Seis dicas para quem dá cursos/palestras usando datashow

Eventualmente eu assumo o alter-ego de “Prof. Primo” e dou uns treinamentos por aí. Para facilitar minha vida eu tenho um pequeno “toolkit nerd”, com ferramentas e programas que quebram um galho danado na hora da aula. Algumas eu já citei aqui mas resolvi fazer um post juntando tudo.

1) Zoom, anotações e um “timer” no projetor com o ZoomIt

ZoomIt

O ZoomIt é um programinha minúsculo (76 KB) mas com três funções excelentes: dar zoom em porções da tela (pra mostrar aquele ícone minúsculo pro pessoal que tá sentado no fundão da sala, por exemplo), desenhar anotações instantâneas na tela com o mouse e servir de timer regressivo para a hora do exercício ou do coffee-break. É gratuito, foi feito por um cara da própria Microsoft e é muito, MUITO prático de usar.

O único defeito do ZoomIt é que não dá pra clicar em nada quando o zoom está habilitado, mas para isso você pode usar a…

2) Lente de aumento do Windows XP

Diferentemente do ZoomIt, a Lente de Aumento do XP mostra uma parte ampliada da janela no topo da tela, mas que pode ser reposicionada em qualquer lugar ou tamanho, conforme sua necessidade. O melhor dessa alternativa é que ela já está instalada no seu computador. Vá em Iniciar/Programas/Acessórios/Acessibilidade/Lente de aumento e voilá!

3) “Trocador” de slides sem fio

image No reino do hardware eu uso também esse presenter aí do lado, já que não posso contratar um estagiário para apertar “page down” pra mim.

Não, o lance do estagiário não é piada, afinal no Brasil um brinquedinho desses chega a custar QUINHENTOS reais – mais do que um salário mínimo! Assim, a melhor alternativa é uma visitinha ao site da Deal Extreme, onde o aparelhinho aí do lado, que faz a mesma coisa, custa só 15 dólares e vem com frete grátis. Mas atenção: os pedidos da DealExtreme costumam demorar mais de mês pra chegar, então não compre se estiver com pressa.

E pra encerrar, três dicas que já publiquei aqui antes…

4) Como usar outros programas no notebook sem interromper a projeção em um datashow – para, por exemplo, usar anotações ou outros textos na tela do notebook e deixar a projeção de slides inalterada;

5) Usar uma planilha Excel “semi-automática”, com a programação do curso, para ajudar no controle do tempo e, finalmente…

6) Seis passos simples pra tornar “assistíveis” até as mais horríveis apresentações em PowerPoint. Se bem que “PowerPoint” e “horrível” são um tanto quanto sinônimos…

As lembranças que trouxe de Belém do Pará

É, eu fui lá dar um treinamento. E não me esquecerei de várias coisas, a saber: 

  • O calor. Onipresente. Sufocante. Absurdo. E no inverno. “Não é atoa que a criminalidade aqui é alta. Eu mataria por um ar condicionado”, pensei eu, nos dez minutos que esperei, ao ar livre, a porta da sala de treinamento se abrir. Outra coisa que pensei foi que deve ser impossível ter um computador com overclock em Belém.
    Continuo morrendo de vontade de morar num país com as quatro estações funcionando do jeitinho que eu aprendi nos livros de geografia…
  • O Rio Guamá. Mas foi tudo planejado pela turma que reformou os galpões antigos do porto e os transformou em um agradabilíssimo lugar com restaurantes e bares (e ar condicionado!). Aí você vai lá jantar à noite e dá de cara com aquele absurdo de rio e com o reflexo da lua batendo nas águas.
    Mas o mais incrível foi na hora de ir embora. O avião decolou e me deu, como grand finale da viagem, esse pôr-do-sol sobre o rio…

Pôr do sol sobre o Rio Amazonas

  • A comida típica. Inventei de pedir um “combo” de comida paraense com um monte de maluquices, incluindo maniçoba (a “mandioca brava”, cozida por sete dias e preparada como uma espécie de feijoada indígena) e o pato no tucupi (que faz sua língua ficar dormente e, no meu caso, dispara a música “confortably numb” em loop na sua cabeça imediatamente).
    A maniçoba era uma delícia. O pato no tucupi, nem tanto.
  • As dicas que recebi pelo Twitter. Nenhum guia turístico me traria resultado melhor. Graças ao Ian eu experimentei o sorvete de uxi (uma fruta doida – e deliciosa) na Cairu. Graças ao Doda Vilhena eu tenho um monte de bombons de cupuaçu na minha mochila nesse exato momento. E agora tem um a menos 🙂
    E fica aqui meu pedido público de desculpas ao Renmero, ilustre cidadão paraense e companheiro de Impop, a quem prometi umas cervejas no final da sexta-feira. Acabei antecipando meu vôo de volta e deixei o cara na mão. Shame on me.
  • O palco de música ao vivo montado no guindaste do galpão, nas docas, que fica se deslocando por cima das mesas. Idéia genial, só faltou tirar a música ao vivo.

Palco móvel das docas no Pará

Isso dá até uma reversal russa: No Pará, a música ao vivo passa por cima de VOCÊ.

  • A banca de discos que vi numa das ruas da cidade. Tinha tudo que é velharia em vinil. E tinha uma TV passando o videoclipe de “Neon Lights”.
    Imagine você, derretendo nas ruas de Belém do Pará, ao som de Kraftwerk. Surreal.

Livros sobre o Orkut

Quando eu era adolescente li um manual do MS-DOS 6.0 inteirinho, de capa a capa. Eu estava de férias, na casa de um dos meus primos, e achei o livro lá, jogado num canto. Desde então é um mistério o fato de hoje em dia eu ter amigos e ser casado.

