O Primo recomenda: The Wire

The WireNo universo das séries de TV tem de tudo. Tem desde aquelas feitas pra você chegar em casa, tirar o sapato, ligar a tevê, desligar o cérebro e ficar esperando a risada enlatada te informar o momento onde você deve(ria) rir até as que investem em longos e complexos arcos narrativos e que mais parecem um longo filme em 24 fatias de uma hora cada. Variações de formato, cor e textura à parte, todas elas se encaixam em um formato mais ou menos raso e de produção enxuta para, imagino eu, torná-las viáveis financeiramente para os canais de TV.

Daí você tem as produções da HBO, que estão vários níveis acima do “varejão” das séries televisivas em termos de qualidade. São produtos mais adultos, muito mais bem produzidos e com histórias e personagens muito mais profundos que a média. Isso ficou bem nítido pra mim conforme eu assistia Roma ou a excelente Alice (da HBO Brasil). E então resolvi ver The Wire.

À primeira vista, é só uma série totalmente ordinária, com atores desconhecidos, nenhum efeito especial ou atrativo plástico/visual e uma temática nada inovadora de contar as histórias da força policial de Baltimore lutando contra o tráfico de drogas. Mas é tão bem executada, mas tão bem executada, que existe um coro de críticos de TV que afirmam categoricamente que The Wire é a melhor série já produzida para a TV.

E eu concordo plenamente.

Acho que o principal fator que contribui pra excelência de The Wire é o roteiro. Não porque ele é surpreendente ou incomum, e sim porque ele é realista, quase “documentarial”. Raríssimas cenas tem trilha sonora, os traficantes e policiais usam suas gírias típicas e seus fucks, shits e niggas o tempo todo (o que deixa algumas coisas ininteligíveis, mas aumenta ainda mais a imersão na história), não há “flashbacks” para relembrar de cenas passadas, nem narração em off para explicar o que alguém está pensando. Porque na verdade não precisa. Muita coisa é dita em olhares, em expressões, em linguagem corporal, assim como na vida real.

Além disso todos os aspectos da investigação policial estão incluídos – inclusive os chatos e técnicos, como a burocracia para conseguir um mandato ou a politicagem do alto comando da polícia que acaba atrasando investigações. Você acha que a série vai ser um “polícia invade boca de fumo e leva todo mundo pra cadeia” e encontra um “policial precisa de provas suficientes para requisitar um mandato que o juiz aprove mas isso não pode passar pelo tenente porque o que ele quer é agradar o chefe dele melhorando as estatísticas criminais do distrito e por isso manda todo mundo sair pra rua pra ficar prendendo ladrão de galinha ao invés de fazer trabalho investigativo”, e por aí vai.

E, como se não bastasse, os roteiristas ainda conseguiram, no meio de todo esse realismo, atingir uma profundidade literária que eu nunca havia visto. Sabe quando você lê alguma coisa muito bem escrita e, mesmo depois de fechar o livro, se perde por várias horas pensando no que acabou de ler? Logo na primeira temporada um dos policiais fala que quer se jogar das escadas da delegacia, pra poder processar a polícia por acidente de trabalho e ganhar uma grana. “Eu mereço”, diz ele. E, no contexto da série e conhecendo as nuances do personagem, eu passei DIAS pensando no quão genial foi o “eu mereço” que ele disse.

E em The Wire todos os personagens são brilhantes. Todos. Sem exceção. Desde o capanga mais básico até o mais genial dos investigadores policiais. Só pra citar um exemplo: Omar Little, um criminoso com uma cicatriz no meio do rosto, é tão casca-grossa que ganha a vida passando a perna nos outros traficantes casca-grossa. Todo mundo tem medo dele. Já a polícia volta e meia  precisa da ajuda dele. Um detalhe: ele é gay. Outro detalhe: Barack Obama é fã declarado dele.

“…o mais durão e malvado da série. Mas isto não é um endosso. Ele não é minha pessoa favorita, mas é um personagem fascinante” – Barack Obama, o presidente dos EUA, sobre Omar Little. Eu não estou brincando.

The Wire, como tudo que é bom, durou pouco: apenas cinco temporadas. Mas vale o download. Tem todas na, er, “Loja do Torresmo”, algumas já com legendas em inglês. Confie em mim: você vai precisar delas, por melhor que seu inglês seja.

Privacidade?

