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	<title>O Primo &#187; Música</title>
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	<description>Desde 2001 fazendo da internet um lugar mais sarcástico.</description>
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		<title>Do porqu&#234; de eu gostar de m&#250;sica</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 00:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Divagações]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Era sexta-feira e eu estava entrando no avião para voltar pra casa. Os cinco dias de trabalho da semana haviam sido absolutamente caóticos e tanta coisa complicada e estapafúrdia havia acontecido que minha cabeça estava tentando amarrar as pontas soltas e conceber alguma sequência lógica, algum significado de dentro daquela bagunça completa que havia sido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Era sexta-feira e eu estava entrando no avião para voltar pra casa. Os cinco dias de trabalho da semana haviam sido absolutamente caóticos e tanta coisa complicada e estapafúrdia havia acontecido que minha cabeça estava tentando amarrar as pontas soltas e conceber alguma sequência lógica, algum significado de dentro daquela bagunça completa que havia sido minha semana. Até que as duas pontas dos fones foram inseridas dentro dos ouvidos e me veio a epifania que, agora, culmina neste post e que tentarei (ou possivelmente falharei em) detalhar nos parágrafos a seguir.</p>
<p><img title="balmorhea" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin: 0px auto; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="284" alt="balmorhea" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2009/11/balmorhea.jpg" width="539" border="0" /> </p>
<p>Primeiro, consideremos a necessidade humana de atribuir sentido a tudo. É natural, biológico; o que nos torna humanos é a insistência do cérebro em contextualizar tudo com o qual tem contato, em buscar padrões, entender processos, motivos, razões. Se você pergunta as horas a alguém e esse alguém responde “desculpe, não sei falar português”, você será automaticamente capturado pelo <em>nonsense</em> de uma resposta como essa e tentará <em>desesperadamente </em>conceber alguma razão para que a pessoa tenha respondido aquilo – mesmo que esta razão não exista. Ou você conseguirá simplesmente ignorar uma resposta como essa? Por alguns instantes, pelo menos, aquela pessoa terá domínio total e completo da sua mente. É por essa insistência do cérebro em produzir sentido que as pessoas vêem borboletas em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teste_de_Rorschach">testes de Rorschach</a>, concluem que <img src='http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' />  é um sorriso ou ouvem mensagens satânicas em discos da Xuxa reproduzidos de trás pra frente.</p>
<p>E então temos a música – e não se sabe até hoje ao certo pra que fim prático ela serve ou por que diabos o ser humano resolveu se expressar através dela. Música não é necessária como comer ou dormir, música é efeito mas não é causa, é um fim em si mesma. Música, em essência, não faz sentido &#8211; nem sequer estruturalmente. Ao escrever este parágrafo, por exemplo, meus fones tocam “We will rebuild with smooth stones”, música do <a href="http://balmorheamusic.com/AIW/updates.html">Balmorhea</a> (que empresta uma de suas capas de disco para ilustrar este post). É uma música tocada por dois violões e apenas por eles. São grupos de sons tocados em tons e volumes diferentes, às vezes ritmados e repetidos – uma descrição que poderia servir para descrever também o barulho de um canteiro de obra. </p>
<p>Mas no final daquela sexta-feira caótica, num mundo que lhe obriga a questionar o tempo todo qual o propósito das coisas que você gasta o dia fazendo – e onde, em vários momentos, esse propósito simplesmente <em>não existe</em> – é que a música nos fones de ouvido apareceu como algo reconfortante, como uma entidade de um universo aonde é <em>permitido</em> não fazer sentido. E isso é a melhor coisa sobre música: é uma das únicas coisas que pode existir confortavelmente sem porquê ou ser sem razão de ser.</p>
<p>A melhor coisa da música é que ela não precisa fazer sentido.</p>
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		<title>Twerk &#8211; A obra prima do Basement Jaxx</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2009 11:43:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Nas últimas décadas produziu-se muita música eletrônica. Muita MESMO, especialmente a de variedade “dançante”. A esmagadora maioria deste universo foi feita, infelizmente, com o único objetivo de ganhar dinheiro e encher os sets de DJs de qualidade duvidosa por aí – o que resultou na dance music sendo taxada de boba e/ou comercial.