Piadas à parte este foi o único livro de informática que li em toda a minha vida, porque logo em seguida descobri que os bons softwares tinham uma extensa documentação online, logo ali na tecla F1. Ela sempre estava atualizada (ao contrário dos livros), tinha referências cruzadas (sim, hipertexto, como na web), ia direto ao assunto e era muito mais prática de consultar. Sem contar que, com o passar dos anos, os softwares foram ficando tão mais fáceis de usar que nem o F1 passou a ser necessário.

Então é com muita estranheza que eu entro nas livrarias e vejo prateleiras e mais prateleiras com livros de informática. Em tempos de fóruns, wikis e Google, precisa mesmo publicar um “Excel – A Bíblia”?

Mas as maiores aberrações são, de longe, os livros sobre o Orkut…

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Esse aí em cima foi escrito por Marina dos Anjos Martins de Oliveira, produtora editorial e jornalista de formação. Suas 112 páginas, além de ensinarem a usar o site (nem comento!), tratam também de grandes questões da vida em comunidade, como:

– Como lidar com ex-namorados que surgem no Orkut?
– Achou colegas do primário? E agora?
– O que fazer se aquele chato o adicionar como amigo?
– Como funciona o “karma”?
– E os constrangimentos com o chefe, se ele olhar seu perfil?

De duas, uma: ou os leitores realmente precisam de alguém que pegue-as pela mão e mostre como faz ou, como eu já disse antes, quem compra o livro quer ficar deliberadamente no óbvio – que é muito mais confortável.

Mas tem as pessoas que, ao invés de conforto, querem dinheiro. O mercado editorial atende estes também:

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Esse aí foi escitro por um publicitário chamado André Telles, e fala sobre as possibilidades de uso do Orkut para marketing. O autor não me pareceu lá muito articulado nesta entrevista ao blog “Yogurt Blog”, então fui procurar o perfil do cara no próprio Orkut. Primeiro tive que me desviar de uns cinco profiles fake com nomes do tipo “Orkut Livro” que não continham nada além da capa, texto de divulgação e links “compre já” apontando para a Fnac e a Saraiva. Depois, quando finalmente achei o perfil real do autor, não achei NENHUMA informação profissional – mas vi que ele participa de várias comunidades relacionadas à suplementação alimentar para musculação.

Detalhe: Um dos primeiros assuntos tratados no livro é “marketing pessoal”…

Mas o melhor dos livros sobre o Orkut, o que inclusive me motivou a escrever este post, não é um livro técnico… é um romance!

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Esbarrei com essa pérola semana passada numa prateleira daquelas paradas de ônibus de meio de estrada. A sinopse dispensa comentários adicionais:

Jader Bertola, trabalha de office-boy na funerária de seu tio, até viciar-se no Orkut (chegar ao offline do poço) e perder tudo, incluindo emprego e a namorada (que não estava disposta a continuar com um cara sem diploma, sem carro e sem vergonha na cara). O rapaz alvoradense entrou inocentemente na internet (…) e acabou tornando-se um dependente. Internado em uma clínica de desintoxicação orkutiana, Jader Bertola faz um download de suas memórias para um colega de quarto escrever um livro contando a sua decadência (do convite maligno até o offline), como um alerta aos jovens que dia após dia entram idiotamente no Orkut sem saber que estão entrando num caminho sem volta, pois a cada duas pessoas que deletam suas contas no site (e saem fora), entram três (sendo que duas dessas três são aquelas duas que acabaram de deletar.

Fica aí o alerta pra você não chegar também ao “offline do poço”…

P.s.: Escrever isso tudo aí me fez esbarrar com um ótimo post: “Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em 7 tópicos”. Seria cômico se não fosse trágico.

Assistir American Idol me lembra por que eu gosto tanto de música

No último sábado eu apresentei à Bethania um clássico do YouTube: o vídeo do “American Idol” belga onde a participante canta uma música de Mariah Carey chamada… “Ken Lee”.

Risadas à parte, isso só me fez lembrar por que eu acho música uma coisa tão legal. É que, quando a performance é tosca, não é incomum que a intenção do artista seja a mais pura possível.

Música é uma coisa acessível, talvez mais do que todas as outras artes. Mas música também é muito acessível do ponto de vista emocional. É fácil se identificar com aquilo que está tocando, mesmo que a música seja em inglês e a pessoa não saiba uma palavra do que o cantor está dizendo. Ou mesmo se o ouvinte não souber distinguir qual é o som de uma guitarra e qual é o de um violão. Ainda assim a pessoa é tocada – e de uma forma muito intensa, tão intensa que a vontade de “participar” dessa coisa chamada música fica tão grande que ofusca a noção do ridículo.

É claro que há muitos casos onde a pessoa se expõe por vaidade, mas falo aqui dos casos onde a falta de noção fica muito evidente. Como exemplos cito Delfin Quishpe, o equatoriano que canta a tristeza de ter o amor de sua vida assassinado nos atentados de 11 de Setembro…

Ou então Ednaldo Pereira, o cantor e compositor paraibano que, de tão “bom”, foi parar até no Programa do Jô.

Música é legal por isso, por ser algo que converte, facilmente, um sentimento intangível em algo tão concreto que afeta profundamente as pessoas. Aí a vontade enorme de “viver” a música – e principalmente a emoção/sensação/sentimento que aquilo representa – fica maior do que qualquer preocupação com reputação ou amor-próprio. O resultado pode até ser um mico, mas nenhum dos “artistas” dos vídeos acima pareceu arrependido…