Shows que merecem um post: Girl Talk

Shows sempre são cheios de surpresas pra mim. Da última vez, quis ver o Radiohead mas acabei fritando mesmo com o Kraftwerk. Sábado passado, no Planeta Terra, não foi diferente: fui pra ver o Pavement, mas gostei mesmo foi de ninguém menos que Girl Talk.

Já eram duas da manhã e eu estava exausto, desidratado, e gastando minha última ficha de cerveja em frente ao “palco Indie” (que nomezinho) quando Girl Talk subiu sozinho no palco. Ainda não tinha nada tocando mas o cara já estava em cima da mesa de som, gritando, alucinado: “LEMME HEAR YOU MAKE SOME NOOOOOOOOOOOOOOISE!!!!”. E aí entra a música e uns assistentes dele pegam uns leafblowers (sabe, aqueles sopradores de folha?) com rolos de papel higiênico amarrados na ponta e começam, numa gambiarra genial, a disparar papel higiênico no público como se fosse serpentina. E era MUITO papel higiênico. Ironicamente, no outro palco Billy Corgan tocava um show chato usando uma camiseta escrito “NATURE”, ao invés do clássico “ZERO”, enquanto a gente tava lá desperdiçando metros e mais metros de papel. E quando o caos já estava completamente instalado, de repente sobem umas TRINTA pessoas no palco – gente aleatória, da produção, de outras bandas, VIPs, repórteres, etc. – que começam a dançar e jogar ainda mais papel higiênico uns nos outros. Gregg Gillis (o Girl Talk em si) era de longe o mais animado: o cara estava absolutamente elétrico, pulando e dançando e gritando o tempo todo com um vigor indescritível, inacreditável.

Entendi a proposta na hora.

Instantes depois, apesar de exausto e desidratado, eu fui parar na grade em frente ao palco, pulando e cantando junto. E foi assim que eu vi um dos shows mais divertidos de toda a minha vida.

Aí você deve estar pensando “Porra! Mas teve PAVEMENT no mesmo dia e cê tá aí pagando pau pra um cara que não faz nada além de tocar Britney Spears misturado com Kanye West misturado com Rihanna?”. Sim, porque a proposta de Girl Talk não era a de fazer um show “musical”, como o das outras bandas, que efetivamente tocaram alguma coisa, que possuem importância histórica e uma discografia ilibada (como o Pavement). A proposta do show do Girl Talk era justamente a de largar toda essa seriedade de lado e simplesmente se divertir. E nada mais divertido que música pop, pirateada e misturada de forma avacalhada – o que, em si, é uma forma de perverter a indústria do entretenimento, coisa que sempre dá uma satisfação interior. Claro que teve um monte de indies cabeçudos que não se permitiram curtir o show porque tocava 30 segundos de Britney Spears ou porque misturava Jay-Z com Black Sabbath. Eu mesmo confesso um breve instante de descrença de mim mesmo quando me peguei cantando, a plenos pulmões, o refrão de “Living on a prayer”. Mas era justamente isso a parte divertida do show: a oportunidade de abandonar preconceitos e festejar.

E, convenhamos, tem umas combinações que você jamais imaginaria que funcionariam tão bem, como Lady Gaga e Aphex Twin…

Veja uma parte do show aqui (dá até pra me ver em 5:50), ou baixe All Day, o disco novo de Girl Talk, gratuito e ilegal, aqui.

O Primo recomenda: The Wire

The WireNo universo das séries de TV tem de tudo. Tem desde aquelas feitas pra você chegar em casa, tirar o sapato, ligar a tevê, desligar o cérebro e ficar esperando a risada enlatada te informar o momento onde você deve(ria) rir até as que investem em longos e complexos arcos narrativos e que mais parecem um longo filme em 24 fatias de uma hora cada. Variações de formato, cor e textura à parte, todas elas se encaixam em um formato mais ou menos raso e de produção enxuta para, imagino eu, torná-las viáveis financeiramente para os canais de TV.

Daí você tem as produções da HBO, que estão vários níveis acima do “varejão” das séries televisivas em termos de qualidade. São produtos mais adultos, muito mais bem produzidos e com histórias e personagens muito mais profundos que a média. Isso ficou bem nítido pra mim conforme eu assistia Roma ou a excelente Alice (da HBO Brasil). E então resolvi ver The Wire.

À primeira vista, é só uma série totalmente ordinária, com atores desconhecidos, nenhum efeito especial ou atrativo plástico/visual e uma temática nada inovadora de contar as histórias da força policial de Baltimore lutando contra o tráfico de drogas. Mas é tão bem executada, mas tão bem executada, que existe um coro de críticos de TV que afirmam categoricamente que The Wire é a melhor série já produzida para a TV.

E eu concordo plenamente.

