Posts da categoria ‘São Paulo’


Depois nêgo fala que é implicância com paulista…

10 de June de 2008, 1:01

… que fala que foi tomar “um chopps e dois pastel”. Olha a conta do dia em que fomos ao Mercado Central de São Paulo:

Comanda da conta com dois "chopp" e um "pastéis"
Aí meu, tomamos dois “chopp” e comemos um “pastéis”!


Safári na selva de pedra

28 de May de 2008, 14:12

Nos quatro dias do último feriadão tivemos quatro amigos belorizontinos hospedados em casa. Foi excelente, quatro dias explorando São Paulo e sua quantidade absurda de opções de lazer (todas cheias, é claro).

Uma delas foi bem interessante: o MAM está com uma exposição excelente de trabalhos de artistas japoneses, por conta do centenário da imigração. E japonês é tudo doido mesmo: as obras envolviam desde motion capture até vômito rosa. Mas a mais divertida era uma sala espelhada com som surround e projeções nas paredes…

 

Usualmente, depois de alimentar o espírito, a gente matava a fome do corpo. Comemos de tudo, desde o clássico sanduíche de mortadela do mercadão até os petiscos fashion do restaurante Skye - que tem a melhor vista da cidade.

Mas não dá pra falar de São Paulo sem falar do trânsito - que gerou o episódio mais engraçado do feriado…

Bethania estava dirigindo pelo Itaim quando dois carros pararam em frente a dois restaurantes para os ocupantes descerem e os manobristas estacionarem. Só que os dois carros estavam bloqueando a rua inteira sem a menor cerimônia. Bethania ficou furiosa, começou a buzinar… e aí um dos manobristas teve a audácia de gritar pra ela:

- Tá com pressa, moça? Compra um helicóptero!

Aí Bethania abaixou o vidro e respondeu, aos berros, com a frase mais marcante do feriado:

- O RLY??? Folgado! Fechando a rua!

Ééé, amigos… ela realmente gritou “O RLY” para o manobrista…


Where I belong

17 de May de 2008, 1:13

E então que, pra mais de 10:30 da noite, meu vôo estava pousando em São Paulo - cidade que eu não via há 12 dias por conta do trabalho semanal em Brasília e do fim-de-semana do dia das mães em Belo Horizonte.

Então olho pela janela do avião e a vista é mais ou menos assim:

20080516
Foto por SlapBcn

Adivinha qual foi a primeira coisa que me veio à cabeça:

“Coruscant… o planeta inteiro é uma cidade”

Foi o que Ric Olié disse à Anakin Skywalker, em Guerra nas Estrelas, Ep. 1, quando Qui Gon Jin leva o garoto para ser avaliado pelo conselho Jedi. Bati meu personal nerdice record de novo…

Outro dia o Inagaki disse que São Paulo “desperta sentimentos ambivalentes”. Já eu não sei dizer se sinto amor ou ódio pela cidade. Mas uma coisa é certa: me sinto integrado a ela de uma forma que nunca senti antes - nem com Belo Horizonte, minha terra natal. Tanto que, míseros sete meses depois da mudança, já me sinto em casa quando o avião toca na pista, e nem me estresso com a fila do táxi no ponto do aeroporto - que hoje, sem brincadeira, tinha umas 200 pessoas fácil, fácil.

Foram duas longas semanas. Voltar ao meu lar paulistano dá uma sensação boa de pertencimento - o tal “where I belong” das músicas em inglês…


Terremoto em São Paulo - um "timeline" bizarro

22 de April de 2008, 23:04

Aprox. 21:00 - Na sala aqui de casa eu e uma amiga de Bethania estávamos vendo TV. Aí minha cadeira balança bem de leve por uns 10 segundos. Enfiei a mão debaixo dela para ver se não era Pavlov (meu cachorro) se coçando, até que a amiga pergunta se eu senti a terra tremer.

Me levantei, fui até o computador e levei um susto: no Twitter, dezenas de relatos da terra tremendo em várias partes da cidade de São Paulo. A primeira twittada, supostamente, foi do @viniciuscosta: “Terremoto em SP?”

21:13 - O tremor começa a aparecer na mídia. Segundo o 8 Bits e Meio:

O Corpo de Bombeiros confirmaria as informações alguns minutos depois. Os portais entraram às 21h16 (com o G1). A FOL foi mais tarde, com um urgente na capa. Às 21h18, a Bandnews levou a história para o ar. Às 21h23, entrou a Globo News.

