Posts da categoria ‘Música’


Bang on the putty pad all day

16 de junho de 2010, 21:47

Nas minhas muitas aulas de bateria (leia-se: Google + YouTube) uma lição ficou bem evidente: estudar rudimentos. Sem parar. Mas como diabos poderia eu praticar quando se trabalha a mais de 1000 km de seu instrumento?

Felizmente você não precisa da bateria inteira pra estudar: basta um practice pad, ou “praticável”, ou “trequinho redondo que te dá o feeling de um tambor mas que não faz som”. Então no último sábado saí para procurar algo que eu pudesse usar e que não ocupasse muito espaço na mala. E tive uma grata surpresa.

Meu amigo, minha amiga, apresento-lhes o Remo Putty Pad.

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“Pô, mas é muito pequenininho esse tambor, não?”. Calma, vai vendo…

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O Putty Pad é uma massa plástica, semi-rígida. Você tira do potinho, “desenrola” na mesa como se fosse massa de pão e, quando toca em cima, as baquetas repicam exatamente como num tambor.

Isso é a tecnologia a serviço da AWESOMENESS MUSICAL.


Alesis DM6 Electronic Drum Set… SUA LINDA.

30 de maio de 2010, 13:46

Eu comentei bem rapidamente no post da viagem de férias pra NY que acabei trazendo uma bateria eletrônica na mala. Na época achei que foi uma compra não planejada, mas hoje vi que me enganei.

Não foi uma compra por impulso. Foi amor à primeira vista.

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Já tive “casos” com vários instrumentos musicais ao longo da vida: quando adolescente, tímido e socialmente inadequado, me eduquei em teoria musical tocando um tecladinho Yamaha (quase um casiotone for the painfully alone). Depois, achando que era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, tive uma breve incursão pelas (gasp!) rodinhas de violão. Mas meu conhecimento musical em tais instrumentos nunca passou do nível “engana bem”.

Bastaram apenas alguns segundos em frente à bateria e eu tive certeza que ali estava minha alma-gêmea.

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Meu primeiro contato com a bateria foi também meu segundo contato com uma bateria de verdade – a última (e única) vez em que havia tocado uma delas foi há mais de uma década, em Sete Lagoas, interior de Minas, quando o Postal Oitenta (extinta banda de uns amigos) ia fazer um show e a bateria que as bandas da noite usariam ficou algumas horas montada no palco – e eu, intrometido, fui lá brincar um pouco. Não me lembro quanto tempo toquei, mas de uma coisa eu não esqueço: do tanto que me dei bem com o instrumento.

Mas na época acabei cismando que ter uma bateria era um luxo inalcançável – basicamente porque é um troço muito grande, caro e que eu só poderia ter se não morasse em apartamento, por causa do barulho. O tempo, os milagres da microeletrônica e o casamento com uma esposa bastante compreensiva foram reacendendo a vontade.

O que mais me fascina na bateria é que eu me sento no banquinho, pego nas baquetas e é tudo natural, é como se eu tivesse apenas que ensinar aos meus músculos o que o cérebro já quer fazer – possivelmente porque passou centenas de milhares de horas com os ouvidos enfiados em fones ouvindo absolutamente tudo que é tipo de ritmo maluco que existe no mundo. Passei anos ouvindo “aulas” de gênios da bateria (como John McIntyre do Tortoise), aprendi sobre ritmos fisicamente impossíveis com os mais “esquizofrênicos” da música eletrônica (Squarepusher, Aphex Twin)… e, como contra-exemplo, estudei também a ausência de ritmo e a dilatação temporal que a acompanha, ao ouvir os grandes nomes da ambient music. Ou seja, tenho bastante “embasamento teórico”.

O modelo de bateria que comprei permite conectar um MP3 player nela e tocar junto com as músicas. Vocês não tem ideia do quanto isso é divertido: se não fosse a fome, sono ou cansaço eu poderia passar DIAS nessas “jam sessions particulares”. Este exercício tem também outro efeito colateral: os bons bateristas que você já ouviu tornam-se ainda melhores quando você tenta tocar o que eles tocam. “Não é possível, esse cara tem uns quatro braços. Ou uns dois cérebros”, você fica pensando.

