Posts da categoria ‘São Paulo’


Das cidades

11 de fevereiro de 2010, 10:54

Eu nasci em uma capital com alma de cidade de interior (Belo Horizonte), moro numa megalópole caótica superlotada (São Paulo) e atualmente trabalho em uma cidade quadradinha e planejada (Brasília). E sempre gostei das cidades, especialmente das grandes, e prefiro passar o meu tempo nelas do que no mato ou numa praia.

Cidades são conjuntos de pessoas e, exatamente por isso, tornam-se também entidades com características pessoais. Cada uma tem forma própria, tem uma beleza ou feiúra peculiar, cada uma tem tamanhos, climas e problemas próprios – assim como pessoas, e assim como as pessoas que as habitam.

A cidade é a mais humana de todas as obras humanas. E, como criatura, sempre reflete seu criador – e é aí que reside a sua beleza. Não me refiro à beleza plástica, ao ser bonito, e sim ao ser autêntico. Em São Paulo, quando você sai do metrô na Sé e fica entre a imponência santificada da Catedral e a imundície da praça em frente, na verdade é como se você estivesse no meio de um ser humano e de todas as suas incoerências. São Paulo tem muitas delas, e é por isso que eu acho São Paulo uma cidade fascinante.

É é também por isso que eu considero cidades planejadas (sim, você mesma, Brasília) um erro por definição. Não se planeja uma cidade, da mesma forma que não se planeja uma pessoa. Ninguém sabe aonde vai estar daqui a 20 ou 30 anos. Muito menos algumas centenas de milhares de pessoas. Muito menos ainda algumas centenas de milhares de pessoas que convivem no mesmo espaço urbano. Cidades precisam poder crescer ao sabor das épocas, precisam poder registrar a passagem do tempo na fachada dos seus prédios e na urbanização dos seus bairros. Cidades precisam poder ser produto de todos que a compõem, e não apenas ser fruto da cabeça de quem a concebeu. As superquadras do Plano Piloto são prisões da mente de Lúcio Costa.

Já a minha terra natal (Belo Horizonte) é a prova de que uma cidade, como um ser humano, tem alma. Beagá corre atrás para espelhar os progressos e os problemas das outras capitais e, de cima, não deixa nada a desejar à outras metrópoles: tem engarrafamento, tem favela, tem shopping de luxo e tudo o mais. Mas tem algo intangível entre um poste e outro, entre uma e outra buzinada do ônibus. É possível entrever uma atmosfera interiorana, quase provinciana, que o vidro, concreto e aço nunca vão tapar.

Cidades são assim, complexas, mas acima de tudo, antropomórficas. Isso é o que me faz gostar de estar nelas. A cidade, além de ser sua cidade, é também um pouco de você.


A saga do roubo de notebook em Congonhas

23 de novembro de 2009, 22:19

No domingo da semana retrasada São Paulo ardia em febre e meu telefone tocou: era um amigo querendo sair pra tomar uma cerveja e afogar aquele calor maluco. “Tudo bem, só preciso levar Bethania em Congonhas pra pegar um avião e a gente toma uma”, respondi.

No caminho, o telefone de Bethania (que viajaria com mais 2 colegas de trabalho) toca com a notícia bombástica: roubaram a mochila e a bolsa de uma delas, bem ali, no passeio logo em frente ao aeroporto. Ela estava com um carrinho de bagagem esperando uma das colegas chegar quando um cara passa, pega a mochila, sai correndo e entra num Gol branco. A menina até tentou correr atrás dos caras (péssima ideia) mas desistiu assim que viu uma arma sendo apontada em sua direção.

roubo Um detalhe: o ladrão deixou cair seu celular durante o roubo. E mais: como o carro dos ladrões parou em fila dupla durante o roubo um dos marronzinhos da CET foi multar o carro e, portanto, anotou a placa.

