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Brasília: Como não amar esta cidade?

30 de março de 2010, 0:05

A segunda-feira acabou às 18:35. Eu e mais dois colegas estávamos dentro do táxi, prestes a voltar pro hotel. Como um deles quis fazer uma parada na comercial da 203 pra comprar umas frutas, o táxi desviou pra L1, na parte de dentro das quadras – que é a parte mais engarrafada de todo o trânsito local. Mas tudo bem, a frutaria fica a apenas duas quadras de distância, a 1,5km de onde estávamos, então não tinha como demorar. Mesmo porque Brasília é uma cidade planejada, e o trânsito foi especialmente desenhado para evitar semáforos e cruzamentos.

UMA HORA DEPOIS, chegamos na comercial. Fica até fácil fazer as contas e determinar nossa velocidade média: 1,5 quilômetros por hora. Se fôssemos a pé chegaríamos TRÊS VEZES mais rápido. Na verdade daria pra ir a pé fazendo paradas a cada cinco metros para fazer um moonwalk, dar uma pirueta, gritar WOOOOO! e continuar andando.

Depois de comprar as frutas, quando estávamos de saída tentando descobrir como diabos faríamos para conseguir voltar pro hotel, meu telefone toca. É o André, velho amigo e também hóspede, dizendo que acabou a luz no Setor Hoteleiro Norte todinho.

Nota: É a segunda vez em menos de duas semanas que temos três ou quatro horas de blecaute na região do hotel. A foto abaixa mostra o Eixo Monumental no dia do primeiro blecaute. Tive que subir seis andares de escada e tomar banho à luz dos faróis de carro…

Então começou o plano “B”: ir jantar em algum lugar pra esperar o trânsito melhorar e a luz do hotel voltar. O consenso foi para comermos uma boa carne, então, como estávamos parcialmente abençoados pelos deuses do reembolso de despesas, sugeriu-se o ótimo Corrientes 348, lááá na outra ponta da asa sul.

E que estava fechado.

O plano “C” era o BSB Grill, que não era muito longe. E que também estava fechado. Talvez o comércio esteja adotando uma escala de trabalho parecida com a do Congresso, sei lá.

Então tínhamos que arrumar um plano “D”, e alguém sugeriu o Fogo de Chão – este, já muito acima das nossas capacidades de reembolso e perigosamente próximo da região afetada pelo blecaute. Uma rápida pesquisa no Google e liguei pra lá:

- Restaurante Fogo de Chão, boa noite.
- Boa noite. Vocês tem… er… energia elétrica?

Já eram quase 20h quando entramos na churrascaria. O jantar foi sem pressa, já que da janela dava pra ver o setor hoteleiro todo apagado. Só lá pelas 22h a luz voltou e, finalmente, voltamos ao hotel. E aqui cabe um pequeno interlúdio hoteleiro:

Antes a equipe toda ficava hospedada no hotel Sonesta, que é tão ruim que foi extensivamente “avaliado” neste meu post. Depois de MESES de reclamações e nenhuma solução, nossa empresa finalmente cedeu à pressão e mudou todo mundo pro Nobile Suites – recém-inaugurado, situado logo em frente ao Sonesta. Aí você pensa: “Que bom, pelo menos com hotel você não está sofrendo mais!”. Bem, parafraseando um dos meus colegas da saga desta noite, o Nobile Suites tem que melhorar muito pra ficar ruim igual o Sonesta. Ele é limpo, tem água quente e internet boa, mas o serviço é TÃO RUIM que na semana passada a gerente deixou, no quarto de todo mundo da equipe, um pratinho de frutas e uma carta com um pedido de desculpas:

Temos ciência de que falhamos nos serviços oferecidos nas semanas anteriores, e estamos fortemente empenhados a mudar a imagem que a equipe da sua empresa tem de nosso hotel. (…)

Sim, claro. Depois de esperar MEIA HORA pra fazer checkin, entrei no quarto e dei de cara com essa PILHA de “empenho” aí da foto em cima da cama.

Ah, Brasília. Como não amar essa cidade?


O Primo’s Data Transformation Saga

23 de janeiro de 2010, 13:19

network Era dezembro do ano passado e, enquanto todos achavam que a década estava acabando, eu me perguntava como iria fazer para ganhar dinheiro em janeiro, já que recebo por dia trabalhado e meu cliente brasiliense e governamental iria, obviamente, trabalhar a 10% de sua capacidade entre o Natal e o carnaval – o que significava “férias forçadas” pra mim.

Daí me toca o telefone. Era o consultor-líder de outro projeto, perguntando se eu podia ajudá-lo, em janeiro, a desdobrar umas metas de venda para o departamento comercial de uma empresa. Era uma semana de trabalho – mas trabalho chato, de micreiro. Só que iam me pagar como consultor-sênior e o trabalho era a exatamente dois quilômetros da minha casa, em São Paulo.

Então lá fui eu topar tudo por dinheiro no palco.

Acontece que esse negócio de “desdobrar meta” não é nada simples: é pegar uma meta de alguns BILHÕES de reais e dividí-la para cada um dos SESSENTA MIL clientes, o que obviamente envolve muitos dados. Tradicionalmente, meus colegas consultores – que raramente são profissionais de TI – sempre deram um jeito de fazer o trabalho com a única ferramenta que conhecem: “programando” com fórmulas de duas, três linhas de comprimento em planilhas de Excel enormes, facilmente propensas a erro e cuja manutenção é um pandemônio. E normalmente eles não conseguem porque esbarram nas limitações “físicas” das planilhas do Excel, que “só” aguentam um milhão e quarenta e oito mil linhas.

Aí você pensa: “Isso é muita gambiarra, é praticamente um data warehouse feito em Excel, vocês deviam arrumar alguém de TI pra construir um sistema pra isso”. Mas meus colegas consultores, ao invés de pensar nisso, dizem: “Não cabe no Excel? Então vamos fazer no Access, que aguenta mais linhas!”. E ao invés de abandonar a gambiarra eles vão para um software aonde cabem ainda mais gambiarras.

AccessError

O Microsoft Access é um enigma pra mim. Ele é marqueteado como um banco de dados para aplicações simples, como um sisteminha de vendas e estoque pra tia Neusa, dona da papelaria da esquina. Ou seja, o Access te entrega toda a funcionalidade complexa de um banco de dados (integridade referencial, consultas em SQL, etc.) para situações onde um caderninho de estoque ou uma planilha de Excel resolveriam. E quando você tenta usar o Access como um banco de dados de verdade, descobre que ele é absurdamente lento e armazena no máximo 2 gigabytes de dados.