21:36 - @geomorcelli avisa: no Orkut surge a comunidade “Terremoto 22/4/08 - Sobrevivi!”

21:41 - No Twitter começam as piadas, como esta, de @marcsheep: “Esse terremoto é uma ação viral da motorola para o novo cellphone! TERREMOTO!”

21:43 - @cellozero avisa que o terremoto foi de 5.2 graus na escala Richter. Informações do portal de terremotos (?) do Governo Norte-americano confirmam, inclusive dando a localização do epicentro: no Oceano Atlântico, a 270 km de São Paulo - a estrelinha da figura aí embaixo.

20080422

21:51 - O número de piadinhas com o terremoto segue crescendo exponencialmente. Segundo @pedro_blognatv, “Terremoto nada! A terra só quis comemorar o seu dia e dançou o créu na velocidade 5″

21:58 - Surge a melhor (e mais nerd) piadinha do terremoto, via @felds: “São Paulo, agora com RUMBLE PACK!”

22:00 - Começa a monetização: Camiseta do terremoto é lançada por Ian Black no Twitter.

22:03 - @herkeios especula sobre a causa do terremoto: “O desmond esquecereu (sic) de digitar 4, 8, 15, 16, 23, 42, DE NOVO”

22:09 - A comunidade do terremoto no Orkut já tem mais de 200 membros.

22:19 - Meu pai aparece no Google Talk. Isso é, de longe, MUITO MAIS BIZARRO que o terremoto. Achei que ele tinha ficado sabendo do tremor e estava preocupado comigo, mas as primeiras frases dele são: “Uai, tou conseguindo tc contigo? Foi sem querer que entrei aqui”.

22:27 - @opiumseed avisa: “Na comunidade de São Paulo no Orkut, o tópico do terremoto teve mais de 500 comentários em uma hora”. Já a comunidade do terremoto está com 360 membros e segue aumentando.

22:29 - Bethania chega na sala rindo porque viu no Twitter: “Brasileiro não sabe nem se portar em evento de primeiro mundo” (Update: o autor foi o @marcdoni)

22:34 - Encontro Bethania ainda rindo, mas por causa de um comentário do @cacaucalazans: “Droga, eu filmei o terremoto, mas o meu celular tem sistema antishaking! hahahahahahaha”

22:36 - Talvez o primeiro relato de danos causados pelo terremoto, via @cellozero: rachadura em hospital da zona leste de SP.

22:43 - Bethania me avisa de um comentário de @luti (cujo Twitter foi criado há apenas 3 horas): “Gente, foi terremoto mesmo? Não reparei, aquei que tinha esquecido o vibrador ligado…”

22:47 - Na comunidade do Orkut também tem piadinhas, como o tópico “Ao vivo - Está tremendo em Manaus (-2 hs fuso)”.

23:05 - Parei de acompanhar o aftermath do terremoto e fui dormir. É estranho dizer isso mas foi… divertido.

P.s.: Pra quem quiser ler mais, o Inagaki também coletou um monte de citações do Twitter.


Curando a saudade das montanhas geladas

28 de January de 2008, 22:31

No último sábado de manhã acordei cedo, saí de casa e comprei um par de patins.

Sim, você leu certo. Comprei um par de patins Powerslide Freeskate Cell 2.

20080127

Em meu juízo normal eu JAMAIS compraria uma coisa dessas, mas confesso que estou satisfeito com minha nova aquisição. É que, como temos o Ibirapuera aqui pertinho de casa, volta e meia a gente leva Pavlov pra passear por lá. Num desses passeios Bethania viu um cara dando aula de patinação debaixo da marquise, se interessou e perguntou se eu faria aulas junto com ela. Como bom marido que sou (e, dado o diâmetro da minha cintura e o grau elevado de sedentarismo), fui junto.

Acontece que andar de patins, para minha surpresa, começou a se mostrar um bom remédio para o que eu chamo de “dor-de-cotovelo da neve”, ou seja, a minha paixão incontrolável por esquiar, paixão esta que começou quando eu morei no Canadá e, de tão séria, foi a principal razão da minha lua-de-mel ter sido no Chile. A coisa é tão feia que eu mudo de canal quando vejo gente esquiando na TV, porque a vontade que dá de morar num país com neve fica absurdamente difícil de suportar.