Dez anos atrás e eu falava pros meus amigos sobre os perigos de se colocar a própria foto na internet.

Hoje as pessoas convidam você pra dentro da casa delas, bem no meio da sua sala de estar, para que você se sente com elas no sofá e veja a cara de surpresa/alegria/decepção delas na hora em que anunciam o vencedor do American Idol.

Mas não é só um vídeo. Achei foi um TOP 10 VÍDEOS de reações ao American Idol. E, confesso, assisti quase todos. Meu predileto é esse aí debaixo. Acho particularmente fascinante a transição da cara de “macho dominante mais velho” para “perda total de compostura” do cara no centro, e também a loirinha de óculos (na direita, mexendo no celular) que grita mas olha em volta, como quem confere se está “reagindo certo”.

São tempos muito, muito interessantes estes em que vivemos.

Hábitos televisivos d’O Primo

Última vez que liguei a TV e vi um programa inteiro da TV aberta: ANOS atrás.

Última vez que liguei a TV e vi um programa inteiro da TV a cabo: MESES atrás.

Última vez que liguei a TV e vi um programa inteiro baixado da internet: sexta passada. Era o último episódio de Lost. E hoje é dia de ver 24 Horas e House.

Última vez que liguei a TV e zapeei e/ou vi parte de um programa da TV aberta: ANOS atrás.

Última vez que liguei a TV e zapeei e/ou vi parte de um programa da TV a cabo: SEMANAS atrás. Possivelmente foi um pedaço de algum Mythbusters.

Última vez que zapeei e/ou vi parte de um vídeo na internet: Err… diariamente? 🙂

Nome de cinco novelas que passam atualmente na tv aberta (de cabeça, sem olhar no Google): Err… Favorita ainda passa? Não, né? Agora é aquela das índias, acho que é Caminho das Índias. Tem a dos mutantes na Record, mas não lembro o nome. Ah, e tem “Caras e Bocas”, e… ok, desisto.

Nome de cinco sites de vídeo online (de cabeça, sem olhar no Google ou nos bookmarks): YouTube, Vimeo, Dailymotion, Joost (que agora é site, e não software), o brazuca Videolog, o CollegeHumor que inclusive produz vídeos, e ainda lembrei aqui do Hulu (que não funfa no Brasil) e do VideoSift, que é um agregador de vídeos populares em vários sites.

Conclusões:

1) Não sei por que ainda não cancelei minha TV a cabo.

2) Como todo império, o da TV está, sim, em franco declínio.

3) Considerando que o império da TV durou, sei lá, uns 50 anos, é possível que eu ainda esteja vivo quando o império da internet começar a ruir. Porque, sim, um dia ela vai ruir, é a sina de todo império.

4) …e eu vou ADORAR poder ver o que virá depois da internet.

O Primo recomenda: Alice

alice hbo cartazSim, é aquela série que a HBO produziu. “A história de uma menina de 26 anos que sai de Palmas, no Tocantins, e vem parar em São Paulo”. A premissa não podia ser mais clichê.

Então foi com muita surpresa que, após assistir os treze episódios da série, afirmo: Alice é excelente, fascinante e altamente recomendada.

E é tudo culpa da produção. Alice é absurdamente bem executada. Eu digo sem pestanejar que é a MELHOR produção nacional que já vi, mesmo nascendo com uma proposta batidíssima e, portanto, com tudo pra dar errado. A série mostra São Paulo inteirinha, fala dos seus pontos famosos, mostra seus locais mais conhecidos – e manjadíssimos – mas não fica brega. A personagem principal é a menina se descobrindo no “mundo encantado” da cidade grande – e a história não fica artificial. Os estereótipos estão quase todos lá: o pobre, o rico, o doidão, a modelo, o motorista, o morador de rua, o assaltante, mas nenhum deles é estereotipado nem mostrado daquele jeito forçado estilo “ohh, vejam, o diretor quer mostrar a diversidade da metrópole”.

