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Estudando a Dance Music

28 de abril de 2013, 20:47

Parte 1 – Estudando a DANCE MUSIC?!

Sim, porque se você me conhece deve estar se perguntando por que diabos eu vou escrever um post enorme sobre – gasp! – dance music. Então é importante uma explicação e um pedido. O pedido é que você faça como eu e abra seu coração a uma opinião que pode soar completamente discordante, ou até mesmo diametralmente oposta, a que você possa ter sobre o assunto. Isto posto, a explicação é a seguinte.

A chegada da idade adulta me trouxe uma série de vantagens inesperadas, como não sentir tanto sono quanto antes e também deixar de ter aquele desejo adolescente bobo de me apegar às coisas como verdades absolutas, de achar que meu ponto de vista tem que ser apaixonadamente defendido até a morte. Isso me fez passar a ver as coisas com olhos mais maduros, imparciais e, principalmente, mais abrangentes para entender/analisar as coisas da vida, especialmente aquelas que eu nunca gostei. Como a homossexualidade, por exemplo (brincadeira).

Para a música, especificamente, isso me fez deixar de frescura e entender que há um valor intrínseco em todos os estilos musicais. “Até funk carioca?”, pergunta você. Meu amigo, o funk carioca talvez seja uma das manifestações culturais mais geniais que nosso país tenha produzido desde a bossa nova. Mas isso é assunto para outro post.

E, se você não parou de ler depois do que falei sobre a bossa nova (obrigado!), concluo dizendo que, quando você se dispõe a deixar o preconceito de lado e tentar entender um estilo musical pela sua própria estética, pelo seu propósito e como ele busca cumprí-lo, você pode se divertir um bocado no processo. E é interessante começar nosso estudo justamente por aí…

Parte 2 – Música para dançar: propósito e escopo

Olha, nem tem como enrolar muito aqui: o propósito de um gênero musical chamado dance music é óbvio.

É importante frisar aqui que o que eu estou encaixando na alcunha de dance music não é só aquilo que os leitores com mais de 30 anos (meu caso) ouviam na boate nos anos 90: é tudo que tenha sido construido, como bem diz a Wikipedia, “com o objetivo específico de facilitar ou acompanhar o ato de dançar”. Ou seja, é música pra fazer você mexer a sua bunda. Aqui entram os estilos clássicos com batida 4×4 (o velho “tumtistum” quadradinho, como o house, techno, trance e similares) como também os estilos modernos, com batida quebrada (drum’n bass, dubstep).

Mas para facilitar a análise vamos estreitá-la a alguns poucos gêneros, notadamente eletrônicos, para poder isolar os aspectos que eu considero  fundamentais para se entender a dance music. Vamos chegar neles em breve.

Parte 3 – Eu me remexo muito: os fundamentos de uma música dançante

Pense na música como veículo de expressão emocional. Você ouve o “OK Computer” do Radiohead, por exemplo, e toda a angústia de Thom Yorke é evidente em cada lamento e cada riff de guitarra. E repare que você não precisa entender a letra para capturar este significado; o diálogo da música com o ouvinte acontece em um nível de significância que não é lógico nem evidente. Há gêneros musicais inteiros batizados puramente na base do seu tom emocional (como o emocore) ou com base no fato de serem mais analíticos do que emotivos (math rock). Já a dance music, de uma certa maneira, transcende a obviedade de significado e também todo o aspecto emocional – ou a ausência dele – porque, para ser eficiente, ela precisa falar ao ouvinte em um nível muito mais básico. Ela precisa estimular em você não uma emoção, mas sim um instinto, como o instinto de sobrevivência ou o instinto – tcharammm… – sexual. Afinal, não é para você ponderar sobre a inexorabilidade da vida: é para você mexer a sua bunda.

Talvez não seja exagero dizer que a dance music conversa diretamente com o homo sapiens que existe dentro de cada um de nós. É por isso que uma boa faixa de dance music é marcada não pelo som rebuscado, pela complexidade harmônica ou pelo virtuosismo dos instrumentistas (quais, né?), e sim pela exploração máxima dos elementos mais básicos da música.

Vamos aprender com um exemplo de um dos grandes mestres da dance music: Fatboy Slim e sua icônica Rockafeller Skank. Aperte play no vídeo, siga lendo e repare em como ele constrói a faixa inteira trabalhando, basicamente, quatro elementos:

  • Repetição, o elemento mais importante de qualquer música dançante, usada para deixá-la previsível e, por isso, confortável. Com 30 segundos de música, você já tem que ser apresentado à praticamente todos os elementos que a compõem. A estrutura da música muito raramente foge do padrão verso/refrão/verso, normalmente preenchendo o intervalo entre cada parte com “breaks” onde você pisa um pouco no freio mas vai aumentando a pressão gradativamente até explodir de volta no verso principal.
  • Ritmo, sempre cru, intenso e marcado. Principal responsável por lhe provocar sensações estranhas do umbigo pra baixo, nunca foge muito do bumbo/caixa/prato.
  • Textura sonora, sempre gritante (nunca discreta) e sempre contemporânea – também para conforto. Em Rockafeller Skank os elementos são samples bastante familiares de guitarra e baixo, repetidos (lembra?) ao longo da faixa.
  • Vocais, para humanização da música e  com letras “postiças”, usadas só pra reforçar o efeito pretendido e/ou dar instruções de como a música deve ser apreciada/dançada. “Check it out now! The funk soul brother” não é uma letra de música: são as instruções de como ouví-la.

