quer se manter como está, ou que está relutante quanto a engordar mais. Um appreciator (“apreciador”) é um admirador de gordura corporal que não tem interesse em engordar ou encorajar a engorda, mas gosta de admirar o progresso de outras pessoas.

E a turma feeder/feedee adora se exibir pela internet. Este fórum francês tem imagens impressionantes do processo de “engorda” de alguns membros – a mocinha aí embaixo eu tirei de lá. O MySpace tem um monte de perfis de feeders/feedees. Mas curiosamente, eu não achei nada no Orkut ou em blogs/sites brasileiros sobre o assunto.

 image image

O nível de envolvimento com esse fetiche varia: há desde as pessoas que apenas fantasiam sobre o assunto (sem comer ou forçar alguém a comer de verdade) até casos de alimentação forçada: o feedee é subjugado pelo seu feeder com amarras ou algemas e é forçado a comer grandes quantidades de comida. O filme “Feed”, do diretor Brett Leonard, é sobre a investigação de um caso desses onde uma mulher é forçada a comer até morrer. Felizmente é tudo uma história de ficção – ou pelo menos eu acho que que é.


Blip.fm – Um Twitter que faz barulho

30 de agosto de 2008, 21:28

Na última sexta-feira só se falava no Twitter de um tal site novo chamado Blip.fm. À noite, chegando de viagem, liguei o computador e fui conhecer a razão de tanto hype.

Usei o Blip.fm por cinco minutos. Foi o suficiente para dar o meu veredito final sobre o site, que pode ser resumido nesta frase: “A coisa mais genial que vi na internet este ano”.

20080830 

O Blip.fm é um microblog, como o Twitter, mas com um diferencial matador: músicas anexadas aos seus micro-posts (chamados de “blips”). Então, na verdade, o que você posta são as músicas, junto com pequenos comentários sobre elas. Ou o inverso: comentários sobre qualquer coisa, mas “ilustrados” por músicas.

Se no Twitter a pergunta era “what are you doing?” (“o que você está fazendo?”), no Blip.fm a pergunta é “what are you listening to?” (“o que você está ouvindo?”).

“Ah, mas a RIAA vai fechar o Blip.fm rapidinho!”. Sim, eu e metade da internet pensamos exatamente a mesma coisa, mas enquanto eu escrevia este post percebi OUTRA sacada genial dos caras: as músicas que o Blip.fm toca NÃO estão hospedadas no próprio site – ele simplesmente toca músicas que estão espalhadas por toda a internet e que são facilmente encontráveis através do próprio Google ou de serviços especializados, como o Seeqpod.

É só dar uma olhada na barra de status do Firefox na hora em que você dá “play” numa faixa qualquer: cada hora os dados são lidos de um site diferente…

20080830_2 20080830_3

Uma olhadinha no FAQ do Blip.fm parece confirmar esta suspeita (grifo meu)…

Eu blipei uma música ontem e hoje ela está “não disponível”, o que houve?

As músicas são armazenas por toda a internet em diferentes servidores e websites. Às vezes o servidor cai e a música não está disponível para tocar, ou o dono do arquivo o removeu da internet de uma vez por todas.

Assim eles têm o maior acervo de músicas do mundo, não tem problemas com largura de banda ou capacidade de armazenamento e – o melhor de tudo – não são legalmente responsáveis por eventuais quebras de copyright. Bom, pelo menos eu acho.

E não é só isso: além de tudo o Blip.fm já tem integração com o Twitter, Last.fm e vários outros (FriendFeed, Pownce, Tumblr, Livejournal e Jaiku). Você pode “blipar” músicas que ouviu recentemente – e que ele “pesca” do Last.fm pra você – e twittar automaticamente a cada vez que você “blipa” uma música. É muito prático.

Genial, fácil de usar, integrado com o que você já usa… o Blip.fm é quase bom demais pra ser verdade.


Sobre a terceira dimensão, foie gras, browsers e largura de banda

29 de agosto de 2008, 0:03

Dia desses eu li, não lembro onde, que uma das estratégias de Hollywood para – adivinhe! – coibir a pirataria eram os filmes em 3D. Neles a “experiência” só é completa para o espectador se ele estiver no cinema, com os tais óculos especiais, então as cópias piratas não fariam sentido.