Acho que o principal fator que contribui pra excelência de The Wire é o roteiro. Não porque ele é surpreendente ou incomum, e sim porque ele é realista, quase “documentarial”. Raríssimas cenas tem trilha sonora, os traficantes e policiais usam suas gírias típicas e seus fucks, shits e niggas o tempo todo (o que deixa algumas coisas ininteligíveis, mas aumenta ainda mais a imersão na história), não há “flashbacks” para relembrar de cenas passadas, nem narração em off para explicar o que alguém está pensando. Porque na verdade não precisa. Muita coisa é dita em olhares, em expressões, em linguagem corporal, assim como na vida real.

Além disso todos os aspectos da investigação policial estão incluídos – inclusive os chatos e técnicos, como a burocracia para conseguir um mandato ou a politicagem do alto comando da polícia que acaba atrasando investigações. Você acha que a série vai ser um “polícia invade boca de fumo e leva todo mundo pra cadeia” e encontra um “policial precisa de provas suficientes para requisitar um mandato que o juiz aprove mas isso não pode passar pelo tenente porque o que ele quer é agradar o chefe dele melhorando as estatísticas criminais do distrito e por isso manda todo mundo sair pra rua pra ficar prendendo ladrão de galinha ao invés de fazer trabalho investigativo”, e por aí vai.

E, como se não bastasse, os roteiristas ainda conseguiram, no meio de todo esse realismo, atingir uma profundidade literária que eu nunca havia visto. Sabe quando você lê alguma coisa muito bem escrita e, mesmo depois de fechar o livro, se perde por várias horas pensando no que acabou de ler? Logo na primeira temporada um dos policiais fala que quer se jogar das escadas da delegacia, pra poder processar a polícia por acidente de trabalho e ganhar uma grana. “Eu mereço”, diz ele. E, no contexto da série e conhecendo as nuances do personagem, eu passei DIAS pensando no quão genial foi o “eu mereço” que ele disse.

E em The Wire todos os personagens são brilhantes. Todos. Sem exceção. Desde o capanga mais básico até o mais genial dos investigadores policiais. Só pra citar um exemplo: Omar Little, um criminoso com uma cicatriz no meio do rosto, é tão casca-grossa que ganha a vida passando a perna nos outros traficantes casca-grossa. Todo mundo tem medo dele. Já a polícia volta e meia  precisa da ajuda dele. Um detalhe: ele é gay. Outro detalhe: Barack Obama é fã declarado dele.

“…o mais durão e malvado da série. Mas isto não é um endosso. Ele não é minha pessoa favorita, mas é um personagem fascinante” – Barack Obama, o presidente dos EUA, sobre Omar Little. Eu não estou brincando.

The Wire, como tudo que é bom, durou pouco: apenas cinco temporadas. Mas vale o download. Tem todas na, er, “Loja do Torresmo”, algumas já com legendas em inglês. Confie em mim: você vai precisar delas, por melhor que seu inglês seja.

O Primo recomenda: God of War 3

Outro dia eu e Bethania estávamos na cozinha fazendo comida e pensando no que poderíamos ver na TV enquanto almoçávamos. Nossa opção normalmente são as séries que eu “obtenho” via internet, mas Lost tinha acabado, 24 horas também, Fringe também, então não restavam muitas opções. Daí eu tive uma ideia:

– Bom, eu posso ir jogar God of War 3.

Bethania pensou por alguns instantes. Depois disse:

– Mas comer e jogar ao mesmo tempo não vai te atrapalhar?

Pois é, meu amigo. God of War 3 é um jogo tão bom, mas TÃO BOM, que minha esposa para pra ASSISTIR o jogo. Normalmente ela brigaria comigo porque estou jogando videogame na hora do almoço. Em GoW3 ela briga comigo é quando eu faço alguma idiotice no jogo e acabo morrendo.

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O bom do GoW3 é que não há limite nenhum para exageros nas cenas de ação. Afinal, como é um videogame ambientado num universo mitológico de deuses e titãs, vale tudo. Coisas que forçariam a barra em qualquer filme ficam perfeitamente factíveis – e absolutamente embasbacantes – no jogo. Como no fim da batalha contra Poseidon, aonde Gaia, a mãe-terra, desfere o golpe final (leia-se “SOCO DA ROÇA”) no monstro de água criado pelo deus dos mares, e impulsiona Kratos para que atravesse o “coração” da criatura e arranque Poseidon de lá. Essa foi uma das raras vezes que, em duas décadas de vivência com videogames, eu larguei o joystick, levei as duas mãos à cabeça e gritei “putaquepariu” em frente à TV.

É aos 3m50s do vídeo abaixo:

Detalhe: tudo isso acontece nos primeiros 20 minutos de jogo.

