Velhice e videogames

Envelhecer é uma experiência bem… interessante. Você fica melhor em um monte de coisas, em outras você fica pior, e com certeza você fica assustado ao ver o tanto que agora precisa rolar o mouse no campo “ano de nascimento” ao preencher um formulário online.

Outro lado ruim da idade é que o mundo começa a ficar realmente entediante, porque você percebe que as novidades de hoje raramente são, de fato, novidades, e sim as mesmas coisas de décadas atrás, só que disfarçadas com outro nome. Você olha pros hipsters e vê exatamente o que o seu pai e sua mãe usavam nas suas fotos de infância. Os filmes reciclam infinitamente as mesmas histórias de “o bem vence o mal”, “o casal sofre mas fica junto no final”, “o herói quase morre mas no fim explode tudo e ainda dá um beijo na mocinha”, etc, etc. Os heróis dos seus livros e quadrinhos (que ainda eram de papel) da infância surgem no cinema, em reboots e mais reboots, como se Hollywood fosse um grande computador com defeito. Na música, então… você finalmente entende porque Cazuza falava do “futuro repetindo o passado”, do “museu de grandes novidades”.

E se você envelhece mas continua jogando videogames, aí meu amigo… aí a rebordosa é ainda pior, porque além do repeteco de histórias você tem também o repeteco de mecânicas e artifícios de jogo, de clichês, de enredos, de tanta coisa… todos os first person shooters são iguais, todos os RPGs são iguais… e todos batem recordes de vendas, porque a molecada pega o Call of Duty: Ghosts, que é IDÊNTICO A TODOS OS OUTROS DA SÉRIE, e acha do caralho porque “agora dá pra jogar com personagem mulher, cara!”. E a mesma molecada, quando confrontada com o genialíssimo e inovador Portal, reclama que “pô, não dá pra atirar em ninguém?”.

screenshot do Portal

Mas o problema não é a molecada, e nem a mentalidade de “na minha época era melhor”. O problema é que os trintões como eu jogaram os pais e avôs dos FPSs, dos RPGs, dos jogos com sandbox e open world, então a novidade deles já não é mais novidade pra nós.

Outra questão que aflige o gamer balzaquiano é que a idade traz – felizmente! – o refinamento dos prazeres. Aos vinte anos a gente até topava encher a cara de Skol e vinho Chapinha; agora curtimos apreciar um cabernet sauvignon e  a cerveja tem que respeitar a Reinheitsgebot – e nos jogos acontece a mesma coisa. A gente não fica satisfeito só com explosões e gráficos fantabulósicos: o jogo tem que ter uma boa história. Videogame, convenhamos, não é filme pornô. Recentemente joguei a trilogia Mass Effect, que é um bom exemplo disso: a mistura de shooter com RPG é bem básica, mas a profundidade da história é fantástica e, pra completar, é construída num universo tão criativo e minucioso que ouso dizer que é melhor que o de Star Wars ou do Senhor dos Anéis: é uma obra-prima de ficção científica. Paradoxalmente, eu morria de tédio nas partes de combate e passava horas explorando as opções de diálogos com cada personagem e conhecendo mais sobre cada raça alienígena – e são dezenas (clique na imagem abaixo), todas com uma história complexa e interessantíssima – e quando vou visitar meu irmão (de 12 anos) ele dá skip em todos os diálogos dos seus jogos…

Mass Effect characters wallpaper

Há problemas também no universo multiplayer: quando jovens, nossos modems não transmitiam a mais de 14.4 kb/s e o jogo online estava na sua infância. Hoje estamos no paraíso multijogador, com internet rápida e sem fio e centenas de milhares de pessoas conectadas te esperando… e eu simplesmente não tenho sacoRecentemente baixei o beta do Destiny, o FPS online da Bungie que está surfando a crista da onda do hype para seu lançamento em setembro. Primeiro você só tem acesso aos modos cooperative, onde não vi cooperação nenhuma: às vezes aparecia um outro jogador, fazia uma dancinha na minha frente (sério!) e saía correndo sozinho. Aí cheguei na parte de deathmatch e a idade pesou mesmo. Quando jovem eu botava um hard techno nos fones e passava horas online no Quake 3 tranquilamente. Hoje em dia, pra conseguir um resultado minimamente relevante jogando contra a molecada, é preciso fazer um esforço enorme. Não é divertido ficar o tempo todo tenso, correndo feito louco pelo mapa, em estado de alerta total e incessante porque basta uma bobeira de uma fração de segundo pra alguém lhe explodir a fuça.

