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Dicas para quem não costuma viajar de avião

11 de março de 2010, 22:14

Porque depois de sete anos voando praticamente toda semana e 211.436 milhas acumuladas (só na Tam) a gente aprende algumas coisas. Espero que alguma dica sirva pra você.

Assentos do Airbus A319 da TamUma coisa que melhora ou arruina sua viagem de avião é onde você se senta. Os aviões da Gol e Tam, em voos domésticos, tem umas 30 fileiras numeradas com três cadeiras de cada lado do avião – como o Airbus A319 aí do lado. Assentos com letra A ou F ficam na janela e assentos com letra C ou D, no corredor. Os piores são os assentos B ou E, que ficam espremidos no meio de duas cadeiras: Evite-os.

Os assentos com números menores (1 até 16) te permitem ganhar alguns minutos na hora do desembarque, mas só se você não tiver despachado bagagem, porque nesse caso sair mais rápido do avião significa apenas esperar mais pela sua mala lá na esteira de bagagem. O inconveniente deles é que se esgotam rápido no check-in e, se você não embarcar primeiro, o espaço para bagagem de mão tende a se esgotar rapidinho. Já os assentos de trás do avião (da fileira 16 em diante) te permitem embarcar mais rápido se você estiver voando pela Gol: o embarque neles é prioritário. Só que você desembarca por último, o que pode significar alguns minutos a mais mofando no avião (ou cochilando alguns minutinhos a mais, se você estiver cansado e sentado na janela).

Por sinal, para cochilar no avião os assentos das janelas são mesmo os melhores: feche as persianas para a claridade não incomodar, encoste a cabecinha na lateral do avião e “boa noite”. Eu recomendo nem reclinar a poltrona: ela reclina tão pouco que é melhor deixá-la na posição vertical pra aeromoça não te acordar na hora da decolagem e do pouso. Mas se você gosta de reclinar a poltrona, cuidado: há duas fileiras no avião onde as poltronas NÃO reclinam: a última fileira e a fileira logo em frente à saída de emergência (cujo número varia dependendo do avião, mas é sempre ali entre a 10 e a 15).

O melhor jeito de conseguir bons lugares do avião é reservá-los quando você compra a passagem. Se isso não for possível (seja porque sua empresa é quem compra suas passagens ou qualquer outra razão), a segunda melhor maneira é fazer checkin pela internet. Você pode fazê-lo mesmo que tenha bagagem pra despachar. Os assentos bons se esgotam rápido, então é bom fazer seu check-in o mais cedo possível. Na Gol o check-in pela internet abre 24 horas antes do seu voo. Na Tam são 48 horas.

Em termos de espaço para as pernas os melhores lugares são a primeira fileira e a fileira da própria saída de emergência. Só que não é possível escolher estes lugares pela internet, só ao fazer check-in no balcão mesmo. Outra dica sobre assentos: nunca vi a Tam divulgando, mas alguns dos seus aviões tem tomadas de 110V entre os assentos. Quebra um galho quando seu celular ou MP3 player fica sem bateria.

P.s.: Para assentos em voos internacionais, consulte o excelente SeatGuru.com.

Aeroportos requerem fazer tudo com antecedência, tanto que na passagem as companhias sempre escrevem algo recomendando que você chegue 1 hora antes do voo. Eles NÃO estão mentindo: Se o seu voo é as 16h, não se iluda achando que você vai conseguir embarcar se chegar no aeroporto às 15:45. O horário do voo que você vê na passagem é o horário em que o avião decola. O check-in para o voo se encerra cerca de 40 minutos ANTES desse horário, e o embarque termina uns 15 minutos depois. Se você vai viajar com pouca bagagem, essa é outra razão para fazer check-in pela internet: no caso de algum imprevisto você pode dar o golpe de joão-sem-braço e ir direto pro portão de embarque, mesmo que já tenham encerrado o check-in do seu voo. Se sua mala não for exageradamente grande, os funcionários da companhia aérea não vão reclamar de você não tê-la despachado.

Outra coisa que nem todo mundo sabe que existe: lista de espera. Funciona assim: se seus compromissos do dia acabaram mais cedo e você quer antecipar sua viagem de volta pra casa, ao invés de remarcar seu voo (pagando) você pode ir pro aeroporto e colocar seu nome numa lista de espera para algum voo antes do seu. Se ainda tiver lugares no avião quando forem encerrar o check-in do voo, os passageiros da lista podem ocupar estes lugares. Mas é por ordem de chegada: se sobraram 3 lugares e tem 10 nomes na lista, quem botou o nome primeiro leva. Até onde eu sei nem a Tam nem a Gol estão cobrando por lista de espera.

