Posts da categoria ‘negocios’


TI: A loira gostosa mas limitada

30 de May de 2008, 1:11

Quatro e meia da tarde e eu estava no meio de uma reunião que começou às dez da manhã. Mentalmente exausto e absurdamente entediado, abri meu editor de texto (Notepad++) para fazer umas anotações. O programa automaticamente reabriu os últimos arquivos abertos: no caso, era um arquivo deste blog chamado .htaccess (arquivo de configuração usado em servidores web para configurar umas coisinhas).

Aí estava lá o .htaccess cheio de código e, num impulso, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi:

“Eu queria trabalhar é com isso”

Voltei pro hotel no fim do dia e, no táxi, não conseguia parar de pensar nisso. Eu tenho um amor platônico com essa mulher ingrata que é a TI. Ela é atraente, eu sou louco por ela e nos demos muito bem no nosso período juntos (uns 8 anos, contando empregos, estágios, faculdade e curso técnico). Já a minha “parceira” atual (a consultoria de gestão) é aquela mulher difícil, que dá trabalho e que te enche o saco o tempo todo. Ao contrário da TI, a convivência com a consultoria nunca é fácil - e é justamente por isso que você evolui. Eu levei muita porrada nos meus cinco anos de consultor - e devo continuar apanhando por muito tempo. Mas o que aprendi com toda essa ralação é incomensurável.

Foi por isso que o .htaccess me deixou com saudades da TI: antes éramos só eu e um computador, então tava tudo dominado, fácil, divertido e gostoso; hoje em dia tudo são reuniões infindáveis, clientes difíceis, colegas picaretas…

Entretanto, aprofundar minha relação com a TI seria um beco sem saída. Para nerds (como eu), TI é uma área sexy, interessantíssima, mas vai sempre ser “área meio”, sempre será ferramenta. E o “como usar” da ferramenta está na gestão. TI é meio que uma loira maravilhosa, mas limitada e sem muita chance de progredir na vida. E a gestão é a mulher feia e tosca, mas forte e decidida: é quem faz as coisas acontecerem.

Por isso, apesar do sofrimento, meu “casamento” com a consultoria foi a melhor escolha profissional que já fiz.

E mais: na época em que mudei de área eu nem fazia idéia, mas conhecimento gerencial faz toda a diferença quando se trabalha em TI. Pra provar isso, basta uma olhada nas faixas salariais da turma da tecnologia:

  • Analista de sistemas/programador - $57,500 a $96,750
  • Desenvolvedor web sênior - $76,250 a $108,250
  • Gerente de projetos - $76,500 a $111,500
  • Administrador de Banco de Dados - $88,750 a $122,750
  • Gerente de TI (CTO - Chief Technology Officer) - $107,250 a $165,250

(dados dos EUA, retirados do 2008 IT Salary Guide, em dólares, por ano e em ordem crescente)

Note que as palavras “Gerente” e “Administrador” vão aparecendo conforme o salário aumenta. Há uma tendência clara em TI onde você passa a valer mais conforme vai ficando bom em gestão, e não conforme vai ficando bom em TI. Não é como economia ou medicina, onde quanto mais você sabe da sua própria área, melhor.

Então é assim. Hoje eu sofro na mão da consultoria e fico com dor de cotovelo pela TI que abandonei. Mas sigo em frente porque, no futuro, quem sabe eu não arrumo uma “Gerência de TI” - um mulherão sagaz e inteligente, mas sexy como uma… er… “garota de programa”.

P.s.: Eu falo mais sobre as complicações de TI ser “área meio” neste outro post: A TI e o eterno foco em si mesma.


"…that I’m a motherfucking PMP"

31 de January de 2008, 18:19

50 cent é um “pimp”. Eu, agora, sou um Project Management Professional, certificado pelo PMI!

Levou alguns meses de estudo, umas 1000 perguntas de simulados para treinar e, finalmente, a prova oficial, com 4 horas de duração e 200 perguntas. Não foi fácil, mas valeu a pena.

Acabou que janeiro foi bem movimentado profissionalmente: vendi meu primeiro projeto, fui oficialmente reclassificado como consultor-sênior pela minha empresa e agora ganhei o direito de assinar como “José Carlos Tinoco, PMP”.


A produtividade escondida atrás das persianas

10 de January de 2008, 23:18

20080110_2

Sabe, o crescimento do lado "corporativo" do mundo é uma coisa engraçada.