Enquanto fazíamos o boletim de ocorrência chegaram os policiais civis que ficam de plantão no aeroporto. Um deles, o homem mais GIGANTESCO que já vi, foi o que mais comemorou quando ficou sabendo do celular e da placa do carro. Segundo eles, há semanas eles tentam pegar essa quadrilha – e com o celular e a placa do carro tudo ficou bem mais fácil. Ele até mostrou pra nós um vídeo das câmeras de segurança (esse aí da foto) mostrando um assalto similar ocorrido no dia anterior. O cara estava empolgadíssimo: “agora eu vou me divertir com esses caras, eles vão ter tratamento VIP”, dizia ele, enquanto apalpava efusivamente a pistola que carregava na cintura. A vítima do assalto também estava bem animada com a possibilidade de pegarem os meliantes e até fez uns pedidos especiais ao policial, coisas como “puxa bastante as bolas dele pra ele ficar impotente” e por aí vai.

Aí pegamos a bagagem das meninas, botamos de volta no carrinho e saímos do posto policial para remarcar as passagens. Estávamos esperando em frente ao guichê da Tam quando, de repente, um moleque aparece de repente, pega duas das malas que estavam no nosso carrinho e sai andando apressado. Todo mundo ficou IMÓVEL, paralisado pela ideia de que estava acontecendo tudo de novo, até que o “ladrão” se vira, mostra o dedo médio pra nós e sai, esbravejando. E alguém comenta:

- Errr… esse era aquele menino que estava no posto policial com a gente? Um que tinha perdido a carteira?

E todo mundo cai na gargalhada. Aparentemente, nós, vítimas de roubo de bagagem, acabamos “roubando” a bagagem dos outros sem querer – e o que é pior, de dentro da delegacia. Aparentemente estávamos mais competentes pro crime do que os ladrões de verdade…

Mas depois do roubo involuntário e de longas horas remarcando passagem, Bethania e as meninas viajaram no dia seguinte. Quando ela voltou, na terça à noite – surpresa! – a polícia já tinha pego os caras. Segundo ela rolou até um police lineup, com os meliantes enfileirados e a vítima atrás de um espelho falso, pra fazer a identificação dos marginais. Eu dava tudo pra ter visto isso. Rolou até uma matéria sobre o roubo no Jornal da Globo. O vídeo que eles usaram pra ilustrar o roubo, por sinal, é o mesmo que o policial nos mostrou no domingo.

Pelo menos tivemos um final “semi-feliz”: apesar das perdas materiais (nada do roubo foi recuperado), pelo menos os caras foram presos. Inclusive preciso destacar o excelente atendimento dos policiais em todo o ocorrido: foram rápidos, atenciosos, prestimosos e ainda pegaram os caras.


Vai virar igreja

23 de maio de 2009, 20:16

Ontem. Augusta. Uma da manhã e eu na porta do Club Roxy para, finalmente, ver Pet Duo tocar  – corrigindo, por sinal, um arrependimento de 3 anos atrás.

Aí ouço uma HORDA de pessoas descendo a rua, gritando e fazendo zona. “Normal, Augusta”, pensei.

O pessoal foi chegando mais perto e os gritos foram ficando mais audíveis e eu percebi que a horda gritava, na mesma métrica do “ahh, eu tô maluco”: “AAAAH!!! JESUS TE AMA!!!”. “Normal, turminha ultrajovem dando uma de herético contracultural”, pensei.

Aí o pessoal foi chegando ainda mais perto e eu pude então ler o conteúdo das camisetas: “Jesus te ama”, “Arrependa-se”, e o escambau. E foi aí que eu percebi que aquilo era realmente uma turma de igreja, que veio descendo a Augusta para pregar a nós, “pecadores”, nos bares e portas de boate. Todos estavam empolgadíssimos, sentindo-se o máximo por serem supostos enviados de Deus excursionando valentes em missão sagrada bem no meio da perdição.

E a turba parou em frente à Roxy e, em coro, gritou: “VAI VIRAR IGREJA! VAI VIRAR IGREJA!”.


Aí você pergunta: e o Pet Duo?

Meu amigo, minha amiga… PUTA QUE PARIU. Destruição TOTAL e ABSOLUTA por HORAS. Saí de lá surdo e feliz.


Hora do Planeta – FAIL?

28 de março de 2009, 21:28

Eu tirei uns panoramas da minha janela 10 minutos antes e depois do início da tal “Hora do Planeta” – aquela, onde todo mundo supostamente apagaria as luzes de casa por uma hora para chamar a atenção sobre os problemas do meio ambiente.

