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Sobre a terceira dimensão, foie gras, browsers e largura de banda

29 de August de 2008, 0:03

Dia desses eu li, não lembro onde, que uma das estratégias de Hollywood para - adivinhe! - coibir a pirataria eram os filmes em 3D. Neles a “experiência” só é completa para o espectador se ele estiver no cinema, com os tais óculos especiais, então as cópias piratas não fariam sentido.

Mas hoje eu vi que a nVidia está anunciando uma tecnologia de 3D “real” para jogos de computador onde você usa - adivinhe! - óculos especiais e enxerga as cenas do jogo em três dimensões.

Aí eu fiquei pensando no futuro da pirataria de filmes, somei uma coisa com a outra e… adivinhe!

Hoje aconteceu a pesagem oficial do “Perder Para Ganhar” que a equipe aqui do projeto de Dead Cow City organizou. É um concurso inspirado no programa de TV homônimo, onde a meta era perder 5% do seu peso em um mês - e quem perdesse menos que isso pagaria para quem perdesse mais peso.

Sim, tinha dinheiro no meio. Sim, é ridículo. E, sim, eu estava participando. Mas eu empurrei a coisa com a barriga (hein, pegou essa) e não mudei muito minha rotina ou meus hábitos alimentares - que, felizmente, já estavam bem saudáveis desde meu último exame de sangue, que deu colesterol altchééézimo e uma leve esteatose hepática - vulgo “fígado gorduroso”. Sabe foie gras? Pois é. 

Saldo final da brincadeira: perdi 2,5 kg. E também 40 reais, já que fiquei bem longe dos 5% de meta.

Acabou que com o Firefox 3 eu abandonei mesmo o meu browser predileto: o Opera, que usei consistentemente pelos últimos cinco ou seis anos.

Tudo começou quando, no lançamento da versão 3, o Slashdot publicou um teste dizendo que o Firefox novo era muito mais eficiente no uso de memória que todos os outros browsers. Aí resolvi pagar pra ver, já que o abuso de memória do FF era um dos fatores que me afastava dele.

Em termos de velocidade o Opera continua sendo, comprovadamente, absurdamente mais rápido pra tudo - MENOS para as coisas do Google (Gmail, Google Reader, Google Calendar, etc), que uso o tempo todo. E aí veio o golpe de misericórdia: as extensões do Firefox, que nunca me atraíam o suficiente porque o que muitas delas faziam já era funcionalidade nativa do Opera. Acontece que eu só conhecia mas nunca tinha usado Greasemonkey, Firebug, FoxyTunes e a mais super-duper-útil de todas: Read It Later - a salvação dos que trabalham sob firewalls e precisam separar links para ver depois, na internet livre e desimpedida do hotel…

… que por sinal é excelente e me permite até o luxo de ver minha esposa pela webcam. E também meu cachorro, que fica desorientado quando ouve minha voz e não me vê no apartamento. Hoje ele até chorou, tadinho.

Quem diria: no século XXI, “largura de banda” significa “qualidade de vida”…


A série "bugs inacreditáveis" é, sim, uma série

2 de June de 2008, 21:59

Depois que escrevi o último post fiquei me lembrando das vezes em que esbarrei com problemas de computador, digamos, “desafiadores”…

Lá pelos idos de 1998 eu trabalhava no suporte de um provedor de internet chamado Easy Way. Uma vez fui atender um chamado de um cliente no Ed. Acaiaca, famoso prédio do centro de Belo Horizonte. As ruas no entorno do prédio estavam uma confusão porque um cara havia pulado do prédio e caído em cima de um táxi. Achei que aquilo seria a única coisa bizarra do dia…

A conexão (via modem, lembra?) do computador do cliente estava instável: discava, ficava um tempo e caía. Testei todo o básico (configurações da internet, linha telefônica, etc.) e nada de descobrir qual era o problema. Até que, num dos testes, eu larguei o mouse pra falar alguma coisa com o cliente e a conexão caiu no mesmo instante.

Parecia bruxaria, mas naquele estágio eu já estava acreditando em qualquer coisa. Aí mandei conectar e fiquei mexendo o mouse sem parar. Tudo funcionou. Então tirei a mão do mouse e… PLEC! Desconectado!

