Posts da categoria ‘viagens’


Momentos belorizontinos

5 de May de 2008, 12:28

Ir à BH significa encontrar conhecidos na rua sempre que você sair pra rua. Aparentemente isso inclui a estrada, porque encontrei uma antiga conhecida no meio da BR-381, perto de Três Corações, na viagem da ida.

Já em Beagá, fomos a um concerto no Palácio das Artes e vi logo três conhecidos de uma vez. No dia seguinte fomos ao shopping e, voilá, encontramos um colega leitor deste blog. Mais tarde, em outro shopping, comentei com Bethania:

- E aí, será que vamos encontrar mais um aqui?

30 segundos depois, adivinha…


Numa visita à uma tia de Bethania, eis que acho em cima da mesa uma cópia autografada de “Fresta por onde olhar”, livro da esposa do Exu Caveira Cover, lançado recentemente. Mundo realmente pequeno, este.


A razão da ida pra Beagá foi o aniversário de Bethania que, por sinal, bateu o personal festas de aniversário record: três comemorações em BH e tem mais alguma coisa prevista aqui pra São Paulo.

Numa delas (a comemoração “família”) meu irmãozinho foi comer um cajuzinho depois dos parabéns e, sem a menor cerimônia, solta um grito memorável:

- ESSE DOCE TÁ UMA PORCARIA!!!


A outra frase memorável do feriado foi do meu cunhado. Dizia ele que estava num ônibus e um gay se sentou atrás dele e começou a sussurrar: “Gostoso…”

A resposta dele foi hilária:

- Escuta aqui, você me respeita, porque eu até respeito essa PORRA DE OPÇÃO SEXUAL sua!!


…e, antes de voltar pra São Paulo, passamos no supermercado e gastamos R$ 25 em queijo. Só pra cumprir com o estereótipo.


Here comes a new challenger!

30 de April de 2008, 10:18

Ontem de manhã, eu atoa em casa, toca o telefone. Era o pessoal da empresa onde trabalho:

- Estamos ligando pra saber se você tem interesse em substituir um consultor num projeto… doze meses de trabalho a partir de julho… na Espanha.

20080430

Pelo visto a treta é séria mesmo. Hoje de manhã já fizeram um teste de inglês comigo via telefone (é a língua que o cliente espanhol usa, segundo me disseram) e estou negociando para levar Bethania comigo - condição sine qua non para minha ida, afinal as prioridades mudam depois que se casa. Vamos ver no que vai dar…


Momento "Engenharia Social"

11 de April de 2008, 14:47

20080410 A internet do meu hotel aqui em Brasília é simplesmente impraticável de lenta. Já reclamei inúmeras vezes com a gerente e nada aconteceu.

Mas ontem à noite eu me irritei. Era hora de medidas drásticas. Peguei o telefone e disquei.

- Hotel Aaron, boa noite.
- Boa noite. Eu tou aqui no bar tentando acessar a internet sem fio, qual é mesmo a chave da rede?
- É “ponto”, senhor. Tudo em minúsculas.
- Obrigado.

Não, eu não estava no bar do Hotel Aaron. Eu sequer estava hospedado no Hotel Aaron: estou no concorrente, logo ao lado. O telefone eu achei no catálogo.

Ah, como é bom ter internet sem fio na cama…


O Primo’s Sunday Traveling Saga

18 de February de 2008, 23:00

Domingo. Acordei sozinho, às nove da manhã, no quarto de um hotel em Joaçaba, interior de Santa Catarina. Trabalhei sexta e sábado dando um curso, mas vôo para me levar de volta pra São Paulo que é bom, só no domingo. O término do horário de verão, que foi bom pra todo mundo, pra mim significou uma hora a mais para ficar longe de casa. Nada bom.

Tomei um café e o taxista apareceu para me levar ao aeroporto… de Chapecó, a duas horas e meia de distância (sei lá quantos quilômetros eram, pra mim o que importa é em quanto tempo eu conseguiria atravessá-los). A viagem incluiu passagens por lugares de nomes pitorescos como Xanxerê, Xaxim e a inacreditável Faxinal dos Guedes, tudo ao som do melhor da música de corno sertaneja no rádio do carro. Como por exemplo a belíssima “Não me procura”, de Alan e Aladin. Sente só uma das estrofes (mas leia com bastante vibrato na voz, para dar efeito):