Mas hoje eu vi que a nVidia está anunciando uma tecnologia de 3D “real” para jogos de computador onde você usa – adivinhe! – óculos especiais e enxerga as cenas do jogo em três dimensões.

Aí eu fiquei pensando no futuro da pirataria de filmes, somei uma coisa com a outra e… adivinhe!

Hoje aconteceu a pesagem oficial do “Perder Para Ganhar” que a equipe aqui do projeto de Dead Cow City organizou. É um concurso inspirado no programa de TV homônimo, onde a meta era perder 5% do seu peso em um mês – e quem perdesse menos que isso pagaria para quem perdesse mais peso.

Sim, tinha dinheiro no meio. Sim, é ridículo. E, sim, eu estava participando. Mas eu empurrei a coisa com a barriga (hein, pegou essa) e não mudei muito minha rotina ou meus hábitos alimentares – que, felizmente, já estavam bem saudáveis desde meu último exame de sangue, que deu colesterol altchééézimo e uma leve esteatose hepática – vulgo “fígado gorduroso”. Sabe foie gras? Pois é. 

Saldo final da brincadeira: perdi 2,5 kg. E também 40 reais, já que fiquei bem longe dos 5% de meta.

Acabou que com o Firefox 3 eu abandonei mesmo o meu browser predileto: o Opera, que usei consistentemente pelos últimos cinco ou seis anos.

Tudo começou quando, no lançamento da versão 3, o Slashdot publicou um teste dizendo que o Firefox novo era muito mais eficiente no uso de memória que todos os outros browsers. Aí resolvi pagar pra ver, já que o abuso de memória do FF era um dos fatores que me afastava dele.

Em termos de velocidade o Opera continua sendo, comprovadamente, absurdamente mais rápido pra tudo – MENOS para as coisas do Google (Gmail, Google Reader, Google Calendar, etc), que uso o tempo todo. E aí veio o golpe de misericórdia: as extensões do Firefox, que nunca me atraíam o suficiente porque o que muitas delas faziam já era funcionalidade nativa do Opera. Acontece que eu só conhecia mas nunca tinha usado Greasemonkey, Firebug, FoxyTunes e a mais super-duper-útil de todas: Read It Later – a salvação dos que trabalham sob firewalls e precisam separar links para ver depois, na internet livre e desimpedida do hotel…

… que por sinal é excelente e me permite até o luxo de ver minha esposa pela webcam. E também meu cachorro, que fica desorientado quando ouve minha voz e não me vê no apartamento. Hoje ele até chorou, tadinho.

Quem diria: no século XXI, “largura de banda” significa “qualidade de vida”…


Livros sobre o Orkut

5 de agosto de 2008, 23:25

Quando eu era adolescente li um manual do MS-DOS 6.0 inteirinho, de capa a capa. Eu estava de férias, na casa de um dos meus primos, e achei o livro lá, jogado num canto. Desde então é um mistério o fato de hoje em dia eu ter amigos e ser casado.

Piadas à parte este foi o único livro de informática que li em toda a minha vida, porque logo em seguida descobri que os bons softwares tinham uma extensa documentação online, logo ali na tecla F1. Ela sempre estava atualizada (ao contrário dos livros), tinha referências cruzadas (sim, hipertexto, como na web), ia direto ao assunto e era muito mais prática de consultar. Sem contar que, com o passar dos anos, os softwares foram ficando tão mais fáceis de usar que nem o F1 passou a ser necessário.

Então é com muita estranheza que eu entro nas livrarias e vejo prateleiras e mais prateleiras com livros de informática. Em tempos de fóruns, wikis e Google, precisa mesmo publicar um “Excel – A Bíblia”?

Mas as maiores aberrações são, de longe, os livros sobre o Orkut…

image 

Esse aí em cima foi escrito por Marina dos Anjos Martins de Oliveira, produtora editorial e jornalista de formação. Suas 112 páginas, além de ensinarem a usar o site (nem comento!), tratam também de grandes questões da vida em comunidade, como:

- Como lidar com ex-namorados que surgem no Orkut?
- Achou colegas do primário? E agora?
- O que fazer se aquele chato o adicionar como amigo?
- Como funciona o “karma”?
- E os constrangimentos com o chefe, se ele olhar seu perfil?