Mas se existe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nas últimas décadas produziu-se muita música eletrônica. Muita MESMO, especialmente a de variedade “dançante”<em>.</em> A esmagadora maioria deste universo foi feita, infelizmente, com o único objetivo de ganhar dinheiro e encher os sets de DJs de qualidade duvidosa por aí – o que resultou na <em>dance music</em> sendo taxada de boba e/ou comercial.</p>
<p>Mas se existe alguém que realmente <em>entendeu a dance music </em>e lhe tratou com o devido respeito, esse alguém é o <strong>Basement Jaxx</strong>. Suas produções podem até usar os mesmos modelos e estética do dance-farofa-de-rádio-FM, mas são feitos de forma TÃO superior que suas músicas são verdadeiramente geniais. É como se eles fossem o Cirque du Soleil da coisa.</p>
<p>Outro dia estava ouvindo pela primeira vez o “Scars”, seu quinto e mais recente disco, quando esbarrei com “Twerk”, aquela que talvez seja a obra-prima do Basement Jaxx – e talvez de toda a <em>dance music</em> da última década.</p>
<p>Mas estamos num universo taxado de bobo e comercial, então a genialidade de “Twerk” tem que ser melhor explicada para separarmos o joio do trigo. Por isso dê um clique no “play” do vídeo abaixo e continue lendo.</p>
<div class="wlWriterEditableSmartContent" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:2cb8fb36-fdad-46a5-b417-c0463c2baa29" style="padding-right: 0px; display: inline; padding-left: 0px; float: none; padding-bottom: 0px; margin: 0px; padding-top: 0px">
<div id="e616fa84-ab66-42e3-a394-79ca17753b16" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;">
<div><a href="http://www.youtube.com/watch?v=mgdlQ9XhUtc" target="_new"><img src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2009/09/video1653dd819acf.jpg" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('e616fa84-ab66-42e3-a394-79ca17753b16'); downlevelDiv.innerHTML = &quot;&lt;div&gt;&lt;object width=\&quot;425\&quot; height=\&quot;355\&quot;&gt;&lt;param name=\&quot;movie\&quot; value=\&quot;http://www.youtube.com/v/mgdlQ9XhUtc&amp;hl=en\&quot;&gt;&lt;\/param&gt;&lt;embed src=\&quot;http://www.youtube.com/v/mgdlQ9XhUtc&amp;hl=en\&quot; type=\&quot;application/x-shockwave-flash\&quot; width=\&quot;425\&quot; height=\&quot;355\&quot;&gt;&lt;\/embed&gt;&lt;\/object&gt;&lt;\/div&gt;&quot;;" alt=""></a></div>
</div>
</div>
<p>Twerp tem dois começos. A primeira é uma linha de <em>synths</em>, densa, única e tão boa que daria pra montar uma outra música <em>inteira</em> em cima dela – mas que acaba e não reaparece em mais <em>nenhum</em> momento da faixa. Isso são os produtores esfregando na sua cara o quanto eles são fodas: “sim, eu vou jogar fora isso aqui e levar a música pra um outro lado AINDA melhor”, dizem eles. E aí vem o começo <em>de verdade</em> da música: a introdução da batida e o baixo – e apenas deles. O Basement Jaxx sabe que 90% de uma boa música dançante está contido nestes dois elementos – e, de fato, mal se passaram 20 segundos de música e ela já está ESCORRENDO groove e dizendo a que veio: veio para fazer você mexer a sua bunda. Mesmo porque “twerk” significa exatamente isto, <a href="http://twerk.urbanup.com/87800">segundo o Urban Dictionary</a>:</p>
<blockquote><p>Twerk: Trabalhar o corpo através da dança, em especial a parte traseira.</p>
</blockquote>
<p>E os vocais de Yo Majesty entram para completar a bomba sonora, cantando sobre… sobre absolutamente nada. E é EXATAMENTE isso que o vocal de uma música dançante deve fazer: não é hora de contar histórias, é hora de mexer a bunda. A função dos vocais é puramente estética; servem para, ao mesmo tempo, emprestar um toque humano ao monte de sons sintéticos e – nas mãos de bons produtores como o Basement Jaxx – funcionarem como <em>um segundo instrumento percussivo</em>. Reparem bem como as sílabas e a fonética que Yo Majesty usa soam muito mais como <em>batidas</em> do que como palavras, especialmente no refrão (que parece música indiana mas que eu acho que é em inglês):</p>
<blockquote><p>Get bangin’ on     <br />Get down, get here, show me l[ow me l]ove</p>
</blockquote>
<p>Mas são os inúmeros detalhes sonoros e o esmero na produção que elevam “Twerk” de uma simples faixa 9 ao status de obra prima. Se você ouve sem prestar atenção acha que a faixa é apenas batida, baixo e vocais. Mas repare que tem no mínimo umas TRINTA coisas tocando ao mesmo tempo, e TODAS concordam entre si e somam para o conjunto ficar completo e rico, ao invés de confuso. Quem entende alguma coisa sobre produção musical ou já teve uma banda de garagem e sofreu pra fazer guitarra, baixo e bateria não soarem embolados sabe o quanto isto é difícil de conseguir.</p>
<p>E o mais legal é que estes detalhes contém um monte de referências, algumas mais técnicas – como o trechinho de TB-303 que toca lá pelo 1m15s –, outras mais óbvias, como o finalzinho dos versos onde Yo Majesty canta:</p>
<blockquote><p>She’s a maniac, maaaniac, on the dance floor (she’s on the dance floor!)     <br />She’s dancing like she’s never danced before</p>
</blockquote>
<p>Notou alguma coisa familiar? Sim, porque estes versos são emprestados da trilha sonora do filme <em>Flashdance </em><a href="http://www.youtube.com/watch?v=5x1K5UH2nek#t=1m00s">(relembre clicando aqui)</a>. Além da referência estar dentro do contexto da música (menina doidinha “trabalhando o corpo” na pista de dança), ainda tem o detalhe que Yo Majesty “canta” através do manjado efeito de <em>auto-tune </em>(<a href="http://www.youtube.com/watch?v=zpdRzpXR2QQ#t=1m00s">aquele, lembra?</a>)<em> -</em> assim, usando o que há de mais moderno na música dançante de hoje para reverenciar a música dançante de ontem.</p>
<p>E ainda sobram mais inúmeros detalhes pra mencionar: a maestria na dinâmica de construir/resolver tensão tonal entre os versos, o <em>high end</em> do espectro sonoro – que é diferente em todos os versos, o toque do <em>phazer</em> nos versos do finalzinho da faixa (“get crazy, get sick / i see you working it”) que deixa o vocal minuciosamente <em>crazy</em> e <em>sick</em>&#8230; Dava pra escrever uma tese de mestrado em cima dessa música, mas vou parar por aqui.</p>
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		<title>O fim de um relacionamento</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 21:44:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Lembra da minha “lojinha de MP3 predileta” da internet, a eMusic, que tem até uma categoria de posts nesse blog e era onde eu comprava (sim, COMPRAVA) todas as minhas músicas? Minha relação com ela deu uma guinada e passou de namoro intenso para divórcio azedo, daqueles com advogados, porta na cara e agressividade velada.