Mas voltando ao Ibirapuera: aula vai, aula vem e eu começo a perceber que os patins tem algumas semelhanças com os esquis: as botas pesadas nos pés, o deslizar com o vento no rosto, as “remadas” ritmadas para pegar impulso, a dificuldade pra aprender a fazer as curvas e a parar, tudo é bem parecido… até a sensação deliciosa de alívio, de quando (depois de algumas horas) você tira os pés doloridos de dentro das botas, é bem igual. Obviamente, uma coisa não substitui a outra mas, como as “restrições orçamentárias” da vida paulistana devem me impedir de ver neve por um bom tempo, vou ficar matando a vontade - e tomando capote - na marquise do Ibira mesmo.

E quando eu tiver realmente bem, quem sabe não rola até um videozinho no YouTube…


Surpresas da noite paulistana

23 de January de 2008, 23:19

Sábado passado eu estava com dor de cabeça e todo dolorido, em frente ao notebook. E Bethania querendo sair.

"Hmm, o que seria perfeito hoje é um lugar pra sentar e bater papo. E um DJ tocando alguma coisa bem tranquila. Bem, estou em São Paulo, aposto que deve ter alguma coisa", pensei. Aí veio a idéia idiota: entrei no Rraurl - que tem um guia bem completo da cena eletrônica - e digitei "ambient" no search.

Para minha surpresa, veio um resultado: o 8 bar. O "ambient" estava entre os gêneros que os DJs tocariam. O lugar era pertinho de casa e até as 22h a entrada era de graça. Chamamos um amigo e fomos.

A impressão inicial foi ruim: o lugar era um corredor comprido com um bar no meio e umas cadeiras. Como entramos antes das 22h, fomos os primeiros a chegar e pudemos ver o lugar se encher lentamente. Chegava um, depois outro, depois mais um… e, curiosamente, todos homens (dica número 1).

Aí resolvi ir ao banheiro. Como o lugar era minúsculo, fora a porta de entrada o lugar tinha apenas outras duas portas, então não foi difícil deduzir que era ali. Só que não tinha nada nas portas que dissesse qual deles era o masculino e o feminino. Procurei o barman e apertei F1:

- Por favor, onde é o banheiro?
- É ali mesmo, naquelas duas portinhas. Fique à vontade, você escolhe qual deles quer usar!

E deu um sorrisinho esquisito (dica número 2).

Então, seguindo as instruções do barman, escolhi uma das portinhas e - surpresa! - o maldito banheiro era todo pintado de vermelho e tinha espelho no teto (dica número 3).

Agora é com você, querido leitor. Usando as três dicas deste post, adivinhe qual era o público predominante do 8bar…

Moral da história: A partir de agora, antes de ir conhecer um lugar novo, vou ligar com antecedência e perguntar sobre o espelho do banheiro.


Madness? This… is… MUDANÇAAAA!!

21 de November de 2007, 19:05

O plano era simples: na quinta do feriado, carregar o caminhão. Na sexta, eu, Bethania e Pavlov vamos de carro pra São Paulo, assinamos o contrato de aluguel e pegamos as chaves. No sábado o caminhão com a mudança chega e até domingo arrumamos tudo.

Falando assim parece simples, mas tem uma infinidade de detalhes que faz a coisa se tornar uma odisséia épica misturada com uma graphic novel (com roteirista ruim) e com um remake estadunidense de "Betty, a Feia".

Por exemplo, a lei brasileira diz que em viagens assim você precisa de um atestado de boa saúde canina - mas calma, não é para o motorista, e sim para transportar seu cachorro pelas estradas. Obviamente NENHUM policial vai parar seu carro no instante em que você obter o atestado - efeito da lei de Murphy. Mesmo assim, na quinta-feira à noite, ao invés de dormir para viajar descansados, eu e Bethania fomos levar Pavlov a um veterinário.

A coisa foi surreal, porque chegamos na clínica e estava tendo uma "emergência médica canina" no melhor estilo de episódio de "E.R.": uma cachorrinha com leishmaniose havia dado entrada tendo convulsões. A dona dela estava na recepção, chorando desesperada. Chamaram até outro cachorro - um rottweiler ENORME - para doar sangue pra ela. Mas depois de um tempo apareceu a veterinária, com aquela cara de más notícias, e começa a falar:

- Olha, sua cachorrinha estava realmente mal, nós tentamos fazer uma transfusão de sangue, demos efedrina, adrenalina, mas o coraçãozinho dela não resistiu…

Segue-se choros e ranger de dentes. E eu lá, perplexo.