(pra não dizer que não gostei de nada, a trilha sonora do Destiny me agradou bastante 🙂 é um ambient bem espacial e relaxante).

Por sinal esta é outra coisa que vem com a idade e que transforma sua experiência de jogar: você passa a buscar sossego e tranquilidade ao invés de agitação. Esse ano eu ganhei o Watch Dogs de presente de Dia dos Namorados, e ele tem uma funcionalidade bem inovadora: como o jogo tem temática hacker, uma das coisas que dá pra fazer é invadir o jogo de outra pessoa, numa mistura bem criativa do single player com o multiplayer: você está lá, cuidando da sua vida, sozinho no mundo do jogo, e de repente surge a mensagem “you are being hacked“, e você tem que procurar o jogador que se conectou pela internet ao seu Playstation e “invadiu” seu jogo para eliminá-lo. Acontece que, no meu caso, toda vez que eu era invadido a sensação era realmente de que estavam se intrometendo no meu momento de jogo single player, e ao invés de ser emocionante eu achava aquilo extremamente irritante.

Watch Dogs online hacking

Felizmente, o mercado dos jogos cresceu o suficiente para poder ter nichos onde o gamer trintão consegue achar algo interessante – em especial na comunidade indie. Tem muita gente boa inovando e criando obras de arte em forma de jogo, como o sublime Journey (que o Bruno explicou melhor do que eu explicaria neste post). E recentemente encontrei uma preciosidade independente que vai consumir todas as minhas horas de jogo daqui pra frente: o Euro Truck Simulator 2.

O nome diz tudo que você precisa saber sobre o jogo: o Euro Truck Simulator é um simulador de caminhões ambientado na Europa. Só isso. Ele não é multiplayer, você não aposta corrida com ninguém, o caminhão não tem turbo nem nenhuma firula intergalática: exatamente como na vida real, você simplesmente transporta carga de um canto a outro, dirigindo a prosaicos 80 km/h nas autobahns alemãs ou nas charmosas estradinhas francesas. Sua maior preocupação é respeitar os limites de velocidade, dar seta antes de fazer as curvas e parar de 12 em 12 horas para dormir. Pra passar o tempo, o rádio do caminhão, convenientemente, pega streaming de estações de rádio reais europeias, deixando a experiência ainda mais envolvente e, principalmente, relaxante.

Euro Truck Simulator screenshot

E assim as novas e velhas gerações de jogadores vão convivendo, cada uma no seu mundinho particular. A molecada, vermelha de raiva, martela os botões do controle e segue gritando impropérios aos n00bs em seus headsets. Nós, os gamers de trinta e muitos anos, abrimos uma Heineken e calmamente transportamos uma caçamba de areia de Dusseldorf para Stutgard. E o mundo segue girando até o dia em que, finalmente, chegará o nosso inevitável game over.

O Primo recomenda: God of War 3

Outro dia eu e Bethania estávamos na cozinha fazendo comida e pensando no que poderíamos ver na TV enquanto almoçávamos. Nossa opção normalmente são as séries que eu “obtenho” via internet, mas Lost tinha acabado, 24 horas também, Fringe também, então não restavam muitas opções. Daí eu tive uma ideia:

– Bom, eu posso ir jogar God of War 3.

Bethania pensou por alguns instantes. Depois disse:

– Mas comer e jogar ao mesmo tempo não vai te atrapalhar?

Pois é, meu amigo. God of War 3 é um jogo tão bom, mas TÃO BOM, que minha esposa para pra ASSISTIR o jogo. Normalmente ela brigaria comigo porque estou jogando videogame na hora do almoço. Em GoW3 ela briga comigo é quando eu faço alguma idiotice no jogo e acabo morrendo.

