Posts da categoria ‘TV’


The Office ganha prêmio

26 de junho de 2007, 22:13

W00t! O pessoal da contabilidade do The Office (uma de minhas séries pediletas) ganhou um Webby Award de “outstanding broadband program – Comedy” (Melhor programa para banda larga – Comédia) pelos seus webisodes!…


O Primo recomenda: Joost

25 de maio de 2007, 13:12

Eu ia fazer um loooongo post sobre o Joost. Porque o troço é revolucionário e, se deixar, eu falaria dele por horas a fio. Mas vou tentar me concentrar só no que interessa mesmo.

A idéia do Joost, criado pelos mesmos caras que fizeram o Skype e o Kazaa, é distribuir conteúdo legal de TV pela internet. Digo “legal” nos dois sentidos: “divertido” e “judicialmente nos conformes”. Por baixo do capô o Joost usa tecnologia peer-to-peer – ironicamente, a mesma usada pra piratear séries e filmes -, para garantir vídeo de qualidade sem “engasgar” na velocidade da sua internet.

O maior ponto forte do Joost é que ele, bem, ele é lindo, simples, poderoso e funcional. Coisa rara no mundo dos softwares de hoje em dia.


Assistindo um videoclipe. Note os controles no rodapé e nas bordas da tela, que aparecem e somem com apenas um clique.
A interface é de cair o queixo. Parafraseando o Unibanco, “nem parece software”. Você abre o Joost e ele ocupa a tela toda como se dissesse “agora você não está mais usando seu micro, está vendo TV. Senta aí e relaxa”. Não tem configurações, “settings”, “loading”, “connecting”, nada: Você liga e sai assistindo. A resolução é ótima, o som é ótimo e a quantidade de canais e programas, apesar do pouco tempo de vida do Joost, é enorme. Usar o Joost é tão intuitivo quanto usar uma TV normal. A experiência toda é tão esteticamente agradável e gratificante que o Joost parece ser um produto da Apple…


Cada canal tem esta tela para escolha dos (inúmeros) programas. Ao fundo está passando o impagável videoclipe do “Chacarron”, para fins… didáticos.
No entanto o Joost tem dois “comportamentos” que me incomodaram profundamente. O primeiro é que, ao “desligar” o Joost, ele vai continuar ativo na bandeja do sistema, “transmitindo” a programação que você já viu para outros usuários, e devorando seu link internet. Sem avisar. Aí você se pergunta: “Bem, se o Joost está retransmitindo o que eu já assisti, ele tem que ter gravado os vídeos no meu disco”. Pois é: o Joost não vai avisar que fez isto, não dirá onde gravou e sequer vai te deixar configurar o quanto de espaço em disco ele pode ocupar. Fuçando um pouquinho o meu PC eu acabei achando as gravações em “Documents and Settings\[nome do meu usuário]\Dados de Aplicativos\Joost\anthill”, num arquivo chamado “anthill.cache”. “Ant hill” significa “formigueiro” e, da última vez que eu conferi, o meu tinha consumido 854 MB de disco. Pode parecer picuinha, mas eu detesto software que vai chegando e fazendo o que quer. Pô, meu PC não é casa da mãe Joana…

Além disso, o conteúdo do Joost ainda gira muito em torno dos canais pequenos e independentes. A programação de “TV de verdade” depende de convencer aqueles velhos executivos das emissoras, com suas cabeças (e advogados) retrô, que liberar seus programas, de graça, pela Internet, nesses tempos de pirataria desenfreada, é bom. Pra mim o sucesso do Joost depende exclusivamente disto. Mas parece que os velhos executivos estão ganhando, já que o Joost recentemente implantou “bloqueios regionais” e parou de transmitir alguns canais para fora dos EUA, o que deixou vários usuários europeus xingando no fórum do Joost.com.

Ainda assim o Joost é muito promissor e vale uma boa olhada. Recomendado.

P.s.: Como o Joost ainda é beta, precisa de convite para poder usá-lo. Pegue um aqui, mas corra antes que acabem…


Legenders: os "Heroes" da Internet

19 de maio de 2007, 11:05

Eu tenho uma rotina de downloads semanais das minhas séries favoritas: na terça eu baixo o Heroes novo, na quinta eu baixo o Lost novo e, na sexta, baixo o The Office novo.

Depois que vão ao ar, as séries mais quentes (como Lost) levam no máximo uma hora para aparecer na internet, normalmente via Bit Torrent. Isso acontece por volta de uma da manhã. A fomeagem é tanta que muitas séries são capturadas no Canadá porque passam mais cedo do que nos US and A.
Lá pelas quatro e meia da manhã já começam a aparecer as legendas, que são o tema deste post.