Começou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembra da minha “lojinha de MP3 predileta” da internet, a <a href="http://www.emusic.com" target="_blank">eMusic</a>, que tem até <a href="http://www.gebh.net/oprimo/category/emusic" target="_blank">uma categoria de posts nesse blog</a> e era onde eu comprava (sim, COMPRAVA) todas as minhas músicas? Minha relação com ela deu uma guinada e passou de namoro intenso para divórcio azedo, daqueles com advogados, porta na cara e agressividade velada.</p>
<p>Começou com um acordo que ela fez com a Sony (e que provocou um aumento de preços) e culminou nisso aí embaixo:</p>
<p>&#160;<img title="emusic" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: block; float: none; margin: 0px auto; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="255" alt="emusic" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2009/07/emusic.png" width="535" border="0" /> </p>
</p>
<p>Então é isso, indústria fonográfica. Já que você está PEDINDO pra eu baixar música no torrent, é isso que eu vou fazer.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Vai virar igreja</title>
		<link>http://www.gebh.net/oprimo/2009/05/vai-virar-igreja</link>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 23:16:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem. Augusta. Uma da manhã e eu na porta do Club Roxy para, finalmente, ver Pet Duo tocar  &#8211; corrigindo, por sinal, um arrependimento de 3 anos atrás.
Aí ouço uma HORDA de pessoas descendo a rua, gritando e fazendo zona. &#8220;Normal, Augusta&#8221;, pensei.
O pessoal foi chegando mais perto e os gritos foram ficando mais audíveis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem. Augusta. Uma da manhã e eu na porta do Club Roxy para, finalmente, ver Pet Duo tocar  &#8211; corrigindo, por sinal, <a href="http://www.gebh.net/oprimo/2006/01/novidade-da-semana-quarta-foi-feriado">um arrependimento de 3 anos atrás</a>.</p>
<p>Aí ouço uma HORDA de pessoas descendo a rua, gritando e fazendo zona. &#8220;Normal, Augusta&#8221;, pensei.</p>
<p>O pessoal foi chegando mais perto e os gritos foram ficando mais audíveis e eu percebi que a horda gritava, na mesma métrica do &#8220;ahh, eu tô maluco&#8221;: &#8220;AAAAH!!! JESUS TE AMA!!!&#8221;. &#8220;Normal, turminha ultrajovem dando uma de herético contracultural&#8221;, pensei.</p>
<p>Aí o pessoal foi chegando ainda mais perto e eu pude então ler o conteúdo das camisetas: &#8220;Jesus te ama&#8221;, &#8220;Arrependa-se&#8221;, e o escambau. E foi aí que eu percebi que aquilo <em>era realmente uma turma de igreja</em>, que veio descendo a Augusta para pregar a nós, &#8220;pecadores&#8221;, nos bares e portas de boate. Todos estavam empolgadíssimos, sentindo-se o máximo por serem supostos enviados de Deus excursionando valentes em missão sagrada bem no meio da perdição.</p>
<p>E a turba parou em frente à Roxy e, em coro, gritou: &#8220;VAI VIRAR IGREJA! VAI VIRAR IGREJA!&#8221;.</p>
<hr />Aí você pergunta: e o Pet Duo?</p>
<p>Meu amigo, minha amiga&#8230; PUTA QUE PARIU. Destruição TOTAL e ABSOLUTA por HORAS. Saí de lá surdo e feliz.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Radiohead na rua, na chuva, na fazenda.</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 15:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
Show do Radiohead? Fui sim. Não vou discorrer aqui longamente sobre o quão FODA foi o show, mas gostaria de contar uma coisinha que me aconteceu por lá.