Os programas de milhagem (Fidelidade Tam e Smiles, na Gol/Varig) costumam desanimar quem voa pouco porque você ganha só 1000 milhas por voo e tem que acumular dez mil pontos pra ganhar passagens grátis. Mas mesmo que você voe muito pouco, vale a pena ter um cartão fidelidade para acumular milhas. Três motivos pra isso:

  • As milhas ganhas demoram a expirar (especialmente na Gol);
  • Para voos em horários esquisitos (tipo domingo de manhã) ou durante promoções, as companias costumam vender trechos por bem menos do que 10 mil pontos.
  • Alguns bancos e cartões de crédito que tem programa de fidelidade deixam transferir pontos do seu cartão de crédito para a Tam ou Gol.

E uma atenção especial para o Smiles da Gol: cerca de 40% das vezes que viajo os pontos dos meus voos NÃO são creditados. Se você vai voar Gol/Varig, guarde o canhoto do cartão de embarque e depois confira no site se suas milhas foram mesmo creditadas. No site mesmo você pode requisitar o crédito das milhas faltantes.

Durante o voo é perfeitamente normal que o avião chacoalhe um pouco. Se você olhar pela janela vai dar até pra ver a asa do avião se dobrando enquanto o avião balança. Isso é perfeitamente normal. Às vezes o piloto dá um alerta de apertar os cintos, as aeromoças interrompem o serviço de bordo e saem correndo com os carrinhos de comida barrinhas de cereal de volta pra cozinha: ainda assim, tá tudo perfeitamente normal. Às vezes o piloto erra a mão na aterissagem e, ao invés de tocar gentilmente com o avião no solo, ele praticamente SOCA o avião no asfalto e dá uma freada que te faz meter a cara no assento à sua frente. E adivinhe? Tudo perfeitamente normal. Aviões foram feitos pra aguentar descargas de raios elétricos enquanto voam no meio de tempestades com ventos assustadores, então não há com o que se preocupar.

Outras dicas sortidas:

  • Quer ler no avião? Compre algo antes de embarcar, porque as revistas de bordo são apenas spam dos destinos para onde a companhia aérea voa, disfarçados de reportagens. Honrosa exceção: o Almanaque Brasil, dos voos da Tam, que já andei elogiando aqui inclusive.
  • Para fones de ouvido, prefira os com algum tipo de isolamento acústico, porque a cabine é bem barulhenta. Por sinal a Anac não permite o uso de eletrônicos durante o pouso e decolagem, mas para fones de ouvido as aeromoças costumam fazer vista grossa.
  • Voar com problemas respiratórios (gripe, sinusite) pode ser perigoso por causa da pressurização da cabine. Essa eu descobri depois de passar um susto voltando de um carnaval em FloripaUpdate: O leitor Paulo Cezar (valeu!) lembra que a cabine pressurizada também tem um outro efeito colateral: potencializa efeitos de bebida alcoólica. Você fica bêbado muito mais rápido.
  • Mas se você, mesmo sem gripe, sofre com dor de ouvido durante o pouso e a decolagem, e os truques manjados (engolir saliva, beber água, bocejar) não funcionam, tampe o nariz com a mão, feche a boca, cole a língua no céu da boca e tente soltar o ar pelo nariz, com cuidado.
  • Em alguns aeroportos (*cof cof Congonhas cof*) onde seu portão de embarque muda toda hora por causa do “reposicionamento de aeronaves no pátio”, uma dica pra economizar caminhada é esperar seu voo aparecer como “confirmado” ou “embarque próximo” nas telinhas da Infraero antes de ir para o portão indicado. Dificilmente o portão muda depois desse ponto. 

E se tiver algo errado ou você quiser completar a lista, os comentários estão aí pra isso :)


O Primo NÃO recomenda: Hotel Sonesta Brasília

30 de setembro de 2009, 23:13

sonesta Em seis anos de consultoria eu já dormi em tudo que é canto: cama de resort cinco estrelas, hotel de posto de gasolina do interior do Mato Grosso… já pernoitei até em guarita de porteiro de fábrica de armas (é sério!). Mas um hotel que não era pra decepcionar e que me surpreende – no MAU sentido – a cada dia e há muito tempo é o Sonesta de Brasília – “Soneca”, para os íntimos, como eu e o Esparroman (que também já pagou uns pecados por aqui).

Não é brincadeira quando digo que o Sonesta não era pra decepcionar: o prédio do hotel é novinho, deve ter uns 3 ou 4 anos de idade. Os quartos são super bem decorados – alguns tem até varanda. Todas as amenidades de um bom hotel estão aqui: internet, academia, restaurante, sauna, piscina, serviço de quarto 24 horas e tal.