Na Internet brasileira há uma “cena” interessante e ativa de grupos de tradução. Uma molecada, boa de inglês, que se junta em equipes que se subdividem por função: tradutores, revisores e sincronizadores. Existem grupos de uma pessoa só ou equipes grandes com até treze pessoas, que ficam acordadas por madrugadas a fio e fazem tudo só por diversão… e para verem os seus nomes se espalhando nos créditos das legendas.

A série The Office, minha comédia favorita, não tem tanta competição: no site Legendas.tv apenas um grupo (The Office BR), de duas pessoas, faz as traduções. A legenda fica pronta no domingo, três dias após o episódio ir ao ar. Este fato, somado com o meu excesso de tempo livre, me despertou uma curiosidade: “E se eu legendar a série? Será que consigo lançar antes deles?”

Uma rápida conversa com o Tio Google e eu já tinha tudo que precisava para legendar o episódio 23, o penúltimo da temporada, ainda sem legenda até a semana passada. Graças a um software chamado VisualSubSync, o processo todo é estupidamente simples.

No canto esquerdo tem o áudio do episódio, em forma de onda sonora. Você seleciona o trecho onde alguém diz algo e digita a legenda naquela parte branca abaixo da tela. Acima dela fica a lista das legendas já digitadas. O programa, apesar de freeware, é estável, extremamente fácil de usar e poderoso: além das legendas ele tem uma função de checagem que mostra um relatório de erros nas legendas, indicando lugares onde ela ficou muito longa ou muito curta, ou onde o texto não fica tempo suficiente na tela para ser lido. Coisa linda de Deus.

Apesar de fácil, legendar um episódio de uma série leva tempo. Muuuuito tempo. Pelos meus cálculos, eu levei uns dez minutos para legendar cada minuto do episódio, contando o tempo de revisão. Um episódio de meia hora, que tem vinte minutos “úteis” de conteúdo, feito por uma só pessoa (eu, no caso), fica pronto em umas três horas e meia. Se contarmos cada fala – cada trecho de texto mostrado na tela – um episódio desses costuma dar umas 600 falas, digitadas e sincronizadas uma a uma. O “season finale” do The Office, que durou mais de 40 minutos, teve quase mil falas legendadas…

Como se o volume de trabalho já não fosse suficiente, ainda tem os problemas inerentes da linguagem, como quando dá briga e vários personagens falam ao mesmo tempo, trechos onde eles falam muito rápido e você tem que encaixar muito texto em pouco tempo ou ainda trechos com piadas com a língua inglesa, citações de personalidades americanas ou nomes próprios em inglês que são desconhecidos em português. E ainda tem os momentos onde o pessoal fala e você não entende nada, não porque você não sabe inglês, mas porque você desconhece o assunto que eles estão citando. Enquanto legendava o episódio 23, eu levei uma meia hora para “decifrar” uma piada que envolvia personagens do mundo de Harry Potter, já que nunca li os livros.

Depois de muito sangue, suor e lágrimas (e piadas), às 10 da manhã de sábado eu botei no ar a legenda do episódio 23, lançada mais cedo do que nunca, 36 horas após o episódio ir ao ar. Confesso que tive um prazer egocêntrico ao ver as pessoas baixando, às centenas, a legenda no Legendas.tv, e ao ouvir os comentários de “já tem legenda? valeu!” no Orkut. A versão do grupo “oficial” de tradução saiu apenas no domingo, como de costume. Eu baixei só pra comparar e ainda acho que minha legenda ficou melhor.

Eu me animei com a coisa e passei o dia de hoje traduzindo o “season finale” da série: 40 minutos de episódio, seis horas de trabalho para legendar. Mas, modéstia às favas, a legenda ficou ótima. Eu ia bater meu recorde e colocá-la no ar na tarde da própria sexta-feira, menos de 24 horas após a exibição do episódio, mas Lady Murfy não deixou: o Velox fez o favor de sair do ar às cinco da tarde, logo que terminei a legenda. Só consegui colocá-la no ar no sábado de manhã.

A moral dessa história toda é que temos que dar os devidos créditos pros legenders, que ficam trabalhando madrugada afora: não é nada fácil, eles nao ganham nada com isso, mas são eles que garantem a diversão “legalmente questionável” de muita gente. E digo mais: esse tipo de atitude virtual comunitária e voluntária para distribuir entretenimento é base da revolução que, pouco a pouco, vai apagar os antigos modelos de TV, rádio e copyright do mundo de hoje. É legal fazer parte disso, é legal ver isto acontecer. Pode me chamar de nerd, mas é algo que vou adorar contar pros meus netos.