O diagnóstico? Bem, os nerds mais old school talvez se lembrem que os modems tinham duas configurações físicas, que se ajustava com um jumper, na própria placa: A porta serial (COM) e o canal de interrupções (IRQ). E o modem estava configurado pra usar o mesmo IRQ do mouse.

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Um modem das antigas, com os jumpers da placa em destaque. Lembra?

Agora avance na linha do tempo de 1998 para 2008 e voilá! Estamos nos dias atuais, trabalhando com consultoria em gestão e usando um notebook Dell Vostro 1000, feio como a fome mas barato e funcional. Os tempos mudam mas os problemas bizarros continuam…

Sabe, tem certas funcionalidades tão básicas do seu Windows que você duvida que um dia elas vão dar problema - como o Ctrl+C, Ctrl+V ou o botão “Iniciar”. Eu também achava isso, até que, recentemente, precisei alternar para outro programa e o Windows cismou de não mostrar a famosa janelinha do Alt+Tab.

É isso mesmo, meu Alt+Tab parou de funcionar. Esta descrição por si só já é assustadora, mas o pior é que o Windows mostrava a janelinha com os programas abertos por uma fração de segundo - cada hora uma fração de segundo diferente - e depois sumia novamente.

Como todo bom ex-técnico de suporte, tentei isolar o problema: fechei todos os programas abertos, matei - um a um - todos os processos do Task Manager, entrei no Windows em modo de segurança, atualizei driver de vídeo, depois reverti para o driver que veio com o notebook, olhei BIOS… e o problema insistia em se repetir. Eu já estava começando a me conformar com um lento e doloroso system restore quando tive a idéia de testar se aquilo não era algum pau físico no teclado do notebook.

Baixei um tal Passmark KeyboardTest, programinha feito especialmente pra esse tipo de teste. É um belo programa: ele mostra a imagem de um teclado e indica visualmente quando alguma tecla é pressionada, mostra o código da tecla sendo recebido pelo sistema operacional, etc. Só que, sem que eu tocasse em NADA, o programinha mostrava a tecla “Power” sendo pressionada, religiosamente, de um em um segundo.

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E sabe o que é pior? Meu teclado NÃO TEM ESTA TECLA!

Deu medo, mas na verdade a investigação do problema ficou mais fácil a partir desse ponto. No fim, descobri que um programinha que veio com o notebook - um tal Dell QuickSet, que interfere no teclado porque ajusta o funcionamento daquelas teclas customizadas para notebook (Fn+F8 para projetar num datashow, por exemplo) - não estava sendo iniciado junto com o Windows. Foi só rodar o programinha e a “tecla fantasma” parou de ser pressionada. O Alt+Tab voltou a funcionar corretamente e todos viveram felizes para sempre.

Quero só ver no dia em que eu resolver fazer o upgrade pro Windows Vista…


Da série “bugs espetaculares” (ou: TI não é uma ciência exata)

30 de May de 2008, 1:26

O post aí debaixo ficou pronto ontem, lá pelas onze da noite. Aí eu cliquei “Publish” e nada do Wordpress postar.

Aí passei as últimas DUAS HORAS tentando descobrir por que o Wordpress parou de querer postar coisas no blog. Reinstalei o Wordpress duas vezes, chequei todas as configurações, testei com dois browsers diferentes, limpei o cache dos dois umas 10 vezes, fiz uns 15 posts de teste e… nada.

Aí comecei a tentar as alternativas menos óbvias e consegui resolver o problema. Era simples:

  • Com o computador conectado via wireless: NÃO funcionava.
  • Com o computador conectado via cabo de rede: Funcionou.

Agora me explica o que isso tem a ver com o problema…


TI: A loira gostosa mas limitada

30 de May de 2008, 1:11

Quatro e meia da tarde e eu estava no meio de uma reunião que começou às dez da manhã. Mentalmente exausto e absurdamente entediado, abri meu editor de texto (Notepad++) para fazer umas anotações. O programa automaticamente reabriu os últimos arquivos abertos: no caso, era um arquivo deste blog chamado .htaccess (arquivo de configuração usado em servidores web para configurar umas coisinhas).