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O bom do GoW3 é que não há limite nenhum para exageros nas cenas de ação. Afinal, como é um videogame ambientado num universo mitológico de deuses e titãs, vale tudo. Coisas que forçariam a barra em qualquer filme ficam perfeitamente factíveis – e absolutamente embasbacantes – no jogo. Como no fim da batalha contra Poseidon, aonde Gaia, a mãe-terra, desfere o golpe final (leia-se “SOCO DA ROÇA”) no monstro de água criado pelo deus dos mares, e impulsiona Kratos para que atravesse o “coração” da criatura e arranque Poseidon de lá. Essa foi uma das raras vezes que, em duas décadas de vivência com videogames, eu larguei o joystick, levei as duas mãos à cabeça e gritei “putaquepariu” em frente à TV.

É aos 3m50s do vídeo abaixo:

Detalhe: tudo isso acontece nos primeiros 20 minutos de jogo.

E sobram momentos embasbacantes em God of War 3: eviscerações de centauros, cavalgadas sobre cérberos cuspidores de fogo, olho de troll sendo arrancado e por aí vai.

Acho que o grande trunfo de God of War 3 é que ele, apesar de ser basicamente um “joguinho de porrada”, ele contém uma série de elementos de gameplay e detalhes visuais que não somente mantém o seu interesse no jogo como fazem com que ele fique cada vez melhor conforme você vai jogando.

É importante destacar também que GoW3 não é só bonito. A história da trilogia está no seu ápice – o que, no caso do God of War, significa que Kratos está matando todo mundo que ainda não morreu nos dois últimos jogos da série. E como Kratos está matando deuses, e estes deuses governam a Terra, Kratos está, efetivamente, acabando com o mundo. E não dá a mínima…

Minha abalizada opinião sobre a polêmica da DM9DDB

Eu não tenho mais tempo de ler toda a minha timeline do Twitter durante o dia: só dou umas lidinhas nos segundos em que estou no elevador ou esperando uma reunião começar. E nessas “lidinhas” vi que o assunto da vez era uma certa polêmica envolvendo um tal anúncio da agência DM9DDB e os atentados de 11 de setembro.

Só agora à noite eu consegui ver o tal anúncio, feito para a WWF: é uma foto do sul da ilha de Manhattan – incluindo as torres gêmeas – e centenas de aviões se aproximando delas. O texto diz que “o tsunami matou 100 vezes mais gente que o 11 de setembro”.

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Eu olhei longamente a foto do anúncio, pensei bastante, e concluí que, realmente, a parte sul da ilha de Liberty City (a cidade do jogo Grand Theft Auto IV) é IGUALZINHA à da ilha de Manhattan.

A cena mais barra-pesada de Grand Theft Auto IV

Nas últimas semanas eu recomecei a jogar o GTA IV porque meu savegame com quase 100% do jogo concluído se corrompeu (é uma longa história – e outro caso onde eu faço um backup de alguma coisa e ele não funciona).

Nessa “rejogada” eu acabei revisitando várias cenas truculentas do GTA. E no meio de todos os tiros, explosões e gente atropelada, acabei revendo uma cena que é aparentemente inocente mas que foi especialmente chocante pra mim.

É assim: quando você rouba um carro de polícia, dá pra usar o computador da viatura para ver uma lista com a localização de criminosos procurados… para que você possa caçá-los no melhor estilo “mercenário justiceiro”. Essas mini-missões são bem divertidas e normalmente envolvem perseguições em alta velocidade e tiroteios entre você e a gangue do meliante… exceto quando você seleciona um cara chamado Jimmy Kand.

O computador indica que Jimmy está num conjunto habitacional em Northwood e você já pensa: “legal, tiroteio em local fechado, vou ter que chutar porta e sair fuzilando geral!”. Mas quando você chega no local e entra no prédio não há gangue nenhuma: apenas um apartamento em ruínas, com paredes manchadas, entulho, lâmpadas amareladas e gente semi-inconsciente estirada no chão.

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Justamente enquanto você está estranhando a falta de resistência armada da missão, ouve a voz de um dos moradores do local lhe oferecendo heroína. E então tudo faz sentido: aquilo ali é um daqueles locais aonde viciados vão parar quando suas vidas foram para o buraco. O silêncio e a feiúra do lugar são angustiantes – mas você não abaixa a guarda, afinal Jimmy Kand deve ser algum traficante fortemente armado. E então você segue, checando cada canto do apartamento com sua arma em punho – mas só encontra viciados caídos, magros, sujos e viajando de heroína.