Ah, antes que vocês perguntem nos comentários, sim, eu vou mandar um email pro grupo “oficial” de tradução da série e oferecer uma mãozinha: não faz sentido ficar morrendo de trabalhar só pra competir com eles, sendo que tenho muito a oferecer para ajudar. E além do mais, se Deus quiser, na próxima semana eu já não terei o dia inteiro para legendar: tem um projeto novo engatilhado pra mim, possivelmente aqui em BH. Será mesmo? Veremos…


"Você não pode vê-lo?"

11 de maio de 2007, 14:36

Se você já tiver assistido o episódio 20 da terceira temporada de Lost, que passou anteontem nos EUA, clique aqui e veja algo que, provavelmente, você nem notou na cena da cabana


Breaking News

25 de julho de 2006, 16:52

Neste caso, breaking news significa “notícia ‘quebra-perna’” mesmo: Bethania me contou no MSN que o Rodrigo Santoro estará na terceira temporada de Lost.

Bem, não vou criticar nem nada porque, afinal, ele está levando o nome do meu país para o resto do mundo. E estou torcendo para que dessa vez ele tenha falas maiores que “por favor” e “obrigado”…


A Semana do Presidente

30 de junho de 2006, 15:26

E parece que um caminhão me atropelou, e que depois jogaram meus restos num moedor de carne. Tou um bagaço. Não vejo a hora de entrar no avião e ir pra casa.

Trabalhei alguns dias no hotel até tarde e parava só para o cooper e pra dormir mesmo. Na quarta e quinta-feira não sobrava ânimo nem pra aproveitar a internet super-veloz do hotel, e eu acabava “desligando” meu cérebro com a tevê mesmo.

Por sorte, a MTV me ajudou muito nesse sentido na quarta-feira, com o programa Ponto Pê. Uma das ligações era de um rapaz que dizia não ter sucesso com as mulheres. Papo vai, papo vem, a Penélope dá o conselho final para o rapaz:

- Cara… eu acho que você é viado! Vai dar essa bunda, vai!

Falando nisso, hoje às cinco da manhã eu acordei com um barulho estranho, um misto de duas vozes grunhindo assustadoramente:

- Unnghghhhhhh… AAAAAHHHHHHHH!!!

Aí pulei da cama, olhei em volta, não tinha nada. E as vozes, uma masculina e outra feminina, suspiraram aliviadas:

- Ahhh…

Era o casal do quarto ao lado fazendo sexo. Já é a segunda vez esse mês…

Na quinta eu aproveitei a hora do almoço para ir ao Barra Shopping, tentar comprar ingressos pro Cirque du Soleil, que vem pro Rio em Novembro.

O Barra Shopping é um lugar estranho: o supra-sumo do luxo está lá, os corredores (enormes) estão abarrotados de gente bonita, rica e bem-arrumada, e eu me sentia fisicamente mal lá dentro, justamente por causa disso. Tanto que procurei rapidamente a fila dos ingressos pra sair de lá o quanto antes.


Uma parte da fila pros ingressos do Cirque

Aí, quando achei a fila, saí, fui a um McDonalds e comprei pela internet mesmo.

Depois, fui almoçar. Sentei na praça de alimentação com a minha salada (de alface velha do Montana’s Express – horrível, não coma lá). De repente, três mulheres aparecem e perguntam:

- Essas cadeiras tão ocupadas?

Achei que elas iriam levar as cadeiras, mas, para minha surpresa, as três sentaram sem a menor cerimônia. Levei um susto: o que era aquilo? Cara-de-pau? Teste de fidelidade? Só depois me lembrei que me contaram que no Rio é assim, o pessoal divide a mesa com estranhos nos restaurantes quando eles estão cheios.

Na volta pude ver, pela primeira vez, a famosa favela da Rocinha. Fiquei até curioso pra saber como é aquilo ali. Lembro que os panfletos de “city-tour” que vi nos hotéis incluíam a Rocinha como um dos destinos. Quem sabe um dia.