Aí estava lá o .htaccess cheio de código e, num impulso, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi:

“Eu queria trabalhar é com isso”

Voltei pro hotel no fim do dia e, no táxi, não conseguia parar de pensar nisso. Eu tenho um amor platônico com essa mulher ingrata que é a TI. Ela é atraente, eu sou louco por ela e nos demos muito bem no nosso período juntos (uns 8 anos, contando empregos, estágios, faculdade e curso técnico). Já a minha “parceira” atual (a consultoria de gestão) é aquela mulher difícil, que dá trabalho e que te enche o saco o tempo todo. Ao contrário da TI, a convivência com a consultoria nunca é fácil - e é justamente por isso que você evolui. Eu levei muita porrada nos meus cinco anos de consultor - e devo continuar apanhando por muito tempo. Mas o que aprendi com toda essa ralação é incomensurável.

Foi por isso que o .htaccess me deixou com saudades da TI: antes éramos só eu e um computador, então tava tudo dominado, fácil, divertido e gostoso; hoje em dia tudo são reuniões infindáveis, clientes difíceis, colegas picaretas…

Entretanto, aprofundar minha relação com a TI seria um beco sem saída. Para nerds (como eu), TI é uma área sexy, interessantíssima, mas vai sempre ser “área meio”, sempre será ferramenta. E o “como usar” da ferramenta está na gestão. TI é meio que uma loira maravilhosa, mas limitada e sem muita chance de progredir na vida. E a gestão é a mulher feia e tosca, mas forte e decidida: é quem faz as coisas acontecerem.

Por isso, apesar do sofrimento, meu “casamento” com a consultoria foi a melhor escolha profissional que já fiz.

E mais: na época em que mudei de área eu nem fazia idéia, mas conhecimento gerencial faz toda a diferença quando se trabalha em TI. Pra provar isso, basta uma olhada nas faixas salariais da turma da tecnologia:

  • Analista de sistemas/programador - $57,500 a $96,750
  • Desenvolvedor web sênior - $76,250 a $108,250
  • Gerente de projetos - $76,500 a $111,500
  • Administrador de Banco de Dados - $88,750 a $122,750
  • Gerente de TI (CTO - Chief Technology Officer) - $107,250 a $165,250

(dados dos EUA, retirados do 2008 IT Salary Guide, em dólares, por ano e em ordem crescente)

Note que as palavras “Gerente” e “Administrador” vão aparecendo conforme o salário aumenta. Há uma tendência clara em TI onde você passa a valer mais conforme vai ficando bom em gestão, e não conforme vai ficando bom em TI. Não é como economia ou medicina, onde quanto mais você sabe da sua própria área, melhor.

Então é assim. Hoje eu sofro na mão da consultoria e fico com dor de cotovelo pela TI que abandonei. Mas sigo em frente porque, no futuro, quem sabe eu não arrumo uma “Gerência de TI” - um mulherão sagaz e inteligente, mas sexy como uma… er… “garota de programa”.

P.s.: Eu falo mais sobre as complicações de TI ser “área meio” neste outro post: A TI e o eterno foco em si mesma.


Internet via celular - Futuro próximo mas distante do Brasil?

12 de March de 2008, 12:06

Saiu anteontem, no Slashdot: Ericsson prevê para breve a extinção dos hotspots wi-fi. O motivo?

O crescimento rápido da banda larga via celular vai tornar os hotspots Wi-Fi irrelevantes… hotspots em lugares como a Starbucks estão se tornando as cabines telefônicas da era da banda larga.

Ou seja, todo mundo vai ter internet rápida, via celular, em qualquer lugar.

Enquanto isso, no Brasiu-siu-siu, para enviar este post eu ligo meu celular no notebook e uso a rede GPRS da Tim, com velocidade de dial-up, caindo toda hora e pagando R$ 50 por 1 GB de transferência (é a opção mais barata, por incrível que pareça).

Lá fora fala-se em WiMAX, HSPA e o escambau, e aqui o melhor que temos, até onde eu sei, é a Vivo com seu EV-DO, que funciona só em algumas cidades e que, às vezes, fica num cai-não-cai danado. E meu 1GB de transferência ficaria em R$ 100 na mão deles.


A saga do notebook novo - Capítulo Final?

2 de October de 2007, 21:21

Resumo para quem ligou agora seu televisor (os links tem os posts detalhados): tive a idéia super-idiota de comprar um notebook no Mercado Livre. Quase levei um golpe, mas escapei. Aí oito meses depois o notebook novo começou a dar uns paus bizarros que muita gente pelo mundo também está tendo e não achando solução, então encomendei outro computador… que chegou na última sexta.