E então você lembra dos bilhões de reais da meta divididos entre os milhares de clientes e pensa: “Ah, então é nessa hora que eles arrumam alguém de TI pra construir um sistema decente pra fazer o trabalho, né?”.

Não, meus caros. É nessa hora que eles me ligam.

E o meu trabalho ainda tinha mais alguns agravantes:

  • Eu tinha que entender um desdobramento antigo que havia sido feito por outro consultor pra poder descobrir como desdobrar a meta nova. Felizmente ele tinha deixado um “passo-a-passo” de como atualizar tudo… um passo-a-passo com sessenta e cinco passos do tipo “Execute a consulta X no arquivo Y”, “Importe os dados da tabela Z no banco de dados K”, “Copie os dados da coluna G da planilha XPTO do Excel para a coluna F da planilha Y”, e por aí vai. Era o equivalente digital da foto do começo deste post.
  • O último nível de desdobramento (o dos clientes) estava todo feito usando o CNPJ do cliente, e me pediram pra abandonar os CNPJs e fazer tudo com um tal “código de cliente”. E tem CNPJs que tem dois códigos de cliente vinculados. E tem clientes novos que não tinham meta no desdobramento velho e tinham que receber meta no novo.
  • Eu deveria desdobrar todas as metas para 2010. Os dados para um mês de metas ocupavam 2GB no Access. E o Access tem aquele limite de no máximo 2GB por arquivo, então eu normalmente trabalhava migrando dados de um arquivo Access para outro e esperando esse outro arquivo entupir e o Access dar pau. Aí eu migrava tudo de novo pra um terceiro arquivo, e assim por diante.
  • Eu tinha que trabalhar no Access evitando ao máximo consultas do tipo união (UNION ALL no SQL) e subconsultas (consultas dentro de consultas), porque qualquer um desses dois recursos colocava o Access no modo “velhinha de óculos com uma caneta marca-texto e uma régua comparando os dados de duas folhas de papel linha a linha”. Ou seja, era MUITO lento. E ainda assim, usando as consultas “rápidas” do Access, eu levava mais ou menos uma hora para desdobrar cada mês de dados de metas. Qualquer erro no desdobramento poderia implicar num retrabalho de, no mínimo, mais doze horas. E eu tinha apenas 40 delas disponíveis pra terminar tudo.

E foi assim que passei a semana perdido entre dezenas de Excéis e Acceses, empurrando dados de um arquivo pra outro. Tinha uma planilha que era tão complexa que, depois de qualquer mexidinha nela, o Excel travava por quinze minutos recalculando as fórmulas e referências cruzadas. Minha sequência de trabalho envolvia tantas coisas em paralelo que eu tinha que desenhar fluxogramas numa folha de papel, indicando aonde eu estava e como os dados iam de um arquivo pra outro, senão eu me perdia. Ontem foi o último dia de trabalho. Eu almocei um McDonalds em frente ao computador, sobrevivi o resto do dia à base de café e uma tortinha de maçã (também do McDonalds) e, lá pelas oito da noite, quando minha cabeça já doía e eu já apertava Enter pensando “ok, dê-me logo o próximo pau que vou ter que resolver”, eis que me aparece a tabela final, com as metas novas, certinhas e todas divididas por cliente.

Sabe, é um trabalho tão frustrante e gambiarrado que no fim você não tem exatamente aquela sensação de dever cumprido: é mais um misto de alívio por ter conseguido sair vivo do outro lado do buraco. Mas pelo menos fiquei menos falido nesse começo de ano…


Pequenas sagas do meu filho devorador de tweets

3 de junho de 2009, 9:56

Quando me perguntam quando é que eu vou ter filhos, usualmente eu respondo:

- Eu já tenho um cachorro e um website, e eles já dão trabalho suficiente.

As encrencas que Pavlov me arruma eu já vivo contando por aqui. Já as do Blablabra

Mini-saga 1: O backup que desbeckapeia

Foi assim: era sexta feira e eu estava mexendo na parte do código do Blablabra que separa as palavras de dentro dos tweets. Era cedinho e eu havia acabado de colocar uma alteração na versão de produção (a que fica no ar), e notei que uma coisa estava errada e algumas palavras poderiam estar sendo duplicadas na tabela onde elas ficam guardadas. “Ah, tudo bem. Vou voltar um backup e consertar os registros errados”.

Aí fui lá no painel de controle do meu provedor de hospedagem (Dreamhost) e mandei voltar o backup de duas tabelas – tabelas que, é bom salientar, são o “coração” do site. Como elas são enormes (a maior delas tinha DEZ MILHÕES de linhas na época), deixei o backup restaurando e fui fazer outras coisas. Aí chega um email todo serelepe do Dreamhost, avisando que o backup havia sido restaurado.

Maravilha. Me ajeitei na cadeira, dei aquela esticada nos dedinhos sobre o teclado e falei, sorridente: “Vamulá acertar isso agora”. Tentei abrir uma das tabelas e… erro de “Table not found”. Tentei abrir a outra e deu o mesmo erro. Achando aquilo meio esquisito, resolvi olhar o banco de dados e meu queixo caiu: não somente o backup não havia sido restaurado como as tabelas originais haviam sido apagadas.

Sim, as tabelas tomaram Doril e simplesmente desapareceram. Aí eu morri, ressuscitei, fiquei branco de medo, vermelho de raiva e, sobretudo, furioso pela injustiça da coisa toda: pô, eu teoricamente tomei minhas precauções, eu tinha backups, backups são como uma vacina para a lei de Murphy, eles são feitos pra SALVAR a sua vida nessas horas – não complicá-las ainda mais!

Então, com o coração na boca, abri um chamado no suporte do NightmareHo… digo, Dreamhost. Eles tem uma opção no formulário que serve pra você indicar a gravidade/urgência do problema e eu fiz questão de escolher a mais séria delas, intitulada: “OMG TÁ TUDO DANDO PAU TEM GENTE MORRENDO!!!!” (não, isso não é exagero, a opção do menu deles tem exatamente este texto). E ainda assim eles demoraram QUATRO HORAS para me responder. E ainda disseram:

“Pedimos desculpas. Tudo que eu posso fazer é restaurar um backup mais antigo do seu banco de dados que esteja funcionando”.

Só que isso ia me fazer perder AINDA MAIS dados de outras tabelas. O retrabalho seria enorme, eu perderia umas 24 horas de tweets monitorados e, pra piorar, dali a algumas horas eu tinha pegar Bethania no trabalho e, de carro, viajar 600 kms para passar o fim de semana em Belo Horizonte.

