Coisas que se vê em reunião

Sexta de manhã, da sala de reunião onde eu estava, pela porta aberta dava pra ver a secretária, na sala adjacente, respondendo os seus emails no computador.

A reunião ia muito bem, até que eu olho para a tela do computador da secretária… e vejo um site pornográfico. Fotos enormes, ocupando toda a tela. Depois de perceber que eu percebi ela fechou a janela com as fotos e continuou a trabalhar.

Um tempo depois, olho novamente… e mais pornografia da grossa. Ela fechou as fotos e continuou a trabalhar.

Aí eu entendi o que estava acontecendo com o computador dela… CoolWebSearch…;

Coisas que se ouve em reunião

No fim da tarde de sexta-feira, os participantes da minha última reunião papeavam:

– Cara, uma vez eu estava num congresso, dando uma palestra, aí eu falei: “a reforma da praça Xis tinha sido a coisa mais excitante que eu fiz em toda a minha vida”… aí um colega chegou no meu ouvido e cochichou: “Isso é porque você não conhece o coito anal…”
– HAHAHAHAHAHAHAHA!!! – dizem todos
– WTF!!! – penso eu

O Primo e o Governador

Sim, você leu certo. Hoje eu fui a uma cerimônia no Palácio da Liberdade, com o Governador do Estado de Minas Gerais e mais todo o primeiro escalão do governo. Na verdade não havia a menor razão de eu ir pra cerimônia, mas todos os meus colegas de trabalho estavam pululantes de vontade de ir, então acabei acompanhando-os.

Além de um sem-número de figurões de terno e gravata, estava lá também Oscar Niemeyer, o Andy Warhol da arquitetura brasileira. É que a cerimônia era o lançamento oficial do projeto arquitetônico, feito pelo Niemeyer, do novo centro administrativo que o governo pretende construir.

Até agora (quatro horas depois) não vi nenhuma notícia sobre o evento na imprensa, então vou dar algumas informações em primeira mão:

Tive a oportunidade de ver a maquete do centro administrativo. São três edifícios, um que deve servir de novo palácio pro governador e dois prédios enormes, pra abrigar o resto da administração pública. Ficou legal, bem Niemeyer (ou seja, não espere por paredes retas). O projeto foi doado por duas grandes empresas de mineração do estado. Na cerimônia, o Niemeyer ganhou o título de “cidadão honorário de Minas Gerais”.

Detalhes engraçados da cerimônia, pra não perder o costume:

– O mestre de cerimônias anunciava tudo com uma voz cinematográfica, de quem estava anunciando um show: “Senhoras e senhores!!! Com vocês, o Governador do Estado…”

– Niemeyer está bem velhinho e anda com dificuldade. Tanto que seu discurso foi lido pelo “narrador” do evento. Mas depois ele pegou o microfone e começou a falar um pouco. Eu quase não entendia o que ele dizia por causa do tom de voz cansado. Mas uma frase foi bem nítida…

…blá blá blá blá e o Bush é um cretino…

Seguiram-se aplausos calorosos.

– Durante o evento, o Governador folheava um maço de pedaços quadrados de papel. Pela distância, não pude identificar o que era, e achei que eram fotos ou algo assim. Aproximadamente umas 50 “fotos”. Quando ele foi até a tribuna para falar, levou consigo o bloco de “fotos” e começou a passar, uma por uma:

“Excelentíssimo secretário do blá blá blá… (passa a ficha), Prezado ministro blá blá blá… (passa a ficha)”

Eram os nomes das pessoas que ele iria cumprimentar na introdução do discurso…

– Ainda durante seu discurso, todos em silêncio, de repente toca um celular. Era o velho Nokia Tune, o toque de celular mais manjado do planeta. E ninguém atendia. Pensei eu: “Mas quem é o tosco que está deixando esse celular tocar no meio do discurso do Governador e não vai atender?…”

E, para meu espanto, o próprio Governador enfia a mão dentro do paletó, retira o seu celular e estende a mão no ar, para que um dos seus assessores o atendesse…

Relatório de Atividades de Trabalho d’O Primo

Ontem:

Fiquei em reunião em outra cidade a manhã toda, almocei no carro enquanto vinha pro trabalho, quando cheguei descobri que não havia motorista da empresa pra me levar pra reunião da tarde. Quem deveria ter agendado o carro foi a Gerundina, que não é consultora e sim funcionária da empresa-cliente, e que passou a manhã sem fazer nada.

Enquanto eu aguardava que ela, leeeeentamente, tentasse providenciar um carro, fui trabalhar um pouco. Ao tentar enviar um arquivo para o “super-servidor de publicação web”, um computador daqui da sala que eu cuidadosamente configurei nas semanas anteriores, obtive uma mensagem de erro. “Ah, o computador deve estar desligado”, pensei. Me levantei e olhei por cima da divisória para ver se a máquina estava ligada e… o computador não estava mais lá.