E sobram momentos embasbacantes em God of War 3: eviscerações de centauros, cavalgadas sobre cérberos cuspidores de fogo, olho de troll sendo arrancado e por aí vai.

Acho que o grande trunfo de God of War 3 é que ele, apesar de ser basicamente um “joguinho de porrada”, ele contém uma série de elementos de gameplay e detalhes visuais que não somente mantém o seu interesse no jogo como fazem com que ele fique cada vez melhor conforme você vai jogando.

É importante destacar também que GoW3 não é só bonito. A história da trilogia está no seu ápice – o que, no caso do God of War, significa que Kratos está matando todo mundo que ainda não morreu nos dois últimos jogos da série. E como Kratos está matando deuses, e estes deuses governam a Terra, Kratos está, efetivamente, acabando com o mundo. E não dá a mínima…

Pedaços de posts que nunca concluí

Em nenhuma ordem ou contexto específico (Viva o caos!).


Teorias sobre motivação, existem várias. Apenas duas funcionam: 1) Dinheiro e 2) Café. Tem também o 3) Sexo, mas essa tem uma série de complicações jurídicas quando usada em ambientes corporativos.


  • E esses bonequinhos 3D em overlay no campo, hein Globo? Tá parecendo Age of Empires…
  • Que mau gosto o dessa camisa do Flamengo. A fonte do nome do jogador é a mesma dos filmes do Homem Aranha que é a mesma do Playstation 3.
  • Esses gritos de guerra do Flamengo não rimam não? “Dá-lhe dá-lhe ô / Mengão do meu coração”?
  • (Quando a TV digital dá interferência e a tela se enche de “glitches”): E pensar que meus filhos nunca vão saber o que são chuviscos de uma TV analógica fora do ar…

Então que agora eu virei consultor-líder do maior contrato do ano da minha empresa de consultoria e meu dia de trabalho consiste, basicamente, de um continuum de reuniões.

Ontem uma delas era para acertar o escopo do trabalho com uma das gerentes do cliente. Daí que eu cheguei e me sentei na mesa todo pimpão e todo mundo tava batendo cabeça e eu incorporei o exu de consultor-líder e saí, ao mesmo tempo, colocando ordem na bagaça e tomando cuidado para não desautorizar a mulher (que, pô, era a gerente da coisa). E ela lá, só ouvindo.

Até que, no meio do meu “leadership spree” eu saio falando que…

– …então acho importante seguir as orientações da Miriam.

E ela rebate:

– Meu nome é Luiza.


Brunetto
Comida Italiana – Site: Não tem.
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 465 – Itaim Bibi

Sabe, normalmente a comida italiana me motiva… motiva a tirar um cochilo depois. Só que a do Brunetto (onde almocei hoje) estava TÃO boa que me motivou a escrever este post. Diz Bethania que os donos moraram na Itália, então deve ser por isso que as massas são tão gostosas. Ah, não deixe também de comer a bruschetta do Brunetto (por mais transsexual que isso possa parecer).

Kebaberia
Kebabs (comida árabe) – http://www.kebaberia.com.br/
Rua Dr. Renato Paes de Barros, 777 – Itaim Bibi Rua Joaquim Floriano 179 – Itaim Bibi

Quando se pensa em Oriente Médio normalmente o que vem à cabeça é "terrorismo", "petróleo", "Prince of Persia"… e, por último, a comida do Habibs. Então os kebabs – "enrolados" de carne grelhada, originados no Irã – acabam passando despercebidos. Mas são uma delícia, é como se fosse a fast-food das arábias.

No almoço é bem cheio, então dá um ótimo lugar para ataque de homem-bomba chegue cedo.

Bolados
Lanches e sucos – http://www.boladossucos.com.br/
Rua Joaquim Floriano, 373 – Itaim Bibi

Minha mulher odeia o Bolados: “Sanduíche não é almoço”, diz ela. No cardápio tem um de peito de peru com tomate seco que discorda veementemente. Vale lembrar que o Bolados, além de bom, é barato, tornando-se uma ótima sugestão para os dias em que sua carteira teve crises bulímicas e tá magrela.

Pibu’s
Lanches – http://www.pibus.com.br/
Av. Pres. Juscelino Kubitscheck, 819

Opção boa (e razoavelmente barata) quando você quer fugir dos lanches tradicionais do Itaim (New Dog, Joakin’s, Fifties, etc). Mas peça o delivery – o restaurante “físico” é praticamente inexistente.