Uma das músicas mais bonitas do Radiohead é You And Whose Army. A maior parte dela é apenas Thom Yorke cantando e Johnny Greenwood dedilhando sua guitarra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="Thom Yorke. (Foto by Sérgio Carvalho - &quot;serjaocarvalho&quot; no Flickr)" style="border-right: 0px; border-top: 0px; display: inline; margin: 0px 10px 0px 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="144" alt="Thom Yorke. (Foto by Sérgio Carvalho - &quot;serjaocarvalho&quot; no Flickr)" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2009/03/image.png" width="216" align="left" border="0" /> </p>
<p>Show do Radiohead? Fui sim. Não vou discorrer aqui longamente sobre o quão FODA foi o show, mas gostaria de contar uma coisinha que me aconteceu por lá.</p>
<p>Uma das músicas mais bonitas do Radiohead é <em>You And Whose Army</em>. A maior parte dela é apenas Thom Yorke cantando e Johnny Greenwood dedilhando sua guitarra ao fundo, num longo e intenso lamento. Mas o ápice da música vem no final, quando Thom começa a tocar o piano e a banda toda entra enquanto ele canta “we ride tonight / ghost horses”. </p>
<p>E foi este EXATO momento, no meio do show mais esperado da década, que minha mente imbecil escolheu para se dar conta de que a melodia daquela parte é IDÊNTICA ao “tchu tchuru tchu” que tem no finalzinho de <em>Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, </em>estragando <em>You And Whose Army</em> na minha memória para sempre.</p>
<p>Duvida? Clique nos links aí embaixo e veja você mesmo. </p>
<ul>
<li><a href="http://www.youtube.com/watch?v=HvWOo_K4dQA#t=1m59s" target="_blank">Radiohead tocando o verso final de <em>You And Whose Army</em></a> </li>
<li><a href="http://www.youtube.com/watch?v=mg7oK1ZM4Kg#t=3m46s" target="_blank">“Tchu tchuru tchuuuu” de <em>Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda</em></a> </li>
</ul>
<p><strong>P.s.:</strong> Os links levam ao ponto certinho do vídeo, então você não precisa assistir tudo.</p>
<p><strong>P.p.s.:</strong> Não posso encerrar este post sem mencionar o show do Kraftwerk. Eu não seria ninguém se aqueles alemães safados não tivessem reinventado a música nos anos 70, então pra mim o show foi também um momento de adoração aos meus deuses musicais particulares. Na multidão, num raio de 100m de onde eu estava eu era, de longe, o mais empolgado, pulando, cantando e gritando enquanto o pessoal à minha volta bocejava e mandava mensagens no celular.</p>
<p align="center"><img title="image" style="border-top-width: 0px; display: inline; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px; border-right-width: 0px" height="200" alt="image" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2009/03/image1.png" width="268" border="0" />    <br /><small>A hora que o telão escreveu &quot;COMPUTERWORLD&quot; eu quase tive um troço de alegria. (Foto: Wikipedia)</small></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Tom Z&#233;, de gra&#231;a, no interior de S&#227;o Paulo</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2008 21:34:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Reviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estou a 400 quilômetros da capital, nesta cidadezinha carinhosamente apelidada de &#34;Dead Cow City&#34;, onde não são só as vacas do frigorífico onde trabalho que levam o &#34;dead&#34; do pseudônimo a sério: aqui, diariamente, quase nada acontece. 
Então foi com muita surpresa que recebi a notícia de que Tom Zé estava na cidade &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estou a 400 quilômetros da capital, nesta cidadezinha carinhosamente apelidada de &quot;Dead Cow City&quot;, onde não são só as vacas do frigorífico onde trabalho que levam o &quot;dead&quot; do pseudônimo a sério: aqui, diariamente, quase nada acontece. </p>
<p>Então foi com muita surpresa que recebi a notícia de que Tom Zé estava na cidade &#8211; e mais, para fazer um show <em>gratuito</em> na pracinha em frente à rodoviária. </p>
<p><img title="Tom Zé e banda" style="display: block; float: none; margin: 0px auto" height="165" alt="Tom Zé e banda" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/20081028.jpg" width="535" border="0" /> </p>
<p>O show é iniciativa do Sesc de São Paulo (que <a href="http://twitter.com/sescsp/">tem twitter</a>, olha só!), como parte de um tal <a href="http://circuitosescdeartes.com.br/">Circuito das Artes</a>. Circuito este que é surpreendentemente ousado: nada de turminha do colégio local fazendo pecinha de teatro ou coral da igreja cantando. O Sesc bateu forte, fugiu da mesmice e apresentou arte de qualidade, abrindo a noite com um espetáculo de dança profissional e de altíssimo nível chamado <a href="http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=140998">“Tudo que se espera”</a>, depois passando o premiado (e excelente) curta metragem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pKqz17gSg8I">&quot;Os Filmes que Não Fiz&quot;</a> e, no fim, entregando Tom Zé e sua música nada convencional. </p>