A sorte é que ela foi bastante compreensiva e me deixou ficar o sábado e o domingo debruçado em cima do notebook, pegando carona no wi-fi da casa da sogra e reprocessando MILHÕES de tweets gravados na base para recompor as tabelas perdidas. Era a opção menos pior – e mais rápida, considerando que a simples troca de dois emails com a turminha do Dreamhost levou quase oito horas. Mas no fim deu tudo certo e o Blablabra se recuperou plenamente de sua primeira grande baleiada.

Mini-saga 2: O backup que AINDA desbeckapeia

Aí ontem, depois do almoço, eu estava dando uma conferida nos trending topics do Blablabra quando o site, de repente, sai do ar. E não somente o site: o banco de dados não entrava mais, FTP caiu, Shell/SSH caiu, e até este blog, que fica na mesma hospedagem, havia ido pro limbo. “Pfft, aposto que alguém chutou a tomada do servidor lá no Dreamhost”, pensei.

Deve ter sido o caso, porque uns cinco minutos depois foi tudo voltando pro ar. Só que o Blablabra parou de mostrar os gráficos e os resultados das buscas. Fuça daqui, fuça dali, e achei o problema: uma tabela corrompida no banco de dados.

Acontece que não era uma simples tabela: era uma daquelas tabelas da mini-saga anterior. E, sim, era a de dez milhões de linhas – que, naquela altura do campeonato, já tinha VINTE milhões. Aí apertei o botãozinho vermelho que desliga tudo (bem, na verdade é uma variável de configuração do Blablabra cujo nome é, convenientemente, “SERIOUSLY_BROKEN_MODE”) e, com o coração na boca, fui pensar no que fazer.

É óbvio que “restaurar um backup da tabela” é a opção mais óbvia, simples e indolor, mas depois da saga anterior eu estava feito cachorro mordido por cobra que fica com medo de linguiça (especialmente agora, que não tem mais trema na palavra). Mas dessa vez não tinha jeito, eu precisava dos dados do backup, então fui lá e marquei uma opção de “restaurar a tabela com um nome diferente e não mexer nas tabelas originais”.

Enquanto o sistema restaurava os dados, fui pesquisar minhas opções e resolvi tentar dar um comando chamado REPAIR TABLE. Eu estava descrente, já que a tabela estava realmente detonada e eram vinte milhões de linhas. “Nunca vai funcionar”, pensei eu. Mas dei o comando mesmo assim e fiquei lá, com o coração na mão, feito um médico que deu um choque pra reanimar um paciente e agora está lá, olhando o monitor cardíaco, esperando que ele dê algum sinal de vida. Acontece que, no meu caso, este instante de suspense demorou mais de uma hora.

E quando eu já estava achando que era EU quem ia precisar de desfibrilador, *plim*! O “repair table” terminou de “repairzar” a tabela e – surpresa! – eis que ela havia ressuscitado dos mortos, perfeitinha, com todos os dados, como se nada tivesse acontecido. Deixei tudo funcionando e fui resolver outras coisas.

Aí, no finalzinho da tarde, eu fui checar meus emails e tinha um do Dreamhost, avisando que a restauração daquele backup que eu pedi havia terminado. “Bom, nem preciso mais da tabela antiga, deixa eu ir lá apagá-la”. No banco de dados a tabela antiga estava lá e havia sido restaurada com um nome diferente, do jeitinho que eu pedi. Só que a tabela original, a que eu tinha consertado milagrosamente… desapareceu.

Mas dessa vez foi mais fácil recuperar os dados. Bastou ficar urrando de ódio por uns cinco minutos, esmurrar bastante as paredes e depois reprocessar alguns milhares de tweets para recompor os dados perdidos…


O Primo não recomenda: Tim

20 de março de 2009, 13:44

…e lá vamos nós adicionar mais um episódio para as minhas sagas de problemas com operadora de celular.

Até então a minha lista de problemas com a Tim envolvia:

  • A cobertura horrível no bairro onde moro. Frequentemente dá “congestionamento” na rede celular deles e eu não consigo ligar pra ninguém.
  • Quando me mudei pra SP me cobraram uma multa por cancelamento, coisa que a atendente me garantiu que não seria cobrada. Só resolveu quando botei a Anatel no meio.
  • Daí outro dia um atendente da Tim gritou comigo no telefone e chamei a Anatel de novo. Me ligaram, pediram desculpas, mas ficaram todos escorregadios quando perguntei se ia acontecer alguma coisa com o atendente deles.
  • E então outro dia eu passei um papelão ridículo, sofrendo com informação desencontrada em visitas em lojas e ligações para a central de atendimento, tudo para ativar um simples plano de dados.

Neste momento minha relação com a Tim tava estilo “shotgun wedding” – a gente, no máximo, se aguentava. Mas com a iminência da portabilidade (e com a BABA de dinheiro que eu deixava na Tim todo mês) eu pensei em ligar pra lá e ver se me ofereciam alguma vantagem financeira pra continar aguentando aquele serviço vagabundo.

E aí é que começa o problema.

A atendente do “Serviço de Relacionamento Especial” (vulgo “setor onde a operadora abre as pernas para não deixar cliente cancelar a linha”) me ofereceu nada menos do que um iPhone 3G (de 8GB) a R$ 700 para me “refidelizar” e eu continuar cliente deles por mais 12 meses. Neste exato instante o iPhone brasileiro, um dos mais caros do mundo, apareceu em minha mente como uma realidade plausível e eu instantaneamente fui capturado pelo campo de distorção da realidade de Steve Jobs. Só que, em vez de concordar com a oferta deles, eu preferi ligar depois para ver se conseguia pegar o de 16GB.

E esta foi a idéia MAIS ESTÚPIDA que já tive.

Daquele momento em diante começou um revival da minha saga com a Oi, de quando eu tive que ligar pra lá cinquenta e duas vezes até conseguir receber o celular com desconto que me ofereceram. Só que com a Tim o processo era assim:

  • Eu ligava uma vez, ficava eternamente na espera e não era atendido
  • Eu ligava de novo, caía numa atendente, eu pedia pra me transferir pro SRE (setor de relacionamento especial) e ela dizia que não podia me transferir porque o sistema estava fora do ar.
  • Eu ligava mais umas duas ou três vezes até que algum atendente conseguisse me transferir pro SRE. Aí, de duas uma: ou me falavam que o sistema DELES estava fora do ar e eles não conseguiam checar o estoque, ou eles checavam o estoque e diziam que não tinham o aparelho.