Beacons of Ancestorship, faixa a faixa

beacons.jpg

Depois de um hiato de cinco anos sem lançar material inédito, eis o retorno do Tortoise, banda das mais caras ao coração deste que vos escreve, retorno este que deu-se da seguinte forma:

1. High Class Slim Came Floatin’ In – É o início do disco, mas você chega logo a uma conclusão: Toda banda muito boa tem, obrigatoriamente, um PUTA baterista – coisa mais do que confirmada a cada disco do Tortoise. Foi assim em “Djed”, foi assim em “Seneca”, e dessa vez não é diferente. “High Class Slim Came Floating’ In” é longa (8’14”) mas contém umas cinco músicas diferentes dentro de si. Mais umas duas ou três audições e você terá a surpresa de notar que as cinco músicas fazem referências umas às outras. Sim, Tortoise tem muitas camadas.

2. Prepare Your Coffin – Bem, digamos que é uma daquelas “putaquepariu que filhos da puta como é que eles fazem isso” kind of song.

3. Northern Something – A terceira faixa traz duas certezas: uma é a que a distorção veio FORTE nesse disco, e a outra é que toda banda muito boa, sim, tem um PUTA baterista. Mas note que a parte do “puta” em “puta baterista” refere-se menos à técnica e mais a um certo senso rítmico, uma compreensão dos alicerces de uma boa batida.

4. Gigantes – O título em provável-português, as palmas e as cordas beliscadas dão uma impressão meio “capoeira” à coisa toda. Mas da segunda metade da música em diante o norte-americanismo do Tortoise volta a dominar.

5. Penumbra – É uma “música-pintura” de um minuto: mais estática que dinâmica, pinta uma paisagem de timbres muito mais do que desenvolve uma história.

6. Yinxianghechengqi – Barulhenta demais numa primeira audição e genial em todas as subsequentes. Pense na estética do punk rock usado como veículo para a técnica de progressão harmônica do jazz moderno. Pouquíssimas bandas teriam os colhões para tentar uma coisa dessas. Menos ainda a habilidade de se dar bem no final.

E deste ponto em diante o disco muda COMPLETAMENTE:

7. The Fall of Seven Diamonds Plus One – É a versão musical de um pai dizendo ao filho, num tom preocupado: “Sente aqui, meu filho. Preciso lhe dizer umas verdades”. A analogia com uma conversa não é por acaso: as guitarras dedilhadas tocam melodias tão evidentes, tão expressivas, que são mais diálogo que música. Destaque para o ritmo “assombrado”, marcado de quatro em quatro tempos ora por um baque seco, ora pelo tilintar de correntes metálicas.

8. Minors – O título dá a dica: progressões harmônicas em acordes menores, tocadas com timbres veranescos. Serve para resgatar o ouvinte do clima taciturno da faixa anterior e para dar o tom do resto do disco (basicamente: menos distorção).

9. Monument Six One Thousand – O disco começa a esfriar a partir daqui. As guitarras escalam escalas modernas sobre um chão de baixo meio ácido. A música parece não saber bem para onde está indo – coisa rara nos discos do Tortoise.

10. De Chelly – É um pequeno interlúdio de menos de dois minutos, bem solene. Lembra Bach e Laranja Mecânica.

11. Charteroak Foundation – Uma faixa bem cerebral, pra fechar o disco. Teclados dançando sobre um ever-repeating baixo tocado fora do ritmo, tanto do jeito certo (tercinas) quanto do jeito errado (realmente fora do tempo em alguns momentos). E, onze faixas depois, você tem a reconfortante certeza de que o Tortoise continua desgraçadamente bom.

O Primo NÃO recomenda: Hotel Sonesta Brasília

sonesta Em seis anos de consultoria eu já dormi em tudo que é canto: cama de resort cinco estrelas, hotel de posto de gasolina do interior do Mato Grosso… já pernoitei até em guarita de porteiro de fábrica de armas (é sério!). Mas um hotel que não era pra decepcionar e que me surpreende – no MAU sentido – a cada dia e há muito tempo é o Sonesta de Brasília – “Soneca”, para os íntimos, como eu e o Esparroman (que também já pagou uns pecados por aqui).

Não é brincadeira quando digo que o Sonesta não era pra decepcionar: o prédio do hotel é novinho, deve ter uns 3 ou 4 anos de idade. Os quartos são super bem decorados – alguns tem até varanda. Todas as amenidades de um bom hotel estão aqui: internet, academia, restaurante, sauna, piscina, serviço de quarto 24 horas e tal.