Voce caprichou dessa vez
Fez tudo como manda o figurino
Bati o escanteio dos meus sonhos
E a bola deu na trave do destino

O vôo atrasou uma hora (normal) e quando embarquei, havia um moleque sentado no meu assento. O assento que eu havia escolhido cuidadosamente, com DIAS de antecedência, porque era uma janela e ficava do lado oposto ao que o sol ia bater durante o vôo. Assim eu não sentiria calor e a luz seria perfeita para eu fazer o que mais gosto: botar meus fones de ouvido, ficar olhando a paisagem e me esquecer do mundo por algumas horas. Mas o moleque birrento estava chorando tanto que não tive outra opção e fui me sentar no corredor. E só aí percebi a enrascada onde me meti:

20080218

Eu estava cercado por nada menos do que QUATRO crianças. A mãe dos meninos da minha esquerda (que andavam de avião pela primeira vez) estava longe e falava com eles o tempo todo. Eu não podia simplesmente botar o meu superfone de ouvido e ficar surdo para o resto do mundo porque, de cinco em cinco minutos, ela me perguntava se as crianças estavam incomodando. “Eles não, mas a senhora está”, foi o que pensei, mais vezes do que é saudável para um rapaz cristão. E o bebê de colo, como todo bom bebê em avião, estava chorando.

Na hora do serviço de bordo, o menino da minha esquerda solta a pérola:

- Eu quero ir no banheiro.

Até aí tudo bem, não fosse o fato do layout da cabine naquele momento ser mais ou menos o do desenho abaixo:

20080218_2

Depois de um empurra-empurra e um trança-trança entre cadeiras básico, o menino foi lá se aliviar.

Alguns minutos depois o avião ficou estranhamente sereno e eu achei que os instantes finais de viagem (até a escala em Floripa) seriam, finalmente, sossegados. Mas a aeromoça, nos alto-falantes, mandou apertar o cinto por causa de uma “área de instabilidade”.

Eu acho que no crachá dela devia estar escrito “Nostradamus” ou “Mãe Dinah”, porque no EXATO momento em que ela terminou de dizer “instabilidade” o avião começou a chacoalhar. Mas chacoalhar MUITO. Mas MUITO MESMO, dava pra ver a cabine se retorcendo e ouvir as malas batendo umas nas outras nos bagageiros. Era meu “personal turbulência record” sendo batido.

Agora adivinha a reação das crianças em volta de mim. Pânico? “Eu quero minha mãe”? Choro e ranger de dentes? Pelo contrário: as crianças estavam adorando a turbulência! O bebê de colo morria de rir das sacolejadas do avião e o moleque do xixi gritava:

- Uhuuu!! Dá friozinho na barriga, olha!!

Eu não tenho medo dessas coisas e estava tranquilo… até que olhei pro assento do menino mijão e vi que o copo de coca-cola dele estava desgovernado, patinando na mesinha. “SEGURA SEU COPO!!”, gritava a mãe, mas o menino estava tão entretido com a turbulência que eu tive que me salvar de levar um banho de coca-cola por umas três vezes. E quando a situação não podia piorar, a mãe dos meninos me cutucou e disse:

- Rápido, me passa seu saquinho de vômito, ela vai vomitar!

A mãe do birrento estava branca como defunto e com aquela cara típica de quem vai chamar o Hugo. E eu não achei saquinho de vômito na minha cadeira. E o copo do menino-mijão continuava esquecido na mesinha, deslizando perigosamente. Ou eu procurava o saquinho e me arriscava a levar um banho de coca, ou segurava o copo e ganhava um avião cheirando a vômito até São Paulo.

Foram instantes tensos. Mas uns 15 minutos depois o avião sossegou e pousou em Floripa. Os meninos, hiperativos, queriam descer do avião antes mesmo dele parar no terminal. Confesso que eu também queria, mas a mãe deles foi bem direta e disse:

- Nós vamos descer por último!

O avião parou no terminal e eu fiquei lá, desolado, esperando a hora do jardim de infância aéreo ir embora. O menino-mijão, impaciente, me cutucou e pediu licença. Respondi, resignado:

- Não posso, estou obedecendo sua mãe.


Batendo meu "personal me-fazendo-de-trouxa" record

21 de December de 2007, 16:16

Chamem o Guiness que eu simplesmente detonei. Nunca mentiram e me enrolaram tanto como na última semana:

Caso 1: A viagem

Na terça-feira eu iria trabalhar em Belo Horizonte. Na segunda à tarde eu recebo um email da minha empresa, informando que não teria como pagar as despesas da viagem para BH.