Outro detalhe de viagens com cachorro é que recomenda-se que o cão viaje sedado, então compramos um psicotrópico canino que a veterinária receitou. O troço é tão maléfico que as farmácias só vendem o remédio com cadastro e retenção da receita. E Pavlov não é bobo, detesta remédios e sabe quando estamos tentando dopá-lo medicá-lo, então misturamos o "psicotrópico do mal" em um pouco de Toddy e demos para ele.

Se cães pudessem falar, eu tenho certeza que Pavlov teria dito: "oba oba, chocolate!!" e, na sequência, conforme estava ficando sonolento, diria: "Traidores!! O que vocês… fizeram… comiiiigoooooo….". Porque a cara dele dizia exatamente isso.

Além da trabalheira canina, outro inconveniente da mudança é que você tem que desativar toda a sua vida na cidade-origem e reativá-la na cidade-destino, ou seja, cancelar internet, telefone fixo, celular, TV a cabo e mais duzentas mil coisas. No caso da TV a cabo lá de casa a situação era mais complicada, porque ela estava no nome de Bethania e eu era o único com tempo para ligar pra fazer o cancelamento. A situação parecia sem saída mas parei, pensei por um instante, peguei o telefone e liguei para a operadora de TV a cabo:

- Bom dia, eu queria cancelar minha assinatura.
- Pois não, qual o seu nome?
- Bethania.

O atendente faz uma longa pausa e pergunta, confuso: "Uhh… é ‘Senhor’ Bethania?"

- Não, não. Senhora Bethania. - Confirmei, na maior naturalidade do mundo.

Pensa bem: o que diabos o atendente poderia dizer? Que minha voz era grossa demais para uma mulher? Se eu deixasse de confirmar alguma informação do cadastro tudo bem, mas qualquer suspeita que ele levantasse com base em minha voz poderia ser rotulada de preconceito, portanto ele não tinha nenhuma outra opção a não ser atender a "senhora Bethania" de voz grossa. E funcionou: das três vezes que precisei ligar pra lá, nenhum atendente questionou a minha voz.

Além das questões vocais, a mudança ainda teve inúmeros outros "detalhes" trabalhosos: o zelador do prédio novo encrencou com mudanças antes das 9 da manhã. e as leis de trânsito paulistanas proíbem tráfego de caminhões no meu novo bairro após as 9 da manhã. Alguns serviços que você quer contratar pro apê novo (internet, TV a cabo) requerem comprovante de endereço, que, obviamente, você só vai ter depois que receber contas de algum serviço, como internet ou TV a cabo. E aí o chuveiro de 110V que veio na mudança não pode ser usado na instalação 220V do apê novo. E então o contrato de aluguel tem uma cláusula que proíbe animais - e você vê isso no instante de assinar o contrato. Aí as assinaturas do contrato de aluguel tem que ter firma reconhecida, e você tem que abrir firma num cartório paulistano, e o cartório te pede - além de uma escaneada nas digitais do seu dedo indicador (sabia dessa?) - uma cópia da certidão de casamento, e a certidão ficou em Belo Horizonte. E na hora de receber as chaves do apartamento, você descobre um vazamento de água no teto de um dos cômodos. E por aí vai…

Moral da história: mudar de cidade é um pandemônio. Se bobear, mudança de sexo deve ser mais fácil do que isso.

Mas eu não podia deixar este post acabar sem mencionar o lado bom de mudar pra São Paulo, que é… morar em São Paulo, por incrível que pareça. Nosso bairro é excelente, Bethania mora a 15 minutos de caminhada do trabalho, temos tudo a apenas alguns quarteirões de distância, o prédio onde moramos é ótimo, é grande, é seguro, e o apartamento novo é muito espaçoso. Claro que isso não custa barato, mas se é pra morarmos longe das famílias e dos amigos, pelo menos que seja num lugar legal…

P.s.: Por conta da mudança perdi o BlogCamp MG. Uma pena, queria conhecer as caras por trás dos blogs que leio. Mas pelo que li sobre os debates, a coisa foi exatamente como eu previa: em torno de monetização e, consequentemente, chata.

P.p.s.: E logo após a mudança, adivinha qual a primeira coisa que fiz? Peguei um avião e fui trabalhar em… Belo Horizonte!