P.s.: Pra piorar o status da semana, descobri que não coloquei cuecas na minha mala. Aí tive que lavar a que eu estava usando todo dia debaixo do chuveiro. Vida de viajante é isso aí…


Fatos televisivos d’O Primo

28 de junho de 2006, 0:09

Ato falho ultranerd hoje, assistindo Brasil vs. Gana na TV. Me peguei pensando:

“Hehe, aposto que anteontem já devia ter o VT desse jogo no BitTorrent pra baixar… não, peraí…”

Eu me odeio por isso, mas me pego assistindo o canal Shoptime mais vezes do que gostaria. Tanto que já decorei o procedimento de venda de Ciro Bottini, o vendedor mais chato da TV.

Quer fazer o teste? Ligue no Shoptime e, eu garanto que, em um minuto de programa, ele:

1) Vai mencionar o “certificado dedão Bottini de qualidade” e mostrar o polegar para a câmera;
2) Vai dizer: “Simpson, paaaaaalmas para este produto maravilhoso!!” ou pedir uma música nova.
3) Vai conversar consigo mesmo usando uma vozinha fininha: “Mas é bom meeesmo Bottini?”, depois responder com voz normal: “Claaaaro que é bom!”
4) Vai fechar o punho e “martelar” em frente à câmera, dizendo, com os dentes cerrados: “COOOMPRE! COOOMPRE! AGOOORA!”


Uma semana de conteúdo num único post

9 de junho de 2006, 14:36

É estranho. Antes eu tava com insônia. Agora eu durmo sete, até oito horas por noite, mas continuo acordando com uma cara de “fui para a balada, saí às seis da manhã, só tomei um banho e já estou aqui trabalhando de novo”.

Se pelo menos minhas olheiras tivessem essa justificativa ainda estava bom. A coisa mais radical que fiz ontem à noite foi assistir O Silêncio dos Inocentes na tevê, pela quinta vez. Eu adoro esse filme, ele se torna cada vez mais genial toda vez que assisto.

Por sinal, ele consegue uma proeza que poucos filmes conseguem: ser bom até na versão dublada…

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Falando nisso… um filme que fica melhor que o original quando dublado é O Grande Dragão Branco, crááásico com Jean Claude Van Damme. O mais legal é o final: mesmo cego, ele derrota Chong Li, segura-o pelos cabelos e grita: “Diga!! DIGA!!!”

Fica tão tosco que fica legal.

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Ficar no Rio de Janeiro tem um inconveniente: todo lugar que eu vejo dispara uma música na minha cabeça.

Ao ver o Cristo Redentor: “No Corcovado… quem abre os braços sou eu…” (Paralela, música de Belchior)

Passando por Copacabana: “Copacabana, princesinha do mar…” (Copacabana, de Braguinha e Alberto Ribeiro) ou a Copacabana em inglês, de Barry Manilow, que de geografia não sacava nada:

“At the Copa… Copacabana…
The hottest spot north of Havana…”

Ao pousar no Santos Dumont, o nível melhora: Samba do Avião, de Tom Jobim:

Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
(…)
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara…

Aí o táxi passa por Ipanema e dispara na minha cabeça a mais manjada de todas: a Garota de Ipanema. Só que na versão do dueto de João Gilberto com uma mulher que eu não faço a mínima idéia de quem é e que canta em inglês.

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O síndico do meu prédio deixou uma carta no nosso apartamento semana passada. Dizia assim:

“Srs. Condôminos,

Viemos através desta, solicitar à todos os moradores do Ed. XXX que respeitem a lei do silêncio, pois alguns condôminos tem reclamado do excessivo barulho de ruídos que incomodam a boa convivência em um condomínio…”

Além de zeloso, o cara é um gênio da língua portuguesa.

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E meu notebook está oficialmente indo para o saco. A lista de problemas dele é:

1) A tela não para mais em pé e eu tenho que usar uma caneta como alavanca (foto) pra conseguir trabalhar
2) O plástico da beirada da tela está trincado (na foto dá pra ver mais ou menos isso, no canto inferior direito)
2) Ao ligar, eu preciso empurrar a gaveta do drive de CD pra dentro com o dedo, caso contrário dá um “IDE #1 ERROR” e o micro não inicializa.
3) Faltam vários parafusos da parte de baixo do notebook. Está assim desde aquela vez em que o notebook foi pra conserto na péssima SOS Notebooks…
4) Ao andar com o notebook na mochila, a tela acabou arranhando ao se “esfregar” na superfície do teclado.
5) A bateria não dura nem o suficiente para ligar o computador: morre antes da tela de login do Windows
6) A saída do alto-falante (aonde a caneta está apoiada na foto) está amassada. Foi uma vez que coloquei a mochila nas costas e, no balanço da mochila, ela bateu na quina de uma mesa.