"Deve ser algum engano", pensei, enquanto ligava para o remetente do email. Para minha surpresa, ele disse:

- O email está correto, não podemos pagar a viagem. Quando você foi alocado no projeto, você ainda morava em Belo Horizonte, então não tem previsão de despesas com viagem.

Essa história de "morava em BH" é altamente questionável, porque eu só entrei formalmente no projeto depois da mudança pra SP. Mas mesmo assim tentei argumentar:

- Há duas semanas vocês pagaram uma viagem exatamente igual, que fiz para as reuniões de planejamento do projeto!
- Sim, mas nesse caso a gente não tinha escolha.
- Mas… mas não é possível isso. Da última vez eu, inclusive, fiquei na casa do meu pai, a economia que vocês tiveram com hotel dá pra pagar as passagens, com sobra ainda…
- Não dá. Você economizou numa despesa que, em tese, nem deveria ter acontecido.

E na segunda à noite, adivinha quem estava se enfiando num ônibus-leito, comprado às pressas, e com o próprio dinheirinho?

Caso 2: O cartão

Foi com um certo desespero que me lembrei que meu cartão 3 em 1 do Banco do Brasil (bancário, crédito e débito) iria vencer em 31/12, que eu só tinha esta semana em BH para resolver o pepino e que, provavelmente, o banco havia enviado um cartão novo para meu endereço atualmente desocupado. Ou seja, meu cartão estava num "SEDEX limbo" qualquer.

Liguei pra minha agência. Assim falou a funcionária de lá:

- Senhor, vou estar verificando e te dou um retorno.

Nada de retorno. Liguei de novo e a outra funcionária disse a mesma coisa:

- Senhor, vou estar verificando e te dou um retorno.

Depois de DOIS dias, SEIS ligações e SEIS respostas idênticas, eu comecei a ficar sem opções: eu ficaria poucos dias em Belo Horizonte, e no horário de atendimento do banco eu estaria trabalhando - BEM longe da minha agência, e SEM carro. Eu dependia da boa-vontade das atendentes, que no momento era inexistente. Tive que ligar pra Visa, descobrir o número da carta registrada que continha o cartão e rastreá-la pelo site dos Correios para confirmar que, sim, o cartão estava na agência. Aí peguei um táxi e, em CINCO minutos, me deram meu cartão.

Moral da história: "vou estar verificando e te dou um retorno" foi, em todas as vezes que ouvi, uma mentira descarada. Eu conversei com uns três ou quatro funcionários diferentes, todos me deram a mesma resposta, e NENHUM se dignou a usar CINCO minutos do tempo deles para me ajudar.

Caso 3: O celular

Eu já havia reclamado na Anatel por causa do meu celular belorizontino (história aqui) mas ninguém me deu retorno.

Liguei pra Tim de novo. Expliquei a história toda pra uma atendente, ela me transferiu pra outro setor. Expliquei tudo de novo pra outra atendente, ela, mais uma vez, falou que não podia fazer nada. Pedi pra chamar a supervisora dela e… desligaram na minha cara.

Liguei pra Anatel de novo. Disseram que a reclamação que fiz foi "reenviada" para a Tim e que vão me ligar na segunda-feira. Sim, claaaaro…

Caso 4: A mudança

Como trabalhei na sede da minha empresa nesta semana, queria aproveitar para:

1) Conversar com uma pessoa do RH sobre a minha mudança para São Paulo: o episódio da viagem completou uma suspeita que eu já tinha, de que, por alguma estranha razão, meus empregadores ficaram irritados com o fato de eu ter me mudado de cidade.

2) Conversar, novamente, com o cara que me negou o reembolso das despesas da viagem pra BH - mas dessa vez ao vivo e com a ajuda do meu consultor-líder!

Desde quarta-feira eu estou tentando falar no RH. Na quarta, disseram que iam me dar retorno na quinta. Não deram. Aí hoje liguei pra lá e a menina estava almoçando. Às duas da tarde, ainda almoçando. Às três da tarde, ainda almoçando. Até que, às 15:30, finalmente me disseram que ela não voltaria mais na empresa.

Só faltava tentar falar com o cara das viagens. Achei que meu consultor-líder iria ajudar, mas ele tentou ligar pro cara, disse que ele "está numa reunião" e foi embora, pois tinha uma consulta médica.