Parte 4 – A semelhança entre o sushi e a dance music

Agora que aprendemos que a estrutura da dance music é básica e previsível, você pode estar imaginando que “qualquer idiota faz isso”. Mas não se iluda: tornar-se um grande produtor de dance music é algo muito mais difícil que parece, por um motivo muito simples: na dance music você tem muito menos espaço para trabalhar.

Puramente para fins científicos, vamos comparar a composição de uma música dançante com o trabalho de um sushiman. O sushi japonês tradicional (desconsiderando essas viagens com morango e cream cheese que servem nos restaurantes aqui no Brasil) é apenas uma fatia de peixe sobre um punhado de arroz. Na alta culinária você tem uma infinidade de sabores, temperos e preparos que pode usar pra fazer pratos deliciosos, mas se você quiser fazer um sushi maravilhosamente gostoso, você pode variar apenas dois elementos: o peixe e o arroz. Não dá pra botar sal, cozinhar mais (ou menos) ou acrescentar qualquer outro elemento sem descaracterizar o sushi. Na dance music é a mesma coisa: qualquer tentativa de quebrar sua estrutura ou forma praticamente padronizada a transforma em “não-Dance Music”, então o produtor se vê forçado a fazer tudo “igual mas diferente”.

E é aí que reside a genialidade: em conseguir um nível enorme de qualidade em um espaço muito pequeno de manobra. Outro dia assisti Jiro Dreams of Sushi, documentário sobre um sushiman japonês cujo restaurante tem meses de fila de espera e três estrelas no guia Michelin. O sushi dele é exatamente “peixe sobre arroz”, mas com tudo, desde a seleção dos ingredientes até a forma de preparo, aperfeiçoada em ínfimos detalhes e ao longo de décadas de trabalho. Esta é exatamente a característica dos mestres da música dançante: é tudo “tumtistum”, mas uns são evidentemente melhores que os outros.

Parte 5 – Os grandes mestres: uma exploração ilustrada

Aperte play nos vídeos e siga lendo.

Estudo de caso “a”: The Chemical Brothers

É importante começar pelos clássicos: os caras praticamente ajudaram a inventar/popularizar a música eletrônica, então deles você não espera nada menos do que genialidade. ”Star Guitar” é um ótimo primeiro exemplo. Construída em cima da mesma harmonia da guitarra da introdução de “Starman”, de David Bowie, Star Guitar gira em torno de uma mesma nota praticamente o tempo todo, algumas notas se repetem em ritmo de metralhadora e, principalmente, ela abusa dos “filter sweeps”: quando você coloca um filtro no som e ele desliza do agudo pro grave (bzzzziouunnnn!) e depois pro agudo de novo (whooooosh!). Repare bem: Star Guitar é inteirinha filtrada, e os filtros lhe dão um movimento único e um tom místico, quase astral, reforçado pelo vocal do refrão que diz que “you should feel what I feel, you should take what I take”. Estariam eles falando de drogas, talvez? :)

Repare também que o clipe (dirigido por Michel Gondry) é uma representação visual da música: todos os elementos que você vê se repetem no ritmo dela, e se transformam conforme o som se transforma.

Os trabalhos mais recentes dos Brothers estão cada vez mais “dancefloor-oriented”. A música da cena da boate em “O Cisne Negro”, por exemplo, é deles, e contém um único vocal, que diz: “Don’t think – just let it flow”. Na dance music o espírito é exatamente este.

Estudo de caso “b”: Basement Jaxx

Se existe um Olimpo da música dançante, os caras do Basement Jaxx estão lá. “Back 2 The Wild” é o single mais recente deles.

O Basement Jaxx está num nível completamente jedi de produção musical. O normal é você ter uns 5 canais  numa mixagem de música dance: a batida, alguma coisa como baixo, um lead qualquer, um vocal por cima e alguns efeitos, e fazer isso tudo soar bem junto dá mais trabalho do que parece. Mas nas músicas do Basement Jaxx sempre tem tipo quarenta e cinco coisas diferentes tocando ao mesmo tempo, e nada é invasivo, nada briga com nada. Eu já ouvi “back 2 the wild” umas 50 vezes e toda vez eu acho algum elemento que não tinha ouvido antes.

Exercício: tente encontrar, em “Back 2 The Wild”:

  1. Um apito
  2. O “woop!” de “Sound of da police”, do KRS-One
  3. Uma buzina de carro (esse é difícil, mas acredite, tá lá)

E o mais legal é que eles também conseguem perverter a regra da repetição: alguns destes elementos são usados apenas uma vez na música toda, e nunca mais voltam.

