Bifa na concorrência

A empresa-cliente do Rio está se mostrando bem inovadora ultimamente.

Outro dia era o papo de ter um cheiro pra marca. Agora é esse boneco aí do lado, que fica na porta do setor de vendas.

Ele está vestindo uma camiseta com os logotipos dos concorrentes*. Quem quiser pode ir lá a qualquer hora do dia e descer a porrada no boneco, ou seja, na concorrência.

Em vez de achar isso esquisito, eu fiquei é com vontade de ter um aqui em Windturn City…

* – A estampa da camiseta está borrada propositalmente, por questões de confidencialidade.

Meu sonho é escrever igual os redatores do Gizmodo…

Meu sonho é escrever igual os redatores do Gizmodo. Saca só esta nota sobre um relógio estranho com uma laranja no meio:

“Okay my little droogies, your humble narrator brings you a 10-inch timepiece that will remind you that it’s time to stop listening to Ludwig Van and get back to the old in-out. You won’t have to commit any of the ultra-viol to get one, either, because it’s just $15.99”

Com o dedo duro na aterrissagem

Olha, eu sou um cara 100% honesto, pago meus impostos e escovo os dentes antes de dormir.

Bem, exceto na sexta-feira, quando eu costumo enganar a aeromoça e deixar meu iPod ligado no avião durante o pouso e a decolagem, o que me torna um terrorista maldito que assusta menininhas.

Na última sexta-feira eu inventei de voar pela Varig. O avião que ia nos levar (um Boeing caindo aos pedaços) entrou em “manutenção não programada” e só depois de uma hora é que eu consegui embarcar (em outro Boeing caindo aos pedaços). Na hora de decolar a aeromoça me mandou desligar o iPod, e eu, como de costume, ignorei a ordem dela. Na hora do pouso, fiz a mesma coisa. Afinal, eu sou um cara 100% honesto, pagador de impostos e livre da placa bacteriana, mas se me impedirem de ouvir música eu me torno um fervoroso membro da Al Qaeda.

Bem, foi isso que o passageiro ao meu lado deve ter pensado, porque na hora que a aeromoça já ia saindo de perto de mim ele disse:

– Olha, esse cara aqui não desligou o iPod dele não! E na hora de decolar ele fingiu que desligou mas deixou ligado! É meu direito, você tem que mandar desligar…

Sim, o cara me dedurou pra aeromoça. Eu me senti com sete anos de idade novamente, na salinha do pré-primário, ouvindo o coleguinha dizer: “Olha ele, pssora! Olha ele!”. E, do topo da minha honestidade 100% imaculada e dos meus dentes alvos, eu fiquei muito puto, botei a tela brilhante do iPod bem nas fuças do cara e desliguei.

O avião foi fazendo as suas curvas para pousar e eu, apesar da raiva, fui pensando… e resolvi ser não apenas 100, mas 200% honesto. Gente-boa pra cacete mesmo. Então virei pro cara, engoli todo o orgulho ferido e…

– Desculpe se eu te assustei.

E ainda comecei a explicar o por quê da proibição dos iPods – é que numa emergência eu deveria estar em condições de ouvir orientações da aeromoça, e que meu iPod não estava ameaçando a segurança de ninguém além de mim mesmo e tal. Mas a conversa que se seguiu foi difícil de acreditar:

– É uma norma de segurança internacional – disse o babaca, com ênfase no “internacional” – Olha só, eu fumo e não estou fumando aqui, entende?
– Mas se você fumar o avião vai cair?
– Mas… mas eu posso queimar você!
– E meu iPod vai queimar você? Olha, eu tenho certeza que ele não interfere no avião, ok?

E então ele fechou a conversa com chave de ouro:

– Humpf… é por causa de gente assim que o Brasil está desse jeito…

Até pensei em dizer a ele que, sim, eu era 100% honesto, pagador de impostos e livre das cáries, mas resolvi deixar pra lá.