Primeiro, porque o "crescer" desse mundo é medido numa dimensão só: a do dinheiro. Não se engane: essa mistureba de nomes complicados que você vê no caderno de economia, como "market share", "EBITDA", "exigível de longo prazo", é tudo dinheiro disfarçado.

O dinheiro é onipresente. Tanto que até "tempo é dinheiro" (hmmm, alguém devia ter contado isso para Einstein). Para as empresas vale a regra simples do "quanto mais, melhor" e vira tudo uma corrida maluca pra se ver quem diabos consegue fazer mais dinheiro do que o outro. Afinal, grana é o sangue do capitalismo, e ele precisa continuar circulando. E o principal responsável por bombear este sangue é o mercado de trabalho - nome chique que significa, simplesmente, "você".

Sim, você mesmo aí, sentado no escritório e lendo este blog em vez de trabalhar. Como é você que faz dinheiro aparecer, a preocupação número 1 do seu chefe é a sua produtividade.

Essa preocupação é tradicional: no começo do século, como não existia televisão e dava muito trabalho arrumar uma mulher para fazer sexo, Frank Gilbreth passava o tempo olhando os pedreiros construindo paredes, com seu cronômetro na mão. Aí ele descobriu que eram precisos apenas 5 movimentos para botar um tijolo na parede - e não 18, como os pedreiros faziam. As paredes passaram a ser construídas mais rápido, os pedreiros se cansavam menos e - adivinhe! - muita gente ganhou dinheiro. Inclusive Frank, que montou uma empresa de consultoria para ficar famoso e pegar mulher ganhar ainda mais dinheiro.

Hoje em dia já temos TVs de plasma e muito menos camadas de roupa para serem retiradas na hora do sexo, mas os chefes jamais vão parar de se preocupar com a produtividade. Teses de mestrado são escritas sobre isso o tempo todo. Pesquisadores tentam descobrir tudo que possa impactar sua eficiência - incluindo o tempo que você passa na sua sala ou até a temperatura do ar condicionado. Empresas arrumam um professor de educação física pra aparecer de repente, te mandar levantar da cadeira, botar um CD da Enya e fazer um alongamento - pra que suas juntas não apodreçam e você tenha que ficar em casa, se recuperando impactando os indicadores de produtividade do setor.

Só que, em algum momento da história, algum chefe idiota deve ter achado que o segredo da eficiência estava em proibições e limites: Pausas para descanso de apenas cinco minutos. Internet liberada só na hora do almoço. Atrasos descontados em folha. Advertências por escrito para telefonemas pessoais no telefone da empresa, etc. A produtividade, então, parou de cair (e, também, de subir, mas isso ninguém viu). A conversa da hora do almoço ou de sexta-feira no boteco passou a incluir assuntos do tipo "tou trabalhando feito uma mula", "meu emprego tá um saco" e por aí vai. A reclamação generalizada passou a reforçar a cultura de que trabalho é ruim.

Além disso, alguns destes funcionários, com o tempo, também viraram chefes, diretores e presidentes de empresas, e passaram a repetir a dose de limitações e proibições em seus subordinados - não por perversidade ou vingança, mas porque, para eles, é assim que "tradicionalmente" se mantém a produtividade da equipe.

Todo ano eu passo por um porção de empresas diferentes, com diversas temperaturas no ar condicionado e diversos níveis de restrição no firewall. E, esta semana, enquanto me reclinava numa cadeira ergonômica, eu notei que existe um fator que influencia bastante na minha produtividade: janelas.

Isso mesmo. Janelas.

20080110Dias de trabalho em uma sala sem janelas me deixam desanimado. Eu termino o dia exausto e produzo pouco. Claro que minha eficiência não depende apenas da janela - o horário em que estou trabalhando também influencia bastante. Já falei disso aqui no blog: eu funciono mal de manhã e produzo feito louco à noite (este parágrafo, por sinal, está sendo escrito às 23:05). Mas algumas empresas, para meu azar, mandam o expediente começar no horário desumano de oito da manhã.

Outro fator importante na minha produtividade é poder ouvir música no trabalho. Na época em que trabalhei como analista de sistemas em um banco, fui advertido pelo chefe umas duas vezes porque eu insistia em usar meus fones de ouvido, o que era proibido. Mas eu não conseguia resistir, uma boa música ao longo do dia me fazia falta. Muita falta. O que, finalmente, nos leva à conclusão dessa papagaiada toda…

Não há problema nenhum no fato da empresa querer ganhar dinheiro espremendo o máximo de produtividade dos funcionários. É assim que o capitalismo funciona. Quem não gostar, que vá pra Cuba ou (daqui a alguns anos) pra Bolívia. O problema real está no fato da empresa querer que as pessoas produzam do jeito que ela acha que é certo.