Estudo de caso “c”: Crookers

Se você jogou “Ballad of Gay Tony”, a expansão do Grand Theft Auto 4, você já ouviu Crookers: foram eles os responsáveis pelas músicas da boate onde o protagonista trabalha.

A genialidade dos Crookers é seu “custo-benefício”: faixas extremamente simples e incrivelmente poderosas. Ao contrário do Basement Jaxx, as faixas tem uma batida seca com no máximo três elementos (bumbo, caixa, prato), um lead muitas vezes dobrado junto com o baixo, e… apenas isso. Só que eles tem uma capacidade ímpar de escolher exatamente a batida certa, exatamente o lead certo, e de repetir isso na linha extremamente tênue entre o divertido e a idiotice. A impressão inicial ao ouvir Crookers é a de que você está tendo um derrame, mas que isso é divertido.

Repare que “Knobbers” tem apenas um instrumento na música toda… mas ele pesa uma tonelada.

Apêndice: Leitura (auditiva) Complementar

Outros nomes interessantes da música dançante para explorar:

  • Buraka Som Sistema – Produtores portugueses que “recolonizaram” a África e pegaram emprestado seus melhores elementos rítmicos. Fora que dance music cantada em português é sempre engraçado. (Amostra: Sound of Kuduro – não é aquela porcaria da novela, é “the real deal”, direto de Angola)
  • Simian Mobile Disco – Eles tem uns discos ruins, mas o Attack Decay Sustain Release é um espetáculo, e alguns álbuns menos conhecidos (como o “Delicacies”) são feitos bem especificamente para a pista de dança. (Amostra: Hustler)
  • Rustie – Décadas ouvindo música eletrônica e nunca ouvi nada como esse cara. A energia contida em cada uma das suas faixas poderia alimentar uma pequena cidade por 6 meses. (Amostra: Ultra Thizz)
  • Vitalic – No mesmo estilo “Crookers”, mas para um público mais classe A, faixas simples mas que pesam uma tonelada. (Amostra: La Rock 01)
  • Toy Selectah – Essa história de globalização tem uns produtos engraçados, tipo essa mistura de raggaton colombiano com música de festa rave. (Amostra: La Ravertona)


Observações pertinentes e oportunas sobre assuntos totalmente aleatórios

23 de janeiro de 2013, 16:01

Achei que tinha desenvolvido uma tolerância à cafeína depois que comecei a ficar com sono logo depois de beber café espresso. Mas aí reparei que a forma que bebo cafeína é que faz diferença no tanto que ele me acorda.

Donde temos a seguinte escala:

  • Espresso – Efeito nulo ou negativo (me dá sono)
  • Café de coador – Efeito leve. Os cafés ruins de escritório (estilo ‘café de asa de barata’), sem açúcar, são um pouquinho mais eficientes.
  • Café solúvel – Efeito considerável. Destaque para o Nestlé DuoGrão (a.k.a. “do ogrão”), que mistura café solúvel com pó de café puro. A cafeína lhe dá um tabefe na cara quando você bebe.
  • Café americano (aquele do Starbucks) – Efeito bastante consideravel, mesmo no tamanho pequeno (“tall”).  No final do copo eu já estou me sentindo meio Papaléguas.

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Estava vendo minha music library e pensando: é praticamente um milagre eu não usar drogas. Nos últimos tempos eu ando ouvindo muuuuita música de noiado/frito/v1d4l0k4. Exemplos:

  • Mad Lib: Discos com 50 faixas de 1 minuto cada, todas feitas de uma brisa das mais abstratas. É filosofia stoner, versão musical.
  • Ras G: Eu ouço e dá pra imaginar o próprio Ras no meio da nuvem de fumaça, falando, arrastado: “Dude…. duuuude… u feelin this?…” (ps.: a faixa 11 do disco se chama “jus feel”)
  • Emeralds: A música se repete, repete, repete, repete, repete… e então o ácido bate.
  • OOIOO: Versão japonesa do Santo Daime.
  • Rustie: É tipo o cara que cheira uma linha e sai andando pela pista de dança se sentindo o próprio Alexandre Frota.
  • SugarBeats: Tu toma um “E” e aquele show de funk (não o carioca, o de James Brown) subitamente fica… crocante.

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Eu continuo naquelas de contratar gente, o que significa ver milhares de CVs, o que significa ver coisas bizarras como:

  • Gente que manda CV e no cabeçalho, logo debaixo do nome, vem o nome artístico.
  • Gente que coloca hashtags no subject do email. Tipo: #Curriculo #Vaga #Projetos.
  • Teve uma menina que incluiu uma citação de Mary Poppins no final do CV. Dizia assim:

Em cada trabalho a ser feito há um elemento de diversão. Você acha a diversão e – pronto! – o trabalho vira um lazer!

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Num fim de semana desses aí fomos conhecer Campos do Jordão. Sim, tá no verão, mas os dias estavam chuvosos e frios (a.k.a. “verão em São Paulo”).

