Posts da categoria ‘TV’


Rede Globo deixa famílias menos férteis

12 de June de 2008, 13:26

Sim, o título deste post é bem sensacionalista. Mas não sou eu quem diz isso, e sim o pessoal de Harvard que, num estudo, percebeu uma correlação entre as novelas da Globo e uma diminuição na quantidade de filhos por família.

O artigo que menciona o estudo, postado no blog da revista Foreign Policy, dá maiores detalhes:

O estudo (…) analisou novelas transmitidas de 1965 a 1999 e descobriu que elas retratam famílias muito menores do que as que atualmente vivem no Brasil. 72% das personagens principais de menos de 50 anos não tinham filhos, e 21% tinham apenas um. Por causa disso, os pesquisadores levantaram a hipótese de que as novelas estivessem agindo como uma forma de controle de natalidade.

Usando dados do censo de 1970 a 1991 e dados de presença da Rede Globo em diferentes mercados, os pesquisadores descobriram que mulheres vivendo em áreas cobertas pelo sinal da emissora têm fertilidade significativamente inferior (e, sim, o estudo avaliou todas as outras variáveis e considerou que a entrada da Globo poderia ter sido efeito de tendências que também contribuem para a diminuição da fertilidade. Estamos poupando você dos detalhes econométricos).

Eu não sei o que é mais curioso nesse estudo: se é o fato de Harvard estar estudando as taxas de natalidade brasileiras ou os comentários adicionais do texto:

Novelas são extremamente populares no Brasil, e a emissora Rede Globo, efetivamente, possui o monopólio das produções (…)

As pessoas que vivem em áreas cobertas pela globo apresentaram uma tendência a batizar seus filhos com nomes de personagens de novela, sugerindo que eram especificamente elas, e não a TV de uma forma geral, que influenciavam a taxa de natalidade.

(Link do artigo via Kottke)


Rápidas

13 de January de 2008, 13:33
    … ou "coisas longas demais para o Twitter mas curtas demais para virar post":
  • Na sexta-feira, voltando de Ribeirão Preto, a bateria do meu iPod estava nos finalmentes, mas durou EXATAMENTE o tempo do vôo. A precisão foi impressionante, ela acabou no instante em que o desembarque começou.
    Depois duvidam que Steve Jobs é Deus…
  • Semana passada só se falava da CES, a badalada feira da Consumer Electronics Association. Os caras do Gizmodo, o blog de gadgets mais visitado da internet, obviamente foram cobrir a feira. Só que eles levaram um TV-B-Gone (um controle remoto universal) e saíram desligando as TVs e projetores dos stands, só de sacanagem.
    A resposta da administração da CES foi simples e direta: O Gizmodo está banido das próximas feiras.
    Moral da história: Existe uma coisa chamada limites, crianças. Passar deles é muito divertido, mas tem consequências.
  • Falando em TVs, enquanto eu fazia compras no Extra aqui do Itaim, passei na parte de eletro e vi algumas TVs exibindo a Globo em alta definição.
    Esse foi meu primeiro contato com a "TV digital" brasileira, e tive medo, muito medo, porque estava passando "A Turma do Didi". Pensa bem: compensa gastar alguns milhares de reais para poder ver melhor a cara de Marcelo Augusto, Jacaré do É o Tchan, o ex-BBB "Bam-bam" e outras personalidades assustadoras?

Monica do ‘Heroes’ = Sandy esquecida no sol?

24 de October de 2007, 13:03

Monica e Sandy

É impressão minha ou se derem super-poderes pra Sandy e deixarem ela no sol pra perder um pouco do "bronzeado zumbi" ela fica igualzinha a Monica (Dana Davis), a garçonete, prima do Micah, do seriado Heroes?


Minhas impressões sobre "24 horas" após assistir todos os episódios

12 de September de 2007, 13:30

AVISO: Tentei não incluir spoilers pra quem ainda não viu a série, portanto meus comentários são tão genéricos quanto possível. Mas se você é xiita com spoilers, sei lá, melhor não ler.