Isso sem contar as mentiras que eu ouvia dos atendentes: alguns diziam que a opção 5 (cancelamento) do menu da Central me transferia direto pro SRE, o que nunca funcionou. Outros diziam que “só alguns atendentes conseguem fazer a transferência para o SRE”, ou seja, que meu atendimento era na base da loteria. E sobre o estoque de aparelhos eu ouvia cada hora uma coisa: um atendente me dizia que ele era renovado “a qualquer momento”. Outro dizia que era “semanalmente”. Outro me disse que era “diariamente”. Um deles chegou a dizer que era “trimestralmente”. “Você sabe que ‘trimestralmente’ é de três em três meses, né?”, perguntei pra esse último.

Não é atoa que o novo slogan da Tim é “mente sem fronteiras”…

Aí eu fui ficando sem paciência de brincar de ligar pra Central e comecei a contar as ligações que fazia e anotar os números de protocolo. Contei TRINTA E SEIS LIGAÇÕES. Afinal, “vida de babaca é atribulada”, diria o Cris Dias. Mas na trigésima sétima eu achei o iPhone de 8GB no estoque e, obviamente, encomendei. Pediram sete dias úteis para entregar.

samara
“Sete dias”, é o que dizia a Samara, ao telefone, antes de matar a pessoa. Coincidência?

Mas aí chegou o sétimo dia e nada de iPhone. Resolvi ligar pra central. Precisei de mais SEIS tentativas até conseguir falar no SRE, e quando consegui, o atendente me disse assim:

- Senhor, o seu telefone foi para a assistência técnica.
- Como é que é?!
- Está aqui no sistema que ele foi pra assistência técnica, ele estava com um problema no… no… no botão de “impressão check”, e aí gerou um erro na sua fidelização…

Sim, meus caros, a Tim não está brincando com aquele papo de “mente sem fronteiras”. Essa foi a mentira mais mentirosa de todos os tempos. Ou a Apple tem o pior controle de qualidade do mundo (e a Tim anda abrindo as embalagens antes de entregar aparelhos novos), ou ela iria me vender algum aparelho de mostruário e/ou usado. Ou então eles só queriam me enrolar pra eu continuar cliente deles por mais algum tempo.

Mas a essa altura eu já estava furioso no telefone e questionando o atendente:

- Mas mesmo se isso fosse verdade por que vocês não pegam outro aparelho no estoque e mandam?? E mais, se eu não tivesse ligado pra vocês ninguém ia me avisar não?
- Errr… senhor, o que eu posso fazer é estar re-fidelizando o senhor e fazendo um novo pedido.
- Sei, e aí são mais sete dias, se é que ainda tem iPhone no seu estoque, né?
- Sim senhor.
- Eu vou perguntar apenas uma vez: Existe alguma coisa que você possa fazer para resolver o meu problema?
- Errr… eu posso refazer sua fidelizaç…
- Você não precisa repetir o que eu já sei. Eu estou te dando uma chance de resolver o meu problema e arrumar um telefone e me entregar no prazo que você combinou comigo antes. Você tem como resolver o meu problema?
- Olha senhor, eu só posso estar te refidelizando.

E então eu desliguei o telefone, peguei minhas contas antigas da Tim e, na mesma hora, fui visitar a concorrência. Conversei, pesquisei, fiz as contas e quatro horas depois eu já estava virando cliente da Vivo – e com um iPhone 3G 8GB novinho em mãos.

iphone

Claro que paguei bem mais caro pelo iPhone, mas é que o campo de distorção da realidade de Steve Jobs é REALMENTE poderoso. Em termos de tarifas e custo mensal a coisa vai ficar “elas por elas”, com a vantagem de ter mais minutos e pagar R$ 1 a menos por Adicional de Deslocamento (uma das coisas que mais me quebra quando viajo). Mas a minha primeira impressão da Vivo foi muito boa: levei coisa de 5 minutos pra ser atendido (contra 1h de espera média em qualquer loja Tim), conversei com dois vendedores e ambos foram excelentes. E ainda me pediram para dar uma nota para o trabalho deles no final, como parte de um esforço da Vivo em medir a eficiência do atendimento. Se estes dados viram informação gerencial no futuro são outros quinhentos, mas pelo menos há uma preocupação de, pelo menos, causar boa impressão.

Imagino que você deva estar pensando que perdi tempo (e dinheiro), que “operadora de celular é tudo ruim” e que “sair da Tim tem tanto efeito quanto boicotar o McDonalds” (como diria o Exu Caveira Cover), mas eu ia me sentir um trouxa se continuasse cliente de uma empresa que me tratou do jeito que tratou. Se fosse só esse episódio da fidelização tudo bem, eles nem tinham obrigação de me dar desconto ou entregar tudo em tempo hábil, mas é que o conjunto de irritações que a Tim já me causou deixou a situação intolerável. E se minha saída não é significativa pra Tim, tem os meus reclames aqui no blog que de vez em quando acabam sendo ouvidos (tipo o da revista Seleções, que o pessoal até mandou email pedindo direito de resposta e tudo).

P.s.: No processo de escrever este post eu acabei entrando na parte corporativa do site da Tim. Descobri que eles tem seis diretorias e apenas três pessoas ocupando os cargos (sendo uma delas o diretor-presidente/presidente do conselho/diretor geral. Praticamente um super-homem). Mas o pior é que eu não vi uma diretoria de operações ou alguma que pareça cuidar do atendimento, ou seja, eu nem sei quem eu devo mandar tomar no cu.

P.p.s.: Pra não dizer que a Tim é pior em tudo, olha um lugar onde ela é campeã: no ranking de reclamações do ReclameAqui.com

reclameaqui

Sim, a Vivo tá lá também… bem como TODAS as grandes operadoras de telefonia móvel. Mas a tim tem o DOBRO de reclamações da Vivo, e com uma base de clientes muito menor.

Update (26/03): Me ligou uma mocinha da Tim pra agendar a entrega do meu aparelho. Tadinha. Expliquei a situação toda pra ela e falei que já tinha pulado fora. Segundo ela, o papo de “botão impressão check estragado” que me passaram foi um erro de interpretação do atendente: segundo ela, o botão estragado era do sistema da Tim, e não do telefone que iam me mandar. Mas ela mesma sacou que era tarde demais para tentar me ganhar de volta e apenas pediu desculpas por todo o ocorrido.