As pessoas chamam Campos do Jordão de “a Suíça brasileira”. Na verdade é uma “Suíça wannabe“, como bem definiu Bethania. Os caras fazem os telhados pontudinhos, servem fondue por tudo que é canto e – voilá! – eis a Suíça… versão brega.

Pra piorar, a cidade não funciona/não entrega:

  • No posto de informações turísticas, logo na porta da cidade, ao ser perguntada sobre opções de turismo para dias chuvosos como aquele, a mocinha respondeu: “então né… chovendo assim é complicado…”
  • Agendamos uma visita à fábrica da Baden Baden, quando o tour começou a mocinha disse que não teríamos acesso à fábrica por questões de segurança e o “tour” foi ela levando a gente pra ver uns barris de cerveja e lendo uma timeline com a história da cervejaria pregada na parede. Durou 10 minutos. No final deram dois copos de cerveja pra cada um, possivelmente pra ver se, bebendo, a gente esquecia aquela picaretagem.
  • O Palácio da Boa vista fecha pro almoço (bem na hora que chegamos lá). Aí, pra não perder a viagem, resolvemos ir ao Café do Palácio, que – surpresa! – não tinha café.
  • A aclamada “Fazenda Lenz Gourmet” é uma terrível armadilha pra turistas: de gourmet só o nome, porque o garçom errou tudo do nosso pedido, do ponto da carne às bebidas. A “área de lazer” da fazenda é deprimente, parece um galpão abandonado.


Você não precisa nem do seu nome

19 de agosto de 2012, 10:47

Toda vez que eu escuto o podcast do The Hype Machine eu acabo tendo altos insights, não apenas sobre música mas sobre um monte de coisas.

O podcast tem um quadro onde eles entrevistam gente da “blogosfera musical” e pedem indicações musicais. Na edição de agosto os entrevistados foram os caras do No Fear of Pop, e eles contaram uma história fantástica…

Eles receberam um email anônimo, de uma linha, dizendo apenas: “oi, eu sou um produtor anônimo e esta é uma das minhas músicas”. Foram ver e a faixa era tipo um pós-UK-grime estilo Burial, mas muito bem produzido, e então eles acabaram postando a música. E a partir daí toda semana foram recebendo outros emails anônimos com mais faixas.

E acabou que esse cara totalmente anônimo foi a recomendação musical deles no Hype Machine. Foi curioso ouvir o locutor anunciando: “All right, let’s check it out, this is ‘unknown’ on Hype Machine Radio”.

Pensa bem: um cara anônimo produziu umas coisas em casa, mandou um email pra um casal de blogueiros berlinenses e isso foi parar  em vários outros ouvidos mundo afora – simplesmente surfando no hype. Não foi preciso nenhuma divulgação, jabá, publicidade, endosso de celebridade, nada. Não precisou nem do nome do compositor.

E é interessante como a “máquina do hype” é poderosa. No mesmo podcast comentaram sobre o disco novo do Tame Impala que sai em outubro e dizendo que a banda soltou alguns singles online e os blogs todos repostaram. E só então me toquei que eu nunca vi sequer um bannerzinho em flash em nenhum canto da internet dizendo “Ouça o novo do Tame Impala”. O fato é que, fora do mainstream, simplesmente não existe publicidade para bandas e ainda assim o Tame Impala lotou o Cine Jóia aqui em SP semana passada.

O que me leva a crer que há uma grande chance de que a minha nova profissão não exista mais daqui a algumas décadas.


O fracasso total da minha primeira compra na iTunes Store BR

16 de junho de 2012, 13:12

O Satanique Samba Trio é uma das pouquíssimas bandas brasileiras que eu sou realmente fã: comprei todos os discos, a maioria no saudoso eMusic, (que por uma imbecilidade jurídica está bloqueado para brasileiros), fui em vários shows deles (um deles na maldita Brasília)… até a única camiseta de banda que tenho é deles.

O último disco deles era de 2010, e como não tenho mais tempo pra acompanhar música, só na última quinta descobrir que eles tinham lançado um disco novo em janeiro desse ano. Fiquei louco e, na pressa de descobrir a maneira mais rápida de adquirir o disco, lembrei da iTunes Store brasileira. E ele tava lá, a US$ 10, preço mais do que justo. Comprei na hora.

Resolvi separar o pouquíssimo tempo diário que eu consigo passar sozinho e sem interrupções – ou seja, o trajeto de trem que eu faço de casa pro trabalho – pra poder saborear o disco novo tranquilamente. Aí me preparei todo, botei o disco em dois iPods diferentes pra não ter erro, peguei meus caríssimos fones de ouvido novos, saí de casa e, sorridente, apertei o play.

E então eu descobri que todas as faixas tinham sido baixadas pela metade.

Sim, faixas originais, compradas diretamente da Apple na iTunes Store brasileira… todas com a porra do download corrompido! Arruinou completamente a minha primeira audição de um disco que eu esperava desde 2010.

Mas o que mais me indignou é que, se eu tivesse baixado o disco no torrent ou nos inumeros blogspots de música pirata da internet, com toda certeza do mundo o disco ia estar perfeitamente funcional.