  • A série é, realmente, muito boa e bem viciante. Várias vezes eu e Bethania passamos 5 ou 6 horas assistindo um episódio atrás do outro. A coisa toda é como um graaande filme de ação. E o final de cada episódio praticamente te obriga a dar um "next" no controle do DVD e ver o que acontece depois.
    No entanto eu acho que a série está na hora de acabar. Da quarta temporada pra frente a coisa está indo morro abaixo: parece que as idéias do pessoal acabaram e as mesmas tramas e reviravoltas estão se repetindo incessantemente. A própria Wikipedia tem uma lista de "artifícios de roteiro recorrentes" que, realmente, cansaram. Tomara que eles façam logo o filme da série e dêem tudo por encerrado.
    O que ainda dá sobrevida à "24 horas" é, naturalmente, a bela interpretação que Kiefer Sutherland dá ao personagem principal: Jack Bauer. Jack Bauer, arma em punho, e sua bolsa
  • Jack Bauer é Deus. Ele pode tudo, ele consegue tudo. Sabe aqueles "Chuck Norris Facts"? Naturalmente fizeram também os Jack Bauer Facts. A diferença é que VÁRIOS da lista de Jack Bauer REALMENTE são verdades. Um exemplo da lista: "Não houve mais nenhum ataque terrorista nos EUA desde que Jack Bauer apareceu na TV" :)
    Num dos episódios, onde ele era refém de dois terroristas com metralhadoras, prestes a lançar gás paralisante num shopping, ele havia acabado de recobrar a consciência, estava desarmado e algemado no pé de uma mesa. E ainda assim disse: "eu tenho os terroristas exatamente onde queria". Instantes depois ele escapou, matou os terroristas e salvou todo mundo do gás.
    Jack Bauer é o melhor agente federal de todo o universo conhecido. Em seis temporadas eu só vi Jack Bauer errar UM TIRO (é sério). Jack Bauer já morreu e ressuscitou (é sério!). Jack Bauer passou dois anos sendo torturado na China, foi trazido de volta aos EUA pra ser sacrificado e acabou salvando o país mais uma vez (sim, é sério). Ele é expert em combate corpo-a-corpo, sabe pilotar aviões, helicópteros, entende tudo sobre explosivos, bombas, armas, eletrônica e computadores. Sabe de cor todos os protocolos de segurança nacionais. Ele fala espanhol, russo e entende um tiquinho de sérvio também.
  • Além disso tudo, Jack Bauer ainda tem tempo para ser pegador: além da sua esposa "original" ele já se engraçou com uma terrorista, uma mexicana, a mulher do seu irmão, uma mãe solteira e com a filha do Secretário de Defesa. E tudo isso enquanto defendia os EUA dos terroristas.
  • Mas a maior especialidade de Jack é, de longe, a tortura. Ele leva a coisa tão a sério que chegou a torturar mulheres, e três delas eram ou já haviam sido suas próprias namoradas. Jack chegou a torturar até o próprio irmão. Quem é torturado por Jack Bauer sempre acaba cedendo, mas, obviamente, se as coisas se invertem e Jack é que é torturado, ele JAMAIS dá informações.
    As cenas de tortura são tão comuns na série que acabaram induzindo alguns militares americanos, na vida real, a considerar tortura como aceitável. A coisa foi tão feia que o general-brigadeiro Patrick Finnegan foi ao set de 24 Horas para pedir o pessoal pra maneirar nas cenas de tortura. O próprio Kiefer Sutherland visitou uns cadetes de West Point para "desconvencê-los" de que tortura era bom.