Assim sendo, este post está sendo escrito direto do notebook novo - um Dell Vostro 1000, comprado pelo site da Dell e "customizado" pra ficar com a mesma configuração do maldito HP Pavilion DV6045nl (série DV6000).

Até agora o notebook novo é só alegrias:

  • Tem garantia "de verdade" de 1 ano - coisa que só se sente falta quando precisa (meu caso);
  • Foi baratíssimo: o modelo mais básico custa R$ 1.700, e minha configuração, praticamente igual a do HP, saiu a uns R$ 1.200 a menos do que paguei (trouxa, trouxa, eu sei, eu sei);
  • Vou pagar em suaves prestações (10x sem juros);
  • É bem mais leve que o HP;
  • Não esquenta como o HP - que mais parecia um George Foreman Grill e era inviável de usar no colo ou por longos períodos;
  • Vem com Windows XP (que, na atualidade, é uma opção muito melhor que o Vista);
  • NÃO vem entulhado de crapware, aqueles programas inúteis que deixam o micro lento e você tem que ficar horas desinstalando.

Na funcionalidade ele está bem, mas por fora… ele é feio pra carvalho. A começar pelo nome: "Vostro"? Como assim? Parece uma palavra escrita errado - e toda hora me lembra a palavra "colostro". E a feiúra do nome reflete na máquina: ele parece um protótipo de chão de fábrica, ou um computador robustecido daqueles que instalam em viatura de polícia, ou simplesmente um notebook que esqueceram de pintar - o que é verdade, já que ele é, basicamente, a "caixa" de vários outros modelos da Dell sem nenhum acabamento.

Notebook Dell Vostro 1000

Também não gostei do teclado, que é meio duro, possivelmente por causa de um tal "revestimento de mylar", contra respingos. Outro ponto negativo são alguns conectores importantes (energia, rede e dois USB) colocados na parte de trás ao invés das laterais, ficando bem ruins de acessar.

O setup inicial foi até rápido - umas quatro ou cinco horas e a maioria dos meus programas do dia-a-dia já estavam "positivos e operantes". Agora é deixar passar um tempo e ver se a minha urucubaca não afeta esse novo notebook. Vou rezar pra Deus, Alá, Iemanjá, Plutão, Kratos e Alanis Morrisette pra não acontecer nada.

Quanto ao notebook maldito, se souberem de alguém que queira comprar um HP Pavilion seminovo e meio lesado (pra aproveitar as peças ou consertar e revender), me avisem aí nos comentários.


iPhone é "des-recomendado" pelo Gizmodo

29 de September de 2007, 14:06

Acabei de ler um longo artigo do Gizmodo "des-recomendando" o iPhone.

Pensa bem. É o Gizmodo, o mais respeitável site sobre gadgets da Internet. E a partir de agora, a opinião deles sobre o iPhone é "não compre".

Pra mim isso é muito, muuito sério. Se eu fosse Steve Jobs ficaria preocupado. Mas como eu não sou Steve Jobs, sou só um blogueiro nerd, eu venho aqui e posto as minhas opiniões.

O problema maior desta história toda é que os editores do Gizmodo tem toda razão. Todos os movimentos da Apple desde o lançamento do iPhone foram contra os clientes e usuários do telefone. Foram na direção oposta dos desejos dos clientes. "Vocês querem desbloqueio? Querem poder instalar outros programas no iPhone? Querem ringtones customizados? NÃO!", parece dizer a Apple. Tanto que o esperado primeiro upgrade de firmware do iPhone não somente deixou de lado as demandas dos usuários como também desfez os hacks e desbloqueios do telefone.

No artigo do Gizmodo tem uma tabela feita pelo pessoal da Wired que mostra as diferenças entre o telefone "hackeado" e o "oficial". Parece um cartum, uma piada, mas não é.

Ouvir o cliente e incorporar o que ele quer em seus produtos é a grande sacada do Google. Todas as novidades incorporadas aos seus produtos vão diretamente ao encontro do que os usuários querem. Por isso o Google hoje está do tamanho que está. Não existe outro caminho para o sucesso senão esse. Mas a Apple insiste no caminho oposto.