Pra falar dos destaques da série, só fazendo uma lista mesmo:

  • Os atores mandam muito bem. Na maioria são “ilustres desconhecidos” do ramo, e talvez por isso deixem seus personagens tão autênticos…
  • …em especial a atriz principal, a estreante e talentosíssima Andréia Horta.
  • Os diálogos nunca soam artificiais: não é aquela coisa de novela onde todo mundo se esmera pra falar o português certinho e as frases saem todas de plástico. E, vendo com atenção, dá pra ver que a direção das cenas também guarda algumas surpresas mais artísticas: por exemplo, quando Alice cai, cambaleante, no gelo do meio de um ringue de patinação, aquela queda é também simbólica. Curti bastante estes detalhes.
  • A trilha sonora (do Instituto) acerta no ponto exato entre o urbano e o intimista – e sem passar pelo manjado. O tema de abertura, somado com imagens da cidade filmados com lente tilt-shift, ficou tão bom que dava gosto revê-lo em cada início de episódio.
  • Falando em fotografia, essa aí demonstrou um ótimo olho para captar a beleza tosca (mas sempre beleza) de São Paulo. Beleza esta que me doía, já que eu via os episódios sempre em avião, hotel ou ônibus e acabava com saudade de casa, pensando “olha lá a Nove de Julho… o túnel Ayrton Senna… o terminal Tietê…”. De fato, pelo que andei vendo por aí, Alice parece funcionar ainda mais em quem, como eu, não nasceu em São Paulo mas acabou indo parar lá.

A única coisa manjada da qual a série não teve muito para onde escapar foi que, para ilustrar a “porralouquice” paulistana, o pessoal carrega a mão nas cenas de sexo, drogas e baladas na Rua Augusta. Mas não se trata de nudez gratuita pra dar audiência: tudo faz parte da narrativa, e mesmo as cenas mais picantes são feitas com bastante, err, tato. E uma dica: recomendo evitar assistir os episódios em locais públicos, como salas de embarque de aeroportos – você pode ser surpreendido por uma cena de sexo lésbico entre duas senhoras de 50 anos, e seus vizinhos de cadeira vão te olhar meio esquisito (experiência própria).

alice_hbo

Mas o que mais gostei da série é que São Paulo não é só uma locação: é uma personagem. Ela vive, ela está na trama, ela afeta todo mundo o tempo todo. Neste ponto eu tiro ainda mais meu chapéu para a cidade, pois são poucos os lugares no mundo que tem personalidade suficiente para atuar em seriados…

Eu, sinceramente, torço pra algum canal aberto comprar os direitos de exibição da série, mesmo que seja pra passar de madrugada. Essa é uma série que merece ser assistida por muita gente. Enquanto isso, dá pra achar os treze episódios num torrent perto de você.

P.s.: Falando em séries nacionais, toda vez que eu vejo uma chamada para a série “Ó Paí O” – derivada de um dos PIORES FILMES NACIONAIS DE TODOS OS TEMPOS – eu tenho uma CRISE de DESESPERO.

Rede Globo deixa famílias menos férteis

Sim, o título deste post é bem sensacionalista. Mas não sou eu quem diz isso, e sim o pessoal de Harvard que, num estudo, percebeu uma correlação entre as novelas da Globo e uma diminuição na quantidade de filhos por família.

O artigo que menciona o estudo, postado no blog da revista Foreign Policy, dá maiores detalhes:

O estudo (…) analisou novelas transmitidas de 1965 a 1999 e descobriu que elas retratam famílias muito menores do que as que atualmente vivem no Brasil. 72% das personagens principais de menos de 50 anos não tinham filhos, e 21% tinham apenas um. Por causa disso, os pesquisadores levantaram a hipótese de que as novelas estivessem agindo como uma forma de controle de natalidade.

Usando dados do censo de 1970 a 1991 e dados de presença da Rede Globo em diferentes mercados, os pesquisadores descobriram que mulheres vivendo em áreas cobertas pelo sinal da emissora têm fertilidade significativamente inferior (e, sim, o estudo avaliou todas as outras variáveis e considerou que a entrada da Globo poderia ter sido efeito de tendências que também contribuem para a diminuição da fertilidade. Estamos poupando você dos detalhes econométricos).

Eu não sei o que é mais curioso nesse estudo: se é o fato de Harvard estar estudando as taxas de natalidade brasileiras ou os comentários adicionais do texto:

Novelas são extremamente populares no Brasil, e a emissora Rede Globo, efetivamente, possui o monopólio das produções (…)

As pessoas que vivem em áreas cobertas pela globo apresentaram uma tendência a batizar seus filhos com nomes de personagens de novela, sugerindo que eram especificamente elas, e não a TV de uma forma geral, que influenciavam a taxa de natalidade.