<p><img title="Tom Zé e o violão entre as pernas" style="display: inline; margin: 0px 10px 0px 0px" height="250" alt="Tom Zé e o violão entre as pernas" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/20081028-2.jpg" width="125" align="left" border="0" /> O público, definitivamente, não estava preparado. Das muitas vezes em que me virei pra conferir a reação da platéia a expressão geral era de perplexidade. As senhoras tricotadeiras de Dead Cow City não escondiam o espanto de ver Tom Zé rasgar a própria roupa, cantar versos como &quot;vá tomar na virgem/seu filho da cruz&quot; ou, fechando os olhos em êxtase, meter o violão no meio das pernas. Mas isso é ótimo, tira o povo da zona de conforto e mexe naqueles cantinhos da consciência que o povo insiste em esconder quando vai à missa ou assiste novela. </p>
<p>E ninguém melhor que Tom Zé para esta missão. Tanto que sua primeira ação logo após subir ao palco foi DESCER e mandar, pessoalmente, o público vir se sentar perto dele (já que havia um vão de uns 10 metros entre o palco e as primeiras fileiras de cadeiras de plástico onde a platéia estava). Mesmo com boa parte do seu trabalho sendo bem pouco acessível para a platéia, a intenção de Tom Zé de se aproximar do público era clara &#8211; entre uma música e outra ele fazia piadinha com o mascote do time de futebol local, contava histórias de quando compunha com Rita Lee ou de quando foi chamado para discursar na ONU e até explicava os porquês do seu trabalho: por exemplo, antes de cantar &quot;Atchim&quot; (do disco &quot;Danc-Êh-Sá&quot;), cuja letra é &quot;atchim&quot; e nada mais, ele explicou que a idéia do disco nasceu quando viu uma pesquisa da MTV onde os jovens declaravam que detestavam músicas com letra muito comprida. </p>
<p><img title="Tom Zé e a backing vocal" style="display: inline; margin: 0px 0px 0px 10px" height="188" alt="Tom Zé e a backing vocal" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/20081028-3.jpg" width="250" align="right" border="0" /> O show teve várias músicas do seu próximo disco, &quot;Estudando a Bossa&quot;. Acho que nunca um nome de disco descreveu tão bem o seu conteúdo, porque todas as canções que ouvi eram exatamente isso: estudos <u>da</u> bossa nova feitos <u>em</u> bossa nova. As letras eram quase &quot;documentarísticas&quot;, com versos do tipo &quot;Carnegie Hall foi quem pinçou João Gilberto&quot;, mas o divertido eram as performances, todas altamente simbólicas e referenciativas: Tom Zé desmontou e montou várias vezes o violão que tocava &#8211; e que era falso, tinha cordas de elástico (gominha, borracha, chame como quiser); botou as &quot;backing vocals&quot; para cantar em banquinhos &#8211; vários banquinhos, de todos os tamanhos, numa referência clara ao mesmo João Gilberto da letra da música; cantou em português e, na sequência, botou o guitarrista cantando a mesma música em inglês, e por aí vai. O problema é que o &quot;miolo&quot; do show foi com essa bossa nova do disco novo, que é mais lenta e intimista que todo o resto do repertório, e eu achei que isso acabou quebrando o ritmo da apresentação. </p>
<p>Destaque também para a execução de &quot;Augusta, Angélica e Consolação&quot; &#8211; três mulheres cujos nomes são os mesmos de três famosas ruas da capital paulistana. Confesso que perdi a compostura e saí cantando o refrão (&quot;Augusta&#8230; queeeee saudaaaaade&#8230;&quot;) a plenos pulmões, com dor de cotovelo de estar tão longe de São Paulo, essa cidade feia e suja que eu gosto tanto.</p>
<p>O show fechou com o famoso “xique xique” e com a turma dançando forró em frente ao palco enquanto a banda cantava o refrão: “Sacode a cultura, sacode a cultura”. Sacudiu, de fato. E me deu, finalmente, uma lembrança divertida pra guardar de recordação desse fim de mundo…</p>
</p>
<p><img title="Tom Zé estilo &quot;messias com pregadores de roupa&quot;" style="display: block; float: none; margin: 0px auto" height="300" alt="Tom Zé estilo &quot;messias com pregadores de roupa&quot;" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/20081028-4.jpg" width="225" border="0" /></p>
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		<title>RjDj &#8211; A trilha sonora da sua vida</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2008 23:53:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse é mais um da série “links legais demais para simplesmente jogar ali no meu delicious”.
Eis a coisa com maior potencial que já vi na história da música… o RjDj.