De duas, uma: ou os leitores realmente precisam de alguém que pegue-as pela mão e mostre como faz ou, como eu já disse antes, quem compra o livro quer ficar deliberadamente no óbvio – que é muito mais confortável.

Mas tem as pessoas que, ao invés de conforto, querem dinheiro. O mercado editorial atende estes também:

image

Esse aí foi escitro por um publicitário chamado André Telles, e fala sobre as possibilidades de uso do Orkut para marketing. O autor não me pareceu lá muito articulado nesta entrevista ao blog “Yogurt Blog”, então fui procurar o perfil do cara no próprio Orkut. Primeiro tive que me desviar de uns cinco profiles fake com nomes do tipo “Orkut Livro” que não continham nada além da capa, texto de divulgação e links “compre já” apontando para a Fnac e a Saraiva. Depois, quando finalmente achei o perfil real do autor, não achei NENHUMA informação profissional – mas vi que ele participa de várias comunidades relacionadas à suplementação alimentar para musculação.

Detalhe: Um dos primeiros assuntos tratados no livro é “marketing pessoal”…

Mas o melhor dos livros sobre o Orkut, o que inclusive me motivou a escrever este post, não é um livro técnico… é um romance!

image

Esbarrei com essa pérola semana passada numa prateleira daquelas paradas de ônibus de meio de estrada. A sinopse dispensa comentários adicionais:

Jader Bertola, trabalha de office-boy na funerária de seu tio, até viciar-se no Orkut (chegar ao offline do poço) e perder tudo, incluindo emprego e a namorada (que não estava disposta a continuar com um cara sem diploma, sem carro e sem vergonha na cara). O rapaz alvoradense entrou inocentemente na internet (…) e acabou tornando-se um dependente. Internado em uma clínica de desintoxicação orkutiana, Jader Bertola faz um download de suas memórias para um colega de quarto escrever um livro contando a sua decadência (do convite maligno até o offline), como um alerta aos jovens que dia após dia entram idiotamente no Orkut sem saber que estão entrando num caminho sem volta, pois a cada duas pessoas que deletam suas contas no site (e saem fora), entram três (sendo que duas dessas três são aquelas duas que acabaram de deletar.

Fica aí o alerta pra você não chegar também ao “offline do poço”…

P.s.: Escrever isso tudo aí me fez esbarrar com um ótimo post: “Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em 7 tópicos”. Seria cômico se não fosse trágico.


Como "funciona" este blog?

16 de julho de 2008, 16:42

Ontem eu esbarrei com uns posts interessantes: “Você compartilha conhecimento?”, perguntava um deles. “Produzir e distribuir conteúdo, uma opção que expande conceitos”, dizia outro. Foi a deixa que eu precisava pra falar de uma coisa que há muito queria explicar aqui: de como este blog foi desenhado para otimizar o compartilhamento de conhecimento. Pretensioso, não? Bem, era o que eu queria. Continue lendo e veja você mesmo se eu consegui…

Este blog tenta cumprir três propósitos:

1) Entregar ao leitor (e à rede como um todo) conteúdo novo. É isso que, em função da minha crescente insatisfação e desânimo com a internet brasileira, têm norteado todas as postagens que faço aqui, particularmente de julho de 2007 em diante. A idéia sempre é “acrescentar alguma coisa”, seja divulgando alguma idéia boa que possa ser útil pra outras pessoas (como por exemplo minha gambiarra para ligar o iPod no som do carro), dando dicas para o dia-a-dia (como as dicas de segurança online ou macetes para melhorar slides de PowerPoint), etc.

Como é difícil ser inédito o tempo todo, às vezes eu pesquiso e aprofundo algum assunto já pre-existente ou traduzo textos em inglês para que os leitores “monolinguísticos” também possam ter contato com algum conteúdo legal.