(Link do artigo via Kottke)

Rápidas

    … ou "coisas longas demais para o Twitter mas curtas demais para virar post":

  • Na sexta-feira, voltando de Ribeirão Preto, a bateria do meu iPod estava nos finalmentes, mas durou EXATAMENTE o tempo do vôo. A precisão foi impressionante, ela acabou no instante em que o desembarque começou.
    Depois duvidam que Steve Jobs é Deus…
  • Semana passada só se falava da CES, a badalada feira da Consumer Electronics Association. Os caras do Gizmodo, o blog de gadgets mais visitado da internet, obviamente foram cobrir a feira. Só que eles levaram um TV-B-Gone (um controle remoto universal) e saíram desligando as TVs e projetores dos stands, só de sacanagem.
    A resposta da administração da CES foi simples e direta: O Gizmodo está banido das próximas feiras.
    Moral da história: Existe uma coisa chamada limites, crianças. Passar deles é muito divertido, mas tem consequências.
  • Falando em TVs, enquanto eu fazia compras no Extra aqui do Itaim, passei na parte de eletro e vi algumas TVs exibindo a Globo em alta definição.
    Esse foi meu primeiro contato com a "TV digital" brasileira, e tive medo, muito medo, porque estava passando "A Turma do Didi". Pensa bem: compensa gastar alguns milhares de reais para poder ver melhor a cara de Marcelo Augusto, Jacaré do É o Tchan, o ex-BBB "Bam-bam" e outras personalidades assustadoras?

Minhas impressões sobre "24 horas" após assistir todos os episódios

AVISO: Tentei não incluir spoilers pra quem ainda não viu a série, portanto meus comentários são tão genéricos quanto possível. Mas se você é xiita com spoilers, sei lá, melhor não ler.

  • A série é, realmente, muito boa e bem viciante. Várias vezes eu e Bethania passamos 5 ou 6 horas assistindo um episódio atrás do outro. A coisa toda é como um graaande filme de ação. E o final de cada episódio praticamente te obriga a dar um "next" no controle do DVD e ver o que acontece depois.
    No entanto eu acho que a série está na hora de acabar. Da quarta temporada pra frente a coisa está indo morro abaixo: parece que as idéias do pessoal acabaram e as mesmas tramas e reviravoltas estão se repetindo incessantemente. A própria Wikipedia tem uma lista de "artifícios de roteiro recorrentes" que, realmente, cansaram. Tomara que eles façam logo o filme da série e dêem tudo por encerrado.
    O que ainda dá sobrevida à "24 horas" é, naturalmente, a bela interpretação que Kiefer Sutherland dá ao personagem principal: Jack Bauer. Jack Bauer, arma em punho, e sua bolsa
  • Jack Bauer é Deus. Ele pode tudo, ele consegue tudo. Sabe aqueles "Chuck Norris Facts"? Naturalmente fizeram também os Jack Bauer Facts. A diferença é que VÁRIOS da lista de Jack Bauer REALMENTE são verdades. Um exemplo da lista: "Não houve mais nenhum ataque terrorista nos EUA desde que Jack Bauer apareceu na TV" 🙂
    Num dos episódios, onde ele era refém de dois terroristas com metralhadoras, prestes a lançar gás paralisante num shopping, ele havia acabado de recobrar a consciência, estava desarmado e algemado no pé de uma mesa. E ainda assim disse: "eu tenho os terroristas exatamente onde queria". Instantes depois ele escapou, matou os terroristas e salvou todo mundo do gás.
    Jack Bauer é o melhor agente federal de todo o universo conhecido. Em seis temporadas eu só vi Jack Bauer errar UM TIRO (é sério). Jack Bauer já morreu e ressuscitou (é sério!). Jack Bauer passou dois anos sendo torturado na China, foi trazido de volta aos EUA pra ser sacrificado e acabou salvando o país mais uma vez (sim, é sério). Ele é expert em combate corpo-a-corpo, sabe pilotar aviões, helicópteros, entende tudo sobre explosivos, bombas, armas, eletrônica e computadores. Sabe de cor todos os protocolos de segurança nacionais. Ele fala espanhol, russo e entende um tiquinho de sérvio também.
  • Além disso tudo, Jack Bauer ainda tem tempo para ser pegador: além da sua esposa "original" ele já se engraçou com uma terrorista, uma mexicana, a mulher do seu irmão, uma mãe solteira e com a filha do Secretário de Defesa. E tudo isso enquanto defendia os EUA dos terroristas.
  • Mas a maior especialidade de Jack é, de longe, a tortura. Ele leva a coisa tão a sério que chegou a torturar mulheres, e três delas eram ou já haviam sido suas próprias namoradas. Jack chegou a torturar até o próprio irmão. Quem é torturado por Jack Bauer sempre acaba cedendo, mas, obviamente, se as coisas se invertem e Jack é que é torturado, ele JAMAIS dá informações.
    As cenas de tortura são tão comuns na série que acabaram induzindo alguns militares americanos, na vida real, a considerar tortura como aceitável. A coisa foi tão feia que o general-brigadeiro Patrick Finnegan foi ao set de 24 Horas para pedir o pessoal pra maneirar nas cenas de tortura. O próprio Kiefer Sutherland visitou uns cadetes de West Point para "desconvencê-los" de que tortura era bom.