 
Imagine ouvir música. Mas imagine que a música que você ouve toma forma de acordo com o ambiente onde você está ou o jeito que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse é mais um da série “links legais demais para simplesmente jogar ali no meu delicious”.</p>
<p>Eis a coisa com maior potencial que já vi na história da música… <strong><a href="http://rjdj.me/">o RjDj</a></strong>.</p>
<p><a href="http://rjdj.me/"><img title="RjDj logo" style="display: inline; margin: 0px 10px 0px 0px" height="127" alt="RjDj logo" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/image4.png" width="200" align="left" border="0" /></a> </p>
<p>Imagine ouvir música. Mas imagine que a música que você ouve <em>toma forma de acordo com o ambiente onde você está ou o jeito que você se movimenta</em>. Imagine ouvir batidas agitadas nos fones de ouvido enquanto você anda pela rua, e então entrar num elevador e perceber a música diminuir o ritmo, ficando mais suave… ou então imagine música sendo construida, em tempo real, com os ruídos que acontecem à sua volta, como o barulho do mar, as buzinas de um engarrafamento ou a conversa animada de uma mesa de bar…</p>
<p>Acontece que isso <em>já está disponível</em> desde o último dia 10 de outubro, através de <a href="http://phobos.apple.com/WebObjects/MZStore.woa/wa/viewArtist?id=290626967">um applet que funciona em qualquer iPhone</a>. E o melhor: uma das versões (a “single”, com uma música) é <em>gratuita</em>.</p>
<p>Tecnicamente o RjDj funciona assim: cada “música” dele é chamada de “scene” (cena), e na verdade é um software que toca sons sequenciados mas que adapta o que é tocado de acordo com dados recebidos pelo microfone ou pelo acelerômetro do iPhone. Para ouvir um exemplo de cair o queixo, <a href="http://splicd.com/WPrIPcyemdM/526/559">dê uma olhada neste trecho de um vídeo</a> que mostra um dos desenvolvedores brincando com seus filhos. Ele está com os fones de ouvido e o RjDj está ligado, captando os sons ambientes pelo microfone do iPhone e transformando, em tempo real, os gritos e passos da criançada em uma trilha sonora suave e etérea. Ficou tão bonito, mas TÃO bonito, que eu quis comprar um iPhone pra mim NA HORA só pra ter este programa.</p>
<p>Outro vídeo legal é esse aí embaixo, mostrando as reações de algumas pessoas ao ouvir as “scenes” pela primeira vez. É simplesmente lindo. Note como todo mundo entende, intuitivamente, como a coisa funciona e começa a cantar no microfone ou a chacoalhar o aparelho. Eu nunca vi algo proporcionar uma experiência tão envolvente em tão pouco tempo e com uma curva de aprendizado inexistente.</p>
<p>
<div class="wlWriterEditableSmartContent" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:0f7a01fd-a4fb-4601-b375-1a80c5fe9e3a" style="padding-right: 0px; display: block; padding-left: 0px; float: none; padding-bottom: 0px; margin: 0px auto; width: 425px; padding-top: 0px">
<div id="3e28754f-bf07-40c1-8430-bf3d882c1e07" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline;">
<div><a href="http://www.youtube.com/watch?v=lr-khifcl-U" target="_new"><img src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/10/video66a00a7282811.jpg" style="border-style: none" galleryimg="no" onload="var downlevelDiv = document.getElementById('3e28754f-bf07-40c1-8430-bf3d882c1e07'); downlevelDiv.innerHTML = &quot;&lt;div&gt;&lt;object width=\&quot;425\&quot; height=\&quot;355\&quot;&gt;&lt;param name=\&quot;movie\&quot; value=\&quot;http://www.youtube.com/v/lr-khifcl-U&amp;hl=en\&quot;&gt;&lt;\/param&gt;&lt;embed src=\&quot;http://www.youtube.com/v/lr-khifcl-U&amp;hl=en\&quot; type=\&quot;application/x-shockwave-flash\&quot; width=\&quot;425\&quot; height=\&quot;355\&quot;&gt;&lt;\/embed&gt;&lt;\/object&gt;&lt;\/div&gt;&quot;;" alt=""></a></div>
</div>
</div>
<p>A coisa é muito, muito revolucionária. <a href="http://createdigitalmusic.com/2008/10/10/exclusive-rjdj-interview-interactive-music-listening-everywhere-you-go/">Conforme apontado pelo pessoal do Create Digital Music</a>, isso pode alterar fundamentalmente o que se considera, atualmente, como “música”:</p>
<blockquote><p>Isso reflete também um novo modelo de como produzir, possuir e precificar música. As cenas que tocam no RjDj são escritas em Pd (Pure Data), um ambiente open-source para criação multimídia. Os artistas normalmente também abrem o código das músicas. Isso cria um tipo de propriedade completamente novo. A música, na verdade, <u>é o software</u>, de uma forma ainda mais direta do que acontece, por exemplo, com a música eletrônica. O software é lançado mais ou menos com o mesmo preço de uma faixa musical vendida online, com a exceção de que, quando você a compra, ela se torna totalmente sua e vai tocar para você de um jeito totalmente diferente do que para qualquer outra pessoa.</p>
</blockquote>
<p>Pois é, só sei que estou embasbacado até agora. Alguém tem um iPhone da primeira geração pra me vender, baratinho? <img src='http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
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		<title>O Primo&#8217;s Guided Musical Tour 2</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 01:45:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[E lá vamos nós de novo! O episódio dois chama-se &#8220;Isso não é música de gente séria&#8221;. Acho que vocês vão entender rapidinho&#8230;
Pra quem ligou agora seu televisor e tá boiando: veja antes o episódio 1.