Eu diria que ficou parecendo um “jogo dos sete erros”. Quase não dá pra ver janelas apagadas…

horadoplaneta

Bem, é como eu disse no Twitter: hora do planeta é legal, é louvável, mas é o equivalente ambiental ao “atleta de fim de semana”.

P.s.: A Lúcia Malla fala bem melhor do que eu sobre esse assunto.

Update: O Big Picture do Boston.com fez mais ou menos a mesma coisa que eu – só que pelo mundo inteiro e em vários monumentos e locais históricos onde o pessoal realmente apagou as luzes.  Clique nas (belíssimas) fotos para ver as luzes apagadas.


A rua Augusta e a fraternidade universal

21 de março de 2009, 12:47

Quando o sol se põe e a noite chega é como se Deus removesse do céu o seu olho gigante e incandescente e deixasse o mundo momentaneamente sem supervisão. E então é como se seus habitantes, que passam as horas claras do dia mantendo a compostura e cumprindo seus contratos sociais, percebessem que “o chefe saiu”.

Talvez isto justifique o que se vê à noite na Rua Augusta. Desde que me mudei pra São Paulo eu comecei a criar um fascínio cada vez maior por ela – mais especificamente pela “baixa Augusta” – a parte onde ficam os inferninhos, puteiros, botecos e casas noturnas.

augusta_inferno

Andar pela Augusta tarde da noite é surreal. De um lado do passeio tem uma mini-equipe de produção com câmeras e holofotes entrevistando as pessoas que passam. Mais adiante tem uma rodinha de violão, depois um grupo de moleques praticamente uniformizados com seus pretos e piercings na porta de uma boate. Há muitas câmeras, muitos celulares e muita gente gritando “onde você tá?” neles, para encontrar os amigos no meio daquele pandemônio. As paredes são cobertas de pichações e cartazes de artistas urbanos: um deles diz, em letras garrafais: “AMOR É IMPORTANTE, PORRA”. Os seguranças da porta das casas de shows adultos divulgam as atrações: “mulheres bonitas, quantidade e qualidade!”, diz um deles. “Todas apertadinhas”, diz outro. Mesmo se você estiver acompanhado, não tem problema. “Temos mesa pra casal”, dizem eles.

Ontem eu estava lá, com esposa e amigos, na porta do Inferno Club – uma casa de shows com um neon vermelho clássico na fachada, portas acolchoadas e reproduções de quadros de Hieronymus Bosch nas paredes. Um dos amigos que estava conosco não estava acostumado a “sair de balada” e estava visivelmente assustado. Então eu disse a ele alguma coisa mais ou menos assim:

- Não precisa se preocupar. Você olha pras pessoas e parece que elas vão te atacar e te matar, mas na verdade todo mundo está aqui com o mesmo objetivo: se divertir.

E é por isso que eu me sentia tranquilo no meio daquilo tudo. Todo mundo estava ali para, à sua maneira, exorcisar seus próprios demônios; fugir um pouco das vistas do olho incandescente de Deus e dar vazão aos desejos tortos que ficam engavetados de segunda à sexta. E por isso é como se todo mundo estivesse unido pelo desejo comum de se divertir.

A rua Augusta talvez seja um dos poucos lugares aonde o ser humano se comporte de maneira genuinamente fraternal.


Depois nêgo fala que é implicância com paulista…

10 de junho de 2008, 1:01

… que fala que foi tomar “um chopps e dois pastel”. Olha a conta do dia em que fomos ao Mercado Central de São Paulo:

Comanda da conta com dois "chopp" e um "pastéis"
Aí meu, tomamos dois “chopp” e comemos um “pastéis”!


Safári na selva de pedra

28 de maio de 2008, 14:12

Nos quatro dias do último feriadão tivemos quatro amigos belorizontinos hospedados em casa. Foi excelente, quatro dias explorando São Paulo e sua quantidade absurda de opções de lazer (todas cheias, é claro).

Uma delas foi bem interessante: o MAM está com uma exposição excelente de trabalhos de artistas japoneses, por conta do centenário da imigração. E japonês é tudo doido mesmo: as obras envolviam desde motion capture até vômito rosa. Mas a mais divertida era uma sala espelhada com som surround e projeções nas paredes…

 

Usualmente, depois de alimentar o espírito, a gente matava a fome do corpo. Comemos de tudo, desde o clássico sanduíche de mortadela do mercadão até os petiscos fashion do restaurante Skye – que tem a melhor vista da cidade.