 Elenco da sexta temporada

  • Dando uma olhada rápida no Jack Bauer’s Kill Count podemos concluir que Jack matou 175 pessoas durante a série, incluindo: um colega de trabalho (Curtis), um dos seus chefes (Ryan Chappelle), o ex-marido de sua namorada (Paul Raines) e uma ex-namorada que virou terrorista (Nina Myers).
  • Em toda a série temos um total de dois braços decepados a machado. Um deles era o do namorado de Kim Bauer, filha de Jack. Adivinha QUEM decepou o braço?
  • Por sinal, Elisha Cutbert, que fez o papel de Kim Bauer, estava PÉSSIMA no papel. A cada temporada eu torcia pra que ela morresse, de tão irritante que ela era, mas isso nunca chegou a acontecer.
  • Aquele truque de pegar um refém, apontar uma arma pra cabeça dele e usá-lo como escudo NUNCA funciona com Jack Bauer. Eu me lembro de no mínimo três circunstâncias onde algum terrorista fez isso e foi sumariamente executado, instantes depois, com um tiro na cabeça.
  • A ironia máxima de "24 horas" é o fato de que Jack Bauer, o ícone máximo do patriotismo e do amor incondicional aos EUA, é representado por um ator nascido em Londres e criado no Canadá…
  • Nas primeiras temporadas aquele papo de "tudo em tempo real" era levado a sério. Nada era cortado, as viagens de carro duravam exatamente o tempo que tinham que durar, etc. Mas a partir da terceira temporada os roteiristas desistiram de fazer tudo certinho, e em alguns momentos temos algumas "inconsistências", como viagens ao México feitas em questão de minutos.
    O site Jacktracker mostra um overlay do Google Maps com todos os trajetos que Jack fez e o tempo que levou, alguns deles em velocidades inimagináveis. O recorde de velocidade, pelo que vi no site, é quase supersônico: 1038 quilômetros por hora… numa picape!
  • Como tudo é focado na hora na qual o episódio se desenrola, a frase mais dita por todo mundo é "within the hour" (ainda nesta hora). Já Jack Bauer é campeão em dizer "damn it!" (algo como "droga!"), como você pode ver neste vídeo.

Elenco de

  • A Unidade Anti-Terrorista (Counter Terrorist Unit, ou CTU), onde Jack trabalha, é um prédio maldito: oito personagens-chave da série morreram dentro da CTU, ou a serviço dela. A própria esposa de Jack morreu lá dentro, na sala dos servidores. A CTU já foi destruída, invadida e atacada com gás. Em várias temporadas foram descobertos espiões entre os funcionários (provavelmente eles tem o recrutamento mais furado do mundo). Te digo que eu não aceitaria um emprego por lá, por melhor que fosse o salário.
    Além disso, eles tem, ao mesmo tempo, os melhores e os piores sistemas computacionais que existem. Com eles o pessoal consegue, por exemplo, ver a planta baixa de qualquer prédio do mundo em questão de segundos, ou cruzar a lista de passageiros de todos os vôos do país com os registros de todos os hotéis de Los Angeles com uma lista de procurados do FBI. Tudo online. Mas às vezes eles levam 20 minutos para rastrear um simples telefonema.
  • O presidente Lula deveria receber uma cópia de todas as temporadas de "24 Horas" nas quais o presidente é o David Palmer, só pra ele ver como é que se lidera um país. Porque se Jack Bauer é o melhor agente do mundo, David Palmer é o melhor presidente do mundo. Disparado.
    Destaque também para o pior presidente de toda a série, que foi Charles Logan. Digo "destaque" porque o ator que o representou, Gregory Itzin, estava muito bem. A cara de presidente imaturo, orgulhoso e incapaz que Gregory Itzin deu a ele ficou simplesmente excelente.
  • Outro destaque da série é Bill Buchanan, ex-diretor da CTU, representado pelo ator James Morrison. Confesso que queria ser um líder como Bill: sempre equilibrado, sempre por cima das situações e sempre com a confiança irrestrita de toda a sua equipe.
  • Séries são o que há de mais barato na Blockbuster. Usando aquela promoção "leve 3 e pague 2" você aluga uma temporada inteira de uma vez só, e se devolver antecipadamente você ganha crédito de R$ 1,50 por locação. No fim, cada DVD sai por R$ 2,25.
    Claro que pra fazer isso tem um pequeno truque: você precisa copiar os DVDs para seu computador (usando o DVD Shrink, por exemplo) e gravar em DVD-RW pra ir assistindo, porque obviamente não vai dar tempo de ver 6 DVDs a tempo de pegar o crédito da devolução antecipada.
  • Se você já viu bastante 24 Horas, o vídeo abaixo vai ser bastante engraçado. O que aconteceria se Jack Bauer fosse um entregador de pizza?


Britney Spears: a que ponto chegamos?

11 de September de 2007, 16:27

Em agosto de 2002 eu escrevia neste blog:

Eu, sinceramente, tenho pena da Britney pelo fato da imprensa cair em cima dela igual urubu em carniça. Qualquer coisa é motivo pra escárnio. Se ela vai numa boate e peida, vira notícia de capa do The Sun…

Veja bem, há CINCO anos eu já tinha pena do tanto que a imprensa demoliu Britney Spears. E a coisa só foi piorando desde então.