P.p.p.s.: E depois de ir pra BH eu estou escrevendo este post diretamente da cidade de… Joaçaba, interior de Santa Catarina!!


As mudanças que uma mudança traz

14 de November de 2007, 19:47

20071114

Se eu fizer as contas, foram 459 dias entre a data do casamento e o dia de hoje, que é o último dia "oficial" de existência da minha casa em Belo Horizonte. Daria muito mais se contarmos desde a (looonga e trabalhosa) reforma, a compra dos móveis - incluindo a minha birra com a Tok Stok - e toda a sequência de eventos que deixou a casa linda do jeito que está, e que vocês podem ver nas fotos aí em cima.

Mas eu posso voltar ainda mais no tempo e considerar que este apartamento, onde vivi durante este primeiro ano de casamento, é o mesmo onde vivi dos quatro aos vinte e quatro anos de idade. Ééééé, amigo… foi aqui que passei a maior parte da minha vida.

20071114_2 Tem muita história nesse apartamento. O quarto onde dormi com Bethania é o mesmo onde meus pais dormiam. É o mesmo onde minha mãe passou anos doente até morrer de um câncer de mama. O outro quarto, que virou um "mini-escritório" e de onde estou digitando este post, já foi meu e da minha irmã. A janela dele não é simplesmente uma janela: é o lugar de onde minha irmã saía, ao som de um vinil do Xou da Xuxa, com um microfone na mão, imitando a Rainha dos Baixinhos saindo de seu disco-voador.

E daqui a algumas horas um caminhão vai parar na porta do prédio e levar os móveis todos embora, pra colocá-los num outro prédio a 600 quilômetros de distância, desfazendo o lar que eu e Bethania criamos pra nós e me distanciando novamente (e talvez definitivamente) do lugar aonde cresci. Mas isso não me entristece: olhando pra trás eu me sinto orgulhoso pelo rumo que a minha vida vai levando. As memórias, o que aconteceu no passado, tudo isso é importante, mas não mais do que o efeito disso na pessoa que sou hoje. "Foco no resultado", diriam meus colegas consultores. É bem por aí.

A sensação que fica é a de que uma etapa de vida acabou. E que uma outra, ainda melhor, está apenas começando…


Encontrando um apartamento para alugar em São Paulo

12 de November de 2007, 11:15

Depois de muito sangue, suor e lágrimas, eu e Bethania temos endereço definido no Itaim Bibi, na grande metrópole paulista. Deu trabalho - MUITO trabalho - mas acho que vamos morar bem. Bethania vai poder ir a pé pro trabalho, eu ficarei a uns 20 minutos do aeroporto e Pavlov vai ter inúmeros vizinhos caninos para conhecer.

O início da jornada pelo apartamento novo começou pelo lugar mais fácil: na internet, em sites como Imovelweb, NetImóveis e Zap. Nessa etapa é que tivemos a primeira referência de preços (caríssimos) e disponibilidade (minúscula).

Na verdade o que a internet te dá é apenas isso: uma referência, já que os imóveis realmente bons são alugados em questão de dias. Tanto que liguei para uns 15 anúncios da internet e somente 2 deles ainda estavam disponíveis. O negócio é visitar os sites todos os dias e fazer uma pesquisa ordenada pela data do anúncio, pra pegar os mais "fresquinhos" antes. Mas meu tempo para achar um apê era meio reduzido, então tive que partir pra uma abordagem mais "téte-a-téte" e, na quinta-feira à noite, me enfiei num ônibus para São Paulo para pesquisar do jeito difícil: andando na rua e caçando plaquinhas de "aluga-se".

Como todo bom nerd eu fui preparado: coloquei no celular imagens com mapas da região do Itaim, para poder me orientar sem precisar ficar carregando papéis. Além disso medi toda a mobília lá de casa e anotei as medidas, também no celular. Isso é importantíssimo para tirar aquelas dúvidas clássicas, do tipo "hmm, essa sala é ótima, mas será que o sofá vai caber naquele canto ali?".