Apelei e fui até a sala do cara. Adivinha quem estava sentadinho em sua própria mesa, ao invés de "estar numa reunião"?…

Depois de bastante conversa, ele ficou de rever se tem alguma "sobra" no projeto para encaixar as despesas que tive com a viagem. Bem, se eu for me basear na atual tendência dos fatos, o prognóstico não é nada bom…


Vinte por cento

13 de December de 2007, 21:40

O bom de ser consultor é que você fica bom em achar explicações razoáveis, baseadas em fatos e dados, para praticamente tudo.

Meu estresse atual, por exemplo, pode ser explicado por um simples calendário:

20071213

Conforme ilustra a figura acima, me mudei para São Paulo dia 17/11. Deste dia até o fim do ano temos 45 noites. Neste intervalo, eu dormi ou dormirei na minha própria cama apenas nove vezes, o que equivale a 20% do total.

Estes vinte por cento ficam ainda melhor representados num gráfico de pizza, que, coincidentemente, fica igualzinho a um Pac-Man:

 20071213_2


"Dizia ele, estou indo pra Brasíliaaaa"…

6 de December de 2007, 20:56

20071206
É mais ou menos isso o que João de Santo Cristo viu ao descer do ônibus.

Tou trabalhando em Brasília, nesta e na próxima semana.

Está sendo um saco porque, por todo lugar que passo, me lembro das músicas da Legião Urbana. De manhã eu vejo a rodoviária e penso em Faroeste Caboclo, quando João de Santo Cristo “saiu da rodoviária e viu as luzes de natal”. Aí alguém menciona a Ceilândia e eu me lembro que foi lá, em frente ao lote 14, que Jeremias, “um hooomem que atirava pelas costas”, matou o pobre João. E tem também o Parque da Cidade - que é escrito em maiúsculas porque não é simplesmente um parque numa cidade, é um nome próprio - e que foi onde Eduardo se encontrou com Mônica. Ela de moto, ele de “camelo”.

O cliente brasiliense é, obviamente, do governo. Então passo os dias usando gravata, debaixo de ar condicionado, e me deprimindo ao ver como o dinheiro dos meus impostos é mal gasto.

Até que, no final da tarde de hoje, tive uma surpresa espetacular.

Eu e a trainee estávamos trabalhando quando um dos caras do governo entra na sala pra discutir umas coisas. Depois do assunto de trabalho, ele pergunta:

- Ei, vocês vão passar o fim de semana na cidade?
- Só ela vai - digo eu, apontando para a trainee - Por quê?
- É que vai ter show da minha banda no sábado…
- Ah é, você tem banda? Legal! O que vocês tocam?
- Uhh… nossas próprias músicas mesmo. Eu toco baixo. É a Plebe Rude.
- Cover do Plebe Rude? - pergunta a trainee.
- Não, é a banda original mesmo. Eu sou o baixista da Plebe Rude.

Sim, meus amigos. Aquele cara engravatado ali na nossa frente era ninguém menos do que André X, o baixista da Plebe Rude - famosa banda brasiliense formada nos anos 80, período áureo do rock nacional, e autora de vários sucessos como “Proteção”, “Até quando esperar” e “Sexo e Caratê” (minha predileta, hehe).

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André X (esq.) e seus colegas de banda, na atual formação da Plebe Rude (foto deste site aqui)

Eu estou estupefato até agora. E eu perdendo tempo pensando em Legião Urbana…

Update: Dica da Lori - O blog do André X


Madness? This… is… MUDANÇAAAA!!

21 de November de 2007, 19:05

O plano era simples: na quinta do feriado, carregar o caminhão. Na sexta, eu, Bethania e Pavlov vamos de carro pra São Paulo, assinamos o contrato de aluguel e pegamos as chaves. No sábado o caminhão com a mudança chega e até domingo arrumamos tudo.

Falando assim parece simples, mas tem uma infinidade de detalhes que faz a coisa se tornar uma odisséia épica misturada com uma graphic novel (com roteirista ruim) e com um remake estadunidense de "Betty, a Feia".

Por exemplo, a lei brasileira diz que em viagens assim você precisa de um atestado de boa saúde canina - mas calma, não é para o motorista, e sim para transportar seu cachorro pelas estradas. Obviamente NENHUM policial vai parar seu carro no instante em que você obter o atestado - efeito da lei de Murphy. Mesmo assim, na quinta-feira à noite, ao invés de dormir para viajar descansados, eu e Bethania fomos levar Pavlov a um veterinário.