Por fora, bela viola. Por dentro… pão bolorento, como diria o sábio Chaves. Olha a LISTA de coisas que já me aconteceram aqui:

  • Comecemos pela internet, simplesmente inutilizável de tão lenta. Eu já usei internet de algumas DEZENAS de hotéis diferentes Brasil afora, e a do Sonesta é a pior de todas, de longe. É tipo o Rubinho Barrichelo num velocípede. Um absurdo para um hotel que se vende por aí como “hotel de negócios”.
  • Aí você pensa: “Ah, mas é só internet, não é a coisa mais importante de um hotel”. Concordo. Vamos então para algo um pouquinho mais sério: em vários quartos falta água quente no banho, especialmente de manhã.
  • Achou o problema da água quente no banho sério? Então engole essa: o problema da falta de água quente no banho acontece há no mínimo DOIS ANOS e até hoje não foi resolvido.
  • Além de torcer pra não pegar um quarto sem água quente, você precisa também evitar os quartos da lateral do prédio, que são minúsculos, de não sobrar espaço pra passar pro outro lado da cama. E estes são justamente os que tem DUAS camas de solteiro. Isso sem contar os quartos que ficam exatamente atrás do elevador e que são simplesmente inabitáveis por causa do barulho.

    Estes são os problemas “crônicos” – ainda tem os esporádicos, como quarto com porta que não abre ou quarto com problema elétrico onde nenhuma luz ou tomada funciona. Peguei um destes essa semana, por sinal.

  • “Por favor” e “obrigado” não são muito usados pelo pessoal do hotel. A tosquice no atendimento chegou a um extremo na última sexta, quando fui fazer meu checkout: logo após puxar minha reserva no computador o cara da recepção começou a rir quando viu meu sobrenome. Na minha frente. Aí ele viu minha cara de furioso e disse:

    - Desculpe, senhor…

    E quando eu achei que ele ia complementar o pedido de desculpas, ele me manda um:

    - …mas é que tem o Tonico e Tinoco, a dupla sertaneja!

    E continuou rindo, o filho da puta.

  • O restaurante é uma piada, tanto o serviço quanto a comida. Um dos exemplos eu já até postei aqui. Atualmente o máximo que eu peço da cozinha é um prato e talheres pra não precisar usar talher de plástico ao comer comida de um delivery qualquer… e até isso dá errado. Pausa para pequena historinha:

    Semana passada eu liguei pro restaurante do hotel, pedi um prato e talheres. Depois (repare na sequência) liguei pro Grandville e pedi um salmão grelhado com salada e cebolas empanadas pra acompanhar. “Previsão de entrega é 45 minutos, senhor”. Mais ou menos nesse tempo chega o motoboy com o salmão e a salada, mas sem a cebola empanada. Mais uns 10 minutos e ele ligou pro restaurante, confirmando que estava mesmo faltando. Daí ele saiu pra buscá-la e voltou uns 30 minutos depois. Eu comi o salmão, a salada e as cebolas (tudo muito bom, recomendo, tem em São Paulo inclusive) e já estava escornado na cama quando, DUAS HORAS DEPOIS, chega o cara do restaurante com meu prato e os talheres. Sim, DUAS HORAS, não tou brincando.

  • Update: Outro dia achei uma barata no meu quarto (detalhes neste post).

“Pô, você precisa reclamar dessas coisas com o gerente!”, você deve estar pensando. Eu comecei preenchendo os papeizinhos de “Fale Conosco” da recepção e, como não adiantava nada, acabei indo conversar com a Srta. Chananda Tubert, gerente de operações. Sobre a internet, ela disse que o hotel tem um link de 1 MBps (sim, UM MEGA, pro hotel INTEIRO) e que, se fosse pra aumentar, ela teria que começar a cobrar pelo uso. Ou seja, ela me mandou um “foda-se você” bem suave. E sobre a água quente ela ficou de verificar (versão suave do “tou cagando e andando”). Como alguns MESES depois nada mudou, eu fui no site global da rede Sonesta, escarafunchei até achar um email “global corporate” qualquer deles e caprichei no meu inglês em um email CABELUDO reclamando da incompetência da gerente. No dia seguinte ela me abordou no café da manhã e, toda simpatiquinha, me encheu de promessas de melhoria. Nenhuma delas cumprida. E isso foi há mais de um ano.

Então já sabe: ao visitar Brasília, para uma boa soneca, não fique no Sonesta: vá pro Mercure, pro Metropolitan, pro Naoum Express… mesmo que você pague um pouco mais caro.


Carnaval em Conceição do Ibitipoca

26 de fevereiro de 2009, 12:15

Bem rapidinho, em formato bullet list, porque senão eu invento moda e digo que vou fazer uma série de posts (como os do reveillon) e depois fico passando aperto.