[youtube]http://br.youtube.com/watch?v=xvNP_z-DnnQ[/youtube]
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			<content:encoded><![CDATA[<p>E lá vamos nós de novo! O episódio dois chama-se &#8220;Isso não é música de gente séria&#8221;. Acho que vocês vão entender rapidinho&#8230;</p>
<p>Pra quem ligou agora seu televisor e tá boiando: <a href="http://www.gebh.net/oprimo/2008/07/o-primos-guided-musical-tour">veja antes o episódio 1</a>.</p>
<p>[youtube]http://br.youtube.com/watch?v=xvNP_z-DnnQ[/youtube]</p>
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		<title>Ac&#250;stico Zeca Pagodinho &#8211; Uma obra prima</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Sep 2008 23:01:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Reviews]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem eu saí da minha rotina noturna padrão (ficar na internet até dormir) e fui à um churrasco. Carne vai, cerveja vem, então alguém bota um CD do Zeca Pagodinho pra tocar. Acho que é o &#8220;Acústico MTV&#8221;, o da capinha aí embaixo. Eu já tinha ouvido, incidentalmente (e acidentalmente), vários trechos do CD por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem eu saí da minha rotina noturna padrão (ficar na internet até dormir) e fui à um churrasco. Carne vai, cerveja vem, então alguém bota um CD do Zeca Pagodinho pra tocar. Acho que é o &#8220;Acústico MTV&#8221;, o da capinha aí embaixo. Eu já tinha ouvido, incidentalmente (e acidentalmente), vários trechos do CD por aí, mas nunca havia sido exposto à coisa toda de cabo a rabo. E percebi, horrorizado, que o CD é feito de uma genialidade torpe, uma premeditação comercial assustadora e executada com uma perfeição que eu nunca havia visto antes.
<p><img style="margin: 0px 10px 0px 0px" height="200" alt="20080925" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/09/20080925.jpg" width="200" align="left" border="0"> A coisa começa nos arranjos. Na minha cabeça o pagode original era pra ser um ritmo informal, pra tocar batendo na mesa do boteco e chacoalhando a caixinha de fósforo, mas o CD do Zeca Pagodinho tem o oposto disso: arranjos orquestrados, cordas e flautas e o escambau numa produção impecável. Até aí tudo bem, isso é coisa que qualquer Emmerson Nogueira da vida faria, mas o problema é que no CD do Zeca Pagodinho os instrumentos não são tocados, e sim <u>executados</u> &#8211; pois há uma diferença entre &#8220;fazer música&#8221; e &#8220;reproduzir o que está numa partitura&#8221;. O pagode do Sr. Pagodinho é milimetricamente quadrado, minuciosamente pasteurizado, e soa como um hambúrger do McDonalds. Mas isso tudo é parte do plano.
<p>Outra coisa que me assustou foi o esmero dos músicos em cobrir expectativas. Se existem &#8220;clichês musicais&#8221;, eles fizeram <u>todos</u>. Sem exceção. Não há absolutamente NADA de surpreendente, nada fora do usual. Pelo contrário: se existe um procedimento padrão para produzir pagode(*), eles seguiram tudo à risca. No lugar aonde a letra pede aquela frase solta cantada mais aguda, típica de pagode, ele ia lá e cantava. Quando o refrão dá um espaço para você pensar &#8220;putz, aqui é exatamente o lugar aonde deveria entrar aquele backing vocal cantando lá-laiá&#8221;, pronto, lá estava o backing vocal cantando lá-laiá.
<p>Isso, somado com a execução milimétrica dos instrumentos, gera um ambiente musical que, para meu horror, carregava uma semelhança absurda com a identidade sonora da Rede Globo. É sério, pense naquele som lavado e artificial do jingle de abertura de um Jornal Hoje ou de um Jornal da Globo. Temas musicais como esses tem que ser &#8220;não desafiantes&#8221;, afinal o telespectador continua assistindo quando se sente confortável, e a música fácil ajuda a construir esse sentimento de conforto. E o CD do Zeca Pagodinho era planejado para ser exatamente assim, para entregar exatamente o que o ouvinte esperava ouvir, e portanto soar confortável e familiar.
<p>Com as letras das músicas a palavra de ordem era a mesma: manter-se dentro do ordinário, não ser desafiante e investir no que se tornaria facilmente acessível e que, portanto, geraria facilmente uma identificação do ouvinte. Como neste verso:<br />
<blockquote>
<p>Se eu quiser fumar eu fumo<br />Se eu quiser beber eu bebo<br />Pago tudo que eu consumo<br />Com o suor do meu emprego </p>
</blockquote>
<p>Eu confesso um certo medo ao perceber o poder de um verso desses. De certa forma isso é manipulação em forma de música. 90% dos brasileiros que ouvem isso devem, instantaneamente (e instintivamente), sorrir no canto da boca e pensar: &#8220;porra, eu ralo mesmo, eu deveria ter o direito de tomar a minha cervejinha sem encheção de saco&#8221;. E aí um Zeca Pagodinho virtual dá uns tapinhas no ombro dessa pessoa e diz: &#8220;Viu? Eu te entendo, cara!&#8221;. E o elo se forma.
<p>O reforço do elo vem com as outras letras, relatos de histórias fáceis da vida de todo o dia e de todo mundo. Elas não tinham NENHUMA poesia, NENHUM lirismo. O foco era pintar uma imagem mental fácil, um capítulo de novela em forma de música, então algumas eram relatos secos, factuais, quase jornalísticos de coisas como um penetra numa festa de aniversário.<br />
<blockquote>
<p>Bebeu demais<br />Comeu de tudo<br />Dançou sozinho<br />Encheu o bolso de salgadinho<br />Foi pra fila da pipoca<br />Roubou o pedaço de bolo e o refrigerante<br />que estava na mão do aniversariante<br />Fez a criança chorar </p>
</blockquote>
<p>E no churrasco meus colegas de trabalho cantavam junto e exclamavam entre si:
<p>- Cara, esse CD é perfeito. É bom pra caralho.