Por sinal a minha portabilidade já está funcionando, mas não imune a problemas. Primeiro foi a Vivo que me ligou dizendo que eu tinha que ligar pra Tim por conta de uma divergência de cadastro. Precisei ligar pra Tim umas SEIS vezes pra conseguir resolver, mas deu certo: meu telefone novo já recebe chamadas do meu número de sempre (inclusive, quem tentar me ligar e não conseguir, avise aí nos comentários). O problema é que o de Bethania, que está vinculado ao meu CPF mas não foi portado ainda. Isso não cheira bem…

E olhaí o Esparroman também se embrenhando com a Tim


As Férias do Primo, Parte 1: A viagem

5 de janeiro de 2009, 22:02

Sim, meus amigos! Minhas mini-férias de uma semana foram tão boas (e cheias de histórias) que serão contadas em pedaços. O primeiro deles é a viagem de ida para o lugar escolhido.

A premissa das férias era viajar para descansar, gastando minhas milhas que estavam vencendo e indo para um lugar sossegado, distante da bagunça de reveillon. Após um bocado de adoração ao Deus Google, Bethania, minha esposa, encontrou um lugar que parecia absolutamente perfeito.

Aí você se pergunta: “mas para onde vocês foram?”. Bem, vamos começar dizendo que nós acordamos às 4:30 da manhã do dia 26/12 e voamos até o meio-dia para pousar… em João Pessoa.

João Pessoa
A simpática capital paraibana (foto by Bethania Duarte)

Mas espere: não satisfeitos por estarmos no meio da Paraíba, saímos do aeroporto, almoçamos e fomos direto para… a rodoviária, porque ainda tínhamos uns 100km nos separando de nosso destino final.

Sabe, rodoviárias são um bom espelho do que as cidades realmente contém. A do Rio é abafada e caótica, a de São Paulo é SEMPRE lotada, a de Beagá parece rodoviária de cidade do interior, a de Brasília serve como um bom lembrete do que existe além do plano piloto… e a de João Pessoa tinha uma espécie de “feirinha do paraguai” no andar de cima. E tocava música de crente o tempo todo.

Então chegou o nosso ônibus. E aí eu, este serzinho que viaja por tudo que é buraco desse Brasilzão sem porteira, temi pela minha vida: o ônibus era velho, mas MUITO velho, o que ficava evidente em especial pelo cheiro de carpete velho misturado com o do revestimento dos bancos, feito num couro vermelho já há muito judiado pelo tempo. No vidro que separava o motorista dos passageiros tinha até um adesivo indicando a última vez que o ônibus havia sido dedetizado – mas o adesivo era tão velho que a data já tinha se apagado. E não tinha ar condicionado. E nós na Paraíba, lembram?

Sente o drama:

onibus1
onibus3

 

E os passageiros iam embarcando: Famílias inteiras com a meninada fazendo bagunça, um deficiente com sua muleta, um tiozinho com boné da Lubrax, calça jeans surrada e camiseta do Treze Futebol Clube e por aí vai. Era um legítimo ônibus cata-jeca. E pra terminar de me matar de susto, bem nesta hora, minha digníssima esposa resolve me dizer o seguinte:

- Sabia que o lugar pra onde a gente vai nem aparece no Google Maps?

E o motorista entrou, bateu a porta sem muita cerimônia e pegou a estrada – com uns cinco passageiros em pé e obviamente com uma parada a cada 10 minutos pra pegar ainda mais gente (a parte “cata-jeca” da viagem). Tanto que Bethania sugeriu que a gente cedesse nossos lugares a duas senhoras com crianças e viajamos boa parte do tempo em pé.

Eu ainda estava estupefato com a coisa toda quando numa destas paradas embarcou nada menos do que um vendedor de salgados, de camisa branca e gravata (naquele calor absurdo, nunca é demais lembrar), com uma bacia branca enorme cheia de coxinhas, empadinhas, “cocretes” e outras coisas cujo cheiro de gordura, somado com o cheiro de velho do ônibus, deixou o ar ainda mais empesteado. E o cara se acotovelando conosco no corredor do ônibus, e os passageiros conversando alto enquanto o vendedor gritava “ÓI A COXINHA! ÓI O SALGADO!”, e eu e Bethania nos entreolhando sem acreditar que aquilo tudo estava acontecendo.

onibus2

Algum tempo depois o ônibus sai da estrada, entra no município de Mamanguape e, numa avenida, pára de repente. O burburinho entre os passageiros começa imediatamente:

- Oxe, o que é que foi?
- Ih, foi batida. Olhe ali o carro.
- Mas o cabra tem que tirar o carro da frente, ué.
- Vixe, vai tirar não, o hôme nem saiu do carro… num deve tá querendo tirar o carro do lugar por causa de perícia, seguro ou sei lá.

Aí um tiozinho mete a cabeça pra fora do ônibus e começa a gritar: “TIRE ESSE CARRO DAÍ SEU JUMENTO!”. O burburinho aumenta. O motorista buzina, depois começa a discutir com o cobrador. Duas senhoras desistem da viagem e descem do ônibus, resmungando. E como se o nonsense não estivesse suficiente, aparentemente o dono do carro resmungou alguma coisa que irritou o tiozinho da janela do ônibus, que logo disse:

- Ah é? Deixe esse folgado aí que ele vai ver só uma coisa!

E, esticando o braço até o meio das costas, saca de lá nada menos do que um facão. “Se ele falar mais alguma coisa eu vou lá e lhe encho de furo”, disse. E enquanto isso o motorista ia dando ré no ônibus pra tentar desviar, com o cobrador do lado de fora ajudando a manobrar e o tiozinho branindo seu facão (mais de exibido do que de corajoso), disparando bravatas tipo “na favela onde eu mora nêgo folgado igual esse aí já tinha morrido”. E eu pensando onde diabos fui me meter…

Muitas manobras depois o motorista consegue se desviar do acidente e o balaio segue viagem. E o tempo passa, a noite vem chegando, os passageiros começam a desembarcar e eu ali, perguntando o trocador (sim, tinha trocador) de 10 em 10 minutos se ainda faltava muito… até que, depois de quase duas horas na estrada nós, finalmente, chegamos.

(Continua…)


O Primo’s Amazonic Project Management Saga

22 de novembro de 2008, 12:51

A imagem era idêntica as que se vê nos documentários da tevê sobre a amazônia: um mar de árvores. Mata fechada, cortada apenas por rios sinuosos de água marrom. Num deles tinha até uma canoa passando. Aì, de repente, aparece uma cidade.

