O Primo recomenda: Extermínio

Toda vez que eu ouvia Godspeed You Black Emperor, banda que eu insistentemente menciono aqui no blog, eu entendia perfeitamente a mensagem da música: uma angustiante sensação de vazio. Essa sensação é “tocada” com extrema maestria pelas guitarras e violinos dos geniais músicos canadenses do Godspeed.

Quando Jim (Cillian Murphy) acorda no hospital, após um longo período desacordado, ele não vê ninguém. Não ouve nada. Nas ruas, não há ninguém.

Para o meu mais completo deleite, a primeiríssima música a ser ouvida no filme, enquanto Jim anda perplexo pelas ruas desertas de Londres, é East Hastings, do Godspeed You Black Emperor. E o filme ganhou seus primeiros pontos comigo: uniu a cena perfeita com a trilha sonora perfeita.

Eu não esperava isso do filme. Achei que ia ser simplesmente um filme básico de zumbis. E o que menos se destacou no filme foram os zumbis, ou os “infectados”, como são chamados. E o que mais se destacou no filme foi a profundidade psicológica dos personagens e a forma com que eles lidavam com o aparente “fim do mundo”.

Destaque para a bela fotografia (eu ainda estou me perguntando como diabos eles fizeram para filmar as cidades vazias) e para os cuidados com o roteiro. A falta de eletricidade, por exemplo é levada a sério e não é contornada com nenhum argumento estúpido para facilitar a vida dos protagonistas. Destaque também para o diretor, Danny Boyle, o mesmo do horrendo filme A Praia.

Extermínio tinha tudo para ser um filme hollywoodiano típico, com zumbis, explosões e heróis. Extermínio relegou os zumbis e explosões para o segundo plano, destacou os protagonistas como simples seres humanos, carentes e assustados, e o seu heroísmo não era medido pela quantidade de zumbis que matavam, e sim pela bravura em não se deixarem levar pelo desespero.

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