  • Conceição do Ibitipoca é LONGE. Pra você ter uma idéia, a cidade fica uns 300km DEPOIS de Windturn City (é sério, eu passei pelo trevo de Windturn City pra chegar lá).
  • Conceição do Ibitipoca é PEQUENA. Tem tipo 800 eleitores.
  • Conceição do Ibitipoca é BONITA.

ibitipoca

  • A grande atração Ibitipoquense é o parque nacional e seus quase 1500 hectares cheios de trilhas, cachoeiras, lagos naturais e outras coisas típicas de hippongo ir visitar pra ficar fumando maconha e tocando Raul Seixas. Mas a infra-estrutura do parque é tão boa que o lugar ultimamente anda mais visitado por famílias e casais do que qualquer outra coisa.
  • A pousada onde ficamos era bem simplinha, mas tinha uma cama e um chuveiro funcionais, então tava valendo. Meus amigos todos dormiram como bebês, mas eu acordei várias vezes durante várias noites com eventos dos mais diversos, incluindo:1) Gente bêbada pós-carnaval passando pela rua às seis da manhã e gritando só de sacanagem pra acordar quem estivesse nos arredores.2) Um casalzinho que saiu da rua e que, para ter alguma privacidade, entrou na pousada e ficou se pegando ferozmente debaixo da minha janela. Literalmente DEBAIXO. Tanto que eu não aguentei, me levantei e abri a janela de sopetão, com uma cara de sono bastante convincente e vestindo só uma cueca. Os dois pararam o amasso e, ao invés de sair, ficaram travados me olhando com cara de susto. E eu lá, pensando: “Alôôu, moçada, pega a dica!”. Depois de uns dois segundos de perplexidade eu percebi que eles não iam entender meu recado só com linguagem corporal e falei: “Olha, eu estou tentando dormir aqui”. Só depois disso eles foram embora.

    3) Um barulho repentino de pessoas gritando “Aêêê!” e comemorando. Fiquei sem entender nada até que, no final da celebração, alguém gritou: “A maconha chegou!!!”.

  • Nossa rotina diária era acordar cedo e ir pro parque. Tinha que ser cedo porque, por conta de degradação e etceteras, o IEF estabeleceu uma lotação máxima de 800 visitantes diários no parque – e essa lotação máxima esgota rapidinho. Lá dentro o programa envolvia caminhadas – MUITAS caminhadas – e visita à cachoeiras e grutas – MUITAS cachoeiras e grutas.

cachoeiraibitipoca
O casalzinho ali eu não conheço, mas ficou legal, ajudou a compor a foto. Ficou bem estilo “Revista da Tam”.

  • Nessa onda de caminhada meus amigos cismaram de fazer o “desafio final”: uma trilha que dura o dia todo e onde, no total, você percorre DEZESSEIS QUILÔMETROS A PÉ.Isso é MUITO sem noção. Andando 16km eu posso, por exemplo:

    1) Atravessar o Mar Morto;
    2) Sair daqui de casa, em São Paulo (no Itaim Bibi) e ir a pé até Osasco ou até o autódromo de Interlagos;
    3) Sair da minha antiga casa em Belo Horizonte e ir até a fábrica da Fiat, em Betim;
    4) Cruzar Brasília de ponta a ponta, saindo da ponta da Asa Norte, percorrendo o Eixão todinho, passando por toda a Asa Sul e chegando até o aeroporto.

    A razão pela qual as pessoas fazem essa insanidade é porque a trilha tem um monte de atrações, entre elas o pico da lombada, a 1784m de altura (o ponto mais alto da Zona da Mata mineira)…

picodalombada

…tem também o pico do cruzeiro (com uma cruz levemente detonada porque acaba servindo de pára-ráio), as grutas estilo “Estação Dharma do seriado Lost”…

cruzeiro grutas

…e o grand finale, que é a famosa Janela do Céu: um mirante composto pela queda d’água encrustrada num cânion de pedras e vegetação que formam, bem, uma “janela” com a vista das montanhas mineiras ao fundo.

janeladoceu

Claro que a vista era linda, mas lembro que no meio da trilha eu comentei com alguém: “Os gráficos do Playstation 3 também são bonitos e eu não preciso ficar tostando no sol pra vê-los”…

Detalhe: assim que terminamos a trilha, começou a chover e tivemos, de brinde, um arco-íris absurdo de bonito, cobrindo o parque inteirinho. Talvez uma mensagem divina pra me calar a boca por conta do comentário anterior…

arcoiris

Update – Esqueci de uma coisa importantézima: avisar que o crédito de todas as belíssimas fotos é da minha digníssima esposa, todas tiradas com sua mega-boga Nikon D40.