A coisa foi surreal, porque chegamos na clínica e estava tendo uma "emergência médica canina" no melhor estilo de episódio de "E.R.": uma cachorrinha com leishmaniose havia dado entrada tendo convulsões. A dona dela estava na recepção, chorando desesperada. Chamaram até outro cachorro - um rottweiler ENORME - para doar sangue pra ela. Mas depois de um tempo apareceu a veterinária, com aquela cara de más notícias, e começa a falar:

- Olha, sua cachorrinha estava realmente mal, nós tentamos fazer uma transfusão de sangue, demos efedrina, adrenalina, mas o coraçãozinho dela não resistiu…

Segue-se choros e ranger de dentes. E eu lá, perplexo.

Outro detalhe de viagens com cachorro é que recomenda-se que o cão viaje sedado, então compramos um psicotrópico canino que a veterinária receitou. O troço é tão maléfico que as farmácias só vendem o remédio com cadastro e retenção da receita. E Pavlov não é bobo, detesta remédios e sabe quando estamos tentando dopá-lo medicá-lo, então misturamos o "psicotrópico do mal" em um pouco de Toddy e demos para ele.

Se cães pudessem falar, eu tenho certeza que Pavlov teria dito: "oba oba, chocolate!!" e, na sequência, conforme estava ficando sonolento, diria: "Traidores!! O que vocês… fizeram… comiiiigoooooo….". Porque a cara dele dizia exatamente isso.

Além da trabalheira canina, outro inconveniente da mudança é que você tem que desativar toda a sua vida na cidade-origem e reativá-la na cidade-destino, ou seja, cancelar internet, telefone fixo, celular, TV a cabo e mais duzentas mil coisas. No caso da TV a cabo lá de casa a situação era mais complicada, porque ela estava no nome de Bethania e eu era o único com tempo para ligar pra fazer o cancelamento. A situação parecia sem saída mas parei, pensei por um instante, peguei o telefone e liguei para a operadora de TV a cabo:

- Bom dia, eu queria cancelar minha assinatura.
- Pois não, qual o seu nome?
- Bethania.

O atendente faz uma longa pausa e pergunta, confuso: "Uhh… é ‘Senhor’ Bethania?"

- Não, não. Senhora Bethania. - Confirmei, na maior naturalidade do mundo.

Pensa bem: o que diabos o atendente poderia dizer? Que minha voz era grossa demais para uma mulher? Se eu deixasse de confirmar alguma informação do cadastro tudo bem, mas qualquer suspeita que ele levantasse com base em minha voz poderia ser rotulada de preconceito, portanto ele não tinha nenhuma outra opção a não ser atender a "senhora Bethania" de voz grossa. E funcionou: das três vezes que precisei ligar pra lá, nenhum atendente questionou a minha voz.

Além das questões vocais, a mudança ainda teve inúmeros outros "detalhes" trabalhosos: o zelador do prédio novo encrencou com mudanças antes das 9 da manhã. e as leis de trânsito paulistanas proíbem tráfego de caminhões no meu novo bairro após as 9 da manhã. Alguns serviços que você quer contratar pro apê novo (internet, TV a cabo) requerem comprovante de endereço, que, obviamente, você só vai ter depois que receber contas de algum serviço, como internet ou TV a cabo. E aí o chuveiro de 110V que veio na mudança não pode ser usado na instalação 220V do apê novo. E então o contrato de aluguel tem uma cláusula que proíbe animais - e você vê isso no instante de assinar o contrato. Aí as assinaturas do contrato de aluguel tem que ter firma reconhecida, e você tem que abrir firma num cartório paulistano, e o cartório te pede - além de uma escaneada nas digitais do seu dedo indicador (sabia dessa?) - uma cópia da certidão de casamento, e a certidão ficou em Belo Horizonte. E na hora de receber as chaves do apartamento, você descobre um vazamento de água no teto de um dos cômodos. E por aí vai…

Moral da história: mudar de cidade é um pandemônio. Se bobear, mudança de sexo deve ser mais fácil do que isso.