Tem pouco mais de um mês que eu trouxe a bateria, e só tenho chance de usá-la aos fins-de-semana, e ainda assim por algumas horas, então tou longe de tocar algo que preste. Mas já dá pra brincar de avacalhar músicas dos amigos e pagar mico no YouTube… :)


Do porquê de eu gostar de música

10 de novembro de 2009, 21:51

Era sexta-feira e eu estava entrando no avião para voltar pra casa. Os cinco dias de trabalho da semana haviam sido absolutamente caóticos e tanta coisa complicada e estapafúrdia havia acontecido que minha cabeça estava tentando amarrar as pontas soltas e conceber alguma sequência lógica, algum significado de dentro daquela bagunça completa que havia sido minha semana. Até que as duas pontas dos fones foram inseridas dentro dos ouvidos e me veio a epifania que, agora, culmina neste post e que tentarei (ou possivelmente falharei em) detalhar nos parágrafos a seguir.

balmorhea

Primeiro, consideremos a necessidade humana de atribuir sentido a tudo. É natural, biológico; o que nos torna humanos é a insistência do cérebro em contextualizar tudo com o qual tem contato, em buscar padrões, entender processos, motivos, razões. Se você pergunta as horas a alguém e esse alguém responde “desculpe, não sei falar português”, você será automaticamente capturado pelo nonsense de uma resposta como essa e tentará desesperadamente conceber alguma razão para que a pessoa tenha respondido aquilo – mesmo que esta razão não exista. Ou você conseguirá simplesmente ignorar uma resposta como essa? Por alguns instantes, pelo menos, aquela pessoa terá domínio total e completo da sua mente. É por essa insistência do cérebro em produzir sentido que as pessoas vêem borboletas em testes de Rorschach, concluem que :) é um sorriso ou ouvem mensagens satânicas em discos da Xuxa reproduzidos de trás pra frente.

E então temos a música – e não se sabe até hoje ao certo pra que fim prático ela serve ou por que diabos o ser humano resolveu se expressar através dela. Música não é necessária como comer ou dormir, música é efeito mas não é causa, é um fim em si mesma. Música, em essência, não faz sentido – nem sequer estruturalmente. Ao escrever este parágrafo, por exemplo, meus fones tocam “We will rebuild with smooth stones”, música do Balmorhea (que empresta uma de suas capas de disco para ilustrar este post). É uma música tocada por dois violões e apenas por eles. São grupos de sons tocados em tons e volumes diferentes, às vezes ritmados e repetidos – uma descrição que poderia servir para descrever também o barulho de um canteiro de obra.

Mas no final daquela sexta-feira caótica, num mundo que lhe obriga a questionar o tempo todo qual o propósito das coisas que você gasta o dia fazendo – e onde, em vários momentos, esse propósito simplesmente não existe – é que a música nos fones de ouvido apareceu como algo reconfortante, como uma entidade de um universo aonde é permitido não fazer sentido. E isso é a melhor coisa sobre música: é uma das únicas coisas que pode existir confortavelmente sem porquê ou ser sem razão de ser.

A melhor coisa da música é que ela não precisa fazer sentido.


Twerk – A obra prima do Basement Jaxx

27 de setembro de 2009, 8:43

Nas últimas décadas produziu-se muita música eletrônica. Muita MESMO, especialmente a de variedade “dançante”. A esmagadora maioria deste universo foi feita, infelizmente, com o único objetivo de ganhar dinheiro e encher os sets de DJs de qualidade duvidosa por aí – o que resultou na dance music sendo taxada de boba e/ou comercial.

Mas se existe alguém que realmente entendeu a dance music e lhe tratou com o devido respeito, esse alguém é o Basement Jaxx. Suas produções podem até usar os mesmos modelos e estética do dance-farofa-de-rádio-FM, mas são feitos de forma TÃO superior que suas músicas são verdadeiramente geniais. É como se eles fossem o Cirque du Soleil da coisa.