2) Disseminar sites e links legais que eu encontro – porque, afinal, não dá pra ignorar o aspecto “viral” da internet – talvez um dos mais importantes. A diferença é que eu parei de fazer, por exemplo, um post inteiro só pra comentar ou divulgar um link legal. Afinal, o leitor não ganha nada lendo comentários meus do tipo “Putz cara, eu rachei de rir desse vídeo do YouTube aqui, saca só”, entende? Não acrescenta, então tirei fora.

Então agora é assim: links legais vão quase todos pro meu del.icio.us, ali do lado, com um breve comentário só pra explicar do que se trata. Quando vou citar mais de um link ou quando o assunto é legal demais e quero comentar com mais destaque, aí sim eu faço um post e coloco na categoria “links”.

Nota: Os links do del.icio.us vão, juntamente com os posts que faço, para o feed RSS deste blog.

3) Servir como um “diário virtual” onde eu possa contar o que ando fazendo ou opinar sobre alguma coisa. Afinal eu não sou problogger e foi pra isso que este site nasceu, em 2001. Mas ainda assim a idéia de “acrescentar algo novo” continua valendo, então eu tento ser o mais interessante possível para dar minha opinião ou falar da minha própria vida. Contar, por exemplo, que “o cachorro comeu meus sapatos” não é nada interessante. Mas contar que ele comeu meus sapatos num texto que fala dele como se fosse um artista plástico construindo “obras de arte” deixa o assunto bem mais divertido e interessante de ler. E com a chegada do Twitter, que funciona como um “Big Brother reverso”, dá pra comentar todo tipo de pequenezas do meu cotidiano sem precisar cansar o leitor com posts desnecessários.

Além do conteúdo, o próprio layout do blog reflete estes três propósitos:

20080716 

O conteúdo novo (A), caseiro e inédito, é o que tem mais destaque. As coisas interessantes mas “não-inéditas”, que sinto vontade de divulgar, vão à parte, no Delicious (B), para não deixar de estimular o lado “viral” da internet. E as pequenezas do cotidiano, quando não viram posts, vão pro Twitter (C), também em separado.

É assim que tento fazer a minha parte para uma internet melhor. Não é muito, mas é de coração :)


Projeto de Lei pode fazer downloads virarem crime na internet brasileira

7 de julho de 2008, 15:20

image Eu já falei disso no blog em novembro de 2006 e julho de 2007, mas como o assunto voltou a movimentar os blogs, vou ajudar a divulgar mais uma vez.

Resumindo bastante: O Senador Eduardo Azeredo está com um projeto de lei para tipificar “crimes cibernéticos ou de informática”. Até aí tudo bem, mas do jeito que ele está sendo proposto, na prática o que acontece é:

  • O simples acesso à qualquer coisa, sem autorização expressa, vira crime. Você, leitor deste blog, poderia ser preso porque eu não te autorizei formalmente a acessar meu site. Desbloquear um celular também passa a ser crime. Usar redes Wi-Fi abertas, então, nem se fala.
  • Os provedores vão ser obrigados a arquivar, por três anos, um registro com todo e qualquer acesso que você fizer na internet, além de terem que informar às autoridades – e sem te avisar – indícios de prática de crime de que tenham tomado conhecimento. Isso mata sua privacidade, pode forçar um aumento de preços dos provedores ou até o cancelamento de coisas como trocas de arquivos via P2P (bye bye, torrents).

Mais informações aqui, aqui ou aqui. Você também pode assinar a petição online contra o projeto, mas o melhor mesmo é enviar um email pro Azeredo e para o senador do seu estado (use esta lista de nomes e emails dos senadores aqui).


Coisas como "marketing viral" e "SEO" são o câncer que vai matar a internet

16 de junho de 2008, 23:48

20080616_3
Propaganda real, de um tal “Mestre SEO”. E eu achando que as pessoas faziam sites para que outras pessoas gostassem…

Sabe o que é mais legal? Agora eu vou opinar sobre marketing e publicidade mas não entendo nada disso. No entanto aqui é meu blog e nele eu posso dizer seja lá o que for que eu pense sobre o assunto. Quem ler pode ignorar, dar umas risadinhas, xingar a minha mãe ou até achar legal e botar um link pra esse post no blog dela, por exemplo.

