A conquista do Sudoku

Terça-feira. Depois de duas horas preso no Aeroporto Santos Dumont por causa do mau tempo, finalmente entrei num avião rumo à São Paulo. Aí cismei de pegar uma daquelas revistinhas de passatempos da Tam para fazer umas palavras cruzadas e foi então que me deparei com alguns exemplares do jogo da moda, aquele que é a sensação nos aeroportos brasileiros: o Sudoku.

20080417_4 Você sabe, Sudoku (“único número” em japonês), esse joguinho aí do lado, dos quadradinhos. Tem que preencher com números de 1 a 9 sem repetir os números nas linhas, colunas e nos quadrados grandes de 3×3. Moleza né? NOT!

Sabe, eu tenho uma certa resistência à Sudoku porque ele é com números, e números expoem o lado imbecil do meu cérebro – o que mexe com números. Matemática nunca foi o meu forte: foi nela que tirei meu único (e traumático) zero numa prova, na quinta série. Eu sei lá como sobrevivi às aulas de cálculo na faculdade, sempre passava raspando, enquanto nas outras matérias eu mandava bem sem muito estudo. Meu ápice de genialidade acadêmica foi quando tirei total na temida prova final de Compiladores, a matéria mais difícil do curso de Ciência da Computação (que frequentemente reprovava metade da turma). Mas me dê um punhado de números e eu me enrolo todo. Erro as coisas mais idiotas – idiotas MESMO, tipo somar os 10% de gorjeta num restaurante.

Aí uma vez eu vi um casal de amigos meus – que são dois geniozinhos da matemática, diga-se de passagem (sim, vocês mesmos, André e Ju) – esmigalhando páginas de Sudoku na maior facilidade. Aí peguei um pra fazer e, dez minutos depois, meu cérebro deu tela azul.

20080417

Desde então fiquei com essa antipatia de Sudoku. “Não é atoa que tem Ku no nome”, pensava eu. Mas naquela hora, no avião, eu senti que aquele Sudokuzinho poderia ser meu. E mandei ver.

Dez minutos depois, ao invés de tela azul, meu cérebro estava TOTALMENTE ALUCINADO de um jeito tipo John Nash: eu tava “enxergando” tudo, as possibilidades do jogo, as estratégias e tal. Fui sapecando os numerozinhos nos quadradinhos, feliz, achando que finalmente tinha espantado o fantasma do Sudoku, até que…

– Peraí, nesse quadradinho aqui não dá pra colocar nenhum número.

20080417_2Chequei, rechequei e era verdade: eu havia cometido um erro em algum lugar. Aí a empolgação virou pânico: eu tentei fazer um backtracking, descobrir onde eu tinha feito caquinha, rabisquei uma ou duas casinhas e quando vi o avião havia pousado. Conclusão: depois de mais de uma hora debruçado sobre o Sudoku, tudo que eu tinha era isso aí do lado.

Cheguei em casa e fui chorar as mágoas com Bethania. Ela disse “ah, esse aí tá facinho” e completou um outro jogo da mesma página. Só pra humilhar.

Fui dormir me sentindo tão inteligente quanto Márcia Goldschmidt.

No dia seguinte o Sudoku continuava lá, em cima da mesa. Copiei o jogo numa planilha do Excel (coisa de nerd, não pergunte) e, para marcar a hora de início, twittei:

– OK, Sudoku. Você e eu. Agora.

Meu cérebro entrou em modo “(se achando) John Nash” de novo, mas eu redobrei a atenção pra não errar nada. Muita insistência e exatos 65 minutos depois… a vitória:

20080417_3

Finalmente o fantasma do Sudoku foi exterminado da minha vida. E confesso que foi até divertido.

Agora posso alçar vôos matemáticos mais altos. Dividir uma conta no restaurante, talvez?

10 thoughts on “A conquista do Sudoku”

  1. Um tempinho atrás, eu viciei nisso tb. Tanto que, um tempo depois só fazia os “Muito Difícil” pra cima. Até aqueles com somas no meio e os outros que eram 5 em 1 eu fazia. 😀

    Na verdade, pela foto que vc colocou do que fez aí, vc não está usando as técnicas básicas.

    Resumidamente:

    Use os lados das linhas e colunas, para colocar os números que faltam, isso ajuda MUITO. É melhor quando faltam 3 ou 4 numeros na linha/coluna.

    Além da técnica de tentar descobrir qual numero é colocado na casa, veja quais não podem ser colocados, e por eliminação pode descobrir o certo.

    Se chegar à conclusão que apenas 2 numeros podem ser colocados em uma casa, coloque os 2 (em tamanho pequeno). Se conseguir cruzar essa dupla, na vertical, horizontal ou no quadrado, com outra dupla igual, vc mata 2 casas de uma vez (mesmo não sabendo o numero certo), facilitando a descoberta das outras.

    Acho que é isso que lembro ainda. 😀

  2. Highlander, eu até tentei usar os lados pra anotar os números que faltam/possíveis (no que eu tentei fazer acho até que dá pra ver). Pesquisando para este post eu até vi um macetinho legal de usar pontinhos no quadrado pra indicar os números faltantes e tal…

  3. Boa, Zé… nada de deixar o sudoku te vencer. Mas fazer no avião é complicado mesmo, rola uma pressão pra terminar antes do pouso e as chances de erro aumentam… 🙂

  4. Pontinho são uma boa. Fica menos bagunçado. Por outro lado, fica menos “visual”.

    Agora que lembrei, meu celular tem o Sudoku, e eu nunca consigo jogar no nivel dificil lá, justamente por não poder usar esses truques.

  5. Cuidado…

    Comecei assim com um ou outro… agora tenho um programa na minha pen (sudoku portable), e só consigo começar a trabalhar depois que resolvo um que fica na página inicial do meu google/ig…

    Mas não tome isso como regra… eu que vicio rapido…

  6. Com o tempo você vai pegando váaarios macetinhos que facilitam o jogo… As vzs eu anoto os numerinhos pequenininhos nos quadrados e vou eliminado.. Mas o mais básico é você dar uma olhada geral e ver quais os números que tem mais, dai ver nos quadrados onde não tem esses números onde que eles se encaixam, enfim… Depois fica gostoso. 🙂 Parabéns e boa sorte!

  7. Sudoku é pra Jacu!
    hehe, brincadeira.

    Já jogou Xadrez? Não é à toa que é o pai dos jogos… eu sou completamente viciado em Xadrez, um jogo de tabuleiro com tamanhas possibilidades que nenhum computador foi capaz de decifrá-lo.

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