Outro dia estava ouvindo pela primeira vez o “Scars”, seu quinto e mais recente disco, quando esbarrei com “Twerk”, aquela que talvez seja a obra-prima do Basement Jaxx – e talvez de toda a dance music da última década.

Mas estamos num universo taxado de bobo e comercial, então a genialidade de “Twerk” tem que ser melhor explicada para separarmos o joio do trigo. Por isso dê um clique no “play” do vídeo abaixo e continue lendo.

Twerp tem dois começos. A primeira é uma linha de synths, densa, única e tão boa que daria pra montar uma outra música inteira em cima dela – mas que acaba e não reaparece em mais nenhum momento da faixa. Isso são os produtores esfregando na sua cara o quanto eles são fodas: “sim, eu vou jogar fora isso aqui e levar a música pra um outro lado AINDA melhor”, dizem eles. E aí vem o começo de verdade da música: a introdução da batida e o baixo – e apenas deles. O Basement Jaxx sabe que 90% de uma boa música dançante está contido nestes dois elementos – e, de fato, mal se passaram 20 segundos de música e ela já está ESCORRENDO groove e dizendo a que veio: veio para fazer você mexer a sua bunda. Mesmo porque “twerk” significa exatamente isto, segundo o Urban Dictionary:

Twerk: Trabalhar o corpo através da dança, em especial a parte traseira.

E os vocais de Yo Majesty entram para completar a bomba sonora, cantando sobre… sobre absolutamente nada. E é EXATAMENTE isso que o vocal de uma música dançante deve fazer: não é hora de contar histórias, é hora de mexer a bunda. A função dos vocais é puramente estética; servem para, ao mesmo tempo, emprestar um toque humano ao monte de sons sintéticos e – nas mãos de bons produtores como o Basement Jaxx – funcionarem como um segundo instrumento percussivo. Reparem bem como as sílabas e a fonética que Yo Majesty usa soam muito mais como batidas do que como palavras, especialmente no refrão (que parece música indiana mas que eu acho que é em inglês):

Get bangin’ on
Get down, get here, show me l[ow me l]ove

Mas são os inúmeros detalhes sonoros e o esmero na produção que elevam “Twerk” de uma simples faixa 9 ao status de obra prima. Se você ouve sem prestar atenção acha que a faixa é apenas batida, baixo e vocais. Mas repare que tem no mínimo umas TRINTA coisas tocando ao mesmo tempo, e TODAS concordam entre si e somam para o conjunto ficar completo e rico, ao invés de confuso. Quem entende alguma coisa sobre produção musical ou já teve uma banda de garagem e sofreu pra fazer guitarra, baixo e bateria não soarem embolados sabe o quanto isto é difícil de conseguir.

E o mais legal é que estes detalhes contém um monte de referências, algumas mais técnicas – como o trechinho de TB-303 que toca lá pelo 1m15s –, outras mais óbvias, como o finalzinho dos versos onde Yo Majesty canta:

She’s a maniac, maaaniac, on the dance floor (she’s on the dance floor!)
She’s dancing like she’s never danced before

Notou alguma coisa familiar? Sim, porque estes versos são emprestados da trilha sonora do filme Flashdance (relembre clicando aqui). Além da referência estar dentro do contexto da música (menina doidinha “trabalhando o corpo” na pista de dança), ainda tem o detalhe que Yo Majesty “canta” através do manjado efeito de auto-tune (aquele, lembra?) - assim, usando o que há de mais moderno na música dançante de hoje para reverenciar a música dançante de ontem.

E ainda sobram mais inúmeros detalhes pra mencionar: a maestria na dinâmica de construir/resolver tensão tonal entre os versos, o high end do espectro sonoro – que é diferente em todos os versos, o toque do phazer nos versos do finalzinho da faixa (“get crazy, get sick / i see you working it”) que deixa o vocal minuciosamente crazy e sick… Dava pra escrever uma tese de mestrado em cima dessa música, mas vou parar por aqui.