Aí hoje dei de cara com um link interessante de um projeto de arte envolvendo aquela posição de impacto para pouso de emergência sugerida nas cartelinhas de instruções de segurança. De acordo com o texto…

Aparentemente a única coisa que esta posição consegue fazer por você é preservar sua arcada dentária na hora da batida. Seus dentes ficam mais próximos ao número do assento, tornando mais fácil o processo de identificação dos cadáveres pelos legistas.”

Imagine só a cena… eu ligo o iPod, o shuffle escolhe uma música do Air (hehe), aí a eletrônica do avião despiroca toda, ele perde o controle e a aeromoça manda todos assumirem posição de impacto. Na queda todo mundo morre queimado. Aí os legistas vão até os restos do meu assento e dizem:

– Putz, olha a arcada dentária do cara da 18A… ele devia escovar os dentes todo dia antes de dormir.
– Incrível. Normalmente é esse tipo de gente que nunca sonega imposto.
– Pois é… uma pena, só os honestos morrem. Por isso que o Brasil está desse jeito…

O cheiro que marca a marca

Eu estava bem no meio da minha quinta reunião do dia, aqui no Rio, quando entraram três pessoas na sala. Duas delas eram promoters uniformizadas com as cores e o logotipo da empresa, e elas carregavam frascos com palitinhos de madeira e um líquido estranho, em vidros etiquetados com as letras A e B.

Eu não entendi nada, até que a terceira pessoa começou a explicar:

– Pessoal, nós estamos aqui para fazer uma votação sobre qual deverá ser o cheiro da nossa marca. A gente vai usar este cheiro nos pontos de venda, lojas, etc…

Enquanto isso, as promoters começaram a entregar os palitinhos umedecidos para o pessoal cheirar e votar. Eu achei aquilo tudo bizarro e genial ao mesmo tempo.

Uma noite inesquecível em Windturn City


Rodoviária do Rio: O quadro de horários, inalterado desde 1940 (esq.) e uma mulher jogando paciência “analógica” pra passar o tempo (dir.)

Quatro horas de ônibus depois e eu finalmente cheguei em Windturn City, para dormir na hospedaria da fábrica. Michael Jackson, meu fiel trainee, estava de pijaminha, sentado na beirada da cama, digitando freneticamente no seu notebook. Estava fazendo um resumo de um livro de trabalho, para estudar. Sugestão do chefe dele – no caso, eu. Bom garoto…

Normalmente eu não reclamo da falta de conforto aqui em Windturn City, mas a coisa está ficando abaixo da crítica. Ontem, Michael só conseguiu toalhas pra gente tomar banho porque outros hóspedes pularam a janela da sala da governança e pegaram algumas. E a roupa de cama que estão nos dando é áspera feito uma lixa.

Além disso fazia um calor infernal, o ventilador do quarto parecia a turbina de um Boeing, e pra completar eu tive uma crise horrenda de insônia e fiquei horas rolando em cima do lençol-lixa. E pra piorar comecei a sentir umas coceiras estranhas pelo corpo. “Pronto, só falta ter pulga nesse colchão velho”, pensei.

Às três da manhã eu, finalmente, peguei no sono. Quatro horas depois o celular de Michael me acordou ao som do tema de Star Wars. Ao levantar, descobri a razão da minha coceira noturna: tinham formigas mortas no meu lençol. “Ah, era isso”, pensei. “Mas de onde vieram essas formig…”

O pensamento ficou suspenso quando olhei para a cama extra ao lado da minha, que estava coberta por CENTENAS de formigas. E pra piorar, o destino delas era uma sobra de doces que comprei na viagem e deixei no bolso da minha mochila.


Tive que tirar uma foto.
Porque senão nem eu acreditaria.

As formigas desciam pela janela (aberta por causa do calor), atravessavam o quarto inteiro e se esbaldavam por cima da cama. Eu entrei em pânico quando imaginei aqueles pontinhos pretos, condutores de eletricidade, entrando pelo buraco de ventilação do meu notebook, se escondendo no conector do cabo do meu iPod…

Alguns minutos de “mata-mata” depois e a situação ficou sob controle. Eu ainda não voltei para a hospedaria e não sei como ficou a situação do quarto, mas a idéia de milhões de formigas se esfregando em mim durante a noite passou o dia todo pelo meu cérebro lesado de pouco sono…