Mas não dá pra falar de São Paulo sem falar do trânsito – que gerou o episódio mais engraçado do feriado…

Bethania estava dirigindo pelo Itaim quando dois carros pararam em frente a dois restaurantes para os ocupantes descerem e os manobristas estacionarem. Só que os dois carros estavam bloqueando a rua inteira sem a menor cerimônia. Bethania ficou furiosa, começou a buzinar… e aí um dos manobristas teve a audácia de gritar pra ela:

- Tá com pressa, moça? Compra um helicóptero!

Aí Bethania abaixou o vidro e respondeu, aos berros, com a frase mais marcante do feriado:

- O RLY??? Folgado! Fechando a rua!

Ééé, amigos… ela realmente gritou “O RLY” para o manobrista…


Where I belong

17 de maio de 2008, 1:13

E então que, pra mais de 10:30 da noite, meu vôo estava pousando em São Paulo – cidade que eu não via há 12 dias por conta do trabalho semanal em Brasília e do fim-de-semana do dia das mães em Belo Horizonte.

Então olho pela janela do avião e a vista é mais ou menos assim:

20080516
Foto por SlapBcn

Adivinha qual foi a primeira coisa que me veio à cabeça:

“Coruscant… o planeta inteiro é uma cidade”

Foi o que Ric Olié disse à Anakin Skywalker, em Guerra nas Estrelas, Ep. 1, quando Qui Gon Jin leva o garoto para ser avaliado pelo conselho Jedi. Bati meu personal nerdice record de novo…

Outro dia o Inagaki disse que São Paulo “desperta sentimentos ambivalentes”. Já eu não sei dizer se sinto amor ou ódio pela cidade. Mas uma coisa é certa: me sinto integrado a ela de uma forma que nunca senti antes – nem com Belo Horizonte, minha terra natal. Tanto que, míseros sete meses depois da mudança, já me sinto em casa quando o avião toca na pista, e nem me estresso com a fila do táxi no ponto do aeroporto – que hoje, sem brincadeira, tinha umas 200 pessoas fácil, fácil.

Foram duas longas semanas. Voltar ao meu lar paulistano dá uma sensação boa de pertencimento – o tal “where I belong” das músicas em inglês…


Terremoto em São Paulo – um "timeline" bizarro

22 de abril de 2008, 23:04

Aprox. 21:00 – Na sala aqui de casa eu e uma amiga de Bethania estávamos vendo TV. Aí minha cadeira balança bem de leve por uns 10 segundos. Enfiei a mão debaixo dela para ver se não era Pavlov (meu cachorro) se coçando, até que a amiga pergunta se eu senti a terra tremer.

Me levantei, fui até o computador e levei um susto: no Twitter, dezenas de relatos da terra tremendo em várias partes da cidade de São Paulo. A primeira twittada, supostamente, foi do @viniciuscosta: “Terremoto em SP?”

21:13 – O tremor começa a aparecer na mídia. Segundo o 8 Bits e Meio:

O Corpo de Bombeiros confirmaria as informações alguns minutos depois. Os portais entraram às 21h16 (com o G1). A FOL foi mais tarde, com um urgente na capa. Às 21h18, a Bandnews levou a história para o ar. Às 21h23, entrou a Globo News.

21:36 – @geomorcelli avisa: no Orkut surge a comunidade “Terremoto 22/4/08 – Sobrevivi!”

21:41 - No Twitter começam as piadas, como esta, de @marcsheep: “Esse terremoto é uma ação viral da motorola para o novo cellphone! TERREMOTO!”

21:43 – @cellozero avisa que o terremoto foi de 5.2 graus na escala Richter. Informações do portal de terremotos (?) do Governo Norte-americano confirmam, inclusive dando a localização do epicentro: no Oceano Atlântico, a 270 km de São Paulo – a estrelinha da figura aí embaixo.

20080422

21:51 - O número de piadinhas com o terremoto segue crescendo exponencialmente. Segundo @pedro_blognatv, “Terremoto nada! A terra só quis comemorar o seu dia e dançou o créu na velocidade 5″

21:58 - Surge a melhor (e mais nerd) piadinha do terremoto, via @felds: “São Paulo, agora com RUMBLE PACK!”