Por fora, bela viola. Por dentro… pão bolorento, como diria o sábio Chaves. Olha a LISTA de coisas que já me aconteceram aqui:

  • Comecemos pela internet, simplesmente inutilizável de tão lenta. Eu já usei internet de algumas DEZENAS de hotéis diferentes Brasil afora, e a do Sonesta é a pior de todas, de longe. É tipo o Rubinho Barrichelo num velocípede. Um absurdo para um hotel que se vende por aí como “hotel de negócios”.
  • Aí você pensa: “Ah, mas é só internet, não é a coisa mais importante de um hotel”. Concordo. Vamos então para algo um pouquinho mais sério: em vários quartos falta água quente no banho, especialmente de manhã.
  • Achou o problema da água quente no banho sério? Então engole essa: o problema da falta de água quente no banho acontece há no mínimo DOIS ANOS e até hoje não foi resolvido.
  • Além de torcer pra não pegar um quarto sem água quente, você precisa também evitar os quartos da lateral do prédio, que são minúsculos, de não sobrar espaço pra passar pro outro lado da cama. E estes são justamente os que tem DUAS camas de solteiro. Isso sem contar os quartos que ficam exatamente atrás do elevador e que são simplesmente inabitáveis por causa do barulho.

    Estes são os problemas “crônicos” – ainda tem os esporádicos, como quarto com porta que não abre ou quarto com problema elétrico onde nenhuma luz ou tomada funciona. Peguei um destes essa semana, por sinal.

  • “Por favor” e “obrigado” não são muito usados pelo pessoal do hotel. A tosquice no atendimento chegou a um extremo na última sexta, quando fui fazer meu checkout: logo após puxar minha reserva no computador o cara da recepção começou a rir quando viu meu sobrenome. Na minha frente. Aí ele viu minha cara de furioso e disse:

    – Desculpe, senhor…

    E quando eu achei que ele ia complementar o pedido de desculpas, ele me manda um:

    – …mas é que tem o Tonico e Tinoco, a dupla sertaneja!

    E continuou rindo, o filho da puta.

  • O restaurante é uma piada, tanto o serviço quanto a comida. Um dos exemplos eu já até postei aqui. Atualmente o máximo que eu peço da cozinha é um prato e talheres pra não precisar usar talher de plástico ao comer comida de um delivery qualquer… e até isso dá errado. Pausa para pequena historinha:

    Semana passada eu liguei pro restaurante do hotel, pedi um prato e talheres. Depois (repare na sequência) liguei pro Grandville e pedi um salmão grelhado com salada e cebolas empanadas pra acompanhar. “Previsão de entrega é 45 minutos, senhor”. Mais ou menos nesse tempo chega o motoboy com o salmão e a salada, mas sem a cebola empanada. Mais uns 10 minutos e ele ligou pro restaurante, confirmando que estava mesmo faltando. Daí ele saiu pra buscá-la e voltou uns 30 minutos depois. Eu comi o salmão, a salada e as cebolas (tudo muito bom, recomendo, tem em São Paulo inclusive) e já estava escornado na cama quando, DUAS HORAS DEPOIS, chega o cara do restaurante com meu prato e os talheres. Sim, DUAS HORAS, não tou brincando.

  • Update: Outro dia achei uma barata no meu quarto (detalhes neste post).

“Pô, você precisa reclamar dessas coisas com o gerente!”, você deve estar pensando. Eu comecei preenchendo os papeizinhos de “Fale Conosco” da recepção e, como não adiantava nada, acabei indo conversar com a Srta. Chananda Tubert, gerente de operações. Sobre a internet, ela disse que o hotel tem um link de 1 MBps (sim, UM MEGA, pro hotel INTEIRO) e que, se fosse pra aumentar, ela teria que começar a cobrar pelo uso. Ou seja, ela me mandou um “foda-se você” bem suave. E sobre a água quente ela ficou de verificar (versão suave do “tou cagando e andando”). Como alguns MESES depois nada mudou, eu fui no site global da rede Sonesta, escarafunchei até achar um email “global corporate” qualquer deles e caprichei no meu inglês em um email CABELUDO reclamando da incompetência da gerente. No dia seguinte ela me abordou no café da manhã e, toda simpatiquinha, me encheu de promessas de melhoria. Nenhuma delas cumprida. E isso foi há mais de um ano.

Então já sabe: ao visitar Brasília, para uma boa soneca, não fique no Sonesta: vá pro Mercure, pro Metropolitan, pro Naoum Express… mesmo que você pague um pouco mais caro.

Cinco reviews aleatórios de cinco coisas aleatórias

1) Sanduíche Subway de frango teriaki no pão integral com alface, tomate, cebola, picles, molho de mostarda e mel e uma pitada de pimenta calabresa

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Na foto você vê a versão “publicitário” (esq.) e a versão “cliente” (dir.).

Eu sempre peço exatamente este sanduíche, com estes ingredientes, quando vou ao Subway. É uma reação meio inconsciente, porque me lembra um frango teriyaki que eu comi uma vez, em algum restaurante de algum lugar do brasil (nem me lembro mais) e que estava delicioso. O do Subway nem chega perto, mas traz boas lembranças.

Um destaque é a higiene do Subway, que parece ser muito boa: hoje eu fui entrando na loja, distraído, com meu cachorro junto, a atendente quase teve um troço e me botou pra fora rapidamente.