Foi minha primeira e última compra na iTunes Store.  E se bobear minha primeira e última compra em qualquer distribuição digital que não seja diretamente relacionada ao artista.

Update: Nas últimas semanas tá rolando um rebuliço na internet por causa da história de Ellen White, estagiária da NPR (uma rádio norte-americana), que escreveu um post dizendo que tem 11000 músicas no iTunes e que só comprou 15 CDs até hoje. Uma das melhores respostas foi uma longa carta aberta do músico David Lowery que é tão tocante que me fez abandonar completamente e de uma vez por todas o download de música pirata na internet. É sério, acabo de gastar US$ 30 no Bleep.com inclusive :)


Silêncio

26 de fevereiro de 2012, 2:09

Se você parar pra pensar, a ideia usual que se tem do silêncio é uma ausência, um vazio.

Daí hoje de madrugada eu aproveitei a quietude da cidade pra pensar nisso e percebi que há um aspecto que normalmente a gente não considera: o do silêncio como uma possibilidade. A falta de sons como a chance de qualquer um deles.

Talvez seja isso que John Cage pensou ao conceber 4’33, sua composição mais famosa, composta unicamente de silêncio. Não usar nenhum som não significa nada, na verdade implica em um universo interpretativo onde tudo é possível.

Alem disso, a não-coisa não existe apenas para que a coisa ao qual ela contrasta exista. Se a sombra é a ausência de luz, isso não faz com que a sombra seja uma não-coisa, pois ela é também um conceito concreto, mesmo que seja feita da ausência de algo. Mas no universo sonoro o silêncio – a não-coisa que define o som – é, por alguma razão, desvalorizado ou até desconsiderado.

Da próxima vez em que tiver a (rara) oportunidade de ouvir o silencio, observe como ele é aquilo que “podia ter sido e que não foi”*. Talvez nisto esteja a base da sua intrínseca beleza.

* – Aproveitando aqui a frase de Manuel Bandeira, para descrever o indescritível.


Shows que merecem um post: Girl Talk

28 de novembro de 2010, 10:27

Shows sempre são cheios de surpresas pra mim. Da última vez, quis ver o Radiohead mas acabei fritando mesmo com o Kraftwerk. Sábado passado, no Planeta Terra, não foi diferente: fui pra ver o Pavement, mas gostei mesmo foi de ninguém menos que Girl Talk.

Já eram duas da manhã e eu estava exausto, desidratado, e gastando minha última ficha de cerveja em frente ao “palco Indie” (que nomezinho) quando Girl Talk subiu sozinho no palco. Ainda não tinha nada tocando mas o cara já estava em cima da mesa de som, gritando, alucinado: “LEMME HEAR YOU MAKE SOME NOOOOOOOOOOOOOOISE!!!!”. E aí entra a música e uns assistentes dele pegam uns leafblowers (sabe, aqueles sopradores de folha?) com rolos de papel higiênico amarrados na ponta e começam, numa gambiarra genial, a disparar papel higiênico no público como se fosse serpentina. E era MUITO papel higiênico. Ironicamente, no outro palco Billy Corgan tocava um show chato usando uma camiseta escrito “NATURE”, ao invés do clássico “ZERO”, enquanto a gente tava lá desperdiçando metros e mais metros de papel. E quando o caos já estava completamente instalado, de repente sobem umas TRINTA pessoas no palco – gente aleatória, da produção, de outras bandas, VIPs, repórteres, etc. – que começam a dançar e jogar ainda mais papel higiênico uns nos outros. Gregg Gillis (o Girl Talk em si) era de longe o mais animado: o cara estava absolutamente elétrico, pulando e dançando e gritando o tempo todo com um vigor indescritível, inacreditável.

Entendi a proposta na hora.

Instantes depois, apesar de exausto e desidratado, eu fui parar na grade em frente ao palco, pulando e cantando junto. E foi assim que eu vi um dos shows mais divertidos de toda a minha vida.

Aí você deve estar pensando “Porra! Mas teve PAVEMENT no mesmo dia e cê tá aí pagando pau pra um cara que não faz nada além de tocar Britney Spears misturado com Kanye West misturado com Rihanna?”. Sim, porque a proposta de Girl Talk não era a de fazer um show “musical”, como o das outras bandas, que efetivamente tocaram alguma coisa, que possuem importância histórica e uma discografia ilibada (como o Pavement). A proposta do show do Girl Talk era justamente a de largar toda essa seriedade de lado e simplesmente se divertir. E nada mais divertido que música pop, pirateada e misturada de forma avacalhada – o que, em si, é uma forma de perverter a indústria do entretenimento, coisa que sempre dá uma satisfação interior. Claro que teve um monte de indies cabeçudos que não se permitiram curtir o show porque tocava 30 segundos de Britney Spears ou porque misturava Jay-Z com Black Sabbath. Eu mesmo confesso um breve instante de descrença de mim mesmo quando me peguei cantando, a plenos pulmões, o refrão de “Living on a prayer”. Mas era justamente isso a parte divertida do show: a oportunidade de abandonar preconceitos e festejar.

