Pavlov – Um Artista de Vanguarda (parte 2)

Parte um aqui

O tempo traz consigo a maturidade para os jovens artistas. O ímpeto criativo, por vezes descontrolado, pouco a pouco vai ganhando forma e direção. Normalmente é nesta fase da carreira que os artistas produzem suas obras-primas.

Pavlov, artista precoce, não precisou dos favores do tempo e da maturidade para demonstrar direcionamento criativo, e surpreendeu mais uma vez ao produzir as obras da série intitulada “quinas”.


Quina 1
Plástico, terra, plantas, pedras decorativas – 2007
Acervo do artista

Em sua arte, continuam onipresentes o sentimento da fúria primal e da oralidade: Pavlov executa todos os seus trabalhos com a boca, nas madrugadas onde fica sozinho e livre em sua casa. Mas a novidade agora é o objeto do trabalho: as quinas. Quinas que, destruídas, tornam-se “ex-quinas”, e que ilustram o sentimento de estar à beira de algo, à margem, até mesmo encurralado.


Quina 2
Madeira, metal e plástico – 2007
Acervo do artista

As obras da série “quinas” também fazem uma brincadeira com a sua crescente popularidade no mercado da arte. O release publicado no mês passado foi um dos posts mais populares de todos os tempos – bateu o recorde de comentários, por sinal -, mas ainda assim Pavlov se coloca à beira das suas obras, compostas basicamente por grandes móveis, adulterados em apenas uma de suas beiradas. Esta também é uma referência ao poder de sua arte: com simples mordidas, alterações aparentemente insignificantes quando se considera a dimensão do objeto adulterado, Pavlov praticamente os inutiliza e os despe de sua função estética original, depreciando profundamente seu valor – causando assim um impacto e horror profundos em quem os encontra semidestruídos.

Este horror provocou uma reação interessante em Bethania Duarte, a responsável pela curadoria de suas obras: tomada de um sentimento de repulsa pela destruição do móvel usado em “Quina 2”, Bethania cobriu a beirada semidestruída do móvel com pimenta, para impedir que Pavlov concluísse sua obra. No dia seguinte, o móvel continuou sendo trabalhado: Pavlov adorou o sabor da pimenta.

Esta é, sem dúvida, a marca inegável de seu gênio.

5 thoughts on “Pavlov – Um Artista de Vanguarda (parte 2)”

  1. “(…)ilustra o sentimento de estar à beira de algo, à margem, até mesmo encurralado.”
    Hahahahhaha! Muito foda!
    Pavlov tá com um acervo invejável.

    E sobre o sofá: “Nossa, isto que eu chamo de obra picante!” (Aaaargh!! :D)

  2. putz, eu estava lendo o post e ia dar a sugestão de pôr pimenta… mas ele gostou?? que cachorro louco!!!
    a Apple também roía a quina de um móvel e do rodapé de madeira(!). mas a pimenta resolveu.
    compra um tronco-osso pro Pavlov.

  3. Concordo com a Garota Kunami… Mas… em vez de um “tronco-osso”, que tal um osso em formato de sofá (sabor Chilli)!! rsrsrs Acho que ele vai adorar!!

  4. Pavlov vive mordiscando um daqueles ossos brancos que parecem de plástico, e Bethania sempre dá pra ele uns bastõezinhos mastigáveis brancos (que diabos é aquilo?).

    Mas, sabe como são os artistas, insaciáveis…

  5. noooooossssssssssssssssssa!!!!!!! agora que estou conhecendo esse cara, ele é decente! já dizia meu filho adolescente.Á beira de algo demais….

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