O celular foi uma mão na roda: com ele eu ligava na hora para os telefones das plaquinhas de "aluga-se", tirava fotos dos apartamentos e ainda dava uma Twittada de vez em quando, para extravasar um pouco da frustração. Porque procurar apartamento é MUITO frustrante: você anda muito e acha muito pouca coisa. As poucas coisas que acha são grandes demais, velhas demais, pequenas demais ou caras demais. Aí os pés doem, começa a chover, depois a chuva pára e faz um sol escaldante e você continua lá, peregrinando. Aí bate o desespero e você começa a tocar o interfone de TODOS os prédios que vê, independentemente de ter ou não plaquinha de "aluga-se". E depois de andar por vários quilômetros e de encher o saco de centenas de porteiros, você vê que todo esse trabalho serviu para achar apenas UM apartamento - que foi tudo o que eu havia conseguido na peregrinação da sexta-feira. Ele era grande e caro, mas pela falta de opções acabou sendo considerado.

A sorte é que eu estava hospedado com um amigo que sabia de um apartamento disponível em seu próprio prédio. O apê era barato, embora pequeno, e entrou na disputa: agora eram dois candidatos.

Aí, no sábado de manhã, eu acordei às 5:30, me enfiei no metrô e fui buscar Bethania na rodoviária. E a peregrinação recomeçou, mas desta vez facilitada pela feminilidade da minha esposa - pois você não faz idéia do quanto os porteiros são mais amistosos quando atendem uma mulher. Funcionou tão bem que encontramos nosso terceiro candidato: um apê que ainda nem tinha sido anunciado pela proprietária.

Uma coisa que ajudou muito na decisão final foram desenhos em escala, que eu fazia usando as medidas de cada apartamento. Aí, usando as medidas dos nossos móveis, eu pegava os cartões de visita das imobiliárias (não serviram pra nada mesmo) e usava pra cortar miniaturas, também em escala, dos nossos móveis. Depois ficávamos brincando de estudar como ficaria nossa mobília no espaço do apartamento que queríamos.

Note que o cartão do "Nivaldo" virou nosso sofá grande…

20071112

Fazer um desenho em escala é muito simples. Uma escala boa para botar no papel é 1:50 (cada centímetro no papel vale 50 centímetros no mundo real). Essa escala facilita as contas porque é só multiplicar as medidas reais por 2. Exemplo: Uma parede de 2,10m vai ocupar 4,2cm no papel.

Depois de "brincar de casinha" no modelo em escala e de muuuuuuita conversa, tomamos a decisão final, ligamos pro proprietário e agora estamos na correria de fechar o contrato de aluguel. A idéia é aproveitar o feriado desta semana e fazer a mudança de uma vez. Essa, pelo visto, vai ser outra saga…


Trocando a serra pelo Serra

1 de November de 2007, 14:03

Eu tinha comentado no Twitter que, desde 2003, cada ano que vem traz um mega-acontecimento que provoca mudanças drásticas na minha vida. Eu larguei minha carreira em TI em 2003, me “oficializei” na consultoria em 2004, fui morar um tempo no Canadá em 2005, me casei em 2006…

…e em 2007 vou me mudar pra São Paulo.

20071102 Estou indo pra acompanhar Bethania, que arrumou um emprego bem promissor por lá.

Quanto ao meu trabalho, bem… considerando que meu modus operandi é no estilo “o artista vai onde o povo está” (ou seja, eu trabalho viajando), para meus empregadores não faz diferença a cidade aonde eu moro - de fato, morar em São Paulo é até vantajoso pra eles, que economizam com vôos e hotel nos projetos paulistanos.

Bethania começa no novo emprego em duas semanas, portanto já estamos programando a mudança. Possivelmente vamos alugar algum apê no Itaim Bibi: é perto do aeroporto e Bethania vai poder ir a pé pro trabalho, o que economiza gasolina, tempo e stress. Por sorte eu conheço o bairro razoavelmente bem, pois foi onde fiquei nos meus dois últimos projetos paulistanos. Isso é bom porque ajuda a diminuir o frio na barriga (que atualmente está grande).

Então é isso. Nas próximas semanas faremos a mudança: trocaremos a Serra do Curral pelo… José Serra!

Update: Muita gente perguntou nos comentários, então vou responder aqui. Pavlov, nosso cachorro bissexual e artista plástico, vai conosco. Afinal, ele é da família - e ir pra São Paulo é bom pra carreira dele, se bobear ele até pode expor na Bienal.

Eu até ventilei a possibilidade de deixá-lo em BH provisoriamente, mas a tela escureceu e o cabelo de Bethania subiu igualzinho nos desenhos do Dragon Ball Z. Deixei pra lá na mesma hora.


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