No domingo passado teve o VMA e, na abertura, uma apresentaçãozinha da Britney. Obviamente, não assisti. Mas eu ia ler meus feeds e os blogs só falavam da Britney. No Twitter só se fala de Britney. Na imprensa só se fala de Britney. Aí eu recebi um link pro vídeo da apresentação dela e fui obrigado a assistir.

Sabe, eu já vi muita coisa nojenta e repugnante na internet, mas nada, NADA tão deprimente quanto a apresentação dela. Segundo a Folha de São Paulo:

A cantora, que apareceu atrapalhada e fora de forma, tentou apresentar sua nova canção “Gimme More”, mas por mais de uma vez foi ajudada pelas dançarinas a mover-se no palco e pareceu confusa.

“Confusa”? Os jornalistas da Folha foram gentis ao usar esse termo. Isso fica evidente logo nos primeiros segundos, quando dão um close bem no meio da cara dela. Os olhinhos se moviam desorientadamente para os lados e dava pra perceber, claramente, que ela não tinha a menor idéia do que estava fazendo. Num espaço de uns 10 segundos ela erra a dublagem da própria música umas duas vezes e o editor da MTV, talvez por piedade, corta para uma câmera mais distante - e não dá mais nenhum zoom até o final da música.

A dança estava razoavelmente bem ensaiada, tanto que Britney não pareceu errar nenhum movimento, não tropeçou ou caiu. Mas ela se movia como uma sonâmbula, uma morta-viva. Ela não se movia para dar um show, ela simplesmente seguia o que lhe programaram pra fazer. Britney simplesmente não era mais personagem de si mesma, e isso estava mais do que evidente. Ela não sabia mais fazer o papel de menina/mulher fatal, que foi o que a alavancou para o sucesso; aliás, ela sequer sabia fazer o papel de cantora pop. E não é difícil entender o porquê: depois de ser consumida pela mídia da forma que ela foi, eu fico surpreso de ainda ter sobrado coragem para ela subir ao palco.

Nenhum ser humano deveria ser submetido ao tratamento que ela teve pela mídia, por pior que seja a música dela. Pense bem: o MUNDO viu ela engordar, emagrecer, raspar a cabeça, ter um filho, ir ao Burger King, etc… Quando houve o incidente da foto sem calcinha a coisa chegou a níveis inimagináveis de divulgação. Aposto que muitos meninos espalhadas pelo mundo vão ver a genitália de Britney Spears antes mesmo de ver, ao vivo, a das primeiras namoradas.

Talvez eu esteja sendo extremista, mas eu realmente acho que Britney Spears é o exemplo mais gritante do quanto a humanidade pode ser podre e impiedosa.


A última parada de Parada

3 de August de 2007, 10:31

Deu na Folha que Marcelo Parada, o vice-presidente da Band, saiu da emissora.

Eu acho que isso é um indicativo sério de que Ethan pode reaparecer na próxima temporada de Lost…


Marcelo Parada (esq.) e seu alter ego da série Lost, Ethan (dir.)


The Office ganha prêmio

26 de June de 2007, 22:13

W00t! O pessoal da contabilidade do The Office (uma de minhas séries pediletas) ganhou um Webby Award de “outstanding broadband program - Comedy” (Melhor programa para banda larga - Comédia) pelos seus webisodes!…


O Primo recomenda: Joost

25 de May de 2007, 13:12

Eu ia fazer um loooongo post sobre o Joost. Porque o troço é revolucionário e, se deixar, eu falaria dele por horas a fio. Mas vou tentar me concentrar só no que interessa mesmo.

A idéia do Joost, criado pelos mesmos caras que fizeram o Skype e o Kazaa, é distribuir conteúdo legal de TV pela internet. Digo “legal” nos dois sentidos: “divertido” e “judicialmente nos conformes”. Por baixo do capô o Joost usa tecnologia peer-to-peer - ironicamente, a mesma usada pra piratear séries e filmes -, para garantir vídeo de qualidade sem “engasgar” na velocidade da sua internet.

O maior ponto forte do Joost é que ele, bem, ele é lindo, simples, poderoso e funcional. Coisa rara no mundo dos softwares de hoje em dia.