As Férias do Primo, Parte 2: A Baía da Traição

7 de fevereiro de 2009, 10:10

Não, o título não é frase de efeito. O lugar pra onde a gente foi REALMENTE se chama “Baía da Traição”.

Segundo a Wikipedia, o nome do lugar é por conta de um episódio ocorrido em 1625, quando uma esquada holandesa atracou na baía e foi amistosamente recebida pelos índios Potiguaras… que logo em seguida foram massacrados pelos holandeses. Mas a história que nos contaram na cidade é que foram os índios que traíram os holandeses.

Bem, de qualquer forma nossa preocupação não eram os banhos de sangue, e sim o banho de mar. E que mar!

 baiadatraicao2

O mar é sossegado e tem um belo esverdeado claro, e a praia é muito, muito tranquila. Esqueça os farofeiros e os vendedores de quinquilharia e guloseimas: você vê no máximo um ou outro quiosque espalhado pela orla e pouca gente. Pra nós, que queríamos sossego, era um prato cheio.

Se você sair da praia e atravessar as casas e pousadas na beirada da areia, encontra a cidade. Bem, na verdade encontra umas casas em volta de uma avenida que percorre a Baía de ponta a ponta.

cidade 

O clima é de cidadezinha do interior, com as famílias sentadas nas varandas das casas pra “ver o movimento” – que era praticamente inexistente após as 8 da noite. Eu e Bethania saíamos pra jantar e todo mundo olhava pra gente como se fôssemos alienígenas andando na rua àquela hora.

Nestas caminhadas conhecemos o mercadinho central (saca o slogan)…

 mercadinho

…depois vimos o “complexo administrativo” da cidade, com a prefeitura e suas várias secretarias municipais. Na foto abaixo, a secretaria de turismo e a delegacia, com toda a sua frota de viaturas estacionada na porta :)

secretariadeturismo delegacia

Outra coisa que tem bastante na Baía são lan houses. Aparentemente a molecada adora ficar no Orkut e no MSN, já que contei umas quatro ou cinco só na avenida principal. Uma delas tinha os cartazes abaixo, feitos por um designer que domina a técnica do Word Art.

 lanhouse

Eu demorei pra entender o que ele queria dizer com “Célula MP3”. Já o “carbo USB” e o “blutoof” foi mais fácil de entender.

Além da internet, outra coisa que parecia estar na moda na Baía da Traição era o carro com portamala aberto e som alto. O pior é que parecia que apenas UMA MÚSICA estava na moda, então os carros tocavam TODOS A MESMA COISA. E essa “mesma coisa” era um CD mixado por um tal DJ Marcílio que continha:

  • Uma música chamada “Mão na cabeça”, consistindo basicamente da frase “mão na cabeça” repetindo até cansar.
  • Outras músicas IDÊNTICAS ao “Mão na cabeça” mas com apenas uma mudança na frase que repete até cansar. Algumas vezes era “boquete, boquete” e por aí vai.

Era surreal ver a família toda reunida na porta de casa, com a vovó na cadeira de balanço e tudo, e logo ao lado o carro estacionado, portamalas aberto, berrando no último volume: “É O BOQUEEETE BOQUEEETE BOQUEEETE BOQUEEETE”…

Mas o melhor da cidade era a nossa pousada. Ela era tão boa que ganhou um post só pra ela, aí embaixo…


As Férias do Primo, Parte 2-B: A Pousada

7 de fevereiro de 2009, 10:08

Com toda certeza, a grande responsável pelo sucesso das nossas férias foi a Pousada Chez Roni, que nos acomodou durante a nossa visida à Baía da Traição.

Saca só o nível do lugar. Parece, sei lá, o Marrocos ou a Grécia – mas é ali na Paraíba mesmo!

 pousadachezroni

pousadachezroni2

O lugar é bem simples. Não espere TV, frigobar ou telefone no quarto (internet nos quartos – realmente essencial :) – eles já estão providenciando). Mesmo porque não faz sentido encher o quarto com um monte de coisas para te manter dentro dele quando logo ali, do lado de fora, na cara da sua janela, tem a praia e o mar.

pousadachezroniquarto

Junto com a simplicidade vem também o bom atendimento. O pessoal não mede esforços para que você se sinta à vontade. Você é bem tratado não por que está pagando: na verdade você é muito bem tratado porque o pessoal gosta de ser hospitaleiro. Tanto que nos últimos dias da nossa estadia vimos um casal de italianos de saída da pousada e a filhinha deles chorando porque não queria ir embora. E o pessoal da pousada chorava junto

Um detalhe interessante é que a pousada é bastante frequentada por gringos, especialmente franceses. O site é bilíngue, o dono é francês e a sócia dele mora metade do ano na pousada e metade do ano na França, com o marido. Vidinha ruim, imagino…

A pousada oferece meia pensão ou pensão completa. Mesmo que você não queira pagar a mais, reserve um ou dois dias para almoçar e/ou jantar na pousada porque, além de tudo, a comida é uma delícia.