As empresas atuais, moderninhas, globalizadas e cheias de nove-horas, deveriam saber que, quando pagam um salário, não estão comprando horas de atividade de uma pessoa, e sim um resultado. Todo e qualquer funcionário deveria ser cobrado somente por resultados. Afinal , é isso que, no fim, dá dinheiro. E daí se o funcionário dá resultado trabalhando de madrugada, só de cueca, ouvindo heavy metal e conversando fiado no MSN? Para o empregador, nenhuma. Mas para o empregado, isso faz muita diferença.

Acho que não preciso explicar que isso não vale para todo tipo de trabalho. Alguns, naturalmente, impõem restrições: afinal, ninguém quer ter que ir a um banco às duas da manhã e, além disso, encontrar o caixa usando apenas cuecas e uma camisa surrada do Iron Maiden. De fato, especialmente em atividades como estas, que requerem "limitações" como horário fixo e roupas que cubram devidamente as partes íntimas, as empresas deveriam se preocupar ainda mais se os funcionários estão tendo as condições que precisam para dar resultado. Afinal, a produtividade só aumenta de verdade quando o funcionário sente-se à vontade para ter vontade de produzir.

Atualmente isto parece encoberto por uma cultura de que trabalho é apenas uma ralação chata a que todo mundo se submete pra poder ter dinheiro no fim do mês. Perdem-se as perspectivas e sobra pouquíssima gente trabalhando porque gosta, ou porque vê a utilidade do que faz pro bem geral. Enquanto isso, as empresas ficam batendo cabeça e tentando criar uma "vontade falsa" de trabalhar - a chamada "motivação". É clássico: as empresas tentam motivar o funcionário dando a ele tudo quanto é tipo de coisa - menos um MOTIVO para trabalhar.

Bem, é isso. Acho que nunca escrevi um post tão grande por aqui. Ainda tem muito assunto fervilhando na minha cabeça, mas vou ter que parar por aqui já que, infelizmente, meu expediente de amanhã começa às oito. E com uma reunião numa sala sem janelas.


Dia de treinamento

7 de November de 2007, 11:22

Passei os últimos dois dias num treinamento de finanças.

É engraçado: o pai da contabilidade foi um padre italiano, mas apesar de sua origem santa as finanças, definitivamente, não são coisa de Deus. Eu tenho horror a finanças. Eu mal consigo dividir conta de boteco e estava lá, aprendendo sobre "passivo circulante" (não, não é travesti fazendo ponto em Copacabana), "semoventes depreciados" (vulgo "carro velho") e "método das partidas dobradas" (não, não são dois jogos do Brasileirão no mesmo horário).

Os dois dias foram mentalmente exaustivos, mas renderam muito. Confesso que até comecei a achar o assunto interessante, apesar de ser completamente contra-intuitivo. Quer ver um exemplo? Eu levei uma boa meia hora para aceitar o fato de que o conceito de "passivo" chama salários e contas a pagar de fontes de recursos. Pensa bem, você paga os benditos salários; como diabos isso é fonte de recurso?

Finanças também tem uns conceitos "alternativos" bastante interessantes. O mais legal deles é o da contabilidade criativa, que nada mais é do que um fantástico eufemismo para descrever "gambiarras" de contabilidade pra esconder prejuízos e outras coisas não tão bonitas dos relatórios. O pior é que, em um dos livros que nos deram como preparação para o curso, tem um capítulo inteirinho sobre isso…

Mas o sucesso do treinamento deve-se ao instrutor, o "samurai" das finanças - Musashi, aquele mesmo consultor-líder que, em 2003, me fatiou vivo na banca examinadora. Musashi tem um jeitão "bronco" bastante assustador, mas no fundo ele é tranquilo - desde que você não faça besteira. Por exemplo, quando alguém mencionou a "contabilidade criativa" no curso, a resposta de Musashi foi:

- Pára com isso. Isso é falta de ética. E se você disser que eu ensinei isso aqui no curso eu vou comer o seu figado cru.

Sutileza, definitivamente, não é uma das qualidades de Musashi. No primeiro dia, um membro de um dos grupos estava começando a apresentar um exercício de análise financeira quando ele interrompeu a apresentação e disse:

- Pegue o relatório que vocês usaram pra fazer a análise e leia a primeira frase de novo.