2) Metal Gear Solid 4 – Guns of the Patriots, para Playstation 3

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Ganhei de presente de dia dos namorados. É um presente que passa uma mensagem interessante, tipo “eu te amo, agora vá ali se esgueirar atrás de um guarda, agarrá-lo e cortar a garganta dele”.

Ainda não devo ter jogado nem 50% do jogo – que é LOOONGO – mas já posso afirmar que no geral ele é mesmo um dos melhores títulos para o PS3. A jogabilidade é excelente: as centenas de armas/itens/gadgets de Snake te permitem ser o quão, er, “criativo” você quiser ser para passar de fase. Estou me divertindo horrores.

A jogabilidade do MGS4 é tão boa que acaba compensando um problema muito chato: as cutscenes, aquelas animações entre as fases que contam a história do jogo. Aparentemente Hideo Kojima, o autor da série Metal Gear, tem um ego enorme e está se achando o J. R. R. Tolkien dos games: entre cada “ato” (Kojima chama as fases de “atos”, afinal, na cabeça dele isto não é apenas um jogo, é um épico) você acaba sendo obrigado a ver cutscenes ENORMES, contando todos os mínimos detalhes de uma história bem mais ou menos. Tipo, logo que você mata o primeiro chefão, te chamam no rádio e ficam CINCO MINUTOS te contando a história de vida do chefão que você acabou de matar. E entre os atos 2 e 3 você é obrigado a assistir UMA HORA DE CUTSCENE. Sim, meus amigos, UMA HORA.

3) Tag “Via Fácil” para pagamento automático de pedágio

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Esse eu comprei quando estava na Fernão Dias, indo pra BH de carro. Perguntei quanto custava, a mocinha disse que tinha apenas uma taxa de adesão de 3 parcelas de R$ 18,76 que valia por CINCO anos.

O tal “tag” ainda tem a praticidade de pagar automaticamente o estacionamento de um monte de shoppings de São Paulo, o que é MUUUITO prático. Acabou aquela novela de toda vez eu virar pra Bethania e perguntar do ticket do estacionamento e ela ficar meia hora revirando a bolsa até descobrir que o ticket estava no bolso da minha calça. Mesmo eu não viajando tanto, desembolsar 11 reais por ano e nunca mais pegar fila de guichê de estacionamento de shopping me pareceu razoável…

…até eu descobrir uma mensalidade de R$ 10 que a mocinha que me vendeu acabou se “esquecendo” de mencionar e que eu só fiquei sabendo que existia quando recebi a fatura. Aí o valor anual passou de 11 para 131 reais e eu tratei de devolver logo essa porcaria.

4) Balas de alga marinha

image Eu fui apresentado a estas balinhas pelo meu amigo Marcos. Segundo a embalagem, elas são 100% naturais e contém agar-agar, um extrato de algas marinhas “riquíssimo em fósforo, iodo e sais minerais. Combate flacidez, age como vitalizante celular, retarda o envelhecimento dos tecidos, evita rugas, fortalece unhas, revigora o couro cabeludo evitando a queda dos cabelos…”, ou seja, é o tipo de coisa que spammers venderiam em emails intitulados “V1AGRA C1ALIS AG4R AG4R”, etc.

O gosto não lembra algas marinhas, e sim jujubas, mas mais duras e sem todo aquele delicioso açúcar em volta. Cada bala de algas tem 21 calorias, o equivalente a sete ou oito jujubas. As balas são boas, mas prefiro jujubas. Já disse que adoro jujubas?

À venda na Liberdade ou naquelas lojinhas de produtos natureba. Só não recomendo o site do fabricante, que não é nada natural (ou seja, foi feito em flash).

5) Solução de desinfecção de lentes de contato Opti-Free RepleniSH

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Quem usa sabe como é: você coloca as lentes no começo do dia, elas vão ressecando e à noite parece que você tem dois post-its nos olhos, prestes a descolar. Aí vem o tal Opti-Free “RepleniSH” (com SH maiúsculo, sei lá por quê) e promete que vai “reter a hidratação, intensificando o conforto”, ou seja, você não vai chegar à noite parecendo o Mr. Magoo.

E não é que o troço funciona mesmo? No fim do dia meus zóios estavam muito mais confortáveis, mesmo depois de mais de 12 horas olhando mulher pelad… err, planilhas de dados no computador. Mas não espere milagres: as lentes continuam ressecando, mas bem menos que o normal.

O rótulo diz que o poder reidratante vem de uns compostos químicos com nomes assustadores, tipo “ácido nonanoil etilenodiaminotriacético” e “miristamidopropildimetilamina”. Acho que se eu pingar isso direto no olho eu vou sair soltando raio igual o Ciclope.