<p>Eles têm razão. O CD é, de fato, perfeito. Como <u>produto</u>, o disco de Zeca Pagodinho é uma das maiores obras-primas que a <u>indústria</u> da música brasileira já produziu.
<p><small>(*) &#8211; Quanto pê, hein? Dá até uma sigla: PPPPP, ou P5, pra ficar muderrrrno.</small></p>
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		<title>Blip.fm &#8211; Um Twitter que faz barulho</title>
		<link>http://www.gebh.net/oprimo/2008/08/blipfm-um-twitter-que-faz-barulho</link>
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		<pubDate>Sun, 31 Aug 2008 00:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Carlos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Links]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Na última sexta-feira só se falava no Twitter de um tal site novo chamado Blip.fm. À noite, chegando de viagem, liguei o computador e fui conhecer a razão de tanto hype.
Usei o Blip.fm por cinco minutos. Foi o suficiente para dar o meu veredito final sobre o site, que pode ser resumido nesta frase: &#8220;A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na última sexta-feira só se falava no Twitter de um tal site novo chamado <a href="http://blip.fm">Blip.fm</a>. À noite, chegando de viagem, liguei o computador e fui conhecer a razão de tanto <em>hype</em>.</p>
<p>Usei o Blip.fm por cinco minutos. Foi o suficiente para dar o meu veredito final sobre o site, que pode ser resumido nesta frase: &#8220;A coisa mais genial que vi na internet este ano&#8221;.</p>
<p align="center"><img style="margin: 0px" height="240" alt="20080830" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/08/20080830.jpg" width="400" border="0">&nbsp;</p>
<p>O Blip.fm é um microblog, como o Twitter, mas com um diferencial matador: <em>músicas anexadas aos seus micro-posts</em> (chamados de &#8220;blips&#8221;). Então, na verdade, o que você posta são as músicas, junto com pequenos comentários sobre elas. Ou o inverso: comentários sobre qualquer coisa, mas &#8220;ilustrados&#8221; por músicas.</p>
<p>Se no Twitter a pergunta era &#8220;what are you doing?&#8221; (&#8220;o que você está fazendo?&#8221;), no Blip.fm a pergunta é &#8220;what are you listening to?&#8221; (&#8220;o que você está ouvindo?&#8221;).</p>
<p>&#8220;Ah, mas a RIAA vai fechar o Blip.fm rapidinho!&#8221;. Sim, eu e metade da internet pensamos exatamente a mesma coisa, mas enquanto eu escrevia este post percebi OUTRA sacada genial dos caras: <strong>as músicas que o Blip.fm toca NÃO estão hospedadas no próprio site</strong> &#8211; ele simplesmente toca músicas que estão espalhadas por toda a internet e que são facilmente encontráveis através do próprio Google ou de serviços especializados, como o <a href="http://www.seeqpod.net/">Seeqpod</a>.</p>
<p>É só dar uma olhada na barra de status do Firefox na hora em que você dá &#8220;play&#8221; numa faixa qualquer: cada hora os dados são lidos de um site diferente&#8230;</p>
<p align="center"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px; border-right-width: 0px" height="83" alt="20080830_2" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/08/20080830-2.jpg" width="213" border="0"> <img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px; border-right-width: 0px" height="83" alt="20080830_3" src="http://www.gebh.net/oprimo/wordpress/wp-content/uploads/2008/08/20080830-3.jpg" width="213" border="0"></p>
<p>Uma olhadinha no <a href="http://blog.blip.fm/faq/">FAQ do Blip.fm</a> parece confirmar esta suspeita (grifo meu)&#8230;</p>
<blockquote><p><strong>Eu blipei uma música ontem e hoje ela está &#8220;não disponível&#8221;, o que houve?</strong>
<p><u>As músicas são armazenas por toda a internet em diferentes servidores e websites.</u> Às vezes o servidor cai e a música não está disponível para tocar, ou o dono do arquivo o removeu da internet de uma vez por todas.</p>
</blockquote>
<p>Assim eles têm o maior acervo de músicas do mundo, não tem problemas com largura de banda ou capacidade de armazenamento e &#8211; o melhor de tudo &#8211; não são legalmente responsáveis por eventuais quebras de copyright. Bom, pelo menos eu acho.
<p>E não é só isso: além de tudo o Blip.fm já tem integração com o Twitter, Last.fm e vários outros (FriendFeed, Pownce, Tumblr, Livejournal e Jaiku). Você pode &#8220;blipar&#8221; músicas que ouviu recentemente &#8211; e que ele &#8220;pesca&#8221; do Last.fm pra você &#8211; e twittar automaticamente a cada vez que você &#8220;blipa&#8221; uma música. É muito prático.</p>
<p>Genial, fácil de usar, integrado com o que você já usa&#8230; o Blip.fm é quase bom demais pra ser verdade.</p>
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