 Elenco da sexta temporada

  • Dando uma olhada rápida no Jack Bauer’s Kill Count podemos concluir que Jack matou 175 pessoas durante a série, incluindo: um colega de trabalho (Curtis), um dos seus chefes (Ryan Chappelle), o ex-marido de sua namorada (Paul Raines) e uma ex-namorada que virou terrorista (Nina Myers).
  • Em toda a série temos um total de dois braços decepados a machado. Um deles era o do namorado de Kim Bauer, filha de Jack. Adivinha QUEM decepou o braço?
  • Por sinal, Elisha Cutbert, que fez o papel de Kim Bauer, estava PÉSSIMA no papel. A cada temporada eu torcia pra que ela morresse, de tão irritante que ela era, mas isso nunca chegou a acontecer.
  • Aquele truque de pegar um refém, apontar uma arma pra cabeça dele e usá-lo como escudo NUNCA funciona com Jack Bauer. Eu me lembro de no mínimo três circunstâncias onde algum terrorista fez isso e foi sumariamente executado, instantes depois, com um tiro na cabeça.
  • A ironia máxima de "24 horas" é o fato de que Jack Bauer, o ícone máximo do patriotismo e do amor incondicional aos EUA, é representado por um ator nascido em Londres e criado no Canadá…
  • Nas primeiras temporadas aquele papo de "tudo em tempo real" era levado a sério. Nada era cortado, as viagens de carro duravam exatamente o tempo que tinham que durar, etc. Mas a partir da terceira temporada os roteiristas desistiram de fazer tudo certinho, e em alguns momentos temos algumas "inconsistências", como viagens ao México feitas em questão de minutos.
    O site Jacktracker mostra um overlay do Google Maps com todos os trajetos que Jack fez e o tempo que levou, alguns deles em velocidades inimagináveis. O recorde de velocidade, pelo que vi no site, é quase supersônico: 1038 quilômetros por hora… numa picape!
  • Como tudo é focado na hora na qual o episódio se desenrola, a frase mais dita por todo mundo é "within the hour" (ainda nesta hora). Já Jack Bauer é campeão em dizer "damn it!" (algo como "droga!"), como você pode ver neste vídeo.

Elenco de

  • A Unidade Anti-Terrorista (Counter Terrorist Unit, ou CTU), onde Jack trabalha, é um prédio maldito: oito personagens-chave da série morreram dentro da CTU, ou a serviço dela. A própria esposa de Jack morreu lá dentro, na sala dos servidores. A CTU já foi destruída, invadida e atacada com gás. Em várias temporadas foram descobertos espiões entre os funcionários (provavelmente eles tem o recrutamento mais furado do mundo). Te digo que eu não aceitaria um emprego por lá, por melhor que fosse o salário.
    Além disso, eles tem, ao mesmo tempo, os melhores e os piores sistemas computacionais que existem. Com eles o pessoal consegue, por exemplo, ver a planta baixa de qualquer prédio do mundo em questão de segundos, ou cruzar a lista de passageiros de todos os vôos do país com os registros de todos os hotéis de Los Angeles com uma lista de procurados do FBI. Tudo online. Mas às vezes eles levam 20 minutos para rastrear um simples telefonema.
  • O presidente Lula deveria receber uma cópia de todas as temporadas de "24 Horas" nas quais o presidente é o David Palmer, só pra ele ver como é que se lidera um país. Porque se Jack Bauer é o melhor agente do mundo, David Palmer é o melhor presidente do mundo. Disparado.
    Destaque também para o pior presidente de toda a série, que foi Charles Logan. Digo "destaque" porque o ator que o representou, Gregory Itzin, estava muito bem. A cara de presidente imaturo, orgulhoso e incapaz que Gregory Itzin deu a ele ficou simplesmente excelente.
  • Outro destaque da série é Bill Buchanan, ex-diretor da CTU, representado pelo ator James Morrison. Confesso que queria ser um líder como Bill: sempre equilibrado, sempre por cima das situações e sempre com a confiança irrestrita de toda a sua equipe.
  • Séries são o que há de mais barato na Blockbuster. Usando aquela promoção "leve 3 e pague 2" você aluga uma temporada inteira de uma vez só, e se devolver antecipadamente você ganha crédito de R$ 1,50 por locação. No fim, cada DVD sai por R$ 2,25.
    Claro que pra fazer isso tem um pequeno truque: você precisa copiar os DVDs para seu computador (usando o DVD Shrink, por exemplo) e gravar em DVD-RW pra ir assistindo, porque obviamente não vai dar tempo de ver 6 DVDs a tempo de pegar o crédito da devolução antecipada.
  • Se você já viu bastante 24 Horas, o vídeo abaixo vai ser bastante engraçado. O que aconteceria se Jack Bauer fosse um entregador de pizza?