Lost – Os 40 dias e Walt falando ao contrário

8 de maio de 2006, 23:23

O Lost de hoje foi meio frustrante porque foi reprise de tudo que aconteceu desde o começo da série. Pra quem nunca viu é um prato cheio (e reprisa às 20h deste domingo no AXN).

Mas foi bom que deu pra notar duas coisas.

Uma é que o Mr. Eko, o equivalente ao Locke na turma da cauda do avião, me lembrou a história bíblica de Zacarias, pai de João Batista.

Segundo a Bíblia, quando Zacarias foi avisado por um anjo que a mulher dele ia ficar grávida, ele duvidou, porque ela já era mais velha e tal. O anjo deixou Zacarias mudo até que João nascesse. Lembram que Mr. Eko é um cara de boa índole e de vez em quando fala de religião? Pois é…

Além do mais, Eko ficou mudo por 40 dias. Tem muita coisa na Bíblia que dura 40 dias: Jesus, na sua vocação, foi ao deserto e jejuou por 40 dias e 40 noites. O dilúvio durou 40 dias. Moisés jejuou no Monte Sinai por 40 dias. E 40 lembra “quarentena”, a palavra que estava gravada na famosa escotilha do meio da selva…

A outra descoberta foi com o auxílio da internet. Quando Walt aparece para Shannon, ele diz algo ao contrário, e o que ele diz é: “Eles estão vindo, e rápido”. E na cena onde Shannon vê Walt na selva, surpresa… o que ele diz, ao contrário, é “Don’t push the button, the button is bad” (Não pressione o botão, o botão é mau)


TV – É o que você vê

29 de janeiro de 2006, 22:48

O trabalho na emissora de tevê vai a todo vapor. E depois de alguns meses convivendo no meio televisivo eu posso afirmar, com considerável certeza, que sei o porquê da TV aberta ser tão ruim e ter tanta baixaria.

Meu querido leitor, minha querida leitora… a culpa é TODA SUA.

A programação da televisão é baseada em uma única coisa: a audiência. Os diretores de programa comandam as atrações que vão ao ar a partir daquelas salas cheia de televisões e de aparelhos incrementados, como a foto acima: essa sala é chamada de “switcher”. O que você não sabe é que nesse switcher tem um computador conectado ao IBOPE, mostrando, em tempo real, a audiência de todos os canais. Durante os programas ao vivo, o diretor insere ou retira atrações do programa baseando-se na resposta da audiência, que ele acompanha o tempo todo. A febre do IBOPE é impressionante – todas as vezes em que eu faço uma reunião com algum diretor de programa, ele normalmente sabe de cor os números da audiência do seu programa. Sabe, inclusive, quanto cada uma das atrações do programa rendem em pontos de audiência, e também os números dos seus concorrentes diretos.

Além da informação em tempo real há também a informação detalhada, minuto a minuto, por faixa etária e classe social. Tudo disponível, de todas as emissoras, para consulta e todo tipo de análise. Com esse dado as emissoras sabem muito sobre o seu público. Sabem quando ele pára de assistir a novela e muda de canal para ver o jornal. Sabem quantas crianças estão em frente à tevê, e em quais horários. Sabem que as mulheres aposentadas das classes mais pobres adoram um tipo xis de programa. E com um feedback desses, tão detalhado, as emissoras correm para montar uma programação “ao gosto do freguês” – que informa a todo instante se está gostando ou não do que vê.

Alguns meses atrás a RedeTV! teve problemas com o Ministério Público e foi obrigada, por liminar, a exibir programas educativos. Um deles chamava-se “Direitos de Resposta” e passava à tarde, no lugar das pegadinhas do João Kleber. A audiência média deste programa era de mais ou menos 0,3 pontos – um ponto equivale a 52,3 mil domicílios na grande São Paulo. Mas isso é muito ou é pouco? Pra se ter uma idéia, a “Sessão da Tarde” da Globo, no mesmo horário, dá quase 25 pontos. O “Chaves” no SBT sempre dá mais de 10 pontos. E a novela das oito na Globo, a maior audiência do prime time da TV brasileira, dá uns 45 pontos, e pode chegar aos 70 num último capítulo.

Em resumo, meus caros, todo o esforço da TV é para mostrar o que você quer ver. Mesmo que na pesquisa de rua você saia dando uma de bom moço e responda que queria ver mais programas educativos na telinha, saiba que as emissoras estão sentadas com você no sofá da sala da sua casa, no meio da noite, e vêem você trocando uma entrevista no Roda Viva da TV Cultura por uma entrevista com um travesti no Superpop da Luciana Gimenez…


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