E, convenhamos, tem umas combinações que você jamais imaginaria que funcionariam tão bem, como Lady Gaga e Aphex Twin…

Veja uma parte do show aqui (dá até pra me ver em 5:50), ou baixe All Day, o disco novo de Girl Talk, gratuito e ilegal, aqui.


Músicas que merecem um post: “A Real Woman”, Squarepusher

25 de novembro de 2010, 22:34

Primeiro, contexto. Você precisa saber de quem estou falando, se é que ainda não sabe. Segundo o olhar penetrante de Jimmy Wales:

Squarepusher é o pseudônimo de Tom Jenkinson, um músico inglês contratado pela Warp Records. Ele é especializado nos gêneros de música eletrônica chamados drum and bassacid, com influências significativas de jazzmusique concrète.

É importante você saber também que Tom Jenkinson não é apenas um “produtor” que sabe operar um laptop e alguma parafernália eletrônica: ele é um baixista. Isto é importante para entender por que “A Real Woman”, a quarta faixa do disco “Just a Souvenir” (de 2008), é tão genial que, sozinha, mereceu este post enorme.

Agora você já pode clicar no “play” aí embaixo e continuar lendo.

“A Real Woman” já garante uma “simpatia” inicial ao partir de uma combinação simples mas extremamente eficiente de punk rock, Kraftwerk e jungle/drum and bass. Mesmo que seja pra ouvir só en passant, sem prestar muita atenção, enquanto lê/come/vê TV/etc., a música já funciona bem pela facilidade com a qual os três elementos se misturam. As qualidades de cada um deles – o repique do drum and bass, o vigor do punk e a voz “vocoderzada” do Kraftwerk – foram cuidadosamente orquestradas para se misturar sem disputar espaço, complementando uma à outra.

Daí você pega os fones de ouvido e escuta “A Real Woman” de novo, desta vez prestando bastante atenção nos detalhes. E aí ela vai ficando cada vez mais genial.

Comecemos pela mixagem: a faixa abre só com a bateria, que soa fabulosamente bem, a ponto de eu não conseguir distinguir se ela é eletronicamente programada ou não. Artistas do drum and bass tomam um cuidado todo especial com a bateria (porque, oras, ela é 50% do drum and bass), e em especial com o snare drum (a “caixa”). Ela, assim como o bumbo, é repetida à exaustão e é quem sustenta todo o som da bateria – o bumbo marcando o tempo e a caixa, no contratempo. Sabendo que a combinação bumbo-caixa é a “alma” de uma boa música, Squarepusher obteve, sei lá como, o som mais lindo de snare drum que eu já ouvi em toda a minha vivência musical e botou nesta faixa. Na mixagem eu quase consigo enxergar (sim, com os olhos, sinestesia FTW) a pele do tambor vibrando, tamanha a precisão e clareza sonora. Repare também que nenhum outro tambor é usado na música – simplesmente porque não precisa. Todos os fills são feitos só com os pratos, o bumbo e variações do repique da caixa – todos inacreditáveis.

E então a música abre e segue sua levada punk. Uma das notoriedades do punk rock é sua “pobreza harmônica”. Mas sem ofensa; refiro-me ao fato de que o punk rock é baseado na “simplicidade com intensidade”: letras fáceis, guitarra tocada de forma básica e – aqui vem o principal – uma harmonia muito, muito simples. Quatro acordes, no máximo. Nada de firulas como “Sol com quinta aumentada” ou “Fá diminuto” – é tudo simplão, toscão, são todos acordes que qualquer um aprenderia a tocar só de ler numa revistinha, daquelas de banca, com músicas cifradas da Legião Urbana (hehe) e tal. Só que Squarepusher é conhecido pelas suas influências de jazz – e jazz está no extremo oposto da simplicidade harmônica do punk. Além do mais, ele é um baixista, e baixistas, como fazem uma espécie de “base harmônica” no som de uma banda, tendem a entender muito bem de harmonia e não se intimidar para fazer modulações, usar dissonâncias e fazer transições bem pouco intuitivas ao longo de uma música. Só que em “A Real Woman” Squarepusher se propôs a fazer um punk rock. E é aí que reside outro aspecto da genialidade da música: ele usa a simplicidade do punk como elemento de contraste, intercalando, em três momentos no meio da música, uma longa frase de baixo, complexa, dissonante e em tercinas – que, por ser o oposto de todo o resto da música, a completa como obra de arte.

