Twitter pelo celular: como usar, opções e custos

Updating Twitter (by Balleyne on Flickr)

A combinação Twitter e celular é simplesmente perfeita. As mensagens curtas do Twitter parecem ter sido feitas para serem lidas nas telas pequenas dos aparelhos. O conteúdo, ágil e direto, é ideal para aquela leitura ocasional no ponto de ônibus ou na fila do banco. No entanto, o uso do serviço via celular, aqui no Brasil, parece que nunca decolou.

Acho que as pessoas pensam que você precisa de um smartphone ou Blackberry ou iPhone pra usar internet – e consequentemente o Twitter –  no celular, quando, na verdade, a maioria dos celulares fabricados após 2001  pode acessar a internet. Se seu telefone, por mais tosco que seja, tiver MMS ou Java, aí então é garantido.

E se seu celular tem Java, uma dica muito quente: baixe e instale o Opera Mini no seu telefone. É gratuito, funciona mesmo nos telefones mais toscos do universo, é super rápido e ainda reformata as páginas para ficarem legíveis no displayzinho do seu aparelho. Com o Opera Mini você acessa qualquer página da internet, mesmo que ela não tenha versão acessível para celular. Eu me lembro de, em 2008, conseguir acompanhar vários debates da primeira Campus Party no banco de trás de um carro que viajava pelo interior de Santa Catarina só acompanhando o Twitter na telinha minúscula de um Sony Ericsson W200i.

Superadas as dificuldades técnicas, vem o segundo mito: o custo. Acontece que com a chegada do 3G a internet móvel barateou muito, e mesmo que você não tenha um plano de dados vai pagar apenas algo em torno de R$ 1 para cada megabyte avulso que gastar. Veja a tabelinha abaixo (valores para o DDD 11):

custos internet móvel

Mas quanto de Twitter eu posso usar gastando apenas um megabyte? Se você acessar a versão mobile do Twitter (m.twitter.com), que só tem texto, vai gastar apenas uns 6 kb em cada acesso – ou seja, dá pra cento e setenta acessos. É muito barato.

O Twitter Mobile é bem limitado em termos de funcionalidades. Para usar todas as funções do serviço no celular, o melhor é usar os sites de terceiros, como o dabr.co.uk (minha sugestão) ou o twittme.mobi. Veja aí embaixo a cara e as funcionalidades dos três:

Sites para Twitter Mobile

Da esquerda para a direita: Twitter Mobile, dabr.co.uk e TwittMeComparativo de sites para Twitter mobile

Além destes três tem o Slandr.net (que já usei muito, mas que atualmente anda instável e tem menos funcionalidades que todos os outros) e o mobile.twitter.com – também oficial do Twitter e com bem mais funcionalidades, mas que só funciona em celulares com navegadores mais robustos.

Outras dicas:

  • Se você quiser usar um aplicativo Java ao invés de sites de terceiros, o pessoal do Twitcast dá algumas opções neste post.
  • Se seu celular for realmente tosco e não tiver internet, ainda assim dá pra usar o Twitter via mensagens de texto simples, usando o Sms2Blog. Você só paga o custo da mensagem (normalmente R$ 0,39). Mas cuidado: o serviço te obriga a seguir o usuário @sms2blog (e o faz sem te perguntar antes), o que pode ser meio chato.
  • A Vivo lançou um tal Vivo Twittando, serviço pra usar o Twitter com SMS e que é mais barato (R$ 0,15 por tweet). Nunca usei, então não sei se presta.

Cinco coisas legais que me aconteceram por causa do Twitter

Uma vez disseram ao Evan Williams (um dos fundadores do serviço) que "o Twitter é divertido, mas não é útil”. A resposta dele? “Sorvete também não”.

Mas eu digo que o Twitter não somente me foi útil como também divertido. Exemplos:

image 1) Eu ganhei um livro do Tiago “El Rey” @bereteando quando ele esteve em SP. O livro é o Operação P-2, escrito pela @nyex e inspirado nas histórias da carreira policial do marido dela, o @franchini. E tem dedicatória nerd legal, com “w00t” e tudo.