Assistindo um videoclipe. Note os controles no rodapé e nas bordas da tela, que aparecem e somem com apenas um clique.
A interface é de cair o queixo. Parafraseando o Unibanco, “nem parece software”. Você abre o Joost e ele ocupa a tela toda como se dissesse “agora você não está mais usando seu micro, está vendo TV. Senta aí e relaxa”. Não tem configurações, “settings”, “loading”, “connecting”, nada: Você liga e sai assistindo. A resolução é ótima, o som é ótimo e a quantidade de canais e programas, apesar do pouco tempo de vida do Joost, é enorme. Usar o Joost é tão intuitivo quanto usar uma TV normal. A experiência toda é tão esteticamente agradável e gratificante que o Joost parece ser um produto da Apple…


Cada canal tem esta tela para escolha dos (inúmeros) programas. Ao fundo está passando o impagável videoclipe do “Chacarron”, para fins… didáticos.
No entanto o Joost tem dois “comportamentos” que me incomodaram profundamente. O primeiro é que, ao “desligar” o Joost, ele vai continuar ativo na bandeja do sistema, “transmitindo” a programação que você já viu para outros usuários, e devorando seu link internet. Sem avisar. Aí você se pergunta: “Bem, se o Joost está retransmitindo o que eu já assisti, ele tem que ter gravado os vídeos no meu disco”. Pois é: o Joost não vai avisar que fez isto, não dirá onde gravou e sequer vai te deixar configurar o quanto de espaço em disco ele pode ocupar. Fuçando um pouquinho o meu PC eu acabei achando as gravações em “Documents and Settings\[nome do meu usuário]\Dados de Aplicativos\Joost\anthill”, num arquivo chamado “anthill.cache”. “Ant hill” significa “formigueiro” e, da última vez que eu conferi, o meu tinha consumido 854 MB de disco. Pode parecer picuinha, mas eu detesto software que vai chegando e fazendo o que quer. Pô, meu PC não é casa da mãe Joana…

Além disso, o conteúdo do Joost ainda gira muito em torno dos canais pequenos e independentes. A programação de “TV de verdade” depende de convencer aqueles velhos executivos das emissoras, com suas cabeças (e advogados) retrô, que liberar seus programas, de graça, pela Internet, nesses tempos de pirataria desenfreada, é bom. Pra mim o sucesso do Joost depende exclusivamente disto. Mas parece que os velhos executivos estão ganhando, já que o Joost recentemente implantou “bloqueios regionais” e parou de transmitir alguns canais para fora dos EUA, o que deixou vários usuários europeus xingando no fórum do Joost.com.

Ainda assim o Joost é muito promissor e vale uma boa olhada. Recomendado.

P.s.: Como o Joost ainda é beta, precisa de convite para poder usá-lo. Pegue um aqui, mas corra antes que acabem…


Legenders: os "Heroes" da Internet

19 de May de 2007, 11:05

Eu tenho uma rotina de downloads semanais das minhas séries favoritas: na terça eu baixo o Heroes novo, na quinta eu baixo o Lost novo e, na sexta, baixo o The Office novo.

Depois que vão ao ar, as séries mais quentes (como Lost) levam no máximo uma hora para aparecer na internet, normalmente via Bit Torrent. Isso acontece por volta de uma da manhã. A fomeagem é tanta que muitas séries são capturadas no Canadá porque passam mais cedo do que nos US and A.
Lá pelas quatro e meia da manhã já começam a aparecer as legendas, que são o tema deste post.

Na Internet brasileira há uma “cena” interessante e ativa de grupos de tradução. Uma molecada, boa de inglês, que se junta em equipes que se subdividem por função: tradutores, revisores e sincronizadores. Existem grupos de uma pessoa só ou equipes grandes com até treze pessoas, que ficam acordadas por madrugadas a fio e fazem tudo só por diversão… e para verem os seus nomes se espalhando nos créditos das legendas.

A série The Office, minha comédia favorita, não tem tanta competição: no site Legendas.tv apenas um grupo (The Office BR), de duas pessoas, faz as traduções. A legenda fica pronta no domingo, três dias após o episódio ir ao ar. Este fato, somado com o meu excesso de tempo livre, me despertou uma curiosidade: “E se eu legendar a série? Será que consigo lançar antes deles?”

Uma rápida conversa com o Tio Google e eu já tinha tudo que precisava para legendar o episódio 23, o penúltimo da temporada, ainda sem legenda até a semana passada. Graças a um software chamado VisualSubSync, o processo todo é estupidamente simples.