Fazendo um esforço enorme pra não proferir obscenidades enquanto falava, perguntei:

– Pessoal, onde foi parar um computador que estava naquele cantinho ali?
– Ah, tiraram ele e deram pra secretária daqui do andar… – respondeu Gerundina.

Enquanto eu me sentava e pensava, desesperado, em todo o retrabalho que me espera, um dos consultores, que dividia a mesa comigo, me pergunta:

– Ei, meu teclado desconfigurou… como eu conserto?

Como todas as respostas que vieram na minha cabeça envolviam a inserção do teclado num orifício do meu colega, respirei fundo e fui ajudar.

Quando deu o horário da reunião para a qual eu esperava o carro, Gerundina disse:

– Olha, diz o pessoal do Transportes que só vai ter carro daqui a uns 15 minutos.

Apliquei o fator de correção e percebi que só iria ter um carro disponível em meia hora. Respondi:

– Ah, vamos no meu carro mesmo.
– Mas… mas lá não tem lugar de parar o carro.

E, além da raiva, a reunião também me custou R$ 7 de estacionamento.

Hoje

Marcaram uma reunião importantíssima pra hoje às 8 da manhã, com informações imprescindíveis pra todo mundo começar a fazer reuniões às 9, que é o horário normal do pessoal chegar.

São praticamente oito horas e ninguém chegou ainda. Provavelmente a reunião vai começar às 8:30, não vai dar tempo da gente resolver nada e vamos sair pra fazer reuniões de um assunto que ainda não foi 100% resolvido.

A Mulher do Ano

Essa não deu tempo de contar mas vai agora.

Ontem eu estava numa reunião para montar um cronograma com mais três mulheres. Uma era uma louca do cabelo vermelho, bijuterias enormes e roupas espalhafatosas.

Este tipo de mulher têm sido uma epidemia na minha vida profissional. Não achei que existissem tantas delas, mas agora percebo que elas representam a razão pela qual ainda são vendidas bijuterias douradas e bregas. E aqui vai um conselho: se você tiver que trabalhar com uma das “loucas do cabelo vermelho”, reze pela sua vida.

Mas na reunião também tinha outra mulher, que só reclamava de dinheiro, e havia uma terceira. Esta terceira, pseudo-chamada “Vanusa”, ficava sentada, calada, olhando desconfiada pra todo mundo. Durante a reunião eu perguntava:

– Pois é gente, vocês vão imprimir estas apostilas aqui né… quanto tempo isso deve levar?
– UM ANO!!! – Gritava Vanusa, olhando desconfiada para os lados.
– Uhh… uns vinte dias – Corrigia a do cabelo vermelho.

Assim foi por toda a reunião. Eu perguntava:

– Hmm, mas depois vocês vão iniciar um processo de licitação, dura quanto tempo?
– UM ANO!!! – Gritava Vanusa

Pra todas as coisas a resposta de Vanusa era “um ano”. Depois de uma meia hora ela se cansou e resolveu ir embora, pra minha sorte.

Uma tarde

14:01 – Começa a rodada de reuniões-relâmpago que agendei para esta tarde. A primeira pessoa com a qual eu me reúno é uma mulher com cara de homem, cabelo vermelho, gagueira, dentes amarelos e um bafo horrível de cigarro. Por aí vocês tem uma noção do resto que me esperava.

15:40 – Depois de mais umas três criaturas medonhas, quando a coisa não podia piorar, chega para a próxima reunião um gay.

E, para minha surpresa, o gay sacou rapidamente o motivo da reunião e foi, de longe, a pessoa mais produtiva da tarde.

16:45 – Vou ao bebedouro pegar um copo d’água. Passa a secretária do andar, uma velha gorda, resmungando pra mim:

– Ahh, que cansaço… cansei disso, esse trabalho é muito chato…
– Que nada, é até bom… – respondi eu, pra ser simpático.
– Na sua idade eu até gostava, hoje eu só gosto de bater carimbos e de fazer palavras cruzadas pra não emburrecer muito rápido.

18:45 – De volta ao “QG dos consultores”, dois colegas conversam. Um deles reclama que não conseguiu encontrar um crack pra um programinha…

– E olha que eu procurei em todos esses sites de hacker que tem…
– Cara, eu não entendo por que as pessoas fazem esses cracks…
– Por prazer, ué!
– Como assim por prazer?
– Ué, são os famosos “escovadores de bits”, os caras escarafuncham tudo, fazem engenharia reversa…
– Mas os caras gostam de fazer isso?

Neste ponto, interfere O Excêntrico:

– Ora, mas a masturbação mental é um prazer solitário…
– Putz, definiu bem hein, masturbação mental…
– E é claro que tem que ser um prazer solitário! – continuou O Excêntrico – Afinal de contas, quando eu explodir a Catedral da Fé, você acha que eu vou contar pra alguém? Vou apenas olhar para os escombros e sorrir satisfeito!