A primeira frase dizia que as informações eram do "Grupo X de empresas", e Musashi havia dito que você NUNCA deve analisar resultados de um grupo de empresas, e sim cada empresa separadamente. Sem a menor cerimônia, ele emendou o golpe final:

- A análise de vocês não vale nada. Pode se sentar.

samurai shodown
Musashi corrigindo o exercício do grupo…

O método pode não ser sutil mas é extremamente eficiente. Tenho certeza que ninguém mais vai errar aquilo.

Mas o pior foi quando chegou a minha vez de apresentar o trabalho do meu grupo. Musashi estava lá, assistindo, com sua cara usual de poucos amigos. Aí ele pergunta:

- Nessa situação aí você tem a opção de pagar dividendos ao acionista. Você acha bom pagar dividendos nesse caso?

Confesso que não fazia a menor idéia. Então, respondi:

- Ué, se eu for acionista, vou achar ótimo…

É impressionante. Em momentos de tensão, meu primeiro impulso é… fazer piadinha com o instrutor sanguinário do curso. Muito sensato isso. Nesse ritmo minha carreira vai se encerrar no "curtíssimo prazo"…


O meme do livro

24 de October de 2007, 9:04

Só de sacanagem eu vou responder o tal meme de “pegue o livro mais próximo de você e diga qual é a quinta frase da página 161″:

“Just pick one method and use it consistently”

O livro é o famoso “PMP Exam Prep, Fifth Edition: Rita’s Course in a Book for Passing the PMP Exam”, conhecido para os íntimos como “o livro da Rita”. A frase tá solta assim porque ela está falando dos diversos métodos que existem para se desenhar um diagrama de rede. Excitante, não?

Estou tendo um relacionamento íntimo com a Rita. Mas é tudo com “segundas intenções”: quero tirar minha certificação PMP até o fim do ano - sim, deste ano. Aí, todo tempinho que sobra eu vou lá e dou uns pegas na Rita. Ela não é gostosa, mas tem conteúdo.

Certificações são uma boa saída para pessoas como eu, que precisam dar uma turbinada no currículo mas não tem tempo (ou morrem de preguiça) de passar anos numa pós-graduação ou mestrado. Tanto que também estou namorando um IPMA nível C e um certificado de “falo inglês pra car-ollie-owl”, tipo TOEFL ou algo parecido.


Os problemas econômicos do golpe do baú

4 de October de 2007, 21:19

Segundo este site, uma mulher apelou e colocou um anúncio no Craigslist pedindo ajuda para um problema… diferente:

Eu sou uma garota linda (maravilhosamente linda) de 25 anos. Sou bem articulada e tenho classe. (…) estou querendo me casar com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano. Tem algum homem que ganhe 500 mil ou mais neste site? Ou esposas de gente que ganhe isso? Vocês poderiam me mandar algumas dicas? Eu namorei um homem de negócios que ganha por volta de 200 a 250 mil. Mas eu não consigo passar disso. 250 mil não vão me fazer morar em Central Park West. Eu conheço uma mulher da minha aula de ioga que casou com um banqueiro e vive em Tribeca, e ela não é tão bonita quanto eu, nem é inteligente. Então, o que ela fez de certo que eu não fiz? Como eu chego no nível dela?

Sim, a mulher estava pedindo dicas sobre como arrumar marido rico. Mas isso não é o mais legal, o melhor da história é que um cara, possivelmente um economista ou investidor, deu a ela uma resposta tão bem articulada e fundamentada que eu não resisti e tive que traduzir tudo pra postar aqui (os negritos são meus, pra mostrar as melhores partes):

Eu li seu anúncio com grande interesse e pensei com cuidado sobre seu dilema. Fiz a seguinte análise da situação.

Primeiramente, não estou gastando seu tempo, pois me qualifico como um homem que atende seu orçamento; ou seja, eu ganho mais de 500 mil por ano. Isto posto, eu considero os fatos da seguinte forma:

Sua oferta, quando vista da perspectiva de um homem como eu, é simplesmente um péssimo negócio. Eis o porquê: deixando as firulas de lado, o que você sugere é uma negociação simples. Você entra com sua beleza física e eu entro com o dinheiro. Ótimo, fácil. Mas tem um problema. Sua aparência vai se acabar e meu dinheiro vai continuar existindo, perpetuamente… de fato, é bem possível que meus rendimentos aumentem, mas é certeza absoluta o fato que você não vai ficar nem um pouco mais bonita!