Foi vendo isto da janela do avião que eu pousei em Marabá, interior do Pará…

maraba1

Minha missão era simples: atualizar o cronograma de um projeto de reforma de um frigorífico. O problema é que os engenheiros responsáveis estão "fugindo ostensivamente" de mim. Não atendem telefone, não respondem email… outro dia achei um deles no Skype e ele me disse: "Como você me achou? Tava me escondendo de você"…

Então resolvi visitar a obra pessoalmente. Só que esta foi a última semana de reforma antes do frigorífico voltar a operar e está tudo um pandemônio, portanto ninguém teria tempo de se sentar comigo e me atualizar sobre o projeto.

maraba2 A solução? Arrumei um capacete e me enfiei audaciosamente pelo canteiro de obra, no calor paraense, atolado até o tornozelo na lama do canteiro de obra (porque choveu horrores), com um cronograma impresso numa mão e uma planta do frigorífico em outra. E tive que descobrir, por conta própria, o que foi ou não executado e, então, atualizar o status do projeto.

Acho que nunca trabalhei em condições tão insalubres de trabalho. Eu vi placas de aço caindo a alguns metros de mim, vi fagulhas de solda e de metal incandescente voando pra tudo que é lado, vi caminhões atolando na lama, vi um trator quase atropelar dois peões, andei por cima do forro do telhado a uns 5 ou 6 metros do chão, me apoiando em tubos e trepando por cima de dutos de ventilação, saí pelo canteiro de obra à noite em locais onde os peões viviam achando cobras (amazônia, lembram?), e por aí vai…

Mas o saldo final foi positivo: os engenheiros fujões viram que eu não estou de brincadeira e me evitar apenas vai adiar o inevitável e, de brinde, comecei a acompanhar um outro projeto de reforma de uma das fábricas anexas – coisa que vai deixar Darth Vader, meu chefe, bastante contente.


A saga do pacote de dados da Tim

21 de outubro de 2008, 19:30

Eu costumo dizer que operadora de celular é igual cassino: você acha que está levando vantagem mas, no fim, "a casa sempre ganha". E não adianta: a concorrência aumenta, a Anatel aperta na regulamentação mas o serviço continua péssimo e caro.

Eu coleciono "sagas" épicas de atendimento vagabundo. Quando era cliente da Oi eu ganhei um desconto em aparelho… e precisei de oitenta e um dias e cinquenta e duas ligações para o Oi Atende até conseguir receber o dito cujo em casa. Aí mudei pra Tim – não porque quis, e sim porque os planos são mais baratos pra quem viaja muito – e já precisei recorrer à Anatel duas vezes: uma por um problema de cobrança quando me mudei pra São Paulo e outra porque, por incrível que pareça, um atendente da "central de relacionamento Tim" deu piti e GRITOU comigo no telefone.

Comparativo operadoras de celular

Mas meu episódio mais absurdo com a Tim foi quando tentei, simplesmente, comprar um simples plano de dados pra usar com meu smartphone. Era coisa simples: um pacote de 250MB, pra botar no meu plano (Tim Família) e poder compartilhar a franquia de dados com minha esposa. Só que normalmente estes pacotes são vendidos junto com aqueles modems USB, então o primeiro desafio era explicar para os atendentes que eu NÃO queria um modem USB, só o pacote de dados. Vários não entendiam, então eu tinha que ligar de novo e ver se eu dava sorte de pegar alguém com um pouquinho mais de boa-vontade. Quando finalmente consegui, a atendente me disse que eu só poderia comprar este pacote de dados numa loja Tim. Aí fui numa loja, esperei umas DUAS HORAS para ser atendido… e me disseram que não dava pra comprar meu pacote de dados na loja, só por telefone. "M-mas me mandaram ir à loja!", disse eu. Não adiantou.

Então retomei a maratona de ligações para a Tim. Os atendentes continuavam insistindo que eu devia ir à uma loja, mas eu dizia que tinha acabado de vir de lá. Depois de muita insistência, um dos atendentes disse que tinha um tal "novo contrato" que eu devia assinar pessoalmente. Como eu não tinha o que contra-argumentar para isso, acabei aceitando a explicação.

No último sábado, eu e Bethania estávamos atoa no Shopping Ibirapuera e resolvemos passar na loja da Tim. Mas dessa vez eu não era mais um "garotinho juvenil" inocente e, sabendo da demora, pegamos uma senha, saímos para passear pelo shopping e voltamos mais ou menos 1h depois… bem na hora em que chamaram nosso número.

E aí aconteceu a coisa mais tragicômica que eu já vi. Eu sentei em frente ao atendente, disse que queria um plano de dados e a PRIMEIRA coisa que ele falou foi:

- Plano de dados é só por telefone, com a central.

Eu e Bethania rimos bastante na cara dele e contamos nossa história de pingue-pongue entre loja e central telefônica. Aí ele fuçou no sistema, perguntou alguns colegas e concluiu que, sim, tinha como fazer na loja. Correu tudo bem… até eu mencionar que era para eu e minha esposa compartilharmos a franquia. Aí ele soltou a bomba:

- Olha, aqui no sistema eu só consigo cadastrar o plano em uma das linhas: pra poder compartilhar entre as duas linhas, só ligando para a central…

Era inacreditável. Mas, sem pensar muito, respondi:

- Então liga aí pra nós.

Aí termina a parte "trágica" e começa a parte "cômica". Primeiro o cara pediu o celular da minha esposa emprestado, porque o dele era pré-pago e, segundo ele, ia demorar muito mais para ser atendido. O diálogo dele com a central foi mais ou menos assim:

- Sim, é um plano de dados de 250 MB, compartilhado… não, eles não tem que ir à loja, EU sou o atendente da loja, se eu pudesse já tinha feito, mas só vocês aí podem fazer… não, não tem modem USB junto… tá bom, eu aguardo…

Muitos minutos depois:

- Como é? Seu sistema tá fora do ar?… Ah, é só o SEU sistema, o dos outros atendentes está funcionando??… Então me transfere pra outro atendente…

Instantes depois ele afastou o celular da orelha e disse, frustrado: "Caiu a ligação"…

Imagine a cena: um FUNCIONÁRIO da Tim sendo enrolado pelo atendimento tosco DA PRÓPRIA TIM, ali, na nossa frente. Eu saboreei cada momento de forma sádica e deliciosa. Mas como somos bonzinhos, pegamos o meu celular e ficamos tentando falar na central pra ajudar. E só assim, numa loja Tim, com um funcionário "físico" na nossa frente e DOIS telefones ligando insistentemente para a central da Tim, conseguimos, finalmente, habilitar o plano de dados.

Mas como é difícil dar dinheiro pra essas operadoras, viu…


O Primo’s Sunday Traveling Saga

18 de fevereiro de 2008, 23:00

Domingo. Acordei sozinho, às nove da manhã, no quarto de um hotel em Joaçaba, interior de Santa Catarina. Trabalhei sexta e sábado dando um curso, mas vôo para me levar de volta pra São Paulo que é bom, só no domingo. O término do horário de verão, que foi bom pra todo mundo, pra mim significou uma hora a mais para ficar longe de casa. Nada bom.