O fim de um relacionamento

24 de julho de 2009, 18:44

Lembra da minha “lojinha de MP3 predileta” da internet, a eMusic, que tem até uma categoria de posts nesse blog e era onde eu comprava (sim, COMPRAVA) todas as minhas músicas? Minha relação com ela deu uma guinada e passou de namoro intenso para divórcio azedo, daqueles com advogados, porta na cara e agressividade velada.

Começou com um acordo que ela fez com a Sony (e que provocou um aumento de preços) e culminou nisso aí embaixo:

 emusic

Então é isso, indústria fonográfica. Já que você está PEDINDO pra eu baixar música no torrent, é isso que eu vou fazer.


Vai virar igreja

23 de maio de 2009, 20:16

Ontem. Augusta. Uma da manhã e eu na porta do Club Roxy para, finalmente, ver Pet Duo tocar  – corrigindo, por sinal, um arrependimento de 3 anos atrás.

Aí ouço uma HORDA de pessoas descendo a rua, gritando e fazendo zona. “Normal, Augusta”, pensei.

O pessoal foi chegando mais perto e os gritos foram ficando mais audíveis e eu percebi que a horda gritava, na mesma métrica do “ahh, eu tô maluco”: “AAAAH!!! JESUS TE AMA!!!”. “Normal, turminha ultrajovem dando uma de herético contracultural”, pensei.

Aí o pessoal foi chegando ainda mais perto e eu pude então ler o conteúdo das camisetas: “Jesus te ama”, “Arrependa-se”, e o escambau. E foi aí que eu percebi que aquilo era realmente uma turma de igreja, que veio descendo a Augusta para pregar a nós, “pecadores”, nos bares e portas de boate. Todos estavam empolgadíssimos, sentindo-se o máximo por serem supostos enviados de Deus excursionando valentes em missão sagrada bem no meio da perdição.

E a turba parou em frente à Roxy e, em coro, gritou: “VAI VIRAR IGREJA! VAI VIRAR IGREJA!”.


Aí você pergunta: e o Pet Duo?

Meu amigo, minha amiga… PUTA QUE PARIU. Destruição TOTAL e ABSOLUTA por HORAS. Saí de lá surdo e feliz.


Radiohead na rua, na chuva, na fazenda.

24 de março de 2009, 12:03

Thom Yorke. (Foto by Sérgio Carvalho - "serjaocarvalho" no Flickr)

Show do Radiohead? Fui sim. Não vou discorrer aqui longamente sobre o quão FODA foi o show, mas gostaria de contar uma coisinha que me aconteceu por lá.

Uma das músicas mais bonitas do Radiohead é You And Whose Army. A maior parte dela é apenas Thom Yorke cantando e Johnny Greenwood dedilhando sua guitarra ao fundo, num longo e intenso lamento. Mas o ápice da música vem no final, quando Thom começa a tocar o piano e a banda toda entra enquanto ele canta “we ride tonight / ghost horses”.

E foi este EXATO momento, no meio do show mais esperado da década, que minha mente imbecil escolheu para se dar conta de que a melodia daquela parte é IDÊNTICA ao “tchu tchuru tchu” que tem no finalzinho de Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, estragando You And Whose Army na minha memória para sempre.

Duvida? Clique nos links aí embaixo e veja você mesmo.

P.s.: Os links levam ao ponto certinho do vídeo, então você não precisa assistir tudo.

P.p.s.: Não posso encerrar este post sem mencionar o show do Kraftwerk. Eu não seria ninguém se aqueles alemães safados não tivessem reinventado a música nos anos 70, então pra mim o show foi também um momento de adoração aos meus deuses musicais particulares. Na multidão, num raio de 100m de onde eu estava eu era, de longe, o mais empolgado, pulando, cantando e gritando enquanto o pessoal à minha volta bocejava e mandava mensagens no celular.