Assim, em termos econômicos, você é um ativo sofrendo depreciação e eu sou um ativo rendendo dividendos. Você não somente sofre depreciação como esta depreciação sempre aumenta! Explicando, você tem 25 anos hoje e deve continuar gostosa pelos próximos 5 anos, mas sempre um pouco menos a cada ano. Então o fim de sua aparência começa cedo. Aos 35 anos você já estará acabada!

Então, usando o linguajar de Wall Street, nós a chamaríamos de “trading position” (posição para comercializar), e não de “buy and hold” (compre e retenha) - que é o que você deseja… daí o problema… casamento. Não faz sentido, do ponto de vista de negócios, “comprar” você (que é o que você quer), portanto prefiro alugá-la.  Se você estiver pensando que estou sendo cruel, eu tenho a dizer o seguinte: Se meu dinheiro vai se acabar, você também vai. Então, quando sua beleza se esvair eu tenho que ter uma opção de saída. É simples assim. Um negócio razoável, portanto, é um namoro, e não casamento.

Paralelamente a isso, bem no início da minha carreira me ensinaram sobre mercados eficientes. Assim, eu me pergunto com uma garota “articulada, com classe e maravilhosamente linda” como você ainda não achou seu tio Sukita. Acho difícil acreditar que você é tão bonita quanto diz e os 500 mil dólares ainda não te encontraram, nem que fosse pra um “test drive”.

Por sinal, sempre há um jeito de você descobrir como ganhar dinheiro por conta própria, para que não precisemos ter essas conversas difíceis.

Com tudo isso dito, devo dizer que você está tentando da maneira certa. É a clássica “capitalização via golpe do baú”. Espero que tenha sido útil e, se quiser negociar um contrato de aluguel, fale comigo.

Update: Mais um cara respondeu


Leasing barateia aluguel e permite aluguel de carros zero quilômetro na Europa

3 de October de 2007, 22:23

Está na Europa e quer alugar um carro com 50% de desconto? Algumas locadoras podem te dar um em contrato de leasing!

Além do preço mais baixo, o carro é novinho, zero quilômetro, com seguro, pode vir com os opcionais que você quiser como GPS e CD player, não tem limite de quilometragem, impostos ou taxas e você pode pegá-lo num país e devolver em outro!

A oferta só vale para turistas (ou qualquer pessoa que não more na União Européia) e você precisa ficar com o carro por um mínimo de 17 dias.

Parece bom demais para ser verdade, mas o truque por trás é bem simples - e genial. Está explicado no site:

A razão destes contratos de leasing existirem é simples: evitar impostos. Carros novos na França sofrem tributação muito maior do que carros usados. Fazer leasing com turistas assegura um estoque amplo de carros com pouquíssimo uso para revender aos consumidores franceses em busca de preço baixo.

É uma Idéia fantástica. E provavelmente é viável porque na Europa deve ser moleza fazer um contrato de leasing que dura só 17 dias. Aqui no Brasil o leasing ia levar 17 dias só pra ser aprovado…

(Via populares do del.icio.us)


Encare de frente tirando da reta

25 de September de 2007, 14:44

Eu bem que tento levar minha carreira a sério, mas é difícil.

Eu tou aqui, estudando o livro da Rita Mulcahy, pra minha certificação PMP, e olha o que ela me escreve no capítulo sobre "Responsabilidade Pessoal e Profissional":

"Responsabilidade profissional e pessoal OBRIGA o gerente de projeto a encarar de frente problemas como, por exemplo, cronogramas não-realistas. Às vezes isso significa dizer: ‘dê este projeto para outra pessoa!’"

Deixa eu ver se entendi. Segundo a autora, "encarar os problemas de frente" é dizer "entrega esse abacaxi pra outro"?

Se for assim, acho que aprendo mais sobre Gerenciamento de Projetos assistindo o filme Tropa de Elite (lembram do "essa pica é do aspira"?)


A TI e o eterno foco em si mesma

19 de September de 2007, 21:44

Roy e Moss - The IT Crowd Um momento clássico do ótimo seriado The IT Crowd (terças às 22:00 no canal Sony) é quando o telefone toca. Normalmente Roy dá um longo suspiro, tira o fone do gancho e diz exatamente as mesmas palavras: “Alô, TI, já tentou desligar e ligar de novo?”

O mais engraçado disso é que eu já fui exatamente assim. A minha formação é de TI, e confesso: passei anos atendendo telefonemas de usuários com a mesma má vontade do Roy.