Tomei um café e o taxista apareceu para me levar ao aeroporto… de Chapecó, a duas horas e meia de distância (sei lá quantos quilômetros eram, pra mim o que importa é em quanto tempo eu conseguiria atravessá-los). A viagem incluiu passagens por lugares de nomes pitorescos como Xanxerê, Xaxim e a inacreditável Faxinal dos Guedes, tudo ao som do melhor da música de corno sertaneja no rádio do carro. Como por exemplo a belíssima “Não me procura”, de Alan e Aladin. Sente só uma das estrofes (mas leia com bastante vibrato na voz, para dar efeito):

Voce caprichou dessa vez
Fez tudo como manda o figurino
Bati o escanteio dos meus sonhos
E a bola deu na trave do destino

O vôo atrasou uma hora (normal) e quando embarquei, havia um moleque sentado no meu assento. O assento que eu havia escolhido cuidadosamente, com DIAS de antecedência, porque era uma janela e ficava do lado oposto ao que o sol ia bater durante o vôo. Assim eu não sentiria calor e a luz seria perfeita para eu fazer o que mais gosto: botar meus fones de ouvido, ficar olhando a paisagem e me esquecer do mundo por algumas horas. Mas o moleque birrento estava chorando tanto que não tive outra opção e fui me sentar no corredor. E só aí percebi a enrascada onde me meti:

20080218

Eu estava cercado por nada menos do que QUATRO crianças. A mãe dos meninos da minha esquerda (que andavam de avião pela primeira vez) estava longe e falava com eles o tempo todo. Eu não podia simplesmente botar o meu superfone de ouvido e ficar surdo para o resto do mundo porque, de cinco em cinco minutos, ela me perguntava se as crianças estavam incomodando. “Eles não, mas a senhora está”, foi o que pensei, mais vezes do que é saudável para um rapaz cristão. E o bebê de colo, como todo bom bebê em avião, estava chorando.

Na hora do serviço de bordo, o menino da minha esquerda solta a pérola:

- Eu quero ir no banheiro.

Até aí tudo bem, não fosse o fato do layout da cabine naquele momento ser mais ou menos o do desenho abaixo:

20080218_2

Depois de um empurra-empurra e um trança-trança entre cadeiras básico, o menino foi lá se aliviar.

Alguns minutos depois o avião ficou estranhamente sereno e eu achei que os instantes finais de viagem (até a escala em Floripa) seriam, finalmente, sossegados. Mas a aeromoça, nos alto-falantes, mandou apertar o cinto por causa de uma “área de instabilidade”.

Eu acho que no crachá dela devia estar escrito “Nostradamus” ou “Mãe Dinah”, porque no EXATO momento em que ela terminou de dizer “instabilidade” o avião começou a chacoalhar. Mas chacoalhar MUITO. Mas MUITO MESMO, dava pra ver a cabine se retorcendo e ouvir as malas batendo umas nas outras nos bagageiros. Era meu “personal turbulência record” sendo batido.

Agora adivinha a reação das crianças em volta de mim. Pânico? “Eu quero minha mãe”? Choro e ranger de dentes? Pelo contrário: as crianças estavam adorando a turbulência! O bebê de colo morria de rir das sacolejadas do avião e o moleque do xixi gritava:

- Uhuuu!! Dá friozinho na barriga, olha!!

Eu não tenho medo dessas coisas e estava tranquilo… até que olhei pro assento do menino mijão e vi que o copo de coca-cola dele estava desgovernado, patinando na mesinha. “SEGURA SEU COPO!!”, gritava a mãe, mas o menino estava tão entretido com a turbulência que eu tive que me salvar de levar um banho de coca-cola por umas três vezes. E quando a situação não podia piorar, a mãe dos meninos me cutucou e disse:

- Rápido, me passa seu saquinho de vômito, ela vai vomitar!

A mãe do birrento estava branca como defunto e com aquela cara típica de quem vai chamar o Hugo. E eu não achei saquinho de vômito na minha cadeira. E o copo do menino-mijão continuava esquecido na mesinha, deslizando perigosamente. Ou eu procurava o saquinho e me arriscava a levar um banho de coca, ou segurava o copo e ganhava um avião cheirando a vômito até São Paulo.

Foram instantes tensos. Mas uns 15 minutos depois o avião sossegou e pousou em Floripa. Os meninos, hiperativos, queriam descer do avião antes mesmo dele parar no terminal. Confesso que eu também queria, mas a mãe deles foi bem direta e disse:

- Nós vamos descer por último!

O avião parou no terminal e eu fiquei lá, desolado, esperando a hora do jardim de infância aéreo ir embora. O menino-mijão, impaciente, me cutucou e pediu licença. Respondi, resignado:

- Não posso, estou obedecendo sua mãe.


A saga da instalação do varal

3 de dezembro de 2007, 18:11

Semana passada eu instalei um dos varais lá em casa. Eu mesmo, com furadeira e tudo. E, como disse o publicitário Luli Radfahrer, "pouco importa seu sucesso profissional: é a habilidade com uma FURADEIRA que separa os meninos dos homens".

Assim sendo, provei que, definitivamente, não sou moleque (tampouco caveira, vale lembrar). Só que não passei por esta prova com a altivez característica dos grandes homens. Na verdade, se alguém tivesse filmado a instalação toda, as semelhanças com um episódio do "Mr. Bean" ficariam bem evidentes.

O problema maior da coisa foi que eu não tinha uma escada, então fiz tudo de cima de um banquinho vagabundo. Aí eu tinha que me espichar todo com a trena para medir o teto, aí a treina caía e eu recomeçava, aí o braço doía e a trena caía e eu começava mais uma vez. E no final das medições – que era apenas o começo do trabalho – eu já estava cansado, doído, sujo e desmotivado.

Na hora de furar o teto a coisa ficou ainda pior. Logo no primeiro furo eu devo ter atingido um vergalhão ou alguma coisa assim, e a furadeira não entrava mais. Eu já estava bastante frustrado, então apelei, peguei a furadeira, empurrei com toda a força pra cima… e comecei a gritar daquele jeito "Rambo" que Hollywood me ensinou via Sessão da Tarde ao longo dos anos. Comi poeira adoidado, mas consegui fazer o furo.