 

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As Férias do Primo, Parte 2-B: A Pousada

Com toda certeza, a grande responsável pelo sucesso das nossas férias foi a Pousada Chez Roni, que nos acomodou durante a nossa visida à Baía da Traição.

Saca só o nível do lugar. Parece, sei lá, o Marrocos ou a Grécia – mas é ali na Paraíba mesmo!

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O lugar é bem simples. Não espere TV, frigobar ou telefone no quarto (internet nos quartos – realmente essencial 🙂 – eles já estão providenciando). Mesmo porque não faz sentido encher o quarto com um monte de coisas para te manter dentro dele quando logo ali, do lado de fora, na cara da sua janela, tem a praia e o mar.

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Junto com a simplicidade vem também o bom atendimento. O pessoal não mede esforços para que você se sinta à vontade. Você é bem tratado não por que está pagando: na verdade você é muito bem tratado porque o pessoal gosta de ser hospitaleiro. Tanto que nos últimos dias da nossa estadia vimos um casal de italianos de saída da pousada e a filhinha deles chorando porque não queria ir embora. E o pessoal da pousada chorava junto

Um detalhe interessante é que a pousada é bastante frequentada por gringos, especialmente franceses. O site é bilíngue, o dono é francês e a sócia dele mora metade do ano na pousada e metade do ano na França, com o marido. Vidinha ruim, imagino…

A pousada oferece meia pensão ou pensão completa. Mesmo que você não queira pagar a mais, reserve um ou dois dias para almoçar e/ou jantar na pousada porque, além de tudo, a comida é uma delícia.

Então já sabe: se um dia você for parar na Baía da Traição, saiba que a Chez Roni é très bien e fortemente recomendada.

O Primo recomenda: Alice

alice hbo cartazSim, é aquela série que a HBO produziu. “A história de uma menina de 26 anos que sai de Palmas, no Tocantins, e vem parar em São Paulo”. A premissa não podia ser mais clichê.

Então foi com muita surpresa que, após assistir os treze episódios da série, afirmo: Alice é excelente, fascinante e altamente recomendada.

E é tudo culpa da produção. Alice é absurdamente bem executada. Eu digo sem pestanejar que é a MELHOR produção nacional que já vi, mesmo nascendo com uma proposta batidíssima e, portanto, com tudo pra dar errado. A série mostra São Paulo inteirinha, fala dos seus pontos famosos, mostra seus locais mais conhecidos – e manjadíssimos – mas não fica brega. A personagem principal é a menina se descobrindo no “mundo encantado” da cidade grande – e a história não fica artificial. Os estereótipos estão quase todos lá: o pobre, o rico, o doidão, a modelo, o motorista, o morador de rua, o assaltante, mas nenhum deles é estereotipado nem mostrado daquele jeito forçado estilo “ohh, vejam, o diretor quer mostrar a diversidade da metrópole”.

Pra falar dos destaques da série, só fazendo uma lista mesmo:

  • Os atores mandam muito bem. Na maioria são “ilustres desconhecidos” do ramo, e talvez por isso deixem seus personagens tão autênticos…
  • …em especial a atriz principal, a estreante e talentosíssima Andréia Horta.
  • Os diálogos nunca soam artificiais: não é aquela coisa de novela onde todo mundo se esmera pra falar o português certinho e as frases saem todas de plástico. E, vendo com atenção, dá pra ver que a direção das cenas também guarda algumas surpresas mais artísticas: por exemplo, quando Alice cai, cambaleante, no gelo do meio de um ringue de patinação, aquela queda é também simbólica. Curti bastante estes detalhes.
  • A trilha sonora (do Instituto) acerta no ponto exato entre o urbano e o intimista – e sem passar pelo manjado. O tema de abertura, somado com imagens da cidade filmados com lente tilt-shift, ficou tão bom que dava gosto revê-lo em cada início de episódio.
  • Falando em fotografia, essa aí demonstrou um ótimo olho para captar a beleza tosca (mas sempre beleza) de São Paulo. Beleza esta que me doía, já que eu via os episódios sempre em avião, hotel ou ônibus e acabava com saudade de casa, pensando “olha lá a Nove de Julho… o túnel Ayrton Senna… o terminal Tietê…”. De fato, pelo que andei vendo por aí, Alice parece funcionar ainda mais em quem, como eu, não nasceu em São Paulo mas acabou indo parar lá.

A única coisa manjada da qual a série não teve muito para onde escapar foi que, para ilustrar a “porralouquice” paulistana, o pessoal carrega a mão nas cenas de sexo, drogas e baladas na Rua Augusta. Mas não se trata de nudez gratuita pra dar audiência: tudo faz parte da narrativa, e mesmo as cenas mais picantes são feitas com bastante, err, tato. E uma dica: recomendo evitar assistir os episódios em locais públicos, como salas de embarque de aeroportos – você pode ser surpreendido por uma cena de sexo lésbico entre duas senhoras de 50 anos, e seus vizinhos de cadeira vão te olhar meio esquisito (experiência própria).