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A hora que o telão escreveu "COMPUTERWORLD" eu quase tive um troço de alegria. (Foto: Wikipedia)


Tom Zé, de graça, no interior de São Paulo

29 de outubro de 2008, 18:34

Eu estou a 400 quilômetros da capital, nesta cidadezinha carinhosamente apelidada de "Dead Cow City", onde não são só as vacas do frigorífico onde trabalho que levam o "dead" do pseudônimo a sério: aqui, diariamente, quase nada acontece.

Então foi com muita surpresa que recebi a notícia de que Tom Zé estava na cidade – e mais, para fazer um show gratuito na pracinha em frente à rodoviária.

Tom Zé e banda

O show é iniciativa do Sesc de São Paulo (que tem twitter, olha só!), como parte de um tal Circuito das Artes. Circuito este que é surpreendentemente ousado: nada de turminha do colégio local fazendo pecinha de teatro ou coral da igreja cantando. O Sesc bateu forte, fugiu da mesmice e apresentou arte de qualidade, abrindo a noite com um espetáculo de dança profissional e de altíssimo nível chamado “Tudo que se espera”, depois passando o premiado (e excelente) curta metragem "Os Filmes que Não Fiz" e, no fim, entregando Tom Zé e sua música nada convencional.

Tom Zé e o violão entre as pernas O público, definitivamente, não estava preparado. Das muitas vezes em que me virei pra conferir a reação da platéia a expressão geral era de perplexidade. As senhoras tricotadeiras de Dead Cow City não escondiam o espanto de ver Tom Zé rasgar a própria roupa, cantar versos como "vá tomar na virgem/seu filho da cruz" ou, fechando os olhos em êxtase, meter o violão no meio das pernas. Mas isso é ótimo, tira o povo da zona de conforto e mexe naqueles cantinhos da consciência que o povo insiste em esconder quando vai à missa ou assiste novela.

E ninguém melhor que Tom Zé para esta missão. Tanto que sua primeira ação logo após subir ao palco foi DESCER e mandar, pessoalmente, o público vir se sentar perto dele (já que havia um vão de uns 10 metros entre o palco e as primeiras fileiras de cadeiras de plástico onde a platéia estava). Mesmo com boa parte do seu trabalho sendo bem pouco acessível para a platéia, a intenção de Tom Zé de se aproximar do público era clara – entre uma música e outra ele fazia piadinha com o mascote do time de futebol local, contava histórias de quando compunha com Rita Lee ou de quando foi chamado para discursar na ONU e até explicava os porquês do seu trabalho: por exemplo, antes de cantar "Atchim" (do disco "Danc-Êh-Sá"), cuja letra é "atchim" e nada mais, ele explicou que a idéia do disco nasceu quando viu uma pesquisa da MTV onde os jovens declaravam que detestavam músicas com letra muito comprida.

Tom Zé e a backing vocal O show teve várias músicas do seu próximo disco, "Estudando a Bossa". Acho que nunca um nome de disco descreveu tão bem o seu conteúdo, porque todas as canções que ouvi eram exatamente isso: estudos da bossa nova feitos em bossa nova. As letras eram quase "documentarísticas", com versos do tipo "Carnegie Hall foi quem pinçou João Gilberto", mas o divertido eram as performances, todas altamente simbólicas e referenciativas: Tom Zé desmontou e montou várias vezes o violão que tocava – e que era falso, tinha cordas de elástico (gominha, borracha, chame como quiser); botou as "backing vocals" para cantar em banquinhos – vários banquinhos, de todos os tamanhos, numa referência clara ao mesmo João Gilberto da letra da música; cantou em português e, na sequência, botou o guitarrista cantando a mesma música em inglês, e por aí vai. O problema é que o "miolo" do show foi com essa bossa nova do disco novo, que é mais lenta e intimista que todo o resto do repertório, e eu achei que isso acabou quebrando o ritmo da apresentação.

Destaque também para a execução de "Augusta, Angélica e Consolação" – três mulheres cujos nomes são os mesmos de três famosas ruas da capital paulistana. Confesso que perdi a compostura e saí cantando o refrão ("Augusta… queeeee saudaaaaade…") a plenos pulmões, com dor de cotovelo de estar tão longe de São Paulo, essa cidade feia e suja que eu gosto tanto.