Tá, essa foi difícil de entender, eu admito. Mas vamos por partes: primeiramente, estou falando de uma frase musical, ou seja, não é nada que ele canta, e sim uma sequência rápida de notas que ele toca no baixo. Esta frase aparece pela primeira vez aos 0:41 segundos e termina aos 0:51. Ouviu? Agora repare que a estrutura da música é assim:

  • Introdução e o primeiro verso
  • A frase maluca do baixo (aos 0:41, durando 10 segundos), que quebra a sequência simples que a música tinha até então, circula por uma série de tons malucos, mas termina no mesmo tom do primeiro verso (lá bemol).
  • Um segundo verso, musicalmente igual ao primeiro mas com a letra diferente.
  • A frase maluca de novo, aos 1:26 segundos – mas repare que desta vez ela está quatro segundos mais longa (vai até 1:40), e não termina no mesmo tom do verso anterior, e sim uma quinta menor abaixo (em mi), o que permite introduzir…
  • …um verso todo novo, um pouco mais, digamos, “agressivo”, que começa a quebrar a sequência punk-rockeira simples e até termina dissonante (aos 1:57), como que para dar a entender que há algo muito mais complexo querendo sair de dentro da faixa.
  • Aí vem um terceiro verso, também musicalmente igual ao primeiro, mas com pequenas variações na letra e nos fills da caixa da bateria. E aí a música caminha para o fim…
  • …aos 2:46, quando a frase maluca de baixo volta e é tocada inteira, fechando a música.

A beleza desta frase de baixo (que, após algumas audições, vai ficando mais amistosa e fácil de entender) é que ela é o que “costura” os versos da música: se você deixa de lado os 4 segundos finais dela, você “desce” da sequência de notas em lá bemol e pode engatar os versos-base. Se você toca ela inteira, vai “descer” dela numa quinta menor, e aí pode tocar o verso diferente ou finalizar a música. É como se a sequência de notas fosse o DNA da faixa.

A discografia de Squarepusher é bastante rica. Além do “Just a Souvenir”, valem uma audição o “Hard Normal Daddy” (de 1997, um clássico) e o “Go Plastic”. O “Big Loada” tem o clipe mais divertido da história (o de “Come on my selector”, imperdível), mas o disco é meio mais ou menos.


Bang on the putty pad all day

16 de junho de 2010, 21:47

Nas minhas muitas aulas de bateria (leia-se: Google + YouTube) uma lição ficou bem evidente: estudar rudimentos. Sem parar. Mas como diabos poderia eu praticar quando se trabalha a mais de 1000 km de seu instrumento?

Felizmente você não precisa da bateria inteira pra estudar: basta um practice pad, ou “praticável”, ou “trequinho redondo que te dá o feeling de um tambor mas que não faz som”. Então no último sábado saí para procurar algo que eu pudesse usar e que não ocupasse muito espaço na mala. E tive uma grata surpresa.

Meu amigo, minha amiga, apresento-lhes o Remo Putty Pad.

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“Pô, mas é muito pequenininho esse tambor, não?”. Calma, vai vendo…

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O Putty Pad é uma massa plástica, semi-rígida. Você tira do potinho, “desenrola” na mesa como se fosse massa de pão e, quando toca em cima, as baquetas repicam exatamente como num tambor.

Isso é a tecnologia a serviço da AWESOMENESS MUSICAL.


Alesis DM6 Electronic Drum Set… SUA LINDA.

30 de maio de 2010, 13:46

Eu comentei bem rapidamente no post da viagem de férias pra NY que acabei trazendo uma bateria eletrônica na mala. Na época achei que foi uma compra não planejada, mas hoje vi que me enganei.

Não foi uma compra por impulso. Foi amor à primeira vista.

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Já tive “casos” com vários instrumentos musicais ao longo da vida: quando adolescente, tímido e socialmente inadequado, me eduquei em teoria musical tocando um tecladinho Yamaha (quase um casiotone for the painfully alone). Depois, achando que era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, tive uma breve incursão pelas (gasp!) rodinhas de violão. Mas meu conhecimento musical em tais instrumentos nunca passou do nível “engana bem”.

Bastaram apenas alguns segundos em frente à bateria e eu tive certeza que ali estava minha alma-gêmea.

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Meu primeiro contato com a bateria foi também meu segundo contato com uma bateria de verdade – a última (e única) vez em que havia tocado uma delas foi há mais de uma década, em Sete Lagoas, interior de Minas, quando o Postal Oitenta (extinta banda de uns amigos) ia fazer um show e a bateria que as bandas da noite usariam ficou algumas horas montada no palco – e eu, intrometido, fui lá brincar um pouco. Não me lembro quanto tempo toquei, mas de uma coisa eu não esqueço: do tanto que me dei bem com o instrumento.

Mas na época acabei cismando que ter uma bateria era um luxo inalcançável – basicamente porque é um troço muito grande, caro e que eu só poderia ter se não morasse em apartamento, por causa do barulho. O tempo, os milagres da microeletrônica e o casamento com uma esposa bastante compreensiva foram reacendendo a vontade.

O que mais me fascina na bateria é que eu me sento no banquinho, pego nas baquetas e é tudo natural, é como se eu tivesse apenas que ensinar aos meus músculos o que o cérebro já quer fazer – possivelmente porque passou centenas de milhares de horas com os ouvidos enfiados em fones ouvindo absolutamente tudo que é tipo de ritmo maluco que existe no mundo. Passei anos ouvindo “aulas” de gênios da bateria (como John McIntyre do Tortoise), aprendi sobre ritmos fisicamente impossíveis com os mais “esquizofrênicos” da música eletrônica (Squarepusher, Aphex Twin)… e, como contra-exemplo, estudei também a ausência de ritmo e a dilatação temporal que a acompanha, ao ouvir os grandes nomes da ambient music. Ou seja, tenho bastante “embasamento teórico”.