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Mas o que mais gostei da série é que São Paulo não é só uma locação: é uma personagem. Ela vive, ela está na trama, ela afeta todo mundo o tempo todo. Neste ponto eu tiro ainda mais meu chapéu para a cidade, pois são poucos os lugares no mundo que tem personalidade suficiente para atuar em seriados…

Eu, sinceramente, torço pra algum canal aberto comprar os direitos de exibição da série, mesmo que seja pra passar de madrugada. Essa é uma série que merece ser assistida por muita gente. Enquanto isso, dá pra achar os treze episódios num torrent perto de você.

P.s.: Falando em séries nacionais, toda vez que eu vejo uma chamada para a série “Ó Paí O” – derivada de um dos PIORES FILMES NACIONAIS DE TODOS OS TEMPOS – eu tenho uma CRISE de DESESPERO.

O Primo recomenda: Almanaque Brasil

Não é segredo pra ninguém que eu viajo muito. O problema é que eu viajo REALMENTE MUITO, coisa que fica evidente quando eu vou cortar cabelo no aeroporto de Congonhas e o cabeleireiro já me conhece e chega perguntando se quero “o corte de sempre”, ou quando eu abro a revista da Tam de dezembro e, no editorial, ela mostra todas as capas das edições do ano e eu percebo que li TODAS. E com tanta leitura aeronáutica eu posso afirmar, com alguma autoridade, que revistas de avião são bem ruinzinhas.

Grande parte da revista da Tam, por exemplo, é merchandising disfarçado. Você pega e lê uma reportagem sobre Frankfurt (para onde a Tam começou a voar no início do ano), outra sobre Orlando (para onde a Tam Viagens está, convenientemente, vendendo pacotes de férias) e outra sobre o show da Madonna (que a Tam está patrocinando). Essa da Madonna, por sinal, tem um dos PIORES textos que já vi. Quando as matérias e entrevistas são boas é porque são “emprestadas” de outras publicações: a revista da Gol, por exemplo, é feita pela mesma editora que faz a revista Trip e é de lá que sai grande parte do conteúdo. Mas fora isto as revistas são obrigadas a seguir uma linha editorial estilo “agradar gregos e troianos” e acaba virando uma mistura de “Caras” com “Você S/A” e com “Viagem”. Não é atoa que o saquinho de vômito fica junto com as revistas…

almanaque brasil Então é com muita surpresa que de vez em quando eu encontro uma das melhores publicações da atualidade perdida no meio dessas porcarias: é o Almanaque Brasil, um grande apanhado de cultura e peculiaridades brasileiras. Ao contrário das revistas de avião comuns, onde o texto é muito mais uma distração pra passar o tempo, o “almanaque” é feito para ser lido de verdade, feito para ser leve e divertido mas interessante. E o mais legal é que ele consegue fazer isso pinçando peculiaridades da cultura brasileira – e mais nada. Não se trata de ufanismo defensivo estilo “fora ianques, vamos preservar o que é nosso”, é mais num sentido “olha o tanto de coisa interessante que o seu país tem”.

E, de fato, ele tem. A revista deste mês, no lugar de entrevistinhas com a celebridade da moda, foi falar com José Júnior, coordenador do AfroReggae. A entrevista é deliciosa: revela a sagacidade do líder que dirige sua obra social como negócio, porque só assim ele consegue ganhar a atenção da molecada de favela antes que o tráfico o faça. Estas matérias mais densas são entremeadas por artigos leves, diversões e curiosidades que talvez nunca aparecessem numa Veja ou Istoé da vida, mas que tem tudo a ver com a proposta da revista – como a divertidíssima história do pessoal do Jogos Perdidos, fãs de futebol que dedicam-se a acompanhar as partidas de times praticamente esquecidos nas terceiras, quartas e quintas divisões do futebol brasileiro (e mundial). A leitura do Almanaque é tão empolgante que eu sempre me pego lendo coisas pelas quais eu jamais me interessaria sozinho, como por exemplo os “causos” de Rolando Boldrim ou as piadas do Barão de Itararé. É que o que veio antes tava tão legal que eu vou lendo no embalo.

Chega a ser difícil acreditar que uma publicação tão boa seja gratuita. E mesmo quem não voa pela Tam pode ler os exemplares passados, inteirinhos, pelo site. Tem também a opção de fazer uma assinatura (meio cara, R$ 8,16 por exemplar) e receber em casa. E mais: o conteúdo do almanaque é licenciado em Creative Commons, podendo ser livremente usado para fins não-comerciais.