Mas eu não podia deixar este post acabar sem mencionar o lado bom de mudar pra São Paulo, que é… morar em São Paulo, por incrível que pareça. Nosso bairro é excelente, Bethania mora a 15 minutos de caminhada do trabalho, temos tudo a apenas alguns quarteirões de distância, o prédio onde moramos é ótimo, é grande, é seguro, e o apartamento novo é muito espaçoso. Claro que isso não custa barato, mas se é pra morarmos longe das famílias e dos amigos, pelo menos que seja num lugar legal…

P.s.: Por conta da mudança perdi o BlogCamp MG. Uma pena, queria conhecer as caras por trás dos blogs que leio. Mas pelo que li sobre os debates, a coisa foi exatamente como eu previa: em torno de monetização e, consequentemente, chata.

P.p.s.: E logo após a mudança, adivinha qual a primeira coisa que fiz? Peguei um avião e fui trabalhar em… Belo Horizonte!

P.p.p.s.: E depois de ir pra BH eu estou escrevendo este post diretamente da cidade de… Joaçaba, interior de Santa Catarina!!


O dia de aniversário do Primo

11 de October de 2007, 7:23

06:50 - O celular toca Squarepusher e eu acordo. Sem minha mulher do lado, já que estou no Rio, a trabalho.

06:53 - Ao entrar no banheiro eu lembro que, por alguma razão, o pessoal do hotel (Mar Palace Copacabana - logo vocês verão por quê estou citando o nome) me colocou em um quarto para idosos/deficientes, que não tem box. “O banho matinal vai ser uma lambança”, pensei.

Banheiro 07:00 - Dito e feito. Depois do banho eu nem consigo usar a pia direito porque tem um lago de água ensaboada correndo entre eu e ela.

07:30 - Frutas frescas, depois ovos mexidos no café da manhã. Adoro café da manhã de hotel. É uma das poucas vantagens de trabalhar viajando.

07:50 - Me encontro com o “Professor”, o colega-consultor que vai dar o curso de hoje, e pegamos um táxi. O trabalho de hoje é simples: eu tenho que assistir o treinamento de Gerenciamento de Projetos que o Professor vai dar.

Já é a terceira vez que assisto este treinamento. E, sim, eu vim ao Rio só pra isso. Mas é por uma causa justa: em algumas semanas eu vou me tornar “professor” do treinamento, então tem esse pequeno “calvário” de assistir o curso repetidas vezes como parte da minha formação.

Agora, imagine como é divertido rever por três vezes um treinamento de dois dias sobre um assunto que você está cansado de saber porque trabalha diariamente com ele desde que se tornou consultor…

09:47 - Começa o primeiro exercício em grupo do dia. Eu adoro os exercícios do curso, porque durante o tempo dos exercícios eu posso efetivamente FAZER alguma coisa: bancar o “monitor”, passando pelos grupos, ajudando o pessoal, tirando dúvidas e tal.

Só que, enquanto um dos grupos me explicava uma dúvida, eu senti um “encosto”, uma presença sobrenatural atrás de mim. Era o Professor, com a cara a apenas alguns centímetros de distância do meu ombro.

Aí, no exato instante em que eu comecei a responder a dúvida do grupo, o instrutor me interrompe e começa a responder ele mesmo. Só que o “interromper” dele significa falar no DOBRO do volume de uma pessoa normal, e com a cara colada no meu pobre ouvidinho.

Depois da terceira interrupção seguida eu desisti de tentar ajudar os grupos.

10:30 - Pra não morrer de tédio, abri o notebook, abri o Excel e comecei a montar um cronograma detalhado do curso, pra usar quando fosse a minha vez de dar o treinamento.

11:30 - Comecei a me empolgar com o cronograma…

15:32 - O que nasceu como “cronograma” acabou virando uma planilha que se atualizava automaticamente, em tempo real, mostrando o ponto onde o curso estava (de verde) e onde deveria estar (em vermelho), e também o atraso estimado, em minutos, em um outro canto da tela.

20071011

O legal é que a coluna “progresso” vai colorindo automaticamente, para mostrar o quanto cada item do cronograma deveria estar concluído. Assim, na hora do curso, você sabe visualmente quanto tempo tem para terminar de ensinar cada assunto.

Sim, eu exagerei. Quem mandou não me deixar tirar as dúvidas dos grupos?

(Update: Quem quiser baixar a planilha, clique aqui)

18:30 - Voltamos para o hotel. Eu até pensei em sair pra jantar num lugar legal, mas sozinho ia ser meio deprê. Aí fui pra internet, ver os scraps de parabéns do Orkut, ler meus feeds, terminar de baixar o Heroes novo, etc.