Então já sabe: se um dia você for parar na Baía da Traição, saiba que a Chez Roni é très bien e fortemente recomendada.


As Férias do Primo, Parte 1: A viagem

5 de janeiro de 2009, 22:02

Sim, meus amigos! Minhas mini-férias de uma semana foram tão boas (e cheias de histórias) que serão contadas em pedaços. O primeiro deles é a viagem de ida para o lugar escolhido.

A premissa das férias era viajar para descansar, gastando minhas milhas que estavam vencendo e indo para um lugar sossegado, distante da bagunça de reveillon. Após um bocado de adoração ao Deus Google, Bethania, minha esposa, encontrou um lugar que parecia absolutamente perfeito.

Aí você se pergunta: “mas para onde vocês foram?”. Bem, vamos começar dizendo que nós acordamos às 4:30 da manhã do dia 26/12 e voamos até o meio-dia para pousar… em João Pessoa.

João Pessoa
A simpática capital paraibana (foto by Bethania Duarte)

Mas espere: não satisfeitos por estarmos no meio da Paraíba, saímos do aeroporto, almoçamos e fomos direto para… a rodoviária, porque ainda tínhamos uns 100km nos separando de nosso destino final.

Sabe, rodoviárias são um bom espelho do que as cidades realmente contém. A do Rio é abafada e caótica, a de São Paulo é SEMPRE lotada, a de Beagá parece rodoviária de cidade do interior, a de Brasília serve como um bom lembrete do que existe além do plano piloto… e a de João Pessoa tinha uma espécie de “feirinha do paraguai” no andar de cima. E tocava música de crente o tempo todo.

Então chegou o nosso ônibus. E aí eu, este serzinho que viaja por tudo que é buraco desse Brasilzão sem porteira, temi pela minha vida: o ônibus era velho, mas MUITO velho, o que ficava evidente em especial pelo cheiro de carpete velho misturado com o do revestimento dos bancos, feito num couro vermelho já há muito judiado pelo tempo. No vidro que separava o motorista dos passageiros tinha até um adesivo indicando a última vez que o ônibus havia sido dedetizado – mas o adesivo era tão velho que a data já tinha se apagado. E não tinha ar condicionado. E nós na Paraíba, lembram?

Sente o drama:

onibus1
onibus3

 

E os passageiros iam embarcando: Famílias inteiras com a meninada fazendo bagunça, um deficiente com sua muleta, um tiozinho com boné da Lubrax, calça jeans surrada e camiseta do Treze Futebol Clube e por aí vai. Era um legítimo ônibus cata-jeca. E pra terminar de me matar de susto, bem nesta hora, minha digníssima esposa resolve me dizer o seguinte:

- Sabia que o lugar pra onde a gente vai nem aparece no Google Maps?

E o motorista entrou, bateu a porta sem muita cerimônia e pegou a estrada – com uns cinco passageiros em pé e obviamente com uma parada a cada 10 minutos pra pegar ainda mais gente (a parte “cata-jeca” da viagem). Tanto que Bethania sugeriu que a gente cedesse nossos lugares a duas senhoras com crianças e viajamos boa parte do tempo em pé.

Eu ainda estava estupefato com a coisa toda quando numa destas paradas embarcou nada menos do que um vendedor de salgados, de camisa branca e gravata (naquele calor absurdo, nunca é demais lembrar), com uma bacia branca enorme cheia de coxinhas, empadinhas, “cocretes” e outras coisas cujo cheiro de gordura, somado com o cheiro de velho do ônibus, deixou o ar ainda mais empesteado. E o cara se acotovelando conosco no corredor do ônibus, e os passageiros conversando alto enquanto o vendedor gritava “ÓI A COXINHA! ÓI O SALGADO!”, e eu e Bethania nos entreolhando sem acreditar que aquilo tudo estava acontecendo.

onibus2

Algum tempo depois o ônibus sai da estrada, entra no município de Mamanguape e, numa avenida, pára de repente. O burburinho entre os passageiros começa imediatamente:

- Oxe, o que é que foi?
- Ih, foi batida. Olhe ali o carro.
- Mas o cabra tem que tirar o carro da frente, ué.
- Vixe, vai tirar não, o hôme nem saiu do carro… num deve tá querendo tirar o carro do lugar por causa de perícia, seguro ou sei lá.