Na hora de parafusar o varal no teto, mais frustração. Levei uns 20 minutos pra conseguir subir no banquinho sem me embolar todo com os cordões do varal. E, quando finalmente consegui, percebi que esqueci a chave de fenda no chão. Manifestação óbvia do divino espírito santo de Murphy…

Levei umas duas horas pra instalar apenas UM dos varais. O outro eu não tive condições psicológicas pra instalar. A coisa foi tão vergonhosa que até Pavlov ficou sem graça e, no meio da instalação, desistiu de me fazer companhia e foi pra sala cochilar. Porque, se ele pudesse falar, diria: "Véio, larga isso aí e vai dar consultoria que é melhor".


Madness? This… is… MUDANÇAAAA!!

21 de novembro de 2007, 19:05

O plano era simples: na quinta do feriado, carregar o caminhão. Na sexta, eu, Bethania e Pavlov vamos de carro pra São Paulo, assinamos o contrato de aluguel e pegamos as chaves. No sábado o caminhão com a mudança chega e até domingo arrumamos tudo.

Falando assim parece simples, mas tem uma infinidade de detalhes que faz a coisa se tornar uma odisséia épica misturada com uma graphic novel (com roteirista ruim) e com um remake estadunidense de "Betty, a Feia".

Por exemplo, a lei brasileira diz que em viagens assim você precisa de um atestado de boa saúde canina – mas calma, não é para o motorista, e sim para transportar seu cachorro pelas estradas. Obviamente NENHUM policial vai parar seu carro no instante em que você obter o atestado – efeito da lei de Murphy. Mesmo assim, na quinta-feira à noite, ao invés de dormir para viajar descansados, eu e Bethania fomos levar Pavlov a um veterinário.

A coisa foi surreal, porque chegamos na clínica e estava tendo uma "emergência médica canina" no melhor estilo de episódio de "E.R.": uma cachorrinha com leishmaniose havia dado entrada tendo convulsões. A dona dela estava na recepção, chorando desesperada. Chamaram até outro cachorro – um rottweiler ENORME – para doar sangue pra ela. Mas depois de um tempo apareceu a veterinária, com aquela cara de más notícias, e começa a falar:

- Olha, sua cachorrinha estava realmente mal, nós tentamos fazer uma transfusão de sangue, demos efedrina, adrenalina, mas o coraçãozinho dela não resistiu…

Segue-se choros e ranger de dentes. E eu lá, perplexo.

Outro detalhe de viagens com cachorro é que recomenda-se que o cão viaje sedado, então compramos um psicotrópico canino que a veterinária receitou. O troço é tão maléfico que as farmácias só vendem o remédio com cadastro e retenção da receita. E Pavlov não é bobo, detesta remédios e sabe quando estamos tentando dopá-lo medicá-lo, então misturamos o "psicotrópico do mal" em um pouco de Toddy e demos para ele.

Se cães pudessem falar, eu tenho certeza que Pavlov teria dito: "oba oba, chocolate!!" e, na sequência, conforme estava ficando sonolento, diria: "Traidores!! O que vocês… fizeram… comiiiigoooooo….". Porque a cara dele dizia exatamente isso.

Além da trabalheira canina, outro inconveniente da mudança é que você tem que desativar toda a sua vida na cidade-origem e reativá-la na cidade-destino, ou seja, cancelar internet, telefone fixo, celular, TV a cabo e mais duzentas mil coisas. No caso da TV a cabo lá de casa a situação era mais complicada, porque ela estava no nome de Bethania e eu era o único com tempo para ligar pra fazer o cancelamento. A situação parecia sem saída mas parei, pensei por um instante, peguei o telefone e liguei para a operadora de TV a cabo:

- Bom dia, eu queria cancelar minha assinatura.
- Pois não, qual o seu nome?
- Bethania.

O atendente faz uma longa pausa e pergunta, confuso: "Uhh… é ‘Senhor’ Bethania?"

- Não, não. Senhora Bethania. – Confirmei, na maior naturalidade do mundo.

Pensa bem: o que diabos o atendente poderia dizer? Que minha voz era grossa demais para uma mulher? Se eu deixasse de confirmar alguma informação do cadastro tudo bem, mas qualquer suspeita que ele levantasse com base em minha voz poderia ser rotulada de preconceito, portanto ele não tinha nenhuma outra opção a não ser atender a "senhora Bethania" de voz grossa. E funcionou: das três vezes que precisei ligar pra lá, nenhum atendente questionou a minha voz.

Além das questões vocais, a mudança ainda teve inúmeros outros "detalhes" trabalhosos: o zelador do prédio novo encrencou com mudanças antes das 9 da manhã. e as leis de trânsito paulistanas proíbem tráfego de caminhões no meu novo bairro após as 9 da manhã. Alguns serviços que você quer contratar pro apê novo (internet, TV a cabo) requerem comprovante de endereço, que, obviamente, você só vai ter depois que receber contas de algum serviço, como internet ou TV a cabo. E aí o chuveiro de 110V que veio na mudança não pode ser usado na instalação 220V do apê novo. E então o contrato de aluguel tem uma cláusula que proíbe animais – e você vê isso no instante de assinar o contrato. Aí as assinaturas do contrato de aluguel tem que ter firma reconhecida, e você tem que abrir firma num cartório paulistano, e o cartório te pede – além de uma escaneada nas digitais do seu dedo indicador (sabia dessa?) – uma cópia da certidão de casamento, e a certidão ficou em Belo Horizonte. E na hora de receber as chaves do apartamento, você descobre um vazamento de água no teto de um dos cômodos. E por aí vai…

Moral da história: mudar de cidade é um pandemônio. Se bobear, mudança de sexo deve ser mais fácil do que isso.

Mas eu não podia deixar este post acabar sem mencionar o lado bom de mudar pra São Paulo, que é… morar em São Paulo, por incrível que pareça. Nosso bairro é excelente, Bethania mora a 15 minutos de caminhada do trabalho, temos tudo a apenas alguns quarteirões de distância, o prédio onde moramos é ótimo, é grande, é seguro, e o apartamento novo é muito espaçoso. Claro que isso não custa barato, mas se é pra morarmos longe das famílias e dos amigos, pelo menos que seja num lugar legal…

P.s.: Por conta da mudança perdi o BlogCamp MG. Uma pena, queria conhecer as caras por trás dos blogs que leio. Mas pelo que li sobre os debates, a coisa foi exatamente como eu previa: em torno de monetização e, consequentemente, chata.

P.p.s.: E logo após a mudança, adivinha qual a primeira coisa que fiz? Peguei um avião e fui trabalhar em… Belo Horizonte!

P.p.p.s.: E depois de ir pra BH eu estou escrevendo este post diretamente da cidade de… Joaçaba, interior de Santa Catarina!!


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