Há uns cinco anos eu larguei a TI e fui trabalhar com consultoria em gestão. E o mais divertido dessa guinada maluca da minha carreira é que ela me mostrou exatamente o porquê de muita gente em TI - inclusive eu - trabalhar da mesma forma que o pessoal do seriado: o foco nos meios e não nos fins.

Pensa bem: o cara entra pra faculdade e aprende a fazer programas, manter bancos de dados, construir sistemas, etc. Passa quatro anos vendo linhas de código o dia inteiro e sai meio baratinado, achando que seu trabalho é lidar com computadores - e só com computadores. Neguinho se esquece que computadores precisam funcionar porque outras pessoas usam computadores pra trabalhar. A tecnologia passa a ser fim, e não meio.

E aí acontece esta coisa bizarra: quando o telefone toca, o cara de TI pensa: “droga, estão me atrapalhando no meu trabalho de manter computadores funcionando”. E esquece que quem está ligando é exatamente a pessoa que precisa dos computadores funcionando!

Até dá pra justificar parte desta história de “a TI pela TI”. A computação é território predileto de nerds com pouca habilidade social (incluindo eu mesmo), o que faz o teclado ser preferível ao telefone. Os caras trabalham num porão ou sala distante, sem janelas (por causa do ar condicionado que mantém os servidores), longe de outras pessoas mas cercados de máquinas. E, pra quem gosta, a TI é tão interessante e absorvente que esse papo de “contato com luz do sol, ar livre e outros seres humanos” acaba ficando pra depois.

Acho que os cursos de computação e tecnologia da informação que se dizem orientados para o mercado deveriam separar um momento no curso, para ensinar aos futuros bacharéis a real razão da existência do emprego deles. E mais: não só para TI mas para tudo na vida, o foco nos fins ao invés dos meios é o diferencial de quem se dá bem.


Pense alto! Sonhe alto! Seja alto?

17 de September de 2007, 21:22

Hoje eu recebi via MSN um curioso pedido de um leitor: ele queria um post com dicas de como se dar bem no trabalho.

Bem, tem uma que é infalível. Basta ser alto.

Homem alto de terno alinhado com outros mais baixosParece piada mas é sério. Eu já havia lido sobre o assunto no ótimo "Blink - A decisão num piscar de olhos", de Malcom Gladwell. Ele falava de evidências sérias de que alta estatura - particularmente entre homens - provoca um conjunto bem específico de associações positivas e inconscientes na mente humana.

Eu acreditei nisso na hora que li: desde sempre eu tenho uma crença de que, inconscientemente, várias decisões, principalmente as do mundo corporativo, são tomadas com critérios subjetivos do tipo "o Powerpoint era bonito" ou "ele me parecia ser confiável".

Um artigo do Sixwise.com aprofunda bem o assunto:

Em "Blink," Gladwell pesquisou metada das empresas listadas na "Fortune 500" e viu que a maior parte de seus CEOs eram homens brancos e altos. Além disso:

  • A altura média dos CEOs era de quase 1,82m (a média nacional dos americanos homens é de 1,75m)
  • Entre os CEOs, 58% tinham 1,82m ou mais.
  • Nos EUA, 14,5% dos homens tem 1,82m ou mais.
  • Aproximadamente 30% dos CEOs tinha 1,88m ou mais.
  • Nos EUA, 3,9% dos homens tem 1,88m ou mais.

"A altura faz diferença na carreira", disse Timothy Judge, professor de gestão da Universidade da Flórida, que ajudou a conduzir um estudo sobre o assunto. (…) Após analisar o resultado de quatro grandes estudos, o co-autor da pesquisa, Daniel Cable, professor de negócios da Universidade da Carolina do Norte, (…) concluiu que cada 2,5 centímetros de altura adicional significam US$ 789 a mais no salário.

Durante minhas longas horas no aeroporto isso era bem evidente. Na fila do embarque sempre tinham vários executivos engravatados e muito maiores que eu.

O artigo da Sixwise ainda fala de programação genética para que as mulheres prefiram homens altos e de um estudo, da Universidade de Liverpool, que concluiu o seguinte:

  • Homens altos têm mais chances de se casar e ter filhos do que os mais baixos;
  • Solteiros sem filhos são significativamente mais baixos que homens casados;
  • Homens com filhos, na média, são 3 centímetros mais altos que homens sem filhos;
  • Homens casados são, na média, 2,5 centímetros mais altos que solteiros.

Então, é assim. Os baixinhos vão ter que ralar muito pra compensar os centímetros faltantes…


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