O pontinho vermelho do seu radar indica que Jimmy está bem ali, no quarto dos fundos, e então você recarrega seu fuzil e entra pronto para a troca de tiros. Mas encontra apenas um homem caído no chão, encolhido em uma poça de vômito, ao lado de um colchão sujo. A setinha vermelha sobre o corpo não deixa dúvidas: aquele é Jimmy Kand.

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Esse, para mim, é o momento mais chocante do jogo. Mesmo porque você tá indo num ritmo de filme de ação e trocando tiro e fazendo justiça e se divertindo e, de repente, é confrontado com uma representação extremamente realista do fim da linha das drogas, um dos jeitos mais indignos de uma existência humana terminar.

E, pra piorar, você está ali para matar Jimmy. No caso dos outros criminosos você ainda completa a missão com um sentimento de realização do tipo “estou limpando a cidade” ou “fui mais habilidoso, escapei dos tiros”, mas Jimmy não representa ameaça para ninguém a não ser a si mesmo. Nas duas vezes que completei essa missão eu fiquei olhando Jimmy por longos minutos até ter coragem de puxar o gatilho e terminar sua existência miserável.

Talvez o GTA IV, com essa cena, tenha feito mais efeito do que muita campanha anti-droga por aí.

P.s.: No YouTube tem um vídeo da missão onde dá pra ver melhor o local.

Por que Wipeout HD me impede de fazer qualquer outra coisa da vida

Sim, eu continuo devendo a continuação dos posts das férias. Mas aí eu inventei de fazer uma conta na Playstation Store (seguindo esta gambiarra aqui) e tinha o Wipeout HD pra vender, via download, pela bagatela de US$ 20, e eu não resisti.

Mas para vocês entenderem rapidamente a dimensão do meu problema, basta uma olhada na imagem abaixo:

 Wipeout HD

Aí você pensa: “Que ilustração bonita, é da embalagem do jogo?”. Meu amigo, minha amiga, eu lhes digo: Isto é um screenshot do jogo. Sem Photoshop, sem NADA.

Mas não é só isso: agora clique sobre a imagem e veja a versão em tamanho original do screenshot. Repare que a resolução da imagem inteira é de 1920×1080 – o chamado “full HD”. Sim, meu amigo, minha amiga, Wipeout HD é isso aí em cima, rodando em 1920×1080 a 60 FPS.

É sério, gente. Depois de jogar Wipeout HD eu estou tendo problemas pra voltar a jogar GTA IV, porque ele fica FEIO na comparação. Na verdade o Wipeout HD é meio que um “cartão de visita visual da Sony” para o poder de processamento do PS3, mesmo porque essa é a única novidade – a trilha sonora é a mesma do Wipeoute Pulse, do PSP, e as pistas são remakes de pistas do Pulse e do Wipeout Pure, do PS2.

Entendeu o problema? E olha que eu ainda não joguei o multiplayer online, nem dele nem do GTA IV, porque estou prevendo que, no dia em que eu fizer isso, eu nunca mais voltarei a postar aqui…

Por que GTA IV me impede de fazer qualquer outra coisa da vida

Primeiramente: Não, eu não morri, apesar de não atualizar o blog há um tempão.

Sim, eu estou devendo a continuação dos posts das férias. O problema é isso aqui:

gta

Notou que tem uma TV LCD de 40 polegadas ali? E que tem um Playstation 3 em frente à TV? E que o jogo que está na tela é Grand Theft Auto IV, aquele que está prestes a desbancar a série Half-Life no meu ranking dos “melhores jogos de todos os tempos”? Pois é.