Britney Spears: a que ponto chegamos?

Em agosto de 2002 eu escrevia neste blog:

Eu, sinceramente, tenho pena da Britney pelo fato da imprensa cair em cima dela igual urubu em carniça. Qualquer coisa é motivo pra escárnio. Se ela vai numa boate e peida, vira notícia de capa do The Sun…

Veja bem, há CINCO anos eu já tinha pena do tanto que a imprensa demoliu Britney Spears. E a coisa só foi piorando desde então.

No domingo passado teve o VMA e, na abertura, uma apresentaçãozinha da Britney. Obviamente, não assisti. Mas eu ia ler meus feeds e os blogs só falavam da Britney. No Twitter só se fala de Britney. Na imprensa só se fala de Britney. Aí eu recebi um link pro vídeo da apresentação dela e fui obrigado a assistir.

Sabe, eu já vi muita coisa nojenta e repugnante na internet, mas nada, NADA tão deprimente quanto a apresentação dela. Segundo a Folha de São Paulo:

A cantora, que apareceu atrapalhada e fora de forma, tentou apresentar sua nova canção “Gimme More”, mas por mais de uma vez foi ajudada pelas dançarinas a mover-se no palco e pareceu confusa.

“Confusa”? Os jornalistas da Folha foram gentis ao usar esse termo. Isso fica evidente logo nos primeiros segundos, quando dão um close bem no meio da cara dela. Os olhinhos se moviam desorientadamente para os lados e dava pra perceber, claramente, que ela não tinha a menor idéia do que estava fazendo. Num espaço de uns 10 segundos ela erra a dublagem da própria música umas duas vezes e o editor da MTV, talvez por piedade, corta para uma câmera mais distante – e não dá mais nenhum zoom até o final da música.

A dança estava razoavelmente bem ensaiada, tanto que Britney não pareceu errar nenhum movimento, não tropeçou ou caiu. Mas ela se movia como uma sonâmbula, uma morta-viva. Ela não se movia para dar um show, ela simplesmente seguia o que lhe programaram pra fazer. Britney simplesmente não era mais personagem de si mesma, e isso estava mais do que evidente. Ela não sabia mais fazer o papel de menina/mulher fatal, que foi o que a alavancou para o sucesso; aliás, ela sequer sabia fazer o papel de cantora pop. E não é difícil entender o porquê: depois de ser consumida pela mídia da forma que ela foi, eu fico surpreso de ainda ter sobrado coragem para ela subir ao palco.

Nenhum ser humano deveria ser submetido ao tratamento que ela teve pela mídia, por pior que seja a música dela. Pense bem: o MUNDO viu ela engordar, emagrecer, raspar a cabeça, ter um filho, ir ao Burger King, etc… Quando houve o incidente da foto sem calcinha a coisa chegou a níveis inimagináveis de divulgação. Aposto que muitos meninos espalhadas pelo mundo vão ver a genitália de Britney Spears antes mesmo de ver, ao vivo, a das primeiras namoradas.

Talvez eu esteja sendo extremista, mas eu realmente acho que Britney Spears é o exemplo mais gritante do quanto a humanidade pode ser podre e impiedosa.