22:00 – Começa a monetização: Camiseta do terremoto é lançada por Ian Black no Twitter.

22:03 - @herkeios especula sobre a causa do terremoto: “O desmond esquecereu (sic) de digitar 4, 8, 15, 16, 23, 42, DE NOVO”

22:09 - A comunidade do terremoto no Orkut já tem mais de 200 membros.

22:19 - Meu pai aparece no Google Talk. Isso é, de longe, MUITO MAIS BIZARRO que o terremoto. Achei que ele tinha ficado sabendo do tremor e estava preocupado comigo, mas as primeiras frases dele são: “Uai, tou conseguindo tc contigo? Foi sem querer que entrei aqui”.

22:27 - @opiumseed avisa: “Na comunidade de São Paulo no Orkut, o tópico do terremoto teve mais de 500 comentários em uma hora”. Já a comunidade do terremoto está com 360 membros e segue aumentando.

22:29 - Bethania chega na sala rindo porque viu no Twitter: “Brasileiro não sabe nem se portar em evento de primeiro mundo” (Update: o autor foi o @marcdoni)

22:34 – Encontro Bethania ainda rindo, mas por causa de um comentário do @cacaucalazans: “Droga, eu filmei o terremoto, mas o meu celular tem sistema antishaking! hahahahahahaha”

22:36 - Talvez o primeiro relato de danos causados pelo terremoto, via @cellozero: rachadura em hospital da zona leste de SP.

22:43 - Bethania me avisa de um comentário de @luti (cujo Twitter foi criado há apenas 3 horas): “Gente, foi terremoto mesmo? Não reparei, aquei que tinha esquecido o vibrador ligado…”

22:47 - Na comunidade do Orkut também tem piadinhas, como o tópico “Ao vivo – Está tremendo em Manaus (-2 hs fuso)”.

23:05 - Parei de acompanhar o aftermath do terremoto e fui dormir. É estranho dizer isso mas foi… divertido.

P.s.: Pra quem quiser ler mais, o Inagaki também coletou um monte de citações do Twitter.


Curando a saudade das montanhas geladas

28 de janeiro de 2008, 22:31

No último sábado de manhã acordei cedo, saí de casa e comprei um par de patins.

Sim, você leu certo. Comprei um par de patins Powerslide Freeskate Cell 2.

20080127

Em meu juízo normal eu JAMAIS compraria uma coisa dessas, mas confesso que estou satisfeito com minha nova aquisição. É que, como temos o Ibirapuera aqui pertinho de casa, volta e meia a gente leva Pavlov pra passear por lá. Num desses passeios Bethania viu um cara dando aula de patinação debaixo da marquise, se interessou e perguntou se eu faria aulas junto com ela. Como bom marido que sou (e, dado o diâmetro da minha cintura e o grau elevado de sedentarismo), fui junto.

Acontece que andar de patins, para minha surpresa, começou a se mostrar um bom remédio para o que eu chamo de “dor-de-cotovelo da neve”, ou seja, a minha paixão incontrolável por esquiar, paixão esta que começou quando eu morei no Canadá e, de tão séria, foi a principal razão da minha lua-de-mel ter sido no Chile. A coisa é tão feia que eu mudo de canal quando vejo gente esquiando na TV, porque a vontade que dá de morar num país com neve fica absurdamente difícil de suportar.

Mas voltando ao Ibirapuera: aula vai, aula vem e eu começo a perceber que os patins tem algumas semelhanças com os esquis: as botas pesadas nos pés, o deslizar com o vento no rosto, as “remadas” ritmadas para pegar impulso, a dificuldade pra aprender a fazer as curvas e a parar, tudo é bem parecido… até a sensação deliciosa de alívio, de quando (depois de algumas horas) você tira os pés doloridos de dentro das botas, é bem igual. Obviamente, uma coisa não substitui a outra mas, como as “restrições orçamentárias” da vida paulistana devem me impedir de ver neve por um bom tempo, vou ficar matando a vontade – e tomando capote – na marquise do Ibira mesmo.

E quando eu tiver realmente bem, quem sabe não rola até um videozinho no YouTube…


« Posts anteriores