Aí um tiozinho mete a cabeça pra fora do ônibus e começa a gritar: “TIRE ESSE CARRO DAÍ SEU JUMENTO!”. O burburinho aumenta. O motorista buzina, depois começa a discutir com o cobrador. Duas senhoras desistem da viagem e descem do ônibus, resmungando. E como se o nonsense não estivesse suficiente, aparentemente o dono do carro resmungou alguma coisa que irritou o tiozinho da janela do ônibus, que logo disse:

- Ah é? Deixe esse folgado aí que ele vai ver só uma coisa!

E, esticando o braço até o meio das costas, saca de lá nada menos do que um facão. “Se ele falar mais alguma coisa eu vou lá e lhe encho de furo”, disse. E enquanto isso o motorista ia dando ré no ônibus pra tentar desviar, com o cobrador do lado de fora ajudando a manobrar e o tiozinho branindo seu facão (mais de exibido do que de corajoso), disparando bravatas tipo “na favela onde eu mora nêgo folgado igual esse aí já tinha morrido”. E eu pensando onde diabos fui me meter…

Muitas manobras depois o motorista consegue se desviar do acidente e o balaio segue viagem. E o tempo passa, a noite vem chegando, os passageiros começam a desembarcar e eu ali, perguntando o trocador (sim, tinha trocador) de 10 em 10 minutos se ainda faltava muito… até que, depois de quase duas horas na estrada nós, finalmente, chegamos.

(Continua…)


O Primo’s Amazonic Project Management Saga

22 de novembro de 2008, 12:51

A imagem era idêntica as que se vê nos documentários da tevê sobre a amazônia: um mar de árvores. Mata fechada, cortada apenas por rios sinuosos de água marrom. Num deles tinha até uma canoa passando. Aì, de repente, aparece uma cidade.

Foi vendo isto da janela do avião que eu pousei em Marabá, interior do Pará…

maraba1

Minha missão era simples: atualizar o cronograma de um projeto de reforma de um frigorífico. O problema é que os engenheiros responsáveis estão "fugindo ostensivamente" de mim. Não atendem telefone, não respondem email… outro dia achei um deles no Skype e ele me disse: "Como você me achou? Tava me escondendo de você"…

Então resolvi visitar a obra pessoalmente. Só que esta foi a última semana de reforma antes do frigorífico voltar a operar e está tudo um pandemônio, portanto ninguém teria tempo de se sentar comigo e me atualizar sobre o projeto.

maraba2 A solução? Arrumei um capacete e me enfiei audaciosamente pelo canteiro de obra, no calor paraense, atolado até o tornozelo na lama do canteiro de obra (porque choveu horrores), com um cronograma impresso numa mão e uma planta do frigorífico em outra. E tive que descobrir, por conta própria, o que foi ou não executado e, então, atualizar o status do projeto.

Acho que nunca trabalhei em condições tão insalubres de trabalho. Eu vi placas de aço caindo a alguns metros de mim, vi fagulhas de solda e de metal incandescente voando pra tudo que é lado, vi caminhões atolando na lama, vi um trator quase atropelar dois peões, andei por cima do forro do telhado a uns 5 ou 6 metros do chão, me apoiando em tubos e trepando por cima de dutos de ventilação, saí pelo canteiro de obra à noite em locais onde os peões viviam achando cobras (amazônia, lembram?), e por aí vai…

Mas o saldo final foi positivo: os engenheiros fujões viram que eu não estou de brincadeira e me evitar apenas vai adiar o inevitável e, de brinde, comecei a acompanhar um outro projeto de reforma de uma das fábricas anexas – coisa que vai deixar Darth Vader, meu chefe, bastante contente.


Drill, baby, drill

22 de outubro de 2008, 22:46

Engraçado como o mundo dá voltas. Quando eu entrei pra faculdade de Ciência da Computação, em 1998, eu jamais imaginei que, dez anos depois, eu entraria num canteiro de obra no Mato Grosso, olharia para uma perfuratriz e pensaria: “droga, o projeto tá atrasado”…

Falando em Mato Grosso, deixa eu apresentar pra vocês a cidade onde estou trabalhando, a 200km de Cuiabá, e que eu chamo pelo carinhoso pseudônimo de “Ovomaltino”…

Ovomaltino

Pois é. Diz a Wikipedia que aqui tem 18 mil habitantes, só não sei onde eles estão. Mesmo assim Windturn City continua ganhando como o maior fim-de-mundo onde eu já me enfiei a trabalho.