E aí é que está a mágica da internet: se o que eu escrever for realmente interessante ou relevante, mais e mais pessoas vão botar links apontando pro que eu disse. Note então que o próprio esquema de se fazer referências na internet (ou seja, o link) retira da vala comum o conteúdo relevante e serve como um filtro razoavelmente bom do que é legal ou não. Tanto que os caras que sacaram isso antes de todo mundo ficaram gazilionários.

Aí vem o publicitário, olha pro Sergey Brin e pro Larry Page, se enche de inveja e pensa: “Hmpf, eu quero ser rico igual esses caras”.

Mas aí, ao invés de dançar conforme a música, ele inventa o Search Engine Optimization: técnicas para fazer seu site aparecer mais em resultados de buscas. Mas a internet é terra de ninguém, então vale tudo: encher seu blog de palavras muito procuradas (como o clássico “sandy nua”), forçar a barra pra fazer seu site ser linkado e conseguir maior pagerank no Google (usando link baiting e vários outros métodos)… e aí não é mais o conteúdo relevante que é automaticamente promovido por sua popularidade, e sim o conteúdo do publicitário, que, malandrops como só ele, força as regras pra se promover mais que os outros.

20080616_2
“Olhem para mim! Eu sou um publicitário carente!”

E a espontaneidade democrática da internet – sua característica mais importante e uma das principais razões pela qual ela ganhou a importância absurda que hoje tem – vai indo pro buraco para que os marketeiros capitalistas encham os respectivos rabos de dinheiro.

Mas o que mais tem me irritado é o marketing viral. Recentemente circulou por aí uma história do “maior desenho do mundo” – um cara que botou um GPS numa maleta e saiu enviando-a pelo mundo, de modo que a trajetória da maleta formasse um desenho sobre o mapa-múndi…

(FAKE) Biggest drawing in the world

E enquanto todos ficavam maravilhados com a criatividade da idéia, os publicitários pulam e gritam “RÁÁÁ! Pegadinha do Mallandro!” e você descobre, dias depois, que o esquema todo era mentira e serviu só para fazer propaganda da DHL, empresa de entregas expressas.

Sabe, senhor publicitário, não tem problema nenhum você querer usar a internet pra se promover. Mas faço minhas as palavras de Lainey Taransky, filha do personagem de Al Pacino no genial filme chamado “S1mone“:

“Seu erro não foi fazer algo falso, papai. Não nos importamos com coisas falsas – desde que você não minta sobre elas“.


Por que Deus nunca te ajuda nos seus problemas com computadores?

9 de abril de 2008, 22:45

Sabe, às vezes o CD com o trabalho de faculdade dá erro de leitura. Ou a senha do email não funciona. Ou então o pen drive (do seu chefe) com o trabalho de três semanas (do seu chefe) desaparece.

Ou então você liga o computador e dá de cara com isto:

20080409

…e, obviamente, não tem backup de nada.

Aí o cidadão, desesperado, apela para a divindade:

- Ai meu Deus me ajuda!! Se eu perder isso aqui eu tou ferrado!!

Tem gente que fecha os olhos e reza mesmo. Alguns prometem ir à missa todo domingo, ficar um ano sem beber, doar o salário todo pra caridade, se o computador voltar a funcionar.

Mas o que você não sabe é que, no instante em que você faz seu apelo, sua prece é automaticamente encaminhada para Deus através de um framework ultra-rápido, com 100% de disponibilidade (ser onipotente tem lá suas vantagens), que carrrega seu pedido diretamente para a “prayer queue” do desktop do computador da Inteligência Suprema. São milhões de pedidos por segundo, mas Ele analisa um por um no instante em que chegam (ser onipoten… ah, você já sabe).

E então Ele diz assim: “Vejamos. Problema de computador… urgente… ah, é Windows?”.

E pressiona DELETE.

DCF 1.0
“Aff… esses meus filhos, nunca aprendem”

Moral da história: Se Steve Jobs é Deus e você está pedindo a Deus que te ajude, é bom que você tenha um Mac…


« Posts anteriores