Eu estou me segurando pra não ficar falando sem parar de GTA IV, especialmente no Twitter. Além do óbvio (gráficos de cair o queixo, storyline excelente, trilha sonora – no rádio – extensa e bem selecionada, liberdade pra fazer o que quiser na cidade), o cuidado com os detalhes no jogo é TÃO ABSURDAMENTE GRANDE que chega a ser assustador. Por exemplo:

  • Os danos quando você bate o carro são altamente realistas. Tipo, se você anda muito tempo com um pára-choque arranhado, com o tempo a pintura começa a descascar. Passar com o carro na terra ou areia deixa sujeira bastante realista nos paralamas, atropelar pessoas deixa manchas de sangue, etc. Se você acelerar demais um carro com o motor muito danificado, ele superaquece e pega fogo, ou pára de ligar quando você bate de frente com alguma coisa. Nestes casos o Niko fica virando a chave e reclamando: “Come on, you piece of junk, start!”.
  • O GTA tem um avanço na “ragdoll physics” que é muito legal: quando você tromba com alguém na rua (a pé ou de carro), a pessoa não é simplesmente jogada pro ar como um boneco molenga: ela tenta se apoiar em alguma coisa, protege instintivamente a cabeça e até tenta manter o equilíbrio antes de cair. Os atropelamentos ficam MUITO mais realistas. O vídeo abaixo mostra alguns exemplos.
  • Se você seguir alguém na rua que esteja conversando ao celular, dá pra ouvir a conversa inteirinha. E do começo ao fim ela sempre faz sentido. E eu NUNCA, em mais de OITENTA HORAS de jogo, ouvi uma conversa repetida.
  • Tem também as coisas hilárias que se ouve na rua. Outro dia tinha um cara em frente à uma vitrine, dizendo: “Eu vou comprar. Não, não vou. Vou sim, eu quero. Não, não posso!”. Todos os diálogos tem contexto: o pessoal se assusta quando te vê roubando um carro ou empunhando uma arma na rua, e exclama coisas hilárias como “we’re being invaded!” ou até palavrões inusitados como “robot man juice” ou o meu predileto: “cheesy vaginas!!”.
    E por umas duas vezes eu já fui xingado de “filho da puta” no trânsito, em português. Sim, Liberty City tem imigrantes portugueses.
  • Semana passada eu descobri que dá pra assistir a tevê que tem no apartamento de Niko. E fiquei MEIA HORA ASSISTINDO A TELEVISÃO DO JOGO. A programação é ENORME: tem desenho animado, reality show (“America’s Next Top Hooker”), programa de fofoca de celebridades, infomerciais estilo Shoptime e mais uma penca de coisa.
  • A internet do jogo também é interessante. Quando você termina uma missão que teve muito tiroteio (como “Three Leaf Clover”, um assalto a banco que me lembrou “Onze homens e um segredo”), além dos “newsflashs” que tocam no rádio, sempre tem reportagens sobre o ocorrido nos sites de notícias. Tem também sites-paródia do Craigslist (Craplist.net), YouTube, MySpace e mais um monte, todos cheios de conteúdo. Niko até tem email (que entope de spam com o tempo, inclusive), e você pode até arrumar namoradas pela internet.

P.s.: Tem também um outro assunto “do momento” que nem comentei aqui: tá rolando Campus Party esta semana. Eu poderia ir de graça e acampar lá a semana toda, mas com base no que vi ano passado achei melhor não ir nesta edição. E pelo que estou ouvindo no Twitter (cuja tag #cparty virou um grande mural de recados) minha decisão, infelizmente, foi acertada. De ontem pra hoje teve até briga

As imagens que marcaram a semana

…bem, pelo menos a MINHA semana.

Treinamento

Esse aí em cima sou eu, no modo “Prof. Primo”, dando um treinamento no Rio de Janeiro na última sexta-feira. Seria a foto de um dia normal, não fosse este o meu último dia de trabalho deste ano de 2008.

Eu esperei muito, e ansiosamente, por este dia.

Se me pedissem para definir este ano em uma palavra, seria “stress”. Foi o primeiro ano morando em São Paulo, teve o fiasco do projeto na Espanha, tem o projeto atual que está absurdamente estressante e que, quando não me dá insônia, me manda pra lugares nunca imaginados desse Brasilzão de meu Deus. Eu ando até com medo de ler meus e-mails, minha caixa de entrada parece a terceira guerra mundial: só cai bomba. Então foi com um alívio ABSURDO que eu entrei no avião no final da sexta-feira e iniciei, oficialmente, um período de duas semanas de férias entre o natal e o ano novo.

Falando em natal, Papai Noel (ou seja, minha esposa) foi bastante condescendente com meu stress. Ela, que já havia acertado a mão no meu presente de aniversário, resolveu seguir a tendência de presentes “nerd-gamer” no natal e, portanto, agora sou o feliz proprietário de nada menos do que um Playstation 3!