Bem, na verdade eu comecei a falar da perfuratriz porque hoje paguei um belo mico por causa dela: depois de um longo dia cheio de problemas que se multiplicam como coelhinhos no cio, estou eu preparando um relatório quando resolvo olhar pela janela pra ver a obra, a uns 200m de distância. O relatório dizia que a perfuratriz estava trabalhando até as 22h pra compensar uns atrasos do cronograma, mas o que eu vi pela janela foi a perfuratriz parada e do lado de fora do canteiro de obra. Saí da sala e fui direto procurar o engenheiro-chefe, que estava na salinha de café com uma pessoa. Não quis nem saber e cheguei interrompendo:

- Por que diabos a perfuratriz tá parada??
- Não tá não, agora é pra ela estar na área 12, inclusive.
- Acabei de olhar pela janela e ela tá parada e fora do canteiro de obra. Como é que eu vou escrever no relatório que ela tá funcionando até as 22h?
- Sei lá, ela deve ter estragado então. Eu vou ver aqui e te falo…

Voltei pra sala já pensando no pior. Aí olho pra janela de novo e lá estava a perfuratriz… dentro do canteiro de obra e perfurando feito louca. O cansaço e o trauma dos problemas do dia, pelo visto, já estavam me fazendo enxergar coisas. Voltei pra salinha do café com o rabinho entre as pernas e falei com o engenheiro-chefe que eu tinha me enganado.

E o grand-finale foi quando ele voltou pra sala onde eu estava e disse:

- Pô cara, que vergonha hein? Você me puxando a orelha por coisa que não tava errada… e na frente do prefeito de Ovomaltino


Um hotel para toda a família

3 de setembro de 2008, 20:56

Ah, a consultoria. Graças a ela eu vim parar numa cidadezinha a 200km de Cuiabá e estou ficando num legítimo hotel de posto de gasolina de beira de estrada.

Que, como vocês podem ver pelas instruções afixadas na porta do quarto, é um lugar totalmente família…

Aviso de hotel


As lembranças que trouxe de Belém do Pará

9 de agosto de 2008, 15:29

É, eu fui lá dar um treinamento. E não me esquecerei de várias coisas, a saber: 

  • O calor. Onipresente. Sufocante. Absurdo. E no inverno. “Não é atoa que a criminalidade aqui é alta. Eu mataria por um ar condicionado”, pensei eu, nos dez minutos que esperei, ao ar livre, a porta da sala de treinamento se abrir. Outra coisa que pensei foi que deve ser impossível ter um computador com overclock em Belém.
    Continuo morrendo de vontade de morar num país com as quatro estações funcionando do jeitinho que eu aprendi nos livros de geografia…
  • O Rio Guamá. Mas foi tudo planejado pela turma que reformou os galpões antigos do porto e os transformou em um agradabilíssimo lugar com restaurantes e bares (e ar condicionado!). Aí você vai lá jantar à noite e dá de cara com aquele absurdo de rio e com o reflexo da lua batendo nas águas.
    Mas o mais incrível foi na hora de ir embora. O avião decolou e me deu, como grand finale da viagem, esse pôr-do-sol sobre o rio…

Pôr do sol sobre o Rio Amazonas

  • A comida típica. Inventei de pedir um “combo” de comida paraense com um monte de maluquices, incluindo maniçoba (a “mandioca brava”, cozida por sete dias e preparada como uma espécie de feijoada indígena) e o pato no tucupi (que faz sua língua ficar dormente e, no meu caso, dispara a música “confortably numb” em loop na sua cabeça imediatamente).
    A maniçoba era uma delícia. O pato no tucupi, nem tanto.
  • As dicas que recebi pelo Twitter. Nenhum guia turístico me traria resultado melhor. Graças ao Ian eu experimentei o sorvete de uxi (uma fruta doida – e deliciosa) na Cairu. Graças ao Doda Vilhena eu tenho um monte de bombons de cupuaçu na minha mochila nesse exato momento. E agora tem um a menos :)
    E fica aqui meu pedido público de desculpas ao Renmero, ilustre cidadão paraense e companheiro de Impop, a quem prometi umas cervejas no final da sexta-feira. Acabei antecipando meu vôo de volta e deixei o cara na mão. Shame on me.
  • O palco de música ao vivo montado no guindaste do galpão, nas docas, que fica se deslocando por cima das mesas. Idéia genial, só faltou tirar a música ao vivo.

Palco móvel das docas no Pará

Isso dá até uma reversal russa: No Pará, a música ao vivo passa por cima de VOCÊ.

  • A banca de discos que vi numa das ruas da cidade. Tinha tudo que é velharia em vinil. E tinha uma TV passando o videoclipe de “Neon Lights”.
    Imagine você, derretendo nas ruas de Belém do Pará, ao som de Kraftwerk. Surreal.

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