O show fechou com o famoso “xique xique” e com a turma dançando forró em frente ao palco enquanto a banda cantava o refrão: “Sacode a cultura, sacode a cultura”. Sacudiu, de fato. E me deu, finalmente, uma lembrança divertida pra guardar de recordação desse fim de mundo…

Tom Zé estilo "messias com pregadores de roupa"


RjDj – A trilha sonora da sua vida

14 de outubro de 2008, 20:53

Esse é mais um da série “links legais demais para simplesmente jogar ali no meu delicious”.

Eis a coisa com maior potencial que já vi na história da música… o RjDj.

RjDj logo

Imagine ouvir música. Mas imagine que a música que você ouve toma forma de acordo com o ambiente onde você está ou o jeito que você se movimenta. Imagine ouvir batidas agitadas nos fones de ouvido enquanto você anda pela rua, e então entrar num elevador e perceber a música diminuir o ritmo, ficando mais suave… ou então imagine música sendo construida, em tempo real, com os ruídos que acontecem à sua volta, como o barulho do mar, as buzinas de um engarrafamento ou a conversa animada de uma mesa de bar…

Acontece que isso já está disponível desde o último dia 10 de outubro, através de um applet que funciona em qualquer iPhone. E o melhor: uma das versões (a “single”, com uma música) é gratuita.

Tecnicamente o RjDj funciona assim: cada “música” dele é chamada de “scene” (cena), e na verdade é um software que toca sons sequenciados mas que adapta o que é tocado de acordo com dados recebidos pelo microfone ou pelo acelerômetro do iPhone. Para ouvir um exemplo de cair o queixo, dê uma olhada neste trecho de um vídeo que mostra um dos desenvolvedores brincando com seus filhos. Ele está com os fones de ouvido e o RjDj está ligado, captando os sons ambientes pelo microfone do iPhone e transformando, em tempo real, os gritos e passos da criançada em uma trilha sonora suave e etérea. Ficou tão bonito, mas TÃO bonito, que eu quis comprar um iPhone pra mim NA HORA só pra ter este programa.

Outro vídeo legal é esse aí embaixo, mostrando as reações de algumas pessoas ao ouvir as “scenes” pela primeira vez. É simplesmente lindo. Note como todo mundo entende, intuitivamente, como a coisa funciona e começa a cantar no microfone ou a chacoalhar o aparelho. Eu nunca vi algo proporcionar uma experiência tão envolvente em tão pouco tempo e com uma curva de aprendizado inexistente.

A coisa é muito, muito revolucionária. Conforme apontado pelo pessoal do Create Digital Music, isso pode alterar fundamentalmente o que se considera, atualmente, como “música”:

Isso reflete também um novo modelo de como produzir, possuir e precificar música. As cenas que tocam no RjDj são escritas em Pd (Pure Data), um ambiente open-source para criação multimídia. Os artistas normalmente também abrem o código das músicas. Isso cria um tipo de propriedade completamente novo. A música, na verdade, é o software, de uma forma ainda mais direta do que acontece, por exemplo, com a música eletrônica. O software é lançado mais ou menos com o mesmo preço de uma faixa musical vendida online, com a exceção de que, quando você a compra, ela se torna totalmente sua e vai tocar para você de um jeito totalmente diferente do que para qualquer outra pessoa.

Pois é, só sei que estou embasbacado até agora. Alguém tem um iPhone da primeira geração pra me vender, baratinho? :)


O Primo’s Guided Musical Tour 2

25 de setembro de 2008, 22:45

E lá vamos nós de novo! O episódio dois chama-se “Isso não é música de gente séria”. Acho que vocês vão entender rapidinho…

Pra quem ligou agora seu televisor e tá boiando: veja antes o episódio 1.

[youtube]http://br.youtube.com/watch?v=xvNP_z-DnnQ[/youtube]


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