A Microsoft é outra que ainda não sabe ouvir seus usuários. O Windows Vista caminha para ser o maior fiasco da história dos sistemas operacionais, e é fácil descobrir o porquê. Pense bem: o que o Vista trouxe de funcionalidades novas? Praticamente nada. O Vista é a resposta para uma demanda inexistente. E uma péssima resposta que faz você gastar uma grana preta em upgrades de hardware só para poder ver janelinhas transparentes que, ou dão pau, ou fazem exatamente a mesma coisa que o Windows XP.


O pau do meu notebook é pop

22 de September de 2007, 11:32

Numa boa. Olha o fórum oficial da HP. Olha a média de respostas por tópico. Agora olha a penúltima linha, que é o tópico sobre o meu problema com wireless do notebook

Eu estou acompanhando o tópico e, via de regra, é assim: o wireless dá pau, o cara liga pro suporte da HP, eles fazem de tudo (incluindo restaurar as configurações de fábrica no computador), nada funciona, eles mandam o notebook pro conserto, o notebook volta funcionando e pára de funcionar de novo depois de algumas semanas. Depois de umas duas idas e vindas para reparo a HP acaba mandando um notebook novinho (outro modelo, obviamente) pra pessoa. É uma solução extrema e cara para a HP, mas é a única que existe.

A cada dia eu me convenço mais de que a série DV6000 da HP é problemática por design. Tipo, o computador foi projetado errado. Não pensaram direito no isolamento térmico.


A TI e o eterno foco em si mesma

19 de September de 2007, 21:44

Roy e Moss - The IT Crowd Um momento clássico do ótimo seriado The IT Crowd (terças às 22:00 no canal Sony) é quando o telefone toca. Normalmente Roy dá um longo suspiro, tira o fone do gancho e diz exatamente as mesmas palavras: “Alô, TI, já tentou desligar e ligar de novo?”

O mais engraçado disso é que eu já fui exatamente assim. A minha formação é de TI, e confesso: passei anos atendendo telefonemas de usuários com a mesma má vontade do Roy.

Há uns cinco anos eu larguei a TI e fui trabalhar com consultoria em gestão. E o mais divertido dessa guinada maluca da minha carreira é que ela me mostrou exatamente o porquê de muita gente em TI - inclusive eu - trabalhar da mesma forma que o pessoal do seriado: o foco nos meios e não nos fins.

Pensa bem: o cara entra pra faculdade e aprende a fazer programas, manter bancos de dados, construir sistemas, etc. Passa quatro anos vendo linhas de código o dia inteiro e sai meio baratinado, achando que seu trabalho é lidar com computadores - e só com computadores. Neguinho se esquece que computadores precisam funcionar porque outras pessoas usam computadores pra trabalhar. A tecnologia passa a ser fim, e não meio.

E aí acontece esta coisa bizarra: quando o telefone toca, o cara de TI pensa: “droga, estão me atrapalhando no meu trabalho de manter computadores funcionando”. E esquece que quem está ligando é exatamente a pessoa que precisa dos computadores funcionando!

Até dá pra justificar parte desta história de “a TI pela TI”. A computação é território predileto de nerds com pouca habilidade social (incluindo eu mesmo), o que faz o teclado ser preferível ao telefone. Os caras trabalham num porão ou sala distante, sem janelas (por causa do ar condicionado que mantém os servidores), longe de outras pessoas mas cercados de máquinas. E, pra quem gosta, a TI é tão interessante e absorvente que esse papo de “contato com luz do sol, ar livre e outros seres humanos” acaba ficando pra depois.

Acho que os cursos de computação e tecnologia da informação que se dizem orientados para o mercado deveriam separar um momento no curso, para ensinar aos futuros bacharéis a real razão da existência do emprego deles. E mais: não só para TI mas para tudo na vida, o foco nos fins ao invés dos meios é o diferencial de quem se dá bem.


Ajude a divulgar a lista brasileira de equipamentos e serviços compatíveis com Linux

19 de September de 2007, 11:20

…e concorra a MP4 e MP3 players, mochilas Targus, períodos de VoIP grátis e até a ventiladores USB - além de contribuir automaticamente para doações para a Wikipedia e o Wordpress! O BR-Linux coletou mais de 12.000 registros de compatibilidade de equipamentos e serviços (webcams, scanners, notebooks, …) na sua Pesquisa Nacional de Compatibilidade 2007, e agora convida a comunidade a ajudar a divulgar o resultado. Veja as regras da promoção no BR-Linux e ajude a divulgar - quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux à Wikipedia e ao Wordpress.


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