O modelo de bateria que comprei permite conectar um MP3 player nela e tocar junto com as músicas. Vocês não tem ideia do quanto isso é divertido: se não fosse a fome, sono ou cansaço eu poderia passar DIAS nessas “jam sessions particulares”. Este exercício tem também outro efeito colateral: os bons bateristas que você já ouviu tornam-se ainda melhores quando você tenta tocar o que eles tocam. “Não é possível, esse cara tem uns quatro braços. Ou uns dois cérebros”, você fica pensando.

Tem pouco mais de um mês que eu trouxe a bateria, e só tenho chance de usá-la aos fins-de-semana, e ainda assim por algumas horas, então tou longe de tocar algo que preste. Mas já dá pra brincar de avacalhar músicas dos amigos e pagar mico no YouTube… :)


Mouths Trapped in Static (ou: letras de [não] música)

4 de maio de 2010, 23:03

Em 2007 escrevia eu sobre “Telegraphs in Negative/Mouths Trapped in Static”, disco do Set Fire to Flames:

No site da gravadora Alien8, a história de Telegraphs in Negative é contada. Basicamente, os 13 integrantes da banda acharam um grande celeiro abandonado na área rural de Ontario, no Canadá, levaram o equipamento e se trancaram lá. “O álbum foi formado numa situação de isolamento auto-imposto, com a banda funcionando tanto individualmente quanto comunitariamente, em estágios de pouco ou nenhum sono, níveis variados de intoxicação, e confinados fisicamente”, diz o site.

Telegraphs in negative NÃO é um disco divertido. NÃO é um disco fácil. NÃO é um passeio no parque. É uma jornada difícil por consciências atormentadas, por demônios escondidos atrás de cada pilha de feno e de madeira velha.

Mas a penúltima música, uma semi-faixa-título, é o tema deste post. Possivelmente ela foi produzida espontaneamente por algum dos integrantes da banda telefonando para a namorada, após dias de sofrimento auto-imposto. Como ela é a penúltima faixa você chega nela emocionalmente esgotado após passar pelo resto do disco – mais ou menos como a banda deveria estar após os muitos dias de gravação. E “Mouths Trapped in Static” é o necessário contraponto de tudo isso. Não fosse por esta faixa e “Telegraphs in Negative” seria um disco inaudível.

Creio ser uma das maiores músicas de amor que já ouvi.

(P.s.: Se o inglês estiver ruim:)

- Você pode falar aí?
- Sim.
- Quem está aí?
- …nos caminhões. Não, posso falar sim.
- Tem mais alguém aí?
- Não.
(pausa)
- Um minuto.
- *longo suspiro* Cara…
- Você está realmente cansado. Eu sei. Sua voz está horrível. 
(pausa)
- Te amo.
- Também te amo. (pausa) Eu não quero ficar aqui, quero ficar com você.

*ESTÁTICA*

- Eu estava sentada na cama…
- Sim.
- E estava meio que sonhando acordada…
- Mm-hm.
- E estava me lembrando… (longa pausa) hmm… sei lá, estava me lembrando de um monte de coisa.
- Como o quê?
- Estava me lembrando de quando você veio me ver depois da… coleção?
- Sim.
- E de como você simplesmente entrou pela porta.
- Sim.
- E largou tudo no chão.
- Sim.
- Eu estava só me lembrando disso, fazia muito tempo que eu não pensava nisso.
- Sim.
- E do quanto isso foi incrível.
- Sim. Mm-hm.
- Você tem que desligar?
- Não. Sei lá, não vou desligar com você conversando assim comigo.
- (Risos)
- Hm…
- Tem alguém perto de você?
- Ah, eles não estão prestando atenção.
- Hmm.
- Continue.

*ESTÁTICA*

- Você pode falar comigo quanto tempo quiser falar comigo ou você tem que desligar?
- Não, posso falar com você quanto tempo quiser.
- Eu quero falar com você.

*ESTÁTICA*

- …saudades suas. Não é incrível *ESTÁTICA* quanto eu tenho saudades suas? *ESTÁTICA* E o quanto eu quero sentir meu corpo *ESTÁTICA* estar contra o seu?
- Bem, eu *ESTÁTICA* sentimento. *ESTÁTICA*
- Isso é bom!
- Sim. *ESTÁTICA*
- É bom que seja m*ESTÁTICA*útuo.
- Sim (risos).
- *ESTÁTICA* o quê?
- Mm-hm.
- Sabe, *ESTÁTICA*ensando hoje?
- O quê?
- *ESTÁTICA*mais sortudos do mundo porq*ESTÁTICA* isto, vai *ESTÁTICA* cada vez mais forte e *ESTÁTICA* sempre.
- E no *ESTÁTICA*

(Este post foi originalmente publicado no Impop, saudoso blog da Verbeat, hoje extinto)


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