Playstation 3

E mais: na vida real eu ainda viajo de férias para passar uns dias na praia, mas no virtual eu estou adorando minhas férias em Liberty City, a cidade do espetacular Grand Theft Auto IV

Eu sabia que o GTA IV era detalhado, mas não sabia que era TÃO detalhado, tanto que o jogo acompanha um mapa da cidade e um guia das “atrações turísticas”…

gta4

Bom, está na hora de mais um, er, city tour em Liberty City. Só devo voltar a postar aqui ano que vem, então desejo a você, querido leitor, boas festas e feliz ano novo!

P.s.: No dia 25, lembre-se que a coisa toda não se resume a Papai Noel e dê os parabéns ao aniversariante. Mesmo que seja em um breve pensamento.

O Primo recomenda – Wipeout Pulse (PSP)

wipeout-pulse Eu estou completamente e absolutamente viciado no Wipeout Pulse do PSP. Há tempos um jogo não me dava um "barato" tão bom.

A jogabilidade é INTENSA e altamente absorvente, dá aquele "racer’s high" de quando você está absolutamente concentrado em alguma coisa como se a sua vida dependesse daquilo – coisa que eu nunca tinha tido em nenhum jogo single player, apenas nos FPS online multiplayer como o Team Fortress ou o Wolfenstein: Enemy Territory. Tudo acontece muito rápido e uma fração de segundos é a diferença entre você estar em primeiro lugar ou virar uma bola de fogo incandescente e explodir. Mas o mais incrível é que, apesar disto, o Wipeout consegue a proeza de ser desafiador sem ser frustrante.

Além de tudo a "usabilidade" do troço é muito boa para sessões ocasionais de jogatina: ele é perfeitamente funcional com ou sem som ou sem os fones de ouvido, e sua estrutura de inúmeras corridas curtinhas é perfeita pra preencher aquelas pequenas esperas do dia-a-dia, como quando você só quer bater uma corridinha de 3 minutos enquanto sua mulher está na C&A experimentando roupas no provador (eu testei isto, e recomendo!). E o esquema de corridas contidas em "grids" de dificuldade progressiva, que vão abrindo conforme você completa o grid anterior, dá aquele viciozinho estilo "só vou passar mais um nível e depois eu paro"… e lá se vão algumas HORAS.

WipeoutPulse_1

E como se não bastasse ele é futurista, ele é visualmente lindo e a trilha sonora, meu amigo… tem Kraftwerk, tem Aphex Twin, tem Stanton Warriors, Optical, Booka Shade e por aí vai. Mas a cereja no topo do sundae é que dá pra jogar via wi-fi, tanto com amigos em redes Ad-Hoc (PSP versus PSP) quanto pela internet mesmo, usando o wi-fi da sua casa. No dia em que eu descobri isso eu quase imbolotei…

Pacotes turísticos que a CVC nunca vai vender

Afinal, graças à tecnologia, existem lugares fantásticos, construídos com muito esmero e muito bonitos de se explorar – apesar do fato de não existirem fisicamente. Eu, particularmente, adoro esse tipo de turismo virtual. Normalmente ele é muito mais emocionante e surpreendente do que qualquer city-tour desmaiado por algum conjunto de praça-igreja-monumento de alguma cidade manjada que você já se cansou de ver em fotos.

Veja só alguns roteiros turísticos, impossíveis no mundo real, mas bem divertidos de se fazer no virtual:

1) San Andreas

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Visitar San Andreas é sinônimo de “liberdade”: tudo, absolutamente TUDO é explorável em seus 36 km² de área. As opções de lazer são incontáveis e incluem:

  • Atrações turísticas: Visite a Ponte de Gant (modelada como a famosa ponte Golden Gate de São Francisco), a Represa Sherman, a base militar ultra-secreta chamada “Area 69”, as simpáticas comunidades rurais de Bone County, etc. As opções de transporte para visitar todas essas atrações são enormes: você pode ir de carro, barco, avião, helicóptero ou até mesmo usando um jetpack.
  • Esportes: corridas de triathlon, descidas emocionantes de mountain bike pelo monte Chiliad (de 800 metros de altura) ou mesmo opções ainda mais radicais, como base jumping dos arranha-céus do centro de San Fierro. Além disso, todos os estádios das grandes cidades oferecem emocionantes competições automotivas sobre quatro ou duas rodas – e com prêmios em dinheiro.
  • Diversão: Há uma variedade enorme de cassinos em Las Venturas com todo tipo de caça-níqueis, roletas, video poker e blackjack. E, para relaxar, aproveite os inúmeros strip clubs (e garotas de programa) espalhados pelo estado.
  • E, se faltar dinheiro para aproveitar tudo que San Andreas oferece, use alguma das muitas opções de trabalho: ganhe a vida como entregador de pizza, manobrista, caminhoneiro, taxista, cafetão, bombeiro…
  • Mas o melhor são as opções ilegais: torne-se mercenário, provoque guerras de gangues, ou simplesmente roube o carro de alguém e saia por aí atropelando quem quiser. Relaxa mais do que ir ao Club Med.

2) Roteiro “Half Life 2” – City 17, Ravenholm, Nova Prospekt

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Acompanhe de perto o desenrolar da revolução em City 17, uma simpática cidade em ruínas, com arquitetura estilo leste europeu e com um enorme arranha-céu (a “cidadela”) bem no meio. Visite também Ravenholm, um vilarejo que parece ter saído diretamente de filmes de terror, ou Nova Prospekt, uma enorme prisão (quase) abandonada. Tudo é como se fosse um “safári pós-moderno”, onde é possivel ter contato com toda uma nova fauna de animais exóticos chamada “combine”. Seguro de vida não incluído.

Murphy aprendeu a dar combos

Ontem, 18:35, fim do expediente. Meu nariz começa a escorrer e eu concluo que estou prestes a gripar, enquanto a temperatura do planalto central cai vertiginosamente. Tudo que eu queria era voltar pro hotel…

…mas não tinha nenhum táxi no ponto.

O táxi só apareceu uns 20 minutos depois. Aí ele se enfiou nos engarrafamentos, chegou até a rodoviária (metade do caminho) e parou no sinal que dá acesso ao Eixo Monumental, movimentadíssimo àquela hora.

E aí Murphy entra no ringue: Round one, FIGHT!

O sinal abre e NINGUÉM anda. Alguns carros buzinam, só que a fila continua parada, parada… até que o sinal volta a fechar.

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FIRST ATTACK!

Vários minutos depois o sinal abre novamente. 2-hit combo: NENHUM carro se mexe. O taxista desce pra dar uma olhada e avisa que tem um guarda fechando o trânsito. “Maldito, deve estar escoando o tráfego pesado do Eixo”, pensei.

20080515_3 Daí o sinal abre de novo, nenhum carro anda, e o Eixo, de repente, esvazia. “Agora vai!”, pensei. Mas ninguém se mexia. 3-hit combo!

Depois de mais duas rodadas do sinal abrindo e fechando, apelei e desci do táxi. Só então, a pé, percebi que quem estava parando o tráfego era um daqueles motoqueiros de escolta presidencial.

“Tá me zoando que esses filhos da puta fecharam a avenida toda só pro Lula passar”, pensei. No mesmo instante os carros pretos da Presidência da República passaram, zunindo, e na sequência o guarda liberou o trânsito.

Meu “ex-táxi” passou por mim enquanto uma voz gritava no subconsciente:

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M-m-m-multiple hit combo!

Furioso, comecei a andar em direção ao hotel. Só que Brasília não é uma cidade feita para pedestres: depois de andar por uns cinco minutos eu percebi que fui parar num lugar de onde não tinha como atravessar para lugar nenhum: o passeio acabava e não havia sinal ou faixa de pedestre, o que me obrigou a voltar exatamente para o lugar de onde desci do táxi. Tech hit!

E assim, depois de uma loooooooonga caminhada (de terno e mochila nas costas, vale lembrar), cansado e suado, dei um longo suspiro quando, finalmente, me vi diante da porta do quarto do hotel. Era o fim do meu calvário. Aí coloquei o cartão na maçaneta e… a porta não abriu. Tentei uma, duas, dez vezes mas não tinha jeito: o cartão-chave havia desmagnetizado.

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MURPHY WINS…FATALITY!