Só que a internet começou a cair. De cinco em cinco minutos eu dava de cara com a página de login do hotel.

Liguei para a recepção e perguntei o que estava acontecendo. A recepcionista só faltou me mandar pastar:

- Olha, senhor, não tem nada errado. Nesse exato momento tem outros 11 quartos usando a internet e ninguém reclamou. Aqui no lobby mesmo tem um senhor usando o computador há mais de uma hora.

- Tá, mas comigo não funciona. Alguém pode vir aqui e ver o que está acontecendo?

- O técnico da internet já foi embora.

Depois disso eu passei mais de uma hora tentando fazer a internet funcionar. Testei em outros navegadores, tentei com a rede sem fio, tentei com a rede com fio, tentei descobrir a senha da página da administração da intranet do hotel, mas não deu.

21:30 - Pedi meu jantar. Eu sempre me divirto com o inglês macarrônico do menu bilíngue do hotel. Você pode ir ao “looby bar” e pedir uma “ceazar salad” com um “sandwhiche”.

22:10 - Ligo de novo para a recepção:

- Eu pedi comida há mais de meia hora e não veio nada ainda!

- É mesmo, senhor?

Eu juro por Deus que o “é mesmo” do cara foi tão sarcástico que a primeira coisa que veio à minha cabeça foi…

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23:50 - Depois de comer e ver tevê, fui dormir.

05:30 - Acordo com um pernilongo dando “rasantes” na minha cabeça. Enfiei a cabeça debaixo da colcha, mas ela era muito fina e o pernilongo continuava me sobrevoando.

Passei alguns minutos pensando se era mais vantagem tentar dormir ou matar o maldito pernilongo. Alguns rasantes adicionais e eu decidi ir à caça.

Acendi a luz, botei os óculos e comecei a olhar em volta. O pernilongo eu não vi, mas em compensação, achei uma barata, enorme, passeando pelo chão do quarto. Dei nela uma sapatada e dei graças a Deus pelos rasantes do pernilongo: não fossem eles e eu nem teria visto essa minha “companheira” aí embaixo.

mar palace copacabana

O pior é que já é a segunda vez que eu acordo e dou de cara com baratas no quarto do hotel - a primeira, obviamente, foi em Windturn City.

E, só pra constar, o hotel onde estou é o Mar Palace Copacabana. Viu, Google? Quando indexar esta página, lembre-se: “baratas, Mar Palace Copacabana”, ok?

05:40 - Eu não ia conseguir dormir de novo e, como o celular ia despertar daqui a uma hora mesmo, resolvi escrever este post.

P.s.: Veja você, tem mais seis anos de aniversários registrados aqui no blog. Em 2006 eu também estava no Rio, em 2005 eu estava trabalhando no mesmo hospital onde nasci, em 2004 teve festinha com chapeuzinhos da Turma da Mônica e tudo, em 2003 eu escrevi um post “socialmente responsável” que hoje me dá vergonha porque parece emo demais, em 2002 eu não tive tempo nem de almoçar no dia, e em 2001 Luiz ainda postava aqui e me deu um “remix” de aniversário.


Leasing barateia aluguel e permite aluguel de carros zero quilômetro na Europa

3 de October de 2007, 22:23

Está na Europa e quer alugar um carro com 50% de desconto? Algumas locadoras podem te dar um em contrato de leasing!

Além do preço mais baixo, o carro é novinho, zero quilômetro, com seguro, pode vir com os opcionais que você quiser como GPS e CD player, não tem limite de quilometragem, impostos ou taxas e você pode pegá-lo num país e devolver em outro!

A oferta só vale para turistas (ou qualquer pessoa que não more na União Européia) e você precisa ficar com o carro por um mínimo de 17 dias.

Parece bom demais para ser verdade, mas o truque por trás é bem simples - e genial. Está explicado no site:

A razão destes contratos de leasing existirem é simples: evitar impostos. Carros novos na França sofrem tributação muito maior do que carros usados. Fazer leasing com turistas assegura um estoque amplo de carros com pouquíssimo uso para revender aos consumidores franceses em busca de preço baixo.

É uma Idéia fantástica. E provavelmente é viável porque na Europa deve ser moleza fazer um contrato de leasing que dura só 17 dias. Aqui no Brasil o leasing ia levar 17 dias só pra ser aprovado…

(Via populares do del.icio.us)


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