No canto esquerdo tem o áudio do episódio, em forma de onda sonora. Você seleciona o trecho onde alguém diz algo e digita a legenda naquela parte branca abaixo da tela. Acima dela fica a lista das legendas já digitadas. O programa, apesar de freeware, é estável, extremamente fácil de usar e poderoso: além das legendas ele tem uma função de checagem que mostra um relatório de erros nas legendas, indicando lugares onde ela ficou muito longa ou muito curta, ou onde o texto não fica tempo suficiente na tela para ser lido. Coisa linda de Deus.

Apesar de fácil, legendar um episódio de uma série leva tempo. Muuuuito tempo. Pelos meus cálculos, eu levei uns dez minutos para legendar cada minuto do episódio, contando o tempo de revisão. Um episódio de meia hora, que tem vinte minutos “úteis” de conteúdo, feito por uma só pessoa (eu, no caso), fica pronto em umas três horas e meia. Se contarmos cada fala - cada trecho de texto mostrado na tela - um episódio desses costuma dar umas 600 falas, digitadas e sincronizadas uma a uma. O “season finale” do The Office, que durou mais de 40 minutos, teve quase mil falas legendadas…

Como se o volume de trabalho já não fosse suficiente, ainda tem os problemas inerentes da linguagem, como quando dá briga e vários personagens falam ao mesmo tempo, trechos onde eles falam muito rápido e você tem que encaixar muito texto em pouco tempo ou ainda trechos com piadas com a língua inglesa, citações de personalidades americanas ou nomes próprios em inglês que são desconhecidos em português. E ainda tem os momentos onde o pessoal fala e você não entende nada, não porque você não sabe inglês, mas porque você desconhece o assunto que eles estão citando. Enquanto legendava o episódio 23, eu levei uma meia hora para “decifrar” uma piada que envolvia personagens do mundo de Harry Potter, já que nunca li os livros.

Depois de muito sangue, suor e lágrimas (e piadas), às 10 da manhã de sábado eu botei no ar a legenda do episódio 23, lançada mais cedo do que nunca, 36 horas após o episódio ir ao ar. Confesso que tive um prazer egocêntrico ao ver as pessoas baixando, às centenas, a legenda no Legendas.tv, e ao ouvir os comentários de “já tem legenda? valeu!” no Orkut. A versão do grupo “oficial” de tradução saiu apenas no domingo, como de costume. Eu baixei só pra comparar e ainda acho que minha legenda ficou melhor.

Eu me animei com a coisa e passei o dia de hoje traduzindo o “season finale” da série: 40 minutos de episódio, seis horas de trabalho para legendar. Mas, modéstia às favas, a legenda ficou ótima. Eu ia bater meu recorde e colocá-la no ar na tarde da própria sexta-feira, menos de 24 horas após a exibição do episódio, mas Lady Murfy não deixou: o Velox fez o favor de sair do ar às cinco da tarde, logo que terminei a legenda. Só consegui colocá-la no ar no sábado de manhã.

A moral dessa história toda é que temos que dar os devidos créditos pros legenders, que ficam trabalhando madrugada afora: não é nada fácil, eles nao ganham nada com isso, mas são eles que garantem a diversão “legalmente questionável” de muita gente. E digo mais: esse tipo de atitude virtual comunitária e voluntária para distribuir entretenimento é base da revolução que, pouco a pouco, vai apagar os antigos modelos de TV, rádio e copyright do mundo de hoje. É legal fazer parte disso, é legal ver isto acontecer. Pode me chamar de nerd, mas é algo que vou adorar contar pros meus netos.

Ah, antes que vocês perguntem nos comentários, sim, eu vou mandar um email pro grupo “oficial” de tradução da série e oferecer uma mãozinha: não faz sentido ficar morrendo de trabalhar só pra competir com eles, sendo que tenho muito a oferecer para ajudar. E além do mais, se Deus quiser, na próxima semana eu já não terei o dia inteiro para legendar: tem um projeto novo engatilhado pra mim, possivelmente aqui em BH. Será mesmo? Veremos…


"Você não pode vê-lo?"

11 de May de 2007, 14:36

Se você já tiver assistido o episódio 20 da terceira temporada de Lost, que passou anteontem nos EUA, clique aqui e veja algo que, provavelmente, você nem notou na cena da cabana


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