(P.s.: Review do livro em breve aqui no blog)

2) Quando estive em Belém do Pará o Twitter foi meu guia turístico. Não fosse por ele eu provavelmente ficaria assando no hotel por não ter tido tempo de pesquisar direito onde ir. O @ianblack deu a dica da sorveteria Cairu, com zilhões de sabores exóticos de frutas amazônicas, e o @dodavilhena me lembrou de não ir embora sem comprar bombons de cupuaçu.

3) Graças ao Twitter eu comprei panelas super baratas. É sério: na época o @Ibere estava de saída do Brasil (foi morar no Canadá, o sortudo) e fez um “mercadão persa” pra vender tudo que tinha na casa dele. Fomos lá pra buscar um Xbox que meu primo @luizzz comprou na mão dele e acabamos levando também um jogo de panelas novinho a preço de banana.

Mas o mais surreal foi conhecer o Iberê ao vivo. Tive que segurar o estranhamento na hora de apertar a mão de um cara que twitta coisas como isto.

4) Várias vezes o Twitter já decidiu meu almoço, com o pessoal dando pitacos de o que ou onde eu deveria comer em momentos de (frequente) indecisão. Uma dica ótima que recebi desse jeito veio do @gabrielouback, que me apresentou a Padaria Real, no Sumaré, do lado da MTV: uma ótima opção quando você quer pagar pouco e comer bem.

5) Apesar de odiar cerveja, minha mulher bebeu uma Guiness por causa do Twitter. Foi uma vez onde um bando de “arrobas” marcou de se encontrar numa Starbucks. Papo vai, papo vem, e uma das meninas menciona que nunca havia bebido uma Guiness. Após uma breve deliberação o grupo concluiu que aquele erro precisava ser reparado imediatamente e, instantes depois, todo mundo estava no bar.

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E com tanta movimentação em volta da cerveja, minha esposa também resolveu experimentar. Não gostou – mas desde então parou de torcer o nariz pras cervejas e outro dia até achou uma Baden Baden gostosa… 🙂

Por que o Twitter precisa – e rápido – ser comprado por alguém

Crescimento exponencial do número de usuários, inúmeras aparições nos jornais, na TV, em capas de revista… a essa altura ninguém mais duvida da capacidade revolucionária do Twitter. Biz Stone e Evan Williams criaram muito mais do que um sucesso de internet.

E eu acho que eles não entenderam a dimensão do que criaram.

Um exemplo disto ocorreu ontem à noite:

Este último anúncio sobrescreveu as duas atualizações anteriores (onde o Twitter informa que vai parar e depois acrescenta que não tem como controlar o horário da parada), então, para quem não acompanhou, parece simplesmente que o Twitter foi o mais bonzinho e fez de tudo para adiar a manutenção – quando de fato ele nem sabia da importância que estava tendo para a democracia de um país naquele momento.

Esse ostracismo do Twitter me deixa muito incomodado. Quando fiz o Blablabra acabei ficando mais próximo da comunidade de desenvolvedores e do pessoal do Twitter responsável pelas APIs – e eles cometem alguns deslizes que são assustadores. Um exemplo é o problema recorrente da API de busca do Twitter, feita para funcionar em tempo real mas que eventualmente fica defasada, às vezes em mais de 1 hora (o que faz o Blablabra parar de funcionar). Da última vez que isso aconteceu, eu já estava arrancando meus cabelos quando vi que Doug Williams (@dougw), o líder de desenvolvimento da API, estava twitando tranquilamente de dentro do “Twitter Tea Time”, uma reunião informal da empresa aonde o pessoal para, bebe chá e fica batendo papo sobre o Twitter.

Sabe, eu não sei se é deslumbre do pessoal, ou se eles são jovens demais, ou se o dinheiro dos investidores não permite investimentos maiores, mas o que é inegável é que a turma do Twitter tem muito mais nas mãos do que conseguem lidar. Os problemas com a operação do serviço vão se arrastando há ANOS e o Twitter ainda assim vai ficando mais popular – e sem a menor previsão de aparecer com algum modelo de negócio para fazer dinheiro e tornar-se auto sustentável. O momento onde a moçada não vai mais dar conta está se aproximando rapidamente. E é por isto que a única solução possível, na minha opinião, é alguém graúdo (Google, Yahoo, Microsoft) comprar o Twitter e incorporar a operação do serviço em sua própria infra-estrutura… antes que a baleia morra.

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O texto no balão diz: “Eu prefiro ir de trem”, mas é também um trocadilho com o Ruby on Rails, o framework de programação usado pelo Twitter.

5 coisas que você talvez não saiba sobre o Twitter brasileiro

  • Não existem números oficiais sobre a quantidade de gente no Twitter, especialmente no Brasil, mas posso afirmar, com toda a certeza, que mais de 89 mil brasileiros usaram o Twitter nas últimas duas semanas.
  • O brasileiro mais tagarela do Twitter é a @crispassinato, que foi quem mais tuitou nas últimas semanas. Outros usuários adeptos da verborragia, com tweets sendo enviados às centenas, são o @andrepelotas, @nomeaosbois, @icnunes, @jubakun, @__NaH__ e o pessoal do @programapanico.

Abelardo Danger

  • Entre os maiores twittadores brasileiros tem um cara do Rio Grande do Norte, um tal Abelardo Danger (@1milhao), que quer chegar a 1 milhão de updates. Ontem ele estava postando cúmulos, tipo “O cúmulo da rebeldia é morar sozinho e fugir de casa”, e vários são repetidos . Mas falta muito pro Abelardo, coitado: até agora ele tem só 20 mil updates.
  • Parece que o brasileiro ADORA ver TV e tuitar. Os programas noturnos que atingem o público mais jovem sempre aparecem no topo do ranking de assuntos mais comentados: segunda à noite só se fala em CQC, terças e quintas é O Aprendiz, domingo o Fantástico vira o assunto da hora, em dia de futebol só se fala do jogo e por aí vai.
  • Assim sendo, como era de se esperar, os usuários mais retuitados são os que tem programa na TV, como a Rosana Hermann (@rosana), que tem média de 51 retweets/dia, ou a turma do CQC (@rafinhabastos, @marcoluque, @marcelotas, etc), com média de uns 100 retweets/dia. É impressionante ver como qualquer tuitadinha desse pessoal gera uma avalanche de replies e retweets na mesma hora.

    A fonte de todos estes dados são as bases de dados do blablabra.net. Em breve isso vai virar um relatóriozinho diário/semanal/mensal lá no site.

    blablabra – O que o Brasil anda twittando?

    Com o Twitter cada vez mais popular no Brasil eu fui ficando a cada dia com mais vontade de implementar uma idéia que me ocorreu no começo do ano: um timeline/trending topics só com tweets em português.

    Então eu fui lá e fiz. Meus amigos, minhas amigas, eis o blablabra.

    blablabra

    O blablabra mostra, em tempo real, o que os usuários brasileiros do Twitter estão discutindo: palavras-chave frequentes, #hashtags mais usadas e até os usuários mais comentados/retwittados. Para cada termo há uma página de estatísticas detalhada,  que inclui até gráficos – coisa que nem o Twitter mostra.

    Além de satisfazer o prazer voyeurístico de saber os assuntos do momento, o blablabra pode até ser útil para, por exemplo, encontrar outros usuários com os mesmos interesses que você: basta uma procura por alguma palavra-chave que te interesse e o blablabra mostra quem anda conversando sobre aquele assunto.

    Fazer o blablabra consumiu algo em torno de 2 semanas. Deu trabalho – mas foi divertidíssimo. Use, divulgue e me diga o que achou aí embaixo nos comentários (ou pelo Twitter mesmo).

    Uma corrida maluca onde só concorrem Dicks Vigaristas

    Alguns dias atrás o ator Ashton Kutcher, famoso por atuar em filmes como… err… “Cara, Cadê meu Carro?” e “Efeito Borboleta”, e que tinha uns 800 mil seguidores no Twitter, anunciou no YouTube que ia passar um trote no Ted Turner caso conseguisse se tornar o primeiro usuário do Twitter com um milhão de seguidores.

    Foi o suficiente para disparar uma corrida entre ele (@aplusk) e a CNN (@cnnbrk), corrida que foi vencida pelo ator na madrugada passada.

    Ashton vs. CNN

    Muita gente arrumou um jeito de capitalizar em cima da corrida. A Electronic Arts disse que o milionésimo seguidor de Kutcher apareceria em um dos seus próximos games. O próprio Kutcher ofereceu uma cópia do Guitar Hero como prêmio para o eventual sortudo que estourasse a marca do milhão de seguidores. Até o Anonymous (lembra?) criou o @basementdad, um usuário inspirado em  Joseph Fritzl (aquele pedófilo austríaco que manteve a própria filha em cárcere privado por 24 anos), e tentou colocá-lo na corrida.

    Na minha opinião os fundadores do Twitter (Evan Williams e Biz Stone), que parabenizaram a vitória de Kutcher, deveriam ter se manifestado CONTRA esse tipo de coisa. A meu ver a naturalidade dos relacionamentos no Twitter é o que o serviço tinha de mais valioso, com as pessoas seguindo umas às outras por afinidade e apenas por isto. E esse teatrinho do Kutcher e da CNN é como uma corrida maluca onde só concorrem Dicks Vigaristas.

    Maneiras artificiais para engordar número de seguidores – e aqui cabe lembrar da turminha brasileira que recentemente andou usando scripts para isto – são como câncer: um inchaço repentino e anti-natural que, no fim, mata seu hospedeiro.

    Não é por nada não, mas eu acho que este é o começo do fim para o Twitter. Agora é rezar pro Google comprá-lo antes que ele imploda ou caia no ostracismo.

    Twitter – Os favoritos (round 2)

    Porque tem twittadas que merecem mesmo uma estrelinha. O primeiro round eu postei faz séculos, então acumulei muita coisa e tive que postar aqui só os favoritos dos favoritos (o resto tá aqui).

    Mas vamulá:

    “Canela: é a parte do corpo usada para se encontrar móveis no escuro” (biagranja, uma mulher de visão – mas só com a luz acesa)

    “Já dizia minha irmã "ficar puta é fácil, difícil é voltar a ser mocinha". Respirando fundo para respirar sempre” (loumartins, que é uma mocinha. Ainda.)

    “Alô galera de cowboy, alô galera de peão, quem gosta de rodeio bate forte com a mão! (silêncio)” (ibere. Eu fico imaginando a cena e rindo sozinho sempre que leio esse tweet.)

    “Queria fazer uma exposição de fotos de celular tiradas em banheiro de shopping. O nome seria Retratos de Uma Geração Com Retratos Demais” (juliana_cunha, que frequenta mais fotologs do que deveria)

    “Para a festa da democracia, sua pior roupa, seu pior penteado, seus piores odores, seu pior humor” (maverickmath, o pior eleitor)

    “Quando é que o D2 vai encontrar a batida perfeita?” (by rodrigojames. Tá demorando mesmo, viu?)

    “Sempre vem na minha cabeça que a música "No Cars Go" do Arcade Fire é música para atravessar a rua. No cars! Go!” (luizzz, que agora me faz rir toda vez que eu atravesso uma rua ou ouço Arcade Fire)

    “WOOOO! peguei um VÍRUS! é 1997 de novo!!!” (bereteando, direto.. do túnel.. do tempo)

    “olha, a bolsa tá quase chegando no pré-sal.” (bcardoso, fazedor de “mashups” de notícias)

    “’Estou vestida com as roupas e as armas de jorge’ – e zorge tá peladinho” (CrisBartis, desvestindo um santo para vestir nenhum outro)

    “Grudei chiclete na cruz, coloquei laxante no pão da Santa Ceia e casei com Murphy em Las vegas. Não é possível.” (loumartins, alguém que acredita fielmente em karma)

    “Ping-pong: Meu maior defeito? Facilidade para esquecer. Minha maior qualidade? Facilidade para esquecer” (s1mone, que se dá bem em todas as entrevistas de emprego)

    “a maísa dublando em inglês me causou gases e vontade de fazer pátina” (dodavilhena, que deveria ser mais seleto ao procurar coisas no YouTube)

    “life’s a dream. and it’s morning for you” (bereteando. E eu nem OUSO traduzir uma frase tão genial como essa)

    “Essa vida de rockstar em tournê sem o rock e sem o star é fueda” (lent, alguém bem rodado)

    “Stairway to Heaven: overrated. Highway to Hell: overrated. O jeito é ficar por aqui mesmo, então”. “Por isso, um dia farei a música: "Stairway to the highway that goes in a circle back to that stairway that leads to the same highway again"” (duas na sequência do bcardoso)

    “esse knut é um urso bipolar” (bressane, que não tomou seu remédio hoje)

    Outra dica para boas twittadas é seguir o funeraria, um twitter “colaborativo” só de frases legais